You Got A Hold Of Me

37 Capítulo 037 - Lembranças natalinas.


Notas iniciais
Eu só queria dar 2 avisos antes do capítulo.
Primeiro: Para as garotas que estavam acompanhando HWY, a fic vai voltar, porque eu quero mesmo termina-lá, mas apenas quando YGAHOM estiver próxima ao final.
Segundo: Dia 7 YGAHOM volta, porque eu não vou tirar férias e com certeza vocês vão.
Ah, Valeria Mendes, obrigada pela recomendação. Eu fiquei mesmo feliz e estou bastante grata, é por isso que esse capítulo é pra você.

O senhor Schuester havia conseguido, enfim, convencer o diretor Figgins de deixar os garotos do coral serem voluntários e cantarem em um orfanato. As Nacionais chegariam em breve e ninguém tinha boas ideias, uma ou outra que depois de muito estudadas eram descartadas ou continuavam em estudos. Talvez um pouco de espírito natalino e boas ações os motivassem.

A princípio todos estavam detestando fazer camas, lavar pratos, varrer chão e guardar roupas, até brinquedos. Mas apesar de ainda ser início de novembro, o clima natalino já se apossava do lugar, um velho orfanato cheio de crianças de várias idades e raças, todas sorridentes e que estavam naquele momento em aula. E a missão do Novas Direções era organizar o melhor Natal fora de época para as crianças.

Quinn estava na sala do jardim de infância, uma professora havia pedido sua ajuda para olhar as crianças enquanto ela saia um pouco de sala, a loira aceitou de imediato. Ela estava ajoelhada em frente a uma pequena mesa e com um giz de cera preto fazia vários desenhos em folhas de papéis azuis, as crianças, de no máximo quatro e cinco anos de idade, se amontoavam ao seu redor. Todos queriam um desenho natalino. Uma bola de Natal. Um Papai Noel. Um presente. Uma árvore de Natal. A loira sorria contente, apesar das pequenas desavenças entre as crianças a sua volta, elas não partiam para uma briga e com calma todos terminavam voltando as suas mesas com seus desenhos, e os colorindo.

Parabéns. — Santana sussurrou empurrando o ombro de Rachel, a morena estava a procura da namorada e quando a encontrou perdida entre sorrisos e conversas inocentes, a animadora se encostou no arco da porta e se permitiu assistir a cena com um doce sorriso. Rachel fez uma careta confusa para a latina.

Parabéns pelo o que? E por que sussurramos? — Rachel perguntou no mesmo tom de voz da latina.

Ela... — a latina agarrou o queixo da morena e a fez voltar a observar Quinn — É uma boa garota e será uma ótima mãe. — Rachel voltou a sorrir e cruzou os braços.

Acha que vamos durar tanto assim? Porque, você sabe... — a morena suspirou antes de voltar a observar Santana que a olhava atenta — A formatura, faculdade, carreiras... é tudo tão confuso. — Rachel fez uma careta.

Rachel Berry temendo o futuro? — Santana ironizou antes de suspirar preocupada — Você era uma criança animada, louca para seguir os passos da sua mãe no teatro, que não foram muitos, mas você tinha tantos sonhos de orgulha-lá com isso. O que houve?

Broadway, Santana? Você já reparou bem que não faço o estilo de uma atriz, certo? — a morena voltou sua atenção a namorada.

Lembro de uma garota que dizia que provaria a todos que seu talento era bem maior que sua aparência. — Santana colocou o corpo reto antes de estreitar os olhos sobre a morena — Quinn andou me contando dos problemas de vocês duas em irem pra cama, você sempre foi decidida quanto a tudo. Não é o seu tipo estar em cima do muro e muito menos deixar algo pela metade.

É sexo, Santana! — repreendeu Rachel virando-se para a latina com um duro olhar — Não é um joguinho de tabuleiro, é a minha intimidade.

