You are my home
19 Capítulo 19
Notas iniciais
– Por que essa cara tão séria? – Emma disse descansando o rosto nas pernas de Regina que estava sentada na cama.
– Estou pensando em Elphaba.
A loira sorriu. – Ela deve estar escondidinha morrendo de medo de você agora. Você foi muito foda lutando com ela daquele jeito sabia? – Emma passou os braços em volta da cintura da rainha e a apertou.
A morena brincou distraidamente com os cachos dourados. – Eu queria ter certeza disso. Mas... ela não me parece do tipo que desiste. E se ela é minha irmã mesmo, bom... talvez ela seja determinada como eu. Não o tipo de determinação boa.
– Ela pode não ser sua irmã, pode ter falado isso só pra te perturbar.
– Eu acho... eu sinto, que ela não está mentindo.
– Seu pai nunca te contou nada?
– Eu não acho que ela seja filha do meu pai, ele não era o tipo que trai a esposa. – Regina falou reflexiva. – Mas minha mãe...
– Mas mesmo assim, seu pai deveria saber se a mulher dele ficou grávida.
– Talvez não. Eu não lembro bem... era pequena demais, mas lembro que uma época minha mãe ficou afastada, ela foi para nosso outro castelo pra cuidar de alguma doença. Então meu pai cuidou de mim sozinhos, acho que por isso sempre fomos mais próximos. Minha mãe era... diferente. Embora eu nunca tenha desconfiado de que ela não tinha um coração. Assim como Elphaba não tem um.
– Como você sabe que ela não tem?
– Bom... porque eu meio que tentei arrancá-lo quando ela me disse que beijou você.
Emma levantou tomada pela surpresa e ficou sentada na cama. – Você fez mesmo isso?
– Fiz. – Regina disse desviando o olhar. – Você deve achar que eu sou um monstro agora, não é?
Emma tomou o rosto da rainha em suas mãos e olhando diretamente em seus olhos disse. – Você não é um monstro, você é apenas humana como qualquer um de nós. Eu sei que você errou muitas vezes e que isso te atormente. Sei tambem que tem medo que um dia eu me dê conta do que você fez e vá embora. Mas eu não vou. Você é uma pessoa diferente agora, a Regina por quem me apaixonei foi a que esteve disposta a sacrificar a própria vida para salvar a todos, foi a que abriu mão do que mais amava para interromper uma maldição, foi a que veio correndo pra cá salva a todos sem se importar com os riscos. A Regina por quem eu me apaixonei é boa, mas também não é perfeita, ninguém é... – deslizou delicadamente o dedo pelo rosto de Regina, secando sua lágrima. – Eu te amo, sei exatamente por quem me apaixonei. Eu me apaixonei por uma rainha. – desenhou o contorno dos lábios da morena com o polegar e depois selou seus lábios aos dela em um beijo profundo, queimando de amor e desejo. – E também, aqui entre nós, eu não me importaria se você arrancasse o coração dela. – A loira sorriu e fez a morena sorrir também com o comentário.
– Eu amo como você consegue dizer as coisas mais lindas e me fazer ficar emocionada e no segundo seguinte me faz rir como uma boba, Swan.
– Você precisa mesmo de uns bons sorrisos, é sempre tão seria com tudo.
– Fico feliz que você seja o motivo de cada um dos meus sorrisos, minha menina.
Emma sorriu e plantou um beijo estalado no rosto da rainha. – Eu te amo.
– Eu também te amo.
– Se me ama mesmo acho bom levantar dessa cama pra gente ir comer, porque eu to morrendo de fome. – Emma disse ficando de pé.
– Ah eu também estou com fome. – Regina disse erguendo a sobrancelha e puxando a loira pela cintura, para que ela voltasse a cama.
– É mesmo? – Emma provocou, seus lábios próximos aos da morena. – Está com fome de que?
– De você! – Regina arrebatou os lábios da loira com os seus.
***
– Vejam só se não é meu casal favorito de volta. – Ruby disse animada, quando Emma e Regina sentaram ao balcão e pediram café.
– Ruby, pare de fangirliar a gente. – Emma sorriu.
– Falando em casais, como estão as cosas com a Lacey? – Regina questionou a loba.
– Hum... bom... nós... – Ruby se atrapalhou nas palavras.
– Você está ficando vermelha. – Emma sorriu. – Que gracinha. Vamos, diga que vocês ficaram juntas, porque eu estou shipando muito isso.
– Emma! – Regina deu uma cotovelada na loira. – Se não quiser nos contar não precisa, querida.
– Contar o que? – Snow disse se juntando as amigas.
– Que a Ruby ta pegando a Lacey! – Emma disse animada.
– Emma! – Snow deu um olhar de reprovação pra loira.
Emma franziu a testa e resmungou. – Não posso dizer nada. – o que fez todas sorrirem.
– Tudo bem... – Ruby começou. – Nós meio que estamos namorando...
– Eu disse! Nosso ship é Canon! — A loira ergueu a mão pra loba em um high Five.
– Quantos anos sua namorada tem mesmo? – Snow disse a Regina sorrindo.
– As vezes acho que uns 5, pelo nível de maturidade.
– Ei! – Emma reclamou.
Snow e Regina se encararam e sorriram. – Acho que devíamos comemorar! – Propôs a rainha.
– Noite das meninas! – Anunciou Ruby.
***
– Acho que perdemos Ruby e Lacey. – Emma anunciou, sentando a mesa do bar, onde Mary e Regina estavam. – Elas sumiram.
