Young Blood
39 Novo casal
Notas iniciais
You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are greyYou'll never know, dear, how much I love you
Thalia.
— Eu nunca comi uma anã— Grover tomou um gole de vinho na taça, desengonçado. Fazendo todos na conversa soltarem gargalhadas esdrúxulas.
Ele estava como eu me lembrava. Mesmo num restaurante de alta classe e vestindo terno, coisa que nunca se via, usava seu típico gorro rastafári. Agora tinha uma barbicha ruiva, mas continuava com o senso humor invejável e o sorriso contagiante.
O comentário fez sua mais nova noiva corar. Seu nome era Juníper e parecia uma ninfa do bosque, ruiva. Uma fofa, ficava rindo das nossas baboseiras, queitinha. Era um bióloga ativista. Grover sempre foi muito ligado à natureza, talvez, por isso ele a olhava como se fosse a última fatia da pizza do mundo. Eu ficara apaixonada com a relação deles.
Só tinha nós no primeiro andar do restaurante chique. Todo em branco e prata. Tinha altos jarros de flores, mesas e talheres impecáveis, tantas louças que eu me embaralhava, bem iluminado por um lustre mais caro que uma casa, pendurado em no teto alto e cheio de detalhes. Aqui em Paris era assim, por uma primeira impressão, depois de anos, exuberante e excêntrico elevado ao exagero. O que não me apetecia muito, para ser honesta.
Homens naquele lugar só entravam de terno. E eu como uma mulher tive até que me maquiar pra jantar. Quem se maquiaria pra ir comer na droga desse mundo? E eu ainda tive que usar vestido!
Pelo menos, Grover conseguia acabar com os nossos bons modos.
— Verdade! Eu também não!— Annie ficou muito decepcionada com o fato de nunca ter transado com um anão.
— Eu transaria com o anão do Game of Thrones— Katie suspirou, sonhadora e Hazel gritou alto, histérica, chamando atenção.
— Tyrion Lannister!— se abanou, gemendo um pouco.— Estou tendo um orgasmo aqui!
— Lembra que aquela prostituta... Não lembro o nome dela... Falou que ele tinha o tamanho de um pênis normal? Será mesmo?— Bianca comentou, naturalmente. Estranhei ela conseguir falar pênis sem corar em 50 tons de vermelho escarlate. A avaliei, com os olhos semicerrados, suspeitando de algo.
— Eu sempre quis saber o tamanho do pinto de um anão!— Will beliscou o pãozinho de entrada.
— Deve ser bem titititinho— Connor riu, gesticulando.
— Grávidas ficam excitadas?— Jason perguntou, curioso, parecia ter três anos. Particularmente, ridículo de terno. Nem senti saudades daquele puto, nem não.
Recuei, internamente. O assunto gravidez não era meu favorito. Me deixava mais sensível e desconfortável.
— Como deve ser transar com uma grávida?— Leo indagou para Frank, tirando os cachinhos dos olhos.
— Eu não sei, Leo. Eu nunca transei com uma grávida— respondeu, um pouco bruto.
— Grávidas ficam excitadas, Hazel?— perguntei, tentando quebrar o gelo pra mim mesma. Percebi que ninguém percebeu meu incômodo. Graças à Zeusa Poderosa.
Eu nem fiquei, pensei. Mas não tinha como ficar mesmo... Já que não durou muito tempo. Minha mente gritou por alívio, esses pensamentos me torturavam demais.
— Ficam. Muito mais que o normal de uma mulher— foi Nico que respondeu, um pouco monótono. Ele percebeu. Hazel assentiu, dando um gole na sua água.
— Como cê aguenta, Hay? Com todo respeito, seu namorado é um deus grego— Rachel riu, safada.
— Muito obrigada, Rach— Frank balançou a cabeça, convencido.
— Auto-controle— ela deu de ombros, acariciando a própria barriga de seis meses gigante.
— Auto-controle é tudo— Percy decretou, dando um tapinha na mesa.
Levei o copo de água a boca, tentando ficar super entretida na conversa louca e rápida, meio desconexa e bizarra. Tive que me esforçar pra acompanhar. E acabei com os devaneios depressivos.