Por que você ficou tão inacessível desde os oito anos de idade? Deixou de acreditar no Papai Noel e resolveu isolar-se do mundo? — a latina cuspiu as palavras de forma rude e grossa, Rachel abaixou o rosto e sentiu a adrenalina percorrer seu corpo.

Escuta bem, foram tantas as vezes que tentei falar com você, tantas que nem pode imaginar... — a morena gritou pegando a latina pelos braços e a batendo contra o arco da porta, a voz carregada de dor e fúria, as crianças haviam se agitado com o susto que tiveram e Quinn tentava acalma-lás para ir separar as garotas — Mas estava tão preocupada com os malditos garotos começando a te rondar que não podia me ouvir.

Garotas, garotas! — duas professoras apareceram e conseguiram tirar Rachel de cima da latina. Santana estava tão surpresa com aquela reação que mal sabia o que falar.

As garotas haviam sido praticamente trancadas em uma mesma sala após terem os nervos acalmados, o senhor Schuester havia achado que era o correto. Trata-lás como crianças quando haviam brigado em frente a crianças, que apesar de disputarem por terem seus desenhos não brigavam por aquilo. A latina estava encostada em uma armário que guardava vários brinquedos enquanto a morena estava sentada em uma cadeira de criança no centro da sala, com vários brinquedos em volta e cadeiras, haviam duas imensas janelas cobertas pelas cortinas que ainda iluminavam a sala.

Começou na semana após você ter pegado aquela infecção no estômago, devido a quantidade exagerada de hamburgeres de carne que comeu no acampamento de verão. — Santana riu após falar suavemente, Rachel tinha a cabeça abaixada, mas estava atenta a tudo que ouvia apesar da expressão neutra em seu rosto — Me lembro bem de você vomitando no diretor Figgins quando ele foi a ala do fundamental te dar boas vindas. Todos acreditavam que você seguia doente. — a latina encarou as costas da amiga.

Rachel ergueu a cabeça e respirou fundo, sua mente estava sendo lançada para muito tempo atrás. Uma garota animada e adorável que começava a ficar retraída e isolar-se. Mas que apesar disso seguia ao lado de Santana, a garota que era a isolada e revoltada, porém começava a mostrar-se um pouco mais social e bela. Os papéis se invertiam, mas por motivos diferentes.

Lembra do nosso Natal, no ano anterior? — Rachel perguntou virando o corpo em direção a latina, essa concordou com a cabeça — Foi o último Natal completamente bom e emocionante que tive.

As duas garotas riram, inesperadamente, lembrando daquele dia vinte e quatro de Dezembro.

Racheeel! — gritou uma menina pequena após entrar correndo pela porta de entrada da mansão Berry, os cabelos escuros presos em um rabo de cavalo alto, os olhos brilhantes e um sorriso enorme onde faltava um dente, a pele morena e as bochechas enormes. A garota latina usava o vestido branco com flores azuis, além de um sapato branco fechado e nos braços vinha sendo abraçado um pequeno urso marrom Papai Noel de pélucia.

Saaantana! — outra menina gritava descendo as escadas de mãos dadas a Shelby, os cabelos negros soltos com vários cachos dançando no ar com uma tiara branca na cabeça e a franja caindo pela sua testa. Usava um vestido rosa com uma estrela dourada na altura do peito.

As pequenas Rachel e Santana se abraçaram quando enfim estavam frente a frente, Shelby apontou para a cozinha com a cabeça, Leroy que já havia entrado, e tinha ido buscar Santana, concordou com a cabeça antes de fechar a porta e seguir a ex-esposa, com a qual tinha um ótimo relacionamento.

Cadê a sua árvore? — Santana perguntou entusiasmada ao sair do abraço.

Na sala, vem comigo. — a morena pegou a mão da amiga e a guiou para a sala.

Não que a menina latina não tivesse visto a árvore no dia anterior, mas havia visto pela manhã e sempre que o senhor Berry chegava a casa, Rachel e o pai decoravam ainda mais a árvore e colocavam os presentes dele lá.

