You and I

5 Capítulo 5


Jonas pegou o telefone da mão de Verônica e leu a mensagem. Em seguida, fitou a mulher. – Verônica, calma, eu posso te explicar...

– Então isso é verdade – concluiu a jornalista, chocada. – então vocês estiveram mesmo juntos.

– Não... quer dizer... mais ou menos – respondeu ele, pegando-a pela mão, e conduzindo-a até a beirada da cama. – eu vou te contar tudo que aconteceu, mas calma...

– Jonas, eu estou calma – respondeu Verônica, encarando-o.

"O assunto devia ser mesmo delicado, pensou ela".

– Lembra daquela noite que eu passei fora de casa? – começou ele.

– A noite que você me garantiu que tinha passado ajudando o seu amigo guru? Lembro. Lembro muito bem de vocês dois aqui no dia seguinte falando aquela história ridícula.

– Veronica – continuou ele. – o que aconteceu naquela noite foi que eu passei mal na Marra... o Brian não tem nada a ver com essa história.

– Como assim?

– Verônica, na verdade, naquela noite, a Pamela me levou pra casa dela, e...

– Como assim, Jonas? Como assim a Pamela te levou pra casa dela? Agora você tá me deixando confusa.

– Verônica, presta atenção: a Pamela armou pra mim. Foi tudo armação. Eu já tava desconfiado, mas ontem eu tive certeza. Eu descobri que a Pamela me dopou na Marra... a Pamela me dopou com uma substância do tipo ‘boa noite, cinderela’. Ela armou pra mim, armou pra gente. Provavelmente queria me seduzir e fazer com que você acreditasse que nós passamos a noite juntos...

– Jonas, você e a Pamela dormiram juntos? Me responda sim ou não.

– Verônica, escuta, eu não sei – continuou ele, enquanto ela se levatava. – eu não me lembro. Eu não me lembro de quase nada.

– Você não se lembra? Como assim não se lembra?

– Verônica, eu tava mal. Mal conseguia ficar em pé... como é que vou lembrar de tudo que aconteceu? Eu só lembro de ter chegado na mansão e de ter apagado logo depois... quando me dei conta, já era manhã do outro dia.

– Jonas, e por que você não me contou essa história toda antes? Por que deixou chegar a esse ponto?

– Eu não te contei nada antes porque fiquei com medo – respondeu ele, levantando-se também. – fiquei com medo de você não acreditar em mim, de achar que era conversa fiada, da gente brigar feio... sei que errei... me desculpa.

– Jonas, então quer dizer que a Pamela te dopou, te levou pra casa, te seduziu...eu tô confusa...

– Verônica, eu tava mal. Você acha mesmo que eu teria condições de levar a Pamela pra cama?

– Eu não sei... eu não vi... eu não estava lá... mas e aquela história toda de regressão, de amigo precisando de ajuda... ? era tudo mentira? Mais uma de suas mentiras? É isso mesmo?

– Você nunca iria acreditar, Verônica, se eu te dissesse a verdade. Eu tenho certeza que se eu chegasse naquele dia, e te contasse tudo o que aconteceu você não acreditaria em mim.

– Não interessa! – falou ela, irritada. – isso não vem ao caso. De qualquer forma, você mentiu pra mim. Outra vez mentiu pra mim. Jonas, você chegou a trazer o seu guru aqui pra dizer que passou a noite toda ao lado dele! Pra que aquela encenação toda? Me diz.

– Verônica, escuta... eu menti, mas eu fiz isso tudo por medo. Medo de você não acreditar em mim, medo de ter perder. Sei que fui um idiota, mas o meu medo de te perder foi mais forte do que qualquer coisa. Eu só conseguia pensar nisso. E eu não posso te perder – falou ele, pegando no braço dela.

– E quem me garante que isso que você tá me dizendo agora é verdade? — indagou ela, se afastando dele. — Hein? Como posso acreditar em você depois de toda essa história? E mesmo que essa história seja verdade, que a Pamela realmente tenha te dopado, você não devia ter escondido isso de mim. Você não tinha esse direito.

– Verônica – falou ele, se aproximando outra vez dela. – me perdoa... eu sei que não tenho o direito de te pedir mais nada, mas é só isso que eu te peço...

– Jonas, eu preciso de um tempo, ok?...

– Pensa num homem desesperado...

– Me dá um tempo... – pediu ela, num sussurro, antes de sair do quarto e deixá-lo só.

– Verônica...

Jonas ficou cabisbaixo. Não sabia mais o que dizer.

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Jonas chegou na mansão dos Parker e encontrou Dorothy no caminho.

– Djonas, você por aqui?

– Cadê a Pamela, Dorothy? Preciso falar com ela.

– Lá no quarto – respondeu ela, antes do empresário sumir da sua vista. – Oh, God! O que será que tá acontecendo?

Após ouvir batidas na porta, Pamela perguntou:

– Quem é?

