You Belong With Me

8 Capítulo 7: As várias facetas do real


Notas iniciais
Olá, leitores! Tudo bem? Mil desculpas pela demora em atualizar YBWM! :/ Passei por crises de inspiração e crises de falta de tempo... Sei que não justifica, mas peço que tentem me compreender! No mais, estou aqui com mais um capítulo dessa fanfic que está se tornando um dos meus trabalhos preferidos dos últimos anos *-* Também estou um pouquinho chateada porque hoje me dei conta de que tenho somente mais 4 capítulos dessas lindas para escrever... Mas, todos serão confeccionados da melhor forma, prometo! Quanto a esse capítulo, ele traz dicas do que acontecerá mais para frente e, é claro, tem muito do que vocês gostam Hahahahaha Espero que aproveitem, boa leitura!

Quando Hermione abriu os olhos castanhos naquela manhã de domingo, não se surpreendeu por ter acordado antes das oito horas e nem por estar tão desperta e sem resquício algum de sono em seu corpo. Porém, mesmo que estivesse tão elétrica e animada, ainda existia uma porção dela que duvidava do que acontecera no dia anterior.

Essa foi a parte de si, talvez, os últimos resquícios de racionalidade que ela ainda possuía, que a fizeram sentar-se na cama e apanhar o celular no criado mudo ao lado da cama.

Hermione desbloqueou a tela e abriu o aplicativo de Mensagens.

O número desconhecido ainda era o dono da primeira mensagem, cujo conteúdo ela sabia muito bem do que se tratava. Instintivamente, um sorriso brotou nos lábios rosados e ela saiu da cama, os pés protegidos pelas meias tocaram o chão frio e ela caminhou até o pequeno banheiro, quase cantarolando, tamanha era a energia quente que preenchia o seu peito.

A morena realizou sua higiene matinal e até mesmo tomou um banho. De roupas trocadas, desceu as escadas praticamente correndo e logo aterrissou na cozinha em que sua mãe, com um avental rosa na cintura, preparava o café. Hermione apanhou sua tigela de cereais em um dos armários enquanto cumprimentava animada:

– Bom dia, mamãe!

– Bom dia, querida... Vejo que não fui a única que acordou animada hoje! — Jane retribuiu ao cumprimento da filha e inclinou o rosto lateralmente, Hermione revirou os olhos para o gesto da mãe e beijou a bochecha direita que ela lhe oferecera. A morena não pode deixar de olhar por cima dos ombros da mãe e nem ignorou o cheiro que exalava da frigideira, Hermione, com a cabeça dentro da geladeira, comentou:

– O que papai fez para merecer um delicioso e tradicional café da manhã britânico?

– Querida, você não vai querer escutar isso logo de manhã! — Jane respondeu com uma piscadela cheia de intenções, Hermione retirou a cabeça de dentro da geladeira e, com o galão de leite em mãos, revirou os olhos para as palavras da mãe além de fazer uma careta de nojo. Jane riu da filha e continuou concentrada em virar as salsichas, o ovo e o bacon na frigideira.

Mais passos foram ouvidos pela escada e, segundos depois, Donald Granger chegava à cozinha com os cabelos bem penteados e cheirando à colônia pós- barba. Hermione franziu o nariz para o cheiro quando o pai lhe deu um beijo no topo da cabeça e revirou os olhos, novamente, quando os pais trocaram um beijo sutilmente escandaloso a sua frente.

Hermione ocupou-se de alcançar a caixa de cereais e colocá-los em seu prato, banhando-os com leite, concentrando-se o bastante para não escutar as risadinhas e cochichos de seus pais. Quando eles, enfim, pareceram sossegar, Donald pigarreou e perguntou:

– Dormiu bem, querida?

– Como uma pedra, eu não sabia que estava tão esgotada até cair na cama e adormecer. — Hermione respondeu entre mastigadas, estudando a tabela nutricional da caixa de cereal, um péssimo costume adquirido, proveniente de sua curiosidade insaciável. Donald sentou ao lado da filha e Jane estendeu-lhe o prato do café da manhã, a mãe inclinou-se para Hermione e a morena a olhou, confusa. Tendo toda a atenção da filha, Jane comentou ardilosa:

– Você não parecia estar tão cansada quando chegou em casa.

Hermione engasgou-se com os cereais, resultado da surpresa diante da natureza do comentário da mãe e, principalmente, do tom que ela usara. Jane falara como se tivesse notado algo entre a filha e Fleur na noite anterior. Hermione olhou para o pai, em busca de apoio ou esclarecimento, mas Donald parecia estar bem concentrado em suas salsichas fritas. A morena voltou a olhar para mãe e desconfortável, respondeu:

– Bem, isso deve ser porque eu estava me divertindo até chegar aqui. E a senhora sabe, diversão libera adrenalina e nos deixa despertos, tudo puramente fisiológico.

