You Are My Star
3 Ressaca Emocional
Notas iniciais
Gostaria de agradecer aos reviews que vocês mandaram! E também, gostaria de agradecer aos novos leitores que me deram uma chance e que agora, acompanham a fanfic. E agradecer aos velhos que me acompanham desde o início de All You Wanted *-* Vocês são muito especiais!
Quanto a esse capítulo, é mais um capítulo de preenchimento, só que nesse já há um pouco mais de ação!
Espero que gostem, boa leitura!
PS: Para quem não tinha entendido, o que está escrito em itálico se passa pela cabeça de Quinn ou Rachel, depende da cena. Espero que não esteja muito confuso.
Quinn demorou alguns segundos para perceber que Rachel tinha lhe entregado uma garrafa de vinho. A loira fechou a porta do apartamento com uma careta desconcertada na face, enquanto observava Rachel olhar para sua TV e gritar animada:
— Juventude Transviada? Eu não sabia que você gostava de bons clássicos do cinema, Quinn...
“Quinn?” Desde quando a morena estava lhe chamando daquela forma? Quinn concentrou-se em ir para a cozinha e abrir a garrafa de vinho, voltou com as duas taças servidas e entregou uma para Rachel que já estava sentada em seu sofá. A loira tomou um gole da bebida e desligou a TV, Rachel que prestava atenção olhou pra ela com indignação, a loira ignorou e perguntou:
— O que você pensa que está fazendo aqui?
— Isso são modos, Fabray? – Rachel perguntou com um ar divertido, Quinn revirou os olhos e permaneceu séria. – Só achei que podíamos nos conhecer melhor, vamos ter que nos aturar um bom tempo em Lima.
— Eu sou sua médica, Berry... E depois de tudo que aconteceu entre a gente, não acho justo ser nada além disso pra você. – Quinn respondera com um ar envergonhado e encarando Rachel com intensidade, a morena deu um suspiro cansado e pareceu decepcionada com a loira. Rachel respirou fundo e olhou o apartamento que parecia ser pouco frequentado pela loira, tudo parecia arrumado e organizado, bem diferente do apartamento da diva. Rachel suspirou novamente, sentindo seu coração acelerar enquanto sentia os olhos de Quinn em si.
Quinn, por sua vez, estava sem saber o que fazer ou dizer. Rachel estava com um ar observador, mas ao mesmo tempo, perdido. Sabia que tinha magoado a morena, Rachel sempre se esforçara para ter amigos e nunca progredira nesse campo. As pessoas se afastavam dela, Quinn se afastara dela e Deus, como arrependia-se disso hoje.
A loira mordeu o lábio inferior e olhou para o teto, imediatamente sentiu os olhos da morena virarem-se para si. Quinn segurou a mão de Rachel que repousava no encosto do sofá e disse, gentil:
— Desculpe, eu fui grosseira. Dessa vez, juro que não queria te magoar!
Esse comentário de Quinn provocou um sorriso divertido nos lábios de Rachel enquanto lembranças das mágoas do passado vinham a mente de ambas, a morena ergueu os olhos para a loira ao seu lado enquanto corava rapidamente. Quinn olhou para ela, achando tudo muito fofo, tinha se esquecido de como Rachel era incrivelmente linda ás vezes. A morena puxou a mão que Quinn segurava e disse, entre risos:
— De alguma forma, eu consigo acreditar em você nesse exato momento. Apesar de que você sempre foi boa em mentir, não é?
— Você está fazendo um péssimo julgamento sobre mim, por mais que eu tenha te dado todos os motivos para duvidar da minha sinceridade, estou me sentindo ofendida nesse momento. – Quinn disse falsamente ofendida e provocando mais risos na diva, Rachel sentiu seu coração acalentar, parecia que Quinn Fabray desenvolvera a técnica incrível de fazer com que a morena sorrisse sempre. A loira olhou para Rachel novamente, a morena sentiu como se aqueles olhos fossem capaz de lê-la por completo. – Mas tudo bem, você tem direito de me odiar, de não acreditar em mim, de me temer...
— Mas eu não sinto nada disso, Quinn! Achei que tivesse deixado claro que por mais que fôssemos inimigas, eu não te odiava! – Rachel parecia ofendida de verdade, Quinn arqueou a sobrancelha confusa daquele jeito que Rachel nunca se esquecera e pareceu sem saber o que falar. – Aliás, sou eu que decido quem quero ou não por perto e no momento, você parece ser uma boa pessoa para ficar perto de mim!
Quinn deu um sorriso verdadeiramente feliz, seu coração acelerou e ela sentiu cada parte de si sensível por causa da presença de Rachel ali. A loira pigarreou e olhou para a TV brevemente, o filme tinha sido esquecido, voltou-se para a morena novamente e disse brincalhona:
— Você está arriscando demais, Rachel...
— Rachel? O que aconteceu com RuPaul, Manhands e anão de jardim? – Rachel perguntou dramática e arrancando uma risada gostosa de Quinn, a diva percebeu que o som da risada da loira era extremamente musical e... Lindo. Subitamente a expressão de Rachel mudou, ela sabia muito bem que tudo que achava lindo acabava terminando mal. Levantou-se subitamente, apanhando o casaco e a bolsa pelo caminho. Quinn demorou a perceber o que a diva fazia e quando percebeu, deixou a taça de vinho na mesinha e correu, colocando-se na frente da porta. A loira sorriu maníaca e disse:
— É a primeira vez que estamos tendo uma conversa civilizada e sincera, não vou te deixar sair daqui.
