Yoru no Hana

14 Quatro palavras


Capítulo 14 – Quatro palavras.

Era véspera do festival.

O jovem pesquisador havia passado aqueles últimos dias antes do festival e de sua partida assistindo os ensaios da peça que Melissa participaria. Ele adorava aqueles momentos pois além de poder apreciar o belo texto e trabalho de direção de Mandy ainda podia observar Melissa sem nenhum constrangimento. Ficava a observando por horas á fio, apenas apreciando sua beleza e delicadeza.

Porém não eram somente coisas boas que haviam acontecido naqueles últimos dias de sua visita na cidade de Uethon. Infelizmente, depois de reatar sua amizade com Melissa e se desculpar por suas grosserias e insensibilidade,teve de se controlar diversas vezes para não voltar a ter uma recaída de sua antiga personalidade nos seguintes dias em que Johan resolvera assistir os ensaios também. Gary chegou a conclusão que Johan havia percebido que mesmo com a doença á seu favor, Gary ainda era o “favorito” naquela disputa pelo coração da jovem neta do professor Darrow. Qualquer um que observasse aqueles dois garotos por alguns segundos poderiam entender perfeitamente a rivalidade que existia entre os mesmo. Eram olhares ameaçadores, repletos de raiva e competitividade.

Gary havia tomado uma decisão. Por mais que soubesse que até provar á Melissa que Johan era um mentirosos( se é que , realmente, era.) não poderia ter completamente o coração dela, ele decidiu não desistir. A esperança que Johan estivesse a enganando estava viva no coração, e se conseguisse provar isso, seu caminho estaria completamente livre.Johan seria carta fora do baralho. Gary estava otimista, principalmente depois das conversas que teve com o loiro naquela semana. Diversas vezes entre a conversa, quando o assunto era a doença dele, o loiro se complicava com as palavras, omitia informações e até mesmo se contradizia. Pequenos deslizes que para Gary eram sinais de sua futura vitória.A decisão que tomara foi: Ele continuaria tentando. Investiria o máximo em Melissa e a conquistaria mais e mais a cada dia que passasse.

Outra coisa que o atormentara durante aqueles últimos dias era a idéia de que seu tempo em Uethon estava acabando. Ele não gostava de lembrar, mas sabia que em breve deveria partir daquele lugar e conseqüentemente deixar Melissa sozinha, nas mãos de Johan. Aquilo o torturava, mas ele não tinha escolha. Em breve teria de voltar ao laboratório e recomeçar as pesquisas com os pokémons pré-históricos, afinal, não teria férias para sempre. Ele olhou para ela, que ensaiava naquele momento uma sena com várias outras meninas. Sentiria falta do sorriso daquela morena.

O último ensaio chegou ao fim. Todos iam embora para suas casas descansar para o dia seguinte em que finalmente seria o festival. Na casa de Mandy só restaram quatro pessoas. Melissa, Gary, Kevin e a própria Mandy. Kevin era o par romântico de Melissa na peça e, coincidência ou não, namorado de Mandy. Gary havia sido apresentado á ele por Mandy no dia anterior porém já haviam se tornado amigos. Eles jantaram juntos e depois saíram da casa de Mandy e foram para a praça da cidade, onde sentados em um banco ficaram conversando por um bom tempo.

O céu já estava escuro á muito tempo. Estrelas brilhavam reluzentes em meio à imensidão negra, o que denunciava que o dia seguinte seria ensolarado e belo.

- É verdade que você vai partir depois do festival, Gary? – Quem perguntou foi Mandy com certa tristeza na voz.

Melissa abaixou o olhar ao ouvir a pergunta. Ela odiava se lembrar daquilo.

- Infelizmente sim, Mandy.... Alias, já era para eu ter ido embora, mas resolvi ficar até o festival. Minha pesquisa com o professor Darrow já acabou.. E daqui a pouco eu tenho que voltar ao trabalho.

- Entendo. É uma pena. Vamos sentir saudades de você por aqui...

- Mandy está certa. Você fará falta. – Completou Kevin.

- Acreditem, vocês também farão a mim. Essa foi uma das melhores cidades que já visitei.

- Que bom que deixaremos boas lembranças á você!

Ele sorriu.

- Bem.. Acho que está tarde, não é? – Indagou Melissa até então quieta. – Acho melhor irmos logo...- Ela se levantou do banco.

- Melissa está certa. Estátarde e amanhã é o dia! – Gary se levantou também.

- É.. Eu também vou. – Comentou Kevin.

O casal de namorados se levantaram de mãos dadas. Kevin selou os lábios de Mandy em um curto e doce beijo de despedida e boa noite, se afastando logo. Garyse despediu de Kevin, com um aperto de mãos, e de Mandy com o beijo na testa da garota. Melissa também se despediu com abraço e beijo em ambos os amigos. Kevin seguiu para sua casa e Mandy fez o mesmo. Melissa e Gary começaram a andar pela cidade em direção ao laboratório do professor Darrow. O dia havia sido cansativo para Melissa que já estava desanimada só em lembrar de que a casa de seu avô ficava um pouco longe da cidade. Gary pegou em seu cinto uma pokebola e jogou-a no ar. Pidgeot surgiu rasgando o ar com suas imponentes asas.

