Young Blood
27 Amuleto da Sorte
Notas iniciais
Annie.
— Héstia, deixa preparado suco de morango pra Thalia com aqueles remédios, ok?— ouvi a voz de Nico pelas paredes.
Joguei o lindo exemplar de Fique onde está e corra que estava lendo e sai da cama aos tropeços, colocando o ouvido na porta, esperando escutar mais coisas.
— Ela tentou...— Héstia hesitou, e meu coração parou.
O que ela tinha tentado fazer? Droga, não devia ter a deixado só. Que tipo de amiga eu era? E se...
—....melhor— Nico suspirou.
— Sem dúvidas, vou fazer agora!
Ouvi passos.
Deuses, passou tanta coisa ruim na minha cabeça, que eu quis vomitar. Me senti chorar, e a força se esvaindo de mim. Escorei a cabeça na porta tentando achar motivos pra continuar, e se...
Abri a porta, desesperadamente, encontrando Nico olhando uma retrato na parede de Lia. Estava séria, numa daquelas fotos artísticas em família, porém estonteante.
— Diz pra mim que ela está bem?— explodi em mais lágrimas. Não conseguia controlará frequência delas e um soluço entalou na garganta, meu peito ardia de tantas pontadas que sentia. E não me perdoaria de tivesse acontecido alguma coisa com ela. Afinal, ela era mais uma parte de mim.
A reação foi instantânea, como bater o dedinho do pé num móvel.
Nico me olhou assustado, e veio na minha direção, me abraçando tão forte que não pude respirar. O puxei pro meu quarto e fechei a porta.
— Tá. Só veio com um papo estranho...— andou até minha cama e se jogou na mesma, deitei do lado dele.— Está dormindo, dei uns anti-depressivos pra ver se espanta esses pensamentos um pouco— passou a mão no rosto, derrotado e me abraçou forte. Esses pensamentos era o que me desesperava. Aconcheguei-me, sentindo seu cheiro gostoso de avelã e, bem sutil, tabaco. Seu coração batia acelerado, preocupado.
E eu mesma relaxei, pelo menos estava bem. Fisicamente. Enxuguei o rosto, com a tensão indo embora devagar.
— Não chora— deu um beijo na minha cabeça.— Vai passar...— falou hesitante.
Tinha que me preocupar com esses surtos suicidas da Lia como se minha vida dependesse disso. Não iria perder mais ninguém por incompetência. Já fora mamãe, não permitiria Lia ir. Ficamos naquele silêncio gostoso, nos aproveitando.
Nico era como antigos sucessos musicais que ouvíamos na rádio muito tempo depois, despertava sensações incríveis. Conforto, saudades, nostalgia, um quentinho espalhou-se pelo peito e o apertei mais contra mim.
Thalia estava em ótimas mãos.
Ouvi sua risada.
— E você? Como foi ontem com o Percy?— gemi inconsequentemente e mordi o lábio.— Muito boa, aparenta— dei um soco na sua barriga.— Ei!
— Merece ser espancado— sentei, apoiada em um braço o olhando, seu sorrisinho irônico, que me estressava.— Você e Jason! Falaram sobre...
Ele fez uma careta culpada muito fofa. Tive que apertar suas bochechas, e me lançou um olhar questionador.
— Desculpe! E também Percy não é um completo otário. Só confirmei— ficou na defensiva. Sentando, apoiado nos infinitos travesseiros.
— Não contaram nada mais, né?— cerrei os olhos acusadora.
— Claro que não!
— Sei...— sussurrei, um pouco brava.
— Nem tem mais nada pra contar— dei de ombros em concordância.— Que eu sei...— sorriu maligno.— Por que não conta a sua versão pra ele? Aposto que essa fossa é bem mais funda— em seus olhos negros como a noite conseguia ver meu reflexo.
Gemi em desgosto, coçando a cabeça.
— Na expressão não de diz buraco?— me olhou reprovador, apenas seu olhar me intimava a responder a pergunta. Um verdadeiro bundão.— Quando contar a Percy a verdade, eu vou lhe contar a verdade. O problema que ainda não estou pronta pra relembrar tudo. Dói demais— fiz uma careta, segurando o choro mais uma vez. Era tudo tão cansativo. Meus olhos queimavam por lágrimas, mas as impedi.
