You're My Only Song
24 Diferença entre pais
Notas iniciais
Lucy
Lucy não sabia em que momento da sua noite havia ido parar na cama com Jo, mas ela não se arrependia disso nem um pouco. A noite fora maravilhosa, e agora, acordar nos braços de sua linda amante loira era algo simplesmente divino. Jo dormia tão calmamente que ela não se atreveu a acordá-la. Apenas se levantou e procurou saber onde estavam. Era um apartamento amplo, com cozinha e etc. Decidiu usar um pouco do que aprendeu no acampamento e fazer um bom café da manhã.
Olhou na geladeira. Ovos, queijo, presunto, algumas rosquinhas dormidas... Talvez pudesse tirar proveito disso. Havia também iogurte, cereal, leite e suco. Isso não seria útil, agora.
Ajeitou os ingredientes sobre o balcão da pia, ao lado do fogão e procurou uma frigideira no armário sob a mesma, encontrou uma e começou a preparar o café da manhã.
Quando os ovos já estavam prontos e o bacon estava chegando ao ponto, Lucy sentiu um par de braços envolver sua cintura e o hálito quente de Jo roçar as costas de sua orelha.
– Então, ganhei uma mulher que sabe cozinhar? – Perguntou ela, descansando a cabeça no ombro de Lucy – Estamos prontas pra casar.
– Contanto que você trabalhe – Lucy deu de ombros.
– Claro que vou trabalhar, meu pai tem a própria empresa que futuramente será minha – Jo disse, fingindo tom de arrogância – E que provavelmente vai falir porque eu não entendo nada de empreendedorismo.
As duas riram, até o bacon estalar e assustá-las.
– Calma, moça, quero estar viva pra provar isso aí – Jo brincou.
– Claro... Quer provar agora? – Lucy apontou a frigideira com a comida quente para Jo, que deu um salto para trás – Te peguei.
– Se me matasse, eu ia querer ver quem ia cuidar de você – A loira afirmou convencida.
Lucy deu de ombros.
– Eu podia fazer como A Noiva de Chuck – Zombou.
– Ia me transformar numa boneca desfigurada? – Inquiriu Jo.
– E eu viraria uma também, e então sairíamos matando pessoas aleatórias por diversão – Lucy riu.
– Eu mataria o Kendall, você o Logan, ajudaríamos a Sunny a matar o James e seríamos felizes para sempre – Jo afirmou.
As duas gargalharam.
– Tem problema com o Kendall? – Lucy perguntou.
– Não... Mas ele me dava nos nervos no tempo do acampamento, sabe? Antes de ficarmos amigos. Mas sei que você nunca gostou 100% do Logan.
– Ah... Nos demos bem no começo, no acampamento, nós éramos os invasores no meio de surdos e intérpretes – Lucy deu de ombros – Mas ele é um pouco autoritário.
– Se é pra usar eufemismo, a bunda do Carlos é um pouco grande – A loira debochou.
– Ah, fala sério, aquilo não devia ser fisicamente possível.
– Ué... Olha quem fala.
– A minha não é tão exagerada.
– Ah, é sim – Jo deu um tapa em Lucy, que largou a frigideira para agarrá-la e dar-lhe um beijo. As duas estavam esquentando bastante, quando um pigarro na porta as fez se separar.
Um homem loiro estava as encarando um pouco incrédulo, um pouco zangado.
– Pai – Jo começou – Desculpa, eu não sabia que o senhor estava em casa.
– Provavelmente – Disse o homem – Não acho que você soube disso ontem a noite quando as duas passaram duas horas gritando.
Lucy se controlou pra não rir, Jo corou.
– Desculpa.
– Está tudo bem – Disse ele – Peter Taylor, pai da Jo.
– Lucy Stone – Apresentou-se a asiática.
– É um grande prazer conhecer você. Jo me falou de você durante dois anos.
– Pai! – Jo repreendeu.
– Não estou mentindo – Peter abriu a geladeira e tirou um potinho de iogurte – Espero que vocês se divirtam pelo resto do dia.
– O que vai fazer? – Jo perguntou.
– Reunião, até por umas cinco e meia da tarde. Provavelmente ainda terei que conversar com sócios durante o restante da noite com os sócios.
