You Got A Hold Of Me
51 Capítulo 051 - Adeus. (Parte 2)
Notas iniciais
E ah, se você um dia pensar em me presentear com algo, por favor, um Aquilégio, eu amo com todo o coração.
Você pode me lembrar por que estamos esperando a Berry? — Santana perguntou incomodada ao virar-se para o moreno ao seu lado.
Ela e Blaine aguardavam Brittany e Rachel, ambas foram convidadas para ir com eles visitar Quinn. Mas a latina não conseguia aceitar bem o fato de Rachel estar indo com eles.
A latina não se sentia culpada em nada pelo seu comportamento e nem por se negar em perdoar a animadora, pois Rachel sabia que ela havia sido perdoada sem terem conversado diretamente sobre o assunto na primeira vez. Santana Lopez não era muito boa com palavras, eram raras as ocasiões que demonstrava seus sentimentos, geralmente com Brittany, e ela não tinha total culpa disso, boa parte dela pertenciam a Abuela e a Rachel. Duas pessoas importantes que lhe abandonaram quando mais precisou que confiassem nela para tudo.
Ainda doía nela o modo como foi atacada pela animadora, sem chance alguma de defesa, dias de slushie na cara por todos que permaneciam fiéis ao lado de Rachel, eles não deixavam de lhe incomodar por um único dia. Apesar de sempre manejar bem e não demonstrar o quanto lhe atingia, acabava sempre atingindo e fazendo a garota sofrer. Santana estava magoada agora, bastante, pois ela se aproximou da velha amiga e era essa quem tinha algum tipo de trava que ela não compreendia, que estava longe do seu conhecimento.
Oi, Blaine! — Brittany respondeu alto se aproximando dos jovens parados ao lado do carro, Santana não pode evitar sorrir docemente obsevando a namorada abraçar o amigo com força.
Nossa... oi, Britt! — Blaine esticou as costas em diversão e os três riram.
Oi, Sanny. — a loira sorriu calorosamente para a namorada apertando as alças da mochila sobre os ombros e deu um passo em direção a latina, beijando os lábios cheios da garota rapidamente.
Brittany. — reprendeu a latina baixinho, quase choramingando.
Ops, desculpe. — a loira balançou a cabeça inocentemente e Blaine riu.
Onde está a Rachel? — Blaine perguntou para a loira que o encarou.
A garota mais popular do colégio vai nos deixar esperando ou nem aparecer no pior dos casos. — alfinetou Santana cruzando os braços.
Está terminando de deixar tudo em ordem, ela tranca os vestiários e o ginásio hoje. — Brittany informou encarando seriamente a namorada — Blaine, pode me deixar um momento com a Sanny?
Claro, B! — Blaine olhou para a latina que já o fuzilava com o olhar — A Sanny é toda sua. Vou esperar a Rachel ali, até mais garotas.
Até já, B! — Brittany saudou animada.
Vai lá, gelnio! — gritou a latina em tom claro de provocação.
Santana riu ao ouvir o garoto resmungar, mas seu sorriso divertido sumiu ao observar o rosto sério da namorada. Eram poucas e raras às vezes que Brittany ficava séria, as vezes eram por problemas com seu gato e outras quando queria falar sério com a latina, a segunda opção estava em alta pois a loira pediu para estarem a sós. Santana podia gritar a resposta sem nem ouvir a pergunta.
Pode falar, Britt. — disse a latina docemente observando a namorada.
Quero que perdoe a Rachel ou apenas a trate bem na frente da Q. — Brittany foi direta, Santana sorriu para isso.
Desculpe, B. Mas é impossível. — negou a latina.
Por que? Por que a Rachel apenas não te ouviu naquele momento? — Brittany insistiu começando a provocar o nervosismo da latina, pois com a garota de olhos azuis Santana não conseguia perder a cabeça e nem usar de um tom ofensivo.
