Notas iniciais
Oiee, voltei, e muito mais feliz *-*
Recebi minha primeira recomendação, omg *----------*
Tsuki Kiome-san, obrigada por isso, as palavras foram muito lindas, e vou dedicar esse capítulo para você, como uma forma de agradecer.
Espero que gostem minna, mais um na estrada que é a You Are Not Alone ♥
Boa leitura.

Kai sentiu as pernas fraquejarem e teve de se apoiar na parede por um momento, assimilando o fato de Miyavi ter um bebê nos braços. Não o via há pouco menos de um ano, talvez uns sete meses, não lembrava ao certo, e tentou entender, — Sem qualquer sucesso, claro. – o que o maior fazia com um recém-nascido. – Pelo menos era o que o baterista achava devido ao tamanho do embrulhinho.

Obviamente não conseguiu evitar — No meio do silêncio que acometeu a sala. – uma careta, tentando assimilar aquela situação à sua frente, e falhando categoricamente, acabou levando Miyavi a um pequeno acesso de risada, acomodando melhor a criança em seus braços e acarinhando a lateral de sua cabeça com uma das mãos.

— Eu sei, é uma grande surpresa. Se não estiver com pressa eu posso explicar. – Sorriu amável, vendo o semblante de o menor amenizar e ele lhe dirigir um sorriso, colocando a sacola em cima da mesa.

- Eu realmente estou confuso, e se pudesse e não fosse parecer intromissão eu adoraria saber de onde esse bebê saiu. – Sorriu.

- De uma mulher. – Ishihara disse simplista e os dois caíram na risada diante da afirmação esdrúxula dele, que não poderia ter sido pior.

- Eu falo sério. – Kai tentava parar de rir e esticou os braços em direção ao recém-nascido. – E só por isso vou seqüestrar ele um pouco.

Miyavi encerrou as risadas e entregou o bebê à Kai, que resmungou um pouco ao sentir ser mudado de colo. O baterista o pegou com cuidado e certa maestria, ajeitando-o direito e indo até o sofá, sentando num dos nódulos enquanto Takamasa o fazia no outro.

— Essa é a Lovelie. – Sorriu, fitando a menina. – E ela é minha filha.

- Eu imaginei que fosse. Mas, — Hesitou um pouco, sentindo-se intruso. — como aconteceu? – Olhava bobamente para a menina que dormia, mexendo uma das mãozinhas e levando inocentemente até o rosto.

- Na minha última turnê – O cantor fitava o nada, um sentimento nostálgico lhe vindo a si. – eu conheci uma modelo que estava em começo de carreira. Quem a visse não dava vinte anos, e se via perfeitamente as intenções dela quando foi até meu camarim. Nem acreditei quando ela sem dizer absolutamente nada me mostrou documentos e provou que tinha vinte e dois. Conversa vai e vem e a gente acabou na cama. Eu sei, foi inconseqüente.

- Sim, mas olhando agora parece realmente ter valido à pena. – Sorriu para o músico, voltando novamente à atenção para a garotinha.

- Sim, foi. – Miyavi sorriu, fazendo o mesmo. — Algumas semanas depois ela me ligou dizendo da gravidez e nós fizemos exames conforme o tempo foi passando e eu tive certeza que era realmente de mim. Nenhum dos dois podia manchar a carreira e ela até comentou que ia abortar, mas eu não deixei. Disse que pagaria qualquer plástica ou coisa parecida que ela fosse precisar e fiquei mais em cima, pressionando.

- Isso é tão horrível. – Yutaka fez uma expressão surpresa e de asco. – E uma covardia.

- Pois é, mas ainda assim ela tentou. E quase conseguiu. Mas, as conseqüências vieram e no final da gravidez ela começou a passar mal, e bem, depois que a Lovelie nasceu ela pegou uma infecção e... Morreu. – Suspirou levemente chateado.

- Kami-sama. – O líder do GazettE estava realmente assustado, mas de certa forma sabia que ela havia apenas pagado pelo que fez.

- Isso tem um mês, por isso ela ainda é tão pequena e eu dei uma sumida da mídia. Agora que nasceu eu estou tentando me ajustar. A mãe tinha deixado claro que não queria ficar com ela então eu consegui arrumar muita coisa antes dela nascer. Mas, ainda vou precisar de ajuda, tenho certeza.

