You Have Me
20 I Care About You
Jasper
Já todos tinham voltado da pista de dança improvisada e a Alice ainda não tinha voltado. Se calhar estava um pouco paranóico. Se calhar estava muita gente para ir à casa de banho e ela teve de esperar, ou ficou a conversar com a minha mãe. Eles estavam a conversar alegremente à minha volta, mas eu queria saber da Alice. Se ela não aparecesse dentro de alguns minutos na mesa, eu ia ver onde ela estava.
Quando a minha mãe entrou no jardim nervosa e com uma cara preocupada, eu percebi que algo se passava e que não estava a ficar paranóico.
- Passa-se alguma coisa. – Disse em voz alta para eles.
- Porque dizes isso? – Perguntou a Rose.
- A Alice foi à casa de banho há mais de um quarto de hora e ainda não voltou e a mãe acabou de entrar no jardim visivelmente nervosa e preocupada. – Disse apontando para a mãe que não parava
quieta.
- Tens razão, algo se passou. A mãe só fica naquele estado quando algo se passou. – Disse o Edward. A Rose concordou com a cabeça. Ela começou a vir na nossa direcção mas acreditava que
não vinha ter connosco. Devia ir ver se estava tudo bem com a aparelhagem ou algo do género. Quando ela passou muito próxima de nós a Rose chamou-a.
- Mãe! – Gritou a Rose para a mãe a poder ouvir. Ela virou a cara para nós e tanto eu, como o Edward, como a Rose percebemos que ela se estava a conter para não chorar. Ela começou a vir na
nossa direcção e parou mesmo ao lado da Rose.
- O que foi, querida? – Perguntou ela com a voz trémula.
- O que se passou? – Perguntou a Rose, preocupada.
- Porque perguntas isso?
- Nós sabemos que se passou algo. Estás muito nervosa, preocupada e não paras quieta de um lado para o outro. Para não falar que estás a fazer um esforço enorme para não chorar. A Alice
também foi à casa de banho há mais de um quarto de hora. O que se passou? – Voltou a Rose a perguntar. A minha mãe respirou fundo para se acalmar e depois abriu a boca para falar.
- O Carlisle foi lá dentro e apanhou um casal a magoar a Alice. – Começou a minha mãe.
A magoar a Alice? O que lhe tinham feito? Onde é que ela estava? Quem eram eles?
- O que lhe fizeram, mãe? – Perguntou a Rose o que eu queria ter conseguido perguntar.
- Esse casal era os pais dela e ficaram a saber que ela namorava com o Jasper, então tentaram fazer com que ela arranjasse dinheiro por ti para lhes dar. Ela negou e eles continuaram a magoa-la e a dizer que queriam o dinheiro até que o Carlisle os apanhou. Ela
tem o pulso completamente negro e estava em pânico e muito assustada, quando a vi.
- Onde ela está, mãe? – Perguntei com a voz a tremer.
- No hospital. O teu pai levou-a, já devem estar a chegar, acho. – Disse ela visivelmente preocupada. – Quando ela chegar, não lhe façam muitas perguntas, está bem? Não toquem no assunto. – Pediu a minha mãe.
- Está bem. – Concordámos todos.
- Vou dar uma volta pela festa para ver se está tudo bem. – Disse ela saindo de seguida. Ficámos todos em silêncio por um bocado. Ninguém queria acreditar que isto tinha acontecido. O que é que os pais da Alice estavam aqui a fazer? Como é que foram convidados para a festa? Provavelmente os pais tinham os convidado sem saber que eram pais da Alice.
- Acham que ela tem apenas um pulso aleijado? – Perguntou a Rose preocupada. A Rose e a Alice tinham virado grandes amigas. Eu gostava de as ver juntas, a amizade dela fazia a Rose verdadeiramente feliz.
- Espero que sim e que não seja nada de grave. – Respondi.
- Espero que não demore muito a chegar. – Disse a Rose. Ela estava mesmo muito preocupada.
- Rosie, está tudo bem. Não gosto de te ver assim tão preocupada. Daqui nada a Alice está de volta, ao pé de nós. – Disse o Emmet para consolar a Rose. Ela recostou-se nele e tentou ficar menos preocupada.
Ficámos à espera um grande bocado. O tempo demorava a passar. Assuntos de conversa tinham morrido. Ninguém falava.
Toda a gente queria saber como é que estava a Alice. Passado uns minutos, vejo a minha mãe a trazer a Alice.
Alice
O caminho de volta para casa do Carlisle e da Esme, tinha sido num instante. Quando chegámos, o Carlisle estacionou o carro na garagem e fomos para dentro de casa. A Esme estava ao pé da porta que dava para o jardim, onde decorria a festa, à nossa espera. Quando ela nos viu,
veio ter connosco.
- Então? O que ela tem no pulso? – Perguntou a Esme vendo o meu pulso ligado.
- Podes ficar descansada, Esme. Está apenas deslocado. Vai ficar bom num instante. – Disse o Carlisle sorrindo para tranquilizar tanto a Esme como a mim.
