Notas iniciais
Gente *-* Que bom estar de volta ao Nyah, pelo menos durante as férias né... E escutem Gotta Be Somebody do Nickelback, vocês vão entender no final do capítulo. Espero que ainda tenha alguém lendo essa birosca porque senão, eu vou parar de escrever (acha que tem moral pra exigir alguma coisa dos leitores depois de 2 meses sem postar HASUHHUHAS). Bem, boa leitura!

— Eu não achava que você fosse tão incansável, Rach... – Quinn murmurou roucamente na orelha da pequena diva que agora, estava em seus braços, com as costas apoiadas em seu peito. Rachel deu uma risadinha e virou-se para olhar Quinn, a morena podia sentir a pele nua de ambas tocando-se por debaixo do cobertor e céus, aquela era uma sensação tão boa!

— Fabray, você é a garota mais linda que eu já conheci, acha mesmo que eu ia perder a oportunidade?

— Eu sei que sou linda, Berry... – Quinn murmurou com um ar convencido que provocou uma careta em Rachel, a ex-cheerio deu uma risadinha e beijou os lábios da morena levemente. – Mas faz duas horas que nós prometemos sair daqui e ainda não saímos. B precisa do estúdio, ela tem que preparar tudo para semana que vem.

— Mas o sexo está tão bom... – Rachel murmurou preguiçosamente enquanto colocava seu rosto na curva do pescoço de Quinn, a loira beijou-lhe a testa e afagou os cabelos da morena com um sorriso. Como ela consegue ser tão fofa e tão sexy ao mesmo tempo?

— É sério Rach, podemos continuar essa maratona mais tarde. Só que agora, temos que dar o ar da graça para os outros, ou vão achar que nós duas nos matamos. – Quinn disse entre risos, Rachel mordeu o pescoço dela e apertou-a mais junto de si enquanto a acompanhava na risada. A morena suspirou de encontro à pele do pescoço de Quinn e respondeu:

— Tudo bem, você está certa. Vamos antes que Santana apareça aqui de novo!

As duas se levantaram ligeiramente coradas com a exposição de nudez, se vestiram rapidamente e dobraram a cama improvisada que fizeram com edredons e colchonetes que encontraram no armário dentro do escritório de Brittany (Quinn tinha certeza que Santana e Brittany usavam aquelas coisas para o mesmo propósito).

Quinn correu para abrir e segurar a porta para Rachel passar, a diva sorriu e ficou na ponta dos pés para beijar-lhe os lábios. As duas sorriram uma para outra e prepararam-se para sair do salão de dança, quando a voz irônica de Santana Lopez ecoou, de novo, próxima a elas:

— Eu não tinha notado que tudo aqui estava cheirando a sexo.

— Eu nunca reclamei sobre o cheiro da sua casa, aliás B, me perdoe – Quinn disse com um sorriso sarcástico nos lábios e desculpando-se com um olhar meigo para a outra loira. – Mas a casa de vocês está cheirando sexo há muito tempo.

— Olha a boca, Quinn! – Rachel bronqueou empurrando a ex-cheerio levemente, mas entre gargalhadas, acompanhada por Brittany que chorava de rir da cara insatisfeita da noiva. Santana revirou os olhos e retrucou:

— Ao menos eu e B nos damos ao respeito, eu vi vocês duas nuas, essa vai ser uma cena que eu vou guardar para eternidade!

— Eu sei que você ficou apaixonada pela visão, S... – Quinn disse com um sorriso safado e aproximando-se da amiga, Santana arqueou a sobrancelha incomodada. – Mas eu e Rachel somos fiéis, nada de ménage ou diversão a quatro.

— Como você ousa dizer uma coisa dessas, Fabray? – Santana exclamara, vermelha de vergonha e totalmente fora de si. Olhou para Brittany em mudo desespero. – Eu não seria capaz de dividir a minha Brittany com ninguém!

— Ora... Quem diria? Santana Lopez monogâmica, que coisa, não? – Brittany comentou tentando parecer irônica, mas só conseguindo soar como uma boba apaixonada. Santana puxou a noiva pela mão e pegou-a num beijo apaixonado, fazendo com que Rachel e Quinn sorrissem e dessem de ombros, constrangidas.

— Acho que essa é a deixa para eu ir embora. – Rachel disse envergonhada, enquanto virava-se para Quinn e dava um sorrisinho de lado. A loira aproximou-se dela e beijou-lhe a testa antes de abraçá-la. Até mesmo dizer um “até mais” estava tornando-se extremamente doloroso. Quinn enlaçou o pequeno corpo de Rachel e perguntou risonha:

— Vai mesmo me deixar sozinha com essas duas?

— Eu não queria, mas vou. – Rachel murmurou entre risadas enquanto aspirava o perfume de Quinn, sabia que estava com o mesmo cheiro, mas em Quinn parecia tão melhor... – Meus pais devem estar loucos atrás de mim, saí de casa a tarde e não dei sinal de vida durante todo o dia.

— Tudo bem, mas Rach... – Quinn afastou-se delicadamente, mordendo o lábio em nítida preocupação. Os olhos cor de amêndoa estavam ansiosos e amedrontados, a loira respirava com dificuldade enquanto tentava reunir as palavras dentro de sua boca. – Eu só... Só queria falar com seus pais.

— Falar o que? – Rachel perguntou assustada, mas já sabendo a resposta que viria a seguir. Santa Barbra, Quinn Fabray quer falar com meus pais a respeito do nosso relacionamento! Quinn rompeu o contato visual e revirou os olhos, depois deu um sorriso para os pés e disse envergonhada:

— Sobre a gente, Rachel. Acho que tudo o que aconteceu conosco só me provou que eu tenho que fazer certo dessa vez, eu quero ser feliz e vou fazer de tudo pra continuar com você.