– Tudo bem – A loira deu um calmo abraço em seu pai – Vou guardar um pouco do jantar pra você.
– Obrigado – Peter beijou a testa da filha e procurou na gaveta do armário uma colher pequena – Saio em cinco minutos, se precisarem de alguma coisa, estarei no quarto.
– Tudo certo, pai – Jo acenou e Peter saiu da cozinha.
– Seu pai é legal – Lucy disse quando viu que ele estava longe – Meio difícil achar pais que não tenham nada contra... Sabe? Nós.
– Eu sei – Jo abaixou o olhar e pendeu a cabeça, então deu de ombros – Mas eu tenho um tio gay, e ele e meu pai são muito próximos. Acho que ele aprendeu com o irmão a deixar essas coisas de lado.
– O que houve com a sua mãe? – Lucy resolveu perguntar. Parecia uma boa hora para aprender mais sobre a família de Jo. As duas se conheciam tão pouco.
– Minha mãe... Bem, ela foi embora... Não sei o motivo, e meu pai não gosta de falar dela. A única lembrança que temos é de uma foto que tirei na terceira série. Aí, cheguei em casa num dia qualquer, meu pai estava chorando, sentado na cama e as gavetas dela do guarda-roupas estavam vazias. Acho que foi um pouco tarde, na verdade, nunca vi a necessidade dela depois que ela foi embora. Meu pai me ensinou a ser autossuficiente e acho que isso é melhor do que ser uma dessas patricinhas criadas pela mãe que precisam de alguém pra tudo.
– Ei – Lucy brincou – Eu fui criada pela minha mãe e nem por isso preciso da ajuda de mil pessoas pra fazer uma coisa simples.
– Na verdade, nem eu, nem você, nem a Sunny e a Camille só pra se comunicar... Isso é coisa de lésbica? Conseguir fazer tudo sozinha? – Perguntou Jo.
– Talvez – Lucy deu de ombros.
Um toque de celular interrompeu a conversa das duas. Estava sobre o balcão da cozinha e Jo atendeu.
– Alô?
– Quem está falando? – Disse uma voz masculina furiosa.
– Eu que pergunto – Replicou.
– Onde está minha filha?
– Sua filha?
– Ai, droga, Jo, esse celular é meu! – Lucy disse desesperada, tomando-o das mãos de Jo – Alô.
– Lucy? Onde você está? Por que não voltou para casa ontem? Quem estava falando?
– Papai, eu...
– Não quero saber de conversa. Estou indo buscar você.
– Mas papai...
– Cale a boca. Nos falamos quando eu pegar você...
Lucy desligou desesperada. Seu coração estava disparado. Seu pai sabia que ela havia passado a noite com Jo e estava indo pegá-la.
– O que ele disse? – Jo inquiriu aflita.
– Ele... Está vindo me buscar.
– Como ele sabe onde estamos?
– Tenho GPS no celular. Ele me grampeou toda, desde o verão de seis anos atrás.
– Fica calma – Lucy sentiu Jo abraçá-la e acariciar sua cabeça – Eu não vou deixar que ele faça nada. Ele não vai entrar aqui e se ele tentar à força, eu chamo a polícia.
– Você não conhece meu pai.
– Ele que não me conhece.
Lucy sorriu. Admirava o quão corajosa Jo era, mas sabia que seu pai não teria medo da polícia.
As duas acharam melhor vestir alguma coisa, seria pior se fossem encontradas sozinhas no apartamento de lingerie. E assim que terminaram de se vestir, ouviram fortes batidas na porta que estava trancada e com a correntinha. O celular de Jo começou a tocar, mas ela o ignorou.
– Abram essa merda! – Gritou o pai de Lucy.
– Quem é? – Jo perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
– Você é a vadia que trouxe minha filha pra cá? Eu quero levá-la pra casa, abre a porcaria dessa porta.
– Acho melhor você se acalmar ou eu vou chamar a polícia.
– Chame. Veremos quem vai ser preso aqui, eu posso acusar você de sequestro.
– Eu não sequestrei sua filha, ela veio comigo por livre e espontânea vontade.
– Agora chega!
A porta estremeceu.
