You Have Me
66 I Survived!
Alice
- Alice, não te esqueças que tens psicólogo à tarde. – Avisou a Esme quando nos estávamos a preparar para sair de casa. Já se tinham passado alguns dias depois do dia da festa de anos da Esme. Já estava tudo muito mais calmo e não se tinha falado mais no assunto. Magoava a Esme quando tocávamos no assunto, então decidimos não falar mais sobre o que aconteceu. - Vais comigo? – Perguntei-lhe depois de ela me avisar que tinha psicólogo. Já nem me lembrava. Era hoje que tinha que levar os meus desenhos para o psicólogo ver. Ainda não me sentia confiante o bastante para ir sem ela. Era ela que me dava a força para ir, para conseguir vencer os nervos. - Claro que vou, querida. – Respondeu ela sorrindo carinhosamente. – Agora, vai lá para a escola antes que te atrases. Até logo, querida.- Está bem. Até logo, mãe. – Disse dando-lhe um beijo na bochecha e um abraço. Fui ter com os outros à garagem e fomos até à escola. As aulas estavam quase no fim, finalmente. Ainda faltavam algumas semanas, mas estávamos quase de férias de verão. Eu e o Jasper íamos ter matemática. Ele ainda estava ao pé da Helena. Ela ainda tentava ter algo com o Jasper, eu percebia isso. Mas o Jasper não queria nada com ela e eu confiava nele para isso. Eu, desta vez, confiava nele. Fomos os dois juntos para a sala de aula e como ainda faltava um bocado para tocar o Jasper veio se sentar ao meu lado para ficarmos mais um pouco juntos. - Queria tanto que ficasses ao meu lado durante a aula. É muito aborrecido ficar aqui sozinha. – Disse para ele, manhosa.- Também queria ficar aqui contigo mas assim é melhor. É da maneira que te concentras mais facilmente. – Fiz uma careta quando ele disse isso. Eu não me concentrava assim tão facilmente. Eu começava logo a desenhar, mesmo que me esforçasse muito para ficar atenta. Pelo menos, se ele estivesse ao meu lado, não me deixaria desenhar. Ele pegou no meu caderno e abriu-o. Claro que se deparou logo com um desenho meu. – Alice, Alice! – Repreendeu ele num tom brincalhão, continuando a folhear o meu caderno. - Eu não consigo evitar. Eu juro que tento prestar atenção, mas não consigo. – Expliquei.- Tens de tentar, ok? Tens mais um teste pela frente e quero ver-te com boa nota, sim?- Está bem. – Respondi. — Hoje, não vai dar para me dares explicações. Tenho de ir ao psicólogo. – Avisei-o.- Revemos a matéria toda, amanhã à tarde. Está bem? – Afirmei com a cabeça. – Até acho que estás bem em relação à matéria. - Sim, acho que a percebo melhor agora. Eu só quero ter boa nota neste teste. – Disse. Queria deixar a Esme e o Carlisle orgulhosos de mim. - Jasper, o teu lugar é aqui! – Exclamou a Helena já sentada do seu lugar. Fiz uma careta ao ouvir a voz dela.- Ainda não tocou Helena, quero estar um pouco com a Alice. – Respondeu o Jasper não me dando tempo para eu responder-lhe. – Não quero problemas, não lhe ligues, Alice. – Disse ele baixinho para mim. Fiz o que ele me pediu e não lhe disse nada. Continuámos a conversar, ainda faltava um pouco para tocar.- Ela não para de olhar para aqui, Jazz. – Disse preocupada ao fim de um bocado. Eu tinha certo medo do que ela pudesse fazer, ela era louca, completamente louca. - Deixa-a olhar. Não lhe ligues. Sabes que ela gosta de provocar. – Disse ele despreocupado. Continuámos os dois a falar e namorámos um pouco um com o outro. Não demorou muito para que tocasse e o professor entrasse dentro da sala de aula. O Jasper deu-me um beijo e teve que ir para o seu lugar. Abri o caderno numa folha nova e tentei ficar atenta à aula. O professor começou a ditar a matéria nova e eu tentei perceber minimamente. Não demorou muito para que aula acabasse e eu voltasse a ficar com o Jasper. Ficámos um pouco juntos no intervalo e depois ele levou-me para a próxima aula, indo de seguida para a dele. O resto das aulas passaram rápido, sendo hora de ir para o psicólogo. Fui para casa com o Jasper, o Edward e a Rose e depois de pegar no meu caderno de desenhos, fui com a Esme para o hospital. Estava nervosa e fui irrequieta, o caminho todo. A Esme não dizia nada, só olhava para mim com certa preocupação. Estacionou o carro na primeira vaga que viu e saímos do carro para irmos para dentro. Assim que demos o meu nome na receção, fomo-nos sentar nos bancos da sala de espera. - Alice, não é preciso ficares tão nervosa. Vai correr tudo bem. Como da última vez. – Disse a Esme ternamente para mim envolvendo as minhas mãos nas suas. O seu toque transmitia-me certa segurança e fazia sempre sentir-me melhor. - Eu sei, mas não consigo controlar-me. – Expliquei-lhe. – Eu tenho medo de não conseguir falar sobre as más memórias. - É para isso que estás cá. Ele vai ajudar-te a lidar com elas, querida. Não te preocupes. Ele não te obriga a dizer nada. Fica calma, amor. Não gosto de te ver assim. – Disse ela beijando a minha testa. Recostei-me na cadeira e repousei a minha cabeça no ombro da Esme. As mãos dela continuaram a envolver as minhas o que me fazer sentir reconfortada e os nervos começaram a acalmar.