— Você vai me pedir em namoro, Fabray? – Rachel perguntou com um ar sexy e mordendo o lábio de Quinn, a ex-cheerio deu um sorriso desconcertado e gaguejou enquanto tentava responder. A pequena diva sorriu e abraçou Quinn com necessidade, teve que ficar na ponta dos pés para murmurar:

— Não precisa responder, se você quer falar com eles, nós vamos.

Quinn ergueu-a no ar e beijou-lhe os lábios, ouviu um pigarro atrás de si. As duas viraram-se e depararam-se com Santana e Brittany observando-as, Brittany estava com os olhos brilhando e Santana parecia entediada. A latina abriu a boca para falar alguma coisa, mas Quinn levantou a mão e disse autoritária:

— Não ouse soltar uma piadinha, Lopez.

— E quem disse que eu ia falar alguma coisa? – Santana perguntou irônica, fingindo-se de inocente. Rachel deu um selinho em Quinn e disse:

— Você odeia a felicidade alheia, Lopez.

E dizendo isso, arrancou gargalhadas de Brittany e Quinn, antes de acenar e sair do estúdio. Santana ficou olhando a pequena diva passar por ela com a boca aberta e em seguida, voltou-se indignada para as outras duas. A latina respirou fundo e disse:

— Intimidade é uma merda, não é?

A latina riu em seguida, antes de abraçar Quinn com força e quase chorar diante da aura de felicidade que a amiga emanava. A loira, por sua vez, aconchegou-se no abraço da latina e murmurou:

— Obrigada...

Eu não sei o que seria de mim sem essa latina maluca.

***

— Por favor, eu gostaria de falar com Finn Hudson. Diga a ele que é Jesse St. James, um antigo amigo de escola. – Jesse St. James pediu educadamente e com o seu melhor sorriso de bom moço. O pobre mecânico, sujo de graxa e confuso, sentiu-se humilhado pela figura poderosa do ator da Broadway. Correu para dentro do escritório e voltou segundos depois, com um Finn Hudson irritado em seu encalço.

— Quanta cara de pau, hein St. James? – Finn Hudson sibilou irritado enquanto limpava as mãos repletas de óleo em uma toalha e a jogava com agressividade em um barril.

Jesse St. James encolheu-se diante da figura rústica e ameaçadora de Finn Hudson, o rapaz estava muito diferente do que ele se lembrava. Finn estava mais gordo, mancava um pouco da perna direita e tinha rugas ao redor dos olhos, estava envelhecendo mais cedo porque não tinha no que se firmar em Lima. Estava mais vulnerável, exatamente da forma como Jesse precisava que ele estivesse para que fosse manipulado.

— Acredite Hudson, eu também não queria falar com você. Mas a situação exige. – Jesse anunciou misterioso e plantando um ponto de interrogação na cabeça de Finn. O mecânico observou Jesse observar a sua oficina com nojo e repulsa. – Eu não estaria aqui senão precisasse de você para alcançar meus objetivos.

— O que você quer? Não temos mais Glee Club para ser ferrado... – Finn murmurou ironicamente e olhando para Jesse com ódio, o ator da Broadway deu um sorrisinho sarcástico e disse uma só palavra:

— Rachel.

— Sim, ela está de volta à cidade, mais feliz do que nunca... Mas o que você quer com ela? – Finn perguntou um pouco confuso e acalmando-se para tentar entender o que estava se passando ali, Jesse deu as costas a ele e observou o motor de um Impalla que estava próximo.

— Eu e ela estávamos noivos em NYC, até ela voltar a Lima. Você sabe o que aconteceu para ela ter me dispensado?

- Talvez seja pelo fato de você ser um cretino, St. James. – Finn sibilou frio, tentando não deixar que as lembranças daquela noite de Natal voltassem a sua mente.

Quinn e Rachel estavam JUNTAS, nem em seus melhores sonhos pervertidos ele podia imaginar aquela cena. E o pior, Quinn estava mudada, extremamente mudada. Finn sentia-se pequeno perto dela e ela o amedrontava como nunca o amedrontara... Ele gostava dela, mas tinha medo, medo da mulher forte que se apresentara para ele.

Quinn Fabray estava disposta a tudo por Rachel Berry e Finn vira aquilo nos olhos dela, aquela vontade impressa naqueles olhos amendoados era a mesma vontade que ele vira quando ela fez Rachel chorar. Mas por outro lado, aquela vontade era diferente, era mais branda, mais saudável, mas límpida.

— Eu acho que você sabe, Hudson. – Jesse sugeriu com um ar sarcástico e dessa vez, encarando o rapaz. Ambos tinham algo com o qual se importavam: Jesse queria sua carreira de volta e Finn queria Quinn de volta, nada melhor do que se unirem para um bem maior. – Talvez, tudo tenha a ver com Quinn Fabray... Como sempre teve.

— O que você quer dizer com isso? – Finn questionou afoito demais para fazer aquele ar confuso parecer convencível, Jesse revirou os olhos e disse frio:

— Não se faça de idiota, nós dois sabemos que Quinn e Rachel andam se agarrando por aí.

— Se você sabe, veio me perguntar o que? – Finn disparou irritado e com os olhos queimando em fúria, ele se aproximou de Jesse com agressividade, fazendo o rapaz se encolher de encontro a um dos carros. Jesse deu um sorrisinho satisfeito e disse:

— Eu não vim perguntar, eu vim propor.

— Propor o que? – Finn questionou curioso enquanto observava o rapaz empurrá-lo e dar uma risadinha irônica, Jesse colocou as mãos nos bolsos da calça e disse:

— Eu quero minha carreira de volta e você quer Quinn de volta, podemos nos ajudar. Se você quiser.

— Você quer a minha ajuda para separá-las? – Finn perguntou incrédulo, mas ao mesmo tempo, excitado. Sabia muito bem que não conseguiria separar as duas sozinho, mas talvez, Jesse St. James fosse a solução para seus problemas. Finn não era mau, mas ele tinha sentimentos e sentimentos incompreendidos por aquelas duas garotas. Jesse abriu um sorriso maldoso e concordou com a cabeça antes de perguntar satisfeito:

— Sim, o que acha disso?

