Notas iniciais
Agradeço imensamente pelos reviews do cap anterior, achei que não fosse recebê-los, mas aconteceu. Entrei para atualizar apenas, mas prometo que logo respondo.
Finalmente chegamos ao 30 hein? *-*
E o cheiro de limão ta ficando um pouco mais forte 8D
Boa leitura.

As fotos de divulgação para o Festival de Inverno da companhia Peace and Smile company, mais conhecida como PSC da banda the GazettE foram colocadas em circulação ontem, segunda-feira, logo nas primeiras horas do dia. A banda, além de ter um grande foco na mídia por normalidade, agora enfrenta o problema de ter um dos membros, Uruha, doente, acometido pelo câncer. O empresário da banda havia deixado a escolha do substituto escondida, conseguindo até o material promocional ter sido feito, revelando a ajuda.

Sugizo, ex guitarrista da banda LUNA SEA e atual guitarrista da banda X Japan é o convidado do the GazettE para ajudar no festival. De acordo com uma mensagem vinda do próprio guitarrista, ele e Yoshiki, líder do X Japan, haviam visto a comitiva dada no mês passado quando a doença de Uruha fora divulgada e numa opinião do próprio líder da banda antiga havia sugerido que Sugizo tentasse passar na seleção, que também não fora divulgada, como uma maneira de ajudar.

O guitarrista, no entanto, não revelou muita coisa, assim como poucas informações também vieram da companhia. O que se tem certeza é que a banda deverá ficar quieta a espera da reação dos fãs com essa divulgação, o que muito provavelmente não demorará a acontecer. Basta esperar e saber o que acontecerá com a the GazettE nessa nova e inusitada fase, e se realmente Sugizo é apenas um convidado.

- A mídia não cansa. – Aoi argüiu, abraçando Uruha por um dos ombros enquanto assistiam o noticiário. O inverno havia começado de vez e uma nevasca forte obrigou a todos a ficarem em casa. Claro que nenhum dos cinco descuidou dos assuntos do festival, ainda que tudo tenha sido falado por telefone. – Não gosto de ouvir que a presença de Sugizo-san passe de temporária. Estão loucos.

- Eu fico tão mimado com toda essa irritação por minha causa. – Uruha brincou, aconchegando-se melhor no amado. Estavam na sala, cobertos e confortáveis no sofá modelo chaise. – Mas, concordo a mídia não cansa, só quer alfinetar.

- E eu prefiro te mimar de outro jeito. – Deitou o Takashima rapidamente no sofá, enfiando o rosto na curva de seu pescoço, fungando e beijando.

- Mas, assim não é mimar seu desejo sexual?

- Não é assim que eu quero te mimar. – Riu. – Eu podia começar te desligando do trabalho essa semana. Ainda é terça, até sábado ainda vai rolar tanta coisa sobre isso.

- Eu sei que você ta preocupado. E eu quero aproveitar com você porque o Viktor me ligou ontem.

- Ele disse o que? – Os dois se ajeitaram, sentando-se um de frente para o outro.

- Disse que o resultado ia atrasar por causa do mau tempo, mas que quinta chegaria e eu já vou precisar voltar. – Disse com a voz triste, o olhar de Aoi seguindo pela mesma estrada. – Meus pais já sabem também.

- Eu vou sentir falta desses dias. – Shiroyama disse amargurado, uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto chamando a atenção de Uruha.

- Aoi, que foi?

O moreno fechou os olhos e apertou, baixando a cabeça. Uruha tentava entender o que acontecia, lembrando-se da visita surpresa do moreno e de Reita ao hospital. Aoi estava estranho e chegou a chorar, naquela situação dizendo que estava triste por causa de Sugizo. Talvez a despedida fosse demais para ele.

Claro que não iria ser tão fácil juntar o quebra-cabeça por completo, mas isso não era mais importante que Aoi. Abraçou-o, trazendo-lhe para perto. Encostou-se no sofá, abrindo as pernas e acomodando melhor o moreno sobre si. A proximidade lhe obrigaria a colocar a mascara, mas ele não estava interessado naquilo.

O choro não era escandaloso, na verdade quase silencioso. Aoi soluçava um pouco, novamente se culpando por fraquejar na frente de Uruha. Não precisava lhe causar preocupação, mas ele não estar mais perto de si era tão ruim que a dor guardada começava a transbordar pelos olhos. Pelo menos sabia que aquele carinho em sua cabeça já tinha se eternizado de tão único e gostoso.

