Notas iniciais
Yo gente gostaram da capa nova? *---*
Etto, fic entrando numa fase nova, por assim dizer, não sei se viram, mas eu coloquei na sinopse [Miyavi&Kai]. A princípio eu ia deixar o Kai sozinho, mas as ideias foram surgindo e o Miyavi vai fazer par com ele com uma surpresinha bem agradável e kawaii ♥
Mas, sem delongas...
Boa leitura.

Reita acordou algumas horas depois de ter chegado em seu apartamento. Havia apenas tomado um banho e nem ao menos vestiu algo ou se enxugou perfeitamente. Jogou-se em sua cama e apenas um edredom cobria sua nudez, não que fizesse muita diferença, tendo em vista que o baixista morava sozinho.

Bateu os olhos no relógio ao lado da cama repousando em cima do criado-mudo acusando três da manhã. Havia dormido bastante e se sentia melhor, apesar de não querer levantar por causa do calor gostoso que envolvia seu corpo. Podia ficar ali pelo resto da vida, mas as mais novas preocupações com Uruha não deixavam margem para o baixista relaxar.

Aliás, não só ele, claro. Os outros estavam com os corações angustiados e o baixista não podia ficar deitado tentando relaxar enquanto Ruki, Kai e Aoi estavam no hospital.

E agora ele ficou realmente incomodado com o fato de estar sem roupa. A diferença de temperatura sem o edredom fez o baixista se encolher todo, tremendo. Levantou-se quase correndo atrás de algo abrindo todas as portas do guarda-roupa de uma vez sem saber o que pegar primeiro.

Sua mente acabou se iluminando, por fim, e o baixista pegou a roupa íntima, vestindo-a e em seguida pegando uma calça. A temperatura estava amena, mas levemente fria. O vento que entrava pela janela do quarto do loiro só o fazia se arrepiar mais, correndo em frente ao móvel que guardava suas roupas tentando pegar algo de uma vez por todas.

Por fim, no entanto, escolheu a combinação de camiseta sem manga, mais camisa social, ambas pretas, assim como a calça que era da mesma cor. Calçou um par de sapatos e colocou um casaco, terminando a higiene e não esquecendo a faixa, saindo de seu apartamento por volta de quatro horas.

As ruas estavam tranqüilas àquela hora da madrugada, a não ser por um ou outro motorista maluco que saía correndo pela pista e o baixista sentia o ar das férias tirando o peso da banda de seus ombros, fazendo-o sorrir bobamente. Poderia descansar um pouco melhor, apesar de que ficaria bastante tempo no hospital, mesmo que ainda não tivesse perdido as esperanças de que Uruha não tinha leucemia.

Seu ser se recusava a aceitar fácil assim, mas o coração já não enganava mais. Apesar da força de vontade, Reita sentia que o amigo estava mesmo gravemente doente.

Dispersou esses pensamentos ao voltar para o hospital encontrando os amigos no corredor mais descansados. Os quatro agora tinham feições menos pesadas, apesar da preocupação estampada em suas faces.

- Perdi algo?

- Nada demais. – Disse Aoi, entristecido por não ter podido aproveitar melhor à noite com o loiro. – Estávamos lá dentro, mas o Uruha já estava cansado então tivemos que sair.

- Não querem dormir em casa hoje? Eu posso ficar aqui. – O baixista sentou-se ao lado de Ruki, sua mão roçando levemente na do outro.

- Será meio difícil nos mandar embora de novo. – O baterista se pronunciou, sorrindo. – Mas, para não ficar somente aqui podemos ir ao restaurante que tem no fim dessa rua comer algo. Eu particularmente não jantei, e esse lugar fica aberto vinte e quatro horas, pelo menos a parte da lanchonete que há junto, pelo que eu fiquei sabendo.

- Nem eu. – Aoi disse simplista, sendo acompanhado por Ruki e Reita.

