Notas iniciais
Tia: Hoooy pessoal! Já faz um bom tempinho, hein e.e Dessa vez estou junto com a divosa das divas, a Kia-nee!
Chappy: MINNAA! Como estão? Na verdade andamos ambas meio sumidas... E atrasadas para o dia dos namorados mas o importante é que estamos ambas orgulhosas com este primeiro capítulo :*
Amo escrever com a Tia! Sempre me alegro do resultado final!
Tia: Se alegra por eu conseguir estragar seus textos maravilhosos juntando-os com os meus? Hauahuahaus Essas fics nossas sempre ficam boas graças a ela, amo escrever com essa mulher! Faz tempo que a gente não se juntava... apesar de que a gente tem uma long*se esconde atrás da Kia*
Chappy: Estragar nada! Escreves muito bem com ou sem mim *3*
Eita! Tocas-te no assunto proibido OvO Mas também iremos compensar! Juntas temos o poder o/ ahahah
Tia: Faz quanto tempo que não actualizamos ela? Precisamos escrever hsuagsu
Chappy: Verdade! Nos perdoem e tenham uma boa leitura!!
Tia: Até as notas finais~

Inoue Orihime arfava, tentando recuperar o fôlego perdido durante a corrida. Seus olhos percorriam todo o ambiente ao seu redor, repleto de edifícios destruídos em um luta recente, tentando desesperadamente encontrar seu amigo, que iniciara uma perseguição àquele quincy que esbarraram com ele. Mas não era a mesma pessoa que o Grimmjow-kun tinha ido atrás? Esperava que estivesse tudo bem com ele. E com Ichigo também, pois com base naquele cenário, os dois não se sentaram e tiveram uma conversa amigável enquanto tomavam um chá. Estremeceu com a imagem da batalha em sua mente. Mas Kurosaki-kun era forte, não perderia para o quincy. Então por que não conseguia mais sentir sua reiatsu?

— Inoue. — Fitou imediatamente o local onde Sado se encontrava, esperançosa de que tudo estivesse bem, mas ao perceber o modo como encarava o terreno além dos destroços se desesperou.

Correu o mais rápido que pôde para alcançá-lo, até que também pudesse ver aquela cena. Ichigo se encontrava caído aos pés do inimigo que, por sua vez, gesticulava como se estivesse lhe oferecendo a explicação de algo. Imaginou que seria bem melhor encontrá-los tomando o chá.

— Kurosaki-kun!! — gritou, desesperada. Suas pernas se moveram sozinhas, e novamente ela corria. Não permitiria que o quincy o machucasse mais!

Sado pulou, ativando parte de seu fullbring no ar, ignorando o aviso do amigo caído para se manter longe. Seu braço direito se tornou preto vermelho e parte dele transformou-se num escudo. Brazo derecha de gigante. Com a mão fechada, mirou no inimigo, que agilmente desviou-se do golpe. Seu punho atingiu o chão com força, despedaçando-o.

Orihime estava apenas alguns passos de Ichigo, próxima de onde Sado havia caído, quando o ar foi abruptamente arrancado se seus pulmões. Sentia como se o próprio ar ao seu redor pesasse toneladas e estivesse comprimindo seu corpo, esmagando-o rapidamente. Suas pernas cederam sob a pressão e ela caiu de joelhos. As mãos foram em direção à boca, impedindo que um grito de dor escapasse.

— O-o que está acontecendo?! — Sado perguntou com dificuldade. — Eu não aguento...

— Deixe-me terminar essa frase pra você. — O quincy se aproximou deles, seu tom zombeteiro mostrava o quão divertida aquela cena lhe parecia. — Você não aguenta o... Gift bad.

O inimigo explicou pacientemente sobre a piscina de veneno que, graças ao seu poder, oferecia uma dose letal de reishi a quem pisasse nela. Era difícil assimilar suas palavras com todo aquele peso pressionando-a, porém mesmo assim ouviu. O que mais poderia fazer? Mal podia se mexer. Perdida, fitou Ichigo de relance, vendo que este tentava a todo custo erguer-se do chão.

— E-ei, idiota! — chamou, sem fôlego, atraindo a atenção do quincy. Com muita dificuldade, levantou seu corpo com os braços, apoiando-se com o joelho no chão. — Como se chama mesmo? Não importa, é um nome horrível...

— Quanta petulância. Acha mesmo que pode lutar nesse estado? — Indagou, gesticulando com a mão. No mesmo instante o reishi se tornou mais denso, aumentando a pressão sobre eles.

Ichigo desabou novamente no chão, acompanhado por Sado e Orihime. Divertido, o inimigo de aproximou dos dois fullbrings, abaixando-se para poder tocar o topo de suas cabeças. Desta vez, porém, a garota não pôde reprimir o grito de dor. Como se através de um simples

— Eu acho que não — O quincy riu, andando tranquilamente em direção ao shinigami daikou. — Askin Nakk Le Vaar, não vou repetir meu nome uma terceira vez.

Ele girou o pulso esquerdo, fazendo os braceletes contidos dele tilintarem com o movimento. A partir deles, um arco se formou. Com o rosto virado para o chão, Orihime fitava o inimigo sem pressa alguma mirar na cabeça de Ichigo. Tentou a todo custo se mover, gritar, ou qualquer coisa, porém a pressão exercida sobre seu corpo impedia-a até de respirar normalmente. As batidas aceleradas de seu coração ressoavam em seus ouvidos e, sem que percebesse, lágrimas molhavam sua face.