Nico pareceu sentir o triplo, enterrou o rosto nas mãos e murmurou coisas estranhas. Às vezes esquecia que ele tinha sentimentos, ele era fechado. Foi estranho entrar em contato com esse lado dele. Foi... Bom?
— Me desculpe... Eu sou um babaca— me olhou, muito envergonhado. Soltei uma risada debochada.
— Conte uma nova!— me deixei levar... O passado e suicidas. Era eu e ele, apenas. Afagei seus redemoinhos negros, e vi muita dor nos seus olhos. Muita dor. Me perguntei como alguém poderia ter tanta história em um olhar. Eu leria Nico. Descobriria o que acontecia dentro dele. Abri a boca, mas me impedi. Algo me falou que aquela não era a hora, então segurei as pontas.
Bufou e me puxou pro seu colo. Deitei em seu peito, abraçou minha cintura e abriu as pernas, me deixando confortável. Encarei o meu quadro amarelo cheio de fotos e anotações.
— E como foi ontem? Te machucou? Eu o mato se...
— Na verdade, foi bem gentil— ri, pensando em ontem. Passei os dedos pelos pelinhos do seu braço.
Tinha sido muito prazeroso. Eu não conseguia entender, fora de longe a melhor noite da minha vida. Talvez porque tínhamos esperado muito tempo pelo sexo. Ou tínhamos conseguido colocar sentimento no que fazíamos. Não sei, mas me deixava exausta só de pensar, seus toques despertavam em mim desejos insaciáveis e sujos. Seus beijos salgados... Quando cheirava meu pescoço e dizia que me amava. Meu mundo, minha vida havia mudado naquela noite.
Não sentia vontade de sair de casa e catar transas. Eu queria fazer amor até aos domingos com Percy. Fazer amor...
Era engraçado nossa relação, digamos, ingênua se tornar algo sexual. Bem, isso não foi ruim. Isso fez que todas as minhas promessas de amores rejeitados fossem quebradas. A partir daquela noite, eu não tinha dúvidas que, não importa o que fazíamos, o destino traçou nossos caminhos eternamente. Não havia promessa ou força que me afastaria de Percy Jackson. Nascemos um pro outros, sem desvios. Éramos nossos desde o princípio. Era maktub, cara.
— Você o ama?— Nico alisava as bochechas no meu cabelo.
Talvez.
— Não— entrelacei nossas mãos, e observei suas tatuagens. Nico tinha um braço todo fechado, em esqueletos, caveiras flamejantes, espíritos do mal, sangue e armas. E bem no final tinha escritas. As letras de forma eram vermelhas vivas. Pertenço a TG.
— Esse tempo pra responder minhas perguntas a contrariam— aumentou o aperto das nossas mãos.
— O amor é fraco— falei convicta do que dizia.— Não existe palavras grandes suficientes pra definir meus sentimentos.
O senti sorrir.
— Isso é uma droga— riu. Sabia que me entendia.
— Exatamente.
— I wanna be that G.U.Y— ouvi a tentativa de voz sexy. Jason nos fez um striptease traumático na minha porta.
Arregalei meus olhos. Às vezes Jason tinha esses ataques crônicos de loucura. Desfilou, agachando e fazendo um twerk meia boca, cantando Lady Gaga. Se jogou na minha cama e nos fez quicar. Olhou pra gente dramaticamente e sussurrou:
— G.U.Y.
Eu e Nico não seguramos o riso, e berrávamos de tanto rir. Joguei a cabeça pra trás apoiada no peitoral de Nico. Bati na sua perna inúmeras vezes, tentando dar lufadas de ar.
— Esta é a Annie pro Percy— Jay explicou, parei de rir imediatamente, o olhando cética. Mantinha um sorrisinho maníaco.
— Quantas pessoas sabem?— perguntei bruta.
A primeira vez que eu transo com o meu homem, todos ficam sabendo, é isso?
— Todos da família— deu de ombros.
— Vou te vender e ficar milionário, Jay— Nico limpou as lágrimas de tanto rir.
