You Got A Hold Of Me

18 Capítulo 018 - Decisões importantes.


Notas iniciais
Notas finais, leiam. Espero que gostem do capítulo.

Pode deixar Frannie! — gritou Santana se recuperando do riso enquanto entrava no quarto de Quinn.

Faziam dois dias que a família Fabray, ou duas Fabray, regressava a Lima, foram dez dias incríveis na Califórnia. Quinn se divertiu com seus amigos, apresentou a cidade aos sobrinhos, tirou diversas fotos e matou as saudades de sua casa, sua piscina e seu carro, era ótimo estar em "seu lar". Voltar a Lima seria ruim se agora não tivesse sua namorada naquela cidade, com a qual conseguiu manter um escasso contato durante esses dias.

Pode falar... que história te contou sobre mim? — perguntou Quinn ao fechar seu armário, se virou pra latina com um sorriso divertido.

Quero ver sua coleção de carrinhos de fórmula um, Quinn! — disse a latina com entusiasmo, a loira riu e se jogou sobre a cama.

E a história por trás disso? — perguntou Quinn com a cabeça repousando sobre um travesseiro.

Sério que arrancou a cabeça de todas as Barbies de Frannie? — perguntou Santana incrédula — Eu te amarrava a uma cadeira e te empurrava pro fundo da piscina.

Ela tentou fazer isso. — uma nova gargalhada da latina inundou o quarto, a garota fechou a porta e se jogou sobre a cama.

Algum contato com sua namorada? — perguntou Santana.

Chega daqui há três dias com a família de Mercedes. — disse a loira se colocando sentada e suspirou — Me disse que contou a garota e ela se espantou, mas apoiou.

Sério que ela abriu pra Mercedes? — a latina soou surpresa.

Sim, discutimos quando ela me informou sobre a decisão de contar a ela. Não que eu fosse contra, mas eu só queria ter sido comunicada antes e não depois dela ter o feito. Estou aqui para dar apoio e ela me ignora completamente nessa decisão. — Quinn se levantou da cama tensa, com o cabelo longo preso em um rabo de cavalo — Contou ao pai e ao companheiro dele também, conversamos pelo skype e eles estão ansiosos para virem me conhecer melhor.

Eu a entendo, depois do que passei com a minha família vi que um dia acabaria me tornando lésbica. Mas queria ser eu a contar, poderia ter sido diferente — se lamentou a latina atraindo a atenção da amiga — Mas diga a ela pra ir com calma, se cair nos ouvidos errados será uma grande bomba.

Como quando o assunto do suposto casal homossexual que você vazou pra escola toda? — acusou a loira jogando um travesseiro em Santana que riu.

Eu? Desculpe, sou inocente. — se defendeu a garota.

O silêncio se instalou no quarto até Quinn dar um pulo e correr até seu guarda-roupa, se abaixou para puxar uma caixa grande branca e dela tirar uma caixa preta, voltou pra cama com calma. Revelou sua coleção de carrinhos a Santana, que ficou embasbacada. Não pela coleção ser "estranha" pra uma garota, mas porque lhe encantava corrida e qualquer coisa relacionada.

Longe de Lima, precisamente em New York, Rachel e Mercedes estavam trancadas em seu quarto de hotel, elas se preparavam para visitar a tão famosa SoHo e depois tomar um café em mais alguma Starbucks aquela manhã. Rachel a via passado três dias com seu pai e Hiram e levando os amigos, Kurt e Mercedes, as suas saídas, agora ela aproveitava os últimos dias voltando a se hospedar no hotel com a família Jones e aproveitando a companhia dos amigos. Porém, Kurt preferiu ir na frente, ele queria passar em alguns outros locais antes de encontrar com as amigas.

Animada com nossa volta a Lima daqui alguns dias? — perguntou Mercedes se sentando em sua cama enquanto via Rachel escovar os cabelos, a morena sorriu.

Bastante, New York é incrível, mas morro de saudades de todos em Lima. — disse a morena largando a escova e se aproximando da amiga, Mercedes sorria com a felicidade que transbordava do olhar da capitã — Principalmente de Quinn.

Ainda vou demorar um pouco a me acostumar com isso. — confessou a diva negra.

Desculpa ter te jogado essa bomba, é claro que não estava pronta. — Rachel sorriu fraco enquanto se sentava ao lado de Mercedes, essa riu divertida.

Não pense que é o caso de ser uma garota. — explicou Mercedes — É o caso de você apaixonada.

É tão estranho? — perguntou Rachel arqueando as sobrancelhas em espanto.

