You are my home
17 Capítulo 17
Notas iniciais
– Emma, você esta bem? – Ruby disse se aproximando da loira que tinha uma expressão aflita.
– Não... eu fiz besteira.
– O que você fez?
– Eu não posso te dizer...
– Eu sei que você e Regina ainda estão juntas, é sobre isso?
– Você sabe? – Emma franziu a testa.
– Ela me contou.
– Ruby, eu... fiz uma coisa completamente idiota. – A loira disse beirando as lagrimas.
– Emma fique calma. O que aconteceu?
– Eu... beijei a Elphaba. Bom, ela me beijou, mas eu... correspondi.
– Elphaba? – Ruby ergueu a sobrancelha. – Emma, por que fez isso? Aquela mulher é... ela não é coisa boa.
– Eu sei, mas... eu preciso ficar perto dela. E quando eu estou com ela... as vezes é como se eu fosse outra pessoa, eu não sei...
– Por que você tem que ficar perto dela?
– Eu não posso te dizer.
– Tem a ver com que você e Regina vieram fazer aqui originalmente não é?
– Sim.
– Eu não sei qual é o plano de vocês, nem o que vocês querem, mas... se vocês se amam, como eu acho que se amam, não deveriam estar arriscando tanto esse amor.
– Você tem razão... eu só... pensei que pudesse controlar as coisas.
– Você quis a beijar? – Ruby perguntou pegando Emma de surpresa. Voltando em suas memórias ela descobriu que sim, que naquele momento quis beijar Elphaba, que nada mais importava.
– Sim. – A voz da loira saiu em um tom torturado.
– Oh Emma... se afaste dela, se você ama Regina se afaste dela.
***
– Ora, vejam que surpresa! – Elphaba disse em seu usual tom de provocação. – O que faz na minha casa Regina?
– Sua casa? – Regina disse com desdém. – A casa que você roubou de mim. Satisfaça minha curiosidade Elphaba, porque tanto interesse nos meus restos?
– Se são restos porque está aqui com esse olhar de cobiça para minha casa? Porque voltou para a minha cidade?
– Estou olhando pra casa porque me trás boas lembranças, coisa que por mais que você tenha tentado não conseguiu tirar de mim. Quanto a cidade, ela nunca foi sua, nunca vai ser.
– Não é o que parece, todos aqui estão sob minhas ordens.
– O que você quer afinal?
– Você não faz a mínima ideia não é mesmo? E está ficando louca com isso. – A bruxa deu um sorriso frio. – Tudo que precisa saber é que você vai perder tudo pra mim, alias... já perdeu. – deu um passo em direção a Regina. – Sabe, agora eu entendo o que você viu na princesinha. Ela beija bem, mal posso esperar pra ver como se sai na cama.
Foi demais para a paciência de Regina, ela lançou Elphaba contra a macieira. – Você está mentindo!
A ruiva sorriu. – Como eu suspeitava você ainda tem sentimentos por ela, é uma pena que ela já esteja te superando. Ate com uma certa facilidade posso dizer.
– Eu poderia arrancar seu coração agora! – Regina gritou.
– Faça isso e a maldição nunca vai ser quebrada. Não é por isso que está aqui? Porque quer salvar a todos, ser uma heroína. Deixe me dizer uma coisa Regina, heróis não arrancam corações.
– Que bom que eu sou uma vilã então. – Regina enfiou a mão no peito de Elphaba e seu rosto logo se contraiu em horror, a bruxa não tinha um coração.
Elphaba sorriu e empurrou Regina para longe dela com facilidade. – Você acha que eu deixaria meu coração em um lugar tão obvio? Alguma coisa ela tinha que ter me ensinado bem. – disse a ultima frase como uma divagação.
– Ela? – Regina ergueu a sobrancelha. – Você... minha mãe, Cora.... – disse lembrando que sua mãe usara a mesma magia para remover seu próprio coração. — ela te fez alguma coisa e por isso está se vingando de mim?
– Não! – Elphaba quase rosnou. – Você foi quem fez! E você vai perder Regina! Vai perder tudo! – A bruxa desapareceu em uma fumaça verde, deixando Regina mais confusa ainda.
***
Emma mal entrou no quarto de Regina e sentiu a queimação do tapa em seu rosto. A loira passou a mão pelo cabelo exasperada, mas tentando se controlar. – Devo presumir que você já sabe?
Regina sorriu sem nenhum humor. – Você não acha que Elphaba correu pra jogar isso na minha cara?
– Eu só estou seguindo o plano. – Emma tentou se defender inutilmente.
– O plano era você enrolar ela, Emma, deixar que ela pensasse que estava interessada para que ela confiasse em você! – Regina gritou de volta.
– Ela não é exatamente paciente, Regina.
– E o que vai fazer? Foder com ela? – Regina cuspiu as palavras.
– Não! – Emma disse desesperada. – Eu amo você!