– Você quer dizer fugiram, não é? – Regina sorriu. – Ate que elas ficaram um bom tempo, considerando que começaram a namorar agora.
– Devem querer passar o dia inteiro no quarto. – Emma completou. – Igual a nós quando começamos a namorar. Ah espera, mas a gente ainda é assim. Lembra quando a gente... ?– Emma se interrompeu se dando conta da presença de Snow.
Snow sorriu. – O que? Ate parece que eu não sei o que vocês fazem.
Emma abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas nada veio a sua mente.
– É, essa conversa vai ser uma memória interessante no futuro. – Regina sorriu. – Mandou bem, Swan.
– Acho que essa conversa é só a Emma tentando me dispensar. – Snow brincou.
– Não, eu não... – Emma se apressou a dizer, mas foi interrompida por David que se aproximou da mesa delas.
– Posso conversar com você? – Ele se dirigiu a Snow, que dirigiu seu olhar a Regina e Emma pedindo por ajuda.
– Claro que pode. – Regina disse já ficando de pé. – Nós já estávamos indo mesmo. Não é Emma? – A rainha mandou um olhar inquisitório a loira.
– Ah... é, estávamos. – Disse também ficando de pé. – Nós vemos depois, Mary.
– Você acha que eles vão se acertar? – Emma perguntou assim que se afastaram.
– Talvez. A maldição ainda está valendo, mas parte dela foi quebrada quando chegamos aqui. Assim como parte da minha foi quebrada quando você chegou. As pessoas não devem mais obediência cega a Elphaba, podem se opor a ela e também a esse destino miserável ao qual ela os condenou.
– Espero que ele não a machuque, de novo.
– Eles vão ficar bem, Emma. Se tem uma coisa que sei sobre os seus pais é que eles sempre encontram um jeito de ficarem juntos.
***
– Eu não acredito. – Emma disse franzindo a testa. – O que ele está fazendo aqui?
Regina avaliou Robin, ele estava parado do outro lado da rua, em frente a pensão. Com toda a certeza esperava por ela. A rainha se repreendeu mentalmente, pois depois de tudo que aconteceu não tinha lembrado de ao menos ligar para ele como tinha prometido. – Emma, fique calma, ok? Você vai entrar e eu vou falar com ele.
– O que? Nem pensar! Não vou te deixar sozinha com ele.
– Emma, por favor, eu preciso conversar com ele.
– Ele não quer conversar, você sabe muito bem disso.
– Mas eu só quero conversar. Você não confia em mim?
– Eu... confio, mas...
– Mas nada. Eu vou ficar aqui e dizer a ele que sinto muito, mas você é minha escolha.
– Você sente muito?
– Bom, sim... quer dizer... sinto por ele, espero que ele possa ser feliz de algum jeito.
– Você o ama?
– Emma...
– Só responda, ok?
– Eu amo você.
– Mas ama ele também não é? De algum modo você o ama.
– Isso não importa. Eu escolhi você. E isso é pra sempre. –Regina alcançou a mão de Emma e a beijou. – Agora me deixe fazer o que eu preciso fazer, amor.
Emma assentiu em concordância. A morena andou em direção a Robin e a loira entrou na pensão, não antes de dar um ultimo olhar de advertência ao homem.
– Robin, me desculpe...
– Sempre que nos vemos está me pedindo desculpa por alguma coisa. – O arqueiro tinha um sorriso triste no rosto.
– É que... eu sinto como se estivesse em falta com você.
– Foi por isso que aceitou sair comigo?
– Não, eu quis sair com você.
– Regina... – Os tristes olhos azuis encontraram os da rainha. – eu não sei como aconteceu, não sei se isso faz diferença pra você agora, mas... eu... estou apaixonado por você. Sei que minhas chances não são boas, mas ainda assim eu precisava te dizer.
– Robin...
– Eu te amo. Eu te faria feliz, sei que sim. Eu nunca te magoaria como ela fez.
– Eu sei que não... mas eu amo a Emma. Sinto muito.
– Você não sente nada por mim? – A pergunta pegou a rainha de surpresa.
– Eu... – Regina desviou o olhar, sabia que amava Robin.
– Eu sabia que também sentia. – O home se aproximou e a tomou em seus braços, sem dar tempo para que ela reagisse plantou um beijo em seus lábios.
– Não, não, não... – Regina o afastou.
– Por que lutar contra o que está sentindo?
– Eu não estou lutando contra o que estou sentindo, só estou decidindo o que me permitir sentir. E eu amo a Emma, eu a escolhi... eu posso ter sentimentos por você, mas com ela é diferente, ela me faz uma pessoa melhor, me ensinou como amar... meu coração pertence a ela, somente a ela...
– Eu... entendo... – Robin se afastou. – Mas você entende que eu tinha que tentar não é?
– Sim... sinto muito.
– Eu também sinto. Felizmente eu te amo o suficiente pra querer que você seja feliz, mesmo que não seja comigo.
Regina ficou parada diante a pensão ate Robin desaparecer de sua visão. Sua escolha tinha sido feita. Emma era seu final feliz, não tinha duvida alguma quanto a isso.
– Irmãzinha, ninguém te avisou que não é bom ficar sozinha na rua no meio da noite. Vai que alguma bruxa aparece.
Regina se virou para encarar Elphaba, mas ela nem chegou a ver a bruxa, sua visão escureceu, ate que ela perdeu os sentidos.
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