Rachel olhou para Quinn parada em frente a porta, de braços abertos e com uma expressão desesperada. Sem dúvida era engraçado, a loira sorria para ela com o canto dos lábios e nossa... A diva sentiu seu coração quase sair pela boca e suas mãos tremerem. Sua racionalidade implorava para que ela fosse embora, então Rachel resolveu segui-la e forçou passagem. Ignorando seu coração que queria que ela ficasse ali.
Mas Quinn não saiu da frente. A loira firmou o corpo e sendo mais forte que Rachel, conseguiu segurar a outra. A morena tentou de novo, mas Quinn aproximou seu corpo ao dela e inverteu as posições, prensando Rachel na parede. Por alguns momentos, Rachel achou que perderia o controle e faria besteira. Quinn passou os olhos por seus lábios, mas afastou-se rapidamente e passou a mão pelo rosto, em seguida, respirou fundo e disse:
— Desculpe, acho que exagerei... Você pode ir, se quiser.
— Agora que eu não vou! – Rachel não conseguiu segurar as palavras e muito menos, dizer outra coisa. A sombra daquele sorriso de 1000 watts passou pelo rosto da morena e Quinn percebeu, coçando a cabeça envergonhada. – Acho que nunca vi Quinn Fabray implorar ou pedir para alguém ficar com ela, depois dessa, vou ficar mesmo!
— Menos mal, então... – Quinn disse vagamente enquanto voltava para o sofá e tentava concentrar-se no filme, seu autocontrole quase falhara a minutos atrás... E se tivesse beijado Rachel? Com certeza, a morena teria saído correndo dali. Rachel sentou-se ao seu lado e puxou o edredom, cobrindo as duas. A morena aconchegou-se no sofá e disse, animada:
— Eu adoro essa parte!
— Eu também... – Quinn respondeu hipnotizada e sem saber de qual parte Rachel falava, os olhos da diva brilhavam e ela viu neles um resquício da antiga Rachel Berry apaixonada e forte de anos atrás.
Na tela, James Dean saltava do carro e dava uma olhada sexy pra câmera. Quinn ajeitou o cobertor sobre si e voltou a olhar a TV, mas a sua mente estava em outro lugar.
- Ganhar as Nacionais foi uma surpresa pra mim, achei que estávamos bem abaixo do Vocal Adrenaline após a apresentação... – Rachel comentou séria, observando Quinn servir mais um pouco de vinho em sua taça, era a terceira garrafa na noite e as duas estavam na cozinha, sentadas no balcão e relembrando algumas coisas do Glee Club.
Quinn tomou um gole do vinho enquanto depositava a garrafa no balcão e lambeu os lábios, Rachel ficou hipnotizada por alguns instantes e só saiu do transe quando a voz sincera de Quinn chegou aos seus ouvidos:
— Não foi muita surpresa, aquela solista deles era boa... Mas não era você.
— O que você quer dizer? – Rachel perguntou confusa, achava que a bebida estava fazendo efeito sobre si naquele momento, Quinn não podia estar elogiando-a. A loira deu um sorriso e sentou-se ao seu lado no balcão, em seguida, respondeu:
— Ela era boa, mas você arrasou nas Nacionais. Talvez não saiba disso porque não tenha visto sua apresentação como o resto do Glee viu... Você foi incrível! Estava tão focada, tão intensa, tão lin... – Quinn calou-se nesse momento e olhou para um ponto fixo na parede enquanto corava.
Eu acho que Quinn ia dizer que eu estava linda na apresentação das Nacionais... Para de pensar besteira, Berry! Quinn nunca ia te elogiar... A Quinn de oito anos atrás não, mas essa Quinn talvez elogiasse...
Rachel engoliu em seco enquanto virava-se para Quinn, as duas estavam sentadas no balcão, lado a lado e com os ombros se tocando. Uma energia gostosa preenchia o espaço entre elas e a morena estava sentindo-se segura e feliz ali, coisas que nunca pensara em sentir com Quinn Fabray. A loira continuou calada, Rachel deu voz a seus pensamentos e perguntou:
— Tão...?
— Tão linda, Rachel. Você estava linda! – Quinn disse por fim e sem dificuldade, desviando os olhos da parede e olhando novamente para Rachel com intensidade. A morena ofegou, o perfume de rosas invadiu seu nariz novamente, Quinn estava com uma ruga na testa.
Ah Meu Deus... Eu não posso estar gostando dela! Então, por que eu sinto essa necessidade enorme de tocá-la?
Mas Rachel Berry era intensa, por mais que negasse e o álcool estava começando a fazer efeito. A morena aproximou-se um pouco e sentiu Quinn tremer contra sua pele, a loira respirava com dificuldade. Rachel fechou os olhos e perguntou bem próxima aos lábios dela:
— O que você disse?
— Eu disse que você estava linda... – Quinn respondeu entorpecida pelo hálito quente e cheirando a vinho de Rachel, a morena estava meio bêbada, já percebera isso e por mais que seus instintos quisessem agarrá-la, a loira ainda estava sóbria o bastante para impor limites. – E acho que é melhor você ir para a casa, agora.
