You Again...
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Então... eu queria ter postado antes, porque vocês são lindos e me encheram de comentários, mas com a escola não deu... Mas tá aqui o novo cap. Boa leitura.
Eram seis e meia da tarde e Santana ia acordando aos poucos. Ainda com os olhos fechados, escutava de longe o som da televisão. A morena sentiu o movimento de dedos acariciando seus cabelos levemente e o cheiro do perfume de Brittany era presente no ar.
Os olhos castanhos se abriram devagar, apenas para encontrar as íris azuis lhe fitando com um sorriso no rosto. Santana não pôde deixar de devolver o sorriso.
“Oi” Brittany falou em tom baixo.
“Oi...” A morena respondeu com a voz rouca e se espreguiçando, ainda deitada no colo da loira. “Que horas são B?”
“Seis e meia.” Brittany respondeu. O sorriso bobo ainda em seu rosto.
Santana levantou e logo sentiu falta do calor da loira. “Você chegou faz muito tempo?”
“Eram umas cinco horas...”.
“Porque você não me acordou?”
“Pra que eu iria te acordar? Você estava linda dormindo.” Brittany disse dando de ombros.
Santana corou imediatamente. E fingiu não ouvir a última parte do que Brittany havia falado. “Eu vou... Eu vou tomar um banho e depois eu começo a fazer o jantar” Ela falou já levantando do sofá.
“Não precisa San.”
A latina virou a fim de encarar Brittany com um olhar confuso.
“Não precisa fazer o jantar hoje, vamos sair pra jantar fora. Eu não quero que você seja minha cozinheira particular pra sempre.” Brittany disse sorrindo.
“Britt, eu realmente não me importo de cozinhar.”
Ela não se importava mesmo. Mas o que ela não queria naquele momento era ter um jantar fora de casa com a loira.
“Eu sei que você não se importa, mas eu quero te dar uma folga, ficar trabalhando com os papéis do estúdio já é cansativo, você não precisa ficar fazendo comida pra gente. Qual é Santana é só um jantar fora de casa!”
A latina suspirou. “Tá bom B, a gente vai jantar fora então.”
Brittany sorriu.
Santana já estava começando a pirar, o pensamento de jantar fora com a loira a apavorava.
Ela ia para o banheiro, mas a voz de Brittany a parou de novo.
“Ah é, esqueci, a Quinn e a Rachel vão junto.” Brittany falou.
Santana’s POV
Soltei o ar que eu nem sabia que estava em meu pulmão.
Ótimo, pelo menos não seríamos só nós duas.
Fui para o banheiro a fim de tomar banho.
Assim que entrei no chuveiro comecei a me ‘afogar’ em pensamentos.
Eu precisava contar para alguém sobre o beijo, ficar com aquilo só pra mim era horrível, mas pra quem é que eu ia contar? Quinn é a melhor amiga de Brittany, Rachel é namorada da Quinn, eu não conhecia as pessoas do estúdio para falar uma coisa dessas pra qualquer um deles. E Brittany, que é... Minha melhor amiga, é a razão pela qual eu estou nisso, então ela não é uma opção.
Eu complico demais as coisas...
A loira na sala era a pessoa mais amorosa, carinhosa, linda e perfeita do mundo. Porque que é que eu não conseguia deixar o que minha mãe me ensinou pra trás e apenas ficar com ela?
Essa pergunta já tinha resposta. Minha mãe era uma pessoa muito boa, ela era a melhor mãe que alguém poderia ter. E a única coisa que ela não aceitaria que eu fosse era homossexual.
As palavras de mi madre ainda estavam gravadas em minha cabeça.
Flashback on
Santana estava passeando pelo shopping com a mãe, a menina tinha treze anos.
A latina andava distraída, conversando com a mãe animadamente sobre um filme que estava passando no cinema, que não percebeu a cena em sua frente.
Mas sua mãe viu e puxou a filha para o mais longe possível.
A latina mais velha apontou para o banco onde duas mulheres estavam abraçadas e sorrindo.
“Está vendo aquilo mi hija?” Maribel perguntou a latina menor.
Santana assentiu ainda confuso com o porquê de sua mãe a ter afastado das mulheres.
“Isso é errado, muito errado. Nunca, Santana, nunca faça isso. Isso é contra Deus mi hija, e não aceito isso! Nunca seja uma dessas, essas pessoas são do demônio Santana!” A latina mais velha falou seriamente.
Santana assentiu novamente.
Maribel sorriu. “Agora vamos mi amor, eu vou te levar para assistir esse bendito filme!”
A latina sorriu e fingiu esquecer o que sua mãe havia dito.
Flashback off
Eu ainda lembro a cara que minha mãe fez ao ver aquelas duas mulheres. O olhar acusador e enojado.
Sempre achei aquilo um pouco exagerado demais, afinal elas eram pessoas iguais a nós e mereciam ser felizes tanto quanto nós. E ao conhecer Brittany, eu sabia que tudo o que minha mãe me ensinara estava errado. Brittany é uma pessoa maravilhosa, sendo ou não gay.
Mas eu não consigo ser assim, eu não tenho coragem pra lidar com metade do mundo falando que é errado.
E eu estaria fazendo a única coisa que mi madre me disse para não fazer. Apesar disso, minha mãe era muito boa, e eu não queria fazê-la ficar triste comigo, mesmo que ela já estivesse morta.
Batidas na porta me tiraram de meus devaneios.
“San, você tá viva?” Brittany perguntou levemente preocupada.
Sorri. “Sim Britt, eu estou viva.” Desliguei o chuveiro e me dirigi ao quarto, enrolada na toalha.
Brittany estava deitada em minha cama. Corei com o olhar que ela me deu assim que saí do banheiro. Mas graças ao meu tom de pele, eu imagino que ela não tenha notado.
Ficamos em silêncio por alguns segundos. Ela parecia hipnotizada.
E eu não iria me trocar na frente dela. De jeito nenhum.
A campainha tocou e ela pareceu sair de seu transe.
“É... eu vou... eu vou atender a porta.” Ela falou embolada e saiu rapidamente do quarto, com as bochechas vermelhas.
O sorriso em meus lábios não pôde ser contido, ela ficava tão fofa quando corava daquele jeito.
Me troquei sem pressa e quando saí do quarto em direção á sala a cena no sofá, de algum jeito me deixou com ciúmes.
Brittany estava deitada com a cabeça no colo de Rachel e os pés em Quinn.
A loira tinha a mania de deitar no colo dos outros, mas nas últimas semanas essa pessoa era eu e ver ela deitada em cima de outra, mesmo que eu soubesse que Quinn e Rachel eram apenas amigas de Brittany, me deixava desse jeito.
Eu sabia que estava sentido algo por Brittany, algo muito forte.
Eu só não queria admitir isso, eu não queria que isso fosse verdade.
Mas a cada dia, estava mais difícil, e com o beijo, isso piorou.
Eu precisava contar para alguém, eu precisava de alguém que me ajudasse. Mas quem?
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