You Belong With Me

2 Capítulo 1: Olhares e percepções


Notas iniciais
Olá pessoas, como estão? Fiquei muito satisfeita com o feedback recebido com o prólogo, portanto, o capítulo 1 está saindo mais rápido do que esperávamos *-* Tivemos uma aparição passageira da nossa francesa favorita, certo? Mas nesse, teremos Fleur, Ginny, Luna, Harry, Rony e claro... Hermione e seu major crush pela nossa loira líder de torcida Hahahahahaha Espero que gostem, boa leitura!

Hermione empurrava o carrinho repleto de livros pela biblioteca da academia e parava, uma vez ou outra, para devolver um livro para a estante. Uma das exigências para a manutenção de sua bolsa estava naquele trabalho voluntário, após o período de aulas, na biblioteca. Era um trabalho relativamente tranqüilo e que não exigia muito esforço, já que quase ninguém freqüentava o local e o mesmo exigia pouca arrumação, por maior que fosse o acervo da Academia de Hogwarts.

O único grande empecilho do trabalho era que Madame Pince, a bibliotecária. A senhora de meia idade era extremamente sistemática e tinha compulsão por organização, portanto, era comum que Hermione ficasse até tarde catalogando todo o acervo de determinada seção e colocando-o em ordem alfabética. Mas a garota gostava de estar no meio dos livros, era bem melhor do que se perder no meio da multidão que freqüentava a academia.

– Eu realmente não sei como você ainda não desenvolveu alergia à poeira desse local! — A voz aguda e naturalmente sarcástica de Ginny Weasley chegou aos ouvidos de Hermione que a ignorou, continuando a empurrar o carrinho enquanto um discreto sorriso tomava seu rosto. A ruiva que, agora, acompanhava-a pelos corredores, era uma de suas melhores amigas dentro da academia. Ginny também era bolsista, só que vinha de uma família de atletas e era um prodígio do futebol, sua família já fora muito rica, mas hoje... Ela dependia da bolsa tanto quanto Hermione e compreendia muito bem a realidade da morena.

Ginny espirrou e, na intersecção de estantes seguinte, Hermione virou à esquerda. Uma figura feminina, loira e distraída, esbarrou levemente em seus ombros. A garota tinha olhos azuis sonhadores, pele branca levemente bronzeada e o cabelo loiro preso em um estranho coque. Ela sorriu para Hermione e cumprimentou animada:

– Oh, olá, Hermione... Estávamos procurando por você.

– Olá Luna, queria eu que sua namorada tivesse a mesma educação que você tem. — Hermione retribuiu o cumprimento com acidez, Ginny revirou os olhos e a empurrou em cima do carrinho, recebendo um olhar irritado em troca. A ruiva sorriu e apressou o passo, abraçando Luna nos ombros e dando um beijo na têmpora da loira enquanto as três caminhavam juntas.

Ginevra Weasley e Luna Lovegood foram, por muito tempo, um dos principais assuntos da Academia de Hogwarts. Ginny era atleta, estava no topo da pirâmide social, enquanto Luna era fundadora e a editora do jornal clandestino da academia, “O Pasquim”, estando um pouco mais abaixo do que os nerds na hierarquia. Elas eram amigas há bastante tempo, a amizade das duas já era digna de comentários e, quando as duas se assumiram como um casal... Bem, os fofoqueiros de plantão ganharam um prato cheio a ser comentado por muito tempo.

Porém, as brincadeiras de mau gosto e as ofensas que vieram em seguida não as incomodaram. As duas permaneceram juntas, permaneceram confiantes uma na outra até que, com o tempo e o surgimento de novas fofocas, esqueceram-se delas. Eram o único casal gay assumido na academia, mas as duas não cansavam de dizer a Hermione que havia muito mais gente dentro do armário. Novamente, não foi muita surpresa quando Hermione foi puxada à força para fora do armário por Ginny.