- Você ta triste nee Aoi? Se sentindo sozinho aqui.

- Isso também. – Endireitou-se. – Depois que a turnê terminou eu ia falar com você. – A voz baixa e branda. – A gente chegou a dividir quarto, mas depois de um show não ia ter como conversar. E aí... – Deixou os ombros caírem. – Tudo aconteceu. Eu não chorava desde o dia da visita a noite lá no hospital, e mesmo assim foi muito pouco. – Apontou com um dos dedos para o coração. – Tem muita dor aqui ainda.

- Eu também tenho medo de tanta coisa Aoi. De você se cansar de tanto esperar, de todas as crises e os problemas que eu tenho. Tudo isso em cima dos ombros pesa.

- Eu não te trocaria por nada, nem apressaria as coisas. Eu vou te esperar o tempo que for. Mas, concordo que é muito peso mesmo.

- E eu tenho medo Aoi. Porque eu sei que se eu cair eu não levanto mais. Eu também já gostava de você na época da turnê, mas não tinha coragem. Agora que você se declarou eu fiquei mais seguro de muita coisa. Mas, sei lá, você ta sofrendo tanto aqui.

- É saudade Uru. E preocupação. Eu vou ficar bem, e quero que você tente ficar lá também. Esses dias tristes ainda vão embora e nós vamos aproveitar muito os felizes. Não vamos?

- Vamos sim. – Concordou um pouco mais animado.

Sorriram para o outro e se puseram a fazer outras atividades para quebrar o clima ruim. Aoi ainda fez Uruha prometer que não veria o festival no hospital e que se quisesse ver depois o acompanharia. O ex-loiro sabia que daquela forma era melhor – E o certo, de alguma forma. – e tinha consciência de que se Aoi lhe pedia algo como aquilo era porque ele realmente tinha medo e receio.

...

- Se cuida ta? – Aoi se continha para acarinhar o rosto alvo, já que mesmo dentro do carro estavam na entrada do hospital. Aquela quinta-feira estava mais fria para os dois, mas nenhum deles queria chorar.

- Eu vou. Boa sorte com o festival. Prometo que não vou ver. – As falas estavam mansas, a vontade de permanecer junto era mais forte que qualquer outra coisa. O sentimento da separação lhes machucava por completo.

- Eu confio em você. Boa cura.

Aoi conseguiu esboçar um sorriso fraco, esse não durando muito depois de ver Uruha sair do carro com a mala, podendo ver perto da entrada os pais de Reita. Seu apartamento ficaria tão vazio sem o amado por perto, aquela vontade de segurar sua mão e nunca mais deixar ele naquele hospital.

Saber que não podia lhe frustrava. Tinha de aceitar e engolir a dor por causa do trabalho, tendo de estar na companhia em meia hora. Ao menos teriam as férias depois do festival. Meio obrigadas, já que por enquanto não tinham algo para preencher a lacuna da gravação do single. Mas, pelo menos eram férias e Aoi poderia relaxar.

Respirou fundo tentando limpar um pouco a mente, saindo do hospital ao não conseguir mais ver Uruha. Era hora de encarar sua realidade triste de novo.

...

- Tem certeza que ta bem? – Indagou novamente pondo uma mão num dos ombros alheio.

- Tenho Reita, obrigado. – Sorriu fraco com o toque.

Os dois conversavam baixo na sala de descanso, esperando Kai chegar. Antes de ensaiarem iriam conversar sobre a agenda do festival, tirar qualquer dúvida que ainda perdurasse, principalmente pela grande concentração de Staffs que haveria no local. A organização seria a chave principal e todos torciam pelo sucesso da apresentação.

Desta vez estavam mais ansiosos, já que o peso da formação diferente lhes caia no colo como uma bomba. Souberam meio por cima que alguns fãs já haviam se pronunciado sobre Sugizo, e pela forma como os materiais de divulgação e outros itens tinham sido comprados rapidamente era muito provável que o guitarrista tinha sido aceito.

- Desculpem a demora. – o líder adentrou a sala chamando a atenção dos quatro. – Eu já falei com o Koga-san e as camisetas da nossa equipe chegou, são pretas com o logo da banda em branco e o nome do festival atrás em azul claro. É simples e da pra gente ver de longe. Só a nossa banda tem as camisetas em preto.

