Notas iniciais
Voltei dos mortos pra trazer capítulo novo pra vocês! XD

– Você merece alguém melhor... – Analu ouviu Simon lhe dizer, enquanto secava as últimas lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. Ao lado dele, Sarah confirmava com a cabeça, sem deixar transparecer o choque e a tristeza por ver a amiga naquele estado.

Mal fazia um dia desde que Anna Louise viu sua vida virar de cabeça para baixo, mas ela já derramara mais lágrimas agora do que em muitos anos. Qual é o problema? Garotas choram de vez em quando... Ela pensava, enquanto todos ao seu redor tentavam confortá-la.

Ela simplesmente consentiu e dirigiu-se para a sala, já que lá talvez pudesse ficar sozinha por um tempo. Grande engano, percebeu, ao lembrar que Daniel provavelmente estaria ali também.

Ele e uns rapazes conversavam animados no fundo da ampla sala, sentados em umas cadeiras que estavam amontoadas ali. Ele olhou-a parecendo até... Apreensivo. Mas tudo que recebeu foi um olhar de ódio de volta. Analu sentou-se perto da porta e pegou um livro para ler.

De repente, ouviu passos ecoando pelo chão de madeira, até que Daniel estivesse sentado ao seu lado, acompanhado de outro garoto, cujo nome ela não lembrava, apesar de já terem sido apresentados, que estava de pé. Este disse, com uma expressão que não se decidia entre a curiosidade e o impulso de consolar uma garota cujo rosto ainda exibia a maquiagem borrada graças às lágrimas de antes:

– Analu, — Ele, por outro lado parecia lembrar-se do nome dela. Ela olhou pra cima e o encarou – você não está falando com o Dan?

Apesar de querer jogar tudo pra fora, não seria com este garoto que ela falaria, nem com qualquer outro que fosse amigo de Daniel. Este, por sinal, ainda estava sentado ao seu lado, mas ela o ignorava e não olhava jamais nos olhos azuis do rapaz, por medo de não poder mais parar.

–É. – Ela respondeu, voltando o olhar para o livro.

– Por quê? – O garoto quis saber.

Perdendo a paciência, mas não completamente, ela respondeu:

– Por que ele é um grande idiota e eu estou com muita raiva dele. – Ela jogou as palavras, num tom calmo e com um sorriso sarcástico que dizia “isso não é óbvio?”, porém na esperança de realmente atingir o garoto sentado ao seu lado.

Vendo os dois sem expressão alguma, ela se levantou e saiu da sala. Felizmente, ainda faltava algum tempo para a aula. Do outro lado do corredor, para sua surpresa, viu Meredith chamá-la, então foi até ela.

– Ai, amiga, tá tudo legal? – Meredith perguntou. – Eu vi você chorando...

Mais gente preocupada com sua trágica vida amorosa era exatamente o que ela não precisava, mas Meredith estava finalmente sendo legal com ela, após tantos anos. Analu sempre pensou que ela fosse fútil, exageradamente feminina – certo, seu jeito de falar confirmava um pouco essa parte – e que só ligasse para ela mesma.

– É o Dan... – Analu começou.

– Já entendi. Vocês brigaram. – Realmente contrariando as expectativas, o olhar de Meredith revelava que ela realmente se importava. -... Olha, eu já conheço o Daniel há algum tempo, então se você quiser posso falar com ele, por você.

Opa! Regra número um para sobrevivência no mundo das garotas: Não deixe uma amiga ir falar por você com um garoto! Isso é claramente sinal de insegurança – e os garotos não gostam de insegurança – além de dar ao mundo todas as oportunidades para que algo dê errado, como sua amiga falar besteira, por exemplo.

Quer saber? Que se dane!

– Tudo bem... Fala com ele.

Meredith deu um sorrisinho e entrou rapidinho na sala, enquanto Analu esperava do lado de fora, sentada num banquinho. Não demorou muito para que Daniel chegasse, olhasse para ela e fizesse um sinal para que fossem andar, a fim de tentar ter mais privacidade.

–... Eu sinto muito. – Ele conseguiu falar. Ela olhou para ele. – Eu não queria te magoar, nem te machucar de nenhuma forma.

– Bem, tarde demais. – Analu disse, seca.

Ele ia ter que se esforçar para sair dessa. Parou, junto à parede.