Eles chegaram tão longe para acabar daquela maneira?

— Diga adeus, Kurosaki Ichigo.

Askin puxou o fio e a flecha de partículas espirituais se formou, pronta para ser disparada. Porém se viu obrigado a desfazê-la para desviar de algo que voava em sua direção. Imediatamente a ruiva reconheceu a lança prateada.

— Afaste-se dele — ordenou. A voz feminina, normalmente doce, agora assumia um tom sério.

Forçou sua cabeça a se virar na direção em que a arma fora lançada, conseguindo fitar a mulher que a atirou. Não pôde evitar pensar que mesmo com um olhar feroz, Nelliel não deixava de parecer bela; seus cabelos verdes balançavam suavemente enquanto uma segunda lança se formava em suas mãos. Da cintura para baixo, ao invés de pernas — não sabia de era certo dizer "pernas humanas", afinal ela não era uma —, haviam as patas de um corcel de pelagem acinzentada.

— Você me pegou. Realmente pensei que acabaria com isso logo. — O arco surgiu novamente em suas mãos. — Mas o que pretende fazer? Sabe que as lanças não irão me acertar.

A mulher fitou a lança em suas mãos por um instante, antes de erguê-la, balançando o ombro para trás para que pegasse impulso. O objeto foi lançado, atravessando a piscina de veneno. Askin arregalou os olhos quando o grito da ruiva ecoou.

Os arquejos desesperados de Orihime eram cortados por seus gemidos de dor. A ponta da lança perfurara sua coxa esquerda por completo, desintegrando-se logo em seguida, mas deixando-a impossibilitada de se mover. Levou uma das mãos próximo ao ferimento, sentindo o líquido viscoso que espalhava-se ao seu redor. Inevitavelmente as lágrimas escorreram. Em que Nelliel estava pensando?

— Isso foi... — A voz do quincy preencheu seus ouvidos. — Inesperado. Porém, inútil.

Não ouviu a resposta, apenas os passos de aproximando. Virou o rosto na direção oposta a que Nelliel surgira, encontrando um sorriso cruel que brilhava refletido na lâmina da zanpakutou empunhada.

— Você? — O inimigo soava surpreso. — Deveria estar morto!

— Acha mesmo que é fácil assim matar um rei? — Grimmjow desdenhou, gargalhando.

Quando seus passos cessaram na borda da piscina, o quincy pareceu se recompor.

— É uma pena, mas você não pode fazer nada, assim como ela. — Apontou o lugar onde a esverdeada se encontrava, percebendo só então que ela havia desaparecido. Deu de ombros como se não importasse.

Grimmjow colocou um dos pés dentro do círculo, atravessando-o por completo em seguida. Seu sorriso se alargou ao ver o desespero de Askin.

— Mas como...? — Perguntou, caminhando para trás numa tentativa de se afastar do Arrankar. Contudo, não havia para onde fugir.

O azulado parou, notando que algo estava em seu caminho. Baixou o olhar, gargalhando ao perceber que se tratava de Ichigo atirado no chão.

— Descansando no meio de uma luta, Kurosaki? — Colocou o pé em suas costas, passando por cima dele como se fosse um capacho. — Não parece muito bem, precisa de ajuda? — provocou.

— Tch. — Foi tudo o que o ruivo conseguiu responder.

Apenas ao ver que Ichigo mal podia esboçar uma reação, Inoue percebeu que havia se movido. A pressão esmagadora causada pela alta quantidade de reishi desaparecera. Grimmjow olhou rapidamente em sua direção, e ela entendeu de imediato. Abaixou a cabeça lentamente, tentando não chamar atenção enquanto tocava com a mão suja de sangue a presilha em seu cabelo.

— Interessante — Askin riu. — Não sei como, mas você é imune à piscina e aparentemente o "presente" que diminuía a reiatsu até que ela extinguisse não teve muito efeito. Acredito que vou ter que te deixar no chão pelo jeito mais difícil. — Apertou o cabo do arco, erguendo-o para mirar.

As orbes azuis fixaram-se novamente no quincy, parecendo esquecerem-se de Ichigo. Analisava-o como um felino prestes a atacar, calmo e mortalmente. Sorriu, sádico, passando mais uma vez por cima do ruivo que emitiu algum tipo de protesto em forma de gemido.

— O que está esperando? — Guardou a zanpakutou. — Ataque primeiro, ou essa luta acabará tão rápido que nem terá graça.

Askin franziu as sobrancelhas.

— Já que insiste, acabarei com isso logo.

O inimigo puxou a corda do arco, preparando-se para atirar. A primeira flecha, Grimmjow pegou com a mão, porém não houve tempo para se gabar. Mais flechas vinham em sua direção, e o quincy continuava a dispará-las numa velocidade que os olhos mal podiam acompanhar. Porém o arrankar conseguia agilmente desviar de cada uma delas. Cessou o ataque, franzido ainda mais o rosto.

— É só isso? — provocou o azulado. — Pelo jeito você só é bom em fugir.

Rindo, Grimmjow desapareceu com seu sonido. Levemente surpreso por não ter conseguido acompanhá-lo com os olhos, quincy girou no lugar, tentando prever de onde viria o ataque. Porém tudo o que via eram os três humanos caídos. O que ele e a garota de cabelos verdes estavam planejando?

Quando abriu a boca para fazer alguma provocação, sentiu o ar movimentar-se às suas costas. Rapidamente virou-se, tendo tempo apenas para ver as garras negras.