- Então vamos, o Uruha vai ficar algum tempo com uma enfermeira, podemos sair todos.

Claro que eles estavam apreensivos e Viktor teve de literalmente os empurrar para dentro do elevador, mas no fim das contas os quatro foram parar no tal restaurante, de aparência ‘normal’. Não lembrava nada muito humilde nem tão grande, era um ambiente confortável.

E como em qualquer lugar que iam escolheram uma mesa mais adentro do lugar, perto de uma das janelas. Não estavam muito animados para comer por causa da preocupação, mas não podiam perder as forças e ficarem doentes naquele momento.

Não agora que o diagnóstico definitivo do que Uruha tinha estava para sair e Kai precisaria agir com relação à gravadora. Não, eles definitivamente não podiam ficar doentes.

Uma semana depois...

Os cinco encontravam-se no quarto que Uruha usou por aquela semana. Um atraso no laboratório fez o resultado sair dois dias depois do previsto, e na ocasião o hematologista teve de se segurar para não rir pela careta que o guitarrista fez. Era uma situação realmente complicada ficar tantos dias esperando por um resultado tão decisivo, mas as coisas não estavam mais nas mãos dos médicos.

Pelo menos não até Felipe e Viktor adentrarem juntos o quarto, o ar ficando cada vez mais rarefeito pelas respirações pesadas e ansiosas. Os corações pulsavam mais fortes e o hematologista rompeu o lacre que fechava o envelope branco, tirando um papel de lá de dentro.

Ele sabia bem que era velado pelos cinco olhares enquanto analisava em silêncio as informações contidas naquele papel. Era como, na visão de Uruha, se naquela folha estivesse escrito alguma coisa como uma acusação ou sentença de morte, algo realmente decisivo e definitivo.

Pôde ouvir o coração bater e a ansiedade aumentar quando viu os dois médicos entreolhando-se seriamente e uma última vez, voltando à atenção para si. A tensão naquele quarto aumentava cada vez mais.

- E então doutores? – O guitarrista engoliu seco.

- Hemáceas, leucócitos e plaquetas baixíssimos por causa da proliferação das células infecciosas que tomaram a medula óssea. – A voz de Felipe parecia algo como um tapa sendo desferido no rosto de cada um deles. – E isso só pode significar uma coisa. – O hematologista respirou fundo. – Você está com leucemia mielóide aguda, Takashima-san.

A reação foi imediata. Os dois médicos permaneciam em silêncio conforme o som de murmúrios chorosos foi preenchendo o quarto, começando por Uruha. O guitarrista sentou-se de súbito na cama com as duas mãos levadas ao rosto tentando abafar a dor que escapava por seus olhos.

Ele queria gritar, espernear, dizer que aquilo não era justo, mas suas forças pareceram ter sido sugadas e ele perdeu o chão, conseguindo apenas elevar o nível de seu pranto, sendo abraçado quase em seguida por um dos amigos.

- Calma Kou, calma. Você vai ficar bom. – Aoi tentava dar força para o outro que ainda estava com a cabeça baixa, mas ele mesmo não sabia de onde iria tirar a tal esperança.

Ruki acabou abraçando Kai fortemente e se não fosse pelo baterista teria perdido a força em suas pernas. Os dois sendo tão preocupados com os outros, não podiam imaginar que um deles tivesse algo assim tão grave e que não tenha sido percebido antes. Seus corações estavam apertados pela dor e eles só conseguiam chorar sem pensar em mais nada.

Já Reita não suportou o peso do próprio corpo. As pernas fraquejaram e ele escorreu da parede até o chão também abafando o choro com as mãos se martirizando por não ter ajudado Uruha antes. Era seu amigo, parte de sua família, e mesmo assim as coisas saíram de controle.

Viktor aproveitou e chamou algumas enfermeiras para trazerem água enquanto ele e Felipe tentavam acalmar os outros.

O hematologista pegou um dos copos e foi até Uruha e Aoi, sentando-se perto do guitarrista loiro.

