You Are Not Alone
41 GazettE
Notas iniciais
Sem falar muito hoje, to com a cabeça explodindo G_G.
Presente pra Takashima Yuumi que fez niver hoje - Canta: parabéns pra você, nesta data querida... -
Não está lá essas coisas, mas nee, espero que gostem.
PS: Cheiro de limão irritando o nariz já 8D.
Boa leitura.
A sensação dentro do quarto era de que o tempo havia parado no pior momento. Nenhum som percorria os ouvidos parcialmente cobertos pela touca dada por Aoi. As batidas dos corações pareciam tão altas que poderiam ser ouvidas, se não parecesse loucura.
Uruha nunca desejou tão fervorosamente que uma coisa fosse mentira. Nem mesmo quando se descobriu com leucemia doeu tanto. Procurava nos orbes verdes de seu médico algum sinal de brincadeira maldosa, mas tudo que encontrou foi a realidade. Dura, imparcial, imponente. Pronta para atacar a qualquer instante, devastando corações. Era difícil lidar com ela e para o guitarrista tão ferido era o limite.
As lágrimas começaram a descer lentamente ainda com o silêncio como plano de fundo. Eram quentes e se chocavam contra a luva de látex que envolvia a mão menor. Mais uma parte daquele coração maculado, daquela alma ferida se desfazendo. Não havia mais limite para ser alcançado, as situações se acumularam e explodiram todas em cima de si, resultando naquele abraço apertado no corpo menor que o seu.
Viktor apertou os olhos pedindo para não chorar. O corpo de Uruha tremia e nunca tinha ouvido um choro tão dolorido quanto aquele. Mas, imaginava que aconteceria daquela forma. O amor demonstrado pelo ex-loiro era imenso, um sentimento paterno mesmo que Kaoru fosse uma completa desconhecia. A amava intensamente e a dor da perda não poderia ser diferente. Forte do mesmo jeito.
Akemi não agüentou a cena, saindo do quarto com Felipe. O médico a levaria para tomar um ar e Takashi aproveitou e se aproximou, tocando um dos ombros para tentar passar alguma confiança. A dor de Uruha era tão palpável que inebriou o quarto com uma onda agonizante e pesada.
Mas, nenhum dos dois presentes se atreveria a dizer alguma coisa. Uruha precisava exteriorizar tudo que seu coração frágil estava guardando, para tentar tirar alguma força, um último resquício dela e dar mais uma chance de se reerguer. E suas presenças deveriam significar que ele não estava sozinho.
— Akemi-san, por favor, tome essa água, vai fazer bem. – Os dois se encontravam sentados na recepção e Felipe tentava acalmar a tia.
- Isso não podia ter terminado desse jeito. – A voz estava chorosa e o abraço do médico tentava lhe passar algum conforto.
- O-O que não poderia ter 'terminado desse jeito', mãe?
Os dois ergueram o rosto encontrando as feições assustadas dos quatro a sua frente, os olhos puxadinhos quase desesperados mostrando coisas que a situação ajudou a criar. Só então a Suzuki se deu conta de como estava.
— Não se preocupem Kou-chan não morreu. Não ele. – Desvencilhou-se do sobrinho bebendo a água por fim.
- Como não ele mãe?
- Reita-san – Felipe entrou na conversa. – quando os pacientes ficaram doentes, a enfermeira lhe avisou que a ala infantil também tinha sido afetada, não disse?
- Sim.
- E uma infecção para uma criança sempre é pior. Infelizmente Kaoru-chan pegou o pior tipo de pneumonia que existe e faleceu algumas horas depois de chegar ao hospital em Mie. O Viktor deu a notícia tem alguns minutos e por isso Akemi-san está mal. Uruha não reagiu nada bem a notícia.
A vontade de Reita era gritar, espernear e se perguntar quando todos aqueles problemas iriam acabar. Não agüentava mais ver Uruha sofrer daquela maneira, se não era pela doença era pela mídia e agora pela morte. Desejava que tudo acabasse o mais rápido possível.
— Como ele está? – Aoi não queria acreditar naquelas palavras. Vivera o sonho com Uruha, cada plano feito para aproveitar ao lado da garotinha e agora isso, a morte. Não conseguia acreditar em tamanho azar.
- Nada bem Aoi-san. – O médico disse com pesar. – Vou apenas esperar Akemi-san se acalmar mais e levo vocês até lá.
- Tudo bem Felipe-chan, pode ir. – A Suzuki se pronunciou. – Leve ao menos Aoi-chan, depois eu vou com os outros.
