You Can't See Me
3 Capítulo 2 - Working Hard In A Fail Shop
Notas iniciais
O sorriso se alargava cada vez mais enquanto seus dedos ágeis deslizavam pelas teclas freneticamente. Charles Beckendorf — o policial mais gostoso da cidade — estava finalmente dando alguma bola a ela... E as oportunidades de sair com ele eram poucas.
Mas Silena teria que tentar!
Pelo menos dessa vez.
Ela respirou fundo e digitou mais algumas palavras.
“E então Charles... Você já tem algum programa para hoje?” – ela releu algumas vezes antes de enviar.
Mas a insegurança e a ansiedade começaram invadi-la no momento seguinte, fazendo-a roer as unhas. Será que ele já tinha algum programa para essa noite? Será que ele não estava interessado nela? Oh! Será que ele estava com outra menina? Eram tantas as dúvidas.
Os três pontinhos que indicavam que alguém estava digitando apareceram e a menina ficou paralisada.
Um segundo. Ela arregalou os olhos.
Dois segundos. Mordeu o lábio inferior.
Três segundos. Silena grunhiu aflita.
Elesabia! Sabia desde o inicio...
Charles Beckendorf era areia demais para seu caminhãozinho rosa chiclete.
Em uma tentativa de acalmar consigo mesmo o seu “espírito interior” (segundo sua mãe, Afrodite, acalmar-se era uma terapia razoavelmente boa, mesmo que ela própria preferisse ioga), Silena começou a murmurar comandos para si.
–Vamos Sil, não tire conclusões precipitadas... Não tire conclusões precipitadas... Ah, droga! Quem você está querendo enganar? Ele não está a fim de você, sua inútil amante de pizzas! Eu te disse que não comer aquela pizza ontem, provavelmente ele te viu hoje e você estava mais obesa do que um elefante! AH!
Enquanto devaneava e murmurava em indignação, Silena deixara de checar seu celular de lado por alguns instantes.
Ela somente percebera a resposta de Charles na tela quando o celular voltou a apitar, indicando que o celular tinha 20% de bateria remanescente. Suspirou fundo, as mãos começando a ficar trêmulas... Desceu o olhar para a tela.
Não... Não tenho nada para fazer, que tal um cinema às nove?
–Santo cartomante da esquina! –Abriu a boca, mas semicerrou os olhos. — Essa deve ser a parte que alguém me acorda e diz que é um sonho... – falou ela, mas nada aconteceu. Agora, ela ria bobamente.
Silena digitou rapidamente uma resposta. Sua animação e ansiedade eram tamanhas, que tudo a sua volta parecia em câmera lenta... Teria que responder algo antes que ele desistisse do convite.
A menina estava tão contente e distraída que sequer percebeu a chegada de um menino com cabelos cor-de-palha e expressão severa.
–Senhorita Beauregard – falou ele –, quantas milhões de vezes serei obrigado a repetir que é proibido o uso de qualquer aparelho tecnológico durante o expediente?
Silena revirou os olhos, guardando o celular no bolso da calça jeans em seguida. Depois, encarou o primo com sua melhor expressão de tédio.
–Fala sério Octavian! – ela resmungou – você acha que isso é algo realmente necessário?! –Perguntou retoricamente- Meu querido, essa loja aqui está quase indo à falência... Nem rola ter clientes aqui! Agora, libere logo o uso de celular... Não é como se fosse prejudicar meu serviço inexistente.
Octavian bufou com irritação. Começava a ficar impaciente.
– Sonhe alto, Silena...
As sobrancelhas de Silena se ergueram e ela sorriu com ironia.
–Você está me provocando, querido primo? – Sua voz era carregada de sarcasmo – Espero que se lembre que sou capaz de tudo... Faço até greve! –Percebendo que a frase não surtira tanto efeito quanto esperava, ela acrescentou rapidamente -E ainda levo Rachel comigo.
Rachel Elizabeth Dare era uma menina ruiva de olhos verdes que trabalhava na loja no turno da noite.
Silena tinha certeza absoluta que o primo nutria um interesse secreto por Rachel. Sempre que estava na presença na ruiva, ele parecia mais nervoso e sem graça... Tipo Silena ficava na presença de Charles.
–Faça mesmo essa greve! –Ele respondeu- Será uma ótima oportunidade de despedir você... Por justa causa! – ele sorriu com escárnio.
Silena balançou a cabeça negativamente, colocou a mão direita em sua testa e a outra sobre o peito em sinal de drama.