— Por que não volta a correr? — Ele atacou, cinco cortes profundos se abriram no peito do quincy, como se algum felino tivesse o atacado.

Orihime levantou o corpo, apoiando-se na perna boa.

— Koten Zanshun! — Tsubaki se materializou e lançou-se em direção ao inimigo, pronto para feri-lo. Porém Grimmjow o impediu de prosseguir, agarrando-o no ar. Inoue arquejou, confusa. Não era esse o plano? Não devia ter atacado? Por que o arrankar o parou? Apenas entendeu o que estava acontecendo quando Grimmjow socou o quincy, forçando Tsubaki a entrar em seu peito pelo corte que havia feito. — Eu rejeito! — gritou.

Sangue jorrou dos ferimentos de Askin Nakk Le Vaar quando o escudo foi criado criado dentro de seu corpo. A ruiva franziu o cenho enquanto observava-o cair de joelhos. Ele deveria ter se partido em dois... Porém sua expressão de puro choque e o líquido carmesim indicavam que o ataque tinha sido efetivo.

— Tch — o azulado murmurou irritado, dando as costas para o corpo. — Foi mais fácil do que imagin...

Deixou a frase pela metade, sentindo algo perfurar seu peito. Olhou para baixou, surpreendendo-se ao encontrar uma fecha quincy. Cerrou os dentes, virando-se novamente para ele.

— Realmente comovente. — Ele aplaudia lentamente, com um toque de ironia, enquanto se levantava. — Contudo, inútil.

Ainda no chão, Inoue arquejava, tentando ignorar a dor para entender porque não havia funcionado. Com os olhos semicerrados, invocou um escudo ao redor de sua perna, começando a curá-la. Askin colocou a mão no ferimento em seu peito, retirando de lá o pequeno Tsubaki. Orihime o recolheu antes do inimigo ter a chance de fazer algo.

— Seu desgraçado! — Grimmjow vociferou, sacando a zanpakutou e partindo para cima do quincy.

Askin desviava facilmente de suas investidas com uma expressão entediada, deixando o azulado cada vez mais irritado. A ruiva se encolheu, fitando de relance o ferimento que demorava a se curar, pensando no que deveria fazer. Atacar novamente seria inútil e não conseguiria fazer muita coisa com a perna naquele estado. Por que não havia funcionado antes...? Não conseguia entender. Encarou Ichigo, como se ele pudesse lhe dar uma resposta, ansiando que ele conseguisse se levantar para lutar. Porém, desta vez, ele não poderia fazer nada. Entretanto, o que ela faria?

Ao seu lado, Sado se remexeu. Ele se encontrava de joelhos, as mãos apoiadas no chão para sustentar o peso. Mas ele não estava deitado instantes antes? Quando se levantara? Ou melhor, como conseguira? Somente então notou a criança de cabelos esverdeados escondida atrás dele para que o quincy não a visse. Quase riu.

Ele se ergueu com um salto, segurando Nelliel em um dos braços para então atirá-la em direção ao inimigo. A menina girou no ar enquanto seu corpo crescia, transformando-se novamente numa mulher. Seu pé atingiu o rosto do quincy, jogando-o para trás com a força do golpe, fazendo seu corpo bater em uma das construções do lugar, atravessando as paredes. O prédio veio ao chão.

— Oe! — Grimmjow protestou, caminhando em direção a ela. — Eu ia matá-lo!

— Pessoal... — Ichigo chamou.

Ela suspirou.

— Seja mais rápido da próxima vez.

— Por favor... — Insistiu o ruivo.

O azulado cerrou os dentes.

— Está dizendo que consegue fazer isso mais rápido que eu?!

— Eu já fiz.

— EU AINDA ESTOU AQUI! — Ichigo gritou, atraindo a atenção de todos.

— Itsugo! — Nell exclamou, ajoelhando-se ao lado dele enquanto pegava num dos bolsos um pequeno frasco de vidro que continua um líquido amarelado. — É algo especial que Urahara-san criou, ele aumenta momentaneamente a reiatsu. Você sabe, para suportar um reishi denso precisa de uma pressão espiritual grande! A lança que atirei na Hime-chan estava cheia dessa coisinha aqui. — Riu sem graça, virando-se para a garota. — Desculpe, Hime-chan.

— Está tudo bem — respondeu, coçando a cabeça. — Só doeu um pouquinho...

Mais aliviada, voltou-se para Ichigo, colocando o frasco em seus lábios. Porém antes que virasse o conteúdo, ele a impediu segurando sua mão.

— A pressão sumiu — anunciou, olhando ao redor. — A piscina foi desfeita. Ele foi derrotado?

Como se respondesse à pergunta, o inimigo se materializou próximo a Orihime. Rapidamente, agarrou-a pelo pescoço e ergueu-a do chão. A garota gritou, esperneando desesperada para soltar-se. O quincy soltou um riso debochado, partindo o escudo ao redor de sua perna com a mão livre e tocando seu ferimento que ainda não havia sido curado completamente.

— Agradeço pela explicação — proferiu, lançando um sorriso para a esverdeada. Lentamente levou a mão suja com a sangue da garota próximo aos lábios e lambeu os dedos. — Aparentemente terei de mudar minha estratégia.

O shinigami daikou levantou-se cambaleando, agarrando o punho de Zangetsu.

— Mais um passo e ela morre — o quincy ameaçou. Instantaneamente, os braços de Inoue penderam ao lado do corpo, desistindo de tentar se libertar.