– Pai, para! – Lucy foi até a porta na intenção de abri-la, mas assim que ela girou a chave, a porta se abriu, atingindo-a no rosto. O golpe a arremessou no chão, junto com os fragmentos da parede onde a corrente estava pregada.
– Você vai pra casa comigo, e você... – Ele apontou para Jo – Eu vou acabar com a sua raça, sua vadia. Transformou minha filha numa aberração.
– Eu não fiz nada com ela e não somos aberrações – Jo exclamou.
– Cala a boca, vagabunda! – Kim estapeou Jo no rosto com tal força que ela se desequilibrou e caiu. Lucy estava consciente o suficiente apenas para observar a cena, não conseguia impedir o pai de fazer nada.
– Jo, eu liguei para o seu celular e você não atende... – Era a voz de Peter na porta. Lucy o encarou envergonhada e ao mesmo tempo com esperança. Ela o viu olhar para o chão onde estava Jo e percebeu o mesmo que ele, ela estava com um corte no lábio. Peter olhou enfurecido para Kim e Lucy não conseguiu dizer nada que pudesse impedi-lo – Quem você pensa que é para tocar na minha filha? – Peter agiu tão rápido que Kim só conseguiu registrar no momento em que já tinha levado os dois primeiros socos – Lucy, chame a polícia.
– Quem diabos é você? – Kim perguntou, limpando o canto inchado da boca.
– Eu sou o dono desse apartamento.
– Pois eu vim aqui pra buscar a minha filha.
– Me pareceu mais que veio agredir a minha.
– Essa sua vadiazinha levou minha filha pro...
Kim não teve chance de terminar, Peter avançou nele, desferindo mais um potente soco.
– Nunca mais. Se refira à minha filha. Dessa forma – Ele disse pausadamente.
– Então o que ela é? Uma sapatão! Aberraç...
Mas dois socos e Peter o pegou pela gola da camisa.
– Você é uma vergonha pra humanidade. A aberração aqui é você – Disse o loiro levando-o para a porta e o jogando no corredor – Caso se atreva a bater nessa porta eu digo à portaria que chame a polícia.
– Isso é sequestro da minha filha!
– Lucy, quer ir com esse homem?
Lucy olhou para seu pai. A raiva nos olhos dele era aterrorizante, era tudo o que ela temia causar, mas deixou seus sentimentos serem mais fortes. E para ser sincera, ela não se arrependia de nada do que fizera e não temia as consequências futuras. Mas no momento, tudo o que ela conseguiu fazer foi acenar negativamente, autorizando a Peter que fechasse a porta e a trancasse e somente assim para a porta fechar, já que havia quebrado todo o restante do mecanismo.
Lutou para se levantar sozinha, mesmo com o rosto extremamente dolorido, enquanto olhava Peter ajudando Jo a se levantar. Ele era cuidadoso para não machucá-la e a guiou até o sofá para fazê-la sentar ao lado de Lucy.
– Fiquem aqui. Preciso fazer uma ligação.
Lucy olhou para Jo. Ela tinha um olhar que expressava dor, mas não se atrevia a derramar uma lágrima. A própria Lucy, no entanto, não conseguia conter o choro. Não podia deixar de imaginar que aquilo tudo era sua culpa. Ouviu Peter reclamar alguma coisa no telefone sobre não poder comparecer e adiar a reunião para outro dia e a culpa só aumentou. Agora não estava atrapalhando somente a vida de Jo, mas a de seu pai também.
Uns minutos se passaram até que Peter chegasse com uma necessaire branca e a abrisse, tirando de dentro algodão e um frasco pequeno.
– Posso ver isso, filha? – Ele olhou para Jo – Por que deixou esse homem entrar?
– Ele estava para arrombar a porta – Jo disse enquanto Peter umedecia o algodão no conteúdo do frasco – Não tivemos escolha.
– O que foi isso no rosto da Lucy?
Lucy colocou a mão na bochecha para tentar esconder, mas se arrependeu amargamente. O local estava inchado e o seu simples toque fez o ferimento pulsar. Não sabia se tinha cortado, mas estava queimando agora.
– Esse homem é louco... Me perdoe por dizer, Lucy, mas agredir duas moças como vocês. E se o motivo é o que eu penso, eu vou ligar para a polícia imediatamente.
