You Make It Real
48 For love is worth everything
Notas iniciais
Eu estava nervosa, aflita e cheia de medos. A mulher que eu amava e minha filha que ainda nem tinha nascido estavam nas mãos de um homem desesperado e que essa altura seria capaz de qualquer coisa, fosse para me atingir ou para se vingar de Emma. Eu precisava me manter sã e calma naquele momento mesmo parecendo ser impossível.
— Se você tocar num fio de cabelo da minha mulher eu acabo com você seu maldito. – Eu respondi a Neal que gargalhava do outro lado da linha.
— Olha só... parece que namoradinha refinada também sabe perder a linha não é mesmo? Você não está em posição para exigir nada aqui sua almofadinha arrogante. Eu dou as cartas aqui não você e se não fizer exatamente o eu dizer, nunca mais verá a Emma e o bebezinho que tanto estima. E a melhor parte: terá que dizer isso ao Henry depois e ele vai te culpar a vida toda por matar a mãe e o irmãozinho dele. — Cassidy cuspia as palavras como se estivesse apreciando dizer cada uma delas e no fundo eu sabia que ele estava.
— Diga logo o que você quer Cassidy. – Respondi dando um longo suspiro.
— Agora sim está começando a entender quem manda Mills. Primeiro nada de polícia, se eu sentir que algum tira está na minha cola eu mato a Swan sem pensar.
— Ela esta grávida seu infeliz. É sua filha que ela espera, como pode ser tão cruel assim? – Eu gritei me levantando do sofá.
— Então é uma menininha? Fico feliz em saber disso. Eu e Emma sempre quisemos uma menina sabe. E bebês meninas dão uma boa grana Mills.
— Você não vai tocar nessa criança Neal. Você nunca vai ficar com ela e muito menos com a Emma.
— Você se acha a dona do mundo com seu dinheiro. Essa criança é minha e eu tenho todo direito sobre ela enquanto você é só uma sapatão que acha que pode ser um homem. Então escuta bem o que vou te dizer. Eu quero cem mil dólares em dinheiro vivo e um carro com tanque cheio prontos até amanhã à noite ou eu sumo com Emma e você nunca mais vera nenhuma das duas. Está me ouvindo. — Ouvir aquelas palavras me deu um medo descomunal eu perderia tudo, meu amor, minha filha e minha família.
Eu não podia deixar isso acontecer e não deixaria, estava disposta a tudo para ter Emma e Isabel de volta.
— Eu não posso juntar essa quantia toda rápido assim Cassidy. – Esbravejei.
— Se vira Mills, eu não tenho nada com isso. Você tem até amanhã à noite, eu te ligo de novo para passar instruções.
E antes que pudesse dizer qualquer coisa ele desligou na minha cara. Cai sentada no sofá novamente frustrada deixando as lagrimas virem. Eu precisava pensar, eu tinha que ser rápida ou minha vida iria desmoronar novamente. E antes que pudesse voltar a pensar Ruby entrou pela porta com Henry nos braços. Meu filho parecia assustado e correu para mim.
— Mamãe. – Ele disse assim que chegou até mim. — Minha mãe Emma sumiu. Alguém levou ela embora mamãe eu sei que ela foi contra vontade dela.
— Filho fica calmo, tudo vai ficar bem, mamãe promete para você. Não importa o quanto custe, eu vou trazer sua mãe e irmã de volta para casa.
— Você promete? Promessa de dedinho? – Henry me questionou em seguida levantou a mãozinha indo de encontro a minha e buscando meu dedo mindinho. Repeti o gesto dele e agarrei seu dedo junto ao meu.
— Eu prometo. – Respondi e o abracei depois.
Ele derramou algumas lágrimas e fiquei com ele em meus braços tentando lhe consolar. Depois de alguns minutos meu garotinho acabou pegando no sono e levei para seu quarto onde ele estava seguro. Quando voltei à sala Ruby estava de pé nervosa e eu fui direta.
— Neal Cassidy está com Emma Ruby.
— Meu Deus! – Minha cunhada exclamou com uma cara horrorizada.
— Eu preciso que você fique com Henry e não saia do lado dele para nada. Ligue para escola e diga que ele está doente e que vai faltar uns dias eu não quero arriscar. E o mais importante, nenhuma palavra sobre isso a ninguém. Eu direi apenas à Zelena porque preciso dela.