— O que está acontecendo?! — Nelliel inquiriu, empunhando sua zanpakutou.

Askin sorriu orgulhoso, feliz em oferecer uma explicação.

— Minha schrift é a "D", death dealing. E nesse exato momento estou aumentando a quantidade de sangue que corre pelas veias dessa garota. Se chegar ao dobro da quantidade inicial, ela mor...

Interrompeu a frase para desviar do objeto que vinha em sua direção. Foi forçado a largar a garota, contudo, ainda assim, a lança atingiu seu braço de raspão. Encarou a esverdeada, irritado, porém a expressão de surpresa em seu rosto indicava que não havia sido ela.

Orihime tentava erguer-se do chão, mas a tontura que a fazia ver o mundo rodopiar não ajudava. Uma sombra a encobriu e ela olhou para cima, procurando o que bloqueava a luz do sol. A primeira coisa que viu foram as asas, negras e enormes. Por algum motivo, no primeiro instante acreditou se tratar de um morcego que havia se perdido por ali, talvez porque a tontura não permitiu que raciocinasse direito. Conforme ele se aproximava, algo que pareceu ocorrer lentamente para ela, pode ver que não era um morcego, mas sim uma pessoa com asas. Um nome surgiu em sua mente, mas preferiu acreditar que se tratava apenas de uma alucinação. Entretanto, ele não desapareceu repentinamente, como imaginava que aconteceria se fosse somente algo da sua cabeça. O "morcego" aterrissou entra ela e o inimigo.

Ele fitou-a por cima do ombro, fazendo-a arregalar os olhos ao se deparar com um par de orbes esmeralda. Um arrepio percorreu seu corpo, sentindo seu coração falhar apenas para recomeçar acelerado e fora de ritmo. Apenas um olhar conseguiu reviver sentimentos antigos, que durante muito tempo ela negou ter.
— U-Ulqui...orra-kun...? — gaguejou, ainda incerteza, como se aquela imagem pudesse desaparecer repentinamente.
— Está machucada, Onna?
Sentiu seus olhos marejarem ao ouvi-lo chamar de tal maneira, apesar de sempre ter odiado o apelido. Ele realmente estava ali, na sua frente. Não sabia se agarrava-o ou começava a chorar de felicidade. Porém não conseguiu fazer nem um nem outro, ainda chocada acenou a cabeça positivamente.
Ulquiorra estava vivo... A ruiva sorriu.

— Estou bem. Graças a você, que me protegeu. Obrigada, Ulquiorra...kun.

— Quem é você? Outro arrancar? Entendo, veio ajudar seus amigos. — Askin sorriu presunçoso, cuspindo as palavras. Porém, ficou intrigado. Mesmo tendo captado a atenção do novo espada, este o encara indiferente. Sem ódio, repulsa ou outro sentimento. Era opaco e vazio. Não quis admitir mas isso feriu seu ego.

— Não vai dizer nada, hollow?

— Ulquiorra é um tanto “especial”. — Grimmjow gargalhou por seu comentário seco, mais para si do que para o quincy propriamente. Mais parecia um comentário por experiência própria.

— Ulquiorra? Então esse é o seu nome, hollow mudo.

— Cale-se, Grimmjow. Falar com o adversário é típico dos shinigamis. Lições de moral não nos interessam, é coisa de lixo.

— Como é!? O que está insinuando com isso Ulquiorra, seu maldito! — Ichigo, cambaleando, se levantava apoiado no punho de sua zanpakutou, prestes a iniciar uma discussão que não teve a coloboração do quarto espada.

— Você é um substituto de shinigami, não um shinigami. Não precisa se ofender, Kurosaki Ichigo. Guarde suas forças.

— Desgraçado…!

— Itsugo-kun! Ele está certo! Por favor, descanse e confie em nós. — Mesmo hesitando, o ruivo acabou por consentir e resmungando sons indecifráveis.

Ignorando aquela situação usual entre o grupo, Chad se aproximou de Orihime; vagaroso e cauteloso, sem atiçar os sentidos agudos do quincy.

— Inoue-san, como está?

— Sado-kun!

— Venha, irei ajudá-la a ir para um lugar mais seguro e poder se curar. — Sem esperar uma permissão, ele rodou um de seus braços pelas pernas da ruiva e outro pela cintura, a carregando. Enquanto isso, o olhar jade observava atentamente cada movimento dos dois humanos afastando-se.

Ulquiorra percebera de imediato suas intenções, por isso continuara com sinuosas provocações a Ichigo, escandaloso como era, iria criar a distração perfeita para Inoue Orihime sair do campo de batalha sem suspeita. Assim como Ulquiorra tivera pela consciência dos gestos do humano, Sado também compreendeu as intenções do espada, conseguindo detectar o olhar penetrante deste em sua amiga.

Talvez, os dois juntos teriam uma hipótese. Não era comum um hollow proteger um humano.

— Arigato, Sado-kun. — Sorrindo em agradecimento, Inoue invocou sem escudo começando a curar toda a extensão do ferimento em sua perna, tão focada em seu trabalho, não escutou as seguintes palavras do companheiro.

— Não sou eu a quem deve agradecer.

O quincy não demorou a notar a ausência da ruiva “abençoada”, notando que caíra no embuste daquele moreno calado. Trincou com os dentes, avaliando que o tal Ulquiorra era muito mais perspicaz que os outros.

— Ora, ora… Agora que a garota humana não está mais aqui, pretende lutar, Ulquiorra-san? Ou irão lutar os três juntos contra mim? Podem tentar… Mas aviso, que não tem hipótese.

