Young Blood

18 Fraca? Só às vezes


Notas iniciais
gente.... eu estava lendo os primeiros caps... POR ZEUS, tem muito erro estou aq pra pedir perdao por eles e q estou ajeitando isso (se tiver erros me avisem) deuses me livrem... quase tive um enfarte bem... cap passado n agradeci direiro a recomendação da Rachelcada cap pra vc gata, tu és incrivel e só pra deixar claro q sou mesmo uma hearthbreaker

Thalia.

A monotonia não me abandonou um segundo se quer. Assim como a tristeza.

Eu odiava meus momentos de monologa, mas não tinha saída.

Então...

Fiquei que me perguntando, se a vida um dia seria justa.

Eu sei que existem pessoas com problemas piores com a cabeça erguida. Mas eu não queria ser forte, eu queria desmoronar.

De vez em quando eu fazia isso, sabe? Desmorono, por causa de todas decepções, todos os não's, todos os mortos. Eu precisava, era bom. Renovar o cimento das minhas barreiras emocionais. Me dava forças pra continuar em pé.

Fugia, uma semana, dois dias, um mês.... Fazia três dias que eu não via a luz do dia.

Trancada em um loft de uns amigos. Um lugar sujo, entupido de lixo e comida estragada. Roupas e camisinhas usadas jogadas no chão.

O lugar perfeito pra eu chorar, coisa que era raro. Mas esse dias vem se tornado tão comum quanto respirar. Não que deixasse alguém me ver.

Uma paixão, um filho e uma doença. Foi onde a vida me colocou. Onde eu menos esperava ou desejava. As três coisas que mais me amedrontavam.

Eu tinha medo de amar, e perder. Eu sou uma perdedora, desde jogos de tabuleiro a amor. Nada é pra sempre, tudo seria temporário, e na minha cabeça ficava me perguntando quanto tempo sobreviveria um amor. Eu não queria perdê-lo, muito menos amá-lo. Mas coisas assim acontecem, e acabei me acostumando com o fato de ser dependente de alguém, deixava as consequências pra depois.

Eu tinha medo de filhos, era uma coisa que eu nunca teria. Ter um pirralho te incomodando pra limpar sua bunda após sair do banheiro, aquilo, realmente não era pra mim. Por mais que limitasse minha vida, era meu filho ali. Uma parte de mim e do homem que eu amava. Não tinha como ser menos que apaixonada por aquele serzinho.

Eu tinha medo da doença, que me fazia perder o meu filho. Eu não tinha esperanças de nada mais. Sabia que ia perder essa criança, eu só estava antecipando o meu sofrimento. Pra parecer forte quando a verdade vier à tona.

Tentei negar a mim mesma que isso não iria acontecer, uma grande ilusão.

Jogada no colchão sujo, tateei o chão procurando mais um seringa. Minha razão começava a voltar. Isso não era bom.

Peguei o fino tubo com a agulha grossa e enfiei na veia do meu braço, ainda na mesma posição. E senti a heroína entrar pelo meu corpo, e se espalhar pelo mesmo.

Fiquei ainda um tempo deitada, olhando o teto cheio de canos e fios, as lágrimas escorrendo e encharcando o colchão velho.

Patético. Isso tudo era patético.

Percebi uma dor abdominal forte, nunca tinha sentido isso antes. Estranhei a droga não ter anestesiado a dor. Pontadas aqui e ali. Agora mais intensas, gritei, devia estava acontecendo.

A dor se alastrou para todo meu corpo. Eu sentia a pulsação acelerada, a cabeça latejando. Berrei de dor, nunca pensei que fosse doer tanto, enterrei as mão no cabelo e os puxei, como se fosse aliviar. Me encolhi, em posição fetal, coisa que eu devia ter evitado.

Minha vagina estava super sensível, senti um líquido viscoso e quente saindo. Gritei com mais intensidade.