— Percy é quem diga!— Grover disse, provocador.— Depois de todo esse tempo apaixonado por Annabeth, ainda estão aí, amiguinhos— fez aspas, com os dedos.
Senti a água voltando pelo nariz. E comecei a tossir convulsivamente e rindo até vomitar os pulmões. Todos me acompanharam. Consegui olhar Annabeth, oposta à mim, que ficou com o pescoço e o nariz manchado de vermelho. E Percy, coitado, vidrou em seus olhos nos talheres.
Zoe, sentada ao meu lado, deu tapinhas nas minhas costas e Bianca, do outro, ficava perguntando se eu estava bem. Mas as duas mal se aguentavam.
— Isso aí, Grover! Acaba com eles— Miranda se exaltou.— Qual é, gente! Já deu a hora de namorar, né?
— Eu servia de conselheiro do amor pra esses dois! Você tinham o que?— Grover se virou para os dois, sentados lado a lado.— Doze anos?
— Grover...— Annabeth sussurrou, corroída por vergonha.
— Calma, gente! Percy ainda nem virou homem— Octavian declarou. Arrancando risos dos garotos. Leo começou a soluçar.
— Se assumam!— Travis gritou.
— Se assuma você com a Katie— Percy apontou pra ele, brincalhão.
— Beleza!— Travis se levantou, em cinco segundos em adrenalina.— EI, PESSOAL!— ele chamou a atenção de todas as mesas.
Claro... Porque nós éramos divididos em uma hierarquia de idades. A mesa dos fodões (pais), dos mais ou menos (irmãos mais velhos) e a dos bostinhas (nós, aqui).
Tratei de me recompor para captar cada detalhe. Vi muitos celulares sendo levantados para filmar o momento histórico. Agarrei meu rabo de cavalo, nervosa. Mais que a própria Katie, que olhava Travis numa impaciência danada. Os murmúrios corriam soltos e esperançosos para o que ia acontecer. Remexi a cordinha que pendia no meu rosto. Da orelha ao nariz.
— Se ela dizer não, eu juro que não vou me aguentar— Leo sussurrou, não muito longe de mim.
— Claro que ela vai dizer sim— Jason murmurou.
Nico, na minha frente, entrou na conversa.
— Vamos fazer bolão!— pegou a carteira.
— Dou 200 mangos pra não— Connor se entremeteu. E jogou duas notas de 100 dólares na mesa.
— Dou 300 pra sim— Nico colocou mais notas.
— Dou 500 pra não— Valdez puxou sua carteira.
E eu peguei minha bolsa, cavoucando pela minha carteira, a achei, vermelha, que tinha comprado em Bruxelas. Tinha uns 700 dólares.
— Todo dinheiro vivo que tá aqui pra sim— entreguei minhas notas, deixando no montinho e guardei minha bolsa de novo.
— Não vou me arriscar não! Vou ficar de fora— Jason arregou, epicamente. Nós o olhamos em deboche.— É imprevisível! Nem sei se Travis vai pedir ela em namoro, vai que é só uma sacanagem... É a cara do Travis fazer isso. Eu não vou perder dinheiro, não! Pensa que nasce em árvore, é?
— CALEM A BOCA, PORRA!— Travis gritou, em nossa direção.
Eu dei um pulo de susto, e me encolhi, murmurando um desculpa. Mas não desviei o olhar deles. Ele pigarreou, alisou o blazer, virando para Katie. Sua expressão me preocupou. Deuses, e se eu perdesse?
Não... Não era possível. Katie tinha que aceitar. Pelo meu dinheiro.
Travis hesitou um pouco e gaguejou até sair algo descente. Queria muito pegar a cara amarga da Tia Deméter e a animada de Hermes. Porém fiquei vidrada demais na cena.
— Eu sei que parece que nós odiamos...— ele começou e senti meu estômago revirar. Parecia que eu era Katie.— E nós sabemos que isso não é verdade. Pelo menos, eu gosto mesmo de você, mais que eu deveria. Mas nós não mandamos nessas coisas do coração...
Escutei vários Nhoww, e não pude deixar de seguir as mulherzinhas apaixonadas. Depois eu me jogava de um penhasco.