— Você me irrita, vou matá-lo por se achar tanto.

— Grimmjow-kun, não deveria ofender-se com suas palavras…

— Calada, Nelliel!

— Hai, hai.

— Não compreendem não é mesmo? Deve ser frustrante saber que o vosso poder nada me pode fazer… — Askin piscou o olho para o azulado, numa tentativa de enfurecer o membro mais instável emocionalmente. Com êxito.

Em menos de um segundo, Grimmjow empunhara sua zanpakutou. No entanto, mesmo o acertando e cortando, não o ferira. Nem uma gota de sangue manchou o chão de mármore. Mais que chocado, a pantera estava enfurecida com sua incapacidade. Suas garras não penetravam sua presa.

Previsivelmente, ao não conseguir ferir seu oponente; abriu a brecha para ser ele o ferido. Sendo socado violentamente, perdendo o equilíbrio. Grimmjow não entendeu como mas não tinha sido o quincy a golpeá-lo. Não era a mesma reiatsu. Aliás por sua visão periférica, reparou num ataque pronto de Askin contra seu peito, se o tivesse acertado com aquilo, talvez estaria morto naquele instante. Aumentado sua suspeita que houve outro alguém que interferiu na sua luta.

— Aquele filho de uma… — A frase foi interrompida por uma tosse pesada e insistente que se fazia presente desde que o quincy jogara aquele pacote.
Deitado com o rosto no chão, vendo o próprio sangue escorrer de seus lábios a cada vez que tossia, Grimmjow imaginava a forma mais dolorosa de matar aquele que o derrubara. Arquejava, procurando um meio de encher os pulmões, mas a cada vez que tentava o ar era expulso abruptamente.
Após alguns instantes caído, enquanto pensava nas melhores maneiras de matá-lo, ouviu passos se aproximarem. Lentamente, os pés surgiram em seu campo de visão, e ele forçou a cabeça a erguer-se para que pudesse ver a quem eles pertenciam.
—Você?! — Grunhiu, fazendo com que mais sangue fosse espirrado. — Seu desgraçado!
Sem alterar seu habitual semblante indiferente, o arrankar respondeu-lhe:
— Levante-se, lixo.
Desde quando Ulquiorra banca o herói?
Mesmo a contragosto, obedeceu. Desobedecer ao Ulquiorra irritado seria sua sentença. E ele ainda tinha contas a ajustar com o Kurosaki. Estalou a língua, cambaleando em algum muro, onde pudesse se apoiar e manter em pé.
— Oh, quanta generosidade em salvar um nakama, Ulquiorra-san!
— Não se iluda. Esse gênero de compaixão é fraqueza. Limito-me a limpar o lixo do meu caminho. — Diversas veias salientavam-se na testa do sexto espada, que cravava as unhas na palma de sua mão. Amaldiçoando o outro arrancar de todas as formas que conhecia.
No entanto, o acontecimento seguinte surgiu como se falsificasse todas as palavras anteriores do antigo servo mais leal a Sousuke. Por mero instinto primitivo, ou causalidade do destino ou concordância no ataque; os três espadas dispararam seus ceros, no seu nível mais elevado. Apesar do estranho episódio, nenhum dos arrancares mostrou um único sinal de surpresa. Askin, apesar de confiante, deixou escapar um pequeno sinal… Mas, a mais encantada com aquele efeito de luzes era Orihime que encarava os três ceros se juntarem num. Um ataque azul, verde e lilás perfeitamente belo.
— Mite, mite Sado-kun! Que bonito! Parece um arco-íris! — Ou um espetáculo de fogo nos céus. Completou em pensamentos.
— Tem razão. O nosso poder tem dois lados. Um para proteger, outro para matar. Até na morte, se for feita com justiça, pode tornar-se num belo cenário. Apesar do fim desastroso.
— Sugoi! — Orihime exclamou espantada, unindo suas mãos, eufórica, sob o peito. Completamente curada. — Você é um filósofo, Sado-kun!
O sexto quase desmaiou após o desgaste com aquele ataque. Seu poder espiritual estava sendo consumido, e irritado tinha que aceitar que não poderia fazer nada mais para além de assistir ao que a mente brilhante do morcego tinha planejado. Ele não era do tipo de improvisar, de não ter nenhum plano. Era uma forma de lutar chata no seu ponto de visto, mas reconhecia que também tinha mais sucesso.
Inteligência supera a força? Ridículo. O Rei não precisa disso para vencer, sua força basta.
Nelliel por sua vez mantinha-se imparcial, contudo estava preocupada. Não conhecia os pensamentos do quarto, bem, ninguém conseguia adivinhar o que ele pensava. O fato é que ela precisava socorrer os feridos, mas temia deixar o nakama desamparado.
— Ulquiorra. Tudo bem se você…
— Vá, não preciso de ajuda.
— Certo. Estou contando com você. — Num singelo sorriso, a ex espada carregou o substituto de shinigami para um lugar mais afastado, longe do alcance dos possíveis ataques para estagnar seus ferimentos.
— Nell. Confia mesmo nele? No Ulquiorra.
— Ele não é má pessoa, Itsugo. Salvou o Grimmjow duas vezes. Uma aqui e outra em Hueco Mundo, depois do golpe de Nnoitra.
— Pensei que tivesses sido tu.
— Eu ajudei, mas quando cheguei até eles Grimmjow-kun não corria risco de vida. — O silêncio do ruivo fez com que a espada previsse seus pensamentos. Ele ainda tinha dúvidas. — E… Ele protegeu a Hime-chan também. Aizen mandou ele matá-la mas Ulquiorra-kun não o fez. Não deixou que nenhum arrancar a machucasse.
— Por que ele faria uma coisa dessas? Ele sequestrou Inoue!
— Pessoas boas fazem coisas más também, Itsugo. Perdoe ele, onegai.
— Vou tentar. Mas se ele aprontar alguma coisa com ela de novo, não o deixarei ficar impune.
— Não se preocupe. Ele não fará nada que a magoe novamente. Ele não seria capaz disso.
— Hm? O que quer dizer com isso?
— Nada. Em breve descobrirá. — A tranquilidade da esverdeada tranquilizou Ichigo, apesar que seu comentário também o deixou extremamente intrigado. Ao que ela se referia? Seria alguma surpresa desagradável?
Ansiedade era uma coisa terrível. E Nelliel parecia aproveitar-se disso, divertindo-se.
Lixo. Tão previsível.
Ulquiorra esquivava-se mecanicamente dos ataques do adversário. Sem qualquer dificuldade. De facto, o quincy possuía um enorme poder. O espada era capaz de reconhecê-lo por sua habilidade (minimamente) interessante, assim como sua vasta experiência em combates, e aquela escória só não estava morta naquele preciso momento por essa qualidade.
Mas ainda assim, era um lixo. Nada mais do que isso.
Seus golpes carregados pela sede da vitória. Desmoralizando o próprio portador. Ulquiorra fechou os olhos, estalando a língua no céu da boca, entediado. Não gostava de lutas barulhentas. Repudiava aqueles que dialogavam muito quando empunhavam uma arma.
Tornavam a luta numa palestra.
— Pretende continuar fugindo até quando, hollow-mudo?
Por instantes, Ulquiorra sentiu vontade de revirar os olhos com a risada monótona. O ex leal serviçal de Aizen, disparou um cero colorindo o imenso céu num tom esverdeado, sumindo em seguida com o sonido.
— Para onde está apontado?

