Young Blood
43 Sou a mulher dele
Notas iniciais
This ain't no mistake
You make my earth quake
You feel like thunder in the sky
Piper.
Esgotada até última gota.
Triste e deprimida.
Era assim que eu vinha me sentindo esses dias.
Nunca tinha tirado tanta foto em toda minha vida. Nem andado. Ou viajado, em um mês. Eu nem sabia o que era sorrir, de tanto carão que tive que fazer pra ganhar meu espaço. E ganhei. Pessoas nobres, políticos, celebridades importantes e medianas, presidentes de empresas que tive que conhecer. Festas, premiações, afterparty's, desfiles, entrevistas e talkshow's que tive que comparecer. Um evento, um compromisso atrás do outro, um em cima do outros. Sem hora. Podia ser de manhã, madrugada, tardezinha. Não importava. Afinal, meu sucesso só viria da batalha. Estava sendo uma luta dura, mas ganhava cada vez mais.
Não estava reclamando, eu sabia que seria assim, era só uma exposição de fatos.
Eu bateria, a qualquer hora, o recorde mais horas acordada, e movimentação de festas e sessões de fotos em poucos minutos. Também esquecera o que era uma boa noite de sono.
Meu cabelo fora escovado tantas vezes que eu me surpreendi que não quebrou ou caíra todo. Eram tantos cremes capilares, faciais e corporais que ocupavam malas inteiras. Lingeries e roupas novas, sapatos tão altos quando o Empire State, maquiagem feitas especialmente para meu tipo de pele. Joias... Eram lindas, desenhadas de acordo com minha etnia. Mas um exagero ter tantas. Marcas choviam na minha horta. Provavelmente, eu tinha coisa marcada até minha morte.
Eu era a nova princesinha da mídia. Meu nome estourou fácil. Ser filha do meu pai me ajudou muito, lógico. E teve todo o apoio de Afrodite. Faltavam um passo para ser uma verdadeira Angel. Quer dizer, a Angel que eu deveria ser. Faltava poucos meses para minha audição na banca.
Talvez eu gostasse disso. Moderadamente.
Mas implorei pra Afrodite pra não me encaixar no Fashion Week. Eu precisava de descanso. O mínimo possível. Eu precisava me explicar para Jason.
Jason... Ele tinha se tornado distante. Mas sempre esteve por perto, dentro de conversas com estranhos.
Como vai seu casamento? Se é que se pode se chamar assim?
Nem eram, se quer, discretos. Não tinham deiscência. Ou remorso.
Ah, está ótimo. Nunca estive tão feliz.
Eu tinha recuperado meu celular. Eu tinha ganhado outros celulares. Eu tinha dinheiro pra comprar uma Apple inteira.
Se eu fiz uma mísera ligação?
Eu não tinha era coragem de enfrentá-lo.
Silena dissera que ele ligou soltando poucas e boas pra ela. Sobre mim. Mas isso fazia tempo. Quase a um mês atrás. A situação podia ter piorado. Ou se não já estava tudo acabado. Não tinha ideia do humor dele. E eu esperava, subindo naquele elevador espelhado sufocante, que estivesse como sempre. Brincalhão e tranquilo. Uma esperança morta, eu me torturava.
Eu podia até ter acontecido no mundo da moda. Porém eu era patética e apaixonada o bastante pra largar tudo de Jason pedisse. Ou mandasse. Sei lá. Me estranhei pensando em um negócio desse. Não soava como Jason.
Eu pensava nele toda hora. Podia estar em Milão, num desfile, mas meu coração e minha cabeça estavam onde quer que Jason estivesse. Isso me matava. Eu sonhava. Com ele. Com nós. Fazendo sexo. Brigando. Entre beijos preguiçosos. Sonhava com seu sorriso branquinho. Seu corpo definido e malhado. Sonhava quando éramos apenas o Capitão do Time de Futebol Americano e a Capitã de Líderes de Torcida. Típicos de filmes. Tipicamente nossa vida. Não via a hora de voltar pra Goode. A droga da obra da nova etapa da escola atrasou as aulas pelo menos um mês. Logo no Senior Year. Logo quando eu mais precisava da rotina escolar.
