You're A Million Ways To Be Cruel - NÃO CONCLUÍDA
19 Know The Killer
Notas iniciais
“Eu estou apenas sonhando em acabar com você
Eu estou em de-detalhes com o diabo
Então agora o mundo nunca pode alcançar meu nível”
(My Songs Know What You Did In The Dark — Fall Out Boy)
*
O trem sacolejava sem parar, o Sol ardia lá fora, o que era um contraste infeliz com o rosto de Pansy que parecia torturado e amargo assim como as lágrimas que derramava.
A garota sabia que estava parecendo uma idiota, mas não conseguia evitar pois a cada quilômetro que o trem corria, mas perto ela estava de seu nebuloso destino.
Ouviu os passos de alguém se aproximando e tentou limpar o rosto mas não foi rápida o suficiente. A pessoa que entrava em sua cabine estava determinada e o fez o mais rápido possível.
— Parkinson? — Ela levantou os olhos assustada ao reconhecer a voz.
— Tome, fique com isso — Ele entregou a ela um pedaço de pergaminho.
— O que eu vou fazer com isso?
— Não seja tão irritante, você vai descobrir o que fazer. Não hesite em fazer uso. — E foi embora ainda mais rápido do que entrou.
Pansy abriu o pergaminho leu e passou o restante da viagem tentando entender porque Rony Weasley lhe deu seu endereço.
*
Luna saltitava de volta à sua cabine, quando avistou Cho sozinha em uma. Lembrou da conversa estranha que haviam tido no banheiro ao que pareceu anos atrás.
— Chang? — Ela chamou e a garota se assustou.
— Aí Lovegood! Que susto. O que quer?
— Problema seu se está no mundo da Lua — E piscou pra outra — Você queria que eu te ajudasse em algo e depois nunca mais nos falamos.
— Verdade! Havia me esquecido. Também não é? Vivemos dias confusos depois disso é nada mais vai ser normal. — Ela suspirou e ponderou se contava ou não a verdade pra ela — Ah que se foda! Eu acho que estou afim da Astoria e não há nada que eu possa a fazer em relação a isso.
Luna caiu na gargalhada antes que pudesse evitar. Cho ficou constrangida e já se arrependendo.
— Eu pensava que era algo pra grave. Astoria é bem menina fútil, não sei se ela gosta da fruta, mas não tem nada a perder.
— Você diz isso porque não é você — Ela cruzou os braços e fez um biquinho.
— Esse é o meu melhor conselho, estar pra ela, perto dela e mostrar que você vale a pena. Eu acho que ela nunca beijou ninguém. Talvez você tenha sorte.
Luna saiu de lá e deixou Cho ainda mais confusa que antes.
*
Os alunos já estavam trocando de roupa e pegando suas malas, o trem estava chegando a estação de Londres e por mais que não quisesse admitir, Hermione estava nervosa e com vontade de vomitar.
— Herms você está bem?
— Claro que estou bem, porque não estaria? — Ela disse enquanto socava a sua mala para fechá-la
— Não é por nada. É só a sua cor que está meio verde. — Ela estava tão nervosa que começou a gargalhar.
— Sua mãe não vai gostar de mim se eu vomitar no vestido dela, não é?
— A única pessoa que podia fazer isso era eu. E perdi esse privilégio aos cinco anos, então… — E deu de ombros.
Hermione sorriu mais relaxada e avançou o imprensando na parede. Enfiou seus delicados dedos no cós do jeans dele e o puxou pra si.
— Confia em mim, vai dar tudo certo — Ela disse tentando parecer confiante, mas a verdade foi que começou a se sentir assim.
O beijou antes que ele pudesse responder alguma coisa e logo aquela cabine estava mais quente que qualquer lugar mais quente do lado de fora.
*
— Luna? Espere! — Blás tentava andar o mais rápido que podia enquanto arrastava o seu malão.
— Sim? — Ela se virou e parou por uns segundos atrapalhando o fluxo de alunos, que logo estava reclamando. Blás conseguiu alcançá-la e os dois andaram lado a lado — E então? — Ela quebrou o silêncio.
