Young Blood
4 Pílulas
Notas iniciais
Percy,
Me sentia um pouco tonto, depois de tantas cervejas. Já eram uma 5 horas. Sentados na beira da piscina conversando sobre baboseira. Meus primos começaram a entrar na água, tanto que em um momento ficou só eu e a Annie. O sol, fazia seu cabelo ficar dourado reluzente; o biquíni a deixava uma verdadeira deusa, seu corpo era escultural, pele bronzeada natural, os seios fartos que davam vontade de tocar. E os seus olhos cinza escuro.
— Você é linda— falei a olhando de perfil. Ela olhava o nada, sentada ao meu lado com as pernas na piscina. Olhou pra mim, cerrando os olhos e franzindo o nariz por causa do Sol, sorrindo levemente.
— Na minha humilde opinião, não sou digna de tal elogio, mas agradeço de qualquer forma— eu ri.
Consegui ler toda sua tatuagem, as palavras escritas em itálico
" Trahison
Viol
Drogue
Violence
Décès "
— O que significa?— apontei.
Ela olhou para a tatuagem, e fitou o longe de novo.
— Coisas ruins— sua expressão era indecifrável.
— Décès. Significa morte, não é?— continuei a olhar de perfil. Seu nariz estava ficando muito vermelho. Era um sinal de que ia chorar.
— Você não precisa saber— falou bruta e se levantou.
Revisei a conversa mentalmente enquanto via meus amigos brincar de briga de galo. Eles não estavam tão bêbados. Talvez ser sentimental era um efeito do álcool pra ela. Não fui grosseiro. Me levantei e corri até a porta da casa onde ela estava.
— Eu vi seu braço no almoço— virou pra mim, os olhos não me encaravam mas estavam faiscando de raiva e lágrimas.
— E daí?
— Eu vi as marcas. Acha que eu não percebi as pulseiras. O que houve? Por que está fazendo isso com si mesma? Ann, o que aconteceu com você? Me diz...
— Está sendo evasivo— ela se virou pra ir embora e segurei seu braço. Estava ficando irritado, com sua mudança de humor repentino.
— Eu quero ajudar. Eu sempre ajudei, não é?
— Me solta— arrancou seu braço em um puxão.— Eu não preciso da sua ajuda, nunca precisei.
Saiu correndo. Droga. Essa garota me deixava confuso, uma hora feliz e rindo, e na outra misteriosa e grosseira.
Voltei, e sentei em uma dos sofá do jardim. Peguei meu celular e ótimo, travado. Bem que ela falou.
Ela. O que ela fazia matutando na minha cabeça? Comecei a me sentir culpado, e a vontade de a ver estava apertando.
Quê? Só podia ser efeito do álcool. Pensei que tinha superado meus sentimentos por ela, mesmo assim Ann sempre foi minha amiga. Olhei o céu, laranja. Eu adorava sentar e ver o por-do-sol. Fiquei ali por um tempo, observando o céu, pensando na loira, a qualquer momento explodiria de aflição. Mais que droga! O que ela tá fazendo comigo?
Não aguentei mais, subi correndo as escadas principais. O problema seria encontrar o quarto dela. O corredor branco, com retratos de família parecia se mexer. Abri uma porta vermelha. A única que nunca tinha entrado. E lá estava. Se tivessem me falado eu não acreditaria, e foi o que aconteceu. Meus pais falaram que usou drogas, não por diversão ou pra ter uma pequena aventura. Usava constantemente, e entrara em depressão.
Jogada no chão, em volta de caixas e... Pílulas. Senti um baque como se toda minha sanidade tivesse voltado. Tremia e sussurrava coisas como "eu não fiz de propósito, não foi minha culpa" "foi tudo culpa minha" "eu não queria isso".
Meu coração falhou batidas incontáveis. Então gritou e se arrastou batendo a janela gigantesca do seu quarto. O grito era de puro horror. Até me assustei quando ela não percebeu minha presença. Ouvi o grito mais uma vez.
Corri até seu lado, ela fitava o chão e balançava o corpo encolhido pra frente e pra trás. Aproximei minha mão pra tocá-la, ainda não tinha percebido que eu estava ali.
— NÃO, LUKE, NÃO ME TOCA— deu um pulo e me olhou com muito medo. — Por favor, eu te imploro— sussurrou.
