Youre Everything
7 Uma visita inesperada
Notas iniciais
Dedicado também a todos que leem You're everything.
Leiam as notas finais.
Capitulo 7
PDV Axl
-Certo, eu não sei o que você quer! – falei olhando para o meu filho, que impressionantemente ainda tinha fôlego para chorar – Nós andamos, você chorou. Balançamos, você chorou. Cantamos, você chorou. Dançamos, você chorou. Comemos, você chorou. Bebemos, você chorou. Talvez você só queira chorar, é isso? Quer que eu chore contigo? Por que eu sinto que vou!
-Hey ruivo, nós tivemos uma ideia. – Slash e Duff entraram com dois violões.
-O que? Vão fazer malabarismo com os violões? Porque se for, não vai dar certo, eu tentei fazer isso com os ursinhos de pelúcia mais ele continuou chorando – avise.
-Claro que não seu idiota. Acho que a falta de sono misturada com os seus antigos excessos está queimando os seus neurônios. – Slash debochou enquanto se sentava na poltrona, Duff já tinha se sentado no sofá e ajeitado o violão em seu colo. Coloquei o Matheus dentro do berço e apaguei a luz, deixando só a luz do abaju e as “estrelinhas” do teto brilhando.
-Pronto, tem aquela musica que o Izzy mostrou pra gente semana passada, qual era o nome mesmo? – Duff perguntou.
-Patience – respondi.
-Aquela calminha? Que o Izzy fez pra uma garota? – Slash estava curioso.
-Ela mesma, vocês se lembram como é? – perguntei e eles assentiram — Então vamos tocá-la.
Eles se posicionaram em seus lugares e eu também, meu filho continuava berrando.
Vasculhei minha mente em busca da letra da musica, ainda não estava totalmente pronta, sentíamos que faltava algumas coisas. O Izzy me disse que eu podia mudar a letra á vontade, mas eu achava que não precisava mudá-la, apenas acrescentar algumas coisas. A única coisa que nós sabíamos que teria na musica eram os assovios, fez dela uma coisa bem original, nós adoramos, e acho que quando terminarmos e a apresentarmos ao público, eles vão amar também.
Duff contou o tempo e Slash começou a introdução, logo depois eu entrei assoviando.
-Shed a tear ‘cause I missing you (derramei uma lágrima porque sinto sua falta)
I’m still alright to smile (Eu continuo bem pra sorrir)
Girl, I think about everyday now (Garota, eu penso em você todos os dias agora)
Was a time when when I wasn’t sure (Ouve um tempo em que eu não tinha certeza)
But you set my mind at easy (Mas você tranquilizou a minha mente)
There is no doubt you’re in my heart now ( Não há dúvida, você està em meu coração agora)
Comecei a cantar e o Matheus aos poucos parou de chorar, ele só ficava nos observando, virando a cabecinha de um lado para o outro do quarto.
-Said, woman, take it slow (Eu disse, mulher, vá devagar)
And it'll work itself out (E tudo vai ficar certo)
All we need just a little patience (Tudo que precisamos é de um pouco de paciência)
Said, sugar, make it slow (Eu disse: docinho, pegue leve)
And we'll come together fine (E vamos ficar bem juntos)
All we need just a little patience (Tudo que precisamos é de um pouco de paciência)
Patience (Paciência)
Me aproximei do berço ainda cantando e fiquei passando a mão na barriguinha dele, fazendo carinho.
-I sit here on the stairs (Eu sentei aqui nas escadas)
'Cause I'd rather be alone (Pois eu prefiro ficar sozinho)
If I can't have you right now, I'll wait dear (Se eu não posso te ter agora, eu esperarei, querida)
Sometimes I get so tense (As vezes, eu fico tão tenso)
But I can't speed up the time (Mas eu não posso acelerar o tempo)
But you know, love, there's one more thing to consider (E você sabe amor, existe mais coisas a se considerar)
Quando eu acabei o terceiro verso da musica, meu pequeno loirinho já dormia profundamente em seu berço. Slash ainda tocava algo que soava como uma canção de ninar e Duff dormia por cima de seu violão desde o segundo verso da musica.