Kai sentiu o coração falhar uma batida ao ouvir aquilo, de certa forma havia se encantado com a menina, e Miyavi estar tentando se ajeitar sozinho era realmente digno de admiração. E claro, não teria como não ter atraído com toda a certeza a atenção e interesse do baterista.

— Você tem meu número não tem? – Inquiriu, chamando a atenção do maior que, com um sorriso, assentiu com a cabeça. – Então pode me ligar quando precisar. Eu ando passando um tempo no hospital, mas sempre que precisar e eu puder vou ajudar. – Sorriu ternamente, levando Miyavi para o mesmo caminho.

- Eu fico imensamente feliz Kai, vou apreciar sua ajuda de todo coração.

Um clima gostoso se instalou entre eles e um sorriso cúmplice foi trocado até um resmungo quase sussurrado ser ouvido e aos poucos se transformar num choro baixo, chamando a atenção dos dois.

— Ela deve estar com fome, faz um tempinho que comeu. – O agora pai retirou uma mamadeira de dentro da bolsa que carregava, removendo o lacre de segurança que cobria o bico, entregando para Kai. – Se importa?

- Oh, de forma alguma. – Sorriu, erguendo um pouco a menina e levando a mamadeira até seu rosto, que foi tomada pelos pequenos lábios rapidamente. – Mas, se importa de fazer um favor para mim?

- Pode dizer. – Sorriu.

- Eu preciso revelar umas fotos que estão no filme dentro daquela sacola em cima da mesa para levar ao Uruha. Você pode fazer isso por mim? Tem uma loja de revelação no fim dessa rua.

- Claro, volto logo. – Sorriu, levantando-se e pegando o filme dentro da sacola, saindo da sala com Kai vocalizando um ‘obrigado’, voltando à atenção para a menina em seus braços; os olhos oscilando entre abertos e fechados, fazendo barulho com a boca conforme sugava o leite da mamadeira. Parecia estar a vontade no colo de Kai, balançando um dos bracinhos enquanto a mão tentava agarrar alguns fios de cabelo do moreno, que sorria com a cena.

Baixou um pouco o rosto, depositando um beijo no alto da cabeça e aspirando o cheiro gostoso de shampoo infantil que os poucos fios exalavam. Notou como Miyavi estava responsável e sendo um ótimo pai, cuidando impecavelmente de Lovelie, que usava um macacão branco meio reforçado por causa do outono frio e estava envolta num cobertor lavanda, as mãozinhas descobertas, mas os pés devidamente protegidos.

— Nee, Lovelie-chan é tão kawaii.

Sorriu bobamente, terminando de dar o leite para a menina e se levantando, deixando-a em pé e batendo de leve em suas costas para que pudesse arrotar. Sentia-se todo feliz cuidando dela, mesmo que aparentemente não estivesse fazendo muito. De alguma forma estava contente em poder ajudar Miyavi, não sabendo exatamente o real motivo, apenas sentia o estômago revirar, deixando-se levar por aquele momento tão mágico.

— Saúde. — Riu baixo ao ouvir o arroto da garotinha, permanecendo mais alguns minutos com ela naquela posição antes de se sentar novamente, cantarolando algo baixinho enquanto Lovelie era embargada novamente pelo sono, bocejando antes de fechar os olhinhos.

xXx

O novo pai do mundo J-Rock voltou uma hora depois a gravadora, encontrando Kai acarinhando o rosto de sua filha, que provavelmente dormia.

— Missão cumprida. — Bateu continência, fazendo o baterista rir baixo.

- Digo o mesmo. Até fralda troquei. — Desta vez foi Ishihara quem riu.

- Ela já fez até sujeira? Você é mesmo versátil Kai, obrigado. Cuidava de crianças? — Colocou o pacote com as fotos dentro da sacola, sentando-se ao lado do baterista em seguida, pegando Lovelie de seus braços.

- Minha mãe dava aulas de piano e cuidava de bebês em casa. Como eu já tinha idade para aprender certas coisas comecei a observar como ela fazia e aos poucos fui aprendendo e ajudando, então é realmente fácil para mim. – Sorriu amavelmente vendo que Miyavi dispunha da mesma habilidade; definitivamente havia se tornado um ótimo pai. – Você tem alguma ajuda em casa?

Takamasa negou com a cabeça, cobrindo melhor a filha.

— Aprendi algumas coisas no hospital quando ela nasceu, e antes fiz um curso, então a empregada que trabalha lá em casa só faz comida e a limpeza, e vigia a Lovelie quando eu preciso sair. Mas, o grosso eu que faço. – Sorriu orgulhoso recebendo de Kai um cumprimento com a cabeça.