É, Brittany, exatamente por ela ter agido como uma vadia, ter tentado acabar com o coral e te expulsado das Cheerios, você adora dançar e animar. Ficou bastante mal fora das animadoras e não devia ter perdoado ela, agora nem voltado para os animadores. — Santana se defendeu cruzando os braços.
Santana, não responda por mim. — repreendeu a loira seriamente, Santana se surpreendeu — Eu sou boba e ingênua. Bom, pelo menos agora sei que Socrátes não é aquele mendigo na entrada do supermercado que diz coisas loucas que eu não compreendo, como as coisas que esse cara escreveu nos livros da escola.
Santana sorriu e lambeu os lábios.
Rach estava só machucada, pois parecia ser traída por três pessoas importantes, sendo uma delas o amor da sua vida. — Brittany tomou ar e encarou os olhos escuros da latina — Ela sabe que fez mal, Sanny. Agora ela quer arrumar as coisas. E você não facilita.
Sabe o quanto doeu ver minha melhor amiga me dando as costas novamente, Brittany? — a latina perguntou séria, a loira negou com a cabeça — Foi horrível, tão ruim quanto foi quando abuela me colocou para fora de casa. Ela não confiou em mim pela segunda vez.
Ela também tem problemas. — disse Brittany calmamente — Rachel podia já ter muito o que lidar, não acha? Os olhos dela eram tristes e pareciam guardar uma grande dor até Quinn chegar. A Q libertou a Rachel que vivia presa nos olhos dela.
Não entendo o que está tentando me apontar dessa vez Britt. — Santana disse séria.
Rachel estava sofrendo também, bem antes disso tudo. — a loira de olhos azuis suspirou cansada — Às vezes é horrível ser a única que pode ver as coisas tão claramente. Mas só pense Sanny, você sabe o que é ser traída pelo melhor amigo e já ter problemas, no seu caso foi sua sexualidade que já entrava em confusão antes mesmo da Rachel fazer o que fez com você. Rachel pode enfim ter entendido como você se sentiu.
A latina abaixou o olhar pensando nas palavras da namorada, Brittany sempre dizia coisas que se ligavam, mas dessa vez a garota tinha que admitir que estavam confusas demais. Que problemas Rachel poderia estar lidando? Um vida perfeita? Esse era o problema dela?
Apenas trate bem a Rachel ou o máximo que puder, faça pela Q! — Brittany pediu — Ela não precisa de mais transtornos. — a latina confirmou confusa com a cabeça, ainda tentava procurar uma resposta óbvia.
Santana perdeu a linha de raciocínio quando Rachel apareceu com Blaine, a capitã das Cheerios tentou puxar assunto, mas ainda confusa a latina apenas lhe ignorou, não lhe lançando nenhuma palavra em qualquer momento. O caminho para o hospital foi tranquilo e quase silencioso senão fosse por Brittany, a loira fazia com que todos interagissem com ela e isso envolvia Rachel e Santana trocando algumas palavras, poucas e cortantes por parte da latina, mas eram respostas. E uma quase conversa amistosa.
Espero que a Quinn goste. — Brittany disse animada enquanto brincava delicadamente com as pétalas azuis com as pontas brancas do Aquilégio que havia escolhido para presentear Quinn.
Ela tem que gostar, isso foi muito caro mesmo. — Santana resmungou.
Ela certamente vai adorar, Britt. — Rachel sorriu encorajando a amiga, Brittany virou para as garotas em cada um lado do seu corpo e sorriu para ambas.
Será que podemos entrar todos? — Blaine perguntou confuso, erguendo uma sobrancelha. Santana e Rachel trocaram um sério olhar.
Vocês podem entrar na frente. — disse Rachel ficando alguns passos atrás ao se aproximarem da porta — Eu fiquei com ela até tarde ontem, e Brittany tem um presente, você o vídeo da escola hoje e Santana ainda não a viu. É justo.