- Quer uma carona? – Indagou Gary voltando o olhar para Melissa e estendendo-lhe a mão.

Ela sorriu e segurou a mão dele. Os dois correram em direção ao pokémon pássaro que era suficientemente grande para levar os dois. Gary segurou Melissa pela cintura e a levantou colocando-a sentada no Pokémon. Gary montou em seguida, logo atrás de Melissa. O pesquisador segurou-a para que ela não caísse e ordenou que Pidgeot levantasse vôo. A primeira reação de Melissa foi um grito , uma mistura de felicidade, ansiedade e medo.

- Tem medo de altura? – Gary a perguntou, sussurrando aos pés do ouvido dela.

Ela sentiu um frio na espinha com aquele sussurro de Gary. Anuiu.

- Não precisa ter medo.. Eu estou te segurando.

Ele envolveu os mais os braços na cintura dela enquanto o pokémon ganhava altura em meio aquele céu. Ela não queria assumir mais estava gostando daquela proximidade de Gary, da delicadeza com a que ele a tratava, com a atenção, os carinhos...

O pokémon estabilizou-se no céu. Agora era somente seguir reto. Gary pousou o queixo sobre o ombro de Melissa e eles ficaram observando por um tempo as estrelas. Por um minuto ela achou que seria capaz de toca-las, estavam tão próximas e tão longes ao mesmo tempo.

- É tão lindo...

- Concordo.. É perfeito.

- Obrigada por esse passeio...- Eles sorriram juntos e continuaram em silêncio.

Gary desviou o olhar das estrelas para o rosto de Melissa. Aos poucos fechou os olhos e deixou-se levar por aquele momento. Ainda abraçado á ela, ele roçou seu rosto nos ombros da garota, sentia o cheiro delicado e perfumado dela... Era nostálgico. Beijou o ombro e deslizou os lábios para o pescoço da mesma. Ela fechou os olhos sentindo aqueles carinhos e beijos. Gostava daquilo, era uma sensação ótima. Deliciosa.

- Gary... – Ela murmurou em uma tentativa frustrada de manda-lo parar.

Ela sentia seu corpo tremer, queria tentar fazer ele parar com aquelas caricias mais ao mesmo tempo desejava que ele não parasse por nada.Ele deslizou os lábios para a orelha da garota e mordeu de leve a mesma. Sentiu novamente um arrepio na espinha, como era que ele conseguia deixa-la naquele jeito?

- Para... – Ela tentou mais uma vez.

Ele se afastou um pouco, mais continuou abraçado. Sabia que ela não queria que ele parasse, mesmo com todos aqueles pedidos. Ele sorriu e apenas manteve-se ali, quieto. Não demorou e já avistava am luzes da casa de Darrow. O pokémon começou a perder altura com intenção de pousar. Enfim chegaram. Gary foi o primeiro a sair do pokémon, em seguida, ajudou Melissa. Ele a pegou no colo e a levantou, colocando-a no chão delicadamente e “acidentalmente” aproximando-a o máximo dele, chegou a roçar seu nariz na bochecha da morena mais ela logo se afastou completamente corada.Não podia se deixar levar por aquele homem, afinal, não podia amá-lo.

Após chamar Pidgeot novamente para a pokebola, ele seguiu Melissa para dentro da casa. Estava tarde e Darrow já dormia. Entraram na casa em silencio, e nem sequer acenderam as luzes. Os dois subiram com cuidado as escadas, fazendo o mínimo de barulho. Gary entrou em seu quarto e Melissa o seguiu. Fechou a porta para poder falar com Gary sem correr o risco de acordar o avô.

- Amanhã vou sair cedo para ajudar na organização da festa. Você não precisa ir.. Depois eu volto para casa para me arrumar para o festival.. Daí vamos juntos para lá, tudo bem?

- Está certo. – Gary sorriu.

- Ahn.. Então ta. – Ela desviou o olhar levemente para os lados. – Boa noite...

Envergonhada beijou o rosto dele. Não que aquilo fosse uma coisa que a envergonhasse, porém com todas aqueles carinhos deles á poucos minutos atrás, ela se sentia envergonhada até mesmo de ficar ao lado dele. Ela já ia saindo quando se sentiu presa. Olhou para seu pulso e constatou: Gary a segurava pelo pulso e a encarava. Ela o fitou procurando uma justificativa para aquilo.

- Não, não é isso que eu quero.... Quero que me dê um verdadeiro beijo de boa noite...