- Alice Brandon. – Chamou uma enfermeira. Olhei para a Esme e ela apenas sorriu para mim.- Vai, lá! Vai correr tudo bem. – Disse ela beijando a minha bochecha. Levantei-me um pouco relutante com o meu caderno de desenhos e segui a enfermeira até à porta do consultório, mandando-me entrar de seguida. - Olá, Alice! – Disse o psicólogo sorrindo simpaticamente para mim. Ele estava sentado na mesma poltrona da outra vez e em frente dele esta outra poltrona para eu me sentar. - Olá. – Disse timidamente indo-me sentar na poltrona livre.- Já vi que trouxeste o teu caderno de desenhos, como te pedi. – Comentou ele animadamente. Apenas assenti com a cabeça. – Será que posso vê-los? – Perguntou. Fiquei um pouco hesitante e ele percebeu isso. – Alguma vez mostraste os teus desenhos a alguém? – Perguntou tentando perceber a minha hesitação.- Já. – Respondi simplesmente. – Mostrei à Rose.- Então a Rose é uma pessoa muito importante para ti, não? – Perguntou ele percebendo o que os meus desenhos significavam para mim.- Sim. – Respondi sorrindo um pouco lembrando-me daquela curiosa persistente que acabava sempre por ter tudo o que quer. Ela conseguia convencer-me sempre a fazer o que ela queria, mas ela depois ficava tão feliz que eu não me importava com isso. – É como se fosse uma irmã para mim. – Expliquei o que ela é para mim sorrindo. - Sei que não tão importante na tua vida, mas será que me deixarias ver os teus desenhos. Só te quero ajudar através deles. Sei que os teus piores e melhores momentos estão preservados nos teus desenhos. – Explicou ele. Apenas afirmei com a cabeça e passei-lhe o caderno e ele abriu-o cuidadosamente folheando o caderno vendo os desenhos com certa atenção. – Vamos começar por este. – Decidiu ele. Ele escolheu um desenho em que em primeiro plano encontrava-se o meu pulso cortado e por em segundo plano, estava desenhado três caminhos em direções diferentes. Um deles ia ter ao Jasper e à Helena, o outro ia ter à Rose e por fim o terceiro, tinha a minha tia Ellen. O desenho representava o momento em que me tinha cortado quando me chateei com a Rose e o Jasper por causa da Helena e quando a minha tia me tinha abandonado. – Sei que tentaste suicidar-te uma vez. Gostava que me falasses o que te levou a fazer isso. É o que este desenho significa? – Perguntou.- Não. – Respondi. — Esse desenho é posterior à minha tentativa de suicídio. – Calei-me. - Então tiveste uma segunda tentativa de suicídio? – Perguntou.- Não! – Exclamei. – Só me tentei suicidar-me uma vez. Ainda não me dava com a Esme, nem com o Jasper, nem com a Rose, nem com ninguém. Eu estava sozinha no mundo. Não tinha ninguém simplesmente e a minha tia Ellen, que na altura eu nem sequer sabia que ela era minha tia, não ajudava em nada. Apenas gritava comigo e ameaçava expulsar-me da instituição. Aconteceu pouco tempo depois de os meus pais abandonarem-me e do meu irmão ter morrido. – Sentia as lágrimas a virem. Sabia que isso iria acontecer. Virei a cara para ele não ver as minhas lágrimas. – Eu sentia-me sozinha, sentia que ninguém precisava de mim, sentia que a única solução era suicidar-me. Foi o que fiz. – Expliquei sentindo algumas lágrimas a cair. – O Jasper apareceu e chamou uma ambulância, obviamente, acabei por sobreviver. - Então porque o teu pulso se encontra com um corte neste desenho? – Perguntou ele num tom calmo. Deixei algumas lágrimas cair e limpei as bochechas antes de responder. - Tinha discutido com a Rose recentemente, a minha tia Ellen tinha-me dito finalmente que ela é minha tia e abandonou-me de seguida e por fim apanhei o Jasper a beijar outra rapariga, enquanto ainda namorava comigo. – Expliquei a situação, deixando mais algumas lágrimas escaparem. – Voltei a sentir-me sozinha no mundo. Foi o segundo pior momento da minha vida. Deparei-me outra vez sozinha, mas eu desta vez não queria morrer, não queria desaparecer do mundo, eu só queria livrar-me da dor que vinha daqui. – Disse colocando a mão por cima do meu coração. – Foi apenas um corte, mais nada. Não queria suicidar-me. Apenas queria deixar de sentir tanta dor emocional, mais nada. - Então, estes três caminhos que levam a estas pessoas, significa o que te magoou neste momento? - Sim, é isso que os caminhos significam. – Respondi limpando as minhas bochechas das recentes lágrimas que repousaram ali.