Quando Blaine e Brittany concordariam, Santana os interrompeu.
Vocês dois podem ir entrando, eu preciso trocar umas palavrinhas com a Berry. — a latina disse firme surpreendendo a morena, Blaine e Brittany tinham reações opostas, o garoto estava surpreso e a loira apenas orgulhosa.
Até já garotas. — Blaine piscou para ambas e esperou Brittany para seguirem até a porta.
Estou orgulhosa. — a loira murmurou beijando a bochecha da latina e logo depositou um beijo na bochecha de Rachel — Aproveite a chance.
Brittany sorriu para as garotas antes de virar e ser guiada por Blaine para o quarto, as garotas acompanharam com o olhar o momento que os amigos abriram a porta e já sorriam animados, certamente se deparando com Quinn. Rachel sorriu ainda mais.
Rachel. — chamou a latina e a nimadora virou-se imediatamente para ela.
Santana. — indagou a morena — Pode falar.
Vamos para o refeitório. — Santana disse calmamente.
Rachel apenas acenou com a cabeça e seguiu com a latina para onde havia dito. A animadora sabia que jamais teria outra chance de espontânea vontade de Santana, então ela devia pisar certo.
Pode falar. — Rachel disse após um tempo de encarar os olhos escuros da latina, eles estavam ansiosos e ao mesmo tempo receiosos. Isso lhe martirizava.
Você já parou para pensar que só estamos aqui agora, com a Quinn naquele quarto por sua culpa? — disse a latina em um tom suave, mas duro.
Santana... — a morena tentou falar, mas a latina interrompeu.
Você dizia amá-la e em um primeiro momento confuso resolveu virar as costas, não acreditar nos seus próprios sentimentos. — disse a latina em um tom um pouco mais alto, Rachel respirou fundo relaxando os ombros, as garotas se encaravam — Não é fácil entender isso, pelo da Quinn ainda, porque o meu histórico com você é bem maior, você conhece o meu caráter. Acha que eu jogaria sujo desse modo após te dizer que apoiava tudo para não ter a loira sofrendo?
Eu só... — novamente a morena foi interrompida duramente, Rachel engoliu saliva com os olhos chorosos, apertando os lábios.
Porque isso é tão horrível. Eu te garanti que não tinha mais armações e apesar de tudo que passou entre a gente, eu realmente acreditei que a minha palavra ainda valia de alguma coisa. — Santana abaixou o olhar, sua voz era um misto de dor e mágoa. A morena via todas as defesas baixas nesse momento.
Não foi difícil só pra você! — Rachel disse alto, cortando a latina que a encarou surpresa, a animadora olhou em volta e percebeu alguns olhares curiosos, ela tomou ar e voltou a encarar a velha amiga — Foi tão complicado, porque eu não me irritei com você, nem poderia te culpar. Eu de qualquer forma teria iniciado aquilo. Mas entenda, mesmo sendo uma farsa, era tão real que Quinn junto com você e o Blaine estavam quebrando o meu coração.
Eu era sua melhor amiga. — Santana fechou os olhos e uma lágrima solitária apareceu.
Rachel abaixou a cabeça, as lágrimas caiam pelos seus olhos. Ela queria abraçar a latina, aperta-la em seus braços e curar o que tanto tempo de afastamentos, desavenças e raiva haviam causado.
Eu era a criança que brincava com você, que te defendia dos idiotas do jardim de infância e que te deixava brincar com a massa de modelar. Você era a garota estranha e eu a estressada que salvava sua pele. — a latina sorriu tristemente enxugando uma nova lágrima — Eramos como irmãs, mas você rompeu isso duas vezes.
A latina se levantou com lágrimas aparecendo nos olhos, Rachel imitou o gesto pronta para impedir a garota.
Santana, pelo amor de Deus, pelo amor de tudo que você ama, isso não pode ser um adeus ao que já fomos. — Rachel insistiu.
