You Could Be Mine
2 Capítulo 2
Notas iniciais
A cama nunca fora tão fria e vazia, Regina tentava, em vão, dormir. Rolava de um lado para o outro do colchão abraçada ao travesseiro de Daniel, aspirando o aroma familiar de quem tantas vezes a confortou e protegeu.
As pouquíssimas horas que dormiu não foram suficientes para curar o cansaço, a morena olhou-se no espelho, olheiras escuras, olhos inchados, ombros curvados, quem a visse sem saber o real motivo de seu estado poderia jurar que estava de ressaca.
Tomou um banho rápido, vestiu uma roupa simples e já estava na soleira da porta da frente de seu apartamento quando uma voz a fez parar.
–Aonde você pensa que vai?- Beth, a governanta, pergunta
Beth era uma senhora miúda, ainda menor que Regina, com longos cabelos prateados sempre impecavelmente presos em um coque, um sorriso gentil capaz de derreter um iceberg e dotes culinários de dar inveja.
Trabalhava na casa dos Mills desde antes de Regina nascer, era uma grande amiga de sua mãe, Cora, e praticamente criara a morena, já que seus pais estavam muito ocupados em manter a pose de família perfeita, conhecia Regina como a palma de sua mão, trocou suas fraldas, viu seus primeiros passos e ouviu suas primeiras palavras, a tinha como uma filha.
–Trabalhar- a morena repondeu sem se virar
–E não vai comer nada?- a senhora pergunta
–Eu como alguma coisa no hospital- a voz de regina não passava de um sussurro
–Criança...- a senhora chamou, mas a mulher continuou estática- Minha menina, vem aqui- Beth insistiu e se aproximou da morena tocando seu braço
–Beth...eu preciso ir- a voz de Regina era ainda mais baixa
–Mas ainda é cedo Regina, você tem tempo pra comer- a senhora disse como se fosse óbvio
–Daniel foi transferido e eu quero examiná-lo antes de começar o trabalho- respondeu a morena
–Tudo bem, mas eu vou ligar para saber se você comeu mesmo, está ouvindo? E quero notícias do Daniel, você não disse nada e os jornais só se preocupam em falar dos bandidos- a senhora perguntou com uma mão na cintura
Regina riu pelo nariz e disse:
–Sim senhora!-
–Regina!- Beth gritou a morena girou sobre os calcanhares arqueando a sobrancelha- não está esquecendo nada?- no segundo seguinte a morena estava abraçada à senhora enquanto as duas choravam
Como esperado, Regina estava totalmente aérea, seus pensamentos estavam presos à UTI, lugar esse que a mesma havia sido proibida de ir fora dos horários de visita. Seu chefe, Whale, percebeu o comportamento atípico da morena e depois de uma breve conversa, e muita insistência, praticamente a obrigou a tirar alguns dias de folga.
A morena dirigia de volta para casa, sentia-se um pouco tonta e fraca, suas mãos suavam frio, ela lembrou que não havia comido nada desde a noite anterior e estapeou-se mentalmente por isso, fez um lembrete mental de comer alguma coisa na assim que chegasse em casa antes que Beth lhe desse um enorme sermão.
O trânsito estava caótico e ela já estava impaciente, parada num sinal ela observou o carro que estava atrás do seu.
"Não pode ser...deve ser outro..." ela parou abruptamente seu monólogo mental ao notar um pequeno cavalo de pelúcia pendurado no retrovisor dentro do carro, ela conhecia aquele cavalo, ela mesma havia pendurado ali, era o carro de Daniel.
Regina enrijeceu no banco, as mãos ainda mais suadas, o estômago embrulhando e a visão enturvecendo, seu nervosismo só aumentou quando viu dois homens saltarem do carro e andarem em sua direção, ela olhou para o sinal e suplicou que mudasse de cor.
–Vamos lá, por favor...- murmurou desesperada
Amarelo...VERDE!
Sem pensar duas vezes ela pisou no acelerador com força fazendo os pneus cantarem, imediatamente o carro começou a segui-la, a morena entrou numa rua desconhecida mas não despistou os homens, fez um zigue-zague no bairro e eles continuaram em sua cola, ela dirigia desesperada e em alta velocidade, ouvindo vários gritos, buzinadas e freadas bruscas.
A perseguição continuava, os bandidos já haviam conseguido se aproximar mais, a tontura voltou, estava cada vez mais difícil enxergar, passaram um sinal vermelho e uma sirene foi ouvida.
–Obrigada Deus!- a mulher pensou enquanto continuava tentando não diminuir o ritmo, a sirene soou mais alta e logo ela pode ver pelos espelho que a viatura estava bem próxima do carro de trás, suas pálpebras pesavam, seu corpo todo suava frio, ela viu um cruzamento mas não parou de acelerar, de repente tudo escureceu.
