Acelerei o passo rapidamente, e na metade do caminho, eu encontrei Slash, fumando cigarro apoiado em um carro. Ele ainda usava sua cartola, um colete Jeans bem estiloso, uma camisa do Smile com tiro na cabeça e uma calça de couro e bota cowboy.

-LIZZA! — Disse Slash vindo me cumprimentar.

Minha expressão não foi das melhores.

-Slash, eu preciso que você venha comigo para a casa da Jully.

-Mas o que aconteceu?

-Ela ligou pra mim e disse que não está bem, me chamou para eu ir pra lá antes que ela cometesse uma besteira!

-Meu Deus! — Slash se assustou — Ela deve estar depressiva novamente! LIZZA! ENTRA NO CARRO, VAMOS PARA LÀ AGORA!

Slash mais do que rápido, me enfiou no carro desesperadamente e entrou. Fomos até a casa de Jully.

Chegamos em frente à casa dela. Estranho! Não havia som alto como de costume, estava tudo tão quieto!

Slash tocou a campainha e ninguém atendeu. Toquei a campainha também e nada. Eu e o Slash cansamos de tocar campainha até que olhei pra janela.

-Isso está muito estranho! — Reclamei.

-Você acha que devemos invadir a casa da Jully?

-Devemos... Slash me ajuda a pula o portão.

-O PORTÃO?! LIZZA! VOCÊ ESTÀ LOUCA?! O PORTÃO TEM ESSES FERRÕES!

-Slash, eu já pulei tanto portão com ferrão na minha vida, que se eu te contar, você não vai acreditar... Vamos!

Slash fechou as mãos para apoiar meu pé, e cuidadosamente consegui pular pro outro lado.

-Entra lá que eu te espero aqui fora – Disse slash.

-OK.

Fui andando em direção a porta, e achei mais estranho ainda. A porta de Jully estava trancada, e o pior... Ela vivia deixando a porta aberta!

Olhei para a janela alta de Jully, e a janela estava aberta. Fiquei olhando e pensando de que maneira eu vou conseguir chegar até lá.

-E ai Lizza? — Gritou Slash.

Olhei para ele.

-Estou armando uma estratégia.

Olhei para alguns galhos e algumas grades que com um cuidado, poderia chegar até a janela da moça, mas teria que arriscar a vida, pois qualquer escorregão será uma queda muito feia.

Coloquei minha mão em uma grade e me pendurei. Meu pé escorregou e eu me segurei em uma das grandes antes que eu caísse.

-Cuidado Lizza! — Disse Slash olhando a cena.

Ajeitei-me e respirei fundo, e fui escalando com cautela, até que consegui chegar na janela. Seu quarto estava sujo, seus LPs espalhados pelo chão, havia saquinhos de salgadinhos e doces, e algumas dozes de drogas no chão. Três baratas andaram na parede em direção a porta. Fui acordar Jully no jeito clássico.

-ACORDA VADIA! — Disse eu berrando. Ela não respondeu.

Franzi minha testa, mas mesmo assim, eu insisti, afinal... A Jully tem um sono muito pesado.

-ACORDA VAGABUNDA! — Dei uma empurradinha, e nada.

Agora eu estava ficando preocupada.

-Jully?

Liguei a luz de seu quarto e a virei. Sua boca estava roxa, e sua pele pálida. Dei um passo para trás assustada com a mão na boca, e pisei em algo que fez um barulho estranho. Olhei para baixo e era a maldita seringa. Meu coração acelerou e eu comecei a chorar.

-JULLY!!!

Abracei seu corpo com muita tristeza chorando escandalosamente. Seu coração não batia mais e meu coração não estava mais agüentando. Eu teria que achar a chave rapidamente, se eu ficasse por lá, eu morreria junto com Jully. Me levantei cambaleando abrindo a porta de seu quarto. Eu estava zonza e tremendo. Estava tudo rodando e meu coração estava muito esquisito. Minha vista estava embaçada até que consegui pegar a chave. Cheguei ao portão ainda passando mal. Slash se preocupou.

-Slash... Abre... O Portão... Ai pra mim... — Disse eu respirando sufocadamente enquanto eu passava a chave para Slash. Ele abriu o portão rapidamente e eu desmaiei.