- Isso vai ser de ótima ajuda. – Aoi comentou. – E sobre o tempo?

- De acordo com o Koga-san os diretores nos mandaram rezar para tudo melhorar. – Kai suspirou. – Nem adianta discutir mesmo.

- Então só resta torcer mesmo. – Ruki argüiu.

- Sobre a roupa, — Yutaka reiniciou. – todos vamos vir aqui para a companhia já vestidos, às dez horas. Os staffs vão sair as onze para o local do festival e as bandas ao meio-dia. A maquiagem será feita aqui e amanhã nós vamos dar uma última checada nos instrumentos e deixar guardados na sala de ensaios. O festival começa as duas e termina as sete e o GazettE é a última banda, vai entrar as seis e dez por causa do intervalo e terminar um pouco depois das sete. E o Koga-san me sugeriu que o Ruki falasse algo sobre o Uruha.

- Eu já tinha pensado nisso. – O vocalista argüiu. – Me ajudam a escrever algo? Isso inclui você, Sugizo-san.

- Seria uma honra ajudar. – O guitarrista sorriu. – Mas, precisarão me ajudar.

- Sem problemas estamos juntos nisso. – Aoi sorriu.

xXx

- Depois de passar na mão das cabeleireiras somos surpreendidos pelo que? – Reita indagou parado em frente à janela da sala de descanso, local aonde tinha sido feito o cabelo e as maquiagens de todos. – Por essa chuva forte que diz claramente que vai durar o dia todo. Vai acontecer alguma coisa hoje.

- Reita-san é pessimista demais. – Argüiu Sugizo. – Eu concordo que a chuva não vai passar, mas tomara que não aconteça nada.

- O terreno lá é estranho. – Comentou Aoi. – Claro que ninguém quer tragédia, mas vamos torcer para essa chuva ficar fraca até a hora da apresentação.

- Para nossos cabelos ficarem inteiros.

Os cinco riram com o comentaram de Kai. O líder estava mais afastado, ainda sentado numa das cadeiras usadas para que as maquiadoras pudessem lhes arrumar. Prestava atenção ao redor, mas seus dedos e boa parte de sua mente estavam focados no celular em suas mãos, enquanto ele digitava, trocando mensagens com vocês sabem quem.

- Aposto que Miyavi-san deve estar desejando boa sorte para Kai-san. – Sugizo argüiu fazendo os outros rirem e Kai erguer a cabeça para lhe fitar já corado.

- Sugizo-san! – O baterista bradou em tom baixo.

- Ah Kai nada de ‘Sugizo-san’. – Brincou Reita. – Todos nós sabemos que é com o Miyavi que está conversando.

- Mas, ninguém tinha falado nada. – Disparou. Não daria para esconder.

- Admite então. – Ruki alfinetou. – Nem vai tentar se defender?

- E para que? – Riu. – Vocês sabem que é mesmo. Só que pensam coisas erradas.

Reita girou os olhos, fitando a rua. Para Miyavi chamar tanto Kai em sua casa só podia indicar uma coisa, mas o loiro preferia ficar quieto apenas esperando o maior tomar sua decisão e acertar de uma vez por todas as coisas com o baterista. Por enquanto o silêncio era o mais adequado.

- Pessoal os Staffs foram há meia hora. – O empresário atravessou a porta da sala de descanso com um papel em mãos. – Vocês vão daqui esse mesmo tempo. Se quiserem acompanhar as apresentações vai ter uma tv em cada camarim mostrando. Aí vocês decidem.

- Eu falo sobre o Uruha no final de apresentação?

- Ou quando forem tocar alguma música que achem que lembra ele, vocês decidem.

- Tudo bem Koga-san, em vinte minutos nós vamos estar no estacionamento.

O empresário agradeceu, saindo do local. Ruki repensou a frase do engravatado enquanto Reita divagava fitando o céu cinza, Kai sorria com as frases trocadas com Miyavi, Sugizo beijava as fotos das filhas e da esposa para dar sorte e Aoi... Aoi pensava em Uruha.

...

- Se eu fosse uma mulher estaria em cima dos bancos dando escândalo.

- Não precisa ser mulher Aoi. – Reita comentou depois de rir. – Olha o Ruki. É homem, mas faz escândalo feito mulher.

