Notas iniciais
Capítulo triste ;_;

Capítulo 20 – Adeus.

Gary não sabia mais o que fazer. Já havia perdidoa conta de quantas vezes já repassara tudo o que acontecera em suas férias pela cabeça. Era como um filme que se repetia continuamente, e por mais que ele procurasse um jeito de haver um final feliz, ele não encontrava. Bufou, jogou travesseiros nas paredes, jogou-se na cama, revirou-se, sacudiu a cabeça, porém nada, absolutamente nada, o fazia melhorar daquele estado deplorável que se encontrava.

As palavras que Melissa haviam lhe dito há poucos minutos, ecoavam e martelavam em sua cabeça. A visão daquele rosto que para ele era a perfeição, sendo manchado por lágrimas de pura tristeza eram devastadoras. Mais uma vez, jogou-se na cama e fitou o teto a procura de uma ajuda divina. Porém, nada aconteceu.

Só lhe faltava partir e guardar na memória aqueles doces e inesquecíveis momentos.

_______*

Melissa depois de passar um longo tempo chorando debaixo de seu chuveiro, resolveu arrumar-se e descer para preparar o almoço. Durante aquele meio tempo, recebeu um telefonema de Mandy, e acabou a convidando para o almoço, sabendo que a mesma desejava se despedir de Gary.

Foi questão de meia hora para que a campainha tocasse anunciando a chegada de Mandy e Kevin. Cumprimentaram-se e conversaram por um tempo, sem tocar no assunto “Gary” e Melissa agradeceu mentalmente por aquilo, afinal, não queria chorar novamente.O almoço já estava quase todo preparado quando Kevin resolveu subir um pouco e ir conversar com Gary, deixando as duas garotas sozinhas na cozinha. Melissa respirou fundo quando viu o olhar malicioso que a amiga lançara para ela, e rezou em silencio para que agüentasse passar por aquela conversa sem derramar uma lágrima.

- Conte-me tudo, não esconda-me nada!

- Não tem o que contar... – Ela disse virando-se e lavando algumas louças sujas.

- Como assim? Vocês não fizeram as pazes?

- Fizemos..

- Ué! Não estou entendendo, Mel.


Melissa suspirou e virou-se. Fechou os olhos e tomando coragem, começou.

— Foi mais do que maravilhoso, Mandy. Foi inesquecível! – Abriu um leve sorriso, lembrando-se da noite magnífica que passara ao lado do pesquisador. – O Gary foi tão.. tão carinhoso.... Tão gentil. Ele foi incrível, em tudo. Foi a noite mais... Mais... Ah, não sei... Acho que não existe um termo certo para descreve-la, me entende?

- Heh.. Eu entendo. Entendo mesmo, Mel. É ótimo quando achamos a pessoa que amamos não é? – Mandy disse, sentindo-se verdadeiramente feliz pela amiga.

- É! – Naquele momento o sorriso esvaiu-se do rosto da morena. – Pena que foi apenas uma noite.

- Ah.. Mel! Não fique assim...
— Como não ficar, Mandy? Ele vai embora.
— Você sabe que ele não pode ficar...
— É. Eu sei. E isso é o que me dói mais. Se ele fosse um canalha seria mais fácil de esquece-lo.
— Do que está falando? Preferiria que ele fosse um canalha?
— Lógico que não! – Melissa abaixou o olhar e sentou-se em uma das cadeiras que havia por ali. – Nunca..! O problema é que, além de amá-lo, eu sei que ele fez tudo certo... Não há motivos para que eu o despreze. Isso só torna as coisas mais difíceis, entende? Jamais desejaria que ele fosse um idiota.. Porém, se ele fosse, eu teria ao menos uma razão para tentar esquece-lo.
— Ah, Mel....! – Mandy a abraçou ternamente, tentando de alguma maneira consolar sua amiga.

_______*

Gary ainda estava deitado no quarto quando ouviu alguém bater em sua porta. Levantou-se rapidamente e correu para abri-la.

— Mel! – O sorriso que trazia no rosto, esvaiu-se quando viu que era Kevin. – Ah, Kevin!... Oi. Entre. – Ele disse abrindo espaço para o amigo.
— Parece que estava a esperando.
— De alguma forma, sim.
— Pela sua cara, acho que a noite não foi das mais agradáveis.
— Pelo contrário, meu amigo. A noite foi a melhor da minha vida. O problema não está na noite, está no dia. Essa manhã foi terrível.
— Por causa da partida?
— Exato.
— Imagino que ela deva estar bem triste.
— Não só ela. Eu, sinceramente, não sei como vou sobreviver sem ela ao meu lado. Acho que acabei me acostumando com ela aqui...
— Eu odeio ser o portador de más noticias, mas acho que vai ter que desacostumar.
— Eu sei. – Ele murmurou, em misto de depressão e desespero.