– Então pare de me machucar! – Regina disse as lagrimas.
– Eu não quis... – Emma começou a falar mas se interrompeu, não podia mentir, ela quis sim beijar Elphaba. Não sabia explicar porque, mas quis.
– Não me importa se você quis ou não, você a beijou. Você é a única em que eu confio Emma e você me traiu.
– Você achou mesmo que o plano de seduzi-la não ia incluir eu beijá-la? – Emma disse na defensiva.
– Eu não sei, eu não quis pensar sobre isso.
– Então não pense, me deixe fazer o que eu tenho que fazer e logo vamos acabar com isso tudo.
– Diga que não está me pedindo permissão para beijá-la.
– Regina, você não entende...
– O que eu entendo é que ela quer tirar tudo de mim. E eu tenho medo que ela consiga... porque você é tudo que eu tenho agora.
– Meu coração sempre vai ser seu.
– Mas pelo caminho que estamos indo o seu corpo vai ser dela. – A voz da rainha era fraca, estava cansada de tudo aquilo.
– Eu nunca vou a amar.
Regina descansou as costas contra a parede e dirigiu seu olhar vazio para a loira. — Emma, só vá para o seu quaro, ok?
– Não, eu quero ficar aqui com você. – Emma disse se aproximando de Regina que logo fugiu de seu toque.
– Eu não quero você aqui...
– Regina...
– Você a beijou de volta? – Regina a interrompeu, de algum modo já sabia a resposta. A defensiva de Emma entregava tudo. – Você quis a beijar de volta não foi?
– Eu... sinto muito...
– Não, eu é que sinto muito. Vá embora. Por favor...
– Eu estou fazendo isso por nós.
Regina sorriu amargamente. – Claro que está. Alias, muitíssimo obrigada.
– Por favor tente entender...
– Você sabe que eu fui contra isso desde o começo.
– Não temos outra opção. – Emma disse agoniada.
– Tínhamos a opção de não deixar ela nos afastar.
– Ela não vai... eu estou aqui com você, eu sou sua.
– Não, Emma, ela já conseguiu o que queria.
– Você está... terminando comigo? – A voz de Emma era fraca e carregada de medo.
– Eu não posso fazer mais isso...
– Foi só um beijo idiota! – Emma disse desesperada. – Por favor, não faça isso! Eu... desisto desse plano... eu nunca mais me aproximo dela... por favor. – As lagrimas queimavam o rosto da loira.
– Emma...
– Não é só o beijo não é? – Emma disse em tom acusatório. – Você está em duvida sobre nós, desde que encontrou ele...
– Isso não tem nada a ver com ele, Emma...
– Não tem mesmo? Diga que não passou por sua cabeça que tudo seria mais fácil com ele! – Emma silenciou por um tempo, seu rosto se contorcendo em uma mistura de raiva e sofrimento. – Você não pode dizer não é? Porque você pensou isso.
– Eu não quero discutir isso.
– Ah mas você vai! – Emma se aproximou perigosamente de Regina. – Se você o queria, não deveria ter dito que seria minha para sempre. Porque a idiota aqui acreditou em você, achei que no final tudo ficaria bem e seriamos uma família. Mas pelo visto seu final feliz é com outra pessoa.
– Emma, eu não vou ficar ele.
– Nada te impede agora, Regina. Não temos mais nada. Você simplesmente terminou comigo, como se não fossemos nada.
– Não jogue isso pra cima de mim! – Regina reagiu. – Foi você que beijou aquela bruxa como se nós não fossemos nada.
Emma estava completamente tomada pela raiva e desespero. – Quer saber? Eu a beijei mesmo! E nem por um segundo eu pensei em você!
Regina silenciou e se encolheu com a afirmação. Emma respirou fundo sabendo que tinha ido longe demais. A rainha andou ate a porta e a abriu. – Saia. – disse com uma voz cansada.
Emma atravessou a porta dando a morena um ultimo olhar suplicante, mas não teve forças para lhe dirigir mais nenhuma palavra.
***
Elphaba mal abriu a porta e sentiu os lábios da loira contra os seus, em um beijo desesperado, agoniado que ela não fez questão alguma de interromper. – Ao que devo essa visita tão agradável? – disse com divertimento depois que se separaram.
– Eu precisava ver você... – Emma disse puxando-a par beijá-la novamente.
– Pensei que queria ir devagar.
– Eu não quero. Casei de ter calma.
A ruiva sorriu triunfante e entrelaçou sua mão a de Emma. – Não tenho oposição nenhuma quanto a isso. – Então se dirigiu em direção as escadas. – Suponho que vá ficar?
– Sim.
***
– Alex, querida. – Elphaba sorriu entrando no porão da casa. – Por que você é tão inútil? Conquistar Emma foi tão simples pra mim.
