You and I
1 Capítulo 1
O marraphone de Jonas tocou alto, acordando ele e Verônica, às cinco da manhã.
– Nossa, que isso, hein...? – murmurou ela, sonolenta, enquanto ele procurava desesperadamente pelo aparelho. – Achou?
– Tô procurando – respondeu ele, na busca pelo objeto barulhento. – Achei – anunciou ele e olhou o visor. – É a Pamela. Oi, Pamela.
– Djonas, desculpe ligar a essa hora, mas é que o Brian tá passando por mais uma daquelas regressões e não sabemos mais o que fazer. Eu e a Dorothy estamos enlouquecendo com isso.
– Pamela, são cinco horas da manhã. Eu não sei se você percebeu, mas ainda tá escuro.
– Please, Djonas! Não esqueça que ele é seu amigo e sempre esteve a seu lado nos momentos mais difíceis! É assim que você trata um amigo?
– Pamela, escuta. Você tá nervosa. Assim que eu puder, eu dou uma passada aí, ok?
– Djonas, please! Dorothy tá desesperada! Venha agora nos ajudar! Por favor! Por Brian. Por mim.
Jonas suspirou, antes de concordar.
– Tá certo. Eu vou. Eu chego aí em meia hora, ok? Bye
– O que aconteceu? – quis saber Verônica, preocupada.
– Brian teve mais uma de suas regressões.
– E você vai sair de casa uma hora dessa por causa disso? Jonas, eu não tô acreditando.
– Eu tenho que ir, Verônica, ele pode estar precisando.
– Peraí, deixa eu ver se entendi: você tá me dizendo que o seu ex-guru, um cara de mais de trinta anos, teve mais uma daquelas birutices dele, e você vai sair agora, às cinco da manhã, para acudir? É isso?
– Verônica, pode ser importante. Daqui a pouco tô de volta. Aproveita e volta a dormir — falou ele, dando um selinho nela.
– São cinco da manhã, Jonas! Que absurdo! Eles não podem esperar algumas horas? Parece até que alguém sofreu algum acidente!
– Amor, o que você quer? Brigar agora? Eu vou lá rápido e já volto. Pronto. Pra que se estressar? Se eu não for agora, eles vão ficar enchendo o saco, me ligando o tempo todo. O que você prefere?
– Ah, vai, Jonas, vai e faça bom proveito desse momento familiar de vocês – falou ela, irritada, voltando a deitar-se.
– O nome disso é ciúme, sabia? – brincou ele, antes de sair.
**************
Em casa, Verônica brincava com os filhos e os ajudavam a montar um castelo com blocos de encaixe, quando Jonas chegou.
– Paiii! – gritaram os pequenos, ao mesmo tempo.
– Chegueiii. E aí, o que estão fazendo?
– Castelo! – declarou Pedrinho, empolgado.
– Caraca! Um castelo? É sério? Muito bom!
Jonas sentou-se com a família no carpete felpudo e deu um “cheiro” em Verônica. – Tudo bem?
– Tudo... como foi lá a tal da regressão?
– Tudo certo. Ele já voltou ao normal.
– E era mesmo grave?
– O de sempre. É uma coisa estranha de se entender. Nem tente. Você ficaria entediada.
– Ah, quer saber mesmo o que eu penso disso? É tudo um circo. Uma grande palhaçada de vocês todos. Você me desculpe, mas é isso que eu penso – respondeu ela, levantando-se.
Ele pensou em ir atrás dela, mas...
– Pai, brinca com a gente? – pediu o menino.
– Ah, brinco. Cadê? Vamos lá. O que a gente tem que montar?
– Um castelo! – respondeu Heloísa.
– Outro castelo? Só tem castelo aqui? Cadê as peças?
No quarto, Jonas encontrou Verônica se penteando. Chegando por trás, ele a agarrou. – Vamos pra cama agora – falou ele, com ar autoritário.
– Para, eu não quero brincadeira agora... – reclamou ela, se esquivando.