- Ainda bem. Como te sentes, querida? – Perguntou a Esme.
- Sinto-me bem. – Respondi.
- Não tens dores?
- Algumas, mas já deve passar. O Carlisle deu-me um analgésico.
- Eles desconfiaram logo que se passou alguma coisa. Tive que lhes contar. – Informou a Esme. Sabia a quem ela se estava a referir quando disse “eles”. – Fiz eles prometerem que não tocavam no assunto. – Disse a Esme desculpando-se.
- Não faz mal, Esme. Não me importo. – Disse sorrindo um pouco.
- Eles estão à tua espera. Vá, eu levo-te a eles. Carlisle, o James queria falar contigo.
- Vou ter com ele agora. Fica bem, Alice. – Declarou o Carlisle saindo de seguida.
- Vamos, querida?
- Sim. – Respondi. Fomos até à porta que dava para o lado de fora e depois fomos em direcção à mesa onde eles estavam. Eles estavam calados. Quando íamos a meio do caminho, o Jasper olhou na direcção da porta para ver se eu vinha aí e avistou-me. O alívio passou no seu olhar. Percebi que eles estavam todos preocupados. O Jasper virou-se para a
Rose e disse-lhe qualquer coisa. Ela olhou para onde eu estava e sorriu um pouco.
- Pronto, fica bem, querida. Tenho de ir ver os outros convidados. – Disse a Esme para mim. Sorri-lhe um pouco e fui para o pé do Jasper.
- Estás bem? – Perguntou ele pegando no meu pulso ligado, com cuidado.
- Estou melhor. – Respondi.
- O que tens no pulso?
- Estava deslocado. Já está no sítio e o Carlisle diz que vai ficar bom num instante. – Disse sorrindo um pouco.
- Ainda bem. – Falou o Jasper. – Queres comer alguma coisa? Beber?
- Não, obrigada.
- Alice, tens a certeza que estás bem? – Perguntou a Rose ainda preocupada.
- Sim, tenho. Eu estou bem. – Disse para os acalmar. Não queria estragar-lhes a festa. Eu estava magoada com o que os meus pais me fizeram. Não estava com grande espírito de estar na festa mas não
podia estragar-lhes a noite. Eles estavam tão ansiosos por esta festa. Passados uns minutos, o assunto de “estás bem” acabou e eles começaram a falar animadamente. A festa voltou ao normal. Eles voltaram para a pista de dança e divertiram-se. Eu fiquei sentada a observá-los. Não tinha grande disposição, não depois do que aconteceu. Sentia-me magoada e triste. Eu sabia que os meus pais não gostavam de mim, mas nunca pensei que eles me fizessem aquilo. Enquanto estavam todos na pista de dança, a Esme veio ter comigo.
- Querida, não queres ir ter com eles? – Perguntou docemente. Neguei com a cabeça. – Está bem? – Perguntou. Voltei a negar com a cabeça. – Anda comigo. – Disse ela. Levantei-me da cadeira e segui-a até dentro de casa. Fomos até ao quarto do Jasper, onde eu dormia. Sentei-me na cama. — Querida, podes falar comigo, sabes? – Afirmei com a cabeça. Ela percebeu que eu não estava mesmo bem e acabou por abraçar-me. Nos braços dela, deixei-me cair na fraqueza. Comecei a chorar. Só queria livrar-me de toda a dor que sentia, de toda a tristeza. A Esme ficou em silêncio até eu voltar a acalmar. Fiquei ainda um bocado a chorar. Eu queria parar mas não conseguia. Quando consegui, a Esme acariciou a minha bochecha e afastou algumas lágrimas que ainda se encontravam aí. – Não penses mais nisso, querida. Eles não merecem que fiques assim. Tenta pôr um sorriso na cara. Não gosto nada de te ver assim. – Disse ela.
- Estou a tentar… — Disse baixinho.
- Eu sei, e sei que é difícil, não é?
- Sim… — Voltei a responder baixinho.
- Mas tu vais conseguir! Eu sei que vais. – Disse ela sorrindo ternamente. Sorri um pouco para ela. – Assim, está melhor. – Disse sorrindo mais.
- Adoro-te, Esme. – Disse abraçando-a.
- Também te adoro, querida. – Disse ela aconchegando-me nos seus braços. – Então, vens para baixo comigo ou queres ficar aqui a descansar? – Perguntou.
- Vou para baixo consigo. – Respondi.
- Querida, se estiveres cansada ou com dores, podes ficar aqui, eu compreendo. – Disse a Esme compreensiva.
- Eu sei, mas eu quero ir lá para baixo ter com eles, quero passar a passagem de ano, com pessoas que amo e não sozinha. Sozinha, já passei muitas, e não foram muito agradáveis. – Respondi.
- Está bem. – Disse ela sorrindo. – Vamos?
- Sim. – Respondi levantando-me da cama. Fomos as duas para baixo. Mal descemos as escadas avistei o Jasper. Ele estava com o semblante preocupado e à procura de alguma coisa, ou de alguém. Quando ele me viu com a Esme, pareceu aliviada.