Não mais pela dor, já tinha me acostumado. Mas pelo fato de eu estar sofrendo um aborto. Perdendo meu filho. Meu filhinho... Solucei, e cerrei os olhos tentando evaporar aquele momento. Tentei não absorver detalhes, sensações. Eu só queria que acabasse logo. Ou nunca tivesse acontecido.

Sozinha, sem ninguém pra me ajudar. Se tivesse sorte morreria com uma hemorragia. Era uma péssima forma de morrer, mas morreria. Me livraria de todas aquelas caras com pena, e os falsos da mídia. Me livraria das mentiras de que tudo ia ficar bem, que eu ia superar.

A coisa era: EU NUNCA IRIA SUPERAR.

Era uma vida, uma possibilidade, um fruto de um amor, era a minha vida se desfazendo em sangue. Não sabia da onde vinha tantas lágrimas. Mas elas vinham, perpetuando minha dor. Meu coração parecia murchar a cada segundo, morrendo cada vez mais que meu filho morria.

O sangue começou a sujar e escorrer pelas minhas pernas. A minha visão embaçada e os ouvidos zunindo, sabia que ia desmaiar a qualquer momento.

Ouvi sons abafados, sentia o sangue em todo meu redor, subi minha mão pegajosa. Toda vermelha e solucei mais forte. A fraqueza invadiu meu corpo, senti como se nunca fosse me mexer de novo. Eu sinceramente esperava isso.

— Ah, deuses...— ouvi uma voz antes da escuridão.
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— Foi a coisa mais horrível que passei— a voz de Connor, entrou pelos meus ouvidos.

Eu não estava morta.

— A gente chegou lá, e ela estava deitada numa possa de sangue— Travis falou, sua voz era melancólica. Ele nunca ficava triste.

Eu continuei sem me mexer, sem abrir os olhos. Não tinha motivos pra viver tinha?

Nico. Pensei. Jason, Piper, Annie, Bianca, Percy... Eles eram meus motivos. A conversa continuava, respirei fundo. E abri os olhos bem devagar. Eu já havia me destruído, já havia chorado antecipadamente. Agora era hora de ser forte, mesmo não estando em condições pra isso. Imediatamente quis chorar. Do que realmente adiantou ter fugido? Eu poderia me esforçar pra ter dado certo. E se tivesse dado? Minha cabeça pesou. Eu mesma havia matado meu filho.

A primeira coisa que vi foi uma luz cegante. A visão começou a focalizar e reconheci rostos. Annie com a maquiagem toda borrada e descalça, o cabelo um ninho de urubu mesmo. Chorava em silêncio abraçada a Jason, numa situação não muito pior, estavam sentados no sofá em frente a minha cama, Percy olhava a janela, também sentado. Os Stoll encorados em paredes diferentes perceberam que tinha acordado.

— Thalia— Travis soltou mais como um suspiro aliviado.

— Você acordou— eles se aproximaram de mim. Assim como Annie, Jay e Percy.

Seus olhos expressavam pena, e tristeza. Mexi a cabeça desconfortável e umedeci os lábios. Começou. Pensei seriamente em me matar na primeira oportunidade.

Ouvi um choro de criança. Respirei fundo, só alucinações.

Você matou seu filho. Poderia ter se esforçado, morresse no parto se fosse preciso. Mas não desistisse, minha mente gritava.

— Infelizmente— minha voz saiu arranhada e tão rouca que quase desaparecia no ar.

— Heroína, Thalia. Sério? — Annabeth parecia realmente abalada. Os olhos inchados e vermelhos.

Os outros os encararam curiosos.

— Como sabe?— perguntei indiferente, meus olhos vazios e mortos.

Riu fria, o seu passado conseguia ser mais obscuro e doentio que o meu.

— Eu também tive meus problemas com heroína, você sabe— ela acariciou minha perna por cima do lençol fino.

Prestei mais atenção ao redor.

