Young Blood

44 Bolha de sabão


Notas iniciais
já sabem do Magnus Chase??? primo da Annabeth? nova série de livros do tio rick?? n? instala internet na tua csa tio, e pira!! galera q isso! PERCY TA DE VOLTA (porém dentro de um livro q ele n eh o protagonista e n gregos, mas nordicos) como eu sei disso? foi o setor de marketing da intríseca q vai postar todos os cinco livros do Magnus e eles deixaram no ar q antigos e amados personagens vão dar uma palhinha básica!!!!!!!!!!!!!!!!! enfim, de tão emocionada q fiquei resolvi aparecer aq o mais rápido possivel e eu nem escrevi o cap 49... mas eu n ia conseguir ser tão organizada cm a fic msm pq smp oq ta planejado muda, então..... GALERA!!!! E O GRUPO? MANDEM SEUS NÚMEROS PRA MIM OU ME CHAMEM LÁ ( 92 982117006) POR ENQUANTO SOMOS 6 E MARAVILHOSAS PESSOAS CONVERSANDO SOBRE TUDO MSM!!!

You can put your feet up

Be my señorita

We ain't gotta rush

Just take it slow

Percy.

Estava completamente encantado.

Não bastava ser linda, engraçada, inteligente e ainda tinha que comprar bolos e levar em orfanatos para as crianças que são apaixonadas por ela?

O sentimento de saudade foi encobrido por aquele outro... Indescritível e poderoso que crescia sem controle nenhum. Era bem maior que amor, concluíra. Era maior que tudo que já tinha ouvido falar, porque palavras não estavam ao alcance, só se podia sentir. E pipocou dentro de mim naquele momento, e em todos dali em diante. Eu era alvo dos olhos cinzentos e tempestuosos, como o céu sobre nossas cabeças. Alvo de um sentimento incomum, que quase achei, em parte da minha vida, ser historinha pra criança dormir.

A olhei de esguelha, que sorria e acenava para as pessoas que passavam, murmurava coisas em francês. Era um bibliotecário ali, um florista aqui, uma boleira e alguns pedintes. Todos num raio de 800 metros deviam idolatrar a loira com o sorriso meigo e caloroso, assim como eu, agarrado aos seus ombros sardentos e quentinhos. E a sentia como se voltasse seus dias de menina. Me lembro das vezes em que caminhamos por essas mesmas ruas, vendo a troca de estações. Annabeth sempre usava marias-chiquinhas e um sorriso capaz de curar o câncer.

Andávamos sobre as ruas de paralelepípedos, naquele início de outono sereno. Leve. Em paz. A brisa balançava os nossos cabelos, os fazendo dançar, e o sol se escondia em nuvens carregadas de chuva, ameaçando a cair. Era outono. Oficialmente. Mas não era triste. Muito pelo contrário, parecia dar as pessoas uma nova esperança. Eu não entendia, mas eu via em seus olhos. Eu via nos olhos dela. Nos olhos dela cor céu.

Fazer o bem sem olhar a quem. Se é por isso que ainda parece um idiota me olhando desde a hora em que entramos da Casa da Infância— Annie falou, rindo um pouco e enlaçando nossos dedos.— Foi isso que eu aprendi quando pequena. Minha mãe que me dizia isso.

A olhei, curioso. Annabeth era outra pessoa a falar da mãe. Não que tivéssemos conversado muito sobre Tia A. A olhei de perfil, captando sua expressão indiferente.

Os óculos de grau quadrados lhe davam alguns pontos a mais de QI. Estilo harvariana.

— Nós estamos indo visitá-la também, né?— joguei a bituca de cigarro na lixeira em que passamos. Então entramos no verdadeiro caos metropolitano.

Postes antigos, com arranjos de flores coloridas, hidrantes vermelhos, árvores com poucas folhas, e as que se acumulavam no chão, estavam laranjas, lojas e prédios de construção mescladas, ruas que se estendiam ao horizonte lotadas de carros, e ciclistas que pontilhavam uma das principais avenidas de Paris. A cidade tinha um típico ar europeu, lógico, e empestado de cigarro. Pedestres iam e vinham, alheios aos outros, com sacolas de grife, celulares nos ouvidos, e um alto murmúrio, misturando vozes, dava a característica de cidade grande.

