You Have Me

32 The Secret and The Kiss


A noite foi atribulada. Acordei várias vezes de noite devido a pesadelos e não consegui descansar. Quando acordei na manhã seguinte, sentia-me exausta. Ainda era cedo. Como era Sábado, o resto das crianças ainda deviam estar a dormir. Fui até à casa de banho e tomei um banho demorado. Estava a precisar. A discussão com a Rose ainda não me tinha saído da cabeça. Ainda estava magoada por isso. A Rose para mim era a irmã que eu nunca tive. Era a minha melhor amiga e perceber que ela não percebeu o que eu estava a pensar e ter defendido a Helena, foi muito doloroso. Saí do banho e vesti algo prático. Não estava com intenções de sair da instituição. Comi qualquer coisa e depois comecei a fazer o meu trabalho de matemática. Queria faze-lo o mais rápido possível. Passei o Sábado todo enfiada no quarto a fazer o trabalho. Ia esforçar-me para ter boa nota, queria acabar o ano com positiva a matemática. Só voltei a sair do quarto à hora do jantar para ir comer. Entrei na cozinha e servi-me. Reparei que faltavam crianças. A instituição estava mais vazia. Deixei isso de lado e fui comer. Comi lentamente, quer dizer, praticamente não comi. Estive a brincar com a comida. Eu queria voltar a ser amiga da Rose, eu até quase decidi ir ter com ela para voltarmos a ser amigas mas aí eu lembrei-me do que ela disse: “Alice, quando perceberes que estás errada, vem falar comigo.” Eu não pensava que estava errada. Pelo menos ainda não. Eu queria tanto a Rose aqui comigo, mas também não lhe ia dizer que ela tinha razão só para voltar a ser amiga dela. Ia mentir-lhe e isso não era o correcto. Desisti da ideia. Talvez não tivesse destinado ser amiga da Rose. Não, eu não acreditava muito nisso. Apenas queria arranjar desculpas para nos termos afastado. Eu não ia conseguir comer nada, por isso desisti de tentar. Deitei os restos para o lixo e pus o meu prato na máquina juntamente com o resto da loiça e fui para o meu quarto. Deitei-me na cama. Não estava com cabeça para fazer mais nada relacionado com a escola. Tapei-me com os cobertores e tentei adormecer. Andei às voltas na cama. Sentia-me angustiada e triste. A discussão com a Rose não me saía da cabeça. Ela estava tão irritada. Nunca a tinha visto assim. À noite, eu não me podia esconder das minhas más lembranças. Há muito tempo que sabia disso. À noite, vinha tudo de uma só vez. Eu mal conseguia respirar com tantas lembranças. Sentia a falta do meu irmão, sentia a falta da Rose e sentia a falta de ter o Jasper ao meu lado, de ele reagir normalmente e não como tem reagido nestes dias. Senti outra vez as lágrimas quentes a escorrerem pelas minhas bochechas. Limpei-as rapidamente e fechei os olhos com força com esperança que o sono viesse mais depressa. Não veio. Andei às voltas na cama até às três da manhã, onde consegui cair num sono superficial. Era sempre melhor do que não dormir. Voltei a acordar quando o relógio marcou oito e cinco da manhã. Era cedo ainda mas, não valia a pena voltar a tentar dormir. Sabia perfeitamente que não iria conseguir. Levantei-me e fui para um banho relaxante tentar descontrair. Depois voltei para o meu quarto e continuei a adiantar o meu projecto de arte. Além de ser de final de ano, tinha que ser entregue muito antes porque não era apenas o professor que ia avaliar os desenhos. Ele tinha que mandar os desenhos para a amiga dele para ela ver os desenhos e dar a opinião de qual é que merece estar em exposição. Acabei de o desenhar mesmo à hora de almoço, agora só faltava colorir. Pensei em preto e branco. Eu adorava deixar os desenhos assim, mas a minha palavra era Happiness, logo, deveria ter um pouco de cor para demonstrar realmente o sentimento. Não sabia se o professor ia realmente perceber o porquê do meu desenho, mas o que estava desenhado era a minha felicidade. Deixei a tarefa de colorir para outro dia e fui até à cozinha para almoçar. A instituição estava cada vez mais vazia e tinha a certeza absoluta que não era da minha imaginação. Algo se estava a passar. Onde estavam as crianças que faltavam? Teria que ir falar com a Ellen mas estava um papel em cima da bancada a dizer que ela só vinha depois do jantar. Falaria com ela amanhã. Comi um pouco e depois voltei para o quarto. Decidi ligar para o Jasper, iria perguntar-lhe se ele queria ir até à praia de tarde. Queria sair um pouco da instituição. Fui pegar no telefone da instituição, visto que eu não tinha telemóvel e marquei o número do Jasper.

- Estou? – Disse ele quando atendeu o telemóvel.

- Olá Jasper. – Cumprimentei meio tímida. – É a Alice. Queria perguntar se querias ir à praia hoje à tarde. Passear um bocado. Há tanto tempo que não estou contigo.