– Não, por favor – Lucy implorou – Eu sinto muito pelo que ele fez com a Jo, mas é meu pai e eu não quero que ele vá pra cadeia. É melhor eu ir para a casa e parar de trazer problemas a vocês, por favor.
– Lucy – Peter pegou a mão da garota – Eu sei que você não quer que seu pai vá para a cadeia, mas olhe o que ele fez com você? Você é filha dele, ele devia te respeitar e cuidar de você, não te agredir.
– Eu sei, mas é que...
– Esse homem te trata como se fosse um monstro – Jo afirmou – Você acha que merece ser tratada assim? – Elas se encararam enquanto Peter terminava de limpar a ferida no lábio de Jo.
– Eu sei que não quero, mas também não quero que nada de ruim aconteça com ele.
Peter pegou uma pomada de dentro da bolsa.
– Você decide – Ele disse – Posso ver esse machucado?
Ela virou o rosto lentamente e sentiu o frio da pomada se espalhar por sua bochecha.
– Vai tirar o inchaço... Conseguiram tomar café?
As duas acenaram negativamente.
– Tudo bem, fiquem aqui, vou preparar alguma coisa.
A sala ficou em silêncio por um bom tempo, antes de Lucy finalmente ter coragem de falar novamente.
– Seu pai é... Incrível – Ela murmurou.
Jo sorriu.
– Ele gostou de você... Mas não do seu pai.
– Eu sei... Não sei do que ele vai ser capaz agora que está furioso comigo, com você e com seu pai.
O telefone de Jo começou a chamar e ela o atendeu rapidamente.
– Oi, Carter – Respondeu ela sem ânimo, pondo no viva voz.
– Nossa, quanto ânimo. Depois da noite de ontem, imaginei que estaria mais disposta.
– Não estamos muito no clima agora. Poderia ligar mais tarde?
– Meninas, podem me contar o que aconteceu? Pensei em convidar vocês pra um piquenique no parque... Mas isso me preocupou.
Jo olhou para Lucy e a mesma sabia o que aquilo significava. Ela acenou positivamente, sinalizando que ela podia contar a Carter o que aconteceu.
– O pai da Lucy descobriu que a gente estava juntas. Ele veio até aqui e... Aconteceram umas coisas problemáticas.
– Gente! Estou indo aí ver como vocês estão. Vou levar Logan e Carlos comigo.
– É melhor não, Carter.
– Meninas, acreditem, nada melhor para tirar a tensão do que a presença de amigos.
– Eu...
– Ela não vai desistir – Lucy disse – Nos vemos aqui, Carter.
– O.K., beijos.
–
Lucy e Jo se alimentaram seguindo as ordens de Peter e deram a ele um momento para dormir a mais no quarto. Não demorou muito para que Carter chegasse com Justin ao seu lado e Carlos e Logan logo atrás. Lucy chegou a se animar quando ouviu que os dois iriam juntos, mas não sabia que eles não estavam tão animados. Ela gostaria que os dois fizessem as pazes.
– Oi, Lucy – Carlos disse com um sorriso.
Isso fez uma pulga coçar atrás de sua orelha, o que estava acontecendo? E foi o que ela perguntou assim que os dois entraram.
– Antes de a gente responder, esse hotel é vigiado por câmeras? – Perguntou Carter.
– Não nos quartos, só os corredores.
– Amém – Carlos disse já se agarrando ao braço de Logan.
– O que tá pegando? – Jo inquiriu.
– Meu pai tem amigos em todos esses hotéis. O fato é que eu e Carlos não vamos mostrar nenhum afeto em lugares em que possamos ser descobertos, estamos nas sombras – Logan respondeu, sorrindo fracamente para Carlos.
– Detalhem essa história – Pediu Lucy.
– Ontem à noite, eu tive uma conversa com a Sunny depois da música da Carter. Vocês duas já tinham saído bêbadas demais pra ver que eu fiz as pazes com o Carlos. Durante nossa estada na boate eu pedi desculpas e... – Logan corou.
– Orgulho demais pra falar disso, maninho? – Carter inquiriu.
– Enfim... Eu e o Carlos voltamos, mas não posso deixar meu pai descobrir.
– O que seu pai tem a ver com isso?
