You Got A Hold Of Me

13 Capítulo 013 - Caixinha de surpresas.


Notas iniciais
Um capítulo que criei de última hora, vamos entender como a Quinn vai digerir tudo e Santana Lopez nos deve algumas explicações. Boa leitura.

Por que você e a senhorita "sou perfeita demais pra me assumir gay" não estão sentadas lado a lado? — perguntou Santana se sentando ao lado de Quinn no fundo do ônibus que os levaria de volta a escola.

Você a ouviu cantando Give Your Heart A Break? — perguntou a loira se encostando em sua cadeira e suspirando, mas abriu um leve sorriso ao lembrar do momento — Era pra mim.

E o que isso queria dizer? — a latina desviou a atenção da loira para ver se havia alguém perto delas quando o ônibus começou a sair do lugar.

O que diz a música Santana? — perguntou Quinn tranquila.

Que um corno fracassado não quer mais se apaixonar? — a latina perguntou em dúvida pra loira que sorriu divertida, o silêncio se fez presente por alguns segundos.

Ela quer me dar um tempo, mas não só pra mim, pra ela também. — Quinn virou sua atenção pro banco a sua frente e fechou os olhos ouvindo as risadas de Rachel misturada a de outros integrantes do coral.

O silêncio se tornou ainda mais longo, o caminho todo pra ser mais exato. Santana não era muito boa em respeitar espaço, intimidade ou que fosse, mas Quinn era uma exceção, a loira era o mais próximo de uma amiga que a latina teve em meses após Rachel. E amigas fazem essas coisas, se respeitam. Já a loira tentava acalmar as batidas desesperadas de seu coração. O alivio de poder se recuperar do pouco que já haviam se ferido se misturava ao desespero de não ter mais a garota pela qual estava apaixonada, tudo isso abria um buraco em sua alma e ia sugando toda e qualquer força existente em seu ser.

Mas uma coisa que rondava sua mente constantemente, foi o momento entre Santana e Rachel. Não que estivesse com ciúmes. Mas era Santana Lopez, quem poderia confiar na garota que queria apenas manchar a imagem de Rachel há meses?

O momento não era certo, sentia-se cansada e perturbada emocionalmente. A loira nem sequer parou pra pegar carona com Blaine quando foram deixados no colégio, sua mente trabalhava a mil. Precisava chegar em casa e se enfiar em sua cama, também se sentia bastante cansada da agitação daquele dia e logo mais a noite chegaria.

Hey, Quinnie, tem algo? Está trancada aí há horas. — perguntou Frannie empurrando a porta após ter dado duas leves batidas, a loira mais nova não costumava deixar a porta trancada. Quinn estava sentada na mesa de estudos com o notebook aberto a sua frente

Cansaço. — respondeu Quinn se virando pra encarar a irmã, ficando sentada de lado na cadeira.

Quer conversar? — Frannie foi direta enquanto se aproximava da irmã e lhe tocava o ombro.

Quinn suspirou e ficou em silêncio considerando a idéia. Um mal dos Fabray é que não eram de dar voltas, eram diretos e curtos. Sim ou não, eu preciso conversar? Pensou a loira mais nova.

Estou apaixonada pela Rachel. — confessou.

Grande novidade. — zombou Frannie, Quinn rolou os olhos divertida.

Pensei que sua intenção era de ajudar, não piorar. — a loira mais nova rebateu em diversão.

Qual o problema exatamente? — a Fabray mais velha voltou a ser direta, o que provocou um suspiro pesado de Quinn.

Ela ainda não assumiu que é gay, pra ninguém... talvez nem pra ela mesma. — Quinn estreitou os olhos sobre o monitor como se avaliasse sua última frase dita.

Isso te incomoda? — Frannie se abaixou para ficar a altura da irmã, que de imediato virou seu rosto na direção dela, as duas se encararam por longos segundos, a dúvida era clara nos olhos de Quinn — Certo, eu não entendo nada de casos assim. Mas quando eu tinha sua idade e tive meu primeiro amor foi algo quase parecido.

Ele era gay? — Quinn fez uma careta confusa e Frannie riu divertida.

Não. — assegurou a loira mais velha se recuperando do riso — Ele era o quarterback do colégio e eu a esquisita e estranha. — Mal de Fabray, pensou Quinn e sorriu internamente — Fui sua monitora de Álgebra, nos envolvemos e depois ele não sabia o que era mais importante. Seu estúpido status social na escola ou o que tinhamos.

E o que ele escolheu? — perguntou Quinn curiosa e envolvida na história.

O estúpido status social. — a mais nova Fabray fez uma careta e Frannie sorriu — Brincadeira, ele escolheu a mim. E sabe o que eu tive que fazer enquanto ele se decidia o que era importante?

Não, Frannie, você não havia me contado essa história antes. — resmungou Quin divertida e as duas sorriram.

Estar ao lado dele e provar que eu podia dar tudo pra suprir o que ele perderia se ficasse comigo. — explicou Frannie.

Tem certeza que é a história verdadeira? — Quinn arqueou um sobrancelha e Frannie lhe deu um tapa no braço, a loira mais nova resmungou.

Sim, tenho. — garantiu a Fabray mais velha.

E a moral? — Quinn voltou a questionar.

Se você realmente gosta da Rachel tem que ficar perto dela, ser amiga ou o que for. Ou acha que da noite para o dia ela vai acordar seguro de tudo e assumindo sua opção sexual? — Quinn gemeu, era como se levasse um soco no estômago.

Sua mente viajou até mais de um ano atrás, quando ela experimentava os lábios de uma garota pela primeira vez em sua vida, mas bem antes disso já vinha enfrentando com ela mesma o dilema da sua sexualidade. E sempre teve Madison ao seu lado, sua melhor amiga em LA. Ela lhe ajudou a entender que era normal, não era o fim do mundo e lhe ajudou a formar toda sua cabeça relacionada ao assunto.