Ri, internamente. Como os pensamentos voavam... Até me sentir com saudades da escola! Uau! Estava mesmo pirando.
Pelo menos eu estou eu mesma, pensei, mudando de tópico, mentalmente. Fiquei aliviada por estar com roupas e cabelo normais. Por me sentir confortável e com sentimento de casa. De estar em família. Jason estaria a 6 andares acima de mim, provavelmente falando alguma merda. E Leo... Leo devia estar fazendo palhaçadas com o sorriso contagiante e élfico. Não o via a décadas, desde que decidiu viajar. Desculpa desnecessária. Ele fez foi fugir. De novo. E eu não fizera nada pra impedir. Ainda tinha isso pra resolver.
A ansiedade borbulhou na boca da garganta. Me matando. O coração afundou no peito. E encolhi os dedinhos do pé, dentro da bota de neve. Nem estava tão frio, mas ao chegar em Paris a temperatura pareceu cair graus inteiros. Remexi as duas trancinhas do meu cabelo, e a pena pendurada, agora desigual, com parte solta e desgrenhada.
Me aconcheguei dentro do casaco de snowboard e os jeans surrados. Era assim que eu me vestia antes de ir para a California. Era meio impressionante eu lembrar duma coisa dessas, tinha apenas cinco anos quando me mudei. Mas eu prometi a mim mesma nunca esqueceria de onde eu vinhera, meu verdadeiro lar. O milharal nos arredores em Ohama em que o vovô Tom trabalhava. E assim eu me sentia bem.
Pensar nisso me deu um conforto inimaginável. Que foi logo descarga abaixo. Fitei meu pai de esguelha, elegante como sempre, terno e camisa de botões, como se não soubesse de onde era sua casa. Suspirei, triste. Era uma coisa de que já devia superado. Mas não.
Preferia meus pensamentos vacilantes do que encarar a realidade.
Silena passou a mão nas minhas costas, observando a cena. Do seu lado, e de mãos dadas, o futuro marido. Charles era uma das pessoas mais simpáticas que tinha conhecido, super apoiava o casamento deles. Mesmo com aquela sensação de estar perdendo definitivamente minha irmã. Porém eles se amavam, tava na cara. E eu sabia o quanto o amor podia ser desesperador.
Desejei Afrodite aqui comigo. Já sentia saudades dolorosas. Ela tinha sempre um ensinamento na ponta da língua. Lembrava meu avô. Era bom estar perto dela. Nostálgico. Ela se tornara o mais próximo de figura materna pra mim que tinha visto em toda a vida. Era carinhosa e atenciosa, não deixava um detalhe passar. Sabia me ler mais que eu mesma.
— Piper— Si chamou. E mais pensamentos.— Vamos— apontou pra porta do elevador, aberta. Meu pai já estava hall iluminado com uma porta vermelha, sem olhar pra trás, tocou a campainha.
Meu corpo entrou em automático. Me sentia um robô. Caminhei pra fora da cápsula sufocante de metal, ficando ao seu lado. Algo parecia errado.
...
O tapa estralou em toda sala.
Todos recuaram.
O deixei por último. E sem querer escapou. Como mencionei em um passado não muito distante: eu era paranóica. E os nervos ficaram a flor da pele diante daquele sorriso cínico.
— EU TE ODEIO MAIS QUE CARNE BOVINA!— gritei, furiosa, sendo segurada por Nico e Fred de pijamas, imediatamente, para não terminar meu trabalho de espancar um elfo latino.
Não conseguia entender o por quê das fugas. Tentar achar ele mesmo? Ter um espaço pra respirar? Bleh! Me enojava.
— Calma aí, docinho— Nico era cauteloso, e agarrava forte meus braços.
— Annabeth tinha razão— Fred murmurou, fazendo o mesmo serviço.— Essa família é doida.