- Sua filha tem um ótimo pai então. – Levantou-se, pegando a sacola de cima da mesa. – E eu adoraria realmente poder ficar mais um tempo, mas o Uruha está precisando muito de um apoio e estas coisas aqui comigo vão deixar ele mais confortável.

- Sem problemas. – Miyavi sorriu retribuindo o gesto do moreno. – E se alguém perguntar da foto dentro da minha carta pode contar tudo.

Kai assentiu e saiu da sala, de certa forma agradecendo. Não que a companhia de Miyavi fosse ruim, isso jamais. Mas, estava se sentindo nervoso e constrangido e quase ‘morrendo’ com sua barriga revirando.

Mas, no fim das contas acabou prestando atenção apenas na sacola que levava, estava realmente preocupado com Kouyou. Sabia que aquela era apenas a primeira sessão e ainda tinham muitas coisas para acontecer, e se o guitarrista já caísse na primeira batalha, a guerra estaria praticamente perdida.

Não queria manter pensamentos tão ruins assim e adentrou seu carro enevoando a mente com coisas positivas, aproveitando para colocar Miyavi e Lovelie no meio, mais precisamente a filha do músico. Tão pequena encolhida em seus braços enquanto dormia ou mesmo quando estava comendo.

Fazia algum tempo que Yutaka não via ou conseguia interagir com uma criança, de fato gostava delas. Não aos cântaros como numa escolinha, mas como havia estado com Lovelie. Memórias de seu tempo de adolescência há tanto adormecidos voltavam com força, fazendo-o sorrir ao se lembrar de como fora engraçado tentar trocar fraldas a primeira vez, ou quando teve de ficar com todas as criancinhas para sua mãe sair.

Tinha ficado maluco naquele dia e por alguns outros não conseguiu ficar perto de pessoas com idade entre um e quatro anos, mas depois tudo voltou ao normal e ele conseguiu ajustar melhor as coisas.

Agora, depois de tantos anos, se via preso à Takamasa e sua filha que, mesmo não tendo pedido nada, sabia que o baterista ia ajudar mesmo assim, e se via diante de sentimentos diferentes, mal podendo se conter para receber o primeiro telefonema do músico e ir lhe ajudar no que fosse preciso.

Definitivamente não hesitaria.

xXx

Chegou ao hospital alguns minutos depois de outra chuva ter começado e dirigiu-se primeiramente à saleta de espera do andar de Uruha, não encontrando nenhum dos companheiros de banda, o fazendo, — pelo menos com Reita. -, do lado de fora do quarto do loiro.

— Está tudo bem? – Indagou, pedindo desculpas em seguida pela demora.

- Mais ou menos. Depois que você saiu o Uruha começou a passar mal e o Viktor achou melhor sedar ele, então agora eu, o Aoi e o Ruki estamos fazendo turnos para ficar com ele. – Disse tristemente, mas tentando não deixar seus ombros sucumbirem.

- Deve ter sido por causa da conversa que nós tivemos. – Suspirou, esfregando os olhos cansadamente.

- Pode ser, mas não se culpe aposto que tudo que falou foi apenas para o bem dele. – Tentou sorrir, batendo de leve num dos ombros do líder.

- E foi realmente. Disse que não estava sozinho, e tenho provas aqui comigo das coisas que recebeu entre ontem e hoje. Espero que acorde logo, as novidades são boas. – Sorriu, levando um ar mais animador ao rosto do baixista.

xXx

Aos poucos Uruha foi despertando; a cabeça doendo relativamente menos do que antes, assim como o gosto do vômito em sua boca havia passado.

Somente o cansaço em todo seu corpo não passava. Sentia-se mais fraco à medida que voltava a si, quase impossibilitado de se mover a princípio. Parecia ter sido atropelado por uma locomotiva e com certa dificuldade foi mexendo os membros, apertando os olhos antes de abri-los novamente, encontrando os de Aoi, que tinha uma expressão preocupada, mas aliviada ao mesmo tempo.

Olhou rapidamente na parede acima da porta, notando que agora havia um relógio, assim como uma tv de frente para si presa ao teto. Só então se perguntou mentalmente por quanto tempo havia dormido.

— Finalmente acordou. – O moreno sorriu, sentindo um peso enorme sair dos ombros.