— E... Droga!— ele coçou a cabeça, olhando pra ela.— Você me deixa nervoso.
Katie cruzou os braços, desafiando a mais. Nem tive tempo de dizer minhas últimas palavras antes morrer. Eu estava tendo um treco.
— Então, nesse momento de vergonha na cara, eu queria te perguntar se me daria a honra de namorar comigo— NHOWWWW, minha mente gritou. Ele estava tão fofinho.
Ninguém se atreveu a respirar fundo. A tensão era palpável no ar. O tempo congelou e nós acertou como navalhas. Katie arrastou a cadeira, e o barulho ecoou no salão silencioso, mesmo os garçons estancaram nos seus devidos lugares. Ela levantou, ficando na frente de Travis, o avaliando, amarga. Eu só conseguia sentir a pulsação louca e acelerada.
Por um momento, pensei que ela ia dar na cara dele. E o que ela fez quase me dar um ataque histérico de emoção. Ela o beijou, arqueando os ombros, com as mãos no seu rosto. E ele arregalou os olhos, cético— eu também estaria, né? Eu estava. Todos estavam. Sem reação nenhuma. Nem ele.
Ele retribuiu, fechando os olhos e puxando sua cintura mais pra perto num beijo avassalador.
— GOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLAÇO— Annie rufou tambores batendo na mesa. E gargalhou, com todos a seguindo em comemoração.
Era gritos, assobios, murmúrios e choros pra lá e pra cá.
— VAMO BEBÊ PÁ CARALEO!— Percy berrou, recebendo mais gritos em concordância.
Eu só pensava em uma coisa...
— To ricah! To ricah! To ricah— cantarolei e peguei o bolão da mesa, ficando em pé e jogando no meu corpo.— To ricah. Muito, muito ricah!
Comecei uma dancinha da alegria, muito e muito escrota.
...
— Eu nunca pensei que estaria vivo pra essa cena!— Leo estava arrasado por perder o dinheiro.
Nico ficava se abanando com o dinheiro perto de Connor. Esse era sacana.
— Pois não é, mininu!— Grover ficou estático.— É tipo ver Harry e Draco namorando...
— Nós não somos um casal homossexual, Grover— Katie estava sendo empanturrada de beijos no pescoço de Travis. Eles se abraçavam e se beijavam de meio em meio segundo. Seus sorrisinhos bobos me deixavam boba.
— Vai que hoje na hora H tu encontra uma coisa diferente, ali, no meio— Jason riu.
— Vai que, né...— Hazel deu de ombros, fazendo uma careta.
— Gente, eu ainda não acredito que você é minha irmã— Bianca sustentou o queixo nos punho, fitando Hazel. Elas pareciam bem próximas, tipo, das seis horas que se conheciam.
— Vocês são irmãs?— Juníper perguntou. E percebi que era a primeira vez que ela falava para o grupo.
— Meus pirralhinhos— Hay apontou pra Bia e Nico.
— Que fofo, gente— a ruiva colocou as mãos na bochecha, emocionada. Sorri, também emocionada. Mais que droga, eu estava toda sentimental hoje.
— Ai, que lindo— Calipso zoou, tirando a fuça, depois, e infelizmente, de horas, do celular.
— Porra, Calipso! Sua inconveniente babaca!— Zoe de estressou com a irmã. Não era pra menos.
Minha vontade era de arrancar o coro dessa puta e usar como tapete. Iria palitar meus dentes com seus ossos. ESSA SOU EU!!!
Annie me contou que ela a chamara de gorda! Juro que se fosse Annabeth e essazinha me desafiasse na minha casa, ela ia ver o que era o inferno mais cedo.
Grover se remexeu, em direção a Percy, pronto para o ataque.
— Quem é essa? Sua ex?— perguntou com nojo. Percy assentiu.— Deu uma decaída... Volta a fita, cara! Volta pra Annie!
— Para, amor!— Juníper o cutucou.
— Ei, espera! Eu não conheço você! Agora que fui me tocar— Octavian se pronunciou.
— Nem, eu— Zoe franziu as sobrancelhas.