- Reita!

Os quatro riam e faziam festa dentro do ônibus enquanto Ruki despejava tapas no maior. O comentário de Aoi havia surgido por causa da chuva que amenizou um pouco, mas ainda continuava sem chance de parar. De fato algumas pessoas que tinham passado pelas mãos de cabeleireiros realmente teriam ataques com toda a água caindo do céu, mas se este tirara justamente aquele dia para chorar, ninguém poderia impedir.

Pelo menos estavam todos se divertindo, aproveitando bem o tempo, já que teriam de sobra mesmo. Ser a última banda podia ter vantagens, mas também era ruim quando se tinham mais quatro na frente e um tempo ruim que poderia causar imprevistos.

Ainda assim pararam o que faziam quando chegaram ao local do show, o ônibus passando exatamente em frente à entrada chamando a atenção de quem já se encontrava lá. Não podiam abrir as janelas escurecidas, mas viam perfeitamente e podiam ouvir os gritos dos fãs, assim como foi com as outras bandas.

Claro que não era um comportamento normal chegarem pela porta de entrada, mas como fora ordem e decisão da gravadora, só podiam aproveitar e até tirar uma soneca enquanto a hora da apresentação não chegava. Teriam de se instalar primeiro e Kai agradecia pelas caixas dos instrumentos já estarem arrumadas esperando apenas a hora de serem abertas.

O ônibus parou em frente a um gazebo colocado para os músicos não se molharem. O empresário havia chegado alguns minutos antes e os esperava em frente à porta do grande veículo. Aoi foi o primeiro a descer, seguido por Kai. Sugizo foi o terceiro e antes de se afastar sentiu uma das mãos do empresário em seus ombros e um sorriso terno foi dirigido para si como um desejo de ‘boa sorte’ mudo. O guitarrista devolveu o sorriso e assentiu leve, agradecendo. Reita e Ruki vieram por último.

O camarim era grande, composto por uma grande bancada com maquiagens, secadores e o que mais precisasse. As cinco cadeiras estavam dispostas em frente à mesma para eventuais problemas que viessem a acontecer. Havia dois sofás de três lugares e um de dois, e a tv presa à parede, uma tela de bom tamanho caso quisessem acompanhar as apresentações.

Todos se acomodaram nos sofás e o único casal do recinto sentou junto, grudados e tocando leves e discretos carinhos. Por algum motivo Ruki não queria ficar longe de seu baixista.

...

Os últimos acordes da apresentação do Alice Nine foram soados e uma chuva de gritos e palmas foram ouvidas, aquele frio na barriga tomando conta dos cinco que ainda não haviam se apresentado. Enquanto Shou agradecia as maquiadoras davam uma última verificada em cada um deles, o empresário na porta passando informações como a chuva que não havia cessado, muito pelo contrário, estava forte, consequentemente o céu mais escuro do que deveria àquela hora.

Ainda assim deixou claro que a iluminação estava boa e que nenhum deles seria engolido pela noite. Reita arriscou perguntar do frio e se abraçou quando obteve a resposta de que a temperatura estava em doze graus. Junto com a chuva e o vento a sensação térmica seria ainda menor e eles já podiam se preparar para uma bela gripe.

- Koga-sama, minna, o Alice saiu do palco e as luzes foram apagadas. Dez minutos.

A Staff avisou rapidamente, saindo tão logo que apareceu. O empresário mal teve tempo de agradecer e só pôde sorrir, fitando a todos.

- Desejo boa sorte, depois de tudo que aconteceu vocês não tinham aparecido para tocar e esse momento vai ser tão marcante quanto o show do Tokyo Dome, por exemplo. Sugizo-san te desejo boa sorte, e a todos, e vamos encerrar esse festival com chave de ouro.

- Ouro com chuva, Koga-san.

Os seis riram.

- Ouro com chuva, Reita.

Não foram necessários nem um minuto quando o empresário saiu para que os cinco caíssem em pensamentos, cada um em seu mundo particular, os momentos antes do show para que refletissem em toda sua carreira, todos os esforços e lágrimas até lá, toda a reviravolta que a vida deu, colocando Uruha na situação em que se encontrava, e tudo que precisaram fazer para resistir.