— O mundo é lindo, né, cara?— falou ela, respirando fundo, observando a paisagem urbana, já familiar e que tinha sua beleza própria.

Parecíamos estar dentro de uma revista de viagens, ou um daqueles documentários de mochileiros.

Sorri de lado. Esperando o sinal fechar da calçada. Caminhávamos para um dos anexos a Champs-Élysées, onde Annie insistia me levar para comprar um terno. A minha desculpa pra acompanhá-la. Eu não queria experimentar ternos tão caros quanto um carro, eu queria apenas tê-la do meu lado.

— Por que está dizendo isso?— perguntei, tentando desvendá-la.

— É só um fato. É tudo bom demais pra nós. E temos a audácia de estragar ou reclamar— ela parou de olhar o nada e ficou de frente pra mim, no meio da multidão de roupas sociais. Desfocávamos tudo, como dois milhos no meio de ervilhas.

Me preparei pra as analogias e homologias filosóficas sobre diferentes maneiras de ver a vida. Era um pouco cômico. Sempre admirei o dom de Annie, desde pequeno. Ela podia discursar para nações inteiras e conseguir convencê-los a paz mundial.

— Você teve essa audácia...— contra-argumentei, sorrindo traiçoeiro.

— Não tenho mais— me cortou, levemente irritada.— Eu tinha me feito em mil pedaços. Esperando alguém vir e me juntar. Eu sempre quis achar uma razão ou uma explicação para o que sentia. Foi difícil ficar. Foi difícil me sentir sozinha e sem esperança. Como se eu estivesse num quarto escuro com uma lanterna sem pilhas. Me sentia em um pesadelo sem saída. Aí eu parei e pensei: isso é besteira, eu culpo a sociedade consumidora, um mundo violento e imundo, pessoas más... Mas sou tudo eu, se eu levantar minha voz e fazer diferente... Eu posso fazer diferente, porque ainda tem coisa bonitas a se ver— as pessoas começaram a atravessar. Mas nós ficamos. Ficamos nos perdendo em nós mesmos. E em sábias e experientes palavras que me encantavam a cada minuto, me intoxicando com a essência e personalidade da loira a minha frente.

Da loira divididas em extremos. Da loira guerreira que travou as próprias batalha, que caiu e levantou ainda mais forte. Da minha loira.

— E temos que procurá-las onde quer que estejam— suspirou, aliviada.— Eu descobri como encontrar meu infinito, eu descobri o poder de um sorriso. Descobri o valor de pequenos gestos que são esquecidos hoje. Eu renasci de cinzas, Percy. Eu redescobri você. Meu infinito está em você.

Pôs a mão na minha bochecha, fazendo as células próximas explodirem em um líquido quente de puro prazer e ter uma pequeno infarto por presenciar o momento que me lembraria até além da morte. Porque nem a mais perfeita noite de amor, o beijo mais terno ou o eu te amo mais sincero não chegaria aos pés daquele exato momento, com aquelas exatas palavras. Eu era o seu infinito. Também como ela era o meu. E a antiga cicatriz pútrida de um incômodo vazio se perdeu no meio de tanto amor que emanava dela. Não havia mais dúvidas que ela era o pra sempre precisava.

Alternava meus olhos, os fitando tão profundamente que me arrepiei, sentindo ler toda minha história já escrita. Ela era igualzinha a Tio Fred e suas oratórias emocionantes. Quantos anos sua alma devia ter? O quanto ela já tinha visto e ainda podia ver?

— Eu?— sussurrei e peguei na sua mão, a acariciando. Era tão pequena sob a minha. Era quase inacreditável a ver como uma mulher crescida, mas saber que dentro dela havia um dos maiores e inocentes corações que os seres divinos já haviam presenciado.

— Eu cansei de tentar saber tudo. Eu to deixando a vida me levar. E ela sempre me leva até você— mordeu o lábio, com o nariz vermelhinho. Essa mulher era única.

Annabeth sorria, com os lábios. Com os olhos, também. Com as orelhas e com as sobrancelhas. Ela sorria com a alma.

Sorri, sucumbindo ao seu efeito, a comum coceirinha atrás da orelha me dominou, me deixando inquieto.