— Alguns de vocês não foram... Pro acampamento...— Katie saiu de um beijo, ofegante. E Travis continuava distribuindo selinhos na bochecha dela, com o braço em volta da sua cadeira.— Se não me engano... Piper, Jason, Leo e Calipso tinham ido esquiar no Chile. E os outros ficaram de matéria, eu acho— Travis puxou seu rosto, para outra rodada de beijos.
Que inveja.
— E a Thalia?— Grover me olhou, me assustando. Ele deu um sorriso travesso.
— O que tem eu?— perguntei, virei o rosto e senti a corrente de ouro balançar. Minha voz saíra um pouco mais rouca que o normal.
— Tá toda caladona aí! Apaixonadinha... Fica suspirando pelos cantos...
— Que cantos, doido?— arquei a sobrancelhas.
Eu sabia que não era mais a mesma. Como uma viagem pode mudar tudo? E me deixar tão leve e aberta? As recaídas não eram mais frequente e eu sentia sorrir muito mais.
Mas fiquei calada. Nunca admitiria isso.
— Sei lá! Tá romântica? Pensando na vida?— insistiu.
— Romântica?— Jason gargalhou, poderosamente.
— Tá até de cabelo azul... E essa correntinha no rosto?— semicerrou os olhos, me irritando.
Juníper deu um tapinha no braço dele.
— Ela é escritora de músicas! Uma artista! Ela pode ser assim!— ela me explicou. E quis dar um abraço nela.
— Canta pra mim!— Grover falou, como se uma lâmpada acendesse no topo de sua cabeça.— Aquela que tu tocou no jogo...— ele pareceu pensar, estralando os dedos.— Espera...
Tirei um mecha de cabelo, colocando pro lado.
— Proof?— me fiz de indiferente.
— É!!!!!! Foi divina! Vai, canta!— pediu, de biquinho e tudo.— Outra! Sua!
O olhei com desprezo e preguiça.
— Não.
— Me dê essa honra!— continuou.
— Não!
— Vai, Thalia— Juníper pediu.
— Canta— Grover incentivou um coro.— Canta... Canta... Canta...
Todos continuaram. Grover era contagiante. Até Katie e Travis pararam suas preliminares. A palhaçada se manifestou para as outras mesas. E meus avós. E meus pais. Meu quase namorado. Primos e amigos e tios. E Calipso também.
Tive uma vontade de chorar de vergonha. Ah, pelos Deuses. Apolo que me abençoasse. Procurei por Annie, que não fazia nada, apenas me olhava consoladora. Ela sorriu pra mim. Só existia ela pra me entender, mesmo?
Meu coração conseguiu um pouquinho de alívio.
Essas amigas fofas que nos apoiam em momentos difíceis!
— Só se a Annie concordar— falei, querendo que ela me ajudasse. Fiz uma prece silenciosa.
Algumas vaias, aplausos ou incentivos soaram.
— Por favor— sussurrei pra ela.
— Eu adoraria quebrar o barato de vocês— já ouvi reclamações. Suspirei, agradecida.— Mas eu não sou de desfeitas. E adoraria que você cantasse aquela nova. Que escreveu no avião e não me deixou ler.
— Quebra-códigos!— choraminguei, chateada.
— Foi presa na ratoeira— Grover comemorou.
— Fique de pé para podermos vê-la melhor— minha vó pediu, docemente.
Olhei Annabeth, me levantando de mal grado.
— Eu odeio você!
Ela sorriu de canto.
— Não odeia, não.
...
All the ways that you think you know me
All the limits that you figured out
Limits that you figured out
Had to learn to keep it all below me
Minha voz reinou no silêncio. E eu me senti fraca pra continuar. Era um pouco doloroso cantar aquela canção. Muitas lembranças ruins. Só que aí, eu encontrei os olhos dele. E sorri, com as forças revigoradas. Apenas por olhá-lo. Parecia tão mais velho da última vez que o vi pessoalmente. Com o cabelo bem maior, preso na liguinha, sexy.
Ele estava sério, mas prestando atenção até demais. Tão bonito. A falha na sobrancelha, uma cicatriz, de várias que tinha. Ficara mais forte e mais tatuado, percebi. O queixo quadrado e a beleza antiquada, como se acabasse de sair da Segunda Guerra Mundial. Ainda mais com aquele terno escuro.