– Claro, o amor também libera adrenalina. — Hermione não acreditou quando escutou a voz de seu pai, finalmente, entrando na conversa da pior forma possível. O rosto moreno tingiu-se de vermelho e ela procurou respirar na freqüência correta para não hiperventilar de nervosismo.

Agora, era Jane quem fingia não pertencer a conversa enquanto servia o próprio prato de costas para a filha. Hermione olhou das costas da mãe para o pai que mastigava com gosto um pedaço de bacon, ele tinha um sorriso no rosto que, de certa forma, tranqüilizou-a de forma parcial. Jane finalmente sentou em frente ao marido e à filha no balcão. Olhou para a tigela de cereais, ainda cheia, de Hermione e, confusa, perguntou:

– Os seus cereais estão com algum problema, querida?

– Não, não estão. — Hermione respondeu de forma enérgica, seus dedos começaram a batucar a madeira da mesa de forma impaciente e ela voltou a olhar da mãe para o pai, ansiosa e ligeiramente irritada com a atitude dos dois. — Eu que pergunto: vocês dois estão com algum problema?

– Acredite, querida... Depois da noite que tivemos, qualquer problema é solucionável. — Donald respondeu entre gargalhadas contagiantes. Hermione tentou se conter, mas não pode deixar de rir do comportamento juvenil do pai. O trio Granger se entreolhou depois das risadas e passaram a comer em silêncio.

Rugas se formaram na testa de Hermione enquanto ela fingia olhar para o nada, sentindo que seus pais observavam ansiosos todo e qualquer comportamento seu. Naquele momento silencioso, Hermione rapidamente entendeu que eles sabiam e que, principalmente, eles não ligavam.

Porém, eles queriam que ela falasse e, talvez, Hermione assumisse em um ou outro momento. Mas, não naquele momento.

O silêncio perdurou até que a campainha foi tocada. Hermione sequer esboçou qualquer reação, subiu as escadas e foi até seu quarto. Ignorou o celular que se encontrava em cima da sua cama e passou a retirar os livros da mochila, pronta para mais uma maratona dominical de estudos.

Entretanto, seu celular apitou a chegada de uma mensagem no exato momento em que seus pais lhe chamavam.

Hermione fez um coque desajeitado nos cabelos e desceu as escadas apressada, colocando um velho moletom sobre as largas calças de ginástica. Ela não era desastrada, mas quase levou um tombo quando viu quem tocara a campainha.

Fleur Delacour estava parada no corredor que separava a cozinha da sala. Os longos cabelos loiros estavam soltos, da forma como Hermione sempre gostara. Ela usava um suéter folgado na cor azul marinho, o qual deixava aparecer a gola de uma segunda blusa de lã branca. Calças jeans coladas e coturnos nos pés completavam o visual.

Talvez, Hermione tenha ficado boquiaberta devido a tanta simplicidade e beleza logo pela manhã. E quando os olhos azuis cerúleos estabeleceram contato com os seus, a morena já tinha esquecido que os pais encontravam-se no mesmo ambiente que ela e Fleur.

– Acho que os problemas de todos nós foram resolvidos nessa manhã. — Jane comentou ácida, levando o marido a sorrir discretamente e Fleur a corar. Hermione preocupou-se em fuzilar a mãe que, ao receber o olhar agressivo da filha, logo correu de volta para a cozinha entre risadas. Fleur colocou as mãos nos bolsos frontais da calça jeans e, envergonhada, cumprimentou educadamente:

Bonjour, eu espero não ter acordado nenhum de vocês.

– Digamos que, hoje, todos nós caímos da cama. Algo nos diz que esse domingo será maravilhoso! — Donald ocupou-se de responder porque percebeu que a filha estava, finalmente, envergonhada o bastante para dizer alguma frase coerente. Hermione abriu a boca algumas vezes, mas nada saiu. Fleur apenas sorriu para o embaraço da mais nova. — Hermione até deixou a cama desarrumada. Ela vai arrumar e já desce, enquanto isso, por que não nos faz companhia? Acho que Jane fez comida para um batalhão.

Merci, Sr. Granger... — Fleur respondeu polida, deixando-se levar por Donald até a cozinha, sem antes sorrir e piscar para Hermione. A morena subiu as escadas correndo, tropeçando nos últimos degraus e trancou-se em seu quarto.