Olhei para o relógio e suspirei, já eram 7 e 30 da manhã. Eu estava totalmente quebrado, e não só eu, nenhum de nós 5 dormiu por mais de 15 minutos. Toda vez que a Maria Eduarda dormia, o Matheus acordava chorando, o que fazia a sua irmã acordar também.
Tenho que dizer: essa com certeza entra pra minha lista de piores noites mal dormidas! Conseguiu ser mais cansativa que a noite de ontem, o que nos totaliza duas noites sem dormir.
Verifiquei se ele estava bem acomodado e fui pro meu quarto igual um zumbi, mal vejo a hora da Erin sair daquela porra de hospital, ela saberia lidar melhor com as crianças.
PDV Izzy
Passei a noite toda no quarto da Maria Luiza, ela acordava de vez em quando com fome e com os choros do Matheus, mas fora isso, minha noite foi calma, o Steven estava aqui pra me ajudar com as mamadeiras, fraudas e ele cantava comigo quando ela demorava um pouquinho pra dormir.
São 7 horas da manhã e a Malu outra vez acordou com o choro do irmão, mas acho que dessa vez ela tinha fome, já que ela estava tomando um terço de mamadeira de 1 em 1 hora.
Acordei o Steven que estava roncando numa poltrona e a tirei do berço enquanto o Stie descia pra esquentar a mamadeira.
Fui caminhando pelo quarto com ela chorando nos meus braços, fui mostrando os bichinhos de pelúcia até que ela se interessou por uma bonequinha de pano com cabelos ruivos e olhos azuis.
Depois de uns 10 minutos, Steven chegou com uma mamadeira e eu dei pra ela.
-To morrendo de fome, vou fazer mais café e um sanduiche, quer um pouco? — Stie ofereceu.
-Só o sanduiche, se eu tomar mais um pouco de café hoje, não respondo pelos meus atos. — nós rimos e ele assentiu e saiu do quarto.
Fiquei me balançando um pouco com a Malu e logo ela adormeceu, sorri e a coloquei com cuidado no berço, ela ainda suspirou, mas não acordou.
Já estava quase saindo pra ajudar os meninos com o Matheus quando escutei barulhos de violão e ouvi o ruivo cantar uma canção muito conhecida pra mim, eu vinha trabalhando nela desde Lafayette, mas só agora mostrei para os garotos. Claro que ainda faltava acrescentar alguma coisa na letra, mas eu estava gostando do rumo que ela estava tomando.
Depois de certo tempo ouvi que o choro parou e a musica também, me levantei sorrindo, foi aí que eu percebi que sentei ao ouvir a musica.
Fui no quarto do Matheus e o vi dormindo calmo em seu berço e o Duff babando em cima do violão no sofá.
Passei pelo quarto do Axl e vi esse largado de qualquer jeito na cama dormindo profundamente. No quarto do Slash essa mesma cena se repetia.
Fui pra sala e achei a babá eletrônica da Maria Luiza jogada no sofá, peguei o aparelho e o encaixei na minha cintura.
-Está aqui o sanduiche sem atum, já que eu sei que você não gosta. – Stie me entregou um sanduiche e um copo de suco, sorri agradecido. Eu não tinha comido nada essa madrugada inteira, fiquei só tomando café.
-Obrigado Stie, como você consegue comer atum a essa hora da manhã? – perguntei pasmo e ele só deu de ombros.
-Comendo oras! Do mesmo jeito que você está tomando suco de laranja light!
-É mais saudável e você sabe muito bem disso! – falei e ele riu.
-Mas tem um gosto péssimo.