A morena ergueu os olhos avaliando a irmã, que usava um robe verde em um tom escuro sobre o corpo. – Ela está aqui? Você...? – disse com surpresa.
– Mas é claro. Ao contrario de você eu sei muito bem o que faço.
– Isso não... você está usando magia! – Os olhos azuis faiscaram com a descoberta. – Usou magia para traí-la pra você! – acusou.
Elphaba sorriu. – Não a amor verdadeiro que resista a uma boa poção da atração.
Alex a encarou com desprezo. – E você acha que isso é ganhar? Pensei que tinha dito que Emma ia te amar, mas ela está apenas enfeitiçada.
– Ah mas ela vai me amar, não tenho duvida alguma. – A bruxa tinha um sorriso doentio no rosto. – Mas por enquanto saber que ela é minha e não de Regina é o suficiente.
– Você é doente!
– Calada! – A ruiva deu um tapa na morena. – Sabe Alex, quando eu fizer o mesmo que fiz com você a Regina. Eu vou a trazer pra cá, talvez você possam ser amigas. Duas bruxas sem poderes.
– Acha que Emma vai deixar você machucá-la. Ela pode estar com você agora, mas ela ainda é uma pessoa boa.
– Emma não precisa saber de nada. Minha irmãzinha vai apenas desaparecer.
– Já pensou que Regina pode ser mais forte que você?
– Pode ate ser, mas ela tem uma fraqueza. Ela tem um coração, ela se importa e eu não.
***
– Tão linda e sempre tão triste. – Robin disse diante de Regina, que estava sentada em uma mesa no Grannys.
– Eu não sou uma boa companhia hoje.
– Tenho certeza que você sempre é uma boa companhia. – Sentou a mesa, ao lado da rainha. – Teve uma noite ruim?
– É, pode-se dizer que sim. Ontem foi... – Regina se endireitou na cadeira. – Eu não quero falar sobre isso. Tudo bem?
– Claro. Falamos sobre o que quiser. – Robin sorriu e Regina não conseguiu se impedir de sorrir de volta.
O arqueiro tomou gentilmente a mão da rainha com a sua. – Regina... – um sentimento conflitante passou por seu rosto. – eu sei que eu disse que você e Emma tinham sido feitas pra ficarem juntas, mas... eu não consigo parar de pensar em você... é como se tivéssemos algum tipo de ligação.
Regina o encarou, não esperava por aquilo agora, não tão cedo, não logo depois de terminar tudo com Emma. Ela abriu a boca para responder, mas foi interrompida pela entrada de Emma no café. O olhar da loira foi direto a ela, direto as mãos dos dois juntas sobre a mesa. – Robin, me dê um minuto... – Regina disse e sem aguardar um resposta foi em direção ao banheiro.
A rainha encarou seu rosto no espelho, o conflito evidente em suas feições. Emma estava certa, em algum ponto ela tinha considerado a ideia de seu final feliz com Robin e agora ali estava ele, dando a oportunidade a ela. Mas ainda assim nada parecia certo, seu coração ainda estava despedaçado.
O barulho da porta do banheiro se abrindo, despertou a rainha de seus pensamentos. – Emma... – disse com angustia, não queria confrontá-la novamente.
– Diga pra mim que você ama o Robin e eu vou embora, nunca mais procuro você, te deixo ser feliz em paz. – A loira disse em um tom serio e quase calmo.
– Eu... – Regina hesitou. Robin era um ideal de final feliz, tudo seria simples com ele, mas seu coração clamava pelo caos que eram seus sentimentos por Emma. – não, eu não o amo. Talvez poderia se... – a frase foi interrompida pelos lábios da loira contra os seus.
– Não, você não poderia amá-lo, porque você ama a mim, sempre vai amar, assim como eu amo você! Por favor, não deixe que nosso amor se perca... – A loira havia tomado o rosto da morena entre as mãos, as duas se encaravam cheias de emoção.
– Emma querida, não sabia que Regina e eu íamos dividir você. – A voz de Elphaba foi um balde de água fria. – Como isso vai funcionar? Você dormiu ontem comigo e hoje vai dormir com ela? – O sorriso sínico estampava seu rosto.
Regina se afastou de Emma incrédula, uma lagrima silenciosa correu seu rosto e ela saiu sem mais nenhuma palavra, estava fraca demais para questionar qualquer coisa.
– Regina, espere... – Emma fez menção de a seguir, mas a bruxa a deteve segurando seu braço. – Por que fez isso? Por que deixou que ela pensasse que eu tinha ido pra cama com você? – encarou a ruiva.
– Você teria ido se que quisesse, que diferença isso faz? Pensei que quisesse ficar comigo. – Os olhos azuis encararam os verdes diretamente.
A mente de Emma pareceu ficar nublada. – Eu quero... – ela disse obediente.
Elphaba sorriu e passou os dedos pelo rosto da loira, que tinha o olhar vazio. – Vamos pra casa meu bichinho.
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