You And The Stars

25 Infinite, Samantha Crimsey


Notas iniciais
Oi oi oi, deixei vocês curiosas no último capítulo, né? hmm vamos logo com isso. Particularmente, eu gosto desse capítulo e, antes que eu me esqueça, seria uma boa ideia vocês colocarem a música Yellow - Coldplay pra tocar no momento em que o Stonem dizer "Tchau". Vou deixar o link pra vocês. Espero que vocês gostem desse capítulo e coisa e tal, boa leitura e até lá embaixo.

Sociopata.

Era essa a palavra que haviam usado para descrever Nicholas Hunter Steiner. Preferi não perguntar seu significado, porque, não posso negar, eu tinha medo de saber.

Só que eu era o tipo de pessoa que não se aguentava por muito tempo. É, pois é, eu era o pior tipo de curiosa. Quando cheguei do tribunal, entrei no meu quarto e abri meu notebook. Joguei no Google “Sociopata”

"As características dos sociopatas englobam, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas (…) mentem exageradamente sem constrangimento ou vergonha, subestimam a insensatez das mentiras, roubam, abusam, trapaceiam, manipulam (…) e, decididamente, nunca são capazes de se corrigirem. (…) Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência normal ou acima da média. “

Bem, bela merda.

Se Nico era isso ou não, ele havia me feito perder a noção completamente. Quero dizer, não era como se naquela noite eu não queria ele, eu só não tinha o controle do meu emocional. E naquele dia no mercado, eu com certeza não havia sido nenhuma santa. Será que isso era considerado estupro como todos falavam? As coisas seriam mais simples se no momento eu não estivesse completamente chapada. A pena de Nico dependeria muito de mim. E no momento, ele estava a solto por aí, vandalizando. Claro que ele não podia sair da cidade e era monitorado pela polícia. Se bem que não fazia muita diferença, sabe? Eu não deixaria ele ser preso.

Mas pensando melhor, talvez ele fosse um sociopata, pelo menos aquele papinho no mercado sobre eu não ser o tipinho de Matthew e mimimimi, com certeza ele estava blefando. O cara nem me conhecia.

Como se eu já não tivesse problemas demais, Will havia simplesmente virado a cara para mim. A não ser por Matthew, eu estava completamente só. Mas não era a mesma coisa. Não era nem perto.

Sabe aquele tipo de pessoa que simplesmente não tem como substituir? Aquele tipo de pessoa que mesmo depois que ela se vai, o buraco no peito onde ela costumava ficar permanece? Era exatamente isso. Quanto mais tempo Will e eu ficávamos sem nos falar, mais deprimida eu ficava.

— Samantha, presta atenção, cacete — reclamou Matthew. — Isso dói!

— O quê? — murmurei distraída.

Ele bufou e baixou os olhos para a região do seu peito nu. Eu estava com as mãos, puxando os pouquíssimos pelos que ali habitavam.

Dei uma risada sem graça.

— Desculpe — alisei a região.

— Tá pensando no quê, garota? Na morte da bezerra? — disse ele, com um sorriso irônico.

Estávamos no meu quarto, víamos alguma série na televisão, aliás, ele via, eu não.

— Desculpa! — falei, irritada. Me afastei dele.

Ele deveria me agradecer por eu estar tirando aqueles pelos broxantes, não ficar todo bravinho.

Matthew puxou minha mão em tempo. Puxou com tanta força que eu caí diretamente em seus braços.

— Quer conversar? — perguntou docemente, aproximando nossos rostos.

— Conversar sobre o quê? Que droga, Stonem.

Ele não perdeu a paciência.

— Há uns dois dias que eu percebi que você tá chateada. O que aconteceu?

— Há uma semana que eu percebi que você age como se tivesse visto um fantasma. O que aconteceu? — perguntei afinando a voz só pelo prazer de ser irritante.

— Perguntei primeiro — sorriu e mostrou a língua.

— Você é infantil — falei séria, mas acabei sorrindo ao vê-lo olhando para mim com tanta ternura.

— E aí? Vai me falar, ou não? — disse.

Suspirei. Como eu podia falar que eu sentia falta de outro garoto? Como eu podia dizer para ele que eu tinha um enorme buraco no peito, impreenchível, onde outro garoto costumava ficar? Um garoto que nunca, nunca conseguiria ser substituído. Exatamente, eu não podia.

Antes que Matthew insistisse mais no assunto, calei a boca dele com um beijo. Peguei-o de surpresa, porque ele hesitou, mas não resistiu e seguiu o meu ritmo frenético. Matthew alisava minhas costas, subia e descia as mãos dos meus cabelos até o final do meu dorso. Subiu em cima de mim, e eu passei as pernas em volta dos seus quadris. Sua boca abandonou a minha e começou a explorar meu pescoço, me fazendo soltar alguns gemidos baixos, depois traçou uma linha até a minha boca, beijando-a sem calma e com toda a vontade.