Uma enorme caixa embrulhada com papel vermelho brilhante cheio de papais noéis estava ao lado de outra caixa do mesmo tamanho, porém com um papel amarelo brilhante e com diversos alces por toda ela, nos laços vermelhos haviam etiquetas, uma com o nome de Rachel e outra com o nome de Santana. As garotas observavam a imensa árvore embelezadas.

Eram dois metros de pinheiro enfeitado por várias luzes brancas e que piscavam, os enfeites de caixas de presentes, bolas, sinos, papais nóeis e pequenas meias coloriam a árvore. A imensa estrela dourada no topo da árvore tinha uma lâmpada dentro que a deixava brilhando.

Rachel estava feliz que o pequeno Pierre não podia alcançar a estrela, eles alcançava no máximo os enfeites mais baixos e com os presentes ele não mexia, a garota não entendia exatamente o porque, o gato apenas dormia entre os embrulhos. Pierre era o gato de estimação dos Berry, branco, peludo e de raça, porém já tinha uma certa idade.

Esse é pra mim? — Santana perguntou surpresa apontando para a caixa vermelha, mas com um largo sorriso em seu rosto, Rachel pulou animada em seu lugar.

É, papai disse que quando viu achou que nos via. — Rachel repetiu as palavras do pai, sua imaginação flutuava em um céu azul e divertido ao tentar imaginar o que seria o presente.

Uau. — foi tudo o que a menina latina conseguia dizer.

Não vai poder estar para o jantar, certo? — Rachel perguntou timidamente.

As garotas estavam sentadas em frente a grande árvore, Santana com seu urso em mãos e Rachel segurando o pequeno gato branco no colo, ele dormia já tinha algum tempo, desfrutava da divertida conversa das garotas.

Certo. — Santana abaixou a cabeça e suspirou profundamente — Abuela quer que eu esteja presente, meu pai vai estar e sentimentos muita falta dele.

Então, vamos para o meu quarto. Tenho que te dar seu presente. — a morena disse tirando Pierre do colo sem nenhuma cerimônia, o gato miou incomodado mas correu para baixo da árvore, se enfiando entre os presentes. Santana também já se colocava de pé, não soltando o urso.

As garotas gargalharam enquanto corriam pelas escadas, tanto Shelby quanto Abuela gritavam com elas por isso e era sempre divertido.

O quarto tinha as paredes laterais brancas e as restantes em um rosa claro, ainda nesse paredes haviam dezenas de estrelas douradas espalhadas por ela em diversos tamanhos. A cama com os lençóis brancos e vários detalhes rosas com almofadas de estrelas, haviam também várias bonecas distribuidas pelo quarto.

Rachel sentou-se em frente a cama com uma atenta Santana lhe observando curiosa. Quando a morena puxou uma caixa branca com um laço da mesma cor sobre ela, a garota latina estreitou os olhos desconfiadas. Rachel não era o tipo de criança que se pregava pegadinhas, muito menos em Santana Lopez.

A morena levantou-se colocando a caixa sobre a cama, em frente a Santana que lhe observava confusa.

Pode abrir, sua boba. — autorizou a morena com um largo sorriso.

A latina descobriu que se tratava de uma caixa, conseguiu tirar a tampa dela sem machucar nada e foi então que seus olhos escuros brilharam intensamente. Dentro da caixa, protegido em um monte de papel e algodão, estava uma pequena miniatura de um carro de fórmula um, o primeiro modelo de corrida criado pela Ferrari, uma Ferrari 125 vermelha de numeração 64.

São nossos números da sorte. — Santana disse embelezada pegando a miniatura do carro nas mãos e virou para a melhor amiga.

Papai encontrou exatamente o que eu havia pedido a ele. — Rachel disse atraindo a atenção da amiga, ambas sorriram — Desculpa, pedi para ele que não importasse o modelo, apenas que tivesse nossos números da sorte e...

A morena foi calada por um forte abraço da melhor amiga, ela retribuiu o abraço com a mesma intensidade. Na hora do abraço, o urso de Santana havia caido no chão e ela nem perceberá aquilo.