— Sou talentoso— fez uma reverência deitado. E nos olhou, abraçados.
— Que isso, Annie? Vai traçar outro Olimpyus? Vai demorar muito pra chegar minha vez?— perguntou animado. Dei um tapão na sua cabeça.
— Cala a boca!
— Cale sua buceta, amiga! Tá assanhada hoje...— imitou a voz de um gay.
— Pode deixar que eu a acalmo— meu coração pulou quando ele entrou no meu quarto.
Merda! Eu tava tão fudida.
— Deu uma vez e já esta assim— Nico repreendeu.
Pela primeira vez na vida fiquei envergonhada por estar na presença de Percy. Tentei controlar meu corpo, mas ele agia sozinho. Minhas mãos suaram, e tive me desgrudar de Nico. Que, infelizmente, notou a mudança do meu comportamento.
— Vou tomar um banho— saltei da cama, corri e me tranquei no banheiro.
O que diabos estava acontecendo comigo?
Sai do banheiro, ainda de toalha, e me deparei com 3 deuses deitados na minha cama, olhavam o teto sorridentes. Não resistir o impulso de tirar uma foto da cena.
"Noite cheia", postei no Instagram. Deixando o celular na penteadeira e os encarei.
— Ainda estão aqui?— falei com um ar decepcionado.
— Adoro sua TV no teto, Annie— Jay estava vidrado na tela..
— Thalia ronca, não saio nem que pague— Nico pensou um pouco.— Dependendo do valor...
O olhei como se disse go away, horn.
— To precisando de um celular novo...— voltou a encarar a TV gigante no teto.
Percy apenas me olhou significativo, avaliando meu corpo. Meu nariz esquentou, e ouvi seu riso sexy.
Sentei na banqueta da penteadeira, liguei as lâmpadas que contornavam o espelho, já que tinham fechado as cortinas e ligado o ar. Folgados... Comecei a secar meus cabelos. Parei várias vezes, cansava ficar com o braço levantado toda hora e nem tinha começado. Eu odiava ser mulher.
Vi seu reflexo caminhando até mim. E me remexi desconfortável, e por impulso desliguei o secador.
— O que foi?— gaguejei. Merda.
Ele pegou o secador da minha mão e me olhou com os mares verdes que chamava de íris, eles expressavam algo incompreensível.
— Vou te ajudar— ligou o aparelho, e começou a secar meu cabelo, jeitoso. Me arrepiava com os seus longos dedos roçando o meu coro cabeludo.— Já fiz muito isso, Thalia e Bianca são umas enroladas em dias de festa.
Ri, ainda com vergonha. O vento quente fazia voar gotinhas geladas de água. E sem querer saiu.
— Eu to morrendo de vergonha de você— mexi nas minhas coleções de batons em cima da penteadeira, o evitando.
— Percebi— sorriu de lado.
— E age com tanta naturalidade, que me dá náuseas. Qual é o seu problema? Finja que é uma pessoa normal e sinta vergonha de mim— brinquei, por cima do barulho, dando um tapinha na mesa. Me senti mais solta.
— A diferença é que eu sou cara de pau...— estava concentrado no seu trabalho, sacudindo o secador e enterrando dos dedos nos meus cachos. E eu o encarava sorrindo. Por que tinha que ser tão meu?
E sem querer saiu. De novo.
— Eu fui bem?— me deixei cair um pouco.— É que... Droga, eu fui horrível, não é?— suspirei. E ele deu aquele sorriso Colgate. Um sorriso de outra galáxia, ninguém tinha tão bonito e encantador, entrei em transe. O feitiço do seu sorriso era poderoso. Os efeitos que causava em mim eram sobrenaturais.
Terminou e desligou o aparelho, devolvendo-me. Passou as mãos pelos meus ombros, tirando pequenas gotículas.
— Depois daquela noite, estamos proibidos de entrar no céu— sussurrou com a boca rente ao meu ouvido. Levei aquilo como um elogio. Arqueei as sobrancelhas.
— Então, queimemos no inferno— umedeci os lábios com a pontinha da língua. Vi ele engolir o seco.