— Eu odeio quando você fala desse jeito. Parece que eu nunca vou conseguir achar algo a altura.

Gargalhou. E a sua risada devia passar na rádio, todas as manhãs. E seu sorriso... Ah, ele podia iluminar a NYC inteira no escuro.

Ela tinha um valor inestimável.

— Você não precisa— sussurrou, piscando lentamente.

— Era pra ser eu a te emocionar com declarações— fiz um beiço.

— Palavras são meu jeito mais pobre de demonstrar sentimentos. Afinal, a gente tem que sentir, Percy.

Nossas bocas ainda tinham uma distância, torturante. E eu queria beijá-la como se tudo fosse acabar amanhã. Queria beijá-la até meus pulmões falharem e meu corpo dizer chega. Mas aí, havia a questão: meu corpo, simplesmente, não podia dizer chega.

— Annie?— nos continuávamos a nos olhar. Parados na beira da calça. Ela murmurou para que eu falasse. Era como uma cena de filme. Eu esperava que fosse como filme, tinha que dar certo no final.

Não podia amarelar, nem me dar o luxo de ficar nervoso. Eu tinha culhões pra isso. Eu os preparei a vida toda.

— Você quer...

SORTEZ AVANTE— alguém gritou. E fomos empurrados para a faixa de pedestre.

...

— Caramba, Perseu! Larga de ser mão de vaca!— Annie carregava uma sacola de Giorgio Armani, do recém-comprado terno.

O timbre da sua voz era doce. Nunca tinha parado para fazer análise da mesma, mas me pareceu tão melodioso quando chuva caindo no mar. Até reclamando desse jeito.

O dia continuava com clima de quero ficar na cama pro resto da vida.

— Não é pão durice!— tomei a sacola dela, emburrado e cansado por ter que experimentar tantos ternos. Sentia leves pontadas nas têmporas.

— Última loja! Eu juro de mindinho!— estendeu o mindinho comprido, as unhas roídas pintadas de um preto descascado. Sorri ao ver aquilo. Muito charmoso. Ela percebeu e jogou as mãos pra cima.— Foda-se, ok? Como se eu tivesse vocação pra me preocupar com as minhas unhas— ela pegou a minha, me arrastando para mais adiante da rua. Dei uma risada.— Eu vou comprar outro terno pra você e ponto final nesse cacete.

Abri a boca pra retrucar. E ela de imediato a tampou, andando toda torta.

— Sem objeções— dei uma lambida na sua mão, para me livrar. Missão cumprida. Annie deu um salto, se sacudindo, loucamente. Ri dos seus espasmos de nojo.

— Nem vem... Minha saliva já entrou em contato com lugares bem mais interessantes— mandei uma piscadela, e recebi um soquinho no braço.

— Bundão!

— Agradecido— fiz uma reverência, exagerada. Annie me empurrou, nos guiando pra dentro de uma loja que nem vi o nome.

Bienvenue à Versace— uma mulher ruiva de coque repuxado, saia preta colada e blusa de colarinho brotou do chão, me assustando.

O salão branco e dourado me deu dor de cabeça ainda mais intensa. O cheiro me fez querer vomitar. Manequins estavam espalhados ao redor, abençoados por usar a mais alta costura, e vitrines e prateleiras de tudo que que puder imaginar.

Bonjour, madame. Je veux un costume pour mon... Ami— falou, hesitante.

Arquei as sobrancelhas, ofendido.

— Amigo?— olhava em sua direção, ela apenas deu de ombros.

— Ah! Você é americano!— a moça falou, quase emocionada e ignorando totalmente Annabeth.

— Sou, sim. Percy— estendi minha mão a ela, que deu um sorriso brilhante, e retribuiu o gesto.

— Melissa, é um prazer— seus olhos mel sorriam pra mim.

— O prazer é todo meu— ofereci meu melhor sorriso.

Annie pigarreou.

— Os ternos, querida— a voz da loira ecoou, perversamente.

...

— Isso é...— engasguei quando Annabeth ajustou o nó da gravata e pressionou demais contra meu pescoço.— Ciúmes?

Ela não tinha falado nada desde quando entramos no provador, desnecessariamente, grande, todo espelhado, com um elevado circular e um divã escuro sob ele.