Eu te amo, Rach. — murmurou a garota latina no ouvido da outra garota, ainda se abraçavam com força. Rachel sorriu contente. Ela ainda não tinha noção da importância daquela palavra, mas em filmes havia visto, junto com Santana, várias pessoas dizendo "eu te amo" e na maioria das vezes as pessoas se sentiam imensamente felizes ao dizer aquilo. E ela se sentia feliz em ouvir aquilo da melhor amiga.

Você vai fazer falta. — respondeu Rachel apertando ainda mais a amiga no abraço — E eu também amo você.

As garotas sorriram ainda mais e se permitiram prolongar ainda mais aquele abraço.

Com certeza vai fazer falta. — garantiu Rachel fechando os olhos.

O primeiro da minha coleção. — Santana disse e riu junto com Rachel, as garotas estavam sentadas frente a frente agora — E tenho saudades do Pierre. — a latina enxugou as lágrimas da risada, estavam relembrando aquele Natal.

Eu também tenho, partiu pouco depois do Natal. — Rachel lembrou desviando o olhar para o canto da sala.

Quem partiu pouco depois do Natal? — Quinn perguntou e as garotas a encararam, a loira estava encostada na porta e parecia estar ali há um longo tempo — Se entenderam? — perguntou timidamente.

Está tudo bem agora. — Rachel murmurou com um doce sorriso.

Pierre. — Santana falou alto e Quinn fez uma careta — O antigo gato da Rachel.
Dos Berry. — Rachel corrigiu encarando a latina — Mas sim, era meu, eu cuidava e passava a maior parte do tempo com ele. Fiquei bastante mal com a morte dele.

Eu sinto muito, um dia posso te dar um. — Quinn piscou para a morena e fechou a porta atrás de si, logo se aproximando das garotas — Lembrando o passado?

Lembrando um Natal. — Rachel voltou a encarar a namorada com um sorriso.

Não tem nenhuma história aí? — Santana brincou rolando os olhos enquanto Quinn puxava uma cadeira e sentava próxima as garotas.

Talvez. — Quinn brincou tocando o joelho da namorada, as duas garotas se olharam e Rachel acenou com a cabeça, como se confirmasse estar tudo realmente bem.

Conte. — a latina incentivou colocando os pés sobre outra cadeira e se apoiando o pouco possível que podia na cadeira.

Sério? — perguntou Quinn encarando a latina que deu de ombros, a loira olhou para Rachel.

Vá em frente. — Rachel sorriu.

Quinn respirou fundo e sorriu.

Eles ainda estão lá dentro? — uma garotinha de cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo, olhos verdes e de óculos de grau surgiu na sala, usando um vestido vermelho com uma faixa branca na cintura, os sapatos pretos.

Oi, Quinn. — saudou o menino com o cabelo desgrenhado, olhos claros e uma expressão de tédio, ele usava uma calça preta, sapatos na mesma cor e uma camisa de mangas compridas branca — É, já se trancaram no escritório do seu pai.

Era pra ser um dia de folga. — murmurou a garota indo em direção ao sofá e sentando-se ao lado do garoto.

Nossos pais não param nem no Natal. — resmungou o garoto.

O meu não para nem na Ação de Graças, Noah. — Quinn disse com um mínimo sorriso no rosto.

Já te disse que é Puck agora. — o garoto cutucou o ombro da garota com o cotovelo, Quinn riu.

Continuo a chamar de Noah e isso nunca vai mudar. — a garota devolveu o golpe no ombro e riu, o menino sorriu.

Onde está a Frannie? — Puck perguntou após pararem de rir, Quinn rolou os olhos.

Devo te lembrar que ela tem namorado, não é Noah? — provocou a menina — Wow! Seu idiota! — Quinn gemeu ao levar um soco do amigo no braço.

Não gosto da sua irmã. — resmungou o garoto projetando os lábios em um adorável bico e estreitando os olhos sobre a loira ao seu lado.