Minha mão pulsava forte, e eu me remexia pra me soltarem. Leo segurava bochecha onde tinha atingido, lagrimando do mesmo lado. Queria rir da sua cuequinha de super herói, mas aguentei. Leo era o tipo de pessoa que você olharia e gargalharia até vomitar as próprias entranhas.
Os cachinhos lhe caiam a testa, aclamando por um corte. As orelhas, meio em pé, estavam vermelhas e a boca aberta, em surpresa. Nada mais de braços abertos para um abraço.
— AI, SUA LOOOOOOOOCA!— imitou um veadinho, encolhendo os joelhos e de voz afinada. Idiota. Ele quebrou, pisou e cuspiu no clima tenso da sala. Cagando toda minha vontade de dar na cara dele. Nico e Fred não se aguentaram, me deixando escapar, caindo de joelhos e mão na barriga no chão de tanto engasgando com risos.— Seu pai não te interna não, garota?
— NÃO! PORQUE ELE QUER QUE EU DÊ NA SUA FUÇA POR...— caí no choro, não evitando— fugir assim e deixar a sua melhor amiga que te ama sem noticias e preocupada— gesticulei como louca, literalmente.— Você— apontei pro peito dele, me aproximando, as lágrimas corriam sem controle, e me sentia queimar—, seu cretino... NÃO TEM CORAÇÃO? SÓ PENSA EM VOCÊ E NAS SUAS CRISES EXISTENCIAIS E NO FATO DE QUE ESTÁ SOLTEIRO E... ISSO NÃO É UMA COISA RUIM— andava de um lado para o outro. Fazendo caretas e gesticulando. Senti o olhar dele, preocupado, sobre mim.— MAS VOCÊ TEM AMIGOS! QUE TE AMAM E TE QUEREM BEM! COMO VOCÊ PODE FUGIR MAIS UMA CARALHA DE VEZ E ME DIZER QUE É UMA VIAGEM PRA ENCONTRAR SEU EU!— fiz uma voz debochada.— NÃO SOU SUCO, MAS ME POUPE, NÉ?— solucei forte, e o choro se tornou mais feio e barulhento. Botei a mão no rosto, constrangida. Mas falei o que estava guardando. Problema 50% resolvido.
Senti braços me envolverem. E me apertarem forte. Um novo sentimento me ocorreu, completamente oposto ao que sentia. Me ocorreu descanso. Estranho. Como numa reação química. Tudo mudou, instantaneamente. E era assim que me senti ao abraçá-lo. Descansada. Relaxada. Leo tinha cheiro de gasolina. Não sei por quê. Mas não era desagradável. Me acalmava. Meu queixo tremia e eu ainda fungava no seu peito nu. Notei que começava a nascer pelinhos, e o colar que eu dei pra ele pendia no seu pescoço. Um martelo em chamas. Me encolhi mais nele. Parecia uma garotinha precisando de abrigo.
— Desculpa. É muita coisa. Acho que estou ficando maluca— sussurrei, nervosa. Leo cheirou meu cabelo, e beijou o topo da minha cabeça. Sem saltos, ele era maior que eu. Ele segurou minhas bochechas e olhou nos meus olhos. Alternado-os, como se me analisasse. Seu rosto estava vermelho do tapa, mas ele sorria. O que me fez sorrir.
— Eu acho que sim— franziu as sobrancelhas.— Está maluca, pirada, perdeu um parafuso— beijou minha testa. E me olhou com todo carinho fraternal que estava tanto precisando.— Mas vou contar um segredo as melhores pessoas são assim!
Abri um sorrisão, que pensava que nunca mais ia sair.
— Alice no País das Maravilhas— falamos juntos, gargalhando. Só Leo pra me fazer bem desse jeito. Agora, o nó que estava na minha garganta não era mais de palavras entaladas e saudades. Era de felicidade. Queria explodir. Passei meus braços pelo seus pescoço e o apertei com toda força que encontrei.
— Depois quero conversar com você sobre a fuga...— sussurrou quase inaudível.