- Eu sei, Alice, mas eu tenho andado ocupado. Tenho vários trabalhos para fazer. Hoje, não dá. Já combinei com a Helena fazermos mais um pouco do trabalho. Estou à espera dela. – Informou-me ele. Sempre a Helena… mas era apenas para fazerem o trabalho. Eles tinham que o fazer também, era já para entregar esta semana!

- Está bem. – Disse um pouco triste. – E amanhã? Dá? – Perguntei esperançosa.

- Também não. – Disse ele. – Amanhã, vamos acabar mesmo o trabalho na biblioteca da escola. Precisamos também de ver alguns livros. Alice, nós só vamos começar hoje. No outro dia, tivemos a pesquisar na Internet e a ter ideias, hoje vamos começar e amanhã acabar. Espero que compreendas, Alice. Combinámos, depois, para outro dia. Está bem?

- Está bem. – Murmurei. – Adeus, Jasper. Amo-te. – E muito. Completei em pensamento.

- Eu também, Alice. Adeus. – Despediu-se ele, desligando o telemóvel. Fui pôr o telefone da instituição no sítio e voltei para o meu quarto triste. Eu estava com tanto medo de o perder. Eu sentia que isso iria ocorrer a qualquer hora. Sentia o Jasper fugir entre os meus dedos, como a água. Estava a ser tão difícil. Dediquei-me aos trabalhos de casa nessa tarde, não tinha mais nada para fazer, mesmo. Depois de os acabar, continuei a adiantar o projecto para a aula de desenho. Tinha que me distrair de alguma forma. Há hora do jantar, fui servir-me. A Ellen ainda não tinha voltado e estava cá uma senhora que também fazia voluntariado como a Esme a tomar conta das poucas crianças que ainda estavam na instituição. Eu não fazia a mais pequena ideia do que se estava a passar ali. Não sabia o porquê de haver tão poucas crianças na instituição. Fui buscar comida à cozinha.

- A Mary e o Eric já se foram embora? – Perguntou uma menina que estava sentada numa das várias mesas que existia na cozinha.

- Sim, foram hoje de manhã. Nós vamos amanhã. Espero que seja bom, o sítio para onde vamos. – Exclamou o rapaz que estava ao lado dela.

- Sim, também espero. – Suspirou a menina. Não percebia nada da conversa deles. Fiquei um pouco intrigada. Tinha mesmo que ir falar com a Ellen, para perceber o que se estava a passar. Depois de pôr um pouco de comida no prato, fui comer para a sala como sempre fazia e depois voltei para o meu quarto. Eu tinha que dormir. Estava com um aspecto horrível e sentia-me um caco. Tinha grandes olheiras e mal conseguia manter os olhos abertos mas quando ia para a cama para descansar, o cansaço parecia que desaparecia e dava lugar ao medo. Deitei-me na cama. Eu tinha que conseguir dormir, nem que fossem apenas algumas horas mas eu tinha que conseguir. Andei ainda às voltas na cama, mas por volta das duas da amanhã, o cansaço venceu o medo e eu consegui dormir um pouco.

Levantei-me cedo. Sentia-me tão cansada. Fui até à casa de banho e vi que as olheiras aumentaram. Tentei esconde-las com um pouco de maquilhagem que estava na casa de banho, devia ser das outras raparigas. Também estava pálida e notava-se perfeitamente que eu me sentia exausta, por isso, desisti e fui tomar o pequeno-almoço. Quando já estava pronta, peguei na minha mochila e fui para a escola. Fui até à sala onde ia ter a minha primeira aula. Era desenho. Pelo menos iria distrair-me um pouco. Desenhar sempre me trazia algum conforto. Sentei-me no meu lugar no fundo da sala e fiquei à espera que tocasse. A sala foi enchendo e depois chegou o professor. Ele disse algo no inicio da aula mas eu não tomei atenção. Continuei o que estava a fazer na aula anterior. Quando tocou, fui para a outra aula e assim se passou a manhã. À hora de almoço, dirigi-me para o refeitório. Olhei para onde eles estavam. Estavam todos na mesa do costume a rir e a falar. Fui buscar comida e depois fui-me sentar com eles. Sentei-me ao lado do Jasper como de costume.

- Como estás? – Perguntou o Jasper depois de me dar um beijo rápido nos lábios.

- Bem. – Respondi simplesmente. A resposta agradou-lhe porque ele voltou para a conversa. Olhei para a Rose e vi que ela também olhava para mim com um pouco de preocupação no olhar mas quando percebeu que eu também olhava, tratou de desviar o olhar e recomeçou a conversar e a rir com os outros. Quando acabei de comer, saí dali. Eu não aguentava, ficar ali com eles. Levantei-me calmamente e fui-me embora. Ninguém deu por mim. Fui para onde tinha a minha última aula e fiquei à espera que tocasse. A aula arrastou-se. Quando deu o toque para a saída, saí rapidamente e fui até à instituição. Tinha que ir falar com a Ellen. Entrei na instituição e ela estava completamente vazia. Não havia sinal de nenhuma criança. Fui ao meu quarto pôr a minha mala e depois dirigi-me até ao escritório da Ellen. Bati três vezes na porta e fiquei à espera de resposta.

