You Got A Hold Of Me

4 Capítulo 004 - Nova semana, novos boatos (Parte 1)


O mar vermelho se abria diante a figura furiosa dos cinco animadores que marchavam para a sala do jornal, eles pareciam dispostos a estrangular alguém. Rachel apertava o jornal escolar em suas mãos com raiva. Ela esperou o dia todo pelo intervalo, agora poderia sufocar Santana Lopez sem problema algum.

Quando a porta da sala do jornal foi aberta com um chute de Artie, as pessoas dentro da sala resmungaram enquanto se reuniam no centro da sala. Os animadores das Cheerios entravam na sala como uma gangue bem orquestrada, todos ficando atrás de Rachel e em posições de "ataque", dispostos a atacar quem se aproximasse de sua capitã.

Que porra é essa Santana? — a voz de Rachel saiu carregada de fúria, enquanto jogava o jornal contra a jornalista do colégio, a latina sorriu de lado.

São fatos! — afirmou Santana.

Eu vou marcar um fato na sua cara. — a capitã se jogou contra a garota que se encolheu, mas Artie agarrou a morena pela cintura e Kurt tentava controlar as mãos de Rachel, que buscavam tocar a latina. Santana também foi contida por Quinn e Blaine.

Só conta pra gente, se divertiu? — perguntou a latina sendo sarcástica.

Eu só enchi a cara! — afirmou a capitã das Cheerios tentando se livrar dos amigos que a seguravam — Acabei me jogando na cama e só.

E quem fez aquela bagunça toda, Berry? — Santana soava debochada, o que fazia algo explodir dentro de Rachel.

A vaca da sua mãe! — nesse momento a latina se lançou pra cima de Rachel, mas já estava presa pelos amigos. Quinn encarava a animadora, por dentro sentia o corpo tremer, mas ali, no meio da discussão, se mostrava indiferente, apenas preocupada em segurar a sua editora chefe.

As garotas começaram uma enorme discussão e todos ali só se concentravam em não deixar que se tocassem, assim provocando uma briga que daria suspensão as duas garotas. Rachel foi retirada dali com muito esforço, estava completamente fora de si e ainda teria que enfrentar uma treinadora Sylvester raivosa, que por sorte teve que gravar um comercial aquela manhã, mas a morena sabia o diabo que enfrentaria quando ela chegasse.

Na verdade, Rachel não sabia nada do que havia passado aquela noite. Somente borrões, imagens de pessoas e duas órbitas cor de avelã, mas nada que fizesse sentido. Passou o domingo todo trancada em sua casa, tanto por conta da ressaca quanto pela falta de memória e informações do que lhe aconteceu na festa, nem saber como havia chegado em casa ela sabia. Era difícil dizer, soube que seu carro permanecia na frente da casa de Brittany, pois a loira a ligou dizendo que levaria mais tarde. Só Deus pra lhe dizer como havia chegado em casa. Será que ficou com algum garoto e ele a levou? Não, podia estar bêbada, mas nem assim ficaria com um cara. Por isso passou o dia trancada, a outra possibilidade era ter ficado com uma garota e aquilo não podia ter acontecido.

O que Santana publicou em seu jornal naquela segunda-feira apenas a deixou mais desesperada.

Jornal do colégio:

"O boato que certamente irá rondar o McKinley High School essa semana é o seguinte:

Enquanto todos aproveitavam a festa oferecida pelas animadoras, aberta aos calouros e veteranos, teve mais além do velho trote de 'chuva' de slushies de uva e morango sobre os novatos. Algo que certamente pode estremecer a pirâmide de popularidade do McKinley.

A capitã das líderes de torcida, as Cheerios, Rachel Berry, foi vista deixando a festa (que acontecia na casa da líder de torcida Brittany Pierce) acompanhada de uma pessoa com os cabelos loiros, mais alta que a capitã do grupo do celibato. Quem assistiu a cena disse que a garota estava completamente bêbada e se mostrava bem animada pra cima de seu misterioso acompanhante. O quarto de Brittany também foi visto bastante desarrumado e com sinais de sangue, como se alguém houvesse brigado ali, ou simplesmente perdido sua virgindade.