Abriu o guarda-roupa em busca de algo tão simplista quanto àquilo que Fleur vestia. Optou por calças jeans, camisa social, um longo e quente sobretudo azul que deixou aberto enquanto enlaçava um cachecol marrom no pescoço. Soltou os cabelos e olhou-se no espelho, agradecendo-os por manterem-se comportados naquela manhã e colocou os óculos enquanto tentava descer as escadas da forma mais calma possível.

Ao pé da escada, escutou as risadas de seus pais misturarem-se às de Fleur. A morena parou deslocada no portal e pigarreou para que os três lhe dessem atenção. Fleur tinha um pedaço de pão frito entre as mãos, mas logo o largou quando a viu. Donald e Jane sorriram para os olhares trocados entre as duas garotas, mas, ao menos daquela vez, mantiveram-se quietos.

Fleur levantou-se da cadeira e caminhou até onde Hermione estava, ainda mantendo uma distância segura entre elas. A loira suspirou, olhando-a mais uma vez antes de voltar a olhar para os Granger e comentar:

– Seus pais permitiram que você passe o dia comigo. Mas eu tenho que lhe trazer antes das oito porque temos aula amanhã.

Hermione olhou grata aos pais que apenas acenaram com a cabeça, o casal sequer levantou quando as duas saíram de seu campo de vista para o corredor em direção à porta. Escondidas pela parede entre os cômodos, Fleur finalmente pegou na mão de Hermione e a guiou para fora da casa. Nem mesmo o frio da manhã pode congelar a energia quente que ambas traziam dentro do peito.

Fleur, em silêncio, abriu a porta do seu carro e Hermione entrou, observado-a contornar o carro pelo vidro frontal. Assim que entrou e fechou a porta, Fleur virou-se para ela e, sem esperar mais, roubou-lhe um selinho e, com os lábios juntos ao da morena, sibilou sorrindo:

– Olá, mon amour.

– Você é louca! — Hermione exclamou entre risos, segurando o rosto de Fleur próximo ao seu e escutando a risada dela se combinar a sua enquanto se olhavam animadas. — Como aparece na porta da minha casa sem avisar?

– Em minha defesa, mandei mensagens ao seu celular... Mas, confesso que não consegui esperar pelas respostas. — Fleur respondeu alegre, roubando beijos de Hermione entre as frases e provocando gargalhadas ainda mais intensas na morena. Fleur afastou-se ligeiramente e mordeu-lhe o queixo, Hermione arrepiou-se e respirou profundamente. — E não se preocupe, você é linda pela manhã.

Hermione corou até as orelhas e Fleur riu, a morena bateu de forma leve no braço da francesa enquanto ela ligava o carro e engatava a marcha. A morena sequer perguntou para onde iam, tinha um dia inteiro com Fleur Delacour e não importava muito para onde ia desde que estivesse com ela.

# # # # #

Certamente, Hermione não sabia para onde Fleur a levava. A francesa tampouco se preocupou em revelar o destino das duas e, também, não era como se a morena se preocupasse... Hermione, envergonhada pela natureza louca de seus sentimentos, tinha que admitir que iria para qualquer lugar que Fleur quisesse levá-la, independente de onde fosse.

Portanto, Fleur preocupava-se em dirigir com uma mão enquanto a outra segurava a de Hermione entre as trocas das marchas do carro. A morena sorriu para a mão pálida entrelaçada a sua quando elas pararam em frente a um imenso portão de ferro, a familiaridade daquele gesto e o que ele representava eram coisas com as quais ela estava se acostumando, mas que não deixavam de abrir um sorriso em seus lábios.

Fleur virou-se para ela enquanto o portão abria-se, Hermione, agora, tinha uma expressão intrigada na face. A líder de torcida riu e perguntou:

– O que foi?

– Por favor, só me diga que essa não é a sua casa... — Hermione respondeu ligeiramente apreensiva, desviando os olhos do portão assim que ele se abriu. A morena olhou para Fleur que tinha um sorriso divertido nos lábios e segurava sua mão. — Eu não sei se estou pronta para enfrentar seus pais.

– Fique tranqüila, eles não estão em casa... Acordaram cedo para levar Gabrielle ao balé. Apesar de que, minha irmã não parecia muito animada, acho que ela prefere jogar hóquei na grama. — Fleur respondeu entre risadas enquanto voltava a olhar para frente e manobrava o carro na pista de concreto que cortava um imenso gramado verde esmeralda.