— Preciso pensar. – Finn respondeu rapidamente, sentindo cada pedaço de seu corpo tremer diante daquela proposta tão arriscada. Ele poderia perder Quinn para sempre se ela sonhasse que ele estava disposto a separá-lo de Rachel de novo... Jesse aproximou-se dele e deu leves batidinhas no seu ombro enorme, dizendo presunçoso:

— Você não precisa pensar, Hudson. Eu bem sei que você já sabe o que quer.

Finn ficou calado observando o outro sair dali. Fechou o punho e segundos depois, correu atrás de Jesse sentenciando a sua decisão:

— Tudo bem, eu participo disso, o que faremos?

***

Rachel chegou em casa no primeiro dia do ano completamente feliz e exalando animação por todos os poros do corpo. Assim que a pequena diva entrou em casa, cantando “My Like Would Suck Without You” acompanhada de uma dança animada e imprecisa, Leroy e Hiram nem precisaram perguntar do que se tratava. Os dois homens postaram-se de pé na sala de estar e foi Leroy que perguntou rindo:

— Onde você estava mocinha?

— Estava tendo a melhor noite da minha vida! – Rachel respondeu excitada enquanto pulava ao redor dos pais. Leroy lançou um olhar surpreso para ela enquanto Hiram ria. – E sim, estou incluindo nesse top de noites incríveis aquela noite em que o Glee ganhou as Nacionais e aquela outra, quando eu ganhei meu primeiro Tony!

Leroy e Hiram entreolharam-se com sorrisos nos lábios, mas que mesclavam preocupação e dúvida. Rachel era filha deles, afinal de contas. Então, pensar em todos que haviam quebrado o coração da morena era inevitável. Leroy pigarreou um pouco incomodado, enquanto Hiram olhava para ele incomodado e Rachel mordia os lábios, sabendo muito bem o que vinha a seguir.

— Querida, entenda bem, eu e seu papai... – Leroy disse com um ar sério e centrado, Hiram remexeu-se incomodado quando ouviu a sua pessoa ser envolvida naquela conversa. Rachel continuou a encarar o pai, impassível. – Nós apoiamos suas escolhas porque queremos vê-la fez, Quinn é uma boa garota. Só queremos ter a certeza de que ela vai ser capaz e corajosa o bastante pra te fazer feliz.

Rachel deu aquele enorme e verdadeiro sorriso de 1000 watts que iluminou o ambiente e provocou sensações de alívio nos pais. Em seguida, a pequena diva olhou para os dois, apanhou a mão de cada um entre as suas e disse:

— Eu não vou responder por ela, ela quer vir falar com vocês e até pediu para marcamos um jantar, o que acham?

— Por mim tudo bem, assim deixamos tudo bem claro com ela. – Leroy concordou com um sorriso tranqüilo e uma piscadela, Hiram bateu palmas e exclamou:

— E eu mal posso esperar para deixá-la envergonhada!

Rachel riu da reação dos dois, sentindo seu coração acelerar. E eu mal posso esperar para chamá-la de “minha”.

***

Não se esqueça do nosso jantar hoje, ás nove. Não se atrase. Amo você. – Rach

Quinn não pode deixar de sorrir nervosamente com a mensagem que recebeu de Rachel. A ex-cheerio estava de roupão, olhando preocupada pela janela do quarto da casa de Santana. Podia sentir cada músculo enrijecer e também, suas mãos tremerem. Estava a poucos minutos de, enfim, ter Rachel Berry como namorada. Porém, estava há poucos minutos de encontrar os Berry para enfim, ter uma conversa que se igualaria aquela de oito anos atrás.

A chuva caía em Lima, eram os últimos dias do ano de 2011 e Quinn Fabray arrumava suas coisas para ir a Columbia após o baile de formatura. Como ela mesma prometera, nunca mais voltaria para Lima. A loira respirou pesadamente, sentindo as gotículas frias tocarem seu ombro, a coragem ia esvaindo-se aos poucos conforme ela se aproximava da casa de Rachel Berry.

Os últimos dias no Glee Club e no McKinley High foram bastante esclarecedores para Quinn. Ela percebeu que tudo se encaminhava para aquele desfecho, ela percebeu que tudo que acontecera para ela no ensino médio direcionava-se para aquele momento.

O momento em que ela assumiria para si mesma que estava gostando e sempre gostara de Rachel Berry.

Implicâncias, apelidos, brincadeiras de mau gosto, slushies, obsessão, guerrinhas por namorados... Eram péssimas maneiras de tentar esconder um sentimento e principalmente, eram maneiras terríveis de sufocá-lo.

Quinn colocou as mãos nos bolsos e continuou a caminhar embaixo da chuva, tinha certeza que estava chegando à casa de Rachel. Seu coração pedia que a diva ainda estivesse lá, Quinn era uma pessoa prática e acreditava que diria tudo mais rapidamente se Rachel Berry estivesse ali para ouvir.

Os pés da loira chapinhavam na lama, diante daquele final, tudo parecia não ter muito sentido para ela no momento. O que tinha para lembrar-se de seu ensino médio? Que maltratara a garota que sempre amara? Não, muito obrigada. Quinn Fabray não precisava daquilo. Uma mágoa como aquela podia ser dispensável.

Saiu da calçada e tomou o caminho que levava à porta dos Berry. A loira protegeu-se na varanda e sentiu o frio tomar seu corpo agora que saíra da chuva, encolheu os ombros e se forçou a acalmar. Quinn respirou fundo, fechou a mão e deu três batidas leves na madeira da porta.

As luzes da varanda se acenderam e Quinn contemplou-se pelo vidro, estava muito encharcada e seu rosto não estava nos melhores dias. Nesse instante, a face bondosa de um homem de óculos tomou seu campo de visão, ele abriu a porta com uma expressão confusa e pergunto educadamente:

— Boa noite. Posso ajudá-la?