– Ainda tá chateada comigo? Fica não – falou ele, beijando-lhe o cangote.
– Não, para... agora não...
– Quem disse que eu tô brincando? – falou ele, cheio de tesão, segurando ela com força. – Eu te quero agora – continuou ele, com voz rouca, beijando-lhe a orelha, acariciando-lhe o corpo. Até que ele a suspendeu e a levou para a cama.
– Os meninos...
– Estão quietinhos na sala...
– Safado...
– Safado que você ama...
– Gostoso...
Ele a beijou com vontade e ela correspondeu. Um beijo longo, apaixonado, sensual, de tirar o fôlego. Eles trocaram carícias. Ela o agarrou pelo pescoço e depois acarinhou os negros e fartos cabelos dele. Ele apalpou-lhe os seios, as nádegas, as coxas. Em seguida fizeram amor.
À noite, enquanto Verônica auxiliava os gêmeos no jantar, Jonas ouviu uma mensagem chegar no marraphone dela. Curioso, ele leu. Dizia: “Oi. Te espero amanhã na Plugar, como combinamos. Bons sonhos. Herval”. Mais tarde, o empresário foi pôr os filhos para dormir, e leu uma história para eles, como de costume. – Os três porquinhos? — perguntou ele para os filhos.
– Não, Chapeuzinho! – pediu Loló. O irmão concordou.
– Então tá, Chapeuzinho... era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho amarelo...
– Não, pai. Chapeuzinho Vermelho – corrigiu a menina.
– E o que eu falei?
– Chapeuzinho amarelo — respondeu o menino.
– E como é?
– Chapeuzinho Vermelho – responderam os gêmeos, ao mesmo tempo.
– Ahh, tá! Tá certo! Vocês têm razão! Eu é que tô confundindo tudo... nossa, como eu sou bobinho... Então vamos lá. Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho vermelho...
Jonas estava na quinta frase da história quando os filhos pegaram no sono. Nessa mesma hora, Verônica entrou no quarto das crianças para dar um beijo de boa noite.
– Dormiram?
– Sim, na mesma hora. Até isso fazem juntos – comentou ele, rindo.
– Deixa eu dar um beijinho de boa noite neles...
Em seguida, o casal foi para o seu próprio quarto. – Ai, tô exausta – suspirou a jornalista. – Trabalho, casa, filhos, marido... tudo pra dar conta... eu não sei se consigo...
– Como assim? Cê tem que conseguir, tem que dar conta da gente. Ou então sai da trabalho.
– Como é que é? Eu não conhecia esse lado machista do Jonas Marra não. Que história é essa de "sai do trabalho"?
– Tô brincando. Mas cê sabe que não precisa trabalhar tanto, principalmente com duas crianças pequenas.
– Eu sei, mas eu gosto – admitiu ela, beijando ele.
– Por falar em trabalho, quem é Herval, hein?
– Herval? Ah, é um cara que tô entrevistando há alguns dias. Herval Domingues. Ele tem uma ONG muito interessante. Por quê?
– Nada, é que eu vi uma mensagem dele agora a pouco e fiquei curioso.
– Você leu minha mensagem? Ah, que coisa feia, Jonas Marra.
– É impressão minha ou ele tá cheio de intimidades com você, hein?
– Ah, para. Quer deixar de ser bobo?
– Ninguém fica cheio de intimidades com a minha mulher não. Vou logo avisando. Tá pensando o quê? Amanhã vou te levar no trabalho.
– Sério? Tô gostando desse negócio de ciúme, hein – brincou ela, enquanto ele a agarrava. – Para, amor, tenho que dormir...
– Vamos namorar um pouco – pediu ele, com aquele olhar de cachorro pidão.
– Jonas...
– Só um pouco...
Sem resistir, ela o beijou e eles terminaram a noite fazendo amor.
********
Na Marra, enquanto Jonas falava ao telefone com um patrocinador, Pamela surgiu em sua sala. – Meu ex hubbie tá tão charmoso hoje – falou ela, assim que ele terminou a ligação. – por que será?