Just to keep from being thrown around
Just to keep from being thrown around
E seus olhos? Eram um pecado.
Negros. Mais tão negros.
Me excitam como nada mais fazia.
Não pude desviar deles.
Yeah
Every single time the wind blows
Every single time the wind blows
I see it in your face In a cold night, there will be no fair fight
There will be no good night to turn and walk away
So, burn me with fire, drown me with rain
I'm gonna wake up screaming your name
Yes, I'm a sinner, yes, I'm a saint
Whatever happens here
Whatever happens here
We remain
Nós sobrevivemos, Nico! Eu queria gritar.
Pude sentir que ele sabia sobre o que era.
A nossa história meio torta e errada. Meio triste e mórbida.
E eu sabia que aquilo o machucava mais que a mim. Estava estampados em seus olhos. Bem, ali.
Fui egoísta demais esses tempos pra perceber o quanto tudo o afetou.
Segurei um agudo, deixando as lágrimas escorrerem por um momento só. Pouco perceptível.
We remain
...
— Sei lá! É uma mistura de vozes— Grover ficou maravilhado.
— Parece com o tom da Pink e da Jessie J, com uma pitada de Beyoncé— Juníper comentou, sorridente.
— Uma rouquidão só— Miranda me olhou.
E eu estava super desconfortável.
Ou pior. Era mais ou menos por ali.
Não bastava ter que cantar em um restaurante pra a família, ainda tinha que ouvir que era o tesouro do vovô.
Eu sou o baú vazio, quis responder. Concentrei na minha Cesar Salad suculenta, enquanto ouvia comentários desnecessários sobre minha voz rouca ou não.
— Na boa! Eu convivi mais com os arranjos— Connor declarou. Óbvio, nós tocávamos juntos.— Ela tem uma voz própria.
Podia beija-lo, mas escolhi ficar com a típica carranca. Tudo bem, pelo menos, estavam falando coisas boas sobre eu ter cantado. Mas eles estavam falando sobre eu ter cantado na minha frente. E isso me deixava sem jeito.
Levantei a cabeça, tentado achar algo para eu não me afogar em tédio e vergonha. Logo, encontrei os olhos de Nico, que me fitavam, indecifráveis. Eles pareciam duas poças enormes de petróleo. Quase me engoliram por completo. Por um momento, senti o corpo todo formigar, os dedos fraquejaram.
Mas um garçom, servindo champanhe, me chamou atenção, beijando a bochecha de Annie. Ela se virou, em sobressalto e arregalou os olhos.
— Ferme la gueule!— se pôs de pé e agarrou os ombros do moreno, o abraçando com tanta força que talvez ele explodisse, ele a suspendeu no ar, girando, estavam tão felizes que ponderei em vomitar. Annabeth começou a distribuir beijos em todo rosto do cara.— Est barbu!— alisou a barba dele, sorrindo loucamente.
— Estou, imensamente, chateado com você, senhorita— ufa, ele falava inglês, quer dizer, ele devia ser inglês. Tocou o seu nariz, e lhe deu um beijo na testa.— E, provavelmente, vou perder meu emprego por isso.
— Eu valho a pena— quis rir da modéstia da nossa querida amiga. Ele puxou a cintura dela e colocou as mãos no seu rosto, encantado.
— Está tão linda— ele suspirou.— Como eu senti sua falta— sussurrou, e ela acariciou sua mão. O contato visual apaixonado me fez desviar o olhar.
Gente, eu queria estourar de tanto rir. Percy ia entortar a faca que segurava e ia furar a janela atrás de mim, por seu olhar furioso. Meus outros queridos amigos, fuxiqueiros (me incluindo nesse meio), alternavam seus a atenção entre a Lora e o cara misterioso que eu desconfiava já quem era. Era incrível como todos ficaram calados na mesa pra pegar serviço.
Hazel e Frank tinha sorrisos de estourar a cara para o tal.
— Por que você está chateado comigo?— ela perguntou.
— Nem me avisou que estava em Paris— choramingou. Annie encostou na cadeira.