- É pela gente, – Kai começou com uma voz branda como sempre fazia. – pelos momentos que já vivemos até aqui, pelas pessoas que nós amamos, pelo Yoshiki-san, o Sugizo-san e todo o X Japan que está nos ajudando nesse momento, por cada Staff e outras pessoas que trabalharam nessa chuva para nos fazerem estar aqui agora com tudo isso montado, por cada fã nessa chuva, e dessa vez, pelo Uruha.

- E porque não pelo Viktor e o Felipe? – Reita falava no mesmo tom de Kai, sorrindo e atraindo as atenções. – O Viktor me confessou que os dois são fãs da banda, e mesmo que não fossem sem eles nós estaríamos sem rumo.

- E também por todos que não nos vem na mente agora, mas amamos do mesmo jeito. – Dessa vez Aoi falou.

- Sim, por todos eles nós vamos fazer desse festival algo memorável. – Ditou Kai novamente, por fim.

...

O palco ainda estava escurecido, e um cronômetro nas mãos do empresário mostrava quanto tempo ainda tinham. Estava tudo correndo bem e os instrumentos já estavam montados quando os cinco apareceram nas coxias e, acompanhados por também cinco Staffs, foram guiados para suas posições. O empresário cruzou os dedos e o palco clareou pouquíssimo, apenas para eles se situarem. A chuva ajudava a silenciar seus passos e pelo que podiam notar o local estava lotado.

Fora apenas necessário os Staffs saírem e o empresário pegar um cronômetro maior que todos podiam ver que, ao chegar ao zero, deu a deixa para Kai iniciar as batidas de Agony e todo o palco se iluminar causando primeiramente a surpresa nos fãs, para depois todos gritarem em excitação, pulando ao som da música de abertura.

O local estava completamente lotado e os dois telões se faziam de grande ajuda para todos poderem ver a banda. Não parecia haver distinção de guitarristas e todos pareciam tão animados quanto se fosse Uruha ali, mesmo com toda aquela grande chuva.

...

- Como sabem – Ruki iniciou ofegante, depois de ter dado boas-vindas a todos assim que Agony terminou. – a banda está diferente nessa apresentação e se não fosse por – Apontou. – Sugizo-san nós não estaríamos aqui. Resolvemos esperar até hoje para agradecer a ele e ao X Japan por ter nos ajudado nisso, foi uma surpresa quando apareceu na audição, e esperamos que ele seja bem-aceito por todos.

Sugizo agradeceu abraçando Ruki conforme as palmas e os gritos iam aumentando. A chuva parecia querer cessar aos poucos, mas podiam-se ver alguns pontos com poças, e o vento que não parava, castigando a todos.

As vozes de Filth In The Beauty ecoaram pelo local do show, causando mais euforia em todos. Os fãs gritavam e cantavam juntos, faziam bate-cabeça, estavam os cinco e todos interligados por aquela magia que sempre acontecia nas apresentações, todo mundo animado e nos bastidores toda a equipe e o empresário torcendo por eles. Era um momento delicado o qual viviam, mas o que se mostrava em cima do palco era o mais puro profissionalismo, aquele amor por tocar.

Ainda assim o empresário — E principalmente ele. – sabia que faltava uma parte naquele todo, e sorriu feliz por sua decisão de dar duas semanas de férias a todos. Sabia que precisariam.

...

Após Distress And Coma, a música tocada depois de Filth In The Beauty e Miseinen, o palco todo escureceu. As palmas e gritos foram cessando aos poucos, o silêncio tomando conta do lugar. Como não chovia mais os Staffs caminhavam lentamente entre os fios, entregando as peças para os cinco. Nem mesmo o vento era presente, como se o tempo tivesse parado, até um foco de luz começar a iluminar apenas Ruki bem calmamente, os fãs batendo palmas e gritando pela camiseta que o loiro usava.

- Vocês estavam esperando esse momento tanto quanto nós. – Respirou fundo, os olhos praticamente inundados. – Quando o Uruha foi diagnosticado com leucemia eu lembro que todos nós perdemos o rumo. Num momento havíamos encerrado uma turnê há dois meses e no outro aquela bomba explodia no meio de todos nós quando tínhamos um festival pela frente e um single para gravar.