– Oi, Pam. O que foi? Aconteceu alguma coisa?
– E precisa acontecer anything para eu fazer uma visitinha ao meu Marra man? – falou ela, sentando-se na mesa dele, bem à vontade, deixando as pernas à mostra. – O que foi, Djonas Marra? Verônica é tão ciumenta quanto eu era no passado?
Jonas tentou desviar os olhos das pernas da ex mulher.
– Pamela, nós dois sabemos que você é uma mulher lindíssima, além de sexy, mas agora não é hora de você me seduzir, não, ok? Por favor, eu tô cheio de trabalho, com uma porção de coisa pra resolver... se você não se importa...
– Ok. Eu só queria fazer uma brincadeirinha, Djonas. Mas pelo jeito, você também perdeu o senso de humor – falou ela, irritada, antes de sair.
– Mom? O que foi? Está chorando? – perguntou Megan, ao encontrar a mãe no hall da empresa. – Fala comigo.
– Seu dad, Megan. Como me trata mal, mesmo depois de tantos anos juntos.
– Oh, mom, esquece o dad. Ele tá agora com a Verônica. Eles têm uma família juntos. Ele refez a vida dele. Refaça a sua também.
– Eu tento, mas não consigo... Djonas marcou muito a minha vida...
– Oh, mom, vem comigo.
Manu viu de longe a cena entre mãe e filha e abriu um sorriso. Ela aproveitou a distração de Megan e foi procurar Davi.
– Davi.
– Manu? Oi.
– Cadê a sua patricinha fútil, hein, grande Golias?
– Bom, Manu, me desculpe, a Megan pode até ser patricinha, isso é um fato, mas um fato que nem mesmo ela pôde escolher. Ela simplesmente nasceu rica e não tem culpa disso. Mas fútil ela não é não. De qualquer forma, eu não vou nem perder meu tempo tentando te convencer disso porque o seu desafeto não vai te deixar entender. Agora se você não se importa, eu preciso trabalhar.
– Você ainda vai se decepcionar com essa gringa, Davi. Depois não diga que eu não te avisei.
Depois...
Manu estava sozinha quando Pamela se aproximou.
– Manuela, girl, preciso de um little favor seu!
– Claro, Pamela. O que foi?
– Preciso que você coloque isso na bebida de Djonas e peça ao Murphy para levar, right?
– O que é isso?
– Algo poderoso, que fará com que o meu Marra man fique caidinho por mim outra vez.
– Mas, Pamela, e se descobrirem? Será que não é arriscado?
– Deixa de ser boba, girl! Ninguém vai saber. É só você fazer exatamente o que falei.
– Está bem. Eu faço.
– Good girl. Saiba que será recompensada por isso.
No final da noite, quando praticamente todos os funcionários já tinham ido embora, Pamela entrou na sala de Jonas e encontrou o ex-marido grogue. – Djonas? Consegue andar? Vem comigo, honey.
Cambaleando, Jonas saiu na companhia da ex mulher, que o levou até o carro dela. Em seguida, eles partiram para a mansão deles. Megan tinha ido dormir com Davi e Dorothy tinha ido viajar com Cidão. – A casa é nossa, baby. Estamos livres para nos amar.
No quarto, sem muita noção das coisas, Jonas contou com a ajuda da ex mulher para se despir. Ela o beijou e depois ele não lembrou de mais nada. Quando acordou, ele se viu na cama, ao lado de Pamela. Também sentia uma forte dor de cabeça.
– Hi, honey – falou Pamela, sorridente. – Are you ok? Trouxe umas coisinhas gostosas, do jeitinho que você gosta.
– Pamela? – falou ele, confuso, olhando em volta. – O que... o que aconteceu?
– What? Como assim o que aconteceu? Você não se lembra? Não se lembra que tivemos uma noite maravilhosa? Oh, Djonas!
– Do que... cê tá falando?
– Yes, Djonas, nós fizemos amor! A noite inteira, como nos velhos tempos, Marra man!
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