— Boa noite, meu nome é Quinn Fabray. – A loira respondeu calmamente, com os lábios tremendo pelo frio. Pode ver a careta que se formou na expressão de Hiram Berry. Com certeza, Rachel tinha mencionado alguma coisa. – Eu gostaria de falar com Rachel, é muito importante.

— Me desculpe querida, mas ela partiu ontem para Nova York, ela passou na Julliard, sabia? – Hiram respondera orgulhoso enquanto os olhos brilhavam de excitação. Quinn sorriu tímida, é claro que Rachel tinha entrado na Julliard. Sentiu toda a sua coragem esvair-se, porém, Hiram continuava a observá-la com afinco.

— Querido? Quem está na porta? – Quinn ouviu uma voz estrondosa e grossa que logo depois, tomou corpo e forma. Leroy Berry abriu a porta totalmente e olhou para ela com uma expressão impressionada. Hiram sorriu para o marido, ciente de tudo que se passava com Quinn e disse:

— Essa é Quinn Fabray, amiga da nossa estrelinha, eu acho que ela queria se despedir.

— Fabray? Acho que ela podia ser tudo, menos amiga de Rach. – Leroy comentou um pouco mal-humorado, ao contrário de Hiram, ele não costumava compreender as coisas soltas no ar. Hiram olhou feio para o marido, Quinn sentiu-se reduzida a um ser insignificante e disparou nervosa:

— Sinto muito por fazê-los atender a porta a essa hora e nesse tempo. Mas eu já estou indo.

— Não, você não vai sair caminhando nessa chuva. Eu e meu marido já temos problemas demais com a sua família e não precisamos ser acusados de deixar a filha de Russel Fabray pegar uma pneumonia. Venha, vamos tomar um chá! – Hiram disse com um ar bem humorado que acabou conquistando o marido, os dois abraçaram os ombros encolhidos de Quinn Fabray e a puxaram para dentro de sua casa.

Quinn não se lembrava de ter entrado em um ambiente tão aconchegante e acolhedor como aquele. A decoração clara, as fotos de uma família diferente, mas feliz, estavam espalhadas pela casa... Se aqueles homens eram as aberrações que seu pai dizia, Quinn não sabia o que era o normal. A ex-cheerio foi jogada em um sofá enquanto recebia um cobertor nos ombros e uma xícara de chá nas mãos. Leroy sentou-se a sua frente, com a expressão mais amena e comentou:

— Rach partiu ontem, estava muito animada. Prometeu a nós dois que não voltaria a Lima sem conseguir ao menos um papel coadjuvante na Broadway.

— Duvido que ela seja coadjuvante. – Quinn respondeu rapidamente, sem tomar plena consciência do que estava falando. Porém sorriu quando sentiu seu coração acelerar ao pensar em Rachel Berry. – Rachel brilha demais para ser ofuscada.

— Essa não me parece ser a Quinn Fabray com a qual estamos familiarizados... – Hiram disse com um ar brincalhão enquanto vinha da cozinha com uma xícara de chá para o marido e sentava-se ao lado dele, aconchegando-se de bom grado no abraço que recebia. – Rachel não tinha uma opinião muito favorável sobre você, apesar, é claro, de não te odiar. Nossa estrelinha é incapaz de odiar alguém.

— Ah sim, eu admito que ela tem razão em pensar qualquer coisa ruim a meu respeito... Mas a ausência faz as pessoas pensarem. – Quinn comentou mais para si do que para os dois homens, mas tanto Leroy quanto Hiram escutaram as palavras doloridas que saíram da boca da ex-cheerio. Os dois homens entreolharam-se desconfiados. – Eu só queria... Só queria desejar boa sorte a ela.

— Mas isso você vai poder fazer, pelo que andamos sabendo, você está na Faculdade de Medicina de Columbia, não é? – Leroy perguntou gentilmente, tentando fazer com que a loira ficasse mais a vontade. Quinn sorriu e agitou a cabeça afirmativamente:

— Sim e prometi a mim mesma que nunca mais voltaria a Lima.

Os três gargalharam das palavras disparadas com um pouco de ódio pela loira, Quinn queria se afastar daquela cidade, era uma perdedora e não precisava que Lima provasse isso a ela todos os dias. O silêncio pesado e inoportuno pesou sobre os três, Quinn sequer ousava desviar os olhos de sua xícara. Imersa em tantos pensamentos que mal podia raciocinar direito.

Estava na casa de Rachel, sentada com os pais dela falando sobre o futuro. Quinn não tivera essa conversa nem mesmo com seu próprio pai, Russel ficou abismado quando a filha disse que ia fazer Medicina e não aceitou, para ele, sua filha mais nova devia se casar com Finn Hudson, o mais novo orgulho da cidade e a mais nova promessa do futebol americano.

— Sem querer ser rude Quinn, mas o que você veio fazer aqui? – Esse foi Hiram Berry, perguntando com falsa curiosidade e já sabendo a resposta que viria a seguir. Quinn arregalou os olhos para a xícara e levantou-se rapidamente enquanto tropeçava nas palavras:

— Me desculpe mas... Eu... Eu tenho que... Tenho que ir!

— Você gosta dela, não é? – Dessa vez foi Leroy Berry que disse com um ar bondoso e sorrindo para Quinn, a loira estacou em um meio movimento entre tirar o cobertor de seus ombros e caminhar para a saída. Quinn respirou fundo e mordeu os lábios, contendo as lágrimas que vieram sem aviso aos seus olhos.

— Eu só... Só queria que ela me perdoasse, ao menos isso.

— Querida, você não tem que pedir perdão. – Leroy disse com um sorriso enquanto puxava Quinn para o sofá e abraçava os ombros da garota, a loira sentiu ali um ar paternal que sequer tinha sentido com o próprio pai. – Você fez o que fez porque nunca soube lidar com o que sentia. E pelo que eu conheço da minha filha, ela não quer seu perdão porque nunca julgou que ele fosse necessário.