- Entre. – Ouvi ela dizer. Abri a porta do escritório e entrei. – Ah, és tu! – Disse simplesmente. O escritório dela estava vazio e ela tinha duas malas ao lado da secretária.

- Sim, sou eu. – Respondi um pouco rude. – O que se está a passar? Porque as crianças se foram embora? – Perguntei intrigada.

- Foram para outras instituições e orfanatos. – Respondeu ela. – Este vai fechar, não aguento mais isto. – Olhei para ela surpreendida.

- E eu?

- E tu o quê? – Perguntou ela antipática.

- Eu vou para onde? – Perguntei. – Não me disse que a instituição ia fechar e não me disse para onde eu ia.

- Tu não vais para lado nenhum. – Olhei ainda mais confusa para ela. O que é que ela queria dizer com isso? – Tens de saber uma coisa. – Começou por dizer. – Tu não estás aqui como as outras crianças. Tu estás aqui porque eu sou tua tia e fui obrigada a ficar contigo. Fui obrigada a ter a tua guarda. Nunca quis essa responsabilidade, pelos vistos o teu pai e a tua mãe, minha irmã, também não. Eu nunca quis saber de nenhum dos meus sobrinhos. Nunca quis saber da minha irmã nem do seu marido. – Explicou ela. Estava em choque. A Ellen era minha tia? – Eu vou viver para outro sítio. Já estou farta desta instituição, nem sei porque é que aceitei ficar com ela desde inicio. Já distribui as crianças por todas as instituições e orfanatos aqui da zona.

- Porque é que não me mandou também para uma dessas instituições ou um desses orfanatos? – Perguntei com a voz embargada. Sabia muito bem que eu não ia com ela a lado nenhum.

- Eu bem tentei. Mas eles não querem uma rapariga com dezassete anos. Já estás quase a atingir a maioridade, eles só iam gastar dinheiro contigo porque de certeza que ninguém te vai adoptar.

- Então vou consigo? – Perguntei mesmo sabendo a resposta. Ela começou a rir-se como o que eu tivesse perguntado tivesse sido uma piada ou algo do género.

- Achas mesmo? Achas que eu ia te levar comigo? – Perguntou sarcasticamente. – Tu vais ficar aqui, ou onde tu quiseres ficar. Isso já não é comigo.

- Vai me deixar sozinha? Isso é ilegal, está a abandonar-me.

- Ninguém precisa de saber. Eu vou deixar-te ficar aqui e vou mandar-te algum dinheiro todos os meses, já deixei algum no teu quarto, está num envelope em cima da secretária. Se não contares a ninguém, tudo vai correr bem. – Explicou ela. Sentia lágrimas nas minhas bochechas mas não me conseguia mover para limpá-las. Ainda estava em choque com tudo. A Ellen é minha tia e vai deixar-me, para ir viver para outro sítio. – Não finjas que estás triste. – Disse ela rudemente. – Dá-te por sortuda por mandar-te dinheiro e deixar-te ficar aqui. Agora tenho que ir, tenho um avião para apanhar. – Disse ela pegando nas malas e indo embora. Fiquei estática por algum tempo. Quando percebi o que tinha realmente acontecido, não sabia se já se tinham passado, minutos ou horas, só sabia que eu ainda chorava e de certa forma sentia-me abandonada outra vez. Levantei-me de onde estava e saí da instituição. Andei sem rumo. Eu só queria espairecer. Queria livrar-me de todos os sentimentos que me possuíam. Quando dei por mim, estava na praia de La Push. Tinha andado imenso e nem dei por isso. Desci até à areia e tirei os meus sapatos para andar à beira-mar. A praia estava praticamente vazia. Havia apenas duas pessoas ao fundo da praia. Fui andando em direcção a elas, apenas cria sentir as ondas nas minhas pernas. Quando chegasse ao fundo da praia voltaria para trás, podia ser que me acalmasse. Comecei a aproximar-me do fundo da praia, mais rápido do que desejava. Com isso, as gargalhadas das duas pessoas que estavam lá começaram a ser mais audíveis, a conversa deles também e quem eles eram também.

- Eu amo-te. – Disse ela beijando-o de seguida. Ele ao inicio ficou um pouco surpreendido mas depois correspondeu ao beijo. Porque é que ele correspondeu ao beijo? Ele gostava dela? Já não gostava de mim? Eu não conseguia acreditar que tinha o Jasper e a Helena a beijarem-se à minha frente.

Notas finais
Estou a postar hoje porque amanhã não iria conseguir postar. Não vou conseguir responder aos vossos comentários durante a semana porque vou estar fora. As minhas férias estão quase a acabar e tenho que aproveita-las :p Também queria dizer que as postagens vão passar a ser ao Sábado. As minhas aulas vão começar e dá-me mais jeito postar ao Sábado. Bem, os avisos já acabaram, agora queria saber o que acharam do capitulo. Sei que provavelmente estão um pouco chateadas com o Jasper e que odeiam a Helena e a Ellen. Mas tinha que ter drama a fic, vocês sabem como eu sou! :p Espero que tenham gostado e comentem muitoo!
Beijinhos
S2