Sério, Noah? Poxa, eu gosto tanto de você. — a voz risonha de Frannie fez as crianças pularem no sofá e ficarem de joelhos vendo a garota chegar com algumas sacolas. O garoto estava vermelho, mas ainda assim encarou a Fabray mais velha.

Quer ajuda? — o garoto ofereceu timidamente, Frannie riu observando o rolar de olhos entediante da irmã.

Não, querido, fique quieto aí. — Frannie se dirigiu para a imensa árvore posta no canto da sala, próxima a imensa janela — Como está sua mãe, Noah?

Muito bem, não pode vir porque... ah, vocês sabem. — Puck respondeu enquanto voltava a sentar-se junto a Quinn, a menina observava o amigo falar.

Sim, sabemos. E como está Jake? — Frannie prosseguiu esvaziando suas sacolas e colocando os presentes debaixo da árvore.

Chorando e enchendo fraldas. — Puck fez uma careta.

Argh. — Quinn gemeu fazendo uma careta também.

Quinnie, até sete anos atrás você estava enchendo fraldas também. — Frannie brincou se colocando de pé e virando para as crianças, a menina fez uma careta de reprovação para a irmã.

Onde está seu namorado perfeito? — Quinn provocou, Frannie sorriu balançando a cabeça.

Não pode vir comigo, teve que ficar com a família em Lima. — explicou Frannie.

Lima? — Puck perguntou confuso, oscilando o olhar de uma Fabray para a outra.

Uma cidade esquecida no interior de Ohio. — Quinn deu de ombros ao responder.

Ohio? — o rosto do menino se contorcia em confusão.

Noah, já pensou em prestar atenção nas aulas de Geografia da senhorita Louise? — a loira mais nova provocou e o garoto armou o braço para socar novamente o ombro da amiga, Quinn imitou o movimento.

Ei, ei, ei! — Frannie se apressou em aproximar-se e segurar a mão das crianças — Sem brigas. Quinn, Lima não é uma cidade esquecida no interior de Ohio, um dia te levarei lá e verá como é. E Noah, deve prestar atenção nas aulas, a senhorita Louise é bastante doce.

E é a outra paixão platônica do Noah. — Quinn voltou a provocar, dessa vez Puck estava decidido em acertar a amiga, mas alguém mais surgiu na sala.

Lucy Quinn Fabray. — a voz firme e imponente de Judy Fabray fez as crianças voltarem a sentar-se comportadamente.

Precisa me ensinar isso. — Frannie suspirou — Um dia terei os meus e vou precisar da mesma autoridade. — a garota virou para a mãe com um sorriso.

É algo que se aprende sozinha, querida.. — a mulher piscou cúmplice para a filha e tocou seu ombro — Agora vá ajudar seus primos a colocarem a mesa, querida.

Claro, mamãe. — Frannie beijou a bochecha da mãe antes de deixar a sala.

E vocês? — a senhora Fabray se colocou em frente as crianças com as mãos na cintura, a expressão neutra, os olhos verdes cheios de bondade.

Estamos bem, obrigada. — Quinn brincou timidamente causando o sorriso da mãe.

Então, vão lavar as mãos que trato de tirar seus pais daquele maldito escritório. — Judy disse abrindo caminho para as crianças, Puck foi o primeiro a pular do sofá e correr para o lavatório da mansão Fabray.

Mamãe... — Quinn chamou a mãe que se abaixou a altura da filha.

Sim, anjo? — Judy perguntou.

Você disse "maldito". — a garota se ruborizou e abaixou a cabeça.

Quinnie... — Judy chamou e timidamente a garota levantou a cabeça para encarar os olhos da mãe, a mulher sorriu tocando suavemente o queixo da menina — Existem duas coisinhas chamadas de maldade e bondade. Você sabe o que significam, certo? — a menina acenou com a cabeça — Você sabe dizer se a mamãe disse com maldade ou bondade essa palavra?

Sim. Bondade. — Quinn disse suave, Judy sorriu um pouco mais.

Como tem certeza? — a mulher questionou.