— O que vai fazer nas férias? — Luna não precisava ler mentes para saber o que estava oculto nessa frase. Como agiria com seu pai? O que faria com ele? Teria coragem de seguir em frente e se tornar uma… Ela ainda nem conseguia pensar na palavra.
— Eu ainda não tenho certeza — Ela disse sincera.
— Eu entendo. — Ele ponderou por alguns segundos e depois tirou algo do seu bolso — Me chame se precisar de ajuda.
Mal os dedos de Luna fecharam-se no pergaminho, e o moreno já se esquivava entre os alunos. A els só coube fitar as costas dela e sussurrar um “obrigada” ao vento.
*
— Draco! DRACO! AQUI! — As pessoas viraram-se para ouvir de onde vinha os gritos. Aparentemente Narcisa fazia pouco caso da recente má reputação de sua família e não se deixava intimidar por uma multidão.
— Acho que sua mãe está chamando você — Hermione disse irônica — Mas não tenho certeza.
— Pode fazer piadas, mas essa aí vai ser a sua sogra — Hermione fez uma cara de terror e os dois riram.
— Bem, vejo que os dois se dão muito bem — Narcisa disse bem próximo a eles, os fazendo parar de imediato. — Draco, eu estava chamando você — Ela disse em um tom que só faltava um biquinho para completar a infantilidade.
— Me desculpe mãe — Ele disse austero — Essa aqui é a Hermione, minha namo…
— Eu sei quem é ela — E sacudiu a mão pro lado da garota como se ela você uma cadela sarnenta — Vamos logo, seu.. hm… tio — Ela disfarçou bem mal o desconforto — Espera ansioso para conhecer vocês.
Dito isso ela saiu caminhando o mais rápido que podia e os dois tiveram que correr para alcançá-la.
— Ela não gosta de mim — Hermione afirmou quando viu a mulher longe demais para ouvir.
— Não é bem isso, ela só está com ciúmes. E obviamente preocupada.
Depois disso eles seguiram em silêncio. A hora de segurar na mão de Narcisa para aparatar, Hermione ficou bem receosa, mas durou tão pouco que não deu tempo de se sentir nervosa.
— TICK! — Narcisa berrou, antes mesmo que eles pudessem se recompor do desconforto de aparatar.
Em um piscar de olhos o elfo se apresentara e a matriarca Malfoy ordenou para levar as malas deles.
— Pode colocar o da garota no quarto de hóspedes — Ela acrescentou por último e rumou em direção a casa sem dar tempo de Draco protestar.
— Tem certeza que é só ciúme? — Ela disse em dúvida.
— Não se preocupe, eu vou dar um jeito nisso. Agora temos que ir, eu não que o meu “tio” seja paciente.
Ele estendeu a mão a ela e ela a segurou com força.
— Vamos logo terminar com isso.
*
Hermione sabia da riqueza dos Malfoy’s, mas ainda assim não conseguiu evitar o arquejar de surpresa ao chegar no interior da mansão. A sala de entrada era enorme, oval e com as paredes cheia de retratos e pinturas antigas. Os móveis eram de mogno escuro e com detalhes em outro. Passaram por um longo corredor, também cheio de pinturas e quadros, a garota sentia mil Malfoy’s a encarando com desprezo.
Ela queria observar mas, porém Draco a guiava apressadamente, até chegarem em frente a uma gigante porta dupla.
Ele a fitou intensamente, ela fez um gesto mínimo o encorajando, então o garoto ergueu o punho para bater, mas antes que o fizesse a porta se abriu e eles ouviram uma voz seca e fria dizer:
— Por favor, não se acanhem, entrem.
Sem hesitar, os dois caminharam firme para dentro da sala.
Como o resto da casa, a sala era magnífica. Se bem que chamar de sala era modesto demais, aquilo estava mais para um Salão de baile do que outra coisa.
Hermione queria muito olhar os detalhes daquela lareira enorme, ou da mesa enorme de banquete, mas o extraordinário ali não era a decoração, e sim o homem albino e ofídico no meio dela.
Voldemort se encontrava sentado em uma cadeira de espaldar imenso, parecendo mais um rei do que um Lord, Nagini se encontrava ao seu redor e ele exibia um sorriso enorme demais para parecer amistoso.
O espantoso também era a quantidade de figuras pretas e de olhares hostis ali presentes.