— Está me expulsando, Fabray? – Rachel perguntou confusa enquanto Quinn saltava do balcão e apanhava o casaco e a bolsa dela pelo caminho. Quinn abriu a porta da casa e apanhou as chaves do carro no bolso de sua calça, virou-se para a morena que ainda continuava sentada no balcão com meia taça de vinho intocada. Deu um sorriso, parecendo mais segura de si e disse:
— Estou te levando para casa, Rachel...
— Mas ainda assim está me expulsando... – Rachel disse indignada enquanto caminhava e tomava as coisas da mão de Quinn, a loira deu um muxoxo irritado enquanto ela passava pela porta. – Só está disfarçando a sua falta de educação querendo me dar uma carona, mas saiba que eu posso muito bem ir sozinha para a casa e...
— Você está bêbada, Rachel! – Quinn interrompeu séria enquanto fechava a porta atrás de si e colocava um braço ao redor da cintura de Rachel, a empurrando em direção ao elevador. Rachel ia protestar, mas não tinha defesa, realmente sentia os efeitos do álcool em si, se estivesse sóbria, não teria se aproximado de Quinn daquela forma. – E eu sou sua médica, vou assegurar a sua saúde, apenas!
— Você é SÓ a minha médica, tinha me esquecido disso! – Rachel disparou infantil, soltando-se do meio abraço de Quinn e quase tropeçando antes de entrar no elevador. A loira deu um muxoxo irritado e apertou o andar térreo, Rachel estava sendo incrivelmente dramática, agora ela realmente parecia continuar a ser aquela Rachel Berry de oito anos atrás.
Durante os sete andares de descida do elevador, Rachel não deu uma palavra sequer, apenas cruzou os braços e bufava de cinco em cinco minutos. Quinn começou a achar toda a situação engraçada e segurava algumas risadas enquanto o elevador descia, Rachel olhava para ela de esguelha, quase explodindo de raiva.
Mal o elevador aterrissou no térreo, Rachel quase saiu correndo, mas Quinn enlaçou a cintura dela novamente e a guiou até a garagem. A diva tentava lutar, mas descobriu que suas pernas estavam bambas demais para movimentarem-se sozinhas. Quinn parou ao lado de um Opala vermelho e ativou o alarme, Rachel deu uma gargalhada e disparou irônica:
— E você acha que eu vou entrar nisso daí?
— Olha, vou fingir que não ouvi isso! – Quinn disse ofendida enquanto olhava para a morena com surpresa, seu Opala era bem bonitinho apesar de agressivo, sem mencionar que era o que o seu salário de interna permitia comprar. Rachel revirou os olhos e escorou-se na porta, sem fazer menção alguma de entrar. – E você vai entrar!
Quinn foi rude, abriu a porta com brutalidade e empurrou Rachel para dentro, trancando o carro e só o abrindo quando entrou no banco do motorista. A morena cruzou os braços emburrada, Quinn ligou o carro e saiu da garagem.
Quinn só voltou a falar com Rachel para perguntar onde a diva morava, com muito esforço, Rachel disse onde era. Estava cansada demais para discutir com a médica. As duas calaram-se, Rachel observava a neve pela janela do carro enquanto Quinn ligava o rádio.
A voz sempre reconhecível de John Mayer preencheu o ambiente, Rachel virou-se querendo mudar a música. Mas a mesma já começara animada no rádio, Quinn sorria e acompanhava a música, o que fez Rachel mudar de ideia...
Back to you
It always comes around
Back to you
I tried to forget you
I tried to stay away
But it's too late
Rachel ficou hipnotizada com Quinn tagarelando a música ao seu lado, a loira parecia visivelmente feliz. Talvez John Mayer fosse um dos preferidos dela.
Over you
I'm never over
Over you
There's something about you
It's just the way you move
The way you move me
Rachel não sabia se era o efeito da bebida, mas estava achando tudo muito engraçado e... Belo. Quinn estava sorrindo de verdade, elas pararam em um sinal e a loira divertia-se enquanto balançava a cabeça no ritmo da música.
I'm so good at forgetting
And I quit every game I play
But forgive me love
I can't turn and walk away
This way
Quinn sentiu-se observada enquanto agitava a cabeça, virou-se e viu Rachel a encarando com um sorriso sóbrio e divertido na face. A loira piscou para ela e engatou a marcha para sair do sinal. Agora, ela cantava.
Back to you
It always comes around
Back to you
I walk with your shadow
I'm sleeping in my bed
With your silhouette
Rachel, então, gargalhou… Descobriu ali, na escuridão do Opala vermelho e chamativo de Quinn que a loira a fazia bem. A fazia tão bem como Finn já lhe fizera um dia...
Should have smiled in that picture
If it's the last that I'll see of you
It's the least that you could not do
E constatar que Quinn Fabray lhe fazia melhor que Finn Hudson (o único do qual gostou na vida) a fez temer aquela viagem para Lima, a morena mordeu os lábios.
Leave the light on
I'll never give up on you
Leave the light on
For me too
Rachel estava perdida demais em seus pensamentos para notar que Quinn estava sorridente e correndo pelas ruas de Nova York naquela noite escura de novembro. Batucando com os dedos no volante e extremamente feliz, talvez Rachel não fosse tão indiferente assim.