Você é boa. Eu sei porque você me ama. — a menina disse tranquila.

Exatamente, anjo. — Judy soltou o queixo da garota e tocou o peito da filha, sobre o coração — Aqui você sempre saberá o que é verdade e o que mentira, no caso, o que é bondade e o que é maldade. — Quinn abaixou a cabeça para olhar a mão da mãe — Se alguém te ama, e aí dentro seu coração pula ao ouvir a voz desse alguém, ele jamais te fará mal ou te dirá qualquer maldade. Lembre-se de sempre ouvir seu coração.

Tum tum. — Quinn murmurou e Judy sorriu confusa.

Como? — a mulher perguntou e a filha a encarou.

Meu coração diz tum tum na maior parte do tempo. — os olhos brilhantes e o sorriso travesso de Quinn se mostraram para a mãe, ambas gargalharam.

Eu te amo, Lucy Quinn Fabray. — Judy disse se levantando e estendendo a mão para a filha.

E eu também te amo, mamãe. — Quinn respondeu pegando a mão da mãe e caminhando com ela para o lavatório.

Sua mãe era tão doce. — Rachel murmurou vendo os olhos da loira brilharem devido as lágrimas, essa respirou fundo.

A pessoa que eu mais amava na vida. Ainda amo. — Quinn abaixou a cabeça enxugando os cantos dos olhos, Rachel inclinou-se para o lado e tocou as costas da namorada, acariciando confortavelmente.

Quem era Noah Puckerman afinal? — Santana perguntou de pé enquanto ajeitava sua roupa.

O que? — Quinn ergueu o rosto confusa, Rachel sorriu e agradeceu mentalmente para a estratégia de Santana de mudar o assunto, assim melhorando o clima para a loira.

O garotinho que eram afim da sua irmã e você dele. — Santana zombou, Rachel fechou os olhos e riu baixinho, a morena deslizou a mão pelo braço da namorada até alcançar a mão dela e entrelaçar seus dedos.

Noah Puckerman, Puck. — Quinn se colocou de pé e ajudou a namorada a levantar — Filho de um sócio e melhor amigo do meu pai. E eu não era afim dele.

Certeza, Fabray? — a latina cruzou os braços e encarou a amiga.

Santana, chega, não me agrada mesmo saber que o primeiro amor da minha namorada foi um garoto. — Rachel entrou no jogo.

Ei! — Quinn encarou duramente a namorada.

Você acha que a Quinn escrevia cartas de amor pra ele? — Santana sorriu para Rachel, Quinn parecia chocada como sua namorada parecia pensar naquilo.

Com certeza. Dezenas de diários lamentando que o garoto pela qual era apaixonada gostava de sua irmã e da professora. — Rachel disse e respirou fundo.

Não creio nisso. — a loira se ruborizou enquanto abaixava a cabeça frustrada, Santana gargalhou enquanto Rachel abraçava a namorada pela cintura apenas com um dos braços.

Meu amor, tranquila, estamos apenas querendo te incomodar. — Rachel se desculpou antes de beijar a cabeça da loira.

Está feliz? — Quinn perguntou virando para a namorada, Rachel desconfiou do tom ameaçador.

Sim. Mas creio que deixarei de estar, certo? — Rachel questionou desconfiada.

Jesse vem me ver no fim de semana. — Quinn mordeu o lábio inferior, Santana estava atenta a cena com um sorriso animado.

Jesse... — Rachel repetiu buscando na memória e quando chegou, wow, a morena separou-se da namorada — Ele adivinha quando não poderei estar o vigiando.

Tenham sua DR em paz. — Santana rolou os olhos indo em direção a porta.

Não, você sabia disso. — Rachel acusou apontando para Santana.

Garotas... — a porta se abriu revelando um contente Blaine, mas o garoto sorriu confuso — Bom, está tudo pronto, só precisamos de vocês para a entrega de presentes.

As três garotas se encararam e respiraram fundo, elas estavam ali para fazer uma boa ação afinal. Um Natal fora de época para crianças necessitadas.

