You got Something I need
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Eu estava no necrotério lendo os resultados de alguns exames da vitima, mas fui interrompida por uma mensagem, de Jane para ser mais especifica.
"Preciso falar com você" — Jane
Ao ver que a mensagem era de Jane eu abri um sorriso de orelha á orelha e fiquei assim até chegar na homicídios e ver Jane com uma cara séria.
– O que houve?
– Eu queria te falar uma coisa, mas precisa ser em um lugar mais controlado.
– Tudo bem, você passa lá em casa quando terminarmos aqui.
Eu não sei por que, mas quando eu e Jane estamos tendo uma conversa séria, um dos nossos celulares sempre toca.
– Rizzoli (...). Ok estou indo. – Era o Korsak, os pais da vitima chegaram.
– Ok, a gente conversa mais tarde.
Enquanto Jane estava interrogando os pais da vitima eu estava em meu escritório imaginando a seriedade da conversa. Eu estava sem nada para fazer nesse meio de tempo então eu fui falar com a Angela, ela deve saber do que Jane tem á falar, não que eu esteja chamando-a de fofoqueira, mas ela tem essa fama de saber de tudo que está acontecendo. Desci até a lanchonete e acidentalmente esbarrei com Frankie, ele me chamou para uma mesa e disse que precisava falar comigo.
– Maura, eu queria me desculpar.
– Pelo o que? – Que eu me lembre ele não tinha feito nada de errado.
– Pelo beijo.
– Frankie, você pede desculpas para alguém quando faz algo de errado acidentalmente, você não fez acidentalmente, você escolheu me beijar.
– Não, foi algo involuntário, e também, eu não acho que vai dar certo, quando eu te beijei, parecia estar beijando minha irmã.
– Eu sei, apesar de eu não ter irmãos, você é como um irmão pra mim.
– E claramente você e Jane se gostam e eu não quero ficar no meio disso.
– Sim, digo, não – Me enrolei um pouco por causa do nervosismo — Eu gosto muito da Jane, mas não do jeito que você imagina, ela é minha melhor amiga, eu gosto dela desse jeito.
– Então você não á vê como uma irmã?
– Não sei. – Eu saí de lá fingindo que tinha uma emergência. “Então você não á vê como uma irmã?” isso ficou martelando a minha cabeça por um bom tempo, eu não vejo Jane como uma irmã, o que me assusta um pouco, os Rizzolis são uma família para mim, literalmente, eles se importam e cuidam de mim, principalmente Angela, ela é como uma segunda mãe pra mim, bem, no meu caso terceira, mas eu nunca vi Jane como uma irmã.
*****
Depois de informar e interrogar os pais da vitima eu fui pra minha sala para organizar alguns arquivos, mas quando cheguei, eles já estavam perfeitamente organizados, eu estranhei, até ouvir uma voz masculina atrás de mim.
– Sua mesa é uma bagunça.
Eu reconheci aquela voz, sem me virar respondi:
– Casey...
– Jane...
– O que faz aqui? – Falei me virando, mas no momento em que me virei para falar com ele, nossos rostos estavam pertos, muito pertos.
– Eu vim te ver.
Eu conseguia sentir seu perfume masculino invadir o espaço, antigamente, isso faria um efeito que me deixaria com uma vontade louca de beijar-lo, mas agora, nada, eu não senti nada, era apenas um momento desconfortável.
– Por quê? – Nossos rostos ainda estavam pertos, eu tentei me afastar, mas ele me prendia com os braços. No momento em que eu menos esperava, ele chegou seu rosto mais perto e me beijou. Nesse momento eu não parava de pensar em Maura. Enfim consegui afastá-lo de mim, ele ficou confuso com meu ato e perguntou:
– O que foi? Não sentiu minha falta?
– Sim, até certo momento, então eu superei.
– Como assim? Você conheceu outra pessoa?
“Não, eu já conhecia, sabe a Maura minha melhor amiga? Então, eu estou prestes a arruinar minha amizade com ela pra dizer que eu a amo” – Pensei, mas acho que não seria um bom jeito pra começar.
– Não importa Casey, você foi embora e eu te superei e isso importa.
– Então há mesmo outro cara, quem é? Você o ama?
– Não que isso seja de sua conta, mas sim, eu a amo, mas ela não sabe.
– Ela? – Merda, não acredito que fiz isso, mas a raiva tomou conta de mim, e fui ficando cada vez mais descontrolada com as palavras, foi como se eu não pensasse antes de falar, o que era exatamente o que estava acontecendo, a situação ia piorando a cada vez que eu abria a boca.
– Sim, ela, no sentido de pessoa, “ela a pessoa” – Acho que não ajuda muito, mas não custa tentar.
– É Maura não é? Por algum motivo eu sempre soube que você iria me trocar por ela.
– Como assim?
– Por favor, né Jane? Poupe. O que vocês tinham era bem mais que amizade, e todos sabem disso.
Terminei minha conversa com Casey da pior forma possível, eu não neguei, mas também não afirmei suas suposições. Vi que estava tarde, não sei se iria à casa de Maura depois de tudo que aconteceu hoje, mas mesmo assim, eu vou, ela dever ter ficado preocupada como o jeito que falei com ela. Fui até o escritório dela e a encontrei lendo uma revista de medicina legal.
– Por que sempre que te encontro você está lendo uma revista?
– A leitura é muito importante para...