— Eu não sei o que fazer! Eu queria vê-la, ao menos nessa última vez... – Quinn suplicou já entre lágrimas e sentindo-se abraçada pelo homem, Leroy fez carinho em seu braço enquanto Hiram sentava-se ao lado da garota e murmurava:

— Só vai ser a última vez se você quiser.

Quinn nunca soube quanto tempo ficou soluçando nos braços de Leroy e Hiram Berry, mas quando saiu da casa dos homens para uma noite estrelada de dezembro, ela marcou aquelas palavras em si. Não seria a última vez que veria Rachel.

E realmente, não foi.

Quinn mandou flores anonimamente para ela em todas as estréias, viu todos os espetáculos dos quais a diva participou sentada na primeira fileira. Viu todos os prêmios que Rachel Berry ganhou e estava lidando bem com isso até a própria aparecer desacordada em seu hospital.

Hiram era um homem sábio, Quinn recordava-se das últimas palavras dele ao deixar a casa dos Berry como se estivessem sendo ditas a ela naquele momento:

“Não tenha medo das mudanças e do amadurecimento. Se daqui a dez anos, você continuar a sorrir toda vez que ouvir o nome da minha filha, eu garanto pra você que a espera não terá sido em vão. Você é uma garota linda por fora e agora, nos mostrou um lado lindo por dentro... Não tenha medo de lutar por ela.”

E Quinn lutou, contrariando a sua razão e até mesmo seu coração, ela lutou e agora, a vida lhe trazia de volta. Para Hiram e Leroy Berry, a vida lhe trazia de volta para o seu lar. A vida lhe trazia de volta para Rachel.

Quinn sorriu quando sentiu que lágrimas de felicidade escorriam pela sua face, ela não saberia o que teria resultado se tivesse ido embora sem falar com os Berry naquele dia. Provavelmente estaria frustrada e casada com Finn Hudson, presa em Lima e pensando em como teria sido sua vida com Rachel.

As batidas na porta fizeram com que Quinn se assustasse, a loira arrumou o roupão em volta de si e ordenou para que fosse aberta, uma Santana desesperada e aflita entrou no quarto, carregando um notebook e esbravejando:

— Fabray, você está ferrada!

— O que aconteceu? – Quinn perguntou tão aflita quanto a amiga enquanto sentava-se ao lado dela na cama e a encarava com os olhos ardendo em curiosidade. Santana respirou fundo, procurando se acalmar, em seguida, olhou para a amiga em tom de aviso e anunciou:

— Saiu uma notícia sua na internet... Sua e da Rachel.

— Como assim? Mas ninguém sabia de nós... – Quinn murmurou vacilante, sem conseguir pensar racionalmente. Santana revirou os olhos, mandando a amiga ficar quieta com um gesto da mão e virou o notebook para Quinn. Os olhos da ex-cheerio arregalavam-se à medida que ela lia a manchete de algum site sensacionalista:

Quem é a loira misteriosa?

A grande diva atual da Broadway, Rachel Berry, tem sido vista freqüentemente acompanhada de uma loira misteriosa durante esse período de férias. Berry, que é conhecida pelo seu incontido desejo sexual, estava para se casar com o também ator da Broadway, Jesse St. James.

St. James, quando questionado sobre a noiva, apenas declarou que ele e Rachel Berry estavam afastados e que “acho que estou sendo enganado em rede nacional”. Já nós, pedimos para que a diva da Broadway pense bem sobre seu relacionamento com St. James, como todas sabemos, ele é o compromissado mais desejado do momento.

Quinn precisou reler a pequena nota mais de duas vezes, era apenas uma nota de imprensa e não apresentava imagem para ilustrá-la. Mas mesmo assim, Quinn sentiu um incômodo aperto em seu peito, sabia muito bem que agora, as coisas ficariam difíceis para as duas. Afinal, Quinn achava que estava relacionando-se com quem? Era Rachel Berry, afinal. Logo os flashes tomariam o relacionamento das duas.

A loira mordeu o lábio inferior enquanto era observada por uma Santana preocupada, Brittany entrou no quarto alguns segundos depois com uma expressão tristonha e sem saber muito que fazer. Quinn olhou para as duas, abriu a boca várias vezes e não conseguiu proferir uma palavra sequer... Então, seu celular vibrou e ela suspirou pesadamente quando viu que era uma mensagem de Rachel.

Nada mudou entre a gente, não é? Por favor... Não fuja. Eu preciso de você agora.

Quinn sentiu seu coração se apertar dentro de seu peito, a loira notou que estava ofegante enquanto olhava para o vestido que tinha escolhido usar no jantar daquela noite. Santana bufou impaciente quando puxou o celular da mão da amiga e leu a mensagem, passando para Brittany em seguida. O casal entreolhou-se com visível preocupação, mas foi Santana que deu voz a dúvida das duas:

— Você não vai bancar a Q covarde do ensino médio e deixá-la enfrentar tudo sozinha, não é?

— Claro que não, eu só...! – Quinn respondeu confusa, mas sem deixar de impor um tom de voz firme e agressivo. Deixar Rachel está fora de cogitação. Santana deu um sorriso orgulhoso e afagou o braço da amiga, Brittany abriu aquele sorriso meigo e inocente antes de anunciar:

— Ótimo, Q. Agora faça-nos o favor de ficar linda e ir encontrar sua mulher!

Quinn deu uma risada, precisariam de mais do que aquilo para separá-la de Rachel.

Quinn não se lembrava de ter se estado tão nervosa como estava naquele momento, nem mesmo quando disputava os campeonatos nacionais como cheerio e tinha que lidar não só com seu emocional, como também, com os gritos e ataques de Sue Sylvester. A loira respirou fundo e tocou a campainha dos Berry, ouvindo o carro de Santana e Brittany deixar a rua cantando os pneus. Subitamente sentiu-se solitária.