–Oh! Oh, Octavian, como podes? Como podes falar algo assim? Você me demitiria? –Ele assentiu- E Rachel? – a expressão dramática de Silena repentinamente mudou para raiva e indignação- E Rachel seu cafajeste? Você expulsaria sua prima, mas não uma menina qualquer com cabelos vermelhos? Meu filho se toca aquilo tudo é tinta de farmácia! L’Oreal! Aposto que ela usa L’Oreal Paris.
Octavian pareceu irritado por um momento, mas logo depois deu de ombros.
–É isso mesmo que eu faria. Aliás, eu nem sei por qual motivo te dei esse emprego.
Ela revirou os olhos.
–Idiota. – murmurou Silena.
O celular de Silena apitou novamente, e no mesmo instante a menina o pegou.
Te pego às oito e meia em sua casa. Até mais! – A mensagem era de Charles.
–O que é isso, Silena? – Octavian perguntou, indicando o celular com a cabeça. Estava admirado com tamanha impertinência.
Silena riu sarcástica.
– O que é isso, hein menino? Agora você está interessado em minhas relações? – ela jogou o cabelo para o lado.
Sem se importar com o tom sarcasmo na voz de Silena, Octavian deu de ombros.
–Tanto faz. –Deu de ombros- Mas só para te avisar, você terá que cobrir o turno de Rachel hoje à noite.
A boca de Silena abriu em um perfeito ‘O’ e ela quase pulou em cima de Octavian.
– Tá. De. Brincadeira. Comigo. Mermão? – Ela falou pausadamente.
– Não, eu não estou brincando, “mermão”. – respondeu ele no mesmo tom de voz sarcástico de Silena – Rachel não poderá vir hoje por algum motivo importante, e você terá que cobrir o turno dela.
Silena tapou os olhos com as mãos. Ela não podia acreditar. Tanto tempo investindo, tanto tempo... Na próxima vez que visse Rachel, apagaria àquelas chamas na cabeça dela, vulgo cabelo, com um belo balde de água fria.
–Não acredito que Annabeth arrumou esse emprego para mim... – ela murmurou – Quando eu pedi ajuda a ela eu não queria trabalhar na loja falida do meu primo! Mas pelo menos agora estamos quites, já que a arranjei aquele emprego péssimo...
–Quem mandou ser uma inútil?! – Replicou ele.
–Eu te odeio Octavian. –Ela o fuzilou com o olhar.
–O sentimento é recíproco, priminha.
Silena esfregou os olhos.
–Minha vida está acabada!
A boca de Octavian começara a abrir quando a porta da loja se escancarou. Seu rosto, se é que isso é possível, ficou ainda mais pálido.
Uma pessoa encapuzada em vestes negras chegou perto do balcão onde Silena e Octavian conversavam, mostrando-lhes uma arma — que anteriormente estava guardada em seu bolso- e fazendo um gestou de silêncio com a mão livre.
–Você vem comigo, Beauregard.
Uma hora depois...
–Vamos logo Jake. Eu não estou nem um pouco a fim de comprar Donnuts agora.
Jake Mason deu de ombros e bateu a porta do carro com força.
– Fala sério Charles. Estou morrendo de fome, me dá um tempo. Não vai querer que eu desmaie de fraqueza, vai?
Charles o encarou como se não acreditasse no que acabara de ouvir.
–Cara, eu tenho um encontro com Silena Beauregard!– ele gesticulou com os braços e arregalou os olhos– Silena Beauregard, cara! Ela é muito...
– Gostosa. – Jake o interrompeu.
Charles deu um soco nas costas de seu amigo, já o havia alcançado.
– Ela não é gostosa! – ele se irritou. Jake arqueou uma sobrancelha. – Ok, ela é gostosa, mas é boa pessoa.
–Uma boa pessoa muito gostosa. –Insistiu.
–Cale a boca, Jake! E ande logo com isso, não quero me atrasar...
***
A.M — Creio que a situação esteja um tanto complicada para vocês, caros leitores. Pode ser que tenha sido eu a pessoa que entrou naquela loja... Pode ser que não. Os julgamentos ficam ao seu critério! Sejam cautelosos ao tirar suas conclusões e cuidado com seu veredicto. O importante é que não se esqueçam: Quanto mais perto estiver, menos você verá. E quanto mais tempo olhar, mais se confundirá.
Tente olhar todo o tabuleiro, e não se preocupe com o rei quando o verdadeiro perigo é a rainha.
Boa Sorte!

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