Hermione tirara os óculos e só conseguiu enxergar a casa, ou melhor, a mansão, quando o automóvel trafegou próximo à construção. A pista de concreto se abria em círculo, cujo centro era ocupado por um pequeno chafariz e ladeado por duas árvores que, devido ao outono, estavam sem folhas. Do círculo, dos caminhos de pedra branca se abriam para o norte e o sul. O primeiro deles levava diretamente à porta de vidro trabalhado da mansão e o segundo fora onde Fleur parara o carro.

A francesa descera e, apertando o suéter de encontro ao corpo, abriu a porta do carona e ofereceu a mão para que Hermione descesse do carro. A morena, ainda extasiada pela beleza do gramado e do campo que se estendia ao redor da construção, aceitou a mão que lhe fora entendida e saiu para a manhã fria de Londres. Hermione, deixando a teimosia de lado, colocou os óculos e permitiu-se admirar a belíssima construção a sua frente.

A Mansão Delacour era semelhante a um castelo. Duas torres simétricas erguiam-se no centro da construção e circundavam a porta de entrada feita de vidro decorado com o desenho minimalista de uma flor. Nos extremos leste e oeste, existiam componentes retangulares com imensas janelas de vidro. Toda a mansão possuía detalhes simétricos e rústicos em pedra, também branca enquanto a cobertura era de elegantes telhas azuis.

Hermione ainda estava imersa na grandiosa beleza da casa quando Fleur envolveu a mão esquerda em sua direita. A morena virou-se para ela e encontrou um sorriso divertido e bochechas coradas, a própria Hermione corou quando Fleur, puxando-a pelo caminho de pedras sul, murmurou:

– Acho que você precisa de um tempo.

– Sua casa é linda, Delacour... Mas, por favor, não se gabe. — Hermione respondeu ligeiramente corada, tanto por ter sido pega observando a casa atentamente quanto pelo teor brincalhão de Fleur diante de algo tão importante quanto a diferença financeira e social entre elas. A expressão da morena caiu em algo que mesclava o medo e aflição, ela estava tão imersa em sua bolha de felicidade que se esquecera da existência de um mundo lá fora... Um mundo que não lidaria bem com o relacionamento delas, tanto na esfera sexual como na social e financeira.

Hermione precisou ir à casa de Fleur para perceber que seu mundo não se encaixava perfeitamente ao dela.

Fleur logo percebeu o que se passara pela cabeça de Hermione, a francesa adiantou-se e aproximou-se dela. Hermione tentou desviar o olhar e, até mesmo, se afastar, mas Fleur a segurou pelos antebraços e a manteve no lugar. A francesa deu um passo para frente, apertando e segurando Hermione no lugar de forma delicada e, sem que a morena pudesse escapar, envolveu-a em seus braços.

Hermione deixou-se envolver pelo perfume de lavanda que, nos últimos dias, tornara-se o seu calmante... Ela escondeu-se no peito de Fleur e deixou que ela a levasse, fosse onde fosse.

A morena provavelmente sabia como aquilo acabaria se desse errado e se as duas não fossem fortes o bastante para enfrentar tudo que, subitamente, Hermione percebera e que ia contra elas. Contudo, naquele momento precioso, Hermione permitiu-se que Fleur a levasse para onde ela quisesse.

# # # # #

A casa de Fleur era imensamente grande e ricamente decorada, realmente, a máxima de que os franceses eram elegantes se fazia verdade depois de observar todo o interior da mansão que era tão lindo quanto o lado de fora. Fleur guiava, tentando distrair a cabeça de Hermione das preocupações mundanas que quase a tomaram. A morena assumira uma posição pessimista e realista, mas mantinha o sorriso nos lábios enquanto caminhava atrás de Fleur, escutando-a contar histórias de cada cômodo e observando-a de forma apaixonada.

As duas já haviam passado pela cozinha, as duas salas de estar, a sala de jantar e os banheiros no térreo... Hermione percebeu parou em frente às escadas, pronta para conhecer o andar superior quando Fleur, com um discreto aperto em seu pulso, murmurou sorrindo:

– Sem pressa, belle brune... Vamos para o lado de fora, novamente.

Belle...? Do que me chamou, Fleur? — Hermione perguntou curiosa, a testa franzindo-se levemente enquanto sua expressão assumia um ar corado mesmo que ela não soubesse o que significava aquele apelido. Mas, de alguma forma, ela sabia que era algo carinhoso. Fleur também corou diante da pergunta e aproximou-se, beijando os vincos de sua testa e os relaxando imediatamente. Ela afastou-se do corpo de Hermione e segurou-a pela cintura antes de dizer:

– Prometo que lhe conto do lado de fora.