As duas sabiam sobre a atração de Hermione por Fleur. Luna acreditava que, assim como acontecera entre ela mesma e Ginny, Hermione estava destinada a ficar com Fleur. Ginny não levava o que Hermione julgava sentir tão a sério e estava mais preocupada em tirar uma casquinha da amiga sempre que podia a aconselhar alguma coisa.

Salvo alguns momentos embaraçadores passados com o casal, elas eram bem compreensivas e Hermione gostava de tê-las por perto.

A morena parou em frente a uma estante para recolocar “A Culpa é das Estrelas” no lugar, com uma discreta careta de nojo. O casal parou ao seu lado e Ginny, entediada, comentou:

– Você tem que agradecer, todos os dias, por ter a gente. Não é qualquer um que vem até esse lugar esquecido pelo mundo e suporta essa poeira toda somente por gostar o bastante de você.

– Para sua informação, esse cheiro não é poeira. Os livros possuem vários componentes químicos que, quando entram em decomposição por causa do tempo, exalam esse cheiro único. — Hermione respondeu séria, franzindo a expressão para a amiga ruiva que apenas fez uma careta para a sua explicação. A morena olhou para Luna, em busca de apoio, mas a loira encontrava-se divagando em seu universo paralelo. — Você não tem uma bola para chutar, Weasley?

– E você perdeu as suas pernas no ensaio da banda, Granger? Fiquei sabendo de uma situação bem interessante da qual a senhorita participou pela manhã... Envolveu um tombo, uma bronca da Profa. Minerva e certa líder de torcida. — Ginny comentou maldosa, segurando-se para não rir. Hermione olhou chateada para ela e a ignorou, empurrando o carrinho com uma força desnecessária para o próximo corredor.

Se a morena pensava que o casal fosse deixá-la quieta, estava enganada. As duas outras garotas a acompanharam sem dificuldade alguma e Hermione procurou ignorar e abster-se de qualquer comentário que Ginny pudesse fazer. O silêncio entre elas era bom e Hermione chegou a sorrir quando escutou Ginny murmurar algumas palavras carinhosas para Luna. Caminhou por mais algumas seções, com Ginny e Luna em seu encalço, até chegar à seção de Literatura Vitoriana.

Aquela era uma seção especial, Hermione adorava trabalhar nela porque seus livros preferidos estavam alocados naquelas estantes.

Quase que em adoração, Hermione pegou um exemplar antigo de “O Morro dos Ventos Uivantes” que estava no carrinho e caminhou até o meio da estante, onde ele deveria estar colocado. Era uma das edições preferidas da morena porque estava na íntegra, exatamente como o original. Hermione percorreu as lombadas dos livros com as pontas dos dedos até que sua mão esbarrou em uma mão pálida, de dedos incrivelmente longos e unhas feitas, na tonalidade rosa bebê.

Pardon? Esse é um exemplar de “O Morro dos Ventos Uivantes”? — Hermione sabia quem era antes mesmo de erguer os olhos, essencialmente porque já escutara aquela voz suave e levemente rouca, várias vezes, mas sempre no meio de outras vozes. A morena engoliu em seco e ergueu a cabeça rapidamente.

Fleur Delacour olhava para ela com um sorriso gentil, os olhos azuis mostraram sinal de reconhecimento pelo seu rosto, provavelmente, devido ao acontecimento da manhã. Hermione corou intensamente e escutou, as suas costas, Ginny e Luna desaparecerem no corredor seguinte, amaldiçoou as duas por a abandonarem numa situação como aquela, mas procurou manter-se o mais calma possível. A morena respirou fundo e, nutrindo-se de uma coragem que ela mesma desconhecia, respondeu:

– Sim, era um exemplar que estava emprestado. O melhor exemplar, devo acrescentar.

– Oh, sim? Este é muito diferente dos outros? — Fleur questionou com a expressão discretamente surpresa, Hermione tentou retribuir a amenidade que exalava dela, mas sem sucesso. Estava muito nervosa para parecer simpática, na verdade, parecia muito irritada quando estava nervosa. A morena estendeu o livro para Fleur e respondeu automaticamente:

– É a edição mais próxima que temos do original de Emile Brontë. Se você, de fato, aprecia a literatura... Esse será o que mais agradará você!