— Se você estiver lá pra satisfazer minhas fantasias devassas...— beijou meu pescoço.
— Todas— falei o mais sexy possível.
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"ELA É UMA BOMBA NUCLEAR
...
Temos que confessar! Todos temos uma pequena queda por ela. Você não sabe quem é ela? Trate de instalar internet na sua casa agora ou se internar num hospital psiquiátrico... Ok, nossa Parisiense Cafona foi indicada pela primeira vez na história ao prêmio de Canal Favorito no TCA! SIM! Pausa pra gritinhos de felicidade... AHHHHHH! Vamos pular, vamos pular, vamos pular, vamos pular! Nossa deusa grega da divação já está com o prêmio no papo. 58% dos fucking votos. Infelizmente, ela não estará presente no dia 10 de agosto, por causa de uma viagem, mas nós esperamos atenciosamente seu discurso de agradecimentos. Com amor, beijo beijo, Drew. Vote já no site abaixo:"— a voz de Clarice ecoou na sala de jantar.
Ela tinha vindo de Mountain View pra festa ontem. A minha prima trabalhava na Googleplex como treinadora de quadribol e esgrima. E designer de desenhos. Que era o principal emprego.
Quase toda família estava presente. Desde de Chris, que tinha chegado a pouco tempo da Austrália— ele e Clarice discutiam de cinco em cinco minutos com Mal e Nyssa de pacificadores— a Dianara que conversava com Jason sobre Leo. O que significava que Calipso estava ali. Eh, beleza! Se possível, a garota ficou ainda mais irritante.
Mas quando a notícia foi lançada todos olharam pra mim. Muita pressão. Muita... Pressão... Minha cabeça pesou e minha barriga congelou.
1, 2...
Se controla Annie.
— Vai falar nada não!?— Thalia me cutucou.
3.
— Sou muito fabulosa, bitches— gritei e ri incrédula por minha própria cagação. A alegria escorria pelos meus olhos.
Quem diria, eu, a bolinha loira dançante, se tornaria o que sou hoje. Fiz twerk na cara de todos. Minhas bochechas doíam, e provavelmente meu nariz ficou um morango. Pressionei as mãos na barriga tentando me conter.
— CHEGARAM!— Si entrou pulando na sala. As atenções se dirigiram a ela, Charles bufou. Foi só um pouco escandalosa. Minha comemoração foi interrompida.
Relembrei tudo que fiz no canal. Como um flashback. A minha salvação... Pessoas que me faziam ri e chorar, todo o carinho que tinham por mim. Me arrependi imensamente de ter parado por aquele tempo. Tive que resistir a vontade de subir e fazer um vídeo agradecendo por tudo que meus cafonas são pra mim. Sabia que era boa, que alegrava as pessoas, ajudava com os problemas... Mas ser reconhecida por isso? Com um prêmio do TCA? Nem queria ganhar, ser indicada já era o suficiente. Não conseguia respirar direito.
— São do Fashion Week?— Calipso perguntou, boçal.— O meu chegou ontem...
— O meu também, é tão lindo— Rachel suspirou.
Me assustei com a voz aguda demais da Katie.
— Ai, o meu também amigas— arrancou risos meus e de Lia.— Pelo amor de Deméter, Grace. Você não vai me deixar só nessa— se dirigiu a Lia, apontando pras nojentinhas do seu lado.
— Miranda estará lá?— Connor perguntou. Ainda estava meio abatido, mas vivo.
— Resolveu se aquietar de vez?— Chris provocou.
A gêmea de Katie, Miranda, morava com o pai na Inglaterra, depois que Deméter se separou dele. E sempre rolou um clima entre os dois. Chegaram até a namorar uma época, mas Connor era muito saidinho, então... Bem, era nessa versão que a fofoca chegou em mim.
— Com minha irmã mesmo não!— Katie falou.
— Calem a boca!— retrucou.
— Não sabia dessa— me incluí na conversa.
— Não vejo a hora de Travis se aqueitar com Katie— Hermes suspirou.
Os dois engasgaram e ficaram vermelhos. Um 'HM' bem alto ecoou.
Essa família...
— Fiquem longe das minhas filhas, Stolls.