-Não é verdade, tem o mesmo gosto que um suco de laranja normal! – falei pegando o copo de suco e bebendo do mesmo.
-Credo! Mas mudando de assunto, acho que vou querer ficar com a Malu toda noite. Ela não nos deu um terço do trabalho que o Matheus deu pros três! Ela só acordava quando estava com fome, ou suja, ou quando o Matheus chorava muito alto.
-Verdade, apesar do seu trabalho ter sido bem fácil, já que você dormiu a maio parte da noite – ele sorriu envergonhado – Foi bem fácil cuidar dela. – conclui.
-Será que eles vão querer trocar? – Stie perguntou quase que pra si mesmo, mas eu respondi.
-Seria justo, eles quase não dormiram nadinha, eu até pude dar uns cochilos de vez em quando, mas eu duvido que eles tenham conseguido pregar o olho por um minuto. – comentei.
-É, pensando por esse lado, eu até sinto pena deles.
-Stie, eu vou aproveitar enquanto posso. Por que estou vendo que isso vai ser raro daqui pra frente – falei e me levantei.
-O que você vai fazer? – ele me encarou confuso.
-Dormir oras! – revirei os olhos – E se eu fosse você faria o mesmo, daqui a pouco eles vão acordar.
Quando eu subi tomei um banho e deitei, eu estava morto!
1 hora depois...
Ouvi um choro ao longe... será que eu estava sonhando? Não pode ser, no meu sonho eu estava numa praia com a Suzan...
O choro continuava mesmo assim, e ele parecia estar vindo de mim, que estranho! Que eu me lembre eu não choro dormindo...
Abri o olho esquerdo e olhei ao redor, eu estava no meu quarto pelo menos. O choro não parava e estava vindo de debaixo de mim, será que dormi em cima de alguma criança?
Criança
Essa palavra me trazia uma lembrança forte, mas mesmo assim eu não conseguia me lembrar o que era, olhei pra baixo e vi um aparelhinho, era dali que vinha o choro. Fiquei olhando aquilo por alguns segundos, tentando entender o que significava...
-MALU! – dei um pulo da cama assim que me toquei, o maldito aparelho era a babá eletrônica!
Fui correndo para o quarto da ruivinha, que tio desnaturado que eu era! Quando a vi ela já estava quase ficando roxa de tanto berrar, foi uma tremenda sorte o choro não acordar o Matheus.
Peguei-a no colo e ela se aclamou um pouco.
-Tudo bem neném, titio está aqui ok? – murmurei enquanto me balançava um pouquinho.
-Vamos esquentar o seu mingau. – desci as escadas e a coloquei no carrinho de bebê. Fui empurrando para a cozinha e a deixei num local que eu não a perdia de vista.
Peguei a ultima mamadeira e coloquei no fogo em banho-maria. Não pense que essa mamadeira ainda é a de ontem à noite, aquelas já acabaram á horas! Esses bebês comem mais que o Axl, o Stie e o Duff juntos, o que posso garantir que não é pouca coisa!
Assim que o leite esquentou, verifiquei se não estava muito quente e dei pra Malu, ela sugou tudinho rápido dessa vez, coitadinha, devia estar com muita fome mesmo pra estar berrando daquele jeito que estava.
Depois que ela terminou de tomar tudo e de ter arrotado, eu peguei a chupeta e alguns brinquedinhos de borracha e dei pra ela enquanto eu fazia mais leite e esterilizava mamadeiras e chupetas.
Como ela estava quietinha no carrinho, não deu trabalho nenhum e eu pude facilmente terminar tudo sem nenhum imprevisto.
-Acho que quando seu papai e o resto dos seus titios acordarem vão querer comer alguma coisa, certo? – falei e ela apenas continuou me olhando, considerei isso como um “sim”.