- Era praticamente impossível aceitar que algo daquele tipo havia acontecido. – Outro foco surgia, iluminando Reita, também com lágrimas nos olhos. – Você cresce com uma pessoa, tem um sonho louco com ela de ir para uma cidade grande e ser uma estrela do rock, e quando tudo está bem uma pedra surge no caminho. Nenhum de nós sabia o que falar quando o víamos depois que iniciou o tratamento, e a cada segundo que passava quando ele tinha algum problema, nós pensávamos que ele ia embora.

- Foi uma dor que nós tivemos de encarar — Kai havia se levantado para falar, parando no meio do palco quando o foco de luz lhe atingiu, o líder também com lágrimas. – de frente, lidando com as obrigações da banda e com a preocupação de receber uma notícia ruim do hospital.

- E mesmo quando ele estava bem – A luz focou Aoi, as lágrimas escorrendo por seu rosto. – nós tínhamos medo. Nunca acordamos com a possibilidade de ver alguém querido com uma doença desconhecida. Porque mesmo que a leucemia seja bastante falada, viver ela ou qualquer outra doença é diferente, você fica com medo, desnorteado e sem saber o que fazer. Não poderíamos trazer ele aqui e nem mesmo entrar em contato de outra forma, então nos restou fazer essa singela homenagem.

Tudo ficou escuro de novo por alguns instantes, até uma luz focar apenas Sugizo, que sorriu.

- Uruha-san eu não convivi com você o suficiente para conseguir dizer algo com sentido, mas espero que não se ofenda por eu estar aqui em seu lugar tocando, aposto que nos corações de cada pessoa presente aqui você está guardado e como forma de homenagem essa música é para você.

Sugizo continuou em foco conforme os acordes de Best Friends serem tocados. O palco se iluminou novamente e todos usavam uma camiseta com o rosto de Uruha que, do hospital, não conseguiu conter as lágrimas.

- Aoi-san queria realmente que você não visse isso? – Viktor enxugou as lágrimas, ele e Felipe que também estava no quarto confessaram ser fãs da banda.

- Ele tinha medo que eu passasse mal. Mas eu ia me arrepender se não visse.

- E depois da ótima notícia de saber que não foram identificadas células leucêmicas na sua medula esse fim de semana só podia ter sido fechado dessa forma. – Seu pai argüiu.

Uruha estava tão feliz com aquilo. Não imaginava que algo tão especial havia sido preparado para si. Queria poder ver todos, abraçar e agradecer pela homenagem. Seu sábado havia ganhado uma cor num tom especial, um pigmento que não poderia ser copiado nem pela melhor geração de pintores. Era de uma textura única, um tesouro raro e que poucos possuíam, de um nome tão grande quanto à mesma.

Amor.

xXx

Os cinco estavam aos choros quando agradeceram aos fãs após o pulo e saíram do palco, molhados pela chuva de vento que retornou forte, mas tão felizes quanto podiam. Abraçaram-se no camarim, abraçaram o empresário, as maquiadoras, as cabeleireiras, os Staffs, todos que podiam. Estavam leves, felizes pelas camisetas terem ficado prontas a tempo, entregando-as para alguns membros da equipe para serem lavadas e secas.

Algumas toalhas foram trazidas e seus cabelos foram enxugados devidamente com o secador. Nenhum penteado específico foi feito e todos se trocaram, esperando apenas a hora de ir embora.

Aoi aproveitou que tudo estava mais tranqüilo e saiu para ligar para os pais de Reita, enquanto o Suzuki filho caminhava para perto de alguns Staffs, conversando amenidades, mais aliviado por usar algo de frio. A chuva não cessava e o vento só deixava as coisas piores.

Sugizo, Kai e Ruki estavam no camarim, esperando alguns alimentos chegarem enquanto riam e agradeciam ao moreno.

- Eu fiquei com mais medo na hora de falar, devia matar vocês.

- Deixa disso Sugizo-san. – Kai riu. – Foi tudo muito bem e nós só podemos agradecer pela grande ajuda que-.

Um estrondo forte, mais alto que a própria chuva chegou aos ouvidos dos três, que se levantaram de supetão. Kai ia saindo do camarim quando uma voz alta ecoou pelos corredores e pelo cômodo que se encontravam.

- Acidente no transporte das caixas da banda the GazettE, membro ferido!

O festival talvez não fosse acabar tão bem quanto imaginavam.

Notas finais
Sinto cometas na cabeça por causa do final? 8D