You Can't See Me
7 Capítulo 6 -Problemas Geram Problemas
Notas iniciais
Capítulo 6 – Problemas Geram Problemas
– Percy, precisamos conversar – como de costume, a voz autoritária da jovem surgiu em meio ao silêncio da manhã.
Lentamente, Percy ergueu a cabeça por cima de seu livro, encarando Thalia com uma sobrancelha erguida.
– Fale.
Com um suspiro, Thalia começou a se aproximar do jovem. Seus ombros estavam levemente curvados para frente e para a surpresa de Percy ela parecia abatida.
– Temos um problema – a morena sentou-se na frente do jovem, levando-lhe a franzir a testa ao mesmo tempo em que erguia uma sobrancelha.
– Que problema – rebate com impaciência.
– Nico... – ela hesitou- Nico está mal. Está virando noites acordado procurando pela irmã e agora está com febre. Começou a delirar faz pouco tempo e anda falando que vê a irmã. Está literalmente pirando.
Thalia arregalou um pouco seus olhos e coçou a cabeça. Do ângulo que mirava o rosto da morena, Percy podia perceber que as marcas escuras na parte de baixo de seus olhos eram extremamente profundas.
– Acho que devemos esperar para aprestarmos nosso próximo show. Creio que é melhor esperarmos Nico melhorar, pois ele pode enlouquecer no palco ou algo do gênero... – suspirou – Ou pelo menos esperar alguns dias... Concorda?
Percy pareceu pensar por um tempo. Definitivamente seus pensamentos estavam bem longe da realidade, pois Thalia precisou chamá-lo diversas vezes até ele finalmente respondê-la.
– Sim, sim, sem problemas – seus olhos não desviaram nem por um segundo do rosto abatido de Thalia e seu tom de voz era monotomo e mecânico – ligarei amanhã para o teatro AnneBelle e arranjarei um jeito de desmarcar o show.
Lentamente, Thalia assentiu com a cabeça.
– Ok – murmurou ela.
E da mesma maneira que chegou, Thalia saiu, deixando Percy Jackson sozinho com seus pensamentos.
*** Y.C.S.M ***
– Escute Reyna – Percy bufou impaciente – Nós não faremos nenhum show! Pelo menos não agora, em nossa atual situação, compreende?
– Não, não compreendo – como sempre, o tom de voz de Reyna era superior e imponente – Vocês tem um show para fazer e a bilheteria abre amanhã! Você tem ideia de quantas pessoas estão tentando comprar ingressos? São muitas queridinho! Então se eu fosse você não faria a besteira de furar!
– Reyna, eu já lhe disse, e vou repetir para ver se você entende – ele trincou o maxilar – Thalia não está em condições de apresentar nenhum show, e muito menos Nico!
– Jackson, preste atenção. –sua voz era quase um rosnado – pessoas importantes irão ver este show. Você não pode...
Com raiva, Percy cerrou os punhos e pôs-se a falar lentamente no celular, sem sequer esperar Reyna terminar a frase.
– Não me importa se o Barack Obama, Jennifer Lawrence e a Oprah Winfrey vão aparecer neste show, eu e meus colegas não temos condição de apresentarmos nada!
– Mas o que você quer que eu faça? Simplesmente desmarque o show? – respondeu ela em um tom sarcástico.
– Marque outra data... – suspirou – quer saber? Se vira Reyna. Estou cheio de problemas, não preciso arranjar mais um.
E desligou.
*** Y.C.S.M ***
– Você não deveria estar aqui – seu tom de voz demonstrava cansaço – Faz meia hora que a equipe técnica já foi embora.
Ao escutar a voz de Reyna, Leo Valdez sobressaltou-se, dando uma espécie de salto para seu lado direito e batendo o braço na parede.
– Ai – Leo murmurou, esfregando o lugar que chocara enquanto esboçava uma leve careta – Desculpe Rey Rey, — ele sorriu com humor – porém não pude me conter, querida. O simples fato de olhar seu belo rosto me faz...
Reyna bufou e revirou os olhos, cortando Leo no meio de sua frase ao erguer a mão direita.