— Isso já tá virando rotina — sussurrei em seu ouvido. Mordi o lóbulo da orelha dele.

— E isso é ruim?! — disse baixinho, brincando com a barra da minha blusa.

— Talvez — murmurei.

Matthew soltou a barra da minha blusa. Desabotoou meu jeans e voltou para a minha blusa. Começou a tirá-la lentamente e numa fração de segundos, empurrei-o para o chão, que caiu com um baque.

— Ai… — gemeu ele, de dor. Matthew me encarou, parecia magoado.

Fechei os botões do meu jeans e arrumei minha blusa.

— Matth… sinto muito. Ainda é um pouco cedo para isso… — falei com a voz embargada. Um pouco cedo?! Não estávamos namorando, trocávamos uns beijinhos aqui e ali há somente uma semana. Uma semana!

Pulei da cama e o ajudei a se levantar.

— Você não tá bravo comigo, tá? — perguntei.

Matthew suspirou.

— Não.

Peguei a mão dele e o puxei até a cama.

— Deita aqui comigo — murmurei.

Nos deitamos na cama, de conchinha. Fechei os olhos.

— Sam — ele deu um beijinho no meu pescoço —, tenho que ir. Você sabe, estamos no seu quarto, e você divide ele com mais duas pessoas.

Demorei um pouco pra responder.

— É… tem razão — falei por fim.

— Ei, Sammy, eu vi que sua calcinha é rosa — provocou.

Dei uma risadinha.

— Você nunca vai deixar de ser idiota.

— Seu idiota — sussurrou.

— Meu — me peguei murmurando, para mim mesma.

— Seu — disse. — Mais tarde a gente se vê. Quem sabe olhar as estrelas?! Eu sei que você adora. Aí talvez você se sinta melhor pra conversar.

— Talvez — falei. — E o mesmo vale pra você.

Matthew se sentou na cama, beijou minha testa.

— Seu idiota tá indo. Tchau.

Ouvi ele fechar a porta do quarto ao sair.

(Yellow — Coldplay)

Continuei deitada durante muito tempo. Bem, não sei se durante muito tempo, mas por um tempo razoavelmente longo. Fiquei encarando o teto. Acima de mim, havia um ventilador, que aliás, era completamente inútil, pois no quarto tinha ar-condicionado. Fiquei olhando-o, mas não olhando-o exatamente, olhava-o sem dar atenção, ah foda-se, você entendeu.

O interruptor ficava na parede, acima da cabeceira da cama, perto de mim. Estendi a mão e o liguei. E continuei encarando-o, enquanto ele girava acima de mim — vocês devem pensar que eu era uma retardada. — Só que, na real, não era naquele ventilador que eu pensava. Era no Will. Maldito Will.

Enquanto o ventilador girava, eu senti alguma coisa cair em mim, algum pó. primeiro caiu nas minhas pernas, e depois no meu nariz. Franzi o cenho. Estendi a mão e limpei meu nariz. Era algum pó acinzentado. Cheirei.

Cinzas.

Por que porra de coisa havia cinzas no ventilador, produção?!

Certo, eu acho que já falei que eu era uma curiosa da pior espécie.

Desliguei o ventilador e me levantei na cama, tentando alcançar o ventilador, mas muito provavelmente eu era baixa demais. E isso era uma bosta, ser baixinha demais, porque em algumas ocasiões, você vira um inútil.

Pulei da cama e peguei um banquinho no chão e o coloquei na cama. Subi na cama e no banquinho. Para eu cair, era questão da minha falta de jeito, o que, por sinal, era total.

Alcancei o ventilador, minhas mãos exploraram hélice por hélice, na parte de cima dela, e eu quase caí de susto quando minhas mãos se fecharam em alguma coisa. Agarrei aquilo. Pulei do banquinho, caindo na cama.

Bem, ali estava uma coisinha interessante.

Era um caderno preto. Ou metade de um. O.k, obviamente o dono dele havia queimado-o. A capa estava metade queimada, e boa parte dele havia perdido um pouco da tonalidade. Cinzas saíam e iam para as minhas mãos.

O cheiro.

Foi aí que eu me toquei. Um dia atrás eu havia acordado pensando em estar sentindo cheiro de fumaça. E estava, mas o cheiro tinha passado logo.

As queimaduras do caderno eram recentes. Ontem mesmo ele havia sido queimado. Mas provavelmente a pessoa tinha desistido, e largado o trabalho pela metade. Tinha escondido ele ali, no ventilador, porque deve ter pensando que nunca ninguém iria usá-lo mesmo.

Cruzei minhas pernas e coloquei o caderno no centro. Joguei meus cabelos para trás dos ombros.