Quinn esperou cerca de cinco minutos, antes de ser recepcionada pela imagem mais bela que ela já vira. Rachel abriu a porta com um sorriso enorme, linda em um vestido preto simples, os cabelos estavam soltos e levemente ondulados e aquele mesmo sorriso de 1000 watts iluminava o rosto dela. Inevitavelmente, o queixo de Quinn caiu e ela disse impressionada:

— Você está incrivelmente e perfeitamente linda, Rachel.

— Eu não sabia que você podia ser tão galanteadora, Quinn! – Rachel respondeu enquanto corava um pouco e baixava os olhos, num sorriso mais contido. A ex-cheerio riu da expressão da diva e aproximou-se, Rachel a pegou em um abraço que imediatamente, acalmou os ânimos de Quinn.

Eu posso enfrentar qualquer coisa por ela.

- Estou sendo sincera, você é linda, Rach. – Quinn murmurou apaixonada no ouvido de Rachel, a morena apertou-a mais junto de si, sentindo seu coração acelerar enquanto sentia sua mente divagar e esquecer-se da fatídica notícia de minutos atrás. As duas afastaram-se meio incomodadas quando ouviram um pigarro.

Leroy Berry observava a cena com um sorriso nos lábios, Hiram aproximou-se segundos depois, já abrindo os braços e abraçando Quinn que não pode deixar um sorriso iluminar-lhe a face. Em seguida, Leroy apertou a mão dela e disse:

— Nunca imaginei que minha nora seria Quinn Fabray.

— Eu também não imaginava... – Quinn comentou entre risos enquanto sentia o homem a puxá-la para um abraço, Hiram aproximou-se da filha com um sorriso satisfeito e abraçou-a de lado. Rachel não conseguia parar de sorrir, parecia que ganhara 10 Emmys em uma só noite.

Como eu fui burra achando que podia viver sem amor.

- Bem, eu sei que o momento é emocionante e tudo mais. Mas acho que devíamos entrar, não queremos alimentar rumores, certo? – Hiram disse um pouco mais sério e preocupado enquanto olhava por cima dos ombros verificando senão encontrava alguma lente de câmera por perto, depois, empurrou todos para dentro.

Os dois homens foram para a cozinha, atrás de uma garrafa de vinho e algumas taças. Quinn não pode deixar de perceber o aroma delicioso que estava tomando a casa, a loira chegou até a fechar os olhos. Sentiu as mãos de Rachel envolverem a sua, a morena deu um sorrisinho e murmurou em seu ouvido:

— Eles estão surtando por causa desse jantar há dias, até brigaram por causa do prato principal.

— Céus Rach, seus pais são extremistas demais! É só um jantar. – Quinn disse um pouco nervosa, inevitavelmente, as duas se aproximaram novamente. Rachel passou um braço em volta da cintura da médica enquanto sentia Quinn afagar-lhe os cabelos. – Realmente, você tem a quem puxar.

— Isso é uma crítica, Fabray? – Rachel questionou com um ar divertido e afastando-se para olhar a loira, Quinn sorriu e afirmou com a cabeça. – Achei que você gostasse de tudo em mim, você mesma disse isso.

— Estou criticando, mas isso não quer dizer que eu não goste. – Quinn respondeu com um sorriso carinhoso, antes de beijar os lábios de Rachel levemente. E aquele beijo pareceu acordar Rachel (ou pelo menos avisá-la) de que o seu mundo não estava tão tranqüilo como aparentava estar, ela separou-se de Quinn um pouco antes da hora, a loira olhou-a confusa. Rachel afastou-se e sentou-se no sofá, massageando as têmporas e sentindo aquela dor de cabeça familiar.

— O que foi, Rach? – Quinn perguntou preocupada, observando as caretas de dor de Rachel, mesmo depois de alguns dias, ainda podia ser um reflexo da queda. Seu ar profissional falou mais alto, a loira aproximou-se e sentou-se ao lado da morena, tirando as mãos da morena e colocando as próprias no local. Rachel suspirou aliviada e disse:

— Não é nada, só estava pensando naquela notícia.

— Rach, não vamos falar sobre isso agora, eu vim aqui para jantar com seus pais... Depois nos resolvemos. – Quinn disse séria e calma, amenizando um pouco o estado emocional de Rachel. Ela diz uma palavra e me passa uma segurança que até me deixa lisonjeada. – E por mais que tenhamos ficado próximas nos últimos tempos, ainda sou sua médica e você anda abusando da sorte. Amanhã iremos fazer uns exames, só por precaução.

— Mas Quinn, eu estou bem! – Rachel resmungou contrariada e sentindo uma nova pontada na têmpora e fazendo uma careta em seguida, Quinn olhou impassível para ela e revirou os olhos. Nesse instante, Leroy e Hiram voltaram para a sala com duas taças de vinho com cada um, eles sentaram-se nos assentos em frente as duas com sorrisos enormes. Quinn deu um sorriso e murmurou sedutora no ouvido de Rachel:

— Se você não for comigo ao hospital pela manhã, vamos ter alguns desentendimentos à noite.

— Isso é trapaça! – Rachel exclamou inconformada e com os olhos ardendo em desespero. Leroy e Hiram entreolharam-se surpresos com a súbita atitude da filha, Quinn afagou o braço da morena e disse:

— Amor, você está assustando seus pais.

— E você está me assustando! – Rachel respondeu com um leve desespero na voz, a diva olhou para Quinn que lhe sorria sexy e irônica. A loira percebeu quando Rachel mordeu o lábio inferior tentando recuperar um pouco do bom juízo que lhe tinha fugido, ela afagou a bochecha da morena e murmurou:

— Eu sei que você quer mais, portanto, trate de me obedecer a partir de agora.

— Você está sendo malvada, Fabray... – Rachel murmurou fracamente enquanto tentava manter contato visual com Quinn, mas a loira estava sendo maléfica ao retribuir com tanto desejo. A morena corou quando Leroy disse entre risos:

— Querido, acho que temos uma greve de sexo aqui!