– Escute bem Valdez – ela o fulminou com seus olhos escuros – Não estou com nenhuma paciência para suas cantadas baratas. Estou cheia de problemas com o vagabundo do Jackson e não quero mais um.
Como se não soubesse do “mais um” que a jovem se referia, Leo fez-se de desentendido.
– Não compreendo o que você está falando.
– Cale a boca Valdez! – exclamou ela, logo esfregando seus olhos com o dorso da mão. Por um momento Leo pode ver em seus olhos um resquício de frustração – E pare de me chamar de querida, Rey Rey e seus derivados! Chame-me de Reyna, só Reyna!
Após um longo suspiro, Reyna se recompôs e assumiu sua habitual postura séria. Sabia ele que nenhum sentimento seria exposto dali para frente.
– Agora, se você me permite – Reyna deu as costas para Leo – Eu preciso resolver algo... Agora.
A jovem já estava a vários passos a sua frente quando finalmente Leo Valdez chamou-lhe.
– Espere – ela parou ainda de costas – eu realmente preciso falar com você.
Reyna virou-se, seu rosto sem esboçar sequer um sentimento. Seus olhos estavam marejados. Tentara achar o tom de deboche e brincadeira no tom de voz de Leo Valdez, porém não conseguira.
Ele não estava brincando.
– Que seja – pigarreou – Mas seja rápido.
Lentamente, ele começou a caminhar em direção a jovem moça e quando estava a poucos centímetros da mesma pôs sua mão no bolso de sua calça, tirando da mesma uma folha de papel amassada. Após um tempo, Reyna percebeu que aquilo que acreditara ser uma folha de papel era na verdade era uma carta.
– Recebi algo, mas estou confuso quanto ao que isso significa... – ele coçou a cabeça e logo após apertou a carta entre seus dedos longos e finos – Recebi esta carta ontem, ou melhor, achei-a em meus bolsos. É de alguém que se auto intitula A.M. – ele hesitou – diz aqui que eu devo prestar atenção nos mínimos detalhes e procurar alguém.
– Alguém? Que alguém? – o tom dela estava uma oitava mais alta e Leo pode jurar que ela estava mais pálida.
Não... Provavelmente deveria ser fruto de sua imaginação.
– Diz aqui que alguém saberia me ajudar a desvendar esse mistério– ele ergueu uma sobrancelha ao perceber que a menina estava com o maxilar trincado – e que esta pessoa é inteligente, e ao mesmo tempo ríspida e cabeça dura.
Reyna prendeu a respiração.
– E por que está falando comigo sobre isso?
– Por quê? Bem, além de ser inteligente, ríspida e etc., essa pessoa tem personalidade difícil e é completamente certa em tudo o que faz – ele ergueu uma sobrancelha, deixando claro o que queria dizer.
Um silêncio constrangedor e carregado de tensão se instalou entre ambos os jovens. Mesmo não estando tão próximo da morena, Leo conseguia escutar sua respiração acelerada.
– Apareça amanhã em minha casa, então conversaremos.
E sem esperar mais nem um momento, Reyna virou-se e correu para a porta de saída. Uma alça de sua bolsa escorregara do ombro, deixando a mostra um de seus compartimentos.
A luz da lua iluminava fracamente o caminho, dificultando a visão de Reyna. Felizmente, a jovem avistou ao longe seu carro preto.
Rapidamente tratou de colocar uma de suas mãos dentro da bolsa para pegar a chave do carro.
Mas não foi isso que sua mão direita alcançou.
Seus dedos finos e longos envolveram algo.
Um envelope.
A.M – Caros leitores,
Alguma vez já ouviram que a ingenuidade pode matar? Não? Pois eu lhes digo que sim. Depois de meu último relato, acreditei ter lhes entregado o jogo, porém acho que não.
Mas depois desta conversa entre Reyna e Leo Valdez, vocês já devem ter entendido as minhas intenções, não é mesmo?
Não?
Que pena.
Meu próximo relato está ainda mais duvidoso, se quer mesmo saber...
E acreditem, bombas estão prestes a estourar.
Cambio, e desligo.

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