— Então essa é a sangue ruim? — Hermione teve que conter um grito de surpresa, pois sem esperar Bellatrix lhe sibilou no ouvido — Estou surpresa com o quanto ela parece patética.
— Bella, não espante os convidados — Voldemort falou em um tom de falsa animação — Pelo que eu soube ela é uma ex sangue ruim. Parece que o menino Malfoy conseguiu completar com êxito um antiga magia negra.
— Ou ele é mais inteligente ou mais tolo que o pai — Um dos comensais presentes murmurou.
— Eu posso afirmar — Draco se pronunciou — Que executei a magia com perfeição.
— Então me provem — E antes que alguém pudesse dizer algo, Hermione caiu no chão em visível agonia. O largo sorriso na cara do Lord o indicava como o algoz — Vejam só, ela nem grita.
— Não precisa torturar ela, ela vai fazer o que querem — Draco reclamou chocado. Apesar da dor, Hermione mordeu forte seus lábios para não gritar. Seu cérebro estava virando sopa e seus ossos pareciam se diluir, quando finalmente o feitiço cessou.
— Eu sei disso — Lord replicou — Mas queria ver se ela era forte mesmo. — E deu de ombros.
Hermione, com a ajuda de Draco, conseguiu se levantar. Sentia que não podia andar com as próprias pernas, mas não ia passar tamanha humilhação na frente de tanto. Endireitou a postura e com muita força de vontade se colocou sobre suas pernas, puxou a varinha das vestes e produziu um corte no mesmo lugar que Draco havia feito durante o ritual. Se encaminhou até o Lord e fez uma referência.
— Aqui lhe mostro o sangue que corre nas minhas veias, tão puro quanto qualquer outro aqui.
— Que garota ousada. Acredita mesmo que é tão pura quanto nós? — Ela permaneceu calada.
Todos ficaram calados e uma tensão se fez presente no Salão, até Voldemort conjurar um feitiço silencioso. De suas mãos saiu uma fumaça azul, que ao entrar em contato com o sangue de Hermione, se tornou dourado e acabou por fechar o corte que o provocava.
— A família Malfoy se salva afinal — Voldemort disse em tom jocoso e depois gargalhou. — Incrível, ela tem sangue tão puro quanto o de vocês.
Após isso, Hermione pôde sentir os músculos tensos, relaxarem o pior havia passado. Ela esperava uma perturbação e dificuldades a mais, porém ficou aliviada por estar errada.
Os comensais ao perceberem que não haveria punição e nem castigo, começaram a se incomodar com seus próprios afazeres. Devagar, Hermione voltou ao seu lugar ao lado de Draco e este conferiu, com certa ternura, se o corte provocara algum dano maior e se estava tudo em ordem.
— Mas tem uma coisa que me incomoda… — Voldemort voltou a falar e logo todos pararam para ouvir — Porque ela? Tantas garotas por aí que não precisaria o trabalho de magia, mas você escolheu ela. Há algo de especial que eu precise saber?
— Ela é a garota mais inteligente em toda Hogwarts. Ouso dizer mais, é a mais inteligente da sua idade em nossa época. — O tom frio que Malfoy respondeu, mostrava lógica em sua resposta, só Hermione que já o conhecia, podia notar o tom doce oculto.
— Veremos. — O Lord respondeu e os dispensou com a mão.
— Milorde — Hermione se pronunciara — Eu não vou decepcionar, e vou poder provar meu valor mais breve do que espera.
E fazendo uma reverência ela e Draco se retiraram o mais educadamente possível.
— Milorde, você não a achou petulante por dizer isso? — Bellatrix se manifestou — E senti que foi muito bonzinho com ela — E fez um biquinho de desgosto.
— Não ouse me desacatar Bella. Ela teve o que eu acho justo para provar que ela pode ser uma grande aliada.
A verdade é que o Lord das Trevas, como diz seu nome, foi capaz de ver o tamanho da sombra oculta naqueles olhos castanhos. Se ela não fosse sua aliada, daria uma excelente inimiga. Ninguém alcançaria o seu nível, pois a áurea de Hermione era forte e densa demais, para ser sentida e temida até por Voldemort.
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