Your Lady
1 Único — Sua Lady.
Notas iniciais
Era uma noite de festa na Sabertooth, repleta de boa comida, bebidas alcóolicas aos montes e gritaria em meio aos tantos sorrisos. Tanta alegria devia-se ao fato de que Minerva estava de volta e certamente a data não poderia passar em branco. Não apenas Minerva, mas sim uma companheira que havia sido salva da escuridão. Isto era realmente algo que precisava-se comemorar.
Apesar de ser uma festa feita para si, a famosa Lady não participava dela. Do lado de fora da guilda, fitava o manto escuro do céu coberto de estrelas… e a Lua a brilhar, redonda e esplêndida. Após admirar seu brilho, fechou os olhos e deixou-se levar pelas sensações provocadas pela brisa gostosa da noite quente. Tentava tirar os pensamentos que lhe atormentavam a cabeça, mas era tão complicado ignorar certas coisas...
— A encontrei, milady.
— Sting! — exclamou ela, vendo o Dragon Slayer rir com sua expressão assustada. As bochechas de Minerva ficaram levemente avermelhadas por ele estar rindo dela. Assustá-la assim não tinha graça nenhuma! — Hum… o que foi?
O loiro ficou com uma expressão séria depois do calor do momento.
— Bom, isso sou eu quem queria perguntar. — respondeu ele. — Por que não está festejando com todos nós? Estamos sentindo sua falta.
Minerva emitiu um suspiro, fitando o céu novamente.
— Parece que isso não está certo.
— Como assim? — Sting franziu a testa, notando uma certa tristeza em seu olhar. Vê-la parecer chateada com algo o deixava chateado também, porque eram companheiros. Companheiros sentem uns pelos outros, claro; no entanto, a sensação era um tanto diferente com sua lady. Era assim que a chamava em pensamento: sua, e somente sua. — Não está achando legal?
O vento suave fez os cabelos escuros da maga esvoaçarem.
— Não é isso. — respondeu, notando que agora ele havia parado a seu lado também observando o céu por um momento. — É… é complicado.
— Se quiser, pode virar descomplicado. — disse o rapaz, fixando os olhos azuis nela junto à um sorriso. Minerva o olhou de volta e sorriu de canto.
— Eu apenas sinto que não mereço tudo isso. Digo, essa celebração. — falou soando como um sussurro no meio da escuridão. — Eu não sei se vou conseguir ser boa, Sting. Boa como vocês. Fiz muitas coisas erradas.
— Todos nós erramos. Não podemos consertar o passado, entende? Mas o que importa é o que somos agora. — respondeu o Dragon Slayer. — Não fique se remoendo tanto, princesa.
Minerva estremecia toda a vez que o ouvia chamá-la de algum modo que a tratava como uma superior. Gostava do modo do qual princesa ou milady saía da boca dele, porém sentia-se uma criatura desprezível demais para ser tratada como uma princesa. As palavras dele sobre se focar apenas no momento em que vivia a deixou um pouco melhor. Assim como as palavras, estar ao lado dele também lhe fazia bem.
— Talvez você tenha razão.
Olharam um ao outro e assim permanceram. Ele fitando o verde-escuro e ela, o azul profundo e confortante. Sting segurou sua mão delicada e erguendo-a levemente, encostou os lábios com carinho. Um ato de respeito e amor completamente inesperado pela maga, que mal sabia o que dizer.
— Por favor… nunca mais suma da minha vista.
Minerva sentiu os olhos encherem-se d’água e o rosto esquentar.
— Certo.
Com um sorriso, o rapaz aproximou o rosto até que seus lábios estivessem próximos dos dela o suficiente para poder enfim fazer o que já queria há algum tempo. Beijou-a com bastante sutileza antes de que a lady começasse a retribuir a carícia de forma tímida para então, aos poucos, aprofundar o beijo e explorar sua boca com maior voracidade. Sem que se dessem conta, Minerva enroscou os braços ao redor de seu pescoço enquanto ele segurou sua cintura com firmeza.
— Você merece, Minerva.
As lágrimas escorreram por seu rosto em chamas por causa da timidez e sem falar nada, o conduziu para mais um beijo. Gostava da sensação de segurança causada por seus braços fortes, gostava do som de sua voz, gostava de cada parte dele. E agora, havia descoberto que também gostava de beijá-lo; era como se o mundo inteiro parasse apenas para os dois.
Da porta da guilda, Yukino, Rogue, Frosch e Lector os observavam.
— O amor está no ar… — disse Lector, e Frosch concordou com sua tradicional “Fro também acha”.
— N-Não deveríamos parar de espioná-los? — sugeriu a maga celestial, corada. Rogue sorriu de canto e, desencostando-se da parede, começou a caminhar rumo à festa.
— Sim. Vamos deixá-los um pouco sozinhos.
Yukino e os Exceeds deram uma última espiada até seguirem o rapaz, deixando Sting e Minerva enfim fora de vista de qualquer um.
Depois de passarem um bom tempo a sós, o loiro enxugou as lágrimas da moça e sorriu de novo.
— Vamos voltar, milady?
A maga assentiu com a cabeça.
— Vamos lá.
E foi assim que Minerva começou a experimentar um tipo de diversão que jamais vivera antes. Uma diversão sem competições, algo revigorante ao lado dos companheiros de guilda. E principalmente, ao lado do melhor Mestre de todos.
Pensou que talvez um dia pudesse gostar de ser sua lady. Mas era cedo demais para fazer planos, e não era o momento certo. Estava ali para rir, comer e beber sem pensar no amanhã.
E amava a Sabertooth, com todo o coração.
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