O moreno concordou com alguma hesitação, entregando uma máscara para Aoi e saindo com ele pelo corredor até os elevadores. Reita se sentou ao lado da mãe e com um gesto ela chamou Kai e Ruki que também se aproximaram. Eles precisariam saber, poderiam ser de muita ajuda no momento.
— Kou-chan um pouco antes de ir embora com meu Akira para Tokyo namorou um rapaz chamado Raphael. – Ela dizia baixo, mas foi suficiente para os pêlos de Reita se eriçarem. – Alguém bom, não vou mentir, fez Kou-chan muito feliz. Mas, não aceitou muito bem a decisão de se separar dele por causa da viagem e disse que o esperaria o tempo que fosse.
- Isso não me parece nada bom. – Kai anunciou.
- E não é Kai-chan, não é. Ele voltou.
- O que? – Reita sobressaltou no banco. – Quando mãe?
- Há uma semana. E ontem quis prensar Viktor-san na parede para tentar arrancar informações. Ele ainda não sabe onde Kou-chan está internado aqui e eu vou pedir para tomarem cuidado. É fácil lhe reconhecer. Alto, um pouco mais que Felipe-san, muito loiro e o cabelo ali na metade das costas, o olho um pouco puxado e azul. Ele é descendente de alemão e japonês e chama Watanabe Raphael.
- E apesar de ser boa pessoa como minha mãe disse, é um tanto quanto possessivo e não desiste fácil. Não me surpreende ele ainda estar atrás do Uruha. – Reita completou.
- Nem a mim. Então, por favor, se o virem passem despercebidos e não dêem nenhum recado, muito menos para Aoi-san. Kou-chan está precisando muito de vocês e brigas agora o deixariam mais doente.
Os três se entreolharam num acordo mudo de que nada falariam e haviam entendido o recado.
...
— Kami-sama que os mandou a tempo. – Takashi comentou mais aliviado e Viktor concordou.
- Principalmente Aoi-san. Vamos guardar a porta e não deixar ninguém entrar. – Desta vez o Suzuki que anuiu.
O abraço de Aoi era tão reconfortante que nem mesmo o casaco absurdamente gelado era um problema. Havia se esquecido de retirar a peça, mas encontrar Uruha aos prantos lhe sugava toda a sanidade. O choro necessitado e dolorido que recebeu no abraço agora não passava de soluços, mas a força com que Kouyou havia lhe abraçado ainda continuava igual. E claro, correspondeu da mesma forma, sentindo o corpo amado contra o próprio.
Takashima também estava de máscara, que por sorte não estava abafando o ar. Havia se acalmado fácil quando o toque conhecido surgiu, apesar de a surpresa por ver o moreno ali começou a aflorar, junto com o sentimento ruim da descoberta da turnê. Para atrapalhar, claro.
Desvencilhou-se aos poucos, fitando outro ponto que não fosse o rosto de Aoi. Estava chateado e não passou despercebido aos olhos do moreno.
— Uru, aconteceu alguma coisa?
Não sabia se devia contar, mas estava cansado demais para guardar tantas dores. Kaoru, seu lugar na banda em jogo. Era muita pressão.
— Aconteceu Aoi. – Fitou os orbes negros. – A minha doença, a troca de guitarristas, essa merda de pneumonia, a Kaoru-chan, essa turnê. – A voz já estava chorosa novamente. – Que coisa é essa agora de turnê e troca de guitarristas? Quem foi que resolveu me largar aqui?
- Não Uru, calma, espera. – Segurou levemente nos ombros do maior. – Foi por isso que a gente veio ninguém vai te abandonar e você não vai ser substituído. A mídia mudou muita coisa do que foi dita.
- Mas, e a turnê? – Não conseguia se convencer. Ainda estava desconsolado.
Aoi suspirou, deixando os ombros caírem. – Eu não queria de forma nenhuma. Perguntei pro Koga-san se eu podia recusar, mas ele disse que seria impossível. Os diretores viram mina de ouro onde o Sugizo-san se deu bem. E a homenagem também não foi uma farsa. Nunca seria.
Uruha sentiu um peso enorme sair dos ombros apesar de ainda hesitar um pouco. Estava tão confuso e cansado de tudo que vinha acontecendo que se deixou levar pela notícia, claro que todas aquelas perguntas não ajudaram em nada, só lhe machucaram mais. Mas, agora, vendo Aoi ali consigo um dia depois de ter visto tudo aquilo no anterior deixava uma parte de si feliz. A outra, triste por tudo que estava acontecendo e pela morte de Kaoru-chan estava infeliz e Uruha queria deixar guardada num baú. Aproveitar com os amigos e o amado cada momento que ficassem ali consigo era importante e não queria desperdiçar.