Suas sobrancelhas continuavam tensas, e fazia um pequeno beiço.

Ajeitou o colarinho, e alisou o tecido do blazer.

— Eu não estou com ciúmes— declarou, se afastando de mim, forçada e casualmente. Cruzou os braços e subiu a armação no nariz, me avaliando.— Gosto de caimento deste, fica justo, realçando o seu corpo, mas não justo o bastante pra deixar desconfortável. A gravata vermelha faz contraste perfeito com o resto azul marinho e a blusa de botões pode ser ou preta ou branca. Ou as duas...

Ri, debochadamente, da avaliação.

— Você está morrendo de ciúmes— abri um sorriso enorme, vendo sua boca se repuxar.

— Não, estou, não!

— Está sim!

— Não estou!

— Está....

— ESTOU MESMO, PORRA! E DAÍ?— gritou pro hemisfério todo ouvir.

Nem pensei dias vezes, choquei nossos corpos na parede, prendendo seus pulsos rente a cabeça. O movimento súbito a fez gemer baixinho e morder os lábios.

— E daí que você fica linda assim— sussurrei no seu ouvido, fazendo o contorno do mesmo com a língua e mordi seu lóbulo.

Distribui beijos molhados no seu pescoço, descendo devagar, sentindo a textura aveludada da sua pele e o leve gosto de morangos, se era possível. Mordisquei, de leve, apertando mais seus pulsos, ouvindo os batimentos do seu coração acelerado. Cheguei a sua clavícula, pelo generoso decote do macacão, fechei meus olhos, apreciando seus cheiros.

Foi como jogar gasolina no fogo.

E ia causar estragos.

— Percy...— saiu fraquinho, derrotado e excitante. Chupei o seu colo, voltando meu rosto pra ela.

O rabo de cavalo estava desgrenhado, o nariz vermelhinho, os olhos cerrados e a boquinha carnuda aberta em um sutil O. Sua respiração falhava e seu quadril se remexia contra o meu, roçando nossas intimidades, me fazendo perder a noção de deiscência. Ela precisava apenas ter um ataque de ciúmes pra me ter.

Deslizei minhas mãos pelo seu antebraço, e desabotoei o primeiro botão da sua roupa, sendo completamente surpreendido. O sutiã de renda transparente vermelho fazia contraste na pele com marquinha de biquíni. Inconsequentemente, me provocava de uma forma arriscada e perigosa pra ela mesma.

Soltei o que pareceu um riso e um rosnado. Me senti duro, e já estava doendo. Esfreguei seus mamilos eriçados sobre o trapo fino. Umedeci os lábios, pegando nas extremidades da peça de roupa, preparado pra rasgá-la, mas Annie pegou minhas mãos, de imediado, engolindo o seco.

— Eu não tenho outra roupa— sussurrou, tremelicando. Os cinza cor céu, agora se tornaram quase negros noite.

Ficamos um tempo nos olhando, verde no cinza. As faíscas de selvageria no contato visual. O tempo pareceu parar, só para nós dois, como se os cosmos estivessem reservado esse espaço para eu e Annabeth. Pulsávamos descompassados, juntos. Forte. Um sorriso peculiar nasceu no canto direito da sua boca e nos beijamos, simultaneamente. Desesperados um pelo outro. Ela agarrou meus cabelos, e nossas línguas se encontraram, milhões de cargas elétricas foram soltas da minha boca para correspondê-la. Abracei suas costas, e nos cambaleamos até o divã.

Entrelacei e lacei nossas línguas, ou apenas as massageava, acariciando uma a outra. Às vezes podia ouvir o som dos nossos dentes de encostando. Porque eu e ela queríamos mais. Muito mais. Meu corpo reagia de forma mais descontrolada cada vez que ela me tocava, eram reações gostosas.

Ela levou as mãos ao cós da minha calça, não tão minha ainda, e desabotoou rapidamente, a abaixando, logo com cueca e tudo. Meu pênis saltou nela, saliente, e caímos no sofá deformado, eu por cima. Annie gemeu alto no beijo. Meus pulmões entravam em pane, mas eu abria ainda mais a boca, eu a beijava com mais vontade, mais intensamente, o que me fazia ficar meio tonto. Rolava os rolos dentro das pálpebras. Seu beijo era um feitiço. Ajustei suas pernas, me encaixando no meio delas.