Beleza, uma coisa era eu descobrir o caderno, outra coisa era fuçá-lo. Mas se aquele caderno tava no quarto que eu dividia com a Emma e o Will, ele deveria ser da Emma. Will não me esconderia aquele caderno, não mesmo!

Ah, que se foda! Eu leria aquele caderno e é isso aí.

Abri o caderno, uma foto caiu. Ei, aquilo era algum tipo de macumba? Porque se fosse, pode parar a palhaçada, macumba só pega em quem acredita. E eu não acreditava.

A foto era de mim. Era antiga e parte dela havia sido pega pelas chamas. E ela estava bem amarelada. Eu sorria. Eu me lembrava daquela foto, e eu acho que eu sabia quem havia tirado.

Avancei mais uma página.

"Simples assim. De centenas de quilômetros por hora ao repouso em um nanossegundo. Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão."

Reconheci a frase como do livro Quem é você, Alasca?

Will tinha lido aquele livro, ele que havia me emprestado a droga daquele livro! E eu reconheceria a droga daquela caligrafia que havia escrito aquela porcaria de citação até mesmo no inferno.

Senti meu olhos começarem a arder e serem embaçados pelas lágrimas, mas continuei avançando páginas.

"Olhe as estrelas

Veja como elas brilham para você

E para tudo que você faz

Sim, e elas eram todas amarelas

Eu progredi

Escrevi uma canção para você

E para tudo que você faz

E ela se chamava “amarelo”

Então eu esperei a minha vez

Que coisa para ter feito

E era tudo amarelo

Sua pele

Sim, sua pele e seus ossos

Transformaram-se em algo bonito

Você sabe?

Você sabe que eu te amo tanto

Você sabe que eu te amo tanto

Eu nadei

E superei as barreiras por você

Que coisa a se fazer

Porque você era toda amarela

E estabeleci um limite

E estabeleci um limite para você

Que coisa a se fazer

E era tudo amarelo

Sua pele

Sim, sua pele e seus ossos

Transformaram-se em algo bonito

E você sabe

Por você eu daria todo o meu sangue

Por você eu daria todo o meu sangue

É verdade, veja como elas brilham para você

Veja como elas brilham para você

Veja como elas brilham para

Veja como elas brilham para você

Veja como elas brilham para você

Veja como elas brilham

Olhe as estrelas

Veja como elas brilham para você

E para tudo que você faz”

Eu também reconhecia aquela música. Era Yellow — Coldplay. Eu amava aquela música, que por sinal, Will havia baixado no meu celular para mim!

Soltei um soluço baixo. Virei outra folha, e dessa vez a foto que caiu nas minhas mãos era uma minha dando um beijo na bochecha de Will. E ao lado, nas entrelinhas, tive certeza aquilo tinha saído dele:

"Quando a vi pela primeira vez, jurei que eu ia levar um soco. Mas não. Demorou uns bons bocados para arrancar um sorriso dela. Mas arranquei. Era o sorriso mais simplório e exultante que eu já havia visto (...)
Pode parecer ridículo e até mesmo patético uma pessoa de 15 anos estar sentindo essas coisas, assim, sabe, em um nível tão alto. Mas é verdade (...)
Primeiro, ela posicionou o violão ao corpo, dedilhou uma ou duas cordas e enfim, começou. Meu estômago saltou, e provavelmente minha boca ficou aberta em "o". Meio ridículo, eu sei.
Não pensei em nada para falar. E ela deve ter me achado mais cretino ainda, porque fui embora completamente emudecido. Mas como uma piada a isso, meu coração estava cheio e corrompido, batendo e retumbando a um ritmo que há 4 minutos antes eu desconhecia. Eu estava apaixonado pela primeira vez. E naquele momento, eu soube que duraria para todo sempre. Ou o quanto o infinito durasse"

As lágrimas começaram as escorrer do meu rosto. Fechei o caderno.

Escutei passos e em seguida abriram a porta. Ergui a cabeça e fitei o garoto que eu costumava chamar de melhor amigo.

Notas finais
É. A verdade sempre vem a tona, não importa o quanto você esconda e negue. Mas gente, que tal vocês começarem a mudar de time novamente? #TeamSill aceitam novos membros ao grupo! E então, pessoas? O que vocês acharam do caderninho? Sentiram inveja da Sam? NINGUÉM NUNCA FEZ UM CADERNINHO DIZENDO QUE ME AMA, PORRA. Vou ir ali tomar Kboa, 2bjs. Bem, bem, agora sem mais dramas, o que vocês acham que a Sam vai fazer? Matthew vai ficar pra escanteio? Nicholas é um sociopata ou só um vagabundo mesmo? Matthew só quer comer a Sam? Não deixem de comentar. Beijos, amo vocês