- Takashima-san, toma essa água. Você precisa tentar descansar um pouco e se acalmar. A internação definitiva precisa ser feita o quanto antes.

Uruha ainda chorava abraçado com Aoi e aos poucos foi erguendo o pescoço, tremendo. Fitou o hematologista e tentou pegar o copo sendo ajudado pelo guitarrista moreno.

- Toma Uru, é melhor pra você.

O loiro não queria, podia jogar tudo para o alto que realmente nada importava mais. Mas, as palavras de Aoi acabaram lhe tocando e aos poucos ele foi ingerindo o líquido, que de alguma forma lhe pareceu acalmar.

Recebeu um sorriso fechado do moreno que também tomava água, assim como Ruki e Kai, que estavam começando a se acalmar.

Só que para Reita aquela situação era imperdoável e o baixista saiu em disparada pelo quarto e o líder faria menção de ir atrás se a voz de Uruha não tivesse atravessado seus ouvidos.

- Kai, minna, melhor deixar ele um pouco sozinho. Ele precisa desse tempo. – O loiro afundou mais ainda o rosto no peito do moreno, só então notando a situação em que se encontravam, corando imediatamente.

E claro Kai ia protestar sobre Reita, mas preferiu ajudar Ruki a se sentar e fez o mesmo na beira da cama de Uruha; as forças voltando para suas pernas.

- Ele vai ficar bem? – O baterista acarinhava suavemente o rosto do amigo doente vendo suas feições tão balançadas.

- Vai sim. – Uruha respondeu fitando Ruki, na verdade. – Ele só precisa de algum tempo.

- Todos nós precisamos. – Ruki segurou na mão do guitarrista, sorrindo leve. – O Koga-san precisa ser avisado, a sua família também, nós-

- Eu... – A voz de Uruha havia elevado alguns tons, chamando até mesmo a atenção dos médicos. – Eu não tenho família, Ruki.

Os três olharam assustados para a revelação do loiro e os médicos se voltaram para ele, tentando saber um pouco mais sobre esse tal passado ruim com a família.

- Quer dizer – Uruha continuou. – Eu tenho vocês que são mais do que amigos, claro, mas família família mesmo é só aquele loiro que saiu correndo daqui alguns minutos atrás.

Sim, algumas coisas precisavam mesmo ser esclarecidas, mas com Uruha voltando a chorar e abraçando intensamente Aoi enquanto Kai e Ruki também o consolavam, só restava que essa conversa fosse retomada num outro momento, porque ninguém tinha condições de conversar sobre algo tão sério.

E sem a presença de Reita, que havia se enfiado dentro de um dos box do banheiro para vomitar até a alma enquanto chorava fortemente, as lágrimas caindo pesadas e quentes pelo rosto já vermelho não sairia nada conclusivo. Ele se martirizava e sabia que isso ainda ia acontecer por um bom tempo e mesmo querendo ficar sozinho agradeceu quando viu Viktor abaixado a seu lado, lhe ajudando a se levantar.

- Acalme-se, sim? Lave o rosto que eu vou te levar de volta para o corredor e tirar a sua pressão.

A voz serena e calma do oncologista fez Reita acalmar-se um pouco e levantar, sendo guiado por ele até o balcão das pias. Viktor ergueu as mangas do jaleco e o baixista pôde ver duas grandes cicatrizes que iam um pouco antes de começar o pulso até em cima, em cada um dos braços do médico.

Viktor, no entanto, notou o olhar sobre seus braços e mencionou baixar as mangas, sendo impedido por Reita, fitando-o.

- Calma doutor, está tudo bem, não precisa baixar as mangas. Juro que não vou comentar com ninguém e nem ao menos perguntar o que é.

O médico respirou fundo e sorriu.

- Obrigado.

Reita sorriu de volta e lavou o rosto sem dizer qualquer coisa que fosse sobre as marcas. Sabia que deveriam ser carregadas de dor pelo motivo que as levou estarem ali então deixaria que o médico falasse caso quisesse.