Back to me
I know that it comes
Back to me
Doesn't it scare you
Your will is not as strong
As it used to be
A música morreu no mesmo instante que o motor do carro era desligado, Rachel quase pulou para fora e sequer se despediu. Antes de fechar a porta, ouviu uma gargalhada sonora e feliz, seguida de Quinn dizendo brincalhona:
— Boa noite pra você também e não precisa agradecer!
Rachel virou-se para xingá-la ou fazer um gesto obsceno... Mas os pneus já tinham cantado e Quinn estava longe dali. A morena entrou no prédio sentindo a neve em suas canelas, apertou o casaco junto ao corpo e sorriu.
Ai Meu Deus! Estou apaixonada por Quinn Fabray.
Não sabia se era efeito da bebida, mas aquilo que podia ser trágico, tornara-se bastante engraçado.
***
Quinn acordou na manhã seguinte sentindo uma dor de cabeça incômoda, sem mencionar o mau jeito em seu pescoço. Demorou um pouco para entender porque tinha dormido no sofá. Aparentemente, sequer conseguira chegar à cama depois que levara Rachel para casa.
Rachel... A morena estava bêbada na noite passada e Quinn tinha certeza que em algum momento da noite, Rachel tentara seduzi-la.
Talvez tenha sido apenas o efeito da bebida, nós duas estávamos fora de controle ontem. Não quero nem pensar na cara que vou ter que fazer quando encontrá-la hoje...
Esse pensamento pareceu acordar Quinn, a loira acordou em um misto de desespero e ressaca. Olhou no relógio, eram oito da manhã. Ela tinha exatamente UMA hora para se arrumar e encontrar Rachel no aeroporto. Ou seja, praticamente impossível. A loira chutou as cobertas e correu para tomar uma ducha rápida.
Seu celular tocou no exato momento em que ela saía do banheiro e enrolava-se na toalha. Não identificou o número, atendeu um pouco receosa:
— Quinn Fabray falando.
— Bom dia, Dra. Fabray! – A voz acordada e sem ressaca de Paulie falou do outro lado da linha, Quinn colocou a mão sobre a testa e esperou o pior, com certeza, Rachel estava nervosa pelo seu atraso. – Teve uma boa noite de sono, espero?
— Acordei com um pouco de ressaca, mas vou sobreviver... – Quinn respondeu fechando os olhos enquanto sentia a cabeça latejar, Paulie deu uma risadinha do outro lado da linha e respondeu em seguida:
— Miss Berry também não está nada bem nessa manhã, o vôo de vocês foi adiado e será às dez da manhã... Tudo bem?
— Ah muito obrigada, mas você podia ter avisado isso antes de eu acordar e correr desesperada pelo apartamento, Paulie. – Quinn respondeu com um sorriso satisfeito, a ruiva do outro lado da linha riu e se despediu em seguida. A médica jogou o celular dentro da bolsa e começou a arrumar seus pertences na bagagem de mão.
Suas mãos tremiam e estava respirando com dificuldade, sabia que aquilo nada tinha a ver com a ressaca e sim... Com Rachel bêbada e quase a beijando na noite passada. Será que não era coisa da sua cabeça? Quinn sabia que quando bebia, passava por tudo, menos pela amnésia. Sem mencionar que estava sóbria, não totalmente sóbria, mas o necessário para lembrar-se de tudo que acontecera e de tudo que fora dito.
Bem que diziam: quando a bebida entra, a verdade sai.
Mas realmente... Será que Rachel estava disposta a beijá-la? Quinn preferia acreditar na idéia de que fora efeito da bebida e da proximidade recém-adquirida por elas... Não é que gostasse de sofrer, mas amar Rachel Berry e não ser retribuída parecia uma idéia perfeitamente aceitável e indolor para ela e se encaixava muito bem com seus casos mal resolvidos espalhados por Nova York.
A loira terminou de se arrumar e deixou a mala junto à porta, depois pegou a bagagem de mão e empilhou tudo. Tomou um pouco de água e resolveu que já era hora de ir para o aeroporto. No trajeto, forçou o taxi a parar em uma cafeteria, comprou dois cafés extra fortes e rumou de vez para o aeroporto.
Verificou mais uma vez seu portão de embarque no bilhete da passagem, fez o check-in e sentou-se em uma das cadeiras, abriu um livro e começou a ler enquanto esperava sua companheira chegar. Ainda tinha pelo menos meia hora sozinha para pensar.
Não sabia por que estava voltando para Lima, ainda mais, voltando com Rachel Berry. Santana possivelmente riria eternamente da coincidência e a que ponto a vida podia ser imprevisível. A loira tentou se concentrar no livro, mas começava a duvidar do seu autocontrole naquela viagem.
Teria que se manter afastada, não conseguiria ficar perto de Rachel por muito tempo.
Sua cabeça começou a doer com essa idéia, ela guardou o livro emburrada e colocou os óculos escuros, a claridade começava a irritá-la. Tomou um gole de um dos cafés e segurou o outro firmemente sobre o colo.
Tinha que esperar e céus, aquela meia hora estava durando mais do que o normal.
Rachel passou correndo pelo check-in, amaldiçoando tudo e todos pela sua ressaca naquela manhã. O pior que não era a ressaca física que a incomodava e sim, a ressaca emocional. Não culparia a bebida pelo que sentia, ela realmente estava começando a gostar de Quinn. Porém, podia culpar a bebida pelo que fizera e dar em cima de Quinn Fabray nunca passaria por sua mente se estivesse sóbria.