— Regina e a policia? – Ruby me questionou.
— Sem polícia Ruby, ele foi especifico.
— E o que você vai fazer então?
— Eu vou trazer Emma de volta e dar um jeito em Neal Cassidy de uma vez por todas. – Respondi fria. Eu precisava ser fria não importava as circunstâncias.
— Regina o que realmente você planeja fazer?
— O que tiver que ser feito Ruby. – Falei sem me importar com que ela pensaria.
Vinte minutos depois estava no meu apartamento conversando com Zelena e contando a tudo que ocorrera até então.
— Eu lhe disse para contar a verdade para Emma, Regina. Você e sua teimosia de querer levar o mundo nas costas. – Minha irmã falava me dando mais um sermão.
— Zelena já chega, eu não preciso que jogue isso na minha cara mais uma vez. Eu preciso que consiga o dinheiro até fim do dia. E Cora não pode saber de nada.
— Eu vou tirar da minha reserva pessoal assim não passara nada pelo escritório.
— Eu não posso aceitar Zel.
— Considere um empréstimo Regina. É sobre minha cunhada e minha sobrinha que estamos falando.
Eu não queria aceitar, mas eu estava sem alternativas. Tirar uma quantia alta assim somente dos meus investimentos junto ao escritório Mills não era viável. E me renderia dores de cabeça que no momento eu queria evitar.
— Tudo bem. Eu aceito como empréstimo, mas eu vou te devolver assim que puder.
— Esta tudo bem maninha, apenas não faça nada perigoso. E o que tem em mente? – Minha irmã me perguntou curiosa.
— Meus primeiros anos de carreira como advogada defendendo bandidos e gente da pior espécie me ensinou muitas coisas Zelena. Além de ter me deixado com um contato aqui e outro ali. Muitos me devem favores que agora eu vou cobrar.
— Regina você sabe que esse é um caminho sem volta. Isso pode acabar com sua carreira de uma vez por todas.
— Não me importa, é da minha família que estamos falando Zelena. Ele ameaçou vender minha filha que ainda nem nasceu e matar Emma. Eu não posso perdê-las. Eu perdi Daniel e não vou perder Emma, não sem lutar até meu último suspiro. – Respondi deixando toda minha frustração e impotência, transparentes eu precisava deixar tudo ali.
Quando eu saísse daquele apartamento não poderia mais haver sentimentalismo ou emoções, eu precisava ser racional só assim ia conseguir salvar Emma. Minha irmã me deu um olhar de compreensão e me sentir aliviada. Zelena estava sendo minha força e apoio desde que tudo começou a ruir, a melhor irmã do mundo, clichê dizer isso, mas era a mais pura verdade.
(...)
Pegar meu antigo caderno com os contatos de bandidos e piores seres humanos dessa cidade me dava nostalgia de tempo que não pensava que voltaria a viver. Eu começava a entrar no mundo do crime novamente só dessa vez eu estaria do lado de lá e não do lado dos mocinhos.
O primeiro nome que busquei foi de Luke Forest, informante da polícia e dos traficantes grandes da cidade e para sociedade correta um investigador de casos pequenos. A verdade é que ele era um picareta que vendia informações a quem pagasse mais. E se tinha uma coisa que eu tinha certeza, se havia alguém em Nova York que continha as informações que eu precisava era ele. Depois de achar o endereço comercial dele fui até o local. Não havia nenhuma secretaria e entrei direto.
— Senhor Forest, preciso de uma informação. – Ele se virou para me encarar e me olhou como se já soubesse que iria procura-lo.
— Ora se não é a advogada mais bem cotada da cidade no meu humilde escritório. Que bons ventos a trazem aqui Regina Mills? – Luke me perguntou com seu jeito irônico.
— Vou direto ao ponto Luke. Preciso que me passe tudo o que sabe sobre Neal Cassidy.
— Não conheço ninguém com esse nome, Senhorita Mills.
Aquele homem só podia estar brincando com minha cara, mas eu sabia que aquilo era o começo de uma negociação.
— Dez mil dólares em dinheiro o faria se lembrar de algo rapidamente senhor Forest. – Respondi entrando no jogo dele e joguei o dinheiro sobre a mesa.