Não é um adeus. — Santana garantiu tomando ar — Mas também não é uma promessa de um novo recomeço.
Santana chegou a virar-se e tentar ir pro quarto de Quinn, ou apenas se afastar, mas ao virar seu rosto se desconfigurou em confusão, assim como o de Rachel. Anita estava bem atrás dela, levantando da outra mesa.
Mamãe? — a latina mais nova chamou confusa enquanto a mulher tentava se recompor com um lenço, Santana sorriu um pouco ao observar seus irmão logo atrás, do outro lado da mesa — Ramon.
O garoto latino era um pouco mais alto que Santana, forte, os olhos escuros e o cabelo em um corte médio. Ele não sorriu, apenas os olhos brilharam em alegria.
Oi, Sanny. — cumprimentou o garoto — Rachel. — Ramon sorriu ao encarar a morena, essa sorriu um pouco e acenou com a cabeça.
O que fazem aqui? — Santana perguntou atordoada com o susto, mas logo abraçou a mãe em cumprimento.
Santana, eu não sei como lhe dizer isso. — Anita se dividia em sorrir e enxugar as lágrimas — Olá, Rachel.
Olá, Anita. — murmurou a morena em seu lugar.
Mamãe, me diga o que está acontecendo. — Santana pediu preocupada.
Abuela está internada. — Ramon foi direto dando a volta na mesa para segurar a mãe pelos ombros. Santana deixou o queixo cair.
O que? Como assim abuela está internada? — a garota latina perguntou angustiada, sua voz ficando alterada.
Santana, tenha calma. — pediu o irmão da latina e esfregou os ombros da mãe.
É o coração. — Anita tocou os ombros da filha, chamando a atenção da mesma. Santana encarou a mãe, seus próprio coração batia fortemente no peito — Ela está indo nesse exato momento, Sanny. E eu acho que você deve estar com ela.
Ela está morrendo? — Santana perguntou com a voz distorcida e foi puxada pela mãe para um abraço, as duas choraram juntas tendo o jovem Ramon esfregando as costas da mãe e depositando um beijo na testa da irmã.
Rachel que tinha a mão na boca se aproximou da velha amiga e fez uma suave carícia nas costas dela, atraindo sua atenção.
Vá ver abuela, vá passar seu tempo com ela. — Rachel murmurou ao ter Santana lhe encarando, a garota acenou com a cabeça antes de irem até o quarto da mulher.
O que vocês fazem aqui? — Ramon perguntou assim que ficaram um pouco afastados de Anita, ela conversava com o médico e levavam Santana até o quarto.
Hã... — Rachel virou-se surpresa para o garoto e sorriu tristemente — Minha... uma amiga está internada. — a morena preferiu testar até onde o garoto sabia, não queria jogar informações demais sobre ele — Você sabe quem é?
É nova? — Ramon questionou e a morena confirmou com a cabeça — Então, não, desde que Santana e mamãe se reaproximaram eu já estava partindo para New York. Estou em NYU, vou jogar como quarterback no ano que vem.
Oh, certo. New York e já chega sendo o quarterback? Que legal, Ramon. Fico feliz. — Rachel disse sem jeito, mas o garoto a puxou para um abraço, ela sorriu e retribuiu o abraço.
Se bem me lembro... — Ramon se afastou da garota, saindo do abraço — Você tinha uma fascinação por New York. Creio que logo nos encontraremos por lá.
Vamos dar um jeito. — a morena abaixou a cabeça constrangida.
Rachel? O que faz aqui? Te procurei feito louco, Quinn quer te ver. — Blaine apareceu no corredor, Rachel quase se jogou aos seus pés em reverência.
Oi, Blaine. — a morena se aproximou do amigo, Ramon virou com um sorriso — Esse é Ramon Lopez, o irmão da Santana. — Rachel apresentou e Blaine ficou surpreso por um segundo.