- Já é muito tarde? – A voz baixa e rouca devido à falta de uso quase o fez dizer novamente, caso não estivesse tudo silencioso e Aoi prestando atenção.

- Passa do horário de almoço, mas o Viktor te colocou no soro para evitar que vomite de novo, então não vai mais precisar se preocupar com isso por enquanto. – Sorriu, passando a mão por uma das canelas cobertas do loiro.

- Tudo dói, Aoi. E cansa. – Fechou os olhos, tomando fôlego. – Respirar parece um sacrifício, se mover também. Admita, eu fui amassado por um caminhão.

O moreno riu leve, negando com a cabeça e apertando a campainha para chamar a enfermeira.

— Não, você não foi amassado por um caminhão, juro.

Takashima sorriu devagar, sentia a pele de a boca querer romper a cada movimento mais brusco. Fitou Yuu por mais alguns instantes até a porta ser aberta e o loiro acompanhado da enfermeira responsável pelo guitarrista adentrarem o quarto.

O médico foi até ele medindo sua temperatura e examinando seus sinais vitais, com a moça de branco à frente da cama apenas esperando qualquer ordem sua que por sorte não veio, escapando apenas um suspiro do loiro que o máximo necessário a fazer foi colocar Uruha no respirador, dado que Aoi lhe avisou rapidamente que Takashima havia dito que não conseguia respirar direito.

— Por sorte nada aconteceu. – Sorriu, acarinhando a cabeça do guitarrista, trazendo consigo uns bons fios em seus dedos, sem fitá-los. Sabia como agir em situações como aquela.

- Ele vai ficar bem agora? – Yuu indagou ainda preocupado.

- Sim, mas eu vou precisar conversar com você e seus amigos por um momento e não se preocupe Uruha, não vou privá-los de te ver. – Sorriu amável, saindo do quarto com Aoi em seu encalço juntamente com a enfermeira, esta indo embora rapidamente.

- Vou chamar eles.

O médico assentiu mudo, parando em frente à sala. Não demorou muito e logo todos estavam de volta.

— Aconteceu algo? – Ruki inquiriu, recebendo uma resposta negativa vinda do loiro.

- Eu só quero lhes pedir que evitem ao máximo conversar com ele certas coisas que podem piorar sua saúde. O Uruha está triste tanto pela doença como pela banda e eu sei que tudo que falaram para ele até agora foi para lhe fazer sentir bem, mas ele está ficando cada vez mais debilitado, e bem...

Levantou a mão, mostrando aos quatro a boa quantidade de cabelo em suas mãos.

-... Esse estresse todo junto com o tratamento está fazendo os efeitos colaterais acontecerem mais cedo e o efeito dos antibióticos contra a anemia que deveria estar ajudando, não está surtindo efeito. Então, sempre que ele tocar em assuntos como a banda, mudem o rumo disso, vai fazer bem a ele. Não digo que a culpa é de vocês porque sei perfeitamente que não é, mas, infelizmente ou felizmente, vocês são quem detém a faca e o queijo.

Os quatro assentiram, preocupados. Por sorte no momento Kai tinha as cartas e fotografias e as levou para o amigo seguido pelos outros. Adentraram o quarto fazendo o mínimo de barulho possível, encarando o loiro que estava de olhos fechados.

— Uruha, está acordado? – Reita perguntou baixo e o loiro assentiu leve, abrindo os olhos.

- Eu trouxe uns presentes da gravadora para você. – O líder sorriu, tirando primeiramente as fotos e entregando para o amigo. Reita aproveitou para lhe ajudar, elevando o nível da cama, deixando Uruha semi-sentado.

O loiro então começou a mexer nas fotos, sorrindo por dentro da máscara.

— Kai, elas são tão lindas. – Um brilho passou por seus olhos, fazendo os quatro sorrirem em simultâneo.

- E olha que faz só um dia e eu ainda tenho as cartas. Aliás, o Koga-san virou o ‘empresário jardineiro’ e agora os Staffs viraram ajudantes para regar essas flores.

Os cinco riram animadamente, tinha um bom tempo que não o faziam. De fato agora Uruha estava com o coração mais acalorado e feliz e viu todas as fotos, pegando as cartas em seguida, deparando-se com um bebê numa delas.

— Quem é esse bebê? – Indagou, virando a foto e mostrando para os quatro. Kai sorriu, fitando-o em seguida.

- Sentem que lá vem história.

Notas finais
Perdoem qualquer palavra troglodita no meio do cap -QQQQ