— Mas... O que...?! – Rachel gaguejou enquanto seus olhos se se arregalavam, pelo canto dos olhos, ela viu que Quinn estava rubra de vergonha. Hiram riu tanto que precisou enxugar as lágrimas que escorriam de seus olhos.

Ai céus, onde fui me meter?

***

Finn Hudson olhou para o copo que segurava com desdém, sabia que já não estava em seu estado mais sóbrio, mas mesmo assim, bebeu os últimos goles de whisky que tinha ali, o líquido queimou em sua garganta. Em seguida, respirou fundo e levantou os olhos para a TV do bar que passava algum jogo de futebol americano qualquer.

Desde que se contundira naquele fatídico primeiro jogo da temporada universitária e viu todos os seus sonhos serem destruídos na sua frente, ele nunca mais fora o mesmo. O rapaz estava amargo, irritante e uma fúria muda preenchia todo o seu peito. Isso sem mencionar todo aquele sentimento por Quinn e também, por Rachel. Ele nunca soube lidar com o coração e anos solitários, preso naquela cidade, não colaboraram em nada para seu amadurecimento.

Johnny que era o dono do bar atendeu prontamente ao pedido de Finn, ele queria beber mais, só não queria trazer problemas para o senhor. Finn estava cansado de ser jogado para fora do bar sempre que arrumava confusão e gritava a plenos pulmões que era o melhor quaterback da cidade.

Ele já fora o melhor quaterback, já fora a promessa do futebol americano... Mas tudo por causa de um momento, um único momento, ele fora reduzido a um simples mecânico enquanto via Kurt ser elogiado por revistas de moda famosas, Rachel tornar-se uma diva da Broadway e Quinn se tornar médica.

O que ele tinha conseguido com o final do Glee? Nada.

Ele odiava admitir, mas sentia saudades daquela época. Dos campeonatos, dos ensaios, da música... Finn Hudson queria voltar para o ensino médio.

— Se continuar a beber dessa forma, vou ter que te mandar para fora de novo. – Johnny avisou preocupado enquanto despejava mais um pouco de whisky no copo do rapaz, ele gostava de Finn e admirava a força de vontade do rapaz, qualquer um no lugar dele, teria surtado há tempos. Finn deu um sorriso torto e acenou afirmativamente, antes de deitar a cabeça sobre os braços e respirar fundo.

— Não se preocupe, cavalheiro... Se ele começar a dar trabalho, eu o tiro daqui antes que o senhor pisque os olhos! – A voz arrastada de Jesse St. James se fez ouvir no meio da bagunça do bar, Finn levantou a cabeça tão rápido que sentiu seu pescoço estralar, doendo em seguida. Finn olhou furioso para Jesse que lhe lançou um sorrisinho irônico e logo em seguida, perguntou:

— O que você está fazendo aqui?

— O mesmo que você, bebendo. – Jesse respondeu inocentemente, depois olhou para o barman. – Uma cerveja, por favor.

— Você não sairia do seu hotel de sei lá, 5 estrelas para vir aqui beber... O que você quer, St. James? – Finn inquiriu um pouco tonto por causa da bebida, o ex-quaterback fechou os olhos para retomar a calma e respirou fundo. Jesse bufou impaciente e tomou um gole da cerveja que acabara de ser colocada diante de si, depois respondeu frio:

— Você leu os sites de fofoca hoje, Hudson? Ah claro que não, é rude demais pra ler esse tipo de coisa... Mas a nossa sementinha do mal já foi lançada, temos que esperar a partir de agora.

— O que você fez? – Finn tornou a perguntar mais interessado agora que a conversa tomou o único assunto que eles tinham em comum: o romance entre Rachel e Quinn. Jesse deu um sorriso maldoso e satisfeito, depois respondeu orgulhoso do que tinha feito:

— Digamos que eu, acidentalmente, deixei a notícia de que estava sendo traído vazar... Veja bem, a mídia não sabe que eu e Rachel terminamos. Com essa notícia dela estar saindo com uma pessoa e uma mulher ainda por cima, Rachel vai ser pressionada a contar para mídia o que está acontecendo.

— Se você acha que Quinn continua covarde, se enganou. Quinn será capaz de assumir pra Deus e o mundo que ela está com Rachel, as aparências não importam mais para ela... – A voz de Finn possuía um pouco de orgulho e também, de temor. Jesse revirou os olhos, Finn era muito burro e não conhecia a mídia. O ator da Broadway deu um sorrisinho de lado e quando falou, sua voz tinha o mesmo tom que uma professora usava para explicar a uma criança de 3 anos que ela não devia xingar ou bater:

— Hudson, eu sei disso. Mas a mídia pode sufocar um relacionamento, ainda mais se tratando de Rachel Berry. Ela se importa demais com a carreira dela.

— Você que não está entendendo meu ponto. – Finn disse irônico e olhando Jesse com frieza e um pouco de desprezo, o ator da Broadway teve medo, mas não deixou transparecer. – Elas se amam, sempre se amaram e agora que estão juntas, vai ser muito difícil separá-las, eu não sei onde estava com a cabeça quando concordei com isso.

Jesse bateu a garrafa de cerveja no balcão do bar com uma força desnecessária, Johnny rapidamente olhou preocupado para os dois rapazes enquanto o restante dos clientes que estavam no balcão observavam a cena curiosos. Finn olhou firme para Jesse, parecia que a sua sobriedade estava voltando aos poucos, Jesse bufou repleto de raiva e disparou entre dentes:

— Finn, você está bêbado, começou a falar besteira e agora, está me irritando. Amor não existe, as duas só estão tendo uma experiência juntas!

— Fala por si, eu vou para casa. Pense no que eu te disse St. James, acho que nunca vamos conseguir separá-las. – Finn disse sombrio, jogou uma nota de 10 dólares no balcão e saiu dali meio cambaleante. Jesse jogou uma nota qualquer sobre o balcão e saiu em disparada atrás do ex-jogador. Os dois discutiram na frente do bar e foram tocados dali por Johnny.