-Vou fazer alguma coisa pra eles comerem – conclui e me virei pra pensar em alguma comida, eu particularmente não sabia fazer mais nada além de bacon e ovos. E era isso que eu ia fazer, mas antes eu liguei pra um mercadinho que entregava comida pronta em casa, pedi um bolo, algumas frutas e suco de laranja e cupuaçu, uma fruta típica do Brasil que eu me apaixonei desde que tomei na casa de uma amiga do Axl, que é brasileira.
Depois de uns 30 minutos ouvi um barulho de moto e fui lá pra frente, não podia deixar ele tocar a campainha, aquele troço era barulhento demais.
-Aqui senhor – o rapaz me entregou três sacolas.
-Obrigado – falei e dei o dinheiro, mas ele parou assim que olhou para o meu rosto.
-Izzy Stradlin? Do Guns?? – perguntou parecendo não acreditar.
-Isso mesmo. – falei e ele sorriu abertamente.
-Sou muito seu fã! Te admiro de verdade! Você poderia me dar um autógrafo?
-Claro, deixa só eu pegar um papel e uma caneta, entra aí! – falei enquanto abria a porta pra ele passar, ele pareceu um pouco inseguro e constrangido, mas acabou dando uns passinhos a frente.
Assinei num papel que tinha ali, o nome dele era Jonathan.
-Bom Jonathan, espero ter chegado as suas expectativas! – brinquei, falei isso porque uma vez quando uma fã minha me conheceu, ela falou assim “Uou, você é bem mais baixo do que eu esperava!” os meninos ficaram zuando da minha cara por semanas!
-Claro que sim, sempre foi meu sonho conhecer vocês! – ele riu e pegou o papel das minhas mãos, foi aí que ele percebeu a presença da Malu na sala, ele olhou para ela intrigado, mas não falou nada.
-A filha do Axl – expliquei -deve ter saído no jornal, não?
-Na verdade, eu ainda não li o jornal hoje. Ele teve uma filha? – perguntou pasmo.
-Na verdade, são gêmeos, o menino está lá em cima – ele arregalou os olhos.
-Caralho! Gêmeos? Puta que pariu! – ele murmurou baixinho. – Posso ver ela mais de perto?
-Claro, só tenta não respirar muito em cima dela. – falei e ele se aproximou.
-É linda. A cara do Axl!
-Ah, porque você ainda não viu o menino, é a Xerox autenticada e colorida dele! – brinquei.
-Quem é a mãe? – ele se virou pra mim e eu hesitei um pouco. – Ok, não precisa falar se eu estiver me intrometendo muito.
-Você promete que não vai sair espalhando? – perguntei.
-Claro que não – ele pareceu sincero.
-Erin Everly.
-UAL! Até que é parecida com ela mesmo! Bom, obrigado por tudo Izzy, mas eu tenho que ir! – ele pareceu triste ao dizer isso.
-Tudo bem, você pode aparecer quando quiser por aqui, gostei de você. – fui sincero.
-Sério? – juro que vi os olhos dele brilharem – Obrigado pelo convite, mas prefiro não incomodar.
-Que isso, to dizendo a verdade, gostei de você.
-Eu também, você é melhor do que muitos artistas por aí, que só querem saber da fama, você é humilde! Continue assim Izzy, vai fazer muito bem pro seu coração. – ele disse sorrindo e depois saiu fechando a porta, a última coisa que ouvi foi o barulho da moto passando pelos portões.
Coloquei as sacolas no braço e empurrei o carrinho da Malu de volta para a cozinha. Quando cheguei lá tirei o bolo e coloquei em cima da mesa, assim como as frutas, já o suco eu guardei na geladeira.
Quando eu estava terminando de cortar as fatias do bacon, o telefone toca.
-Alô – falei.
-Quem é que tá falando? É o Ozzy – Ozzy respondeu. Ele e a banda tinham ficado muito amigos desde o ultimo show que fizemos juntos, até eu, que já sou mais reservado, gostei dele e nós tivemos uma conversa á lá Axl, ou seja, durou horas e horas, ele é super inteligente.