Teria nossa capitã das líderes de torcida e do grupo do celibato abusado da bebida e assim perdido sua virgindade? Infelizmente, só podemos supor."

Após uma reunião com o diretor Figgins e a treinadora Sylvester no final do dia, com a presença da mãe de Rachel, a senhora Corcoran assegurou que sua filha chegou em casa sozinha e não aparentava estar bêbada. Rachel sabia que a mãe mentia em algum ponto e averiguaria isso após chegar em casa. Mas outra coisa não lhe escapava, a única pessoa loira que poderia ter a visto e que sabia onde encontra-lá, além da própria Brittany que confirmou não ter a levado, seria apenas uma outra garota naquela escola.

Na saída do colégio, a multidão se aglomerava na frente do colégio, alguns ainda encaravam Rachel e comentavam entre si. Ela não perderia seu tempo dando satisfação ou negando qualquer coisa, era só mandar lhe acertarem slushies e tudo ficaria certo.

Ei, Quinn! — a voz firme e imponente chamou a atenção da loira que já se aproximava do carro de Blaine com o garoto em seu encalço, ambos se viraram pra líder de torcida.

Oi, Rachel, o que foi? — a loira perguntou, agradeceu mentalmente pela firmeza que saiu em sua voz.

Preciso das fotos. — pediu a morena cruzando os braços, mas um papel amarelo era notado em sua mão — Pode passar lá em casa essa tarde pra me entregar?

Acontece que ainda não tive tempo de revelar. — a loira disse simples.

Não, só me dê as fotos, eu mando revelar. — a voz da capitã era diferente, a loira podia sentir um nervosismo.

Mas Rachel, eu sei fazer isso e... — a loira tentou explicar, mas foi cortada.

Não, Quinn! — falou alterando um pouco o tom de voz, deixando os braços cairem em cada lado do seu corpo, Quinn a encarou nos olhos, era mais evidente o nervosismo — Só vá me deixar as fotos hoje, por favor! — a voz da morena saiu baixa e fraca. O "por favor" só podia ser um sinal que o final dos tempos chegaria ou Rachel Berry queria passar uma espécie de código para a loira. Blaine via a cena indignado. De que fotos falavam? Aliás, desde quando Rachel Berry tinha proximidade com a novata estranha e fechada?

Ok, só preciso do seu endereço. — Quinn cruzou os braços e encarou a morena seriamente.

Aqui! — Rachel esticou a mão com o papel amarelo, que Quinn logo tratou de pegar — Ás quatro, estarei só em casa, não se atrase, por favor.
A capitã das Cheerios não esperou uma resposta e deu as costas aos jovens, que se encararam. Quinn deu de ombros pra expressão curiosa do rapaz, em silêncio entraram no carro de Blaine.

Seria muita indiscrição da minha parte perguntar o que foi isso? — perguntou o rapaz dando ênfase a palavra "isso".

Me chamaram pra tirar as fotos da festa no sábado. — Quinn foi direta, Blaine sorriu de lado, como se pegasse a piada no ar. A loira o encarou arqueando uma sobrancelha — Que sorriso é esse? O que pensa?

Que é você a pessoa misteriosa que deixou Rachel em casa. — afirmou o garoto com convicção e dando partida no carro e o colocando em movimento.

O que? Não... nem pensar... não fui eu! — afirmou a loira tentando soar firme, mas sua voz se quebrou no meio da frase, ela suspirou aborrecida.

Quinn, se não quer falar, tudo bem, não que eu vá sair contando pra metade da escola ou publique no jornal do colégio. — falou simples — Não sou a Santana.

Não, eu preciso contar e você é meu único amigo aqui. — disse a garota enquanto Blaine ia estacionando o carro, não muito longe do colégio, Quinn o olhou confusa — Por que paramos?

Não dá pra ouvir uma história interessante e dirigir ao mesmo tempo. — brincou o garoto e os dois riram, mas logo Quinn se recompôs, tinha que contar a alguém o que havia acontecido naquela noite, logo após ter entrado no quarto de Brittany.

Quinn Fabray.