— Nyssa, você vai?— Clarice perguntou, tentando se livrar das implicâncias de Malcom, que tentava pegar comida do seu prato.
— Vou, obrigada pela Dianara. Mas vou— Nyssa pareceria emburrada. Clarice riu.
Como assim? É o Fashion Week! Quem vai obrigado pra lá?
— Me dá, me dá, me dááá— Tia Meg choramingou.
Silena se aproximou como uma mensageira real. E falou com uma voz nobre.
— Sra. e Srta. Grace— lhe entregou o convite azul escuro e cinza fosco. Ele cintilava nas suas mãos, não quanto meus olhos fixos nos convites, esperando o meu. Tia Meg deu pulinhos na cadeira, e Zeus bufou.— Vocês são convidadas Premium esse ano.
Lia revirou os olhos.
— Sra. Jackson— o envelope era verde metalizado e preto. Sally soltou um gritinho contido e tampou a boca com as mãos.— Querem sua ajuda na organização do evento... Depois que Marc saiu, o dia da Louis Viutton vai ser uma confusão. E foi tão lindo você ajudando-os ano passado— Si suspirou enquanto um sorriso orgulhoso crescia nos lábios de Sally.
— E Sra. e Srta. Di Angelo— entregou a Tia Maria que tinha um sorriso vacilante. O convite brilhava em vermelho sangue e preto. Percebi que Hades não estava por perto, estranho...— Provavelmente vão te ligar, querem representantes da Tifanny&Co., a Swarovski, na edição de Verão, não satisfez os estilistas— Si piscou pra Tia Maria.
— Nico, cade o tio Hades?— perguntei, com sobrancelhas franzidas. E ele negou em resposta.
Virei pra Silena, de novo. Suas mãos estavam vazias e ela trocava cochichos com as minhas tias.
E o meu?
Podem me julgar, mas qual é! Eu nasci na cidade da moda, eu cresci nesses desfiles. Quis chorar.
— Ei, Annie...— olhei Mal, que me chamava preocupado.— Calma! Se controla, ok? Seu convite pode estar lá em casa.
Meu irmão era a única que entendia a minha ficção por esses desfiles. Afinal, era ele que convivia lá comigo.
Assenti e respirei fundo.
— Silena... Você sabe onde está o meu convite?— perguntei com a voz doce, forçada. Toda aquela agitação de ter sido indicada ao TCA foi morta pela grade probabilidade de não ganhar a entrada pro Fashion Week. Eu queria me dar um soco por isso.
Calipso riu de mim. Agora quis dar um soco nela.
— Hum, Annie socialite— Jason abanou os cabelos longos invisíveis.
— Tá louco, cara!— engrossei a voz.— Eu tenho um pinto, porra!— bati na mesa e todos caíram na gargalhada.
— Não tem não!— sua voz sobre saiu as risadas. E seu sorriso me fez cruzar as pernas. Como podia ser tão perfeito?
Eu estava ficando nojenta, já, com toda essa glorificação ao Percy. Como se ele fosse o pica das galáxias. Que ódio. Eu não ia bancar a apaixonadinha nem nos meus pensamentos.
— Quer dizer que o Jackson finalmente pegou a Chase?— Octavian batia palmas.
Travis e Stoll não se aguentavam.
— Para, né?— Chris falou.— Eles se pegam desde sempre... Só eu já vi 3 vezes!
Meu pai me olhou penetrante.
— É o que?
— Quê?— me fiz de cínica levantando as sobrancelhas.
— Me poupe! Até eu peguei a Annie— Lia me defendeu.
— Literalmente— Nico sussurrou com um sorrisinho maligno.— Si, falou com a Bia?
— Sim, já comprei as passagens— Silena continuava a olhar pra mim como uma lunática. Franzi a testa curiosa, mas voltei a sentir falta do meu convite.
— O MEU CONVITE!— gritei impaciente.
— Deuses, relaxa aí!— Travis falou, lhe lancei um olhar perigoso.
— Para de maltratar a menina— Charles soltou.— Fala logo!
Quase o beijei na boca.
— Percy, se você não casar com a Annie, eu caso!— seu blazer vermelho estava torto, e o cabelo bagunçado.