Hermione, mais uma vez, acreditou. Surpresa com o seu ar passivo diante daquela loira que, por muito tempo, fora apenas uma mera brincadeira de sua imaginação... A morena entrelaçou os dedos de sua mão aos de Fleur e deixou, mais uma vez, que ela a guiasse.

Fleur parecia ainda mais animada e praticamente desfilava pelo chão da mansão, as duas voltaram à cozinha e rumaram para uma porta que passara desapercebida pelos olhos atentos de Hermione. A mão de Fleur fechou-se na maçaneta e ela inclinou a cabeça levemente para o lado ao dizer brincalhona:

– Você sabe como está o tempo lá fora, acho melhor se agarrar bem a mim.

Hermione, por mais idiota que tenha sido o comentário, não pode deixar de gargalhar antes de dar um leve tapa nas costas de Fleur. A risada rouca da loira preencheu o ar entre elas e Hermione, carinhosa e espontaneamente, beijou-lhe o ombro. As duas caminharam para fora e foram atingidas, novamente, pelo frio outonal.

A morena fora realmente ingênua ao achar que os domínios dos Delacour não se estendessem além da casa e da fachada. Fleur a puxava para uma estrutura que lembrava um deck de madeira e terminava em um lago, de natureza artificial com um diâmetro com cerca de 25 metros. Ele era oval e banhava os fundos da mansão, terminando do outro lado no que aparentava ser um pequeno pomar mesclado a um parreiral de uvas.

– Meus pais são meio exagerados, não são? — Fleur tirou Hermione de seus devaneios, a morena sobressaltou-se porque a voz viera de suas costas, assim como os braços que envolveram sua cintura. Ela aconchegou-se àquela posição desconhecida e confortável, manteve-se próxima ao calor de Fleur e continuou a observar toda a extensão daquele magnífico local, tentando imaginá-lo na luz e calor do verão... Deveria ser lindo. — O terreno já tinha esse lago quando nos mudamos para cá, mas a ideia do deck e do pomar é deles. Meu pai é um entusiasta da jardinagem e minha mãe gosta de idealizar projetos.

– Seus pais devem ser muito criativos... — Hermione comentou impressionada com a beleza e grandeza daquele “quintal”. Ela observava tudo atentamente, tentando tirar uma espécie de “fotografia memorial” quando seus olhos escuros foram subitamente atraídos para um suporte de madeira em que estavam pendurados patins de gelo. Fleur percebeu para onde olhava e comentou:

– Gabi deve ter trazido aqui para fora quando percebeu que o lago estava começando a congelar.

Hermione virou-se para ela e, fazendo exatamente o que havia prometido a si mesma (aproveitando o quanto tivesse com Fleur Delacour), enlaçou os braços no pescoço da loira, sentindo-a enlaçar a sua cintura. Fleur sorria para ela, as bochechas coradas por causa do frio e os olhos azuis cerúleos límpidos e brilhantes, Hermione ficou na ponta dos pés e beijou-a delicadamente nos lábios antes de perguntar:

– Você sabe patinar?

– Claro que sei! Aliás, sou boa o bastante para lhe ensinar quando as aulas acabarem e o inverno, efetivamente, chegar. — Fleur respondeu animada, beijando a bochecha morena e colocando uma mecha castanha revolta atrás da orelha de Hermione. Fleur, talvez, jamais saberia, mas aquela simples frase, de planejarem algo ao médio prazo, fez seu coração esquentar e desapertar-se em seu peito. Hermione sorriu grande para Fleur e perguntou:

– Acha que vamos estar juntas até lá?

– Eu achei que tivesse deixado claro que eu estou em suas mãos, Madeimoselle Granger... Só depende de você. — Fleur respondeu séria, com toda a sinceridade que seu coração e seus lábios lhe permitissem. Mais uma vez, o coração de Hermione acelerou-se e ela viu-se, no instante seguinte, abraçando o corpo esguio de Fleur como se ela fosse a única coisa na qual pudesse se segurar. A loira lhe retribuiu da mesma forma.

As duas garotas permaneceram do lado de fora, no frio, abraçadas e ainda assim, sentindo o calor uma da outra. Hermione sabia que, talvez, esse dezembro jamais chegasse às duas... Mas, ela acreditava em Fleur e, talvez, isso fosse o necessário para que elas chegassem aonde quisessem.

# # # # #

Notas finais
E aí? O que acharam? Tomara que a minha demora e a espera de vocês tenha valido a pena! Comentem, deixem seu feedback... Estou no aguardo! *-* Beijos e até a próxima, Fernanda Redfield.