-É o Izzy, como vai?
-Oi Izzy, á quanto tempo porra! Quando é que você e a sua porra de banda vão fazer show junto com a porra da minha banda de novo?
-No momento vai ser complicado fazer qualquer tipo de show! – falei olhando para a Malu, que estava chupando a cabeça de algum boneco de borracha, aquilo estava todo babado.
-Então essa porra é verdade? – ele pareceu chocado.
-O que? – perguntei já imaginado o que era.
-Que o Axl agora tem a porra de uns herdeiros?
-Isso mesmo, é um casal.
-Puta que pariu! Eu pensava que era mais uma porra de mentira sobre o Guns! Filhos? Caralho! Que coisa fodida, porra! – acho que desde que nasceu, o Ozzy é a porra de um boca suja, nunca vi gente pra falar mais palavrão que ele, e olha que o Duff xinga pra cacete.
-Nem tanto, até que eles são fofos – falei.
-Ih, já vi que tu vai ser a porra de um tio coruja? É foda viu! – ele riu e eu acompanhei.
-Pelo visto é isso mesmo, eu até estou cuidando da menina agora – falei.
-Essa eu quero ver! Posso passar por aí? Aqui em casa tá um tédio do caralho, e se eu ficar mais a porra de um minuto aqui vou morrer de overdose. – ele reclamou.
-Você está drogado? – perguntei.
-No momento não, a Sharon escondeu todas as porras daqui de casa, se eu for pra algum lugar que tenha qualquer tipo dessa porra, eu vou me injetar até não poder mais.
-Ok, vem pra cá, aqui em casa está tudo limpo, e vem sem bebida ok? – avisei e ele suspirou.
-Ok porra, já to indo. – ele desligou no exato momento em que ouvi o choro do Matheus.
Depois de alguns minutos vi Duff descendo um pouco atrapalhado com o Matheus no colo, que parecia estar sob algum tipo de tortura, porque ele não se calava.
-Onde tá a porra do outro carrinho? – Hoje por acaso é o dia do “porra”? Duff parecia ainda estar dormindo em pé, me aproximei e peguei o Matheus do colo dele.
-Vai no banheiro, lava o rosto, escova os dentes, toma banho, o que for. Mas só volta aqui quando já estiver apresentável, vamos receber visitas hoje. – falei e ele me olhou confuso.
-Quem vem aqui? O Allan? – Allan era uma das únicas pessoas que nos visitava regularmente.
-Não dessa vez, o Ozzy. – falei.
-O que aquela porra vem fazer aqui? – ele parecia feliz com a noticia.
-Ele estava entediado e queria conferir os filhos do Axl com os próprios olhos. – falei enquanto ia pra cozinha, pegar uma das mamadeiras que ainda estavam mornas, peguei uma e dei pro Matheus, ele rápido se calou e começou a sugar o leite.
-Ok, você fica tomando conta dos dois por um minuto? Eu tenho que mijar! – eu assenti e ele saiu correndo pro banheiro. Uns 5 minutos depois ele saiu de lá com a cara lavada e o cabelo parcialmente preso.
-Tem alguma coisa pra comer que não seja leite?
-Primeiro, leite não se come – corrigi e ele revirou os olhos – Segundo, tem bolo e algumas frutas, eu ainda vou fazer bacon.
-Me da o Matheus aqui, vai fazer o bacon que eu to com fome. – ele pegou o Matheus do meu colo e continuou dando a mamadeira pra ele.
-E eu lá tenha cara de ser tua puta? – perguntei divertido.
-Sinceramente? – ele arqueou uma sobrancelha sarcástico.
-Vai te fuder! – eu só não joguei qualquer coisa nele porque ele estava com o Matheus no colo.
Ele riu e eu fui pra cozinha terminar de fazer o bacon e os ovos.