– Meu pai prometeu fechar todas as clínicas do pai do Carlos de um jeito ou de outro, caso eu voltasse a me relacionar com ele. E conhecendo meu pai, ele vai conseguir isso.
– Então... Estamos ajudando vocês a ter um relacionamento às escondidas? – Lucy inquiriu.
– Antes de eu responder isso, o que houve com o rosto de vocês? A noite foi violenta? – Carlos perguntou sorridente.
– Ah, isso – Jo abaixou a cabeça.
– Esse foi o problema que o pai da Lucy causou, não foi? – Carter inquiriu.
Lucy respirou fundo e explicou a eles cada detalhe. Desde o momento em que seu pai arrombou a porta, até a briga que teve entre ele e Peter. Logan, Carter, Carlos e Justin observaram atentamente a cada detalhe e pareciam ficar mais chocados a cada palavra.
– Seu pai invadiu o apartamento e bateu em você e na Jo? – Justin perguntou abismado – Imaginem o que teria acontecido se o pai dela não tivesse chegado bem na hora.
– Seu pai é meu herói, Jo – Carter brincou e Jo sorriu.
– Lucy, você tem certeza que não quer denunciá-lo? – Logan perguntou sério.
– Não, Logan, eu não quero que nada aconteça com ele.
– Seria algo bem mais prudente, se quer saber – Carter disse – Lucy, imagina o que seu pai não vai fazer com você sem ter alguém pra te proteger?
– Polícia, abram a porta – Uma voz disse e batidas fortes foram ouvidas do lado de fora.
– Mas o quê? – Carter olhou chocada para as duas.
– Estou indo – Logan disse e abriu a porta, vendo à sua frente dois policiais e um homem de aparência oriental – Pois não?
– Esse senhor fez uma denúncia de sequestro para esse apartamento, disse que estão mantendo a filha dele cativa – Um dos policiais respondeu.
– Não acredito que você foi a fundo com isso – Jo se levantou – Não sequestramos ninguém, esse homem é paranoico e louco.
– Eu estou aqui por vontade própria – Lucy decidiu declarar. Ela não acreditava que seu pai fosse chegar tão longe apenas para prejudicar Jo e isso a deixou irritada até demais – Não houve nenhum sequestro.
– Como assim? – Perguntou enfurecido e olhando ameaçadoramente para ela.
– Na verdade, policiais, que bom que chegaram – Carter afirmou – O homem que mentiu para vocês sobre sequestro invadiu esse apartamente mais cedo e como podem ver – Ela apontou a parede – Arrombou a porta e também agrediu essas duas jovens.
– Carter – Lucy murmurou.
– Se não fosse pelo pai da outra garota, ele teria feito uma besteira contra as duas e eu gostaria de prestar queixa por agressão contra ele.
– Carter, não.
– Alguma das vítimas concorda com a queixa? – O outro policial perguntou.
– Sim – Jo respondeu.
Lucy a encarou incrédula, mas Jo tinha a cabeça abaixada, evitando o seu olhar.
– Espere um minuto, eu não fiz nada – Kim contrariou.
– Olhe o rosto da garota – Um policial disse agarrando suas mãos e algemando-o – Você chama aquilo de nada? Se ela diz que foi você, então, sentimos muito.
– Mas o pai dela também me agrediu.
– Em legítima defesa. Você estava agredindo a filha dele e ele tinha que pará-lo – Logan exclamou – Obrigado pelo trabalho policiais.
– Vou precisar que uma testemunha nos siga até a delegacia – O primeiro policial pediu.
– O que está acontecendo? – Perguntou Peter aparecendo do corredor dos quartos – Polícia? Olha só quem finalmente está tendo o que merece.
– Pai, eles precisam que alguém vá para a delegacia.
– Claro que sim – Afirmou Peter sorridente – Será um prazer.
Lucy estava em choque tão fortemente que não conseguia dizer nada. A visão de seu pai algemado sendo arrastado pelos policiais através dos corredores a fez entrar em pânico e ela começou a chorar. Jo a abraçou e os outros a passaram auxílio, dizendo que tudo ficaria bem. Mas o que ela poderia fazer agora? Sua mãe não teria dinheiro para pagar a fiança e seu pai ficaria furioso. Não havia como negar que aquilo era o melhor agora, mas como aquilo seria melhor no futuro?
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