- Vamos passar para este. – Disse passando algumas folhas Este desenho é alusivo às tuas cicatrizes e pelo que percebo do desenho, tem mais, não é? – Perguntou.- Sim. – Respondi com uma careta. - O que sentes em relação a elas? - Nojo, repulsa, eu odeio-as! – Respondi. – Fazem todas, parte de momentos menos bons da minha vida e é como se fosse um post-it no meu corpo sempre a lembrar-me que esse momento existiu mesmo. - Só vez o lado mau das tuas cicatrizes. Tens de pensar que tudo tem um lado bom, nem tudo é mau e nem tudo é mau. Todas as situações, todas as coisas, todas as pessoas têm um lado bom e um lado maus e nós damos importância ao que quisermos. – Disse ele fazendo-me olhar para ele. – Tens de ver as cicatrizes como algo de bom. Sei que é difícil mas é o que temos de fazer. Eu tenho uma cicatriz na minha perna direita de quando fui atropelado e precisei de uma cirurgia para me reconstruir a perna. Eu poderia ver essa cicatriz como algo de mau, como tu as vês, podia odiá-las como tu odeias as tuas, mas aí estaria deixar esse sentimento de ódio às cicatrizes controlar a minha vida. Então, penso nela como algo positivo. Como uma prova que sobrevivi aquele mau momento. Tens de pensar que cada cicatriz que tens no teu corpo significa que sobreviveste a todas aquelas situações. É como se fosse uma marca de guerra. – Disse ele fazendo-me rir um pouco. – É apenas uma marca de sobrevivência e só mostra às outras pessoas como és forte e já sobreviveste a diversas situações adversas. – Comentou ele. – Fica combinado?- O quê? – Perguntei não percebendo o que ficaria combinado.- Que a partir de hoje, cada cicatriz significa: Sobrevivi! – Respondeu ele. Eu tinha gostado do ponto de vista dele em relação às cicatrizes. De certa forma, eu compreendia o que ele queria dizer e concordava. Fazia-me ver com outros olhos as cicatrizes no meu corpo, fazia-me repensar se todas as vezes que neguei divertir-me na piscina com a Rose, o Jasper e o Edward valeram a pena, se me fez algum bem. - Sim, fica combinado. – Respondi ao fim de algum tempo em silêncio, com um pequeno sorriso no rosto. Ele também sorriu para mim. - Bem, o tempo da consulta acabou. Gostaria que para a próxima consulta voltasses a trazer o caderno de desenhos. – Pediu ele.- Está bem. – Respondi. - Fica bem. Até à próxima consulta, Alice. - Adeus, doutor. – Respondi saindo do consultório. Antes de ir ter com a Esme, passei as mãos pelas bochechas e pelos olhos para afastar os últimos restos das lágrimas que me escaparem durante a consulta. Quando achei que já estava com um aspeto melhor fui ter com a Esme que se encontrava a ler um livro na sala de espera. – Já acabou a consulta, Esme. – Disse assim que cheguei lá. Ela olhou atentamente para mim e apareceu uma ruga de preocupação da sua testa. Sabia que ela repararia que eu tinha estado a chorar. Ela repara sempre. - Está tudo bem, querida? – Perguntou ela passando o polegar debaixo dos meus olhos. - Sim. – Respondi simplesmente.- A consulta correu bem? – Perguntou ainda desconfiada.- Sim. Falámos sobre as minhas cicatrizes e da minha tentativa de suicídio. Chorei um pouco mas correu tudo bem. – Não havia necessidade de esconder o que tinha falado na consulta. A Esme sempre me apoiou em tudo e eu sentia-me bem em falar com ela. - Fico feliz que tenha corrido tudo bem, querida. Vamos para casa? – Perguntou.- Sim, vamos. – Respondi sorrindo.Quando chegámos a casa, já lá estavam todos. Subi para fazer os meus trabalhos de casa e quando acabei fui até ao quarto da Rose para ficarmos a falar um pouco. Tínhamos esse hábito. Ou eu ia ao quarto dela, ou ela vinha ao meu. Conversávamos sempre um pouco antes de irmos jantar. Depois do jantar fiquei um pouco com o Jasper até o sono vir. Quando veio o sono, fui para o meu quarto e mal me deitei na cama adormeci.
Notas finais
Desculpem o grande atraso, a sério. Houve uns precalços quando cheguei das minhas férias. Tive que fazer uma mini cirurgia e nos dias seguintes, não me apeteceu escrever, apenas descansar. Espero que compreendam e me perdoem. Até vos trouxe um capitulo grandinho. Espero os vossos comentários!
Beijinhos
S2
Beijinhos
S2
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