Um pouco, mas por causa da Quinn e não de você. — disse Mercedes aparentemente nervosa.

O que há de errado com ela? — Rachel não mediu a rispidez em sua voz.

Nada, acredito eu. — a animadora fez menção de se levantar, mas Rachel a segurou pela pulso.

Mercedes, somos melhores amigas, entrei pras Cheerios e você me acolheu de braços abertos. Quando fiz o que fiz com a Santana, você me abraçou e disse que tudo ficaria bem. — lembrou Rachel — Seja lá o que está pensando, diga, te garanto que Quinn não é má pessoa.

Mas Santana é! — disparou Mercedes e Rachel sentiu um assombro percorrer seu interior — Já pensou na simples possibilidade delas estarem armando pra você? Jura que nunca pensou nisso Rachel? — Mercedes não parecia acusar as garotas, apenas sondava sua amiga. Ou pelo menos era o que a capitã queria acreditar.

Confie em mim, Quinn jamais faria algo assim. — assegurou Rachel.

O que sabe sobre ela? — Mercedes parecia uma metralhadora, mas Rachel não podia falar nada, sua boca abria e fechava diversas vezes.

Sabia que os pais da loira morreram, que agora morava com a irmã e a família dela, que gostava de Artes, Cinema e Fotografia e viveu em Los Angeles quase toda sua vida. Era o suficiente e bom pra duas pessoas, mas era o suficiente de informações para duas namoradas? E se comparado ao que uma sabia da outra, seria suficiente?

A morena sacudiu a cabeça afastando qualquer fantasma de dúvidas.

Eu amo a Quinn. — a morena disse tudo o que podia ser dito, Mercedes apenas suspirou e tocou o ombro da amiga.

Então mande Fabray me aguardar, no papel de sua melhor amiga, eu quero ameaça-lá como uma boa amiga mais velha faz. — intimou a animadora.

As garotas se abraçaram e sorriram. Rachel confiava em Quinn e sabia que nunca lhe faria algo como aquilo. A loira desprendia adoração e confiança, Mercedes o veria quando a encontrasse.

Rachel e Mercedes se soltaram e foram para suas compras, esquecendo o assunto e se concentrando no que comprariam. A morena só queria esquecer qualquer dúvida que pudesse ter nascido em seu interior.

Passar o final das férias em New York foi uma experiência incrível pra Rachel, estava mais certa de quando se formasse sairia de Lima e iria para aquela maravilhosa cidade. Mas agora, só queria voltar aquela cidade chata e encontrar sua namorada incrível.

Rachel foi recebida por muitos abraços e carinhos da mãe, ainda teve que detalhar toda a visita a New York enquanto arrumavam as roupas da morena de volta no closet.

Acho que entrei em umas cinco Starbucks diferentes no mesmo dia. — Rachel falava alto de dentro do closet enquanto sua mãe ria sentada na cama.

Que bom que se divertiu tanto. — falou a mulher vendo a filha vir sentar ao seu lado.

Sim, me diverti muito, com Mercedes e Kurt então, não poderia haver viagem melhor. — comentou a morena abrindo um enorme sorriso.

Mas agora vamos voltar a realidade. — disse Shelby atraindo o olhar confuso de Rachel — Senhor Harrison se aposentou e não poderá mais te atender na sua terapia.

Que chato. — murmurou a morena sem poder conter o enorme sorriso.

Não se alegre, apenas o substituiram, vai ter um novo psicologo. — a mulher falou suavemente, desarmando o sorriso da morena.

Sério mamãe? — perguntou Rachel de um modo não bom — Eu estou bem, já faz tanto tempo que tudo aconteceu e aquele garoto sumiu completamente da minha vida. Ainda acha necessário terapia?

Sim, acho. Pode parecer forte e ter superado, mas você só tem dezesseis anos! — Rachel fez uma careta e Shelby sorriu — Só mais um tempo, se esse novo psicologo me der a garantia que podemos parar por aqui, eu cancelo as sessões imediatamente.

Promete? — perguntou a morena.

Prometo, agora vá se arrumar. — disse a mulher se levantando da cama — Até onde lembro você tem uma festa pra ir hoje. — Shelby piscou pra filha e deixou o quarto.

A morena ficou um tempo sentada em seu lugar, quieta, pensando sobre algo totalmente diferente ao assunto de minutos atrás com a sua mãe. Ela não sabia da sua opção sexual, nem mesmo tinha conhecimento de quem era Quinn Fabray. Rachel suspirou e saiu do seu quarto indo em direção ao de sua mãe.