Nem sequer notaram que Santana Lopez parara o carro no sinal próximo e comentava com Brittany S. Pierce (e futura Sra. Lopez-Pierce) o quão estranho era os dois estarem juntos, no bar. Quinn precisava saber disso.

***

— Leroy, será que eu podia falar com você e com Hiram a sós? – Quinn perguntou um pouco nervosa enquanto virava a taça de vinho, esperando que o líquido te desse um pouco mais de coragem. Leroy e Hiram entreolharam-se rindo, em seguida, deixaram a louça de lado e foram para sala.

Quinn virou-se para Rachel que a ajudava a guardar os talheres e pratos com um sorriso um pouco perturbado pelo nervosismo. A morena beijou os lábios de Quinn que estava trêmulos, não pode deixar de sorrir quando constatou isso. Quinn sorriu de encontro a boca de Rachel e perguntou, de olhos fechados e com a testa colada na testa da morena:

— O que foi, minha linda?

— Você está nervosa. Tudo isso é por minha causa? – Rachel perguntou entre risos, respirando o perfume de rosas de Quinn e tomando o rosto da loira entre as suas mãos. Sentiu Quinn gargalhar, a loira abriu os olhos e afastou-se da morena com delicadeza antes de dizer:

— Claro que é, por quem mais seria?

Rachel sorriu com as lágrimas chegando aos seus olhos. Ela beijou Quinn novamente e desceu as mãos para o braço da loira, apertou levemente ali e disse ao pé do ouvido da ex-cheerio:

— Obrigada.

— Pelo que? – Quinn perguntou confusa e com o sorriso sumindo de sua face... Rachel sorriu para os próprios pés, virou Quinn em direção a sala e a empurrou, mas antes da loira ir falar com Leroy e Hiram, a morena sibilou no ouvido dela:

— Por me amar.

Quinn pareceu ter esquecido todo o nervosismo. Foi com um sorriso que ela fechou a porta e virou-se para Leroy e Hiram Berry. Com toda certeza, os dois senhores tinham escutado a conversa, pois Hiram limpava as lágrimas e Leroy tinha uma expressão que entregava tudo, menos a seriedade que ele se esforçava em passar.

— Acho que sabem o que quero... – Quinn começou séria e segura de si, era como se todo o nervosismo tivesse deixado seu corpo no instante em que Rachel agradecera por amá-la... Quinn que tinha que agradecer por Rachel lhe trazer de volta a vida. – Vim pedir, aos senhores, a mão da filha de vocês em namoro. Posso?

Leroy e Hiram trocaram sorrisos entre si, deixando a emoção vir a tona. Eles se levantaram e abraçaram Quinn. A loira sorriu, sentindo o embrulho em seu bolso tornar-se mais leve.

Rachel andava de um lado para o outro, preocupada. Claro que fazia pouco tempo que seus pais entraram na sala de estar com Quinn e ela sabia que eles permitiriam, mas mesmo assim, ela estava nervosa. Eles estavam demorando demais.

Céus, esses três querem me matar!

Quando a morena finalmente se sentara, Leroy e Hiram saíram pela porta com uma expressão séria nos rostos. Rachel mordeu o lábio inferior com um pouco de agonia, afinal, onde Quinn se metera?

A sua loira saiu da sala com uma expressão impassível, Rachel aproximou-se dela, mas mantendo-se em uma distância segura. Quinn piscou para Hiram que, imediatamente, foi ao piano e iniciou uma doce melodia. Quando Rachel virou-se novamente para Quinn, ela sorria, a ex-cheerio tomou a mão da diva entre as duas e cantou doce:

This time, I wonder what it feels like

To find the one in this life,

The one we all dream of, but dreams just aren't enough,

So I'll be waiting for the real thing,

A melodia era desconhecida por Rachel... E a morena tornou-se séria subitamente, o que Quinn estava pretendendo? A loira riu diante da careta de confusão da futura namorada.

I'll know it by the feeling

The moment when we're meeting,

Will play out like a scene, straight off the silver screen,

So I'll be holding my breath, right up to the end,

Until that moment when,

I find the one that I'll spend forever with

Rachel pareceu entender do que Quinn falava, porque sua expressão mudou da água para o vinho. Ela estava surpresa naquele momento e ficou mais ainda quando Quinn tirou um embrulho do bolso e abriu a caixinha, revelando um delicado anel de prata.

'Cause nobody wants to be the last one there,

'Cause everyone wants to feel like someone cares

Someone to love with my life in their hands,

There's gotta be somebody for me like that.

Quando as últimas notas do piano cessaram, Quinn respirou fundo e colocou a caixinha de lado. Segurou o anel em uma das mãos e com a outra, tomou a mão de Rachel. Afagou o local, sorriu nervosamente e disse apaixonada:

— Sorte a minha que eu já encontrei essa pessoa, demorei a perceber que era ela... Mas a encontrei e agora, pretendo não perdê-la de vista. Portanto, Rachel Barbra Berry, aceita namorar comigo?

Rachel sequer deixou Quinn colocar o anel em sua mão, a morena pulou nos braços da outra murmurando “sim” em meio aos beijos que dava em Quinn. A loira sorriu entre os cabelos de Rachel, a morena afastou-se dela e ficou contemplando enquanto Quinn colocava o anel.

Selando a promessa de que estariam juntas para sempre.

— Eu te amo. – Rachel murmurou entre lágrimas, Quinn secou-as delicadamente e a puxou para os seus braços novamente, murmurando:

— E sou eu que tenho que agradecer por me ensinar viver de novo.

Notas finais
O que acharam? Mereço uns reviews pelo capítulo? E aviso: a partir de agora começa o drama gente. Então preparem os lenços (?)HSAUHUASHUASHASHAHUASU Por favor, reviews viu? Beijos e até o próximo capítulo.