Enxugou o rosto e mencionou sair do banheiro com o menor em seu encalço, as mangas do jaleco já abaixadas e novamente impecáveis.

- Meu pai. – Reita não virou para o outro, mas Viktor sabia que ele estava prestando atenção enquanto caminhavam de volta para o quarto de Uruha. – Não aceitou que eu fosse gay e me bateu até me deixar em coma. Essas cicatrizes estão aqui porque ele dobrou meus braços no meio e como eu era fraco por causa de uma doença que tinha, o osso partiu facilmente.

Reita sibilou, podia imaginar como aquilo tinha realmente doído. Viktor deu um sorriso discreto e fez o baixista se sentar nos bancos que havia em frente ao quarto de Uruha tirando um esfigmomanômetro de dentro do bolso do jaleco e pegando o braço do baixista, que havia voltado à atenção para Ruki e Kai que haviam acabado de aparecer.

- Está tudo bem Reita? – O baterista perguntou indo até o amigo.

- Está sim, Yutaka-san. – Viktor tomou a frente ainda prestando atenção no aparelho. – Só estou dando uma conferida na pressão do Suzuki-san.

O baterista sorriu assentindo e sentou-se ao lado de Reita juntamente com o Ruki. Os dois agora estavam mais calmos e tinham certas perguntas para fazer ao amigo.

Enquanto isso no quarto Uruha estava deitado novamente. Felipe havia saído há algum tempo e Aoi ficou junto com o amigo sentado o máximo que podia perto dele.

Seus olhos se encaravam amigavelmente, o contraste entre os negros de Aoi e os chocolates de Uruha era visível. E apesar do silêncio, uma aura gostosa pairava sobre eles.

- Será que vão me expulsar da banda? – o loiro engoliu seco, recebendo um tapa de leve na mão.

- Não pense nisso Uru, não teria como algo assim acontecer, nada disso é culpa sua.

- Eu não sei Aoi, porque as coisas chegaram a esse ponto? No que eu errei?

Uruha estava visivelmente angustiado e lágrimas voltaram a se formar no canto de seus olhos. Num gesto impensado Aoi segurou firmemente em uma de suas mãos, entrelaçando os dedos.

- Você não errou em nada Uru, a culpa disso não é sua.

- Mas, e agora? Vocês vão perder suas férias por minha causa realmente?

Uruha deixou uma lágrima escapar pelo canto de um de seus olhos e enxugou rapidamente, fitando Aoi em seguida.

- Isso não é um problema, Uru. Nós vamos esperar passar ao menos duas semanas ou talvez menos e o Kai vai chamar o Koga-san aqui. Eu não acho que você vá ser chutado da banda como se fosse um qualquer, nosso empresário não tem problemas mentais. Pelo menos não que eu saiba.

Uruha riu da última parte da frase de Aoi, fazendo o moreno sorrir. A companhia do loiro aquecia seu coração e apesar de todas as dificuldades que ele podia sentir que passariam as coisas certamente ficariam bem no final.

- Interrompo alguma coisa? – A voz de Felipe se fez presente, fazendo os dois corarem leve e Aoi soltou a mão de Uruha fitando o médico.

- Não, imagine. – O moreno sorriu, correspondido pelo médico.

- Bem, seu amigo, o Reita, está aí fora, e pelo que deu a entender ele que seria responsável por você, certo?

Uruha assentiu.

- Então vou chamá-lo aqui e com seu consentimento, Takashima-san, ele vai assinar o termo de internação do paciente e será o único responsável por sua saída daqui quando tiver alta, sendo expressamente proibido que você saia sem a assinatura dele. – O médico finalizou.

Notas finais
PS: Comentaram que a fic pareceu ReitaxUruha no capítulo anterior. De forma alguma. É AoiHa, Reituki e Miyavi&Kai, ok? ♥