– Então, acho que vou levar esse... — Fleur comentou gentil, apanhando o livro que era estendido para ela. A loira abriu o livro delicadamente e Hermione a observou, extasiada, passar as páginas, ela tinha um ar admirado em seu rosto e a morena olhou para seus próprios pés, antes de dar às costas e voltar ao seu carrinho. Escutou um pigarro atrás de si, mas continuou a caminhar, seu coração batendo tão forte que parecia que ia explodir em seu peito. — Hermione?

Hermione parou o carrinho bruscamente, quase derrubando os livros que restavam. Como Fleur sabia seu nome? A garota não teve coragem de se virar, portanto, foi Fleur quem se aproximou rapidamente. A líder de torcida parou ao seu lado, apoiando o braço esquerdo no carrinho. Hermione percebeu, finalmente, que ela usava um perfume à base de lavanda, porém, também percebeu que respirar se tornava mais difícil agora que constatara aquilo.

– Deseja mais alguma coisa? — Hermione gaguejou nas próprias palavras e Fleur agitou a cabeça, sorrindo discreta para ela. A expressão da morena foi da adoração, pelo sorriso de Fleur, para o impassível, que era o que ela adotava quando ficava muito instável emocionalmente. Fleur a observou e perguntou preocupada:

– Hoje de manhã, no seu ensaio e no meu treino, foi um tombo bem feio... Você se machucou?

– Ah não, eu meio que sou acostumada. Vivo caindo. Desastrada, sabe como é. — Hermione respondeu rapidamente, atropelando as palavras e rompendo contato visual com Fleur. Totalmente inquieta pela preocupação que a líder de torcida demonstrara. A morena continuou a empurrar o carrinho, acabou desequilibrando Fleur que estava apoiada nele.

Como se seu corpo estivesse esperando uma pergunta para se manifestar negativamente, as costas da morena começaram a doer. Porém, Hermione procurou não dar a entender que estava com dor, essa situação já estava embaraçadora demais e continuou a caminhar até que outro pigarro a parou e ela se virou.

Fleur a olhava com mais um dos seus belos sorrisos divertidos, a líder de torcida segurava o livro com as duas mãos, apoiando o corpo em uma estante. Ela inclinou a cabeça e jogou os cabelos para o lado livre de seu pescoço e, divertida, comentou:

– Espero mesmo que não tenha se machucado. Porque, pelo que eu já pude ver nessa escola, quem está mais propensa ao desastre e aos acidentes é a sua amiga Weasley. E não você, Hermione.

Hermione abriu a boca, em choque e, também, porque não sabia o que responder. Observou Fleur acenar delicadamente com a mão direita e, ao chegar ao fim da seção, olhar por cima dos ombros e sorrir. Sua cabeça ainda tentava compreender que Fleur Delacour acabara de admitir que a observava e, aparentemente, não era para rir dela e sim, por pura vontade.

– Olha só, está fazendo de novo. Fecha essa boca! Vai perder o queixo, dessa vez, Mione! — Ginny comentou entre risos, tirando Hermione de seus devaneios de forma brusca e indelicada. A morena olhou para a ruiva, que estava apoiada no corpo de Luna. Até mesmo a loira segurava um riso e a própria Hermione não se conteve e acabou sorrindo.

Um sorriso bobo que ela não admitiria dar senão fosse, exclusivamente, por causa de Fleur Delacour.

# # # # #

Hermione só saiu da biblioteca algumas horas depois, já anoitecera do lado de fora e Ginny e Luna já tinham ido embora. A morena verificou se a biblioteca estava vazia, apagou as luzes e trancou as portas, checando mais de uma vez se estava tudo fechado. Não queria agüentar uma bronca de Madame Pince no dia seguinte.

Depois de tudo fechado e apagado, Hermione caminhou pelos escuros corredores da academia. Olhou seu relógio de pulso e suspirou, cansada, quando constatou que teria que esperar um bom tempo pela sua carona. Porém, se resolvesse tomar um ônibus agora, chegaria ainda mais tarde em casa... Era melhor esperar os meninos, afinal.