Luke... Era o namorado dela. Acho que ex, não sei. Sentia a cabeça pulsar, me aproximei de novo, com a voz mais delicada que pude.
— Annie...— toquei seu braço, ela se afastou de novo.— Olha aqui— segurei seu queixo mais forte que gostaria.— Abre os olhos, sou eu. O Percy, Percy. Você está na Califórnia comigo. Estamos juntos de novo. Olha pra mim— minha voz pareceu chorosa. Meu estômago pareceu pesar mais, e começava a ficar difícil de respirar pelo nó na garganta. Ainda com os olhos fechados, mas mais relaxados.
— Eu estou bem aqui. Vai ficar tudo bem.
— Não, Percy. Nunca fica tudo bem— falou com tanta convicção, que fiquei assustado da sua volta repentina a realidade.
Aquilo me deixou mais triste do que deveria. O que de tão ruim ela tinha passado? Eu precisava saber. Eu precisava ajuda-la.
— Eu estou aqui com você.
Finalmente abriu os olhos, cinzas muito escuro.
— Promete?— eu a aconcheguei no meu peito, ainda chorava muito e amassava toda minha camisa.
— Eu prometo. Vou estar aqui sempre.
Senti seu sorriso no pressionado no meu peito enquanto as lágrimas apareciam com mais intensidade. Ela gritou de novo, soou mais como alívio.
— Eu não aguento mais, Percy— minha cabeça doeu ao ouvir a frase.
— Eu vou te ajudar a aguentar— e eu ia. Era a minha única certeza naquele momento.
Annie me encarou, seu nariz parecia um morango, os olhos vermelhos. Com a cara de choro, o que me deixou intrigado foram as bochechas que continuavam no mesmo tom de pele, era estranho. Sempre foi, lembro de Nico a zoando quando éramos pequenos. Estava séria, me avaliando em algum sentido.
— Por que você esta me ajudando?
A pergunta veio rápida, como um tiro certeiro. E eu respondi da mesma maneira.
— Eu não sei. Mas acredite, eu vou te ajudar. Sempre fiz isso. Amigos pra sempre.
Sorriu nostálgica, e fitou a janela. O pessoal ainda estava se divertindo na piscina.
— Você poderia estar lá. Mas está aqui— ela falou com uma criança.
— Eu me importo com você— abaixou o olhar, a abracei mais forte.— Me prometa uma coisa.
Assentiu de leve, mas não me olhava.
— Sempre que estiver mal por qualquer coisa, vai me ligar, me procurar, falar comigo, e não fazer o que quer que você fez agora, ok?
— Você não vai estar sempre disponível pra mim. Já pensou, eu ligo pra você no meio de uma transa— ela riu, sem graça. Dessa vez, eu não fiquei feliz em ouvir aquela risada. Sabia donde ela vinha. Isso me deixava péssimo, principalmente sabia que era minha culpa.
— Apenas prometa. E, sim, eu interromperei uma transa por você se parar de usar drogas.
Encarou meu rosto.
— É um pouco novo pra mim, sabe?— sua sanidade parecia vacilar, como se quisesse estar ali mas era impedida, acariciou minha mão, agora estava longe, em um transe que eu não podia a tirar. — Pessoas que se importam. De verdade— as palavras saiam preguiçosas da sua boca. — Sou realista, Percy. Esse é meu maior defeito. Uso as drogas como uma válvula de escape da realidade. É por isso que acredito em você nesse exato momento. E eu vou prometer, por mais que eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, vou acabar quebrando a promessa—ela entrelaçou suas mãos nas minhas que se apoiavam no seu ombro.— Eu senti tanto sua falta, não sei como sobrevivi aqueles anos sem você, não me ligou nenhuma vez pra me procurar. E... Deuses, ver você hoje, um homem crescido e, gato— rimos juntos.— Foi horrível ficar longe de você, por favor, promete, nunca me deixar ir embora ou ir embora. Não sei se aguentaria viver sem você de novo.
Beijei sua têmpora.
— Não me atreverei a ir embora.
Me deu um beijo na bochecha e adormeceu. Foi tão rápido que nem percebi.
A carreguei até a cama, com as mãos ainda entrelaçadas. Beijei sua testa, tentei soltar nossas mãos mais ela apertou forte.
— Você prometeu que ia ficar.
E foi o que eu fiz. Eu fiquei.
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