Olá. — Blaine disse após ser cutucado nas costelas, ele sorriu — Sou Blaine Anderson, amigo da sua irmã.
Oh, ainda não tive tempo de saber sobre a nova vida da Sanny, mas é um prazer. — o garoto latino sorriu e tocou a mão de Blaine.
Falando na Sanny, digo, Santana... — Blaine sacudiu a cabeça virando para Rachel — Onde ela está? Brittany também quer sua presença.
Rachel suspirou e virou para a porta do quarto de abuela, precisariam buscar Brittany, pois a latina precisaria da sua amada ao sair do quarto. Ela precisaria de todos.
Quem... está aí? — a voz rouca e arrastada de abuela soou pouco agressiva, quase inofensiva. Santana fechou os olhos e manteve o controle sobre as lágrimas e se aproximou da cama da avó.
Sou eu, abuela. — a latina gradeceu pela voz firme.
Sanny? — perguntou a mulher focando os olhos cansados na neta, ela sorriu um pouco e uma lágrima caiu — É você.
A garota sentiu o coração derreter. Ela não queria que fosse assim. Se aproximou da avó e hesitou inicialmente em tocar sua mão.
Minha amiga está em observação médica aqui, encontrei com a mamãe e Ramon. Soube da senhora e vim lhe ver. — explicou a latina e tomou ar — Como se sente?
Estou morrendo. — Santana franziu a testa, ela não sabia se abuela havia rosnado ou era um tentativa falha de rir.
Não foi bem o que me contaram, a senhora está bem. — a latina se concentrou nas recomendações do médico. Ele realmente não conhecia aquela mulher, pensou Santana enquanto ouvia sobre não a deixar alarmada ou triste.
Vai começar a mentir pra mim, porcaria? — abuela perguntou com a respiração ficando pesada, Santana rolou os olhos — Não role esses olhos pra mim.
Desculpe. — Santana fez uma careta após se desculpar, depois de quase dois anos sem se desculpar por nada era estranho voltar a fazer — Não vai morrer, eu não vou deixar.
A voz da latina saiu suave e doce enquanto sua mão buscava a de abuela, essa piscou cansadamente e suspirou pesado afastando a mão. Santana apertou os lábios, ela não iria chorar. Ela não podia.
Quer saber Sanny, apesar de não concordar com sua... relação. — abuela suspirou, os olhos escuros e brilhante se fixando no teto — Eu ainda lembrava de você, não por ser minha decepção, mas por ser a neta que eu nunca consegui esquecer.
Uma lágrima despencou pelo rosto de Santana e ela se apressou em enxuga-lá. Mas foi quase inútil quando abuela agarrou a mão dela e um bipe estranho foi ouvido dos aparelhos, seus olhos ficaram atentos a avó.
Eu não vou te pedir perdão... — abuela disse arrastadamente e aos sussurros, Santana fechou os olhos e as lágrimas caíram, a latina mais velha apertava sua mão — Porque eu não aceito sua relação. Mas eu ainda te amo, Santana.
Eu também te amo. — murmurou a latina mais nova tomando ar e apertou a mão de abuela.
Consegue viver com isso? — abuela fechou os olhos, a respiração profunda provocou alguns barulhos nos aparelhos.
Santana fechou os olhos e abaixou a cabeça, ela foi avisada dos aparelhos avisando quando tudo ficaria complicado.
Santana... — ofegou abuela, a garota apertou a mão da avó e chorou com força.
Abuela, hoje eu briguei com a Rachel. — a pequena Santana apareceu emburrada no quintal, mas seus olhos estavam entristecidos. Abuela sorriu contidamente estendendo a roupa no varal.
E por que vocês brigaram? — abuela rolou os olhos e continuou estendendo as roupas.
Porque ontem ela foi embora da escola sem se despedir. — a menina se colocou ao lado da avó, dando passos acompanhando-a.