Rindo jocoso, não detetara de imediato a presença do quarto espada na sua dianteira. Aproveitando seu momento de distração, Ulquiorra lançou um pequeno cubículo até o peito do quincy. Alcançando os fluxos de reaitsu do inimigo, o diapositivo brilhou intensamente, sugando o opositor, desaparecendo ambos em seguida.

Ichigo ficou pálido procurando algum requisito do inimigo, porém é como se o mesmo não existisse mais.

— O… que aconteceu?

— Ulquiorra-kun lançou o portátil Caja Negación.

— O que raios é isso?

Nelliel sorriu atenciosa perante a incompreensão do shinigami, não notando o olhar incomodado de Orihime pela forma como ela se referira ao quarto espada. Curioso, a ruiva não sentir raiva dela por ter machucado sua perna, contudo, algo dentro de si queimava quando escutara a amabilidade e intimidade com que tratara o Shiffer- Grimmjow colocou os braços, preguiçoso, atrás da nuca. Aborrecido com aquela conversa sem sentido, no entanto, não perderia a oportunidade de provocar o shinigami. Aproximou-se, com um sorriso arrogante preso no rosto, sem conseguir livrar-se deste.

— Idiota. Foi o mesmo que eu usei para prender o Ulquiorra, para poder lutar contra você. Sem interrupções. Essa coisa prende os hollows numa outra dimensão infinitamente. No caso de espadas mais fortes, só os consegue manter lá durante algumas horas. Basta lançar até ao seu oco.

— Mas ele era um quincy! Como isso pode então acontecer com… -Ichigo coçou a cabeça, ligeiramente envergonhado por não se recordar do nome do quincy de novo-…daquele cara?

— Aporro-san antes de ser derrotado pelo taichou esquisito tinha feito alguns experimentos, ampliando as capacidades da Caja Negación. Podendo sugar não só hollows, como shinigamis e até quincys. Seu próximo passo era incluir os humanos. Também fez algumas alterações no seu funcionamento… Em vez de o efeito da caixa ser ativado ao alcançar o oco, alterou para as partículas espirituais.

— Aquele bastardo. Perdeu e foi feito refém como cobaia.

— Grimmjow-kun! Não seja cruel! Você também foi derrotado pelo Itsugo! Esqueceu?

— Sua… Não me lembre isso!

Grimmjow com o rosto inflamado, gritava com a arrancar esverdeada, que se limitava a sorrir despreocupada e divertida. Quando Aizen era vivo, os arrancares só existiam para servir sua vontade, tendo pouco tempo para o lazer. Contudo, agora estavam a participar numa guerra sangrenta, e apesar das circunstâncias, eles se estavam divertindo. Bom, pelo menos ela.

Com o orgulho extremamente ferido, reavendo a forma como fora derrotado. E como o imbecil de Nnoitra quase o matara, o azulado observou sádico o herói da Sociedade das Almas.

— Kurosaki Ichigo, finalmente… será agora que vou matá-lo com minhas próprias mãos!

— Grimmjow, seu maldito! Você nunca desiste?

— Só os fracos desistem! Um rei sempre está pronto para lutar!

— Que coisa mais absurda.

— Está com medo, Kurosaki? -Grimmjow quase gargalhou ao encarar o olhar fulminante do ruivo contra si, tinha conseguido convence-lo!

— Vai se arrepender, Grimmjow.