Ajeitou os óculos escuros sobre o rosto, ignorando os paparazzi que praticamente corriam atrás dela. Um dos seus seguranças estava conseguindo contê-los, mas as pessoas que passavam pelo aeroporto começavam a olhar desconfiadas em sua direção. A morena correu e chegou ao portão de embarque, encontrou Quinn sentada, batucando no banco e olhando para o nada com fones de ouvidos. Assim que a loira a viu, abriu um enorme sorriso.
Droga, esse maldito sorriso não. Estou começando a perder a noção das coisas.
- Bom dia, Berry! – Quinn disse animada, pondo-se de pé e tirando os fones do ouvido. Rachel fez uma careta de dor, acabara de sentir uma pontada na cabeça, Quinn percebeu e apanhou o copo de café. – O melhor remédio para ressaca: café extra forte.
— E o que te leva a crer que eu estou de ressaca? – Rachel perguntou agressiva, mas sem deixar de apanhar o café e tomar um gole. Céus, sentiu o líquido arder em sua garganta e a cafeína tomar conta do seu cérebro. Quinn deu uma sonora risada e colocou as mãos nos bolsos da calça que usava, em seguida, disse brincalhona:
— Você está de óculos escuros, com um mau humor incrível e com dor de cabeça. Logo, está de ressaca sim.
— Ou eu posso estar brava por você ter me expulsado da sua casa ontem! – Rachel murmurou maldosa e olhou para Quinn, mesmo com os olhos escondidos sobre os óculos, Quinn sentiu toda a intensidade dos olhos dela. A loira suspirou e disse séria:
— Eu sou sua médica, estava cuidando de você ontem da mesma forma que estou cuidando de você agora. Se você continuasse a beber, ia acabar fazendo besteira.
— Talvez eu quisesse fazer alguma besteira! – Rachel retrucou com os olhos ardendo. Céus, por que eu estou falando isso? Quinn deu um sorrisinho sarcástico e baixou os olhos, quando os ergueu novamente, tinha uma energia fria neles. Rachel viu que estava tremendo, a loira pigarreou e respondeu educadamente:
— Talvez você fizesse alguma besteira e se arrependesse hoje... Só assegurei que você ficasse bem, apesar da bebida. A ressaca física é conseqüência, a ressaca emocional não.
Rachel ficou meditando aquelas palavras, a voz eletrônica do aeroporto anunciou que o vôo das duas para o estado de Ohio era o próximo. Quinn sorriu para ela e fez sinal para que ambas passassem pelo portão de embarque, surpreendeu-se quando a loira apanhou sua bagagem de mão e carregou-a, em um gesto cavalheiro e inesperado.
As duas entraram no avião e foram recepcionadas por uma bonita aeromoça oriental. Quinn foi educada e Rachel viu que estava quase bufando de raiva ao lado dela, ambas foram levadas a primeira classe e a loira guardou a bagagem. Depois se sentou na poltrona em frente a Rachel e olhou tudo em volta, disse admirada:
— Nunca tinha viajado na primeira classe!
— Ah claro, tinha me esquecido que seu salário de interna não podia pagar algo do tipo... – Rachel murmurou mordaz e com um sorrisinho na face, Quinn arqueou a sobrancelha tentando entender o motivo de tanta agressividade. A loira colocou os cintos e virou-se para a janela, completamente ofendida. Rachel mordeu o lábio, sentindo-se culpada em seguida, a diva tirou os óculos e permaneceu calada enquanto esperava a hora da decolagem.
Aquele ia ser um vôo muito longo.
***
— Aceitam algo para beber, senhoritas? – A mesma aeromoça oriental era a encarregada da primeira classe e perguntou a elas com um sorriso assim que o avião decolara e o piloto dera liberdade para que os cintos fossem tirados, Rachel revirou os olhos quando a oriental sorriu esperançosa para Quinn. A loira corou e respondeu:
— Quero um suco de laranja, o mais azedo que você puder fazer.
— Eu quero vodka, se possível. – Rachel respondeu de mau gosto, recebendo olhares espantados de Quinn e da aeromoça. A médica revirou os olhos para Rachel, em seguida, virou-se para a aeromoça novamente, deu seu melhor sorriso gentil e disse educadamente:
— Traga o mesmo que eu pedi para ela.
— Mas senhorita... – A aeromoça ia contestar, mas recebeu um olhar fuzilante de Rachel, calando-se no mesmo instante. Quinn respirou fundo e apertou o tecido da poltrona, tentando se acalmar. Depois, voltou a pedir:
— Eu sou médica dela, ela está tomando alguns remédios e não pode beber hoje. Só faça o que eu pedi, tudo bem?
A aeromoça pareceu demorar a sair dali por causa do sorriso que Quinn dera a ela. Mas quando saiu, a loira virou-se abruptamente para Rachel e perguntou, irritada:
— O que eu posso fazer pra você, ao menos, tentar melhorar esse humor?