A morena virou à esquerda quando chegou ao saguão de entrada e desceu uma pequena escada de apenas cinco degraus, abriu uma pesada porta de ferro e chegou ao campo de futebol, onde os garotos do time realizavam o último coletivo do dia. Conforme caminhava, Hermione reconheceu os cabelos arrepiados de Harry e os ruivos de Rony. O atacante e o goleiro, respectivamente, jogavam no time titular e Hermione abriu um discreto sorriso orgulhoso.

Harry Potter e Ronald Weasley estudavam no mesmo ano que ela, diferentemente de Ginny, irmã de Rony, e Luna que eram mais novas. Hermione e os meninos eram inseparáveis, se não fosse pela morena, provavelmente, os dois não conseguiriam manter as notas aceitáveis porque sempre foram tranqüilos, até demais, com os assuntos escolares. Hermione os mantinha na linha e ainda era retribuída com boas risadas e algumas excelentes aventuras. Ambos também sabiam de seus sentimentos em relação a Fleur Delacour porque Ginny não conseguia manter aquele tipo de coisa somente para si.

Quando tudo veio à tona, Harry foi extremamente compreensivo e Hermione desconfiava que ele aprendera a ser tolerante a certas coisas por causa de toda a história familiar dos Potter. Harry valorizava demais as pessoas que amava, era órfão, vivera com os tios até pouco tempo atrás quando seu padrinho reapareceu e exigiu a sua guarda. Antes disso, os tempos foram bem sombrios para Harry. O seu primo, Dudley, estudava na academia, mas Hermione nunca vira o amigo cumprimentá-lo pelos corredores.

Já Ronald... Ele foi o caso mais complicado, pois até então, era apaixonado por Hermione e nutria esperanças de que eles pudessem ser um casal. Rony ficara sem falar com a morena por mais de dois meses até que deixou o orgulho ferido de lado e aceitou que o que Hermione era não podia ser mudado, era o que mais brincava com a paixonite de Hermione e, também, o que mais apoiava. Até porque, vivia dizendo que se ele não pudesse colocar as mãos em Fleur Delacour, seria extremamente feliz se a sua melhor amiga o fizesse.

Os dois adicionavam um pouco de equilíbrio à loucura de Ginny e aos sonhos de Luna. Hermione não podia reclamar dos amigos que tinha, eles eram sua segunda família e os cinco protegiam uns aos outros. A morena era a cabeça que ajudava todos nos deveres da academia, Rony e Ginny possuíam certa influência no corpo estudantil por virem de uma família tradicional, Harry tinha dinheiro e Luna... Bem, Luna era a voz que eles precisavam quando queriam ser ouvidos. Juntos, eram imbatíveis.

Porém, Hermione passava mais tempo distante dos seus amigos devidos aos seus deveres de bolsista. No começo, era um alvo fácil para os alunos mais populares. Agora, as coisas se acalmaram, mas ela ainda era invisível a maioria dos outros alunos. E achava que era até descobrir, mais cedo, que Fleur Delacour sabia o seu nome e com quem andava.

A morena não sabia se ficava assustada ou se ficava grata por esse golpe de sorte. Era tudo muito confuso e Hermione estava acostumada a lidar com fatos e não com suposições. Por mais que fosse algo bom, Fleur saber o seu nome era extremamente perigoso, e, principalmente, misterioso. Perigoso porque os amigos dela poderiam saber e as brincadeiras infernais podiam voltar e misterioso porque Fleur não tinha motivos para conhecê-la.

Pelo menos, não motivos racionais.

Hermione subiu a arquibancada com esforço, sentindo sua bolsa carteiro de couro castigar seu ombro direito. A garota ajeitou-a sobre o ombro, para chegar aos últimos acentos da arquibancada, e sentou-se ali. Apanhou seu caderno de anotações e abriu na última lição de Álgebra que lhe fora dada, lendo o enunciado enquanto brincava com uma caneta entre os dedos.