— Nada de papai e mamãe aqui— me deu um selinho, sacudindo um perna prensada por mim.

— Nós estamos num provador— sussurrei, de volta, bruto, sem querer parar.

— Levanta só um pouquinho— pediu, mimada e eu obedeci. Eu nunca tinha transado com ninguém de óculos. Me fazia querer explodir em tesão.

Se meu pau pudesse apontar mais pro teto, ele apontaria. Annabeth subiu sua perna, e colocou no meu ombro, me puxando pra perto, sensual, e lambendo os lábios. Ela era a leoa, mesmo que subordinada. E me perguntei se aquela posição não doía. Beijei sua panturrilha, sorrindo abobalhado. Ela bufou, afastando o tecido e a calcinha de onde estaria sua entrada.

Rosadinha e brilhante. Macia e molhadinha.

Me enterrei nela sem dó, a vendo me engolido deliciosamente, Annabeth era apertadinha. Soltou um gritinho estrangulado e sua cabeça pendeu pra fora do divã, deixando a cascata loira cair, enterrou as unhas no terno e revirou os olhos. Tirei um pedacinho do seu seio do sutiã e comecei a chupar o mamilo durinho enquanto socava fundo. Nossos corpos se chocavam e ela rebolava contra mim, metendo sem pudor, num movimento frenético e extasiante.

O divã chacoalhava, pra frente e pra trás, em um barulho audível e arranhado. Annie encontrou meu pescoço e o mordeu, descontando os pequenos gritos de prazer. Nós fervíamos, e vi alguns vidros embaçados no meio de manchas coloridas.

Choramingou, quase arrancando meu pescoço fora. Engoli seu seio, agarrando seu cabelo, suspenso no ar, e aumentei a velocidade, pronto pra chegar no meu ápice...

De repente, o divã tombou, nos jogando no chão, no exato segundo em que explodi dentro dela.

As costas de Annabeth fizeram um barulho abafado ao cair, minha mão protegia sua cabeça. Meus joelhos latejavam. Nós tínhamos escorregado pra fora do estofado e do elevado circular. Levantei o olhar, pesadamente, para vê-la.

Desolada, como cachorro que caiu do caminhão de mudança, olhava o teto, magoada. E suada, com sangue sujando do cantinho da sua boca e nossos líquidos de misturando, pingando no carpete do provador.

Eu tentei. Mas não pude evitar uma gargalhada, enterrando meu rosto nos seus cabelos. Ela me acompanhou, melodiosamente.

— Por que só acontece essas coisas comigo?— lamentou-se.

— Você tá bem?— murmurei na sua bochecha, evitei outro ataque de risos.

Ela pareceu pensar, e caiu no riso.

— To...

...

— Eles não cobram nada por levar as compras em casa?— eu estava impressionado. Quem dera o Walmart ou a Target fizessem isso na América.

Annie suspirou, no meu peito. Segurava um buquê de tulipas amarelas, tristonha.

— É Percy! Você paga a conta, dá seu nome e endereço, e pede pra entregarem na sua casa! Pela ducentésima vez!

Nós tínhamos atravessado a cidade inteira de metrô pra chegar ao cemitério em que a mãe de Annie jazia. Já tínhamos almoçado em um bistrô perto do mercado em que fomos. Agora, caminhávamos na grama verdinha e bem aparada, pelas lápides e cruzes simples do solitário e gigantesco cemitério, havia algumas árvores e poucas pessoas. O local se estendia ao horizonte, num bairro bem tranquilo, mas era tão deprimente que não consegui mais tagarelar. Annie parou, e olhou algo no gramado, a menos de 100 metros de onde estávamos. Segui seu olhar.

— Quer que eu...— brinquei com as cordinhas das sacolas dos ternos, constrangido. Ela deu um um beijinho na minha bochecha, ficando de ponta de pés.

— Tudo bem.

Annie largou minha cintura. E seguiu em frente, determinada, segurando o buquê com toda força. Daqui ouvia sua respiração pesada e suas fungadas. e foi diminuindo de tamanho conforme se arrastava até lá. Ajoelhou-se embaixo de uma enorme castanheira e de uma única lápide, grande, branca e brilhante.