Se em breve ela teria que assumir pra todos sua relação com Quinn, ela queria ir começando com os mais importantes, queria que eles soubessem por ela e não por alguma fofoca que correria por Lima. Começou contando ao seu pai em New York e a Mercedes, o que lhe rendeu uma discussão com sua garota, mas nada que não fosse resolvido.

Ela tinha noção que agora corria o risco de sofrer o mesmo que Santana, sentir na pele o que causou a garota. Mas devia o fazer, pois acreditava ser a hora certa e que ela podia o fazer.

Mamãe... — chamou a morena entrando no quarto e vendo Shelby tirar os olhos de seu notebook com o óculos de leitura no rosto. A mulher estava sentada em sua cama revisando emails, a porta estava apenas encostada e Rachel ficou apenas com metade do corpo a mostra.

Pode entrar querida, algum problema? — perguntou Shelby.

Isso a senhora vai me contar depois que conversarmos. — a morena disse tensa, ela respirou fundo vendo a careta confusa de sua mãe — Podemos conversar agora?

Sente-se. — disse Shelby colocando o notebook de lado e batendo no colchão, no espaço a sua frente.

Rachel se dirigiu até o lugar indicado por sua mãe e se sentou a sua frente. Milhares de discurssos se formavam na sua cabeça, até lembrar-se do que seu padrasto lhe disse quando seu pai os deixou a sós por um momento. Querida, faça sem pressão, sem achar que deve contar pra manter a relação saúdavel ou poder andar livremente com sua namorada, apenas faça ciente que o faz para sua libertação, a morena fechou os olhos e suspirou. Estava certa que era lésbica. Estava certa que estava apaixonada por Quinn Fabray. E sabia que queria se libertar daquilo.

A morena abriu os olhos e encarou sua mãe nos olhos, Shelby a encarava com uma expressão tranquila, esperava pacientemente para que a filha começasse a falar algo.

Primeiramente... apenas me entenda. — pediu a morena e sentiu um nó em sua garganta, mas com muito esforço foi afastando esse nó, o fazendo descer — Mamãe, eu estou apaixonada.

Oh... — foi tudo o que Shelby deixou escapar dos seus pensamentos junto a um sorriso — Que bom minha querida, quem é ele?

O coração da morena disparou e sua garganta voltava a se fechar com aquele nó tomando todo o espaço. Talvez não fosse a hora, não podia ser a hora de contar ainda para sua mãe. Mas o que ela esperava que sua mãe perguntasse? Quem é ela? A morena sacudiu a cabeça afastando todos e qualquer pensamento, voltando a se concentrar nos olhos atentos de Shelby.

Aí está, não é ele. — sua voz era tão tranquila e serena que se confundia com um sussurro, Shelby arqueou as sobrancelhas — É ela, mamãe. — o espanto era evidente no rosto da mulher — Desde os meus quatorze anos que gosto de garotas, eu sei, devia ter contado antes, mas eu tinha medo e estava assustada. Nem sentia que valia a pena contar, eu era nova e talvez aquilo mudasse, mas não aconteceu. — a voz de Rachel era forçada a sair alta, se não sairia tão baixa que nem ela se ouviria, o nervosismo aparente nos movimentos de suas mãos e nas suas caretas, parecia sofrer para colocar aquilo pra fora — E agora surgiu Quinn. Ela é uma garota nova da escola, o oposto de mim, culta, inteligente e misteriosa. Eu estou apaixonada por ela, mãe... eu sou lésbica. — Rachel terminou de falar e suspirou, seus olhos conectados aos da mãe, que estava séria e tirou o óculos de leitura do rosto.

Shelby havia escutado tudo e realmente levou um grande susto com a confissão da filha, mas tentava se manter tranquila e assimilava tudo o que acabará de ouvir.

Mamãe, me diga algo! — pediu Rachel sentindo seu coração disparar.

Notas finais
Então, meninas, eu levei o maior fora do meu 'grande amor' quando haviamos acabado de voltar e logo depois meu 'melhor amigo' me deu as costas e resolveu ficar do lado dela. Facada demais em um tempo de 2 dias, não é? Bom, eu nunca entendi porque algumas pessoas desabafam aqui, mas agora entendo, quando o mundo parece estar te odiando você entra aqui e vê que tem várias pessoas que gostam de pelo menos uma coisa que você fez na vida. Meu MUITO OBRIGADA a todas vocês, as que comentam e não comentam, obrigada por gostarem da fic. E devido a tristeza eu adiantei alguns capítulos já e agora tudo vai depender dos comentários, infelizmente, eu não estou cobrando, mas é a vida.
Fui.