Branco, eu estava em um hospital. Quis vomitar, aquele cheiro de limpo e perfeito. Tantas esperanças e tantas decepções em um lugar só, me dava náuseas.

— Por que estou aqui, odeio esse lugar— fiz uma careta, obriguei-me a parecer fria, sem sentimentos. Contudo, meu corpo desfalecia, lenta e dolorosamente. Sentia minha mente apossada por parasitas malignos.

Jason, cansado, abriu a boca pra responder.

— Thalia...

A porta foi aberta, Hermes e ele entraram na sala.

Ele. Todo o cimento 'novo' pareceu evaporar. Talvez me afogasse em lágrimas de novo. Tudo pareceu sem cor e sentido com sua presença, eu o decepcionei, o magoei.

Encarei seu rosto, pior que eu mesma. Olheiras roxas e enormes, os ombros baixos, as lágrimas escorrendo e os olhos mais vermelhos impossível. Nem se quer olhou pra mim. Continuou com o olhar perdido no chão.

Segurei as lágrimas, e tratei de falar, com a voz menos embargada.

— Eu perdi?— disse olhando para Hermes. Só precisava ter a confirmação pra desistir da minha própria vida, já que deixei a do meu bebê escorrer pelas mãos. Eu não conseguiria mais viver. Eu precisava ir embora, me senti sufocada. Tive que manter a postura. Eu era forte pra eles.

Hermes era um tio pra mim, sempre cuidou da minha família. O pai dos Stolls e dono no hospital que estava, provavelmente.

Assentiu e me olhou. Annie soluçou alto, Percy a abraçou.

— Você não cria juízo— forcei um sorriso vazio.

— Acontece— soltei um muxoxo e encarei a parede, perdida. E com uma vontade enorme de executar minha decisão. Precisava ficar só pra isso.

— Seus pais estão chegando. Thalia, havia toxinas no seu sangue— me olhou mais sério que antes.

— Eu sei.

Hermes era o cara mais foda e divertido que já conheci. Mas ali, não expressou um sinal de diversão.

— Vou esperar seus pais chegarem pra dar o diagnostico.

E assim saiu.

Aquela sala me dava nojo. O silêncio pesado, as fungadas dos choros e os olhares tristes me dava mais náuseas. Percy parecia o menos abatido. Todos haviam se dispersado pela sala. Apenas ele ficara ali, aproximou e sentou ao meu lado na maca.

— Sei que você não está bem— tava tão na cara?— Pare de tentar fazer pose de durona, chore como uma pessoa normal faria.

Não havia expressão no seu rosto. Conversávamos num tom baixo.

— Aí que tá. Eu não sou normal— forcei minhas cascas não se romperem. Percy sabia como atingi-las.

— É, sim. Só tem medo de mostrar seus sentimentos— encarava-me sem dó.

— Você sendo grosso assim, ajuda muito.

— Eu não tenho pena de você!

— Me sinto lisonjeada— revirei os olhos.

— Heroína? Pra quê? Por que não se mata logo?

— Eu já tentei, e você me impediu— sua boca se contraiu. Não era uma história agradável.— Percy, eu estava condenada, ok? Eu não ia ter esse filho! Eu só antecipei as coisas. Ia ser melhor para todos— quase me convenci. Não era verdade.

Riu com veneno.

— Você não pensou em Nico? Por que é tão egocêntrica?

Já estava ficando irritada, e minha cabeça doía mais que nunca.

— Isso é amor próprio. Eu aprendi a ter quando ninguém se importou.

— Dramática.

— Percy, eu superei. Ele vai superar.

Me avaliou durante segundos e me puxou pra um abraço apertado. Não tive forças pra retribuir, mas deixei o levar. Queria socá-lo.