— HELLOOOOO MA FRIEND!
Virei o corpo, com Leo abraçando minha cintura, enquanto Hazel terminava de escancarar a porta de entrada. Atrás dela vinha Frank, mexendo no novo IPhone, provavelmente, jogando um joguinho pra postar no seu canal de games. Estava de óculos e gorro, como na maioria das vezes que o vi na California. E Hazel... Bem, estava como Hazel. Mais estilosa que eu em todos os sentidos, se não por fosse meus estilistas.
Calça de couro e blusão com escritas estranhas. Nem aparentava estar grávida. O cabelão enrolado solto e uma faixa de pano de bolinhas vermelho e branca. Segurava uma sacola de plástico, que levantou e sacudiu.
— Trouxe 20 bolinhos de Chocolate Cremoso da Rêves et Pains— sorriu, docilmente. Fred se levantou do chão, elétrico, saltando pelos sofás do apartamento em que morava. Que era meio surreal se ainda não mencionara. Tomou o saco da mão dela, como uma criança, e olhou lá dentro, sorridente. Mas o sorriso não durou por muito tempo. Formando um bico enorme.
— Aqui só tem um— ele encarou Hazel devastado, por pouco não começava a chorar.
Hay soltou um arroto tão alto que o chão tremeu. Não, ele não tremeu. Isso foi uma hipérbole. Colocou a mão na boca, como uma bonequinha. Joguei a cabeça pra trás rindo, os outros me seguiram.
— Ops!— deu de ombros, olhando Tio Fred.— Tive que satisfazer as necessidades fisiológicas da Anna— acariciou a barriga, como um gordo desinteressado.
— Você comeu 20 bolinhos?— Bianca perguntou de olhos arregalados.
— Quanto senti sua falta, Hay— falei, entre risos.
Seu rosto se iluminou ao me ver.
— Isso, realmente, foi necessário?— Frank, virou apenas a cabeça pra ela. Com narinas dilatadas e a boca retorcida em nojo. Ele não deu tempo dela responder.— Não, Hazel. Não foi. Foi desnecessauro.
Ela abriu os braços, cética, recuando alguns passos, gingados, balançando a cabeça. Like a nigga.
— Qual é, cara? Agora a culpa é minha que não tenho controle dos meus gases desde que seu espermatozoide se transformou em uma pessoa dentro do meu útero?
...
— Sinto que os Chase tiveram uma noite boa— Frank riu, safado. Eita, Frank.
— Por quê?— eu perguntei. Estava desatualizada. Sentada debaixo do quadro bizarro da família da Annie, abraçada com Leo e Nico.
— Hã?— Tia Sally franziu a testa.
— Houve o florescer de Percabeth. Isso já sabemos— sogrão contou. Fiquei caladinha, na minha. Contendo um sorriso. Esperando arrancar informações das pessoas certas.
Silena gritou, animada e Charles revirou os olhos.
— Exato— Hazel falou, olhando Si com desprezo, deitada num sofá inteiro.
— Isso aconteceu mesmo?— meu pai se meteu.
Poseidon assentiu, com um sorriso de lado que me lembrou muito Percy.
— Todos íntimos e tals— cruzou as pernas e remexeu o quadril, contanto um gritinho como o de Silena.
— Como vocês sabem?— Nico perguntou a Hay.
— Encontramos eles na padaria. Annie estava comprando bolos pra levar no orfanato do bairro...— Frank não pode continuar.
— Nossa! Que linda!— Tia Meg pôs as mãos nas bochechas, extasiada.
Leo soltou uma gargalhada debochada. Dei um tapão no seu braço.
— Ai! Para de me bater— falou, ressentido.
— As pessoas esquisitas podem ser altruístas!— disse, com uma falsa raiva.
Nico o apoiava.
— Mas a Annabeth? Tem certeza que era ela?— argumentou, querendo informações. Nico continuava um tesão tatuado e de cabelos balançantes. Suspirei olhando o maxilar marcado dele. Esquecendo da minha tarefa de defender Annabeth.