— Parece que veio preparada Mills, confesso que a subestimei.
— Apenas me diga o que eu quero saber Luke.
— Cassidy veio até mim ontem desesperado. Os homens que ele deve o acharam e ele queria uma arma. Não me julgue mal Mills, eram apenas negócios o que ele fez com a pistola não é da minha conta.
— Ele sequestrou a minha mulher seu infeliz. – Gritei em desespero.
— Se acalme Mills. Eu não sei o que meus clientes fazem com produtos que adquirem comigo.
— Me diga a quem Neal deve, eu quero nomes.
— Isso vai lhe custar mais cinco mil. – Joguei o restante da quantia na mesa e esperei ele me dizer.
— Walsh Hells. Esse nome do homem que Cassidy deve. – Por mais que eu soubesse que Neal tinha se envolvido com gente da pior espécie, Walsh era grande. Ele era o maior traficante da cidade e do tipo que nunca perdoava uma divida agora eu entendia o desespero do Neal.
— Preciso de um contato Luke.
— Aqui está. Considere como minha contribuição para salvar o bebê. Cassidy não merece ser pai. – Luke me disse jogando o cartão a mesa.
Naquele momento eu já sabia o que fazer e não precisava mais de Luke. Sai do seu escritório sem olhar para trás. Não havia tempo a perder, peguei meu celular e disquei os números sem medo algum. Chamou apenas uma vez e ouvi a voz calma do outro lado.
— Quem é você e como conseguiu esse número?— A voz que julgava ser Walsh disse do outro lado da linha.
— Como eu consegui o número não vem ao caso, mas o que posso lhe oferecer sim.
— Uma mulher ousada eu diria. Posso ao menos saber seu nome?
— Mills, Regina Mills.
— A magnata que defende os figurões da cidade. O que poderia ter para mim que seria do meu interesse Mills?
— Neal Cassidy em uma bandeja de prata. Isso te interessa senhor Walsh? – Perguntei de forma direta. Ouvi um logo suspiro do outro lado da linha. E bingo ele estava interessado agora.
— Comece a falar Mills, estou ouvindo.
Contei tudo ele sem esconder nada, eu precisava dele e de seus serviços para encontrar Emma, não havia tempo para ter vergonha de nada.
— Você é realmente ousada Mills, mas com família não se brinca, te darei todo meu suporte com uma condição.
— Walsh, eu não me importo com que fará com Neal, ele todo seu cobre sua divida como quiser. Tudo que eu quero é salvar minha família. – Me adiantei na resposta, pois sabia o que ele ia pedir. E não importava mais nada a não ser ter Emma de volta em segurança em meus braços.
— Muito bem, temos um acordo então. Assim que seu pessoal localiza-lo nos passe as coordenadas e assim que você entrar e salvar sua garota nós entramos.
— Fique com seu telefone por perto, pois eu te ligo em breve Walsh.
— Mills, se não fosse uma magnata seria um prazer tê-la como sócia.
Por um segundo aquele cara me fez sorrir. Era louco me imaginar trabalhando para um traficante de drogas, mas agora eu iria de alguma forma fazer isso e me parecia irônico. Mas era o velho ditado “os meios justificam o fim”.
— Em uma outra vida talvez. – Respondi a ele e desliguei em seguida.
Agora era hora de procurar uma outra pessoa. Voltar ao local que passei uma parte da minha adolescência rebelde era bom. Trazia-me um passado que muitos desconheciam sobre mim. Uma garota que aprontava todas e acabou sendo condenada pela justiça a passar um ano em um reformatório, mas Cora Mills conseguiu fazer com me mandassem ao colégio militar. Foi onde conheci Kane, ele me ensinou a ser alguém melhor, não só fisicamente, mas mentalmente.
— Eu sabia que esse dia chegaria pequena. – Kane disse assim que passei pela porta.
— Preciso de alguém que me faça treinar duro Kane e não me lembro de ninguém melhor que você. – Respondi indo até ele lhe abraçar.
— Quem diria que a garota que treinava arduamente artes marciais fosse se tornar uma executiva.
— Você me disse uma vez que havia mais de um modo de se lutar.
— E você aprendeu bem Regina Mills. Você decidiu lutar com lei e não com punhos. E pelo que sei andou fazendo muito bem por ai.