— Você não superou. Você acha que eu sou otário? Acha que não percebi, estampado na sua cara, seu projeto suicida? Saiba que eu não a deixarei ir, Lia. Eu te amo. E como primo, vou te rastrear se for preciso. Você vai aprender a conviver com seus problemas. Me escutou?

— Desculpe. Me tira daqui— falei sem vigor, meus olhos começavam a lacrimejar.

— Não posso— respondeu carinhoso, um quentinho correu meu corpo. Adorava quando cuidava de mim.

Ele se separou de mim e limpou uma lágrima traiçoeira.

— Mande-os embora. Eu tenho que falar com Nico.

Concordou, e descansei minha cabeça fechando os olhos. Minutos depois, ouço um suspiro.

— Por que fugiu?— sua voz rouca me atingiu, e um arrepio ruim percorreu meu corpo.

— Eu precisava— já jorravam lágrimas dos meus olhos, não deu tempo nem de pensar. O plano de ser forte foi por água abaixo. Abri os olhos e o vi sentado no sofá longe de mim.

— Podíamos ter passado por isso juntos— Nico chorava, coisa que nunca, ouçam, nunca acontecia.

— N-nico, entenda, por favor. Eu precisava— fitei-o intensamente.— Ia ser bem pior se presenciasse.

— O filho também era meu, sabia?— não se mexia, apenas não desgrudava seus olhos do meu.

— Mais é claro que sabia! É por isso que fiz questão de ficar longe!

— E qual foi a vantagem?

— Poder me acostumar com a ideia de que a qualquer momento, meu filho sairia pela minha vagina em forma de sangue— gritei.— Eu não quis nada disso. Nada. Me perdoa— coloquei a mão no rosto.

Se levantou rapidamente e me abraçou.

— Ainda temos chances de ter outra mini-Thalia, não é?— me apertava contra ele.

— Eu espero que não.
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Eu não tinha nada.

Irônico não?

Eu perdi um filho, mas não tinha nada.

Meus pais chegaram, juntos com os de Nico. Os Stoll tinham ido embora com a promessa de uma festa pra levantar os ânimos.

Annie e Percy foram pegar roupas pra mim. Jason e Tia Maria tentavam consolar minha mãe. "Tudo culpa minha, se eu não tivesse essa doença estúpida" "Se eu a tivesse avisado". "Eu matei meu filho, você só agiu no anonimato", pensei. Revirei os olhos frustrada. Era assim que as pessoas iriam agir comigo?

Nossos pais conversavam fora da sala com Hermes, e Nico tinha sua mão entrelaçada a minha.

— Isso tá me dando ânsia de vomito também— Nico falou, de frente pra mim.— Deixa eu sentar, minhas pernas estão doendo.
Sorri singelamente, e abria as pernas pra ele sentar no meio delas.

— Você tá longe, o que está pensando?— acariciava minhas pernas.

— De como seria nossa vida com um filho.

Ele sorriu brilhantemente.

— Ou filha.

Revirei os olhos tristes. Foi culpa minha, insisti.

— Ei,— puxou o meu queixo.— Nós podemos tentar de novo. Vamos ficar juntos.

Olhei seu rosto, a fadiga explicita. Acariciei sua bochecha, e fechei os olhos sentindo seu hálito de cerveja. Nos beijamos devagar, um beijo sentimental, coisa de que eu nunca fui fã. Mas aquele beijo me arrepiou até as sobrancelhas, nossas línguas se enroscavam e se acariciavam numa doce dança. Ele apertou minhas mãos. E nos faltou ar.

— Eu te amo tanto. Eu prometo nunca mais fugir— abri os olhos, e vi seu sorriso de lado, sexy e aconchegante.— Você é uma pedra, e te ver triste ou mal é horrível, me desculpa. Tudo foi minha culpa. Por favor— sussurrei.

— Vamos ficar bem, sempre ficamos.

Notas finais
hahahahahhaaaaaaaaa morri escrevendo esse cap, chorei mt manolos quero mts commentss bjbj, Drew