— Silena!— Poseidon gritou.
Essa mulher era impossível. Fez uma pausa ainda me olhando.
— EU NÃO AGUENTO!— gritou.— Michael Chanel vai te dar teu convite, PESSOALMENTE!
Descansei na cadeira e soltei o ar pela boca. Alguma das mulheres na mesa reclamaram em inveja. Passei os dedos pelo cabelo. O que será que ele queria comigo? Controlei minhas emoções. Eu queria socar alguém de tanta felicidade e sair gritando por aí o quanto era sortuda.
— O neto da Coco Chanel?— Rachel perguntou.
— Você é muito fancy, amiga— Katie e eu rimos.
— Aquele momento que você não entende nada— Tyson comia pizza de manteiga de amendoim. Eca.
— Toca aqui, cara— Apolo e Ty trocaram um soquinho.
— Tem mais! Muito mais! Percy, Annie... Podem ir até o meu escritório, por favor— Si indicou a porta.
Antes de seguí-la troquei olhares com Percy, que apenas deu de ombros. Levantei e Lia deu um tapão na minha bunda.
— Vai, gata!
...
— Dá pra você falar?— o cômodo reservado para Si na casa de Zeus me dava dor de cabeça. O lugar era rosa, e ponto.
— Por que estou aqui?— Percy me abraçava por trás e suas mãos estravam sorrateiramente dentro do meu pijama.
Do outro lado da mesa, Si murmurava pra ela mesma mexendo em e-mails no enorme MacAce.
Senti beijinhos no pescoço e me arrepiei.
— Pode parar?— me deliciei da maciez do seu beijo, do seu toque, aproximando mais dele.
— Tem certeza?— seus lábios roçaram na minha orelha.
Uma corrente elétrica correu todo meu corpo. Veado. Que sensações eram aquelas? Pra que isso? Super desnecessário.
— Achei!— nos chamou com a mão, contornamos a mesa hesitantes. E logo de cara vi escritas da Teen Vogue e letrinhas miudinhas. Lancei um olhar incrédulo para Percy, que olhava a tela inexpressivo.
— Eu tive que dizer sim! Eu sei que não são namorados nem nada... Mas já tá na hora de ser— tossiu, falsamente.— Não tinha como dizer não! E eles vão pagar 70 mil pra cada por isso e...— se apoiou na mesa, nos olhando inquieta.
— Do que você está falando, Si?— Percy perguntou com cuidado, com um leve tom de irritação.
Sentei na cadeira roxa berrante, em busca de explicações.
— É claro que querem vocês dois como capa! E tem a entrevista... São o casal mais lindo e fofo que toda mídia já teve! Muito mais que a Angelina Jolie e Brad Pitt. Acreditem— ela gesticulava sonhadora.
Não consegui falar com a boca escancarada em espanto. Mas se tivesse falado seria: Quê?
Era inacreditável a melhora de vida que tive nesses dias. Eu queria explodir de felicidade. Ouvi Percy murmurar um "merda".
Nos dois ficamos lá encarando a tela do Mac, pensando. Já tinha feito coisinhas pequenas como revista tosca de moda em Paris e sabia que saia em revistas de fofoca em todo mundo. Mas Vogue?
— Eu tenho que ir— Si pegou a sua bolsa enorme da LV. E saiu em direção a porta tagarelando.— Quando a Annie voltar de viagem acertamos isso.
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Show da Queen B.
Viagem pro Tomorrowland.
Indicada ao TCA.
Sessão de fotos na Teen Vogue.
Deuses, se eu soubesse que minha vida seria perfeita ao vir pra Califórnia... Tinha me mudado pra cá a muito tempo.
Alguma hora daria merda! Esse era o pior.
Meu coração batia tão forte que meus ouvidos estavam entupidos. Tremia tanto que não conseguia por o vestido direito e acabei ficando entalada.
— Aidez moi, Percy— gritei me debatendo. Quase cai tropeçando no tapete do closet.
— Cacete! Como fez isso? E fala minha língua, por favor— ouvi os passos de Percy na minha direção. Sua risada me fez parar.
— πάρετε από μένα— gritei de novo. E senti mãos quentes na minha pele.