— Eu tive um bom mestre. Agora lute.
Uma hora de treino e todo meu desgaste emocional tinha se esvaído, uma longa conversa rápida com Kane me preparou para o que estava decida a fazer.
— Não há culpa pequena quando se trata da família.
As palavras dele foram o alento final. Meu telefone tocou e meu contato no FBI tinha conseguido rastrear o número de Neal, eu já sabia onde ele estava. Uma última ligação para Walsh passando as coordenadas e agora não tinha volta, meu destino e de Neal Cassidy tinham sido selados e hoje só um sairia vivo no final do dia.
(...)
Era final de tarde e estava no local onde Neal estava escondido com Emma, era um galpão abandonado perto do porto onde viciados costumavam ir para se drogar. Imaginar minha teimosa em local sujo como aquele estando grávida me deixa em pânico. Os homens de Walsh já estavam apostos, mas a primeira parte era comigo. Entrei sem fazer barulho algum e fui buscando por vestígios de Emma em cada local. Até que ouvi de longe uma conversa.
— O que você quer de mim Neal? – Era a voz de Emma.
— Eu quero a grana que sua namoradinha vai trazer. E se ela não trouxer vou arrancar esse bebê da sua barriga e vender por uma boa grana.— Era voz de Neal agora.
Ouvir aquelas palavras dele fez minha sanidade sumir, eu podia mata-lo sem pensar naquele momento. Ouvi mais alguns barulhos e parecia alguém correndo, era Emma tentando fugir. Cassidy veio logo atrás e a agrediu, dando um tapa forte em sua face, Emma caiu com lábio sangrando, não vi e nem pensei em mais nada, apenas avancei. Quando vi eu estava atrás daquele homem forçando uma barra de ferro em eu pescoço impedindo que ar passasse para seus pulmões.
— Me solta sua vadia. Eu vou acabar com você. – Neal cuspia as palavras com dificuldade.
— Não se eu acabar com você primeiro seu verme.
Ele conseguiu sair de onde eu o prendia e tentou sacar a arma, fui mais rápida chutando sua mão e jogando a arma para longe. Emma pegou a pistola e jogou pela janela mais próxima.
Agora era só eu e ele. E Cassidy pagaria por tudo. Pagaria por todas as coisas que ruins que fez com Emma e Henry a vida toda, pagaria pela angústia que me fez passar, pagaria por ameaçar a vida de Isabel e acima de tudo pagaria por atravessar meu caminho. Não houve tempo para conversas, a adrenalina em meu corpo falava mais alto.
Uma luta corporal tinha se iniciado e Neal levou a pior, cada soco e chute era acumulo de uma raiva guardada. Quando percebi eu estava em cima dele batendo e batendo sem parar, minhas mãos mancharam-se de sangue e seu rosto começava a se desfigurar até que ele perdeu suas forças, para se defender ou revidar.
Emma estava em choque do outro lado da sala. E eu tive que parar, se Neal ia morrer não seria por minhas mãos. Corri até ela a abraçando e ela se agarrou a mim, se sujando no sangue que tinha em minhas mãos.
— Está tudo bem amor, acabou. Acabou você está salva agora.
Os homens de Walsh entraram e apenas sinalizei com a cabeça que estava tudo bem. Eles pegaram Neal e o que vinha a seguir pouco me importava. Levantei do chão com Emma em meus braços e comecei a caminhar para fora do galpão no caminho ouvi dois tiros. O pesadelo tinha acabado e eu tinha cumprido a promessa que fiz ao meu filho, sua mãe e sua irmã estavam salvas e agora eu as levaria para casa.
Quando chegamos, em casa eu cuidei de Emma como cuidava de uma criança, ela estava tão frágil e chorosa. Limpei o ferimento em seu lábio inferior ele reclamou um pouco e por fim disse as primeiras palavras.
— Regina. – Ela disse e fez uma pausa. — Obrigado por salvar minha vida, eu sei que fez coisas...
Não a deixei terminar.
— Ei... não precisa agradecer, esquece isso, não importa mais nada. Só importa que você e nossa filha estejam bem.
— Não Regina, importa sim. Precisamos conversar. Chega de mentir, eu quero a verdade.
Algum momento aquela conversa chegaria e não havia mais para onde fugir.
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