Eu havia tirado fotos de tudo, do pessoal no quintal, do pessoal na piscina, do pessoal na sala, das líderes em diversas poses, creio que fiz um verdadeiro ensaio fotográfico de Kurt, Brittany, Mercedes, Artie e os demais animadores. Já era uma da manhã e eu já não queria mais estar ali, minha irmã disse que se eu quisesse dormir fora, não haveria problema. Frannie adorou quando eu disse que iria a uma festa, não lhe disse que iria apenas a trabalho, e com a liberação dela pra dormir fora fiz uma pequena bolsa, iria assistir o pôr-do-sol e ali havia uma câmera que eu usaria, um cobertor, um lanche e uma trouxa de roupa.

Finalmente achei Brittany e lhe pedi que me indicasse seu quarto, ela estava bastante bêbada, mas acertou me dar a direção de seu quarto, ou quase. Ao abrir a porta da direta do final do corredor no segundo andar, me deparei com um casal trasando na cama e outro no chão, fechei a porta apressadamente e pronta pra vomitar. Precisei de vários segundos ali pra me recuperar do que havia visto, quando enfim resolvi bater na porta da frente.

Como eu não havia visto as figuras de pôneis ali? Brilhavam na escuridão do corredor.

Rachel... — chamei em voz alta, encarando a porta, mas ninguém me respondeu, na verdade, após longos segundos ouvi algo cair e se quebrar, parecia algo feito de vidro — Rachel? — perguntei pegando a maçaneta e a virando, estava destrancada, a empurrei com força.

"Merda, merda, merda, merda! O que houve aqui?"

O que está acontecendo aqui Finn? — perguntei com a voz alta e alterada, o garoto alto estava olhando pro chão antes de me encarar desesperado, olhei pro chão e vi um frasco de vidro quebrado, voltei a olhar pra cama, Rachel estava sem a camisa das Cheerios e a jaqueta que usava, completamente desacordada, com os seios a mostra.

Eu vi tudo completamente escuro e voei pra cima do inútil de Finn Hudson, soltando minha bolsa no meio do quarto. Ele estava abusando da garota que estava desacordada, não uma garota qualquer, Rachel, era Rachel Berry e de certo modo meu coração disparou. O agarrei pela gola de sua camisa, o joguei contra a instante e mais vidros caíram e se quebraram, ele gemeu e passou a mão pelas costas, logo nos revelando o sangue, ele parecia apavorado.

Que porra fez com ela? Eu vou matar você! — ameaçei e voltei a pegar o alto garoto pela gola, arrebentando diversos botões, ele parecia muito assustado pra revidar ou se proteger. O joguei contra a janela, mas ele foi rápido e se segurou como foi possível, apenas mais vidros se quebravam atrás de suas costas. Eu poderia mata-ló, na verdade, eu ia mata-ló, mas a voz fraca de Rachel surgiu no quarto.

Quinn? — ela me chamou e eu me virei para encara-lá, não houve o que pensar, corri até ela me jogando de joelhos ao lado da cama, próximo ao seu rosto. Minhas mãos foram até o seu rosto e encontrei seus olhos entreabertos, fracos e cansados. Ela não disse mais nada, apenas tocou meu rosto com uma das mãos e sorriu, nossos olhares se conectaram e ela voltou a apagar. Ergui meu rosto e Finn já tentava escapar.

Corri até o garoto e com um empurrão o joguei contra a porta do banheiro, essa se abriu e voltei a pegar Finn pela gola da camisa, o jogando pra dentro do banheiro. Eu só queria acerta-ló com algo forte o suficiente para deixar uma boa marca, mas começei a lhe distribuir chutes e em um ato assustador, até pra mim, segurei sua cabeça e a bati contra o chão, o garoto resmungou, mas ele não se defendia. Realmente estava em pânico com a situação.

Cai fora daqui seu monte de lixo! — gritei contra Finn, o levantando pela camisa — Se voltar a se aproximar da Rachel, eu arranco sua cabeça e tenha sorte porque não vou contar nada a ninguém, agora some! — o ameaçei e voltei a gritar, o garoto sumiu como um raio, abrindo a porta rapidamente e a batendo em seguida.