Ele a puxou para si e a prendeu com um abraço. Beijou-a com determinação, colando seus lábios ao dela. Não agüentava mais aquela brincadeira toda... Se eles se amavam porque não poderiam demonstrar aquilo? Por causa de um idiota com uma doença que eles nem sabiam se era verdadeira? Era injustiça. Ela tentou se afastar, bateu nas costas dele tentando se soltar daquele beijo, mais ela o desejava tanto quanto ele. Aos poucos se deixou envolver por aquele sentimento, perdia-se entre aquele beijo. Ela deslizou as mãos pelas costas dele e o acariciou. Ele continuava a prende-la contra seu corpo, não queria a soltar de jeito nenhum. Aquilo se tornava cada vez mais provocante, entre os beijos, mordiscadas de leve nos lábios faziam os dois quase perder o controle daquela situação.Ele deslizou os lábios pelo rosto dela chegando ao pescoço onde começou a alternar as caricias entre beijos e mordiscadas. Ela mantinha os olhos fechados, afagando-lhe os cabelos com carinho e apreciando aqueles beijos em seu pescoço. Era uma situação irresistível.

Ele escorregou as mãos pela cintura da garota, explorando milímetro á milímetro daquele corpo tão belo que ela possuía. Começava a levantar lentamente a blusa que a garota usava, sentia seus dedos tocarem a pele nua e macia de suas costas, e seu coração palpitar cada vez mais rápido e ansioso. Novamente direcionou o rosto para a ouvido da garota, roçando levemente seus lábios de maneira provocante, sussurrou.

- Eu te amo...

Ela surpreendeu-se com aquelas palavras, não esperava aquilo de Gary... Desejava, mais não esperava. Parou de acaricia-lo, trouxe as mãos para frente,e empurrou-o com toda a força que possuía. Ele caiu no chão sentado, fitando o rosto da garota assustado.

Ela segurava o choro, não queria chorar novamente na frente dele. Ela avançou em cima dele segurando-o pela gola da camisa, como se quisesse brigar com ele. Ele apenas a fitou, aguardando algo que nem mesmo ele sabia exatamente o que era.

- Idiota.... – Ela murmurou e pausou, respirando fundo e tentando conter as lágrimas que teimavam em escapar de seus olhos. – Você não pode fazer isso comigo... Eu não posso amar você... – Ela disse quase desesperada.

Gary sorriu e levou uma das mãos a cintura da mesma.

- Você me ama? – Ele indagou em um tom divertido.

- Não.- Mentiu.

- Bobinha... Porque tenta se enganar?

- Não tento me enganar....Eu só não posso. Você sabe que..

- Shiiiu... – Ele disse levando um dos dedos aos lábios dela.– Chega.. – Sussurrou tentando acalma-la. – Eu não te obrigarei a nada, você sabe disso.- Escorregou os dedos pelas bochechas da garota a acariciando levemente. -Fique comigo aqui.. Não farei nada, eu prometo. Só quero que fique ao meu lado essa noite.

Ela largou agola da camisa dele e deixou os braços caírem ao longo do corpo. Ele a abraçou carinhosamente e ela apenas fechou os olhos permitindo aquele ato. Gary se levantou aos poucos, segurando-a em seus braços.Levou-a até a cama onde a deitou, logo se deitou ao lado dela. Os dois ficaram de lados na cama, fitando um ao outro. Ele fechou os olhos levemente quando sentiu a mão quente e aconchegante de Gary deslizar por seu rosto.

- Diz que me ama? – Ele pediu.

- Eu não posso...

- São apenas quatro palavras...

- Não posso...

- Não pode, mas sente. Então porque não diz logo?

- O que adiantaria eu dizer?

- Me faria feliz.

- Mesmo sabendo que é impossível?

- Mesmo sabendo que é impossível. – Respondeu fechando os olhos e aproximando seu rosto do dela. Encostou seus lábios aos dela, porém não a beijou. Apenas ficou imóvel.

- Eu te amo, Gary... – Ela sussurrou e deu quatro selinhos seguidos no garoto. Ele sorriu e prolongou mais aqueles selinhos.

- Obrigado.

Entre caricias doces e gentis, os dois acabaram pegando no sono. Não fizeram nada “de mais” naquela noite, mas o valor que tiveram aquelas palavras e aqueles carinhos era gigantesco. Valeram mais do que qualquer outra coisa. Gary não queria forçá-la a nada, e não a forçaria. Preferia amá-la á tê-la, e para ele já era suficientemente bom saber que ela sentia o mesmo por ele. Com Melissa tudo era diferente. Ela conseguia não só muda-lo como também mudar seus valores e interesses. Ele estava certo, ela era perfeita. Não a mais perfeita do mundo inteiro mas a mais perfeita de seu mundo. Tentava não pensar em sua partida que a cada minuto se tornava mais eminente.

Aquela noite foi a melhor noite de sua vida. Teve os melhores sonhos. Sentiu os melhores perfumes. Conheceu o calor mais terno, o calor de um amor.