— Para com isso, Nico! É muito bonito o que ela está fazendo! Usando do próprio dinheiro para comprar bolos e levar a criancinhas sem pais— Tia Maria elevou o tom de voz. Nico se encolheu.
— Com o dinheiro que ela tem... Poderia comprar todas as padarias desse continente e a Carlo's Bakery— Charles falou, a mais pura verdade.
— Difícil de acreditar, né?— Frank disse, acariciando as pernas de Hazel, mesmo sentado no tapete.— Eu e ela sempre fomos lá. Principalmente, quando Tia A era viva.
— Tá... Blá-blá-blá altruísmo, blá-blá-blá... Por que os Chase tiveram um boa noite?— Hades estava curioso.
— Papai tá estressado...— Hazel riu.— Malcom também teve uma boa noite. Clarie teve que sair correndo de casa pra vir aqui— ela sorriu, perversa, olhando tio Fred tristonho, comendo seu bolinho com dentadas minúsculas.
— E o Tio Fred se divertiu muito com a Eddie, não é?— Frank perguntou.
— Quem é Eddie?— perguntei, entremetida.
Fred pareceu acordar da sua tristeza e rosnou pra Frank:
— Garoto. Me lembre de nunca mais beber com você— avisou, nervoso.
Hazel e Frank caíram numa gargalhada, cúmplice e sinistra. E zoeira começou.
— Ih, Tio Fred... Quem é essa Eddie aí?— Leo provocou.
— Vou contar pra Annie— Bianca continuou.
— Esse cara não é devagar não, ó!— Nico sorriu, maligno.
Fred cruzou os braços, emburrado.
— Não é o que você estão pensando!— se defendeu, com carinha de choro.
— Então o que é?— meu pai perguntou, impaciente. Como o resto dos adultos.
— É A MÃO DELE!— Hazel disso em meio de engasgos, inclinada pra frente e com olhos arregalados, caindo na gargalhada de novo. Mas agora, acompanhada.
...
Eu não aguentava nem mais um soluço ou sorrir ou dizer o típico Aiai.
Mas eu me sentia renovada.
Mesmo com a barriga e as bochechas doendo, mesmo com um nó gostoso na garganta e os olhos escorrendo lágrimas. Tudo estava queimando. Num minuto de silêncio, todos se entreolharam, olharam tio Fred na cozinha, puto da vida, bebendo um copão de leite e ficando com aquele bigodinho, e quiseram rir de novo, sem forças pra continuar.
Enterrei minha cabeça no tapete felpudo cinza, onde eu tinha ido parar, meu joelhos latejavam com o impacto e minha cabeça parecia que ia explodir. Sentei, olhando todos a minha volta.
— Tio Fred e sua Eddie tira carência— Leo falou como um suspiro, substituindo o Aiai.
— Todo homem precisa de um... Compre já!— gesticulei minhas mãos no ar, visualizando o banner perfeito. Um click estourou, levemente, nos meus ouvidos, me relembrando de algo muito importante. Meu sorriso diminuiu, de repente.
— Hã, gente...— balancei os pés, parando gradativamente de rir, envergonhada, devia ter corado.
— Tava demorando...— Silena me sacou.
— Mereço— meu pai resmungou baixinho, recebendo um tapa no braço de Tia Meg.
— Pode perguntar, querida— Tia Maria falou.
Leo segurou meus braços.
— Acabei de ver minha melhor amiga e ela já quer escapar pros braços do namorado fortão e idiota?— lamentou Leo.
— Só quero dar sinal de vida— me defendi. E olhares debochados me foram lançados.— E outras coisas também— dei de ombros.
— Piper. Você que é a esposa, qual é a coisa que Jason mais gosta de fazer?— Bianca começou uma charada. Argh! Seus olhos negros se divertiam com meu desespero, inesperado. Eu disse. Paranóica. Doidinha de pedra.
— Transar— respondi, impaciente.
— Meu garoto— Zeus sussurrou pra Hades.
Nico riu.