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Regina abriu os olhos devagar, se acostumando com a forte luz do ambiente, olhou em volta e viu a mãe adormecida em uma poltrona, tentou se sentar mas foi impedida por uma forte dor na perna. A porta abriu e a morena apoio o tronco sobre os cotovelos em tempo de ver seu pai entrar.
–Niña- Henry Mills a olhou preocupado e aproximou-se- como se sente?
–Dolorida- ela respondeu e deitou-se novamente-Quero sair daqui!- exclamou e impulsionou o corpo para frente, o que a fez sentir uma dor maior ainda e cair no colchão gemendo
–Hija!você não pode levantar- ele exclamou e dirigiu-se à cabeceira da cama, pegou um controle e inclinou um pouco o colchão-Melhor?
–Um pouco- a morena respondeu e sorriu de canto para a preocupação do pai-O que aconteceu papi?
–Você não lembra?-ele perguntou e sentou-se na cama novamente
–Eu lembro de ter acelerado e lembro das sirenes, aí tudo ficou escuro
–Quando você passou o cruzamento, um carro bateu em cheio na lateral do seu, a polícia conseguiu cercar o carro dos bandidos, houve um tiroteio, um deles morreu e os outros estão presos. Aparentemente você desmaiou porque estava com a pressão e glicose muito baixas, você chegou aqui com uma fratura exposta na perna, um corte profundo na testa e alguns arranhões e cortes menores-explicou o pai e tomou-lhe a mão entre as dele
–Posso ver meu prontuário?- a morena perguntou
–Não, hoje você é paciente- respondeu o Sr. Mills- e não adianta me olhar com essa cara
–Tudo bem- disse a morena à contra gosto- posso pelo menos saber o que fizeram comigo?
–Claro...sabe que eu não entendo muito disso de medicina, mas você passou por uma cirurgia na coxa, colocaram alguns pinos e vai ficar no gesso por algumas semanas- disse o senhor enumerando as informações nos dedos- e ah, sua médica deve passar aqui para lhe ver daqui a pouco
–Minha médica? Que médica?- perguntou a morena com uma cara confusa
–Não sei, mas segundo Whale é a melhor no que faz e ele está querendo que ela trabalhe aqui- respondeu o senhor vagamente-Mas Hija, como você está?
–Eles...eles estavam no carro dele papi, era o Carro do Dan...-um nó formou-se na garganta da morena
–Shhh pequena, está tudo bem agora-Henry consolava a filha que agora chorava compulsivamente em seu ombro-Papi está aqui, ta tudo bem
Henry Mills tinha fama de ignorante e rígido, ele até podia ser assim no trabalho, mas com a família isso mudava, principalmente se fosse sua garotinha.
–Como ele está, papi?-perguntou a morena ainda deitada no ombro do pai
–Está bem, fizeram a transfusão e ele reagiu muito bem
–A transfusão!-ela falou de repente saindo do abraço-eu preciso doar sangue!
–A senhora não vai a lugar nenhum, não está em condições de levantar dessa cama
–Mas...
–Mas nada! Eu sou seu pai e você está doente, me obedeça!-decretou levantado-se
–Está bem- bufou a morena e cruzou os braços recostando-se novamente na cama
–Tão adulta e ainda birrenta- Henry zombou e deu-lhe um beijo carinhoso na cabeça-vou acordar sua mãe para comer alguma coisa, essa mulher dorme como uma pedra!
Regina sorriu para a implicância do pai, apesar de saber que ele não estava mentindo, ela mesma havia herdado de Cora o sono pesado.
–Mi amor- o homem chamou carinhoso-Cora, Regina acordou e você precisa comer alguma coisa-disse e deixou um beijo terno em seus lábios.
A mulher abriu os olhos lentamente enquanto se espreguiçava, olhou ao redor e antes que Regina pudesse já estava envolta pelos braços tão conhecidos da mãe.
–Hija, eu fiquei tão preocupada! Eles te machucaram? Você está bem?-A morena mais velha perguntava enquanto segurava o rosto da filha entre as mãos e procurava machucados
–Mami, eu estou bem-a mais nova disse rindo da atitude da mãe
–Cora, querida, você precisa comer alguma coisa, não pode ficar andando por aí de barriga vazia- Henry disse e lançou um olhar significativo à filha que se mexeu desconfortável na cama desviando os olhos
Regina abriu a boca para protestar, mas foi interrompida por batidas na porta
–Com licença- Regina virou o rosto na direção da voz, curiosa- Dra. Swan, cirurgiã ortopédica- disse a mulher loira parada no meio do quarto e estendendo a mão para o senhor Mills
A morena analisou bem a médica, nunca a tinha visto no hospital antes, mas o nome não lhe era estranho...ela encarou a loira nos olhos, e se perdeu por um momento naquela imensidão esmeralda.
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