Folhas sujavam o chão por perto e uma sensação estranha me ocorreu. Imediatamente, olhei pra cima, para os galhos, como se tivesse alguém ali. Virei para trás, mas só havia uma velhinha choramingando ao longe. Me obriguei a esquecer isso, cemitérios me davam arrepios. Não havia aquela história de lugar tranquilo e em paz, eu precisava dar o fora.

Voltei a olhar Annabeth. Meus músculo retesaram muito mais. Principalmente, o coração. Ela tentava limpar as próprias lágrimas e nariz, só que tremia demais pra executar tais ações. As tulipas já tinham sido deixadas encima do tablado de mármore. E Annie estava tão encolhidinha e frágil, que eu mesmo me senti assim, com uma súbita vontade se chorar.

Me lembrei dos mesmos olhos cinzas brincalhões de anos atrás e o sorriso maníaco. Atena era espirituosa, com ânimo para tudo e, deuses, fazia o melhor rocambole da vida. E seu cafuné... Nem se fala. Era a mais pré-disposta e tinha aquela eterna alma de criança. Eu nunca percebera essas coisas, até agora, eu não tinha percebido o quando a morte dela me afetara. Limpei uma pequena gotinha se formando no canto do olho.

O choro de Annabeth ficava mais agonizante e ruidoso. Parecia inevitável, e era. Esse era o pior. Era um choro inevitável. Era perder a mãe. Devia ser a pior situação de todas, mais do que ver a pessoa que você ama chorar, e não ter nada que possa fazer.

Minha cabeça ardeu de dor. Me apressei para amparar Annabeth em e meus braços. Era a única decisão sábia que eu conseguiria fazer. Quase me joguei no chão, peguei seus ombros e trouxe pra mim. Ela me agarrou como uma bóia salva vidas.

— Eu a amava tanto, Percy— soltou um soluço, dolorido. Meu coração quebrou em um milhão de pedacinhos.

Uma lágrima me escorreu na bochecha.

— Eu sei, Annie— dei-lhe um beijinho na têmpora. A apertando com toda a força que encontrei.

...

— Esse lugar é realmente lindo— falei, girando em volta do meu próprio eixo.

Não muito longe do cemitério havia uma praça. E era lá que estávamos. Rodeados por carrinhos de pipoca e algodão doce, crianças correndo, mães atrás delas, fotógrafos registrando momentos, os tão famosos mímicos, carrinhos de bebê, namorados, velhinhos sentados em bancos à sombra de grandes árvores coloridas dando o que comer a pombos. Tinham caminhos de flores nós paralelepípedos do calçadão, pontes sobre pequenos riachos artificiais, postes de iluminação, árvores laranjas, rosas e amarelas vívidas. E juntando toda a magnífica paisagem o pôr-do-sol parisiense, com tons alaranjados.

Annie apontou um gramado circular, onde um grupo de pessoas dançavam. Conseguia ouvir a música Thriller daqui.

— As quintas são dedicadas ao Michael Jackson. São meus dias favoritos— sorriu, seu rosto estava inchado de tanto chorar.

Uma lâmpada se acendeu acima da minha cabeça, como em desenho animado.

— Falando de dias de semana... Eu aceitei aquele negócio da Vogue...— fiz uma careta. Annabeth pulou pra trás, esbugalhando os olhos.

— Nem falei com Silena direito, mas eu acho que é no sábado, dia 20. Me desculpe, eu tinha esquecido de te avisar...

— Oi? Eu escutei mesmo isso?— aproximou a orelha de mim, sacaneando com a minha cara, me fazendo rolar os olhos, mas seu sorriso reluzia.

— Não me faça desistir, eu fiquei com muito pé atrás nos mais de quarenta dias que você ficou fora, mas aí eu pensei: tenho que abrir mão da minha dignidade pra esse relacionamento dar certo— abri os braços, a vendo cruzar os seus com um careta descrente.

— Que relacionamento?— lhe lancei um sorriso grandioso. Me aproximei devagar, preparado para fazer o pedido. Não era nada com fogos de artifício e pétalas de rosas, mas eu precisava fazer logo.