Deitou-se, e Aoi se acomodou perto de si com a cadeira. – Eu to cansado disso. Queria que acabasse logo.
- Eu também queria. Te levar pra casa, não se preocupar em tocar você.
- Ainda parece tão distante. – Uma lágrima escapou pelo canto dos olhos.
- Parece. Mais do que eu, o Reita, o Ruki e o Kai queríamos. Mas, quando acontecer, vai ser pra sempre. – Uma lágrima também escapou dos olhos de Aoi.
Uruha tirou a máscara. – E eu finalmente vou poder ser seu vizinho.
- E eu vou virar bandido e assaltar sua cama todo dia.
Riram fracamente.
— Obrigado Aoi. Por tudo.
- Não agradeça. Eu te amo, faria tudo de novo e muito mais.
- Eu sei. Também faria igual. E também amo você.
Os dois ainda trocaram um último sorriso antes de Uruha se deixar levar pelo carinho de Aoi e fechar os olhos, adormecendo um pouco depois. Os outros não demoraram a aparecer.
- Quase demos sorte. – Viktor comentou para Takashi.
- Como ele ta Aoi?
- Mal, Ruki. Muito mal. Mas eu acho que se a gente ajudar de algum jeito ele vai conseguir superar isso.
- Vocês podem começar de um jeito. – O médico loiro voltou a falar. – Mais uns dois dias, talvez, e os sintomas da quimioterapia vão melhorar. Se ele estiver bem eu posso liberar para passar esses cinco dias com vocês e já aproveitaria e faria a agenda dele para vir aqui receber a medicação e ir embora para encerrar o tratamento.
- Estamos falando do fim mesmo? – Reita disse visivelmente alegre.
- Sim, eu já havia falar com Uruha inclusive.
- E a procura pelo doador da medula está indo bem. – Disse Felipe. – Se continuar assim é só esperar a última fase do tratamento terminar, fazer o transplante e continuar cuidando de longe com poucas visitas ao hospital para encerrar a terceira fase do tratamento e a leucemia ser apenas um passado ruim na vida de vocês.
Sorrisos simultâneos não faltaram. Esse dia parecia que nunca ia chegar. Conversarem sobre a cura de Uruha finalmente. Não estava tão perto, mas já se podia tocar no assunto com esperança. E aquilo era finalmente uma notícia boa no meio de tantas ruins.
- Só não se pode esquecer do psicólogo, mas isso ele pode tratar em Tokyo perto de vocês.
- Psicólogo? – Aoi fitou Viktor.
- Sim, Aoi-san. Uruha está com depressão e todos esses problemas com a mídia e a morte de Kaoru-chan deixaram isso mais evidente.
- Mas, achar um psicólogo é fácil, não?
- Isso é Ruki-san. Mas, vocês precisavam ficar sabendo para ficarem cientes e ajudarem como puderem.
Não discordavam. Estariam longe e todo o apoio que pudesse ser dado no momento seria importante. Eram eles cinco tudo era possível. Aquele era o verdadeiro the GazettE.
Dois dias depois
- Como se sente Uruha?
- Essa pergunta é muito nostálgica. – Brincou.
- Muito. – Viktor riu. – Mas, sem ela não tem casa pra você.
- Estou ótimo. – Disse categoricamente. – Muito bem mesmo.
- Posso notar. – Sorriu para o Takashima. – Espero que aproveite esses cinco dias. Sua pneumonia foi tratada com sucesso e o foco vai voltar para a leucemia. Eu vou fazer um esquema de dias para te ver, mas quero que venha na sexta-feira para eu conferir como está.
- Está bem, não vou me esquecer.
- Bom. No mais são os cuidados da primeira vez, e bem, aproveite. Eu vou procurar um psicólogo nesses dias e quando voltar nós vamos acertar isso.
- Tudo bem. – Uruha também sorriu. – Voltarei na sexta torcendo para poder ficar em casa.
- Eu também, assim posso ficar uns dias repondo meu sono.
Riram e se despediram, encontrando todos na entrada. O Suzuki pai e Viktor assinaram a saída de Uruha e Aoi pegou sua mala, fazendo-o corar. Se não estivesse com a máscara teria ficado ainda mais nervoso, mas as coisas pareciam estar de seu lado agora.
- Viktor-san não pode almoçar com a gente?
- Infelizmente não Akemi-san. Tenho outros pacientes para olhar ainda. Mas, o Felipe pode ir e decorar o lugar para me levar outro dia. – Riu.
Felipe deu de ombros, rindo. Usavam apenas o carro que os músicos haviam alugado e apesar de ter apertado um pouco, couberam todos. Aoi e Ruki sentaram próximos, seguidos de Akemi e Kai. Reita e Felipe nos últimos bancos. Takashi dirigia e Uruha foi a seu lado, na frente.