— Na verdade, eu cheguei hoje— se defendeu.
Frank levantou indo em direção aos dois.
— Você nem ia avisar!— trocou um aperto de mão com o homem e o abraçando, masculinamente.— Fala, Mich!
— Frank, cara! Você sumiu!— ele tinha olhos azuis-turquesa. Tentei caçar na mente o nome dele... Annie já me falara dele uma vez... Michael!
Isso, Michael Yew! O the first. Eles eram namorados quando a Annie tinha 13, e era gordinha. Ele era inglês e primo de um antigo colega de classe dela... Lee, se não me enganava, ele se mudou pra França nessa época. Que ela também namorou. Menina namoradeira! Annie safadinha. Fiquei orgulhosa por sabr, Annie me contava tudo de tudo.
Ela tinha mesmo um passado cheio de âncoras. Nada como Percy, claro.
— Tem que acompanhar o ritmo da patroa— Frank apontou pra Hay, que estava se levantando.
— Não! Não levanta, não, Hazel!— ele foi até ela e lhe deu um beijão na bochecha.— Você parece um brigadeiro!— acariciou sua barriga.
— E você é um amor!— ela lhe deu um beijinho.
Pigarrei, interrompendo o momento. Me direcionei a Annabeth.
— Não vai nós apresentar seu amigo?— sorri de lado. Ela revirou os olhos.
— Pessoal, digam oi ao Mich! Mich diga oi ao pessoal!— gesticulou grotescamente, me fazendo rir.
— Oi, Mich!— falamos.
— Oi, Pessoal! É um prazer— respondeu, sorridente.
Percy bufou.
— E eu não te avisei que estava na cidade porque você ia me levar pro mal caminho com o Lee— Annie se explicou.
— Eu? Levar pro mal caminho? Mas eu sou um santo!— o dono da voz se manifestou, um loiro, aparecendo por trás dela, com o mesmo uniforme de de Mich, beijando seu pescoço.— E outra não fiz nada que você não concordou.
Ela agarrou seus braços, chegando perto.
— Por causa desse dom de persuasão— falou, sorridente.
— Então, tá combinado. Eu, você e o Mich no Moe's. Amanhã à noite— avisou, curto e grosso. Gostei dele.— Só não te chamo, patroa,— falou com Hazel— nem o patrão,— olhou Frank já sentado— por causa da patroazinha. À propósito Hazel, você está radiante.
— Existe um bar chamado Moe's?— perguntei, entremetendo na conversa particular, curiosa.
— Tipo dos Simpsons?— Leo enfatizou.
— Ah, era daí que eu tava estranhando...— Will falou.
— Pois é, eu também fiquei pensando— Bianca riu.
— O dono de lá... O Dimitri, parece com o Moe, aí nós o apelidamos assim— Annie disse.
— O bar se chama Queen Stripper! É inglês— Lee me olhou, percebi a onda dele de imediato, um cretino. Gostei ainda mais.— Belíssima voz, senhorita Grace. Eu vi sua apresentação no jogo dos Lakers.
Ri, do modo sedutor como falou. Os olhos azuis de Lee faiscavam ao se pronunciar assim.
— Obrigada, obrigada!
— Foi genial!— Mich sorriu pra mim. Completamente o oposto do primo, um fofo.— Até baixei no iTunes! To esperando essa música também...
— Pode deixar— fui cortada pelo meu celular vibrando mais alto que o normal.
Tirei de debaixo da coxa, desbloqueando a tela. Era só uma mensagem. Olhei de esguelha a mesa, onde o Pessoal começava a se enturmar com Mich e Lee.
"me encontra no banheiro feminino"
Nico... Olhei pra frente. Vendo-o o arquear um sobrancelha. Assenti. Saindo da mesa sem ser percebida e incomodar ninguém.
— Sogrão!— Mich e Lee gritaram, simultaneamente, para Fred de longe, que respondeu com um sorriso e um aceno.
Olhei Percy uma última vez. A expressão menos raivosa e enciumada, agora, parecia mais decepção. Pra disfarçar entrou no papo, mas ele não me enganava. Coitado, ele tinha logo que amar de um furacão?
Fale com o autor