Santana, ela devia ir rápido. — abuela preferiu ignorar o fato de comentar que a menina encontraria com o pai que visitava a cidade. A latina mais velha largou as roupas e se abaixou em frente a neta — Às vezes, as pessoas não tem tempo para se despedir. Então, diga sempre que as ama. Agora caia fora daqui, Santana, vá fazer alguma lição da escola.
A menina sorriu um pouco e acenou com a cabeça e correu para a porta dos fundos da casa. Santana parou com a porta entreaberta e da varanda dos fundos virou para a mulher que voltava a pendurar roupas no varal, a menina sorriu orgulhosa e entrou fechando a porta.
Santana soluçou apertando a mão de abuela, essa já tinha a respiração irregular.
Mamãe disse que a senhora passou mal hoje. — disse uma Santana aparecendo na cozinha, com seus aparentes doze anos. Abuela bufou irritada sem parar de picar os legumes, a garota abaixou o olhar para encarar as mãos sobre o balcão — Foi o coração, abuela?
Sí. — confirmou a latina mais velha em um rosnado, Santana ergueu um pouco o olhar para encarar a avó.
Está se tratando direito? Como recomendou o médico? — perguntou a garota timidamente.
Santana! — repreendeu a mulher atravessando um pedaço de cenoura com a faca, Santana quase pulou em seu lugar — Eu não vou morrer, não pelo meu coração duro feito pedra. E isso é uma promessa.
Desculpe. Licença. — a garota abaixou a cabeça e logo virou para deixar a cozinha, um pequeno sorriso se formou em sua boca. Pois era uma promessa.
Santana levantou a cabeça e soluçou antes de falar, abuela tinha os olhos fechados, a respiração agitada e os bipes nos aparelhos começavam a ficar mais constantes.
Você prometeu. Me prometeu que não morreria pelo seu coração duro feito pedra. — Santana quase exigiu. Abuela sorriu cansada.
Ele não é tão durão agora... — os bipes ficaram mais altos e constantes agora, Santana encarou o aparelho que apontava a frequência cardíaca, abuela apertou sua mão — Saia daqui... não quero que veja.
Não! — gritou a garota imponente e enrijecendo seu corpo.
Caia fora daqui, Santana Diabla Lopez! — vociferou a mulher como um leão, mas logo após soltou a mão da neta e a levou ao coração, os olhos pareciam saltar do lugar.
Santana tentou gritar, mas os enfermeiros que invadiam o quarto prontos para retirá-la dali. A latina se debateu, mas eles a tiraram dizendo precisar amenizar o sofrimento. Ela queria chorar e ela chorou, sem vergonha alguma.
Ramon e Anita foram os primeiros a agarrarem a menina e logo o irmão da latina chamou Brittany, que já estava presente, para aquele abraço e a loira atendeu com os olhos emocionados, mas o importante agora era Santana. Rachel se encostou na parede, os olhos ficando borrados de lágrimas, mas fixos na velha amiga, nas lágrimas dolorosas e no soluço alto e agoniante da latina.
Santana conseguiu se recuperar e precisou sair do abraço, para ter ar, as lágrimas seguiam caindo e foi então que se deparou com Rachel, lhe encarando, chorando. A morena se aproximou vagarosamente da latina, todos acenaram com a cabeça e se afastaram um pouco.
Rach... — a morena interrompeu a latina.
Não é um adeus, mas também não é uma promessa de recomeço. — Rachel acenou com a cabeça em entendimento, após repetir o que ouviu mais cedo na conversa delas — Só me deixe te abraçar agora. Pela Quinn, porque ela pediu, mas por mim também.
A latina não respondeu, apenas se agarrou a velha amiga, o choro se mostrando presente novamente, mas dessa vez Rachel lhe acompanhava.
Notas finais
Algumas promessas serão feitas. Interações Faberry de volta. Quinn e Ramon vão ter um pequeno (nada sério) enfrentamento por conta da Rachel.
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