— Annie... V-...

— DEUSES! Essa música!— ela pegou minha mão, me deixando com cara de otário me arrastando pra algum canto que não tive vontade de saber. Agora, eu era o desolado, de novo.

Magicamente, ela arranjou um lugar na roda de dança.

Baby

Love never felt so good

And I doubt if it ever could

Not like you hold me, hold me

As pessoas gingavam os pés, pra lá e pra cá, batendo palmas para um cara que dançava alguns dos antigos passos do Rei. Annie gargalhava, e eu tirei a expressão de tacho da cara, inundado com uma vontade inebriante de, estranha e literalmente, sacudir o esqueleto. Realmente, era impossível ouvir Michael Jackson e não querer dançar até fazer buracos nos tênis.

Oh baby

Love never felt so fine

And I doubt if it's never mine

Not like you hold me, hold me

O moreno apontou para Annabeth, a convidando pra dançar, e foi sem nem mesmo olhar pro lado. Rebolou aquela bundinha linda até o centro da roda. E começou a girar no ritmo da música.

And the night is gonna be just fine

Gotta fly, gotta see, can't believe

I can't take it

Jogou o sobretudo pra trás, com Michael fazia, perfeita e harmoniosamente na batida, era como se ela sentisse nas suas veias cada nota e transformasse em um passo diferente que víamos nos antigos clipes.

'Cause baby

Every time I love you

It's in and out of my life, in out baby

Tell me

If you really love me

It's in and out of my life, in out baby

Finalmente ela parou de frente pra mim, e olhou nos meus olhos, cantando a letra com o sorriso mais encantador que eu vira.

'Cause baby

Love never felt so good

Ela riu e correu até mim, me dando um abraço de urso.

Um cara tinha chegado com uma máquina de bolinha de sabão.

E, bem... Eu e Annabeth parecíamos dois cachorrinhos tentando estourá-las. Aquilo era tão divertido. Eu pulava tentando alcançar as que flutuavam mais alto, e Annie ficava girando, deixando as bolinhas estourarem no seu rosto. Ficávamos bem na frente de onde elas saiam e ás vezes corríamos pra longe. Eu não lembrava um dia que ri tanto.

Mas nãos tinha só a gente ali, crianças dez anos mais novos que nós acompanhavam.

Meu coração estava disparado. E eu me senti tão confortável que eu podia viver naquele único minuto para o resto da eternidade e não enjoaria.

— Eu fico doidão com bolinhas de sabão, Annabeth— gargalhei, abraçando uma nova rodada de bolhas transparentes. Olhei o céu, vendo algumas se perderem nas nuvens, pontilhando o ar. Eu queria ser uma bolha de sabão, mas que nunca estourasse, a vista de lá de cima devia ser linda.

Annie abriu os braços e fechou, deixando elas a atingirem.

— Faz isso! É muito gostoso, Percy!— ela gritou pra mim, e eu a imitei.

Senti o leve roçar, de textura molhada, no rosto. Senti o vento frio e os últimos raios do dia. Senti o cheiro de chocolate e pipoca no ar. As bolhinhas passando por mim, gotículas caindo no rosto. Senti que não precisávamos ter um status social pra nos amarmos. Senti que deveria levar isso mais devagar. Senti que estava bom. Muito bom.

Senti os lábios doces e quentes dela.

Notas finais
IAI???????????????? blz, vlws flws, só doze comentários pq demorei mt, justo, tendi q vcs tão cm raiva mas n precisa fingir q eu n existo! podem tratar de vir falar cmg! afinal ... hj teve percabeth fudido e o percy tentando fazer um pedido misterioso, vcs suspeitam oq seja??? e o hentai?? prestem atenção na sensação estranha do percy... pode ser mt importante viu? O GRUPO PESSOAL!!!!! VOU CONTINUAR INSISTINDO Q VCS ENTREM! N TENHAM MEDO N! NÓS SÓ SOMOS GAROTAS DE 14 ANOS SEM NADA MELHOR PRA FAZER Q FICAM CONVERSANDO SOBRE FANDOMS E MÃES DESPIROCADAS..... MANDEM SEUS NUMEROS NOS COMENTÁRIOS OU ME CHAMEM (92 98211-7006)