— Nem sei que idioma é esse— fui puxada pra cima.
— Neanche io— meu cabelo começava a doer.
— Isso é italiano?— arrancou o vestido de mim. Pude respirar melhor.
— Verletzt— me abracei seminua. Meus braços ardiam. Ele jogou o vestido na minha cara.
— Dá pra falar em inglês?— expressava raiva. Continuei a provocar.
— ¿Por qué estás tan enojado, chico?— sorri galanteadoramente. Coloquei o vestido branco colado com uma saia rodada preta no meio da coxa.
— Sua poliglotazinha de merda— me puxou contra ele. Chocando nossas cinturas.
— Por que tá puto?— consegui controlar meu conhecimento linguístico, costumava, quando estava feliz, misturar as línguas que aprendi.
— Eu não estou puto— rebateu encarando meus olhos. Enterrei os dedos no seu cabelo com cheiro de aussi. Cara cheiroso. Como eu falei antes... Eu tava fudida.
— Conheço meu gado— embolei as palavras, o fazendo ri. As orbes verdes piscavam pra mim. Dei um beijinho na sua pálpebra, ficando de ponta de pé.
— Não estou afim dessa coisa toda de sessão de fotos...— sua voz fraquejava. Estava com medo que me magoar, eu percebi.
Bem, um pouquinho. Mas não o forçaria a fazer isso por mim se não se sentisse bem.
Sorri de leve.
— Não precisamos fazer isso.
— Você vai ficar chateada— rebateu, rapidamente.
— É você que importa! Não uma entrevista com a revista mais famosa de todas— o olhei por um momento, e rimos juntos.
— Parece livro do Nicolas Sparks— Percy passou os polegares na minha bochecha.
— É! Só que não morremos no final. Quer dizer... Todos morremos no final, né?— me corrigi. E ele riu.
— Os livros dele são tão melosos assim?— indagou.
— Sei lá! É muito nhênhênhê num livro só, não gosto disso— dei de ombros, concentrada da sua boca.
— Você é meu nhênhênhê.
— Credo!— tentei me afastar, sorrindo, tentando me convencer de que não gostei daquilo.— Que nojo! Tu é gay, é?
— Eu sou gay, Annabeth— me esfregou mais contra ele, me fazendo senti-lo. Retive o impulso de gemer. Engoli o seco.— Eu sei que você me ama— sorriu, convencido.
— Eu não amo você, Percy— falei séria, vendo-o desmoronar.— Meu sentimento vai além de amor. É mais puro e mais bonito. É só nosso, moreno— sussurrei contra sua boca e o aperto dos seus braços voltaram, de forma ainda mais possessiva, doeu um pouco.— Você é meu amuleto da sorte.
Seu rosto se iluminou, lindamente.
— Amuleto da sorte— repetiu, em êxtase.
— As coisas parecem dar certo quando você está por perto. Tudo é melhor. Mas isso é só com você. É o universo e o destino a favor de nós. Você tá me fazendo um bem danado— encostei nossas testas. Eu estava tão perdida nele.
— Eu adoro quando você fala assim...— roçamos nosso narizes, fechando os olhos. Era muito magnetismo pra um casal só.
— Morri de diabetes e fui expulsa do inferno— Thalia fez sinal que ia vomitar escorada na porta do closet.
Juro que tentarei levá-la pro inferno de novo. Suspirei, virando ora ela.
— Vamos nos atrasar— Jay gritou do meu quarto.
Com esse corte de clima maroto, saímos do closet, e encarei a bagunça que os três cachorrinhos tinham feito na minha cama.
— Ninguém chamou vocês— falei, boçal.
— Deuses a protejam— Jay olhou pro teto.— Nico a infectou com seus poder chatonicus maximum. Preciso de 5 quilogramas de sal grosso, água benta, um exorcista e uma arma— meu olhou em falso desespero.— A macumba vai ser forte. Espero que não tenha chegado num nível elevado. Já apresenta sintomas graves e...
Nico o chutou da cama. E ele caiu num barulho, assustadoramente, dolorido.
— Acho que quebrei meu nariz— Jason choramingou de cara no chão.
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