_______*

O tempo passou voando e em poucos minutos o almoço já estava servido. Gary, devidamente arrumado, partiria após o almoço. Juntou suas malas e desceu-as, deixando-as na sala de estar. Seguiram todos para a mesa, aonde havia sido posto o almoço. Devidamente sentados e prontos, antes de começarem a degustarem as delicias preparadas por Melissa, todos pararam para ouvir um curto “discurso” do Professor Darrow em homenagem a seu hospede, que naquele dia se despedia.

O
almoço passou particularmente rápido na opinião de Gary, que passou mais tempo observando Melissa do que propriamente comendo. Queria de alguma maneira guardar na memória aquela imagem dela, feliz ao redor dos amigos, mesmo que estivesse triste por dentro. Quando o almoço terminou, foram todos para fora da casa o que realmente declarava a partida de Gary.

Ele respirou fundo e olhou em direção ao caminho que tomaria. Seria a jornada mais solitária de sua vida, não exatamente por estar sozinho, mas sim, porque deixaria seu coração naquela cidade, junto aquela mulher que recebera o apelido de flor da noite.

Arcanine estava tão abatido quanto Gary e parecia que também deixaria seu coração naquela cidade, porém, este, com Ninetales. Lançou um sorriso triste para o Pokémon que dedicava seus últimos minutos em Uethon inteiramente á sua amada. Virou-se para os amigos e então começou a se despedir.

Primeiramente cumprimentou Kevin com um aperto de mão seguido de um amigável abraço.

— Foi um prazer, Kevin.
— Posso dizer o mesmo, Gary. Cuide-se e vê se não esquece de nós, aqui. Quando puder, venha nos visitar!
— Pode ter certeza disso.

Afastou-se e então lançou um sorriso á próxima pessoa que se despediria.

— Mandy! – Ele a chamou, abrindo os braços.
— Ah, Gary! – Ela sorriu de volta e abraçou com carinho o amigo.
— Muito obrigado por tudo. Obrigado pelo apoio que me deu, por sua aprovação, amizade. Pode ter certeza que tudo isso foi muito importante para mim, viu?
— Eu sei, Gary. Mas acho que no final de tudo, eu que devo te agradecer. – Ainda abraçada a ele, ela sussurrou de forma que só ele ouvisse. – Acho que ela nunca esteve tão feliz quanto esteve ao seu lado, e foi exatamente por isso que incentivei tanto você á lutar por ela. Mesmo que isso tudo termine aqui, não me arrependo nem por um momento de nada. Sei que o que viveram foi verdadeiro, por parte dela e pela sua também. E se quer saber, ainda acredito que algum dia, possam em fim, ficar juntos.

Gary sorriu diante daquela confissão.

— Eu espero. Seria muito bom. – Por fim soltou-se do abraço e a fitou com um sorriso. – Sentirei sua falta.
— Pode ter certeza que eu também. – Ela riu brevemente e piscou um dos olhos, em diversão.

Gary então, fitou o professor Darrow. O grande responsável por ele estar ali naquele momento. Cumprimentou o velho homeme inclinou levemente o corpo, como se demonstrasse devoção á ele.

- Muito obrigado por acolher-me em sua casa esses dias, Professor. Foi de grande valor essa minha estadia aqui. Aprendi muito com o senhor e estou realmente grato por tudo isso. Participar da sua pesquisa foi uma experiência magnífica, e pode ter certeza que jamais esquecerei isso. Foi uma honra.
— Não tem porque agradecer, meu jovem. Alias, a honra foi toda minha. Sei que um dia, se tornará um pesquisador tão grandioso quanto seu avó é, e sei que não faltamuito para isso. Está no caminho certo.

Gary sorriu para o velho homem e olhou de relance para Melissa, porém antes que fosse até ela se despedir, lembrou-se de algo e voltou a fitar o professor.

— Ah.. Professor. Quanto a pesquisa... Eu tenho uma teoria. – Gary fez uma breve pausa. – Eu acho que há sim uma resposta para a pergunta “ Porque os pokémons se apaixonam?”, porém essa pergunta é tão instável, tão relativa, que se torna impossível de se responder. A verdade é que os pokémons são mais parecidos conosco do que imaginávamos. Sabíamos, é lógico, que estes possuíam sentimentos, porém eles são muito mais semelhantes aos nossos do que imaginávamos, o senhor me compreende? Eu acredito que eles se apaixonem como nós nos apaixonamos. – Nesse momento ele, novamente, fitou Melissa por alguns segundos, antes de voltar a falar. – Acho que... Procuram alguém que os completem. São como nós. Às vezes, quem nos completa é alguém muito similar á nós, outras vezes, não. Arcanine, viu em Ninetales sua complementação, e é por isso que ela a ama e quis ficar com ela. Porem, não existe uma regra. Podia ser que ele achasse uma outra Arcanine, mas nesse caso foi Ninetales. Eu acho que é isso, professor.
— Eu sabia que chegaria á uma conclusão. E estou satisfeito com esta, faz sentido. – O velho homem sorriu e tocou o ombro de Gary.– Este é o verdadeiro espírito de pesquisador.
— Obrigado.