Rachel estava apagada, meu casaco rasgado na manga e minhas mãos estavam com alguns pingos de sangue daquele imbecil. Tirei meu casaco e fui lavar as mãos, voltei pro quarto e então a parte mais difícil da noite aconteceu. Tive que vestir Rachel. Primeiro a camisa e em seguida a jaqueta das Cheerios. Tentei ignorar o máximo o fato de ter aqueles seios a minha frente, mas meus olhos acabavam se deixando vencer pela tentação algumas rápidas vezes. Rachel era linda e eu não sabia dizer o que aconteceu comigo, ver aquele gigante imbecil naquele quarto com a Rachel naquele estado me causou raiva, um ódio sem igual.

Após vesti-lá completamente, fui até a cozinha discretamente e preparei um café forte e amargo, aquilo ajudaria Rachel. E ajudou, o gosto ruim a trouxe de volta a realidade, mas não como eu esperava.
Café puro, como sabe que adoro? — sua voz era fraca e divertida, eu sorri com o comentário.

Vamos, precisa ir pra sua casa. — Rachel não parecia ciente do que houve e até onde parecia, ele não fez nada grave com ela, mas eu teria que lhe contar o que passou, Finn teria que pagar por isso. Peguei Rachel pelos braços e a levantei, porém ela estava tão cansada que seu corpo se chocou contra o meu, seu rosto se ergueu e seus olhos estavam negros, eu mal conseguia acreditar no que lhe passava.

Eu vivo impedindo Brittany e Kurt de se assumirem... — ela falou e fez uma pausa, para passar a lingua sobre os lábios, seus olhos fixos nos meus lábios e os meus nos dela — Mas sou louca pra te beijar, desde o primeiro segundo que te vi.

Meus olhos se arregalaram. Rachel Berry estava confessando um desejo reprimido por mim? Que Santana nunca saiba disso, por mim ela jamais saberá.

Rachel... — a chamei e ela encarou meus olhos — Vamos pra casa ok?

Ela sorriu de lado, o silêncio mostrou que ela foi ciente do que disse e sim, eu estava cortando qualquer clima ou idéia dela de me beijar. Apesar de tudo, ainda lembrava de Santana e do que me disse Blaine, Rachel podia ser linda e podia, mesmo sem algum contato, estar me envolvendo, mas ela não era o tipo de garota que parece lidar bem com sua opção sexual e eu já passei desse estágio. Não poderia regredir e trazer alguém pela mão, sendo que eu já havia enfrentado todo um inferno pra me assumir.

Na frente da casa de Rachel, lhe ajudei a subir as escadas daquela enorme mansão, apertei a campainha e sua mãe me atendeu. Infelizmente, tive que lhe contar tudo o que havia acontecido, ela ficou chocada, mas me pediu que não contasse nada, ela daria um jeito e eu sabia que aquilo era um "não conte nada a ninguém, porque eu também não vou contar".

E depois disso tudo, só me restou ir ver o pôr-do-sol, de cabeça cheia e com o coração apertado. Eu tinha que me desligar de Rachel Berry, aquilo ficava perigoso, meus sentimentos por ela cresciam, sentimentos que eu nem estava ciente que existiam antes. Mas agora, eu só queria abraça-lá e manter Finn Hudson o mais longe o possível dela. E eu iria fazer isso ao mesmo tempo que brigaria comigo mesma para tirar essa garota da minha cabeça. Aquela seria minha pior luta interna, tirar de mim algo que eu sei que já havia tomado proporções assustadoras após aquela noite.

Notas finais
Primeiro: Não vou mais postar capítulos a noite, eu reviso tão cansada que saem alguns erros. E já me desculpo se encontrarem algum nesse.
Segundo: Não odeiem o Finn, ok, o que ele fez foi mega errado, podem odiar e ofender ele.
Terceiro: No próximo a Quinn vai a mansão da Rachel, elas vão ter privacidade, o que acham que vai acontecer hein? Será que a Quinn vai contar pra Rachel tudo o que aconteceu?
Fui.