– Sou eu, Pamela – respondeu Jonas, entrando.

– Djonas? – indagou ela, surpresa. – o que faz aqui?

– Pamela, eu quero saber o que deu em você pra armar aquela cachorrada pra mim. Hã? Por que jogar tão sujo? Eu não tô te reconhecendo mais, sabia?

– Do que você está falando, baby?

– Eu já sei de tudo, Pam – falou ele, fitando-a. – sei que foi você que me dopou lá na Marra, e ainda por cima usou a Manu. Aonde você quer chegar com isso? Quer acabar com a minha vida? É isso?

– Djonas, você não sabe do que está falando...

– Vou te pedir uma coisa – falou ele, sério. – e dessa vez é pra valer: fique longe de mim, ok? Me esquece. Me erra. Você já foi longe de mais, Pamela. Cansei.

O empresário saiu e a ex-mulher foi atrás. – Djonas! Eu posso explicar, please! – gritou Pamela. Dorothy assistia à cena, chocada. – Djonas! – gritou Pamela, chorando, no chão. – Djonas...

– Oh, Darling – falou a amiga, sensibilizada. – eu te avisei, hã.

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Verônica arrumava algumas malas, quando Jonas entrou no quarto. Ela estava de costas e ele se aproximou devagar. – Que isso? Tava indo embora sem falar comigo? – quis saber ele.

– Não – respondeu ela, voltando-se pra ele – na verdade, eu estou indo embora, logo depois de falar com você.

Jonas, por alguns segundos, ficou sem saber o que dizer.

– Verônica – falou ele, procurando as palavras certas. – eu sei que menti pra você e sei que isso foi imperdoável... mas vamos conversar... não faz isso comigo.

– Eu não estou indo de vez, Jonas – falou ela, dando-lhe as costas outra vez. – não ainda... na verdade, eu estou indo passar uns dias na casa da minha tia... preciso de um tempo pra pensar... avaliar tudo o que aconteceu... a nossa vida...

Ele respirou um pouco mais aliviado.

– Está certo... e vai ficar quanto tempo fora?

– Eu não sei... uns dias, talvez.

– E a gente? – quis saber ele, chegando mais perto. – como é que a gente fica?

– Depois a gente conversa, tá bom? Quando eu voltar de viagem.

– E os meninos?

– Vão comigo, claro.

– Eu posso levar vocês...

– Não, Jonas... melhor não. É melhor eu ir sozinha. Fique aqui e depois a gente conversa.

Eles ficaram em silêncio, até que Pedrinho apareceu, com um pirulito na mão.

– E aí, garotão! – falou Jonas, pegando o filho no colo.

– Leva a gente de novo na piscina da vovó? – pediu o menino.

– Na piscina da vovó? – perguntou Jonas. – mas por que na piscina da vovó? Aqui em casa não tem piscina?

– Tem – respondeu o pequeno. – mas a da vovó é mais legal também... tem peixe...

– Tem peixe na piscina da vovó? – perguntou o pai. – é mesmo? Quem falou?

– Eu vi... – respondeu Pedrinho, tirando o pirulito da boca. – o tio Silvio que colocou...

– Ah, é? – falou Jonas. – o tio Silvio? Mas, sabe, a gente pode colocar peixe na nossa piscina também, sabia? Vamos lá na piscina dar uma olhada...

E Jonas desceu com o filho...

Verônica deixou a mala de lado, por um momento, e sentou-se na cama. Por que tudo aquilo tinha que acontecer? Estava num momento tão feliz de sua vida. As lágrimas começaram a descer dos olhos e ela tentou contê-las, em vão. Como podia amar tanto aquele homem? Pelo visto, Jonas, mais uma vez, a decepcionava. Achou que depois de todos esses anos e de tudo que aconteceu, ele, finalmente, seria uma nova pessoa, mas pelo jeito, ela errara outra vez. Não sabia mais o que pensar dele. Não sabia mais se podia confiar nele.

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Já em Petrópolis, as duas amigas conversavam numa mesa de um restaurante ao ar livre...

– Verônica, então você e o Jonas brigaram sério? – indagou Edna.

– É, Edna, e eu, sinceramente, não sei se tem mais volta. Não sei se vou confiar mais nele.

– Mas, meu Deus do céu, vocês estavam tão bem, Verônica! Por que isso agora?

– Eu não confio mais nele, Edna. Não sei mais o que pensar... tô sem chão.

– Oh, amiga – falou Edna, dando-lhe um abraço. – mas e se isso tudo foi mesmo uma grande armação da Pamela pra separar vocês dois? Você vai dar esse gostinho a ela?

– Edna, o problema não é nem a Pamela, nem o que supostamente aconteceu entre eles... o problema é a confiança que eu, mais uma vez, perdi no Jonas. Entende?