Com as mãos apoiadas nos cabos de suas zanpakutos, ambos elevaram suas reaitsus. No entanto, a pantera fora vítima de uma agressão inesperada no pescoço. Resmungando de dor, enraivecido, o sexto encarara seu opressor.

— Chega desse disparate, Grimmjow. Está arrumando confusão desnecessária.

— Ulquiorra! O que pensa que está fazendo!? Não interfira! Esta luta é minha!

— Esqueceu nossa missão? Guarde esse combate inútil, para quando nossos objetivos forem alcançados.

— Desgraçado. Continua o mesmo arrogante de sempre.

— O Ulquiorra-kun tem razão, Gimmy. Lutar agora só irá gastar nossas forças para o que vem a seguir.

— Calada mulher! Pare de me tratar como se fossemos amigos!

— Que fofo! Gimmy está com vergonha da Nell!

O Kurosaki encarava o trio boquiaberto. Desconfiara da sanidade dos arrancares desde o primeiro dia que seus pés pisaram a areia do infinito deserto. Contudo, agora tinha a certeza que hollows sofriam distúrbios mentais. Seria alguma etapa da transformação que era responsável por isso?

Num momento queriam matá-lo, em outro agiam como se ele sequer existisse. Quem conseguia compreendê-los?

Ulquiorra distanciou-se do casal, enfastiado com aquela discussão comum e enfastiosa. Eles não compreendiam que era algo constrangedor de se assistir? Só regredia suas imagens de fortes espadas. Apesar, que segundo seus olhos, Grimmjow estava longe desse estatuto. Deu três passos, quando subitamente parou de caminhar, olhando sob o ombro. Percebendo que estava a ser observado fixamente, buscou com suas íris jades tal identidade… encontrando a mulher ruiva que mantivera em cativeiro no palácio de Las Noches, enquanto era um servo leal de Aizen Sousuke.

Ela estava diferente.

O arrancar já tinha notado que seu poder espiritual era mais alto. Comprovara isso quando ela, ousada, lutara contra o quincy. Orihime Inoue era uma mulher forte. Isso não era uma novidade para si, por isso não estava surpreso. Ele sempre reconheceu seu potencial, mesmo ela sendo um mero humano, tinha poderes que ultrapassavam sua raça. Não era digna de igualar-se a um vast lorde, contudo, era superior aos seus comuns.

As íris da cor do céu nublado pouco ou nada modificaram-se também. Afirmava, inclusive, que estavam intactas. Até o seu olhar dirigido a si era o mesmo, ou talvez, com um ligeiro brilho a mais. O sorriso que esta lhe enviara, mesmo não dizendo nada, fez que Ulquiorra concluísse que até sua personalidade estava intocável. Bem, um pouco mais corajosa e confiante. O que não era algo propriamente negativo, muito pelo contrário.

Possivelmente a única característica que, de facto, o chocara foi sua ousadia. Ela era uma mulher bela, isso era inegável. Esse pensamento sempre o perturbara com a estadia de sua prisioneira. Contudo, a onna sempre escondera o máximo de sua sensualidade, mantendo a inocência de uma criança.

A poucos metros de si, ela estava distinta de quando ele a conhecera. Apesar de ser a mesma, usava vestes que contradiziam tudo o que esta era.

Será que a forçaram a utilizar aquelas roupas?

Os seios avultados, quase pulavam para fora do decote extremo. Para além disso, sua provocação visual com sua cintura delgada, praticamente descoberta, salientando as curvas arredondadas de todo o seu corpo. Estava perdidamente sensual, mas não era aquela mulher que ele fora ordenado sequestrar.

Um detalhe que apreciara em Orihime era ela ser o oposto das arrancares exóticas e excessivamente provocativas. Agora, ela igualava-se ligeiramente a estas. Suspirou profundamente, ligeiramente desiludido. Não entendia o por quê, afinal isso não lhe dizia respeito. Contudo, sua astúcia tinha instantes em que era inconveniente, atrapalhando a linha do raciocínio anterior.

A mulher estava assim para agradar Kurosaki Ichigo.

Estava a sentir-se ligeiramente arrependido de ter evitado a luta entre o sexto e o substituto de shinigami. Aquilo era raiva? Um sentimento? Será que tinha sido atingido pelo quincy e não percebera?

Obrigando a voltar à razão, Ulquiorra notou a diferença inexplicável e súbita da tonalidade das bochechas da mulher. Possivelmente por ter descoberto que ela o enxergava. Ou será, porque ele também a observara um longo tempo, analisando-a? Diferente do que previa, ela não quebrou o contacto visual ou recuara. Em vez disso, dirigiu-se até si em passos lentos, mas firmes, com as mãos unidas sob seus seios volumosos.

— Ulquiorra… É você mesmo?

— Que pergunta estúpida é essa, mulher?

Sim, é ele. Podia ser mais educado… talvez, até simpático. Basta Orihime! É o Ulquiorra de que estamos falando…

— Etto…

— Pretende dizer algo?

— Ulquiorra-kun, não seja rude com a Hime-chan!

Nelliel apareceu de supetão, apoiando-se nas costas do quarto espada, pressionando seu peito contra o pescoço do mesmo. Sorrindo inocente, ignorou o suspiro longo do arrancar, visivelmente incomodado com seu gesto.

No entanto, apesar de ter sido defendida… a ruiva desgostara daquela aproximação. Daquele sufixo no final do nome dele. Só ela o tratava assim! Cerrou os punhos incomodada, arqueando ligeiramente as sobrancelhas.