Aquela era uma das classes avançadas que ela freqüentava. Os assuntos matemáticos a atormentavam durante toda a semana e ela preferia começar o quanto antes, porque sabia que ficaria presa a eles por um bom tempo. Infelizmente, ciências exatas eram áreas em que Hermione precisava estudar muito para manter-se no topo.

Hermione encarava a arquibancada, do lado oposto, pensando em como resolver a equação quando sua atenção foi perdendo-se à medida que uma figura alta sentava-se na arquibancada. A morena suspirou porque, afinal, conhecia muito bem quem era.

Do outro lado do campo, Fleur Delacour estava magnífica em seus jeans surrados, camiseta branca e um leve moletom preto. Parecia muito diferente de todas as vezes que Hermione a vira nos corredores. Porém, daquela forma simples e desleixada, ela parecia muito mais verdadeira do que vestindo as calças coladas e as blusas e casacos de marcas famosas, dos quais Hermione precisaria vender um membro para possuí-los.

Fleur parecia confortável na simplicidade e Hermione franziu a testa diante dessa observação. Era a segunda vez, naquele dia, que Fleur a surpreendia.

A morena observou quando a líder de torcida acomodou-se, de pernas cruzadas, em posição de meditação, na arquibancada. Em seguida, Fleur abriu o exemplar de “O Morro dos Ventos Uivantes” sobre o colo e passou a lê-lo, com a mão direita apoiada no queixo e a esquerda passando as páginas conforme estas eram lidas. Hermione novamente foi surpreendida ao perceber que Fleur já lera cerca de um terço da obra. Fleur gostava tanto assim daquele tipo de literatura? Era bom demais para ser verdade.

Hermione chacoalhou a cabeça, a racionalidade voltou ao seu cérebro e ela retornou o olhar para seu caderno, seus olhos ardiam um pouco por causa das lentes de contato, ainda estava acostumando-se a elas e, afinal, a ausência de piadas em relação aos seus antigos óculos valia aquele esforço. Piscou os olhos várias vezes e segundos depois, sua mão direita percorria a folha, escrevendo os primeiros números da resolução.

A morena não ergueu os olhos de seu caderno, mas a sensação de que estava sendo observada a incomodou lá pela terceira ou quarta questão de seu dever de casa. Hermione procurou não dar muita atenção a ela, porque a única pessoa que podia observá-la era Fleur e por mais que a líder de torcida soubesse seu nome e com quem andava, ela não tinha motivos para olhá-la. Portanto, Hermione continuou concentrada e com a cabeça nos cálculos.

– Você realmente ficar perdida quando resolve estudar! — A voz grossa e risonha de Rony fez Hermione sobressaltar-se e fazer um belo risco desgovernado na folha, que contrastou com a sua letra bem desenhada e seus números caprichosamente escritos. A morena ergueu os olhos e irritada, perguntou:

– Não sabe chamar, Ronald?

– Estou lhe chamando há mais de um minuto, nem vem com bronca, Mione! — Rony se defendeu ofendido, sentando-se ao lado da amiga. Ele já havia tomado banho e cheirava a sabonete campestre, Hermione revirou os olhos e apagou o risco a lápis com violência. — Eu não tenho culpa se você estava distraída. Aliás, até acho que não eram os estudos que estavam lhe mantendo focada.

Hermione bufou, ainda mais furiosa e escutou a risada de Rony ocupar o espaço entre eles. A morena terminou de apagar o risco em seu caderno e o fechou bruscamente, em seguida, ergueu os olhos para Fleur e, pela segunda vez naquele dia, surpreendeu-se ao encontrar os olhos da loira.

A morena franziu a testa, confusa enquanto Fleur abria um discreto sorriso e as bochechas pálidas tingiam-se levemente de vermelho. Hermione não sabia o que fazer, mas tampouco soube como desviar os olhos... Estava prestes a acenar, ou até mesmo sorrir, quando o imenso corpo de Roger Davies, namorado de Fleur, ocupou sua visão e a impediu de continuar a enxergar a loira.