Estava frio, os ventos gelados e a neve não davam trégua. Todos estavam bem agasalhados e algumas conversas paralelas circulavam pelo carro. Ruki e Akemi não paravam de alfinetar os primos e jogar indiretas sobre se conhecerem melhor. Para eles bastava entrar na onda e rir com todos menos Uruha, claro.
Estava distante, mesmo prestando atenção em algumas partes da conversa ainda estava em seu mundo. Não havia se recuperado da descoberta da morte de Kaoru-chan, sua menininha tão amada que lhe tornou pai e sonhador por algum tempo. Infelizmente não tivera a mesma sorte no tratamento da infecção, então o ex-loiro só podia torcer para que estivesse bem, segura e sem dores.
- Filho? Está tudo bem? – Sentiu uma das mãos de seu pai no ombro, voltando o rosto – Que antes prestava atenção na paisagem. – para si.
- Sim pai, obrigado. – Sorriu fechado. — Só pensando demais.
Takashi anuiu e devolveu o sorriso, permitindo que os pensamentos voltassem a sua mente. Não demorariam a chegar e Uruha precisava de mais um tempo, aproveitando para fechar os olhos e se concentrar em suas próprias idéias, crenças, sua vida. Era importante e queria se permitir refletir.
...
- Finalmente em casa. – Reita se deixou cair no sofá de qualquer jeito. – Isso é melhor do que meu apartamento.
— Isso que dá sair de casa para ir morar tão longe. – Akemi brincou. – Seu antigo quarto continua do mesmo jeito.
As risadas foram inevitáveis. As gargalhadas, na verdade. Ruki, ao lado de Akemi não conseguiu não corar enquanto que ela, Takashi e Uruha se entreolhavam curiosos sobre o motivo de tanta comédia. Apesar de o Takashima ter suas dúvidas.
- Aposto que tem a ver com as frases pervertidas do Ruki.
- Pois é. – Takanori coçou a parte de trás da cabeça, acabando por rir novamente. Uruha riu rapidamente.
- Qual foi a que você soltou Ruki? – Alfinetou.
- '' Quanto a isso você tem razão. Vou criar uma fantasia sexual com o antigo quarto do Aki e fazer horrores com ele lá dentro. '' – Aoi imitou porcamente a voz do menor arrancando mais gargalhadas, dessa vez de todos.
- Eu só não sei o que poderia despertar uma fantasia sexual do meu antigo quarto. – Reita abraçou o menor pelos ombros quando se acomodou no sofá, surpreendendo-o levemente pela naturalidade do gesto.
- Acho que nem eu. – Disse por fim. – Mas, eu não podia perder a brincadeira. Fez o pon rir.
- Isso é verdade. – Sentou-se ao lado de Aoi, deixando a cabeça deitar no ombro do amado, tão natural quanto Reita fez com Ruki. – Eu precisava rir assim, obrigado, Ruki.
- Vocês vão dormir aqui? – Akemi indagou. – Eu posso dar uma organizada nas coisas para acomodar a todos.
- Não vamos incomodar?
- De maneira nenhuma. – Takashi parou ao lado de Felipe, pousando uma mão em seu ombro. – Mas, como sabem Kouyou não pode aspirar poeira e nós ficamos muito tempo fora, então só nosso quarto está livre disso. Podem ajudar? Menos Felipe-san que ainda precisa trabalhar.
- Eu posso ajudar com o almoço. Cozinho tem muito tempo já.
- Ótimo. – Akemi retirou o jaleco do sobrinho, colocando um avental rosa por cima. – Você e Takashi cuidam da comida, eu tomo conta desses ajudantes e Kou-chan vai para o meu quarto para ficar longe da poeira que vai subir tudo bem?
- Claro, sem problemas. – Sorriu, pegando a própria mala. – Me acordem na hora do almoço.
Seguiu para as escadas, se perdendo da vista dos outros. As roupas que Aoi havia trazido já estavam em seu guarda-roupa e as que trazia do hospital já tinham sido separadas por sua mãe, então trazia apenas limpas e que não haviam sido usadas.
Colocou perto da cama dos pais e se deitou, cobrindo-se e agradecendo por poder dormir mais uma vez numa cama mais confortável que a do hospital. Se antes não sabia dar tanto valor para isso agora eram momentos tão preciosos quanto um tesouro. O corpo relaxara quase no mesmo instante e o sono não demorou a vir.
Já no andar de baixo...
- Hora da limpeza rapazes. – Akemi ditou.
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