Respirou fundo, agora vinha o mais difícil. Olhou para Melissa e ficou um momento em silencio, até ter a coragem suficiente para ir até ela e fazer o que deveria fazer.

E
nfim, sentindo-se preparado, caminhou até ela. Chegando a frente de Melissa ele segurou as mãos da garota e levou-as até seus lábios, depositando dois beijos nas faces de cada mão. Ficou um tempo com os olhos fechados e as mãos próximas á seus lábios, apenas sentindo a maciez daquela pele.

— Me desculpe por tudo, Mel. – Ele disse abrindo os olhos e passando a fitá-la nos olhos. Aqueles olhos esmeraldas. Ah, como os amava. — Sei que em parte você tinha razão de gritar comigo, e entendo perfeitamente o porque de você ficar brava. Sinto muito por ter te perturbado tanto, por ter destruído seu noivado com o Johan e por ter sido tão mesquinho e ridículo algumas vezes.. Juro que não era a minha intenção. Sei que foi egoísta demais com você, mas no fundo, quero que saiba que o que fiz, não foi por mal. Quero que acredite que se eu de alguma forma pudesse mudar o final dessa história, eu mudaria. Todos os momentos que eu passei aqui, só se tornaram tão especiais porque você encantava-os com todo esse seu brilho. E, por mais difícil que isso possa parecer, gostaria que acreditasse de verdade em mim, quando digo que isso tudo foi especial e inesquecível para mim. Em muitos anos, eu não me sentia tão vivo quanto me senti esses dias que passei ao teu lado. E acho que eu nunca soube o que era realmente felicidade até conhecer você. Sentirei mais a sua falta do que você pode imaginar e tenho certeza que vou passar noites em claro lembrando de seu rosto e de cada minuto que passei ao teu lado.

Diante daquelas palavras, Melissa continha-se para não chorar. Mordia o lábio inferior, tentando prender o choro de alguma maneira, mas aquilo se tornava mais impossível a cada segundo que passava ao lado dele.

— Eu sinto muito... – Ele murmurou, soltando a mão dela lentamente.

Afastou-se aos poucos da garota, dando passos para trás e voltou o olhar para todos os presentes. Mandy meio que tentava esconder as lágrimas diante das palavras que ouvira de Gary e Kevin sorria, enquanto a abraçava. Darrow parecia mais ciente do ocorrido do que todos ali suspeitavam e parecia sorrir em aprovação á Gary. O Pesquisador enfim se virou, pegou sua mochila e andou até Arcanine, anunciando a partida. O Pokémon fez mais um breve carinho em sua amada e relutante se afastou. Gary aproveitou e acariciou a cabeça do pokémon raposa e do pequeno pichu de Melissa que naquele momento estava ao lado de Ninetales. Prontos para a partida, começaram a caminhada em direção á saída do laboratório.

Gary sentia seu coração apertado, tão apertado que ele não conseguia notar se ainda batia, ou se havia parado definitivamente. Uma tristeza invadia seu corpo e o choro parecia entalado na garganta. Achou que fosse parar de respirar. Melissa, por sua vez, parada, continuava a tentar segurar o choro, inutilmente, pois mesmo sem perceber, já deixava lágrimas escorrerem pelos obres esmeraldas. Sem conseguir se conter mais, desistiu daquilo e caiu em prantos.

— GAAAAAAAAAARY!! – Ela berrou, para que ele pudesse ouvir.

Ele se virou, com o olhar visivelmente triste e para sua surpresa a viu correr em sua direção. Largou a mochila e correu até a garota. Os dois abraçaram-sefortemente, como se desejassem naquele momento tornarem-se um só, mesmo sabendo que aquilo era completamente impossível. Ela despencava em lágrimas e ele em tristeza.

- Baka... Eu te amo! – Ela sussurrou.
— Eu também te amo, Melissa. – Ele respondeu, afastando-se um pouco o abraço e a fitando. – E eu sei que você sabe disso. E também sabe, que não vou esquecer você, por mais longe que estaremos um do outro.

Ela anuiu, tentando controlar a tristeza. Ele se aproximou e beijou sua testa carinhosamente, e foi descendo suavemente, pelo nariz até alcançar os lábios.Beijou-os com carinho e paixão, de modo que pudesse guardar na memória o sabor de cada um daqueles beijos.

— Cuide-se..! – Ele pediu, quase em clemência.
— Cuidarei. – Ela passou delicadamente as mãos pelo rosto dele, acariciando-o.
— Sinto muito por tudo terminar assim...
— De algum modo, já sabíamos...

Ele deu mais um breve selinho nela.

— Me desculpe.
— Não fale como se fosse o único culpado. Sentirei sua falta...

Ele abriu um sorriso triste e se afastou, relutante.

— Adeus...

Ela não respondeu, apenas ficou a observa-lo partir, até que sumisse em meio as arvores. E aquela, sem duvidas fora a cena mais triste que já presenciara.

”Adeus, Gary...”