Só pense nisso, pode ser apenas a mesma situação com pessoas diferentes, mas quem sabe a solução não seja a mesma? — sugeriu Frannie antes de se levantar e se preparar pra sair do quarto, mas seus olhos cairam sobre a tela do monitor e viu o que sua irmã devia estar admirando antes dela entrar no quarto — Seja lá onde estejam, eles são muito orgulhosos de você.

Voltou a tocar o ombro da irmã mais nova e apertar, Frannie deixou o quarto com os olhos marejados. Também ainda lhe custava muito lembrar dos pais. Quinn respirou fundo e encarou o monitor.

Eram seus pais, ela e Frannie no Hawaii. Frannie havia acabado de se formar e o seu presente foi aquela maravilhosa viagem, onde os Fabray tiraram aquela foto em um luau. Todos com peças brancas, Quinn sobre o colo do pai e com um imenso sorriso enquanto segurava um copo decorado com flores em volta, Frannie entre seu pai e sua mãe, segurando o ombro da mulher loira mais velha. Todos sorriam contentes, sua garota mais velha havia acabado de se formar enquanto a mais nova deles iria começar a vida escolar, a caçula inesperada. Era assim que Russell e Judy se referiam a menina quando explicavam a ela porque a tamanha diferença de idade entre ela e Frannie.

Quinn sorriu. Sua irmã estava certa. Você não larga certos conceitos e enfrenta as pessoas mais importantes da sua vida da noite para o dia. É preciso apoio e alguém que te entenda, na mesma situação e que te guiu. Quinn queria ser pra Rachel o que Madison foi pra ela, o que Frannie pro seu primeiro namorado. Queria ser o pilar que manteria firme a garota pela qual está apaixonada. E para fazer isso tinha que tirar a limpo certas questões com Santana Lopez.

Se gay-Berry nos visse agora. — comentou a latina se sentando ao mesmo tempo que Quinn em uma mesa no Beadstrix, a loira sorriu de lado.

Não se preocupe, ela não verá, mas saberá. — garantiu Quinn encarando a latina que a olhou com um travesso sorriso.

Que lindo, está adestrada. — zombou Santana.

Santana por que cedeu seu dueto hoje cedo pra Rachel? — Quinn foi direta e ríspida, a latina engoliu em seco.

Pra ganharmos, óbvio. — disse com firmeza, mas os olhos da latina se desviaram para qualquer objeto sobre a mesa que não fossem as órbitas cor de avelã.

Santana... me olhe! — pediu a loira e a latina lhe encarou quase que de imediato.

Satisfeita? — Santana perguntou irritada.

Não sei o que planeja, mas não o faça. — a voz da loira era firme e cortante, quase ameaçadora — Não vou deixar que revele a opção sexual da Rachel se ela ainda não está pronta.

Eu não vou fazer isso. — murmurou a latina abaixando a cabeça.

Não, Santana, você não... — a sentença morreu nos lábios da loira que fez uma careta confusa — Como é? — a latina suspirou e voltou a encarar Quinn com um sorriso.

Eu não vou fazer isso. — falou tranquilamente, de modo que a loira pudesse entender e ficar ainda mais confusa — Eu queria ser a Rachel Berry da vida dela e arranca-lá do armário, até ver que minha nova melhor amiga se apaixonou por ela e vice-versa.

Esse interrogatório saiu do meu controle. — bufou a loira em diversão.

Deus, era um interrogatório? Precisa treinar mais Fabray ou vai morrer de fome. — zombou a latina para logo gemer sentindo um pedaço de torrada voar em sua direção, mas conseguiu se esquivar.

Então, o que queria? — perguntou a loira suavemente.

Queria que ela fizesse algo por vocês duas. — admitiu a latina com um sorriso — Não que eu queira ou vá voltar a ser amiga da gay-Berry, mas eu sou sua amiga e não medirei esforços pra te ver feliz. Sabe... eu tenho um coração que funciona de vez em quando. — a loira gemeu em adoração, mas logo Santana se incorporou e fechou o sorriso — Se contar a alguém, te mato.

Ok, Santana Lopez. — a loira rolou os olhos — Bom, agora que eu resolvi tudo podemos ir embora.

Sem jantar? Enlouqueceu? — perguntou a latina incrédula.

É que no meu script chegavamos apenas a discutir e você me jurava de morte em espanhol enquanto saia do restaurante. — brincou a loira — Mas ok, vamos jantar. E você é surpreendente.

Uma caixinha de surpresas. — corrigiu a latina.

A loira sorriu divertida e logo ambas as garotas começaram a conversar sobre qualquer coisa que pudesse eliminar qualquer vestigio da tensão que tiveram minutos atrás. Nada estava resolvido e muito menos ficava mais fácil. Mas eliminar qualquer possibilidade que Santana pudesse interferir em sua história com Rachel ou causar algum mal a morena, já deixava Quinn bem mais aliviada com toda aquela situação.

E aquele era o plano, estar com Rachel do modo que a animadora precisasse. Como amiga, como inimiga, como diversão, como namorada ou o que fosse. Pois seu coração realmente cantarolava sempre que tinha a garota por perto.

Notas finais
Voltando a comentar sobre Marley e Kitty, li um "Sue afirma que Kitty é uma versão da Quinn e ela tem um insulto para Unique que compete com o melhor insulto de Santana" e outro como "Marley é uma estrela". Ok, já tenho toda uma história, só preciso conferir como será o perfil das garotas através do primeiro episódio mesmo.
Fui.