— Eu estou de ressaca, como você mesma disse e um dos sintomas da minha ressaca é meu mau humor! – Rachel retrucou, elevando um pouco a voz e fazendo alguns passageiros mais próximos olharem para as duas surpresos. Quinn segurou o braço de Rachel e subitamente, aquele toque fez o surto psicótico da diva diminuir, Quinn deu um sorriso e disse, gentilmente:
— Você soa exatamente igual a Rachel Berry da qual eu me lembrava nesse exato momento: extremamente irritante.
Rachel não conseguiu conter um sorriso, então Quinn Fabray se lembrava dela, apesar de tudo. A morena baixou os olhos, sentindo as bochechas corarem. Ela está se especializando em me fazer passar vergonha ou talvez... Seja eu que estou me acostumando a querer que ela me faça sorrir.
— Você pode começar a se redimir por me expulsar da sua casa na noite passada... – Rachel disse brincalhona, Quinn abriu a boca para questionar, mas a morena fez final para que ela continuasse calada. – Pode ir me falando dos outros, não vejo ninguém fora Kurt e Mercedes há mais de seis anos...
— Sou uma péssima escolha para te atualizar sobre os outros... – Quinn começou a falar mais feliz, Rachel finalmente tinha se acalmado e agora, olhava para ela com afeição. – Eu não vou a Lima faz uns quatro anos.
— Ah é? Por que você saiu fugida de lá? – Rachel perguntou com um ar divertido, a expressão de Quinn tornou-se um pouco mais séria enquanto sentia seu estômago dar cambalhotas e remexidas desconfortáveis. A loira olhou para a janela antes de mudar bruscamente de assunto:
— Sei sobre Santana e Brittany. Santana se formou com méritos em Columbia e é advogada, Brittany ia abrir um estúdio de dança em Lima... Senão me engano, Sam formou-se em administração e Puck está ganhando bem com seu negócio de limpeza de piscinas.
— Se você não queria falar sobre a sua fuga de Lima há quatro anos, era só falar... Somos amigas agora, Quinn. Eu não ia insistir. – Rachel disse compreensiva e abrindo um sorriso enorme, Quinn corou e não conseguiu evitar sorrir de volta. A morena pegou a sua mão e as duas ficaram se olhando por minutos que pareceram longos demais. As palavras faltavam e apenas o toque era necessário.
— O suco das senhoritas! – A aeromoça anunciou com um ar simpático enquanto entregava as taças e quebrava o momento entre as duas garotas. Quinn sorriu e agradeceu, Rachel percebeu que a moça quase derrubou a bandeja que segurava. A loira virou-se para Rachel que ria divertida, em seguida, perguntou confusa:
— O que aconteceu de tão engraçado?
— A aeromoça. Ela não conseguia tirar os olhos de você, acho que está questionando a própria sexualidade nesse exato momento! – Rachel disse entre risos enquanto apontava para o fundo da cabine, Quinn virou-se e pode ver a pobre aeromoça abanando-se com um pedaço de papel. A médica corou muito e não conseguiu falar mais nada.
Consegui deixá-la envergonhada e eu ainda achava que Quinn Fabray era uma estátua de gelo!
- Você podia começar contando da onde saiu à idéia de ser médica. – Rachel sugeriu interessada procurando saber mais e mais de Quinn, a morena tomou um gole do suco e fez uma careta devido à falta de açúcar. Quinn riu dela e pigarreou antes de responder:
— O que é isso? Um inquérito? – Rachel riu nesse momento. Quinn respirou fundo, tentando se explicar. — Minhas notas finais foram realmente boas e eu podia entrar em qualquer faculdade... Acabei optando por Medicina em Columbia porque parecia o melhor a se fazer no momento.
— Por que parecia o melhor? – Rachel repetiu um pouco desgostosa, achava que Quinn tinha escolhido a profissão por uma razão mais especial. A morena queria saber mais, a idéia de ser amiga de Quinn Fabray a fazia sentir-se melhor. Aliás, a idéia de ter Quinn perto era muito atraente. – Mas você gosta do que faz?
— Bem... – Quinn estava pensativa, a loira tomou um gole do suco, só que ao contrário de Rachel, não fez nenhuma careta. Desde a conversa com a Dra. Hopkins, Quinn pensara demais sobre a razão pela qual se dedicava à Medicina e sempre chegava à um beco sem saída. – Eu sou realmente boa em ser médica, é isso.
— Então, você não gosta do que faz? – Rachel inquiriu direta, Quinn tinha se esquecido de como a morena era rápida e insistente quando queria saber de alguma coisa. A loira sorriu para ela e respondeu:
— Ainda não sei se gosto, só que parece ser o certo pra mim.
— Você tem que parar de fazer o certo e passar a fazer o que gosta. – Rachel aconselhou sabiamente, fazendo as sobrancelhas de Quinn erguerem-se impressionadas. A médica deu uma risadinha e disse, brincalhona:
— E você devia parar de se meter na minha vida.
— Você é minha médica, tenho que saber se você ama a profissão, caso contrário, pode acabar cometendo um erro médico e me matar... – Rachel respondeu dramática, provocando gargalhadas em Quinn. A morena sorriu satisfeita quando viu que as rugas de preocupação tinham desaparecido do rosto da loira, inclinou a poltrona e disse cansada:
— Vou dormir um pouco, me acorda antes de chegarmos?