PDV Duff
-O Izzy falou pra vocês quem vem aqui hoje? – falei enquanto sentava no sofá com o Matheus no colo, o carrinho da Malu estava na minha frente. Eles não responderam, é óbvio.
-Hum, vou considerar isso como um não – falei sorrindo – Quem vem aqui é o tio Ozzy, vocês ainda não tiveram o desprazer de ver ele, mas vão conhecê-lo hoje.
Vi que o carrinho do Matheus estava na outra parte da sala e me levantei com ele, coloquei o Matheus dentro do carrinho e levei para perto da Malu, a essa altura, ele já tinha terminado de tomar toda a mamadeira.
-Vocês querem ver TV? Deve estar passando alguma coisa legal pra vocês. – falei.
Liguei a TV e fui passando de canal até encontrar um canal só pra crianças, deixei lá e fui pra cozinha, eles pareciam interessados no gato cinza e no ratinho marrom.
-Como está aí chefe? – brinquei enquanto sentava na mesa.
-Cadê eles? – ele olhava pra mim assustado.
-Na sala vendo desenho – falei e ele suspirou.
-Já tá com fome? Tem bolo e algumas frutas aí, o bacon está quase pronto, assim como ovos.
-E quando é que eu não estou com fome? – falei rindo enquanto cortava um pedaço relativamente grande do bolo e colocava num prato, peguei também algumas uvas, um pedaço de mamão, um de melão e uma fatia de melancia. Para beber peguei um copo de suco de laranja, depois fui pra sala, não podia deixá-los sozinhos por muito tempo.
Me sentei ao lado deles no sofá e comecei a comer enquanto via desenho também, o gato fazia de tudo pra matar o rato, mas esse sempre arranjava uma maneira de escapar e ainda ferrava com o gato, era engraçado.
Eu tentava não rir muito alto em algumas partes porque isso ainda os assustava. Acho que ainda eram muito sensíveis ao som, porque ninguém podia espirrar,tossir, gargalhar, deixar alguma coisa cair, gritar e etc, eles sempre se assustavam.
Depois de 10 minutos eu acabei de comer e a campainha tocou, deixei o prato em cima do sofá e fui abrir a porta. Detalhe: quando a campainha tocou, eles se assustaram, mas graças a Morgana não choraram.
Abri a porta e vi o Ozzy, hoje ele não estava maquiado, acho que porque era cedo demais pra isso, ou ele se esqueceu mesmo.
-E aí seu viadinho do caralho! – ele me abraçou.
-Fala seu filho da puta – era basicamente assim que a gente se comportava.
-Novidades porra? – perguntou entrando.
-Nada que você já não deva saber – falei fechando a porta e indo em direção a Malu e o Matheus.
-Ah, porra, ainda é difícil acreditar que tem duas pessoas menores de 18 anos nessa casa. – ele falou se aproximando dos dois, mas fui pra frente deles assim que o vi querendo tocá-los.
-Não sem antes lavar a mão com bem sabão e passar álcool. – falei e ele me olhou assustado.
-Duff? Quem é você e o que fez com a porra louca desgraçado? – ele debochou, eu só revirei os olhos.
-Duff? Eu ouvi a campainha tocar ou estava sonhando? – Slash perguntou descendo as escadas.
-A não ser que agora você sonhe comigo Slash, eu estou aqui mesmo – Ozzy provocou.
-Ozzy? – Slash estava surpreso.
-Não! A puta da tua namorada, ignora o excesso de roupa.
-Vai te fuder! – Slash terminou de descer e o cumprimentou.
-Será que dá pra vocês pararem de falar palavrão? Agora nós temos duas crianças em casa, não podemos dar esse tipo de exemplo, ainda mais com a mãe do Axl na nossa cola. – Izzy, o mais sensato de todos falou aparecendo na sala também.
-Oi Izzy, desde quando tu é o responsável? – Ozzy perguntou.