– Tenho que admitir que isso foi bastante intenso. — Foi Harry quem comentou, pelo tom de voz, Hermione percebeu que ele estava tão surpreso e confuso quanto ela. Rony continuava a rir, mas já se levantara e ajeitava a mochila sobre o ombro esquerdo. A morena olhou para Harry que abriu um sorriso gentil, os olhos escuros brilharam maldosos dessa vez e Hermione esperou pela piadinha que viria a seguir. — Parece que sua perseguição está chamando a atenção da nossa Rainha, Mione.

– Eu não estou a perseguindo! Seja lá o que Ginny disse a vocês, não é verdade. — Hermione defendeu-se afetada, ficando em pé rapidamente, jogando o caderno e o estojo dentro de sua bolsa com extrema violência. Harry e Rony trocaram um olhar cúmplice e continuaram a rir, sendo furiosamente observados por Hermione. A morena revirou os olhos para os dois e desceu a arquibancada quase aos saltos, parando à beira do campo apenas para esperar os dois amigos.

Harry e Rony desciam lentamente, aproveitando-se do embaraço da amiga, rindo e fazendo piadas, irritando ainda mais Hermione. A morena cruzou os braços na altura dos seios e, sem se conter, olhou para o campo. Seus olhos castanhos foram atraídos para o meio do gramado onde Fleur estava gesticulando agressivamente para Roger que procurava argumentar alguma coisa, Hermione observou a pequena discussão, curiosa.

Fleur tinha a expressão dura, sem qualquer resquício do sorriso que destinara a ela anteriormente. A loira, agora, abraçava o livro junto aos seios enquanto escutava Roger. Mais uma vez, os olhos azuis desviaram-se do foco, em direção aos castanhos. Hermione retribuiu o contato visual, a preocupação transparecia no calor teimoso de seus olhos castanhos. E ela, alguns segundos depois, quase que de forma compreensiva e extremamente corajosa, descruzou os braços e deu de ombros, como se quisesse passar, naquele simples gesto, que o segredo era abstrair. Os olhos azuis de Fleur denunciaram a compreensão de seu ato e o canto esquerdo dos lábios finos ergueu-se um pouquinho, como se ela tentasse esconder um sorriso para, logo depois, serem interceptados pela boca de Roger.

Hermione, tão rápido quanto olhara para Fleur, desviou os olhos e virou de costas para o campo. Harry e Rony já estavam ao seu lado e olhavam, preocupados, para ela e para o casal que trocava um beijo romântico e até um pouco desagradável, no meio do campo. O moreno foi quem reagiu primeiro e a abraçou pelos ombros, apertando-a de encontro ao seu corpo. Rony afagou seus cabelos e murmurou pesaroso:

– Sinto muito, Mione.

– Não precisa. Eu sei bem qual é meu lugar na escola e também sei que não há um mundo real em que Fleur Delacour goste de meninas. — Hermione murmurou de forma fria, reerguendo todas as suas barreiras emocionais às quais estava acostumada e permitindo que a esperança murchasse em seu interior. Ela aconchegou-se no abraço de Harry, procurando proteção. — Ela pode sorrir e olhar para mim o quanto for, mas ela ainda é Fleur Delacour.

Harry e Rony trocaram um olhar significativo que misturava pena e até um pouco de raiva, mas nada disseram. O trio caminhou até o carro e, mais uma vez, aquela sensação de ser observada incomodou Hermione durante todo o trajeto.

Ela não suspeitou de Fleur, pois sabia muito bem que era impossível que ela conseguisse perceber alguma coisa que não fosse os lábios de Roger Davies sobre os dela. Portanto, Hermione não olhou para trás e continuou concentrada em seu caminho, decidida a manter aquele crush controlado o bastante para que situações como aquela não voltassem a acontecer.

Fleur jamais pertenceria a ela.

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Notas finais
Minha loucura continua sendo uma boa distração? :X Hahahahahahaha O que acharam desse capítulo? Comentem, por favor! E lembrem-se, quem está gostando e ainda não conhece "La Petite Mort", dê uma passadinha lá... Também é Fleurmione! No mais, até a próxima, beijos, FerRedfield