- Alice! – Suspirou. – Estava preocupado. Aconteceu alguma coisa? Está tudo bem contigo? – Perguntou.
- Não, não aconteceu nada e está tudo bem comigo. – Disse sorrindo um pouco. – Estava apenas a falar com a Esme. – Continuei. Ele olhou para a mãe desconfiado e depois olhou para mim.
- Está bem. – Disse vencido. – Estás com dores? – Perguntou, ainda um pouco preocupado.
- Não. O analgésico já começou a fazer efeito. – Respondi.
- Ainda bem. – Disse beijando a minha testa. – Queres ir lá para fora?
- Sim. – Respondi, simplesmente. A Esme já tinha ido ter com outros convidados. Eu e o Jasper fomos ter com os outros que se encontravam a comer, na mesa. Sentámo-nos os dois. Começámos uma
conversa divertida e ficámos assim até chegar perto da meia-noite. Quando faltavam alguns segundos, o Carlisle pegou no microfone e começou a falar.
- É quase meia-noite! Quero agradecer-vos por estarem aqui todos presentes e por terem decidido vir passar esta noite importante connosco. Muito obrigada! Agora falta apenas alguns segundos para passarmos para o próximo ano, por isso não me vou demorar. – Disse o Carlisle numa voz muito clara. – 10…9…8…7…6…5…4…3…2…1… Feliz Ano Novo! – Gritou o Carlisle ao microfone. Depois disso, vi-o a ir ter com a Esme e a
beija-la. Eles faziam um casal tão querido. O amor entre eles era palpável,
pareciam ainda dois adolescentes no seu primeiro romance. Senti o Jasper atrás de mim.
- Feliz Ano Novo! – Sussurrou ao meu ouvido.
- Feliz Ano Novo! – Disse beijando-o de seguida.
Fui desejar Feliz Ano Novo a todas as outras pessoas. Deixei a Esme e o Carlisle para último. Queria agradecer-lhes tudo que fizeram por mim, nestes meses. Quando consegui apanhá-los sozinhos, fui ter com eles.
- Já venho. – Disse para o Jasper. Levantei-me da cadeira e fui até eles. – Feliz Ano Novo. – Disse abraçando a Esme.
- Feliz Ano Novo, querida! – Respondeu ela.
- Queria agradecer-lhe por tudo o que fez, nestes últimos meses. E a si também, Carlisle. – Disse de seguida.
- Não é preciso agradeceres.
- Claro que é. Vocês foram a únicas pessoas que me ajudaram a ser feliz. Foram as únicas pessoas que não me rejeitaram, foram as únicas que não pensaram “Para quê ajudá-la? A vida dela já é uma miséria, nem sequer vale a pena.” São as únicas pessoas que se preocupam realmente comigo. E eu tenho que agradecer tudo o que fizeram por mim, porque se não fossem vocês provavelmente era a pessoa mais infeliz do Mundo, ou já não estava aqui, já me tinha suicidado. – Justifiquei. Reparei nas lágrimas da Esme. O Carlisle abraçou-a. Levei as minhas mãos às suas bochechas e afastei as lágrimas das suas bochechas e afastei algumas lágrimas que ali se encontravam,
tal como ela me fazia a mim, quando chorava. Sorri ternamente para ela.
Chegaram mais convidados para se despedirem. Retirei-me e fui ter com o Jasper. Sentei-me ao colo dele e aconcheguei-me lá.
- O que disseste aos meus pais para eles ficarem tão comovidos? – Perguntou o Jasper, sorrindo.
- Apenas agradeci-lhes por tudo o que fizeram por mim. – Respondi sinceramente. O Jasper não respondeu nada, apenas beijou a minha testa. Continuámos a falar todos alegremente. Os convidados iam indo embora. O jardim já estava muito mais vazio. Praticamente só lá estávamos nós. Eu já estava meio sonolenta, mas queria continuar ao pé deles. Quando todos os convidados se foram embora, fomos para a sala. Eu sentei-me no chão com o Jasper e encostei-me a ele. Ele abraçou-me pela cintura e eu descansei a minha cabeça no seu ombro. Passados uns minutos, a Esme entrou na sala e viu-nos.
- Queridos, porque não vão dormir? Continuam com a conversa amanhã. – Disse ela docemente.
- Mãe, não estamos cansados. – Disse a Rose. Ela estava um pouco excitada demais.
- Tu podes não estar mas a Alice e o Jasper estão quase a adormecer ali. – Disse ela rindo. Eu sorri, estava mesmo com sono e queria ir dormir. – Vá, queridos, vão para cima. Vão descansar. Tu precisas, Alice.
Eu levantei-me e o Jasper levantou-se logo a seguir a mim. Subimos os dois em silêncio e fomos em direcção ao quarto dele. No quarto dele, vestimos os pijamas e enfiámo-nos dentro da cama. Mal me
aconcheguei no Jasper, adormeci, como sempre num sono com pesadelos. Os pesadelos não eram tão maus quando dormia aconchegada ao Jasper. Ao lado dele sentia-me protegida.
Notas finais
Beijinhos
S2
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