— Claro que sim, sou sua médica, afinal. – Quinn respondeu com um ar que tentou parecer profissional, mas não conseguiu. Rachel fechou os olhos e virou de lado, sentia os olhos castanho-esverdeados de Quinn sobre si e pela primeira vez na vida, ficou feliz por ter alguém a observando dormir.
***
Quinn acordou assustada com o ronco de algum passageiro, nem sequer sabia que tinha adormecido. Rachel continuava ferrava no sono, Quinn levantou-se para ir ao banheiro e deu um sorriso para a morena. Aproximou-se dela e tirou o cabelo que estava no rosto, Rachel remexeu-se e por breves segundos, Quinn achou que ela acordaria e que seria pega no flagra. Mas isso não aconteceu, Rachel apenas se aconchegou e continuou a dormir. Quinn sorriu e fez um carinho na morena antes de retomar seu caminho.
Jogou água no rosto e respirou fundo enquanto olhava-se no espelho. Eu sempre soube que seria difícil reencontrá-la e assumir tudo que eu descobri sentir por ela durante todo esse tempo... Mas sequer cogitei a hipótese de ter que lutar com a vontade enorme de querer fazê-la feliz. Ela parece tão diferente, tão realista, tão sem brilho... Rachel precisa de alguém.
Batidas foram ouvidas na porta do banheiro, tirando Quinn de seus devaneios. A loira deu um suspiro e ouviu a voz da mesma aeromoça de antes perguntar:
— Com licença Srta. Fabray, mas você está bem?
Quinn fez uma careta curiosa enquanto saía do banheiro e fechava a porta atrás de si, devido ao pouco espaço no corredor, ela acabou ficando muito próxima a aeromoça e Quinn que não era nada boba, sabia muito bem o que aquela menina queria com ela. Quinn deu seu melhor sorriso gentil e respondeu educada:
— Sim, estou muito bem... Qual é seu nome, mesmo?
— Ah me desculpe, sou a aeromoça Wang, prazer. — A aeromoça respondeu com um sorriso satisfeito enquanto estendia a mão que Quinn apertou com um sorriso simpático. A loira engatou uma conversa animada com a aeromoça e sequer percebeu que Rachel tinha acordado e observava tudo de sua poltrona com sangue nos olhos.
Sequer notou também que Rachel levantara e que caminhara até as duas outras garotas, Quinn que estava de costas para a cabine só teve tempo de sentir a mão de Rachel esbarrar levemente em suas costas antes de ouvi-la dizer irritada:
— Achei que tinha pedido pra você me acordar quando aterrissássemos...
— Ainda não aterrissamos, eu acordei há pouco tempo e acabei esbarrando com a aeromoça Wang há pouco. – Quinn respondeu confusa enquanto a morena a encarava com frieza e... Ciúmes? A aeromoça parecia ter engolido a própria língua e estava tentando arrumar uma desculpa para sair dali o quanto antes. Rachel deu um sorrisinho cínico e disse irônica:
— Ah... Então você já sabe o nome dela?
— Rachel... Vamos voltar para nosso lugar, ok? – Quinn disse cautelosa enquanto dava um sorriso que era claramente um pedido de desculpas a oriental, a loira ainda tentou puxar Rachel dali, mas a morena apenas virou-se para ela e continuou:
— Ah não, quero ficar aqui a conhecendo também.
A aeromoça aproveitou a desatenção de Rachel com a loira e saiu dali sileciosamente, quando Rachel voltou-se para onde estava a oriental, Quinn a puxou bruscamente dali e praticamente a jogou na poltrona enquanto sentava-se e disparava irritadiça:
— Pra que essa cena toda? A menina estava sendo simpática!
— Simpática? Ela está te comendo com os olhos desde que você entrou nesse avião! – Rachel defendeu-se rapidamente e com um ar ofendido. Quinn sentou-se na poltrona e olhou para ela incrédula antes de começar a rir histericamente. Eu não acredito que acabei de ouvir isso... Rachel Berry acaba de ter um ataque de ciúmes? A loira tentava conter as lágrimas de riso quando perguntou:
— Você está com ciúmes, Berry?
— Não tem nada a ver! – Rachel disparou rapidamente, aliás, rápido demais. Quinn continuou a rir enquanto a morena corava furiosamente e tentava se defender. – Eu só tive experiências ruins demais e não confio muito no que as pessoas demonstram por mim. Sou insegura, só isso.
É, faz sentido. Rachel teve muitas decepções por causa de Finn e Jesse. Talvez ela não sinta ciúmes de mim. Melhor parar de viajar Fabray. Quinn ficou remoendo a resposta de Rachel dentro de si enquanto olhava para a morena, Rachel retribuiu o olhar procurando passar através dele a verdade que ela não queria assumir nem para si mesma.
Ver Quinn conversando com aquela aeromoça despertou nela um sentimento que há muito tempo ela se negava a sentir: o ciúme. Despertou nela a insegurança e o medo de perder a loira para aquela oferecida. Despertou nela a mesma sensação que Finn despertava nela: a sensação da dependência.
— Eu não sou como suas outras experiências, Rach... – Quinn dissera com carinho enquanto segurava a mão da diva e a apertava tentando passar segurança e sinceridade. – Eu vou fazer o máximo para não te magoar dessa vez, acho que te magoei o bastante para uma vida inteira!