— Tá!— gesticulou.— A segunda coisa favorita?— entrou no jogo.
Minhas sobrancelhas se arquearam, não era possível.
— Em qual quarto?
...
Jason parecia um anjo dormindo.
Só dormindo mesmo.
De bruços dava pra ver a cuequinha de SuperHomem, e suas costas ainda mais definidas do que na última vez. Ele devia ter malhado e ido para praia, percebi o bronze. Lindo.
Escorei na porta do quarto dele e de Leo. Dava pra ver malas espalhadas e bagunçadas pelo chão de madeira, o lustre esférico pendia do teto, poucas mobílias claras e a cama. Onde a cabeleireira dourada brilhava mais do que nunca a luz do sol vinda da janela que atravessava uma parede do quarto.
Mordi o lábio contendo um sorriso. Caminhei até lá, fechando as cortinas um pouco mais, observando lá fora, a vista linda das construções baixas, todas apontadas pra Torre Eiffel. Ele provavelmente, gostaria de ter feito as fechado, mas se o conhecesse bem, a preguiça foi maior.
Ele parecia tão macio e gostoso de passar a mão. Todo ele. Suspirei. Agora, estávamos apenas à poucos metros de distância e eu estava parada, o observando. Eu podia me jogar em cima dele, mas ele daqui era bem melhor. Com o rosto descansado e passivo de problemas. A marca do seu sorriso de lado e do seu sorriso inteiro me vieram a mente. E a expressão nervosa no dia que me pediu em casamento.
Tirei o casaco de snowboard, o jogando junto com a confusão de roupas do meus meninos, e me dirigi até a cama, mas no manual, sem pilotos automáticos. Eu queria logo acabar com todo esse meu mimimi. Eu queria me afagar em seus beijos. E ele não me deixaria. Eu tinha certeza, olhando pra suas bochechas rosadas e para aquela cicatriz encima do lábio superior, e suas pequenas e quase imperceptíveis sardas do nariz, que eu sabia estar lá. E nem eu o deixaria. Nós éramos casados. Prometidos um ao outro, e essa promessa eu ia manter até o fim dos meus dias.
Na beirada do mar de lençóis, eu ouvia seu murmurar calmo, e seu ressonar baixinho. Estendei a mão para o seu cabelo e parei, me agachando, rente ao seu rosto. Sua respiração me atingiu, calma, e se misturou com a minha. E era como se nossos lábios fosse atraídos. Fechei meus olhos, e fui chegando perto vagarosamente. Pude sentir o coração nos ouvidos. Nossos lábios estavam se roçando, e quando senti que Jason havia percebido minha presença. Ele rolou pro lado oposto da cama, pulando e semelhando a posição de um ninja e cerrando os olhos.
— Se for uma fã... Eu tenho esposa! Você sabe disso! Mas como sou legal, a deixo sair sem que eu lhe veja, pode ser constrangedor demais pra você.
Fiquei parada, e meu mundo pareceu dar uma chacoalhada. Tentando segurar o riso e o choro. Ele não me reconhecera. Eu lembraria do seu cheiro mesmo que eu trabalhasse em um chiqueiro. E ao ouvir eu tenho esposa, quis arrancar meu coração e entregar pra ele. Quando ele podia simplesmente foder com quem quer que ele pensasse que estivesse no meu lugar, ele foi leal, ele lembrou que eu existia. Que eu o amava.
— E se for a Thalia tentando me passar lepra e AIDS... Corra, antes que eu corte sua garganta— ele cruzou os braços acima do peito, sério, de olhos fechados.
Um nó ficou preso na garganta, mas eu me ergui e levei segundos pra formar uma frase descente. O esforço me deu dor de cabeça.
— Jason...— sussurrei, mexendo incessantemente os dedos.— Sou
eu.
Ele abriu um dos seus olhos, revistando o quarto até cair sobre mim.
— Oi— sussurrei encabulada, abaixei a cabeça, fitando minhas mãos. Sem saber muito o que fazer, sem querer saber sua reação.