Enrugando a testa, com uma expressão emburrada, Orihime cruzou os braços permanecendo num mortal silêncio, mesmo com o diálogo posterior amigável entre os dois grupos. Ichigo que estivera distraído com a sessão de comentários pouco agradáveis do azulado, acabara por detetar a expressão estranha de sua nakama.

— Você tem algo, Inoue? Está se sentindo bem?

As atenções focaram-se na humana, que não ficara constrangida. Ainda enciumada pela situação que presenciava, limitara-se a acenar afirmativamente. Grimmjow, alargou a curvatura no seu rosto, compreendendo o que as íris cinzentas fulminavam: o abraço apertado que a maluca da Nell oferecia ao quarto. Gargalhando alto, não resistiu à tentação, iniciando suas investidas inconvenientes.

— Quem diria… Uma princesinha sentindo ciúmes. E logo de um espada que nem o Ulquiorra. Está longe de ser um príncipe encantado.

— O quê? Grimmjow não digas asneiras!

— Duvida Kurosaki? Olhe só para ela! Está morta de ciúmes por a Nelliel estar agarrada ao… Como é mesmo…? Ah! “Ulquiorra-kun”!

— Está mentindo!

— Veja por si mesmo! É óbvio!

A ex terceira parecia divertir-se com toda aquela briga, não dando qualquer relevância ao que era dito. Já estava familiarizada com o mau gênio da pantera… Além do mais, ela sabia que ele também estava com ciúmes. E isso a estava divertindo. Por sua vez, Ulquiorra mantinha-se impassível, não se afetando minimamente com as observações perversas do sexto.

Contudo, quem não estava a conseguir manter a calma era Orihime. A principal vítima. Sentindo seu rosto aquecer, assim como a pressão espiritual, ela age por puro instinto.

— Calem-se os dois! Vocês não sabem nada sobre mim, idiotas!

O assombro era a principal característica no rosto de todos os presentes, incluindo o Shiffer que ficara estupefacto pela sua reação. Tal como quando ela, inesperadamente, o esbofeteara. Na verdade, a própria ficou espantada com sua atitude. Descarregando toda sua fúria naquele grito, só depois tomara consciência do ridículo da sua situação.

Com o rosto inchado pelo escarlate origem da vergonha súbita, coçou disfarçadamente sua nuca, rindo sem graça. Ela nunca mudara seu tom com Ichigo.

— Bom… temos de encontrar o Ishida-kun!

— C...erto.

Apesar de todas as incógnitas e pontas soltas daquela confusão, eles decidiram unidamente esquecer aquele incidente. Fingindo que nada tinha acontecido, seguiram rumo à presença do ex amigo.

Antes de Inoue sentir o vento forte embater contra seu rosto, não acreditando no que tinha feito, soltou um leve murmúrio inconsciente, soando como uma declaração.

— Meu coração… Já estava com você, quando desapareceu.

Ulquiorra a encarou, e como uma armadilha, Orihime ficou presa naquele imenso mar verde. Sabia que ele a tinha escutado. No entanto, não se arrependera de sua revelação, mesmo ficando rósea com suas palavras. Com o impacto que elas poderiam vir a ter.

Porém, sem proferir uma palavra sequer, ele desviara o olhar.

Desiludida, constatou que provavelmente ele não compreendera o significado do que ela lhe tentara transmitir. Ela não podia simplesmente dizer “eu amo você”. Afinal, ele era um arrancar cético aos sentimentos e a todo o coração humano, como ele entenderia o que ela sentiria se expressasse dessa forma? A consideraria louca.

Inspirou profundamente, renovou-se com esperança. Ele estava vivo. O destino lhe dera outra oportunidade de entregar seu coração.

O grupo avistara a torre, e sem qualquer cerimônia ou discrição, Ichigo derrubara as paredes. Criando seu próprio caminho para atravessar o edifício procurando seu alvo, apesar de isso ter acontecido rapidamente.

De costas, o quincy que coabitara com eles os enxergava com uma máscara de indiferença.

— Ishida!

— Kurosaki? Vejo que arranjou novos aliados.

O quincy revelou-se pouco ou nada surpreso por o grupo do substituto de shinigami o ter encontrado. Porém, ele estranhara a presença dos arrancares. Bom, de Nelliel nem tanto. Mais Grimmjow e, principalmente, Ulquiorra que julgava morto.

Os olhos escondidos pelas lentes, sempre observadores, rapidamente captaram a aproximação de Ulquiorra e Orihime. Não verdade só relembrava algo que já tinha constatado desde Hueco Mundo. Inoue demonstrava carinho quando encarava fixamente o quarto espada, quase como se ele fosse um dos nakamas dela. Não. Era como se ele fosse mais que eles…

Naquele instante, a ruiva o encarava preocupada com ele e com todas as suas atitudes. Ligeiramente atrás de Ulquiorra. Ishida riu amargamente, enquanto ajeitava os óculos na ponta de seu nariz. Talvez nenhum dos presentes tivesse notado, inclusive o casal, mas ele notara…

… as mãos do vilão e da princesa entrelaçadas.

E odiava confessar, mas sentia inveja, desse sentimento que tornava-se cada vez mais visível.

Notas finais
Chappy: Eu não me canso de reler este capítulo, gostei mesmo de o escrever. Eu e a Tia fazemos mesmo uma boa dupla!!
Tia: Com toda certeza, Kia eheh~
Chappy: Vemo-nos no próximo capítulo pessoal @.@ Bejokas!
Tia: Não vai demorar, prometemos! Até~