Kurt estava de Papai Noel, com Brittany, Artie, Mercedes, Rory e Blaine vestidos de duendes. Quinn, Santana, Rachel, Sebastian e os demais membros do coral serviam o almoço para as crianças. Tudo acontecia no refeitório.

O coral se apresentou com uma música natalina e em seguida foi a vez do pequeno coral do orfanato se apresentar para os jovens, o que foi emocionante. A entrega do almoço foi feita pouco antes da entrega de presentes, dando tempo para que os garotos fantasiados se vestissem, Rory havia se recusado a ser o Papai Noel e por isso Kurt teve que pegar a fantasia. Algumas crianças sabiam bem que era um Papai Noel de mentira, mas ainda assim não falavam nada, mantendo a magia para as crianças menores que sentavam no colo de Kurt completamente emocionadas.

Um Papai Noel gay. — Santana murmurou divertida, Rachel a cutucou nas costelas — Ei! — resmungou a latina.

Hora da história de Natal! — uma das crianças gritou e as demais começaram a gritar junto, as professoras e monitoras do orfanato pareciam ter problemas para conter as crianças. Mas com calma todos foram sendo organizados na sala, as professoras, monitoras e o senhor Schuester decidiram deixar os jovens sozinhos com as crianças, dando mais liberdade para uma história completamente livre.

Era uma vez, em uma noite de Natal... — Kurt começou a falar com a voz rouca e as crianças estavam atentas, como todos os jovens do Novas Direções.

Exceto Rachel e Quinn que haviam se oferecido para levar a louça suja até a cozinha do orfanato. Todo o percurso foi feito em silêncio.

Tenho um presente pra você. — Quinn murmurou fazendo a morena largar a louça na pia antes de virar-se para ela surpresa.

Quinn... ainda nem é Natal. — Rachel disse desconfiada, a loira riu.

I just want you for my own

More than you could ever know

Make my wish come true

All I want for Christmas is you

A loira cantou estendendo a mão para a namorada, Rachel sorriu tirando o avental antes de aproximar-se de Quinn e pegar sua mão. A morena se permitiu apoiar-se sobre o corpo da garota, que estava apoiado em um balcão no centro da cozinha. Quinn sorriu para a namorada, Rachel respirou fundo enquanto passava os braços em volta do pescoço da loira.

All I want for christmas is you

Rachell repetiu a frase e Quinn riu apertando o abraço em volta da namorada. As duas garota sorriram trocando um intenso olhar.

Baby, all I want for Christmas is you

As garotas cantaram aquela frase juntas, seus sorrisos se alargaram ainda mais antes de terminarem aquele momento em um beijo. Um beijo calmo e tão significativo quanto qualquer um. Não era Natal, mas lembrar do que tinham, e que tinham uma a outra, fazia com que seus dias se transformanssem em manhãs de Natal.

E o meu presente? — Rachel perguntou em um fio de voz após separar-se do beijo, seu ar havia acabado tinha segundos, mas se forçou a permanecer no beijo até Quinn também sentir falta do ar.

O que acha de ir passar o Natal comigo na Califórnia? — Quinn perguntou após recuperar um pouco de ar, Rachel abriu os olhos surpresa e logo em seguida um sorriso.

Só... nós duas? — Rachel perguntou desconfiada.

Somente nós duas. — confirmou a loira colocando uma mecha de cabelo da namorada atrás da orelha, Quinn sorriu encarando os olhos brilhantes de Rachel — Aceita?

A morena respirou fundo, em sua mente ela fazia uma conta mental. Nada poderia atrapalhar sua felicidade até o Natal, certo? Jesse não era uma ameaça, era somente um final de semana que ela passaria no rancho dos avôs e um final de semana que o garoto estaria com a sua namorada. Ela podia suportar aquilo.

Aceito. — disse Rachel e as garotas sorriram.

Notas finais
Nos vemos dia 7 com o capítulo 'Segredos'. Feliz natal pra vocês.