Rachel sorriu agradecida e conteve as lágrimas que tentavam cair pela sua face. Nunca, ninguém lhe dissera algo tão verdadeiro e tão bonito como Quinn acabara de fazer. A loira estava tornando-se um ponto essencial naquele seu retorno para o passado e principalmente, reacendendo um brilho que ela julgava ter esquecido que existia. As duas ficaram em silêncio enquanto se olhavam, ignorando qualquer outro sentido que possuíssem além da visão. Palavras tornaram-se desnecessárias quando o olhar parecia ser mais verdadeiro.
— Não quer voltar a dormir? – Quinn perguntou, Rachel negou com a cabeça, a insegurança ainda gritando em sua mente. — Prometo que vou estar aqui quando você acordar e sempre que você precisar...
Rachel pareceu convencer-se com aquelas palavras e acabou concordando. De alguma forma, ela permitia-se acreditar em alguém depois de tanto tempo. Quinn Fabray parecia tão diferente e se lhe dissessem há oito anos que a ex-cheerio ia tornar-se sua amiga, Rachel riria na cara do engraçadinho.
Ela não queria sentir, mas não podia negar: seu coração disparava quando pensava em Quinn. Mal sabia ela que a loira sentia-se da mesma forma, só que desistira de negar há muito tempo e passou a aceitar.
Deus, eu sempre fui apaixonada pela Berry. Precisei perdê-la para compreender isso.
Rachel acordou com Quinn cutucando seu braço levemente, quando seus olhos abriram-se preguiçosamente e ela espreguiçou-se na poltrona, a loira a olhava com um sorriso incrível nos lábios. Quem dera acordar com esse sorriso todas as manhãs... Cala a boca, Berry! O que você está pensando?
- Pediram para colocarmos o cinto... – Quinn avisou enquanto ajudava Rachel antes de colocar o próprio cinto de segurança. A diva sentiu os dedos de Quinn tocarem levemente a sua cintura e novamente, aquela mesma energia quente e gostosa percorreu seu corpo. Rachel deu um sorriso envergonhado enquanto sentia-se corar.
- Atenção senhores passageiros, estaremos aterrissando dentro de dez minutos. Pedimos a todos que permaneçam sentados e que coloquem os cintos. O comandante agradece a todos pela compreensão.
Quinn e Rachel ficaram se olhando enquanto sentiam aquela tradicional sensação estranha, já que o avião iniciava a descida. Rachel olhou mais intensamente para Quinn, não queria ficar longe dela em Lima, a morena respirou fundo e perguntou:
— Onde você vai passar os dias enquanto estiver em Lima?
— Vou para a casa da Santana, já deixei uma mensagem avisando... – Quinn respondeu tranqüila enquanto o avião parava lentamente e os passageiros começavam a se levantar para sair dali. – Qualquer coisa que você sentir, pode me ligar no celular.
— Ahm, tudo bem então. – Rachel respondeu ligeiramente decepcionada, queria passar mais tempo com ela. As duas garotas levantaram-se e pegaram suas bagagens de mão no bagageiro, mais uma vez, Quinn pegou a pequena mala de Rachel e carregou para fora do avião.
Caminharam boa parte do trajeto entre o desembarque e a saída do pequeno aeroporto de Lima em silêncio, não chegaram a se falar nem mesmo quando pegaram suas bagagens. Rachel não queria falar nada, estava confusa demais tentando entender aquela sensação de dependência que começava a surgir dentro de si novamente enquanto Quinn estava concentrada procurando um táxi. A loira fez um sinal e imediatamente um táxi parou, ela colocou a bagagem de Rachel no porta mala e disse:
— Você pode ir, eu vou arrumar outro táxi para mim.
— Podemos dividir esse, não podemos? – Rachel perguntou um pouco tristonha. Eu quero só mais um pouco de tempo com ela. Quinn sorriu e respondeu claramente decepcionada:
— Não podemos, a casa de Santana fica completamente na contramão da casa dos seus pais, ficaria muito caro. Melhor você ir nesse e eu encontro outro para mim.
Rachel ficou calada enquanto olhava para Quinn, aquela sensação de separação ardendo em seu peito da mesma forma que ardera quando Finn terminara com ela. A médica abriu a porta do táxi e antes de entrar, Rachel a abraçou-a e disse agradecida:
— Obrigada, prometo que te ligo para combinarmos alguma coisa!
— Eu vou esperar. – Quinn disse calma e respirando fundo o cheiro dos cabelos de Rachel. A diva sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando a loira apertou sua cintura e fungou em seu pescoço. As duas separaram-se e Rachel entrou no taxi, antes do motorista arrancar, ela pode ver Quinn acenando para ela. Subitamente, sentiu um aperto no coração.
Eu não estou preparada para voltar a dar valor para as pessoas.
Notas finais
Acho que consegui explorar bem a confusão na qual as duas estão metidas e também, o sentimento de negação da Rachel. Tive essa ideia de fazê-la mais centrada após o término de Finchel na série... Espero que tenham gostado da ideia.
A música do capítulo é Back To You do John Mayer, acho que a maioria dos leitores já percebeu que eu o AMO *-*
Ah, uma observação ruim: minhas aulas da faculdade começam AMANHÃ. Possivelmente, o capítulo 4 vai demorar mais do que o normal. Desculpem, mas vai ser assim daqui pra frente =/
Bem, é isso mesmo. Comentem, beijos e até a próxima!
Fale com o autor