-Desde sempre – respondi – Você está assim porque só via ele nas festas e tal, mas ele sempre foi o “pai” de todos aqui.
-Ual, não sabia dessa sua porra de lado “Maria Madalena”. Mas tudo bem, vou ver se eu falo menos porra, mas não garanto nada! Agora eu vou lavar a mão, com licença. – ele foi em direção ao banheiro e Slash e Izzy se olharam assustados.
-Desde quando ele vai lavar as mãos? – Slash perguntou.
-Desde quando ele quer se aproximar dos bebês. Eu mandei ele lavar as mãos e passar álcool, todo mundo sabe que as mãos dele nunca são confiáveis. – falei e eles assentiram.
-To morrendo de fome, tem alguma coisa pra comer? – Slash perguntou.
- Tem, tá tudo na cozinha – Izzy respondeu – Vai querer comer mais alguma coisa? – ele se virou para mim.
-Só depois, aquelas frutas me encheram. – falei.
-Só as frutas? Você levou a metade do bolo no teu prato! – ele apontou para o prato vazio e eu ri.
-É, o bolo também contribuiu.
-Cadê o ruivo e o outro loiro? – Ozzy saiu do banheiro e perguntou.
-Lá em cima, ainda estão dormindo. Você lavou a mão direito? Passou o álcool? – perguntei.
-Passei porra! Ops! Quero dizer, passei sim. – ele estendeu as mãos na minha frente e eu cheirei.
-Tá, agora você já pode se aproximar deles – apontei para os meu menininhos.
-Cacete, eles são tão pequenos. Quem é a mãe? E onde ela está?
-Erin Everly, lembra? – perguntei me sentando no sofá, ele ainda estava parado olhando para os bebês.
-A modelo, certo?
-Essa mesma. Ela sofreu um acidente e ainda está no hospital.
-Mas eles estavam com ela? –pela primeira vez, ele parecia um pouco preocupado.
-Ela ainda estava grávida, mas como você pode ver, eles estão bem.
-Mas e ela?
Abaixei um pouco meu tom de voz, não queria que o Axl ou os bebês ouvissem o que eu ia dizer.
-Bom, ela está muito mal, muito mal mesmo. Está na UTI e tudo mais.
-Caralho, mas ela vai ficar bem?
-Não sei te dizer, ninguém sabe, mas todos nós esperamos que sim, é claro. – falei.
-Verdade, manda as minhas melhoras pra ela quando for lá.
-OK.
Nessa hora o Axl apareceu, ele descia as escadas correndo, parecia desesperado.
-Eita porra! O que foi ruivo? – Ozzy parecia se divertir.
-Meus filhos! Onde estão os meus filhos? – ele olhava de um lado para o outro, mas parecia não ver nada realmente.
-Calma ruivo! Eles estão aqui! – apontei para os dois no carrinho, a Malu cochilava com a chupeta na boca, e o Matheus continuava olhando para a TV, quero dizer, agora ele olhava para o Axl um pouco assustado.
-Ah! Graças a Deus! – ele sorria e foi para o lado dos filhos – Eu sonhei que a vadia da Venetia vinha e pegava os dois.
-Cruz credo! Vira essa boca pra lá! – falei – Hey, não viu que tem algumas coisa diferente na paisagem? – brinquei. Ele olhou ao redor por um minuto e seus olhos caíram no Ozzy.
-Ozzy? O que está acontecendo? – ele parecia confuso.
-E precisa acontecer alguma coisa pra eu visitar a minha banda favorita? – Ozzy fez cara indignada.
-Bom, pra visitar a tua banda favorita não, mas pra visitar a gente sim. – Axl falou e eu ri.
-Por que tu não acredita que são a minha banda favorita?
-Porque se você gostasse de Hard Rock tanto assim, não seria um cantor de Heavy Metal. – falei me intrometendo na conversa.
-Até que você tem razão – Ozzy colocou a mão no queixo – Eu vim aqui por vários motivos, primeiro: eu estava com saudades de vocês.