– Entendo. Tudo bem, eu sei que o Jonas errou feio ao não te contar a verdade, mas pensa no lado dele também, poxa. Como ia explicar uma coisa dessa?

– Edna, o Jonas não confiou em mim. Se ele tivesse contado, eu poderia ter entendido. Mas ele simplesmente mentiu, me enganou... como sempre... sempre preferindo seguir o caminho mais fácil pra ele... e agora, sinceramente, eu não sei o que fazer. Não sei se eu quero mais isso pra minha vida, sabe?

– Ok. Você que sabe o melhor pra você, Verônica, e eu não vou mais me meter. Só vou te dizer uma coisa: pensa direitinho. Sabe por quê? Porque agora não são só vocês dois. São vocês quatro... opa... telefone tocando... – a blogueira olhou o visor. – é a Debora, vou ter que atender... – falou, levantando-se.

– Ok – concordou a jornalista.

Enquanto a amiga se afastou, Verônica tentou parar de pensar nos seus problemas, quando de repente, alguém se aproximou.

– Verônica Monteiro? Até aqui em Petrópolis a gente se esbarra!

– Herval?

– Eu não acredito – falou ele, sorridente.

– Oi, Herval, tudo bem? – cumprimentou a jornalista.

– Melhor agora, vendo você... será que eu posso sentar?

– Claro – respondeu ela, não tão certa daquilo.

– Bom, eu vim resolver uns assuntos particulares... e você? Está a passeio?

– É, eu vim visitar uma tia... e claro, tô aproveitando pra passear, né? Essa cidade é tão bonita.

– Bom, eu espero não estar atrapalhando – falou ele, ameaçando levantar-se. – é melhor eu ir antes que o Jonas...

– Não, Herval, tudo bem – respondeu ela – O Jonas não veio... muito trabalho na Marra.

– Imagino – respondeu ele, sentando-se, mais calmo.

– Herval Domingues? – falou Edna, voltando pra mesa – não acredito!

– Edna Bentes! Como vai? – cumprimentou ele, beijando-a no rosto – Tá passeando também?

– Ah, com certeza – respondeu a blogueira – e por falar nisso, amanhã vou dar um almoço pra comemorar o meu aniversário. Vê se aparece!

– Festa? Almoço? Claro que apareço – brincou ele.

– Vai ser aqui pertinho mesmo, na casa da tia da Verônica, onde estamos hospedadas, né, Verônica?

– Pois é – respondeu a jornalista. – duas ruas acima. Casa grande amarela.

– Ok – concordou o dono da Plugar – eu dou uma passada lá, sim, vai ser bom encontrar vocês... bom, vocês me dão licença agora... tenho que resolver um assunto... até amanhã então. E obrigado pelo convite.

– Até amanhã! – responderam as duas amigas.

– O que ele está fazendo aqui? — confidenciou a blogueira com a amiga.

– Não sei, Edna, disse que veio resolver assuntos particulares.

– Assuntos particulares. Sei.

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Os dias se passaram e Jonas tentou controlar a saudade que estava sentindo de Verônica e dos filhos. Já havia conversado com os pequenos pelo telefone, mas isso só aumentava mais ainda a falta que sentia deles. E muita falta de Verônica. Da sua voz, do seu sorriso, seu cheiro, sua maneira de falar, seu cafuné...

Na Marra, Jonas não conseguiu se concentrar – Murphy, tem mais algum assunto importante pra eu resolver hoje?

– Não, Boss – respondeu o assessor. – hoje tá tudo tranquilo. Tudo sob o controle. Se o senhor quiser, pode até sair mais cedo ou mesmo tirar uma folguinha.

– Pois é isso mesmo que eu vou fazer, Murph — suspirou o magnata. — você acaba de me dar uma grande ideia.

– Eu, boss? – sorriu o assessor, orgulhoso.

– Sim, você – respondeu o empresário, vestindo a jaqueta. – Murphy, me deseje boa sorte – falou Jonas, antes de sair.

– Boa sorte, mr. Marra!

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O almoço de Edna na casa da tia de Verônica rolava agradável no quintal. O dia estava lindo em Petrópolis. Os gêmeos brincavam e corriam pela casa com outras crianças. Poucas pessoas estavam presentes, entre elas, Barata e Herval.

– Nossa – falou Herval, sentado na mesma mesa de Verônica. – é assim mesmo? Você é sempre tão linda? Em festas, em casa, fazendo entrevista, comendo?

– Imagina – respondeu a jornalista, beliscando um salgado – assim você me deixa sem graça... mas me fale agora de você, Herval... você nunca foi casado? É sério?

– Já sim, mas nos divorciamos. E não tivemos filhos... e você ainda tá me devendo um almoço, sabia?

– Paiiii! – gritaram os gêmeos, de repente, fazendo com que Verônica virasse para o lado e avistasse Jonas, já com os filhos no colo – Jonas? – falou ela, surpresa, como pra si mesma.

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