– Tá, você gosta de ler, entendi – Eu a interrompi, mas mesmo assim consegui tirar um sorriso dela. Adoro esse fato sobre nós duas, não importa o que estamos falando ou a situação, sempre conseguimos fazer a outra sorrir. – Vim te chamar pra gente ir.
– Pra onde?
– Pra sua casa lembra? Você me convidou pra dormir lá.
– Ah claro, desculpa. Vamos.
Maura pegou sua bolsa apagou as luzes e trancou a porta de seu escritório. O transito não estava agitado, estava tarde, mas ainda assim tinham carros o suficiente pra me deixar irritada.
*****
Quando chegamos a minha casa, botamos nossas bolsas no sofá e pegamos uma bebida, ficamos em silencio por um tempo então resolvi quebrá-lo.
– Então, eu vi Casey hoje.
Jane se engasgou com a bebida, mas logo ficou bem e continuou o assunto.
– Ele te falou alguma coisa?
– Não exatamente, ele disse que eu era sortuda e que sabia que você iria me escolher no lugar dele. Não fazia idéia do que ele estava falando, então eu apenas afirmei, não queria levar à diante. – Dei de ombros
– Ata – É claro que eu sabia do que ele estava falando, ou pelo menos suspeitava, mas queria ver se Jane falava algo sobre isso.
– O que ele fazia aqui?
– Também não sabia, ele apareceu de surpresa na central dizendo que tinha voltado por mim. – E agora era minha vez de se engasgar com a bebida, como assim ele voltou pra Jane? O que ele queria com a minha Jane?
– E o que aconteceu? – Falei
– Nada de mais, ele me beijou.
– Como assim ele te beijou? – A idéia dele tocando os lábios da minha Jane era repugnante, tenho que admitir que eu fiquei com ciúmes, muito ciúmes.
– Outra coisa que foi de surpresa, eu não esperava nem por ele, e nem pelo beijo.
Algo em mim estava fervendo, não sabia o que falar, eu apenas queria esfaquear alguém, pra ser mais precisa, eu queria esfaquear o Casey. É Maura... ta difícil hein. Como já tinha dito antes, eu não via Jane como uma irmã.
– E o que você fez?
– Nada, quero dizer, eu me afastei. E ele ficou perguntando se eu estava com alguém.
– E nesse momento você disse que estava comigo?
...E Jane se engasgou de novo, isso já aconteceu bastante pra dez minutos de conversa.
– Como você sabe?
– Sabendo, se eu estivesse em seu lugar, faria o mesmo.
– sério?
– Sim, mas mudando de assunto completamente. O que você queria falar comigo?
– Ah... Pra falar a verdade não faço idéia – Ela se fez de esquecida, mas deve haver um motivo, então não vou insistir. Na verdade ela ficou um pouco nervosa então decidi quebrar o silencio constrangedor... De novo.
– Vamos assistir a um filme?
– Claro, mas dessa vez eu escolho.
– Jane...
– Nada de “Jane...” da ultima vez você escolheu o filme, hoje é a minha vez.
Jane colocou um de seus filmes de perseguição, com policiais e explosões muito mal feitas enquanto eu fazia pipoca. O filme nem tinha chego à metade e eu já estava quase dormindo, filmes como àqueles me dão sono, o que eu posso dizer? Eu estava embriagada com o sono, eu queria ir para minha cama, mas não queria deixar Jane sozinha vendo o filme, então deitei minha cabeça em seu colo, pensei que seria constrangedor pra ela, mas na verdade ela não se sentiu nem um pouco incomoda com a situação, muito pelo contrario, ela começou a me fazer cafunés, eu simplesmente derreti com o toque delicado dela e em um piscar de olhos eu estava dormindo.
Quando o filme acabou Jane me acordou sacudindo meu braço gentilmente.
– Maura, acorda vamos, vou te levar para seu quarto. – Eu estava um pouco tonta ao me levantar, então me pendurei em Jane, consegui sentir seu perfume que tem uma fragrância indescritível, na verdade, ele tem cheiro de Jane, é um cheiro único e incrivelmente hipnotizante.
*****
Ter Maura ao meu lado daquele jeito era completamente injusto, não poder tocá-la, senti-la. Quando chegamos ao quarto dela tive que ajudá-la a fazer coisas que eram um tanto torturantes, por exemplo, ajudá-la a botar o pijama, parecia que eu estava lidando com uma bêbada, o que foi engraçado, Maura jamais tinha ficado bêbada o bastante pra não conseguir fazer as coisas sozinha, á não ser no dia que foi presa, mas foi diferente, tinham drogado ela.
Quando terminei de ajudar Maura a se vestir, tive que ajudar a botar ela na cama também, sim, era exatamente como se ela estivesse bêbada, a coloquei na cama e dei um beijo em sua testa. Estava prestes a sair do quarto, mas parei ao ouvir Maura me chamar.
– Jane... Onde está indo?
– Para o quarto, volte a dormir.
– Você já está no quarto – Ela fez uma pausa – Estamos no quarto né?
– Sim – Ri da situação. – Mas eu vou para o quarto de hospedes, você está cansada e precisa descansar.
– Deixa de ser boba... – Ela fechou os olhos lentamente, mas logo os abriu – Onde está indo?
– Em nenhum lugar Maura, só fui fechar a porta. – Deitei na cama com ela e a mesma me abraçou.
Aquele momento estava simplesmente perfeito.
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