-Vai ser gay lá na China! – Slash saiu da cozinha e se sentou numa das poltronas.
-Ok, segundo: no momento aqui é o único lugar que não tem drogas, e essa semana eu já tive uma overdose, não seria legal ir para o hospital de novo.
-Ok, motivo aceito. – brinquei.
-E terceiro, fiquei curioso com a manchete no jornal, queria conferir se era verdade. – ele falou apontando para os bebês.
-Finalmente a verdade! – Axl se levantou – Agora que já sei o porquê de você está aqui, vou comer alguma coisa.
Ele foi pra cozinha e Ozzy o seguiu dizendo.
-Comer? Sabia que eu ainda não tomei café da manhã hoje!
Eu ri enquanto observava o Slash brincando com o Matheus, a Malu ainda dormia.
-Vou esquentar a próxima mamadeira deles, daqui a pouco ela acorda e começa a chorar. – falei me levantando e indo pra cozinha. Axl, Izzy e Ozzy estavam comendo alguma na mesa.
-Já tá com fome? Tem bacon aqui. – Izzy disse.
-E ovos. – Ozzy completou de boca cheia, fiz careta.
-Ele não come ovos – Axl respondeu por mim, enquanto eu pegava duas mamadeiras e colocava no fogo.
-Por quê?
-Eles iriam virar pintinhos, eu nunca iria comer um filhote. – respondi.
-Hum, princípios, é? – Ozzy debochou e eu dei de ombros. Eu fui criando numa espécie de fazenda, e sempre achei injusto os animais terem que morrer pra gente se alimentar, são poucas as vezes em que eu como carne, mas não levo uma vida vegetariana, isso já seria demais pra mim.
Logo as mamadeiras esquentaram o suficiente e eu peguei uma maçã enquanto ia pra sala de novo. Como previsto, a Malu já estava acordada, mas não estava chorando.
-Com fome minha linda? Cadê o seu irmão? – perguntei olhando ao redor, apenas o berço do Matheus estava ali.
-Slash levou ele pra se trocar, acho que fez o numero dois. – Steven fez careta.
-Não sabia que você já tinha acordado, o Ozzy está aqui. – falei deixando a mamadeira na mesinha e pegando a Malu do carrinho.
-Sério? E onde ele está?
-Na cozinha com o Axl e o Izzy. – respondi me sentando no sofá com a Malu.
-Eu vou lá! – ele se levantou e desapareceu no corredor.
-Bom, agora somos só nós dois princesa – falei rindo pra ela.
Aproximei a mamadeira de sua boca e ela logo abocanhou tudo de uma só vez.
-Será que eu demorei muito? – perguntei pra mim mesmo – Você parece está com fome. Mas pelo menos não estava chorando.
-Duff, alguns repórteres descobriram o meu numero e não param de ligar pro meu celular! Nós precisamos marcar logo a porra da entrevista com o James! – Axl apareceu reclamando.
-Então marca oras! O que está te impedindo? – falei.
-Eu ia marcar pra hoje, mas acho que não vai ser muito legal eles receberem muita visita num dia só, né? – ele perguntou se sentando no sofá, estava óbvio que ele ainda estava cansado.
Pensei no assunto, realmente, não seria muito bom eles verem muitas pessoas em um único dia.
-Quem sabe amanhã? – perguntei.
-Vou fazer isso, vou avisar os garotos e marcar pra amanhã. – ele se levantou e voltou pra cozinha, mas parou no meio da caminho.
-Cadê o Matheus? – ele olhou para os lados, como se a qualquer momento o Matheus fosse pular em cima dele.
-Sujou a frauda, ele está lá em cima com o Slash agora. – respondi.
-Ah, então é melhor eu ir lá pra ver como as coisas estão. – ele subiu as escadas e desapareceu pelo corredor.
Fale com o autor