Um silêncio se instalou, pesado. Começava a ficar enjoada, o frio gostosinho na barriga se transformando em desespero.
— Uau— suspirou, me fazendo levantar a cabeça em espanto.
Ele estava com aquele sorriso. Aquele que eu sonhava todas as noites.
— Adoro quando você se veste assim— ele rodeou a cama, vindo à mim. Confesso que recuei alguns passos, com todos os músculos do rosto contraídos.
Vendo por esse lado, Jason parecia um estuprador e eu a criancinha inocente e indefesa. Eu estava nervosa. Muito nervosa.
— Não está com raiva de mim?— perguntei baixinho.
— Você parece que acabou de fazer a colheita— riu, me encurralando da parede, pegou uma das minhas trancinhas, e esfregou com os dedos, extasiado, seus olhos brilhavam como faróis azuis celeste.— Usava seu cabelo assim quando era mais nova, não usava?
— Jason...— deixei meu corpo relaxar um pouco. Lágrimas começavam a se formar.
— Você estava chorando? Por quê?— ele jorrava comentários aleatórios, devia estar sonâmbulo, me fazendo entrar em curto circuito.
— Jason!— falei, mais alto, me inclinando pra frente.— Isso não é um sonho!
— Graças à Zeus— botou as mãos aquecidas na minha bochecha.— Tinha até me esquecido da textura— afagou o local com o polegar, não desviando dos meus olhos, e eu os fechei. Deixando os leves choques correrem meu corpo. Fiquei ofegante no mesmo segundo. E gotículas salgadas escorriam pelos meus lábios e caiam na minha blusa de Hello Kith. Até entendi sua reação, parecia um sonho.
— Você pode responder a droga da minha pergunta?— abri os olhos, os fechando novamente.
Jason avançou nos meus lábios, violentamente. Com os corpos se chocando e o sangue borbulhando nas veias. Seu beijo tirava pedaços da minha boca, da minha sanidade, da minha força. Mas retribui com do mesmo jeito, devastador e molhado. Nossas línguas traçavam uma batalha gostosa, laçando e entrelaçando, apenas se acariciando e curtindo uma a outra. Coloquei as mãos na sua barriga descoberta, sentindo músculos mais definidos e durinhos, arranhei ali, excitada pelo ritmo do beijo. Nossos pés dançavam pelo chão, nos fazendo cambalear e cair na cama, com ele por cima, nosso peso nos fez afundar naquela maciez. Nossos narizes se roçavam e ele explorava cada vez mais fundo na minha boca.
Era tão bom poder falar de novo nossos e nós.
Quebrou o beijo, dando lufadas no ar, pra recuperar o fôlego. Choraminguei, precisando ser tocada. Sentou em mim, me olhando divertido, e pousou suas mãos no cós dos meus jeans.
— No primeiro momento, eu fiquei puto— confessou, com uma expressão sexy. Lábios inchados e os cabelos bagunçados.— Eu pensei: minha mulher estava seminua num outdoor pra qualquer filho da puta ver— desabotoou minha calça, bruto, me balançando, e puxou o ziper, que fez um som estranho, devia ter estourado.
Ele desceu da cama, passando as mãos nas minhas pernas, as apertando possessivo, até chegar na barra. Me apoiei nos cotovelos, animada pra saber o que ele ia fazer e o que ia falar.
— Aí eu falei pra mim mesmo: aquela é minha mulher— começou a descer a peça, com puxões sem pudor, arrastava na minha pele, ardendo. Mordi o lábio, explodindo de tesão. A calcinha já estava molhada e eu pulsava como uma cadela no cio. E ele não desgrudava dos meus olhos.— Nem um marmanjo vai tocá-la. Porque ela é minha mulher. E eu sou um sortudo por isso. Não vai ser eu que vai jogar o que construímos no lixo. Se te faz feliz, me faz também.
Deixou minha calça cair em qualquer lugar. Tendo uma bela visão do meio das minhas pernas. Olhei pra onde ele olhava.
— Parece que eu ainda tenho jeito.
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