– Eu... Aquilo foi um impulso, não era pra ser assim. A gente não precisa terminar, como você disse, só não pode ficar namorando aqui, podemos nos encrencar.

Analu ainda estava séria.

– Aquilo não foi legal.

– Eu estou com muitos problemas na cabeça... Só que agora percebi que você não é um deles. Me desculpa.

Dan segurou a mão dela e ela enfim olhou em seus olhos. Estavam lindos como ela se lembrava, mas agora eram marcados pela tristeza. Ele não podia se separar dela, assim como ela não aguentava estar sem ele. Num impulso que o surpreendeu de uma forma boa, ela o abraçou.

O corpinho pequeno dela logo foi envolvido pelo abraço dele que, ao fim, beijou-lhe a testa. Seria difícil, mas poderiam tentar esquecer o que acontecera. De mãos entrelaçadas, voltaram para a sala.

***

Michele caminhava nervosa pelo corredor, com Piedro ao seu lado, tentando acalmá-la.

– Como posso me acalmar? O resultado que sairá revelará se fui bem, mal ou péssima na audição! Piedro, eu estou com medo... – Ela fitava os olhos do amigo, mas nesse momento, a intensidade da situação a fez abraçá-lo. Ela precisava mesmo desse momento de conforto. – E se eu não tiver sido escolhida pra nada?!

Piedro afagou a cabeça da garota, afastou-a de seus braços e olhou-a nos olhos claros, dizendo:

– Michelle... Você sabe que é a melhor entre eles!

Ela abriu um sorriso tímido enquanto ele beijava-lhe a bochecha. Então, ela jogou a insistente mecha do cabelo louro para trás e assentiu, encaminhando-se ao auditório.

Pregado na porta dupla do auditório, estava o tão esperado resultado do início da semana. Michele acelerou e só parou quando estava bem de frente para a folha, comumente decorada com o emblema da academia. O festival seria Romeo & Juliet... Apesar de já ser até um pouco clichê, é uma história que nunca sai de moda, não importa se você está na Inglaterra de Shakespeare ou na América contemporânea.

Voltando a se concentrar, a garota voltou o olhar para as linhas abaixo, enquanto Piedro chegava para olhar também. Logo, seu olhar se prendeu na segunda linha, logo abaixo de um Romeu que ela não conhecia:

Julieta Capuleto — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — Nathalie R. Hudson

Felizmente, Piedro percebeu rapidamente o que causou espantou à garota, recebendo-a quando ela novamente passou os braços pelo corpo dele atrás de algum tipo proteção. Antes, porém, que ele pudesse tirá-la de lá, Michele viu outra garota caminhando pelo corredor, vindo ver a lista. Nathalie jogou-lhe um olhar irônico, levantando as sobrancelhas, indicando que já percebera o óbvio: que ela ganhara!

O instantâneo cruzamento de olhar entre as duas rivais logo passou, fazendo com que os olhos de Michelle começassem a marear. Ela respirou fundo e disse ao rapaz, que ainda lhe esperava:

– Vamos logo para a sala... – Ela disse, com uma indicação de cabeça. O garoto concordou e eles caminharam, desta vez sem trocar palavras, até que chegassem em frente à sala de balé e Piedro tivesse que se despedir.

***

– Tem certeza de que esta roupa está boa?

– Será que meu gloss saiu?!

– Ai, meu Deus, já é minha vez!!!

Metade de todas as garotas que cursavam o Ensino Médio na Olimpus High School, além de algumas supervisoras lotavam a sala pequena que, a essa hora da tarde, tornara-se uma estufa. Enquanto muitas gritavam, querendo saber onde estavam suas coisas, amigas e outras curiosas tentavam olhar lá para dentro, sendo impedidas com ordens de se afastarem. Analu bebeu outro copo de água, tentando acabar com o calor.

– Você precisa se acalmar, Analu. – Disse Sarah. Esta estava linda e charmosa, como sempre, apesar de usar apenas calças jeans com uma camiseta. Em seus braços, pendiam largas pulseiras coloridas.

Analu usava um vestido de verão, de saia rodada, com cores claras, com um cinto preto fino passando pela cintura. Ela tentava parecer calma, mas estava desesperada por dentro. A verdade era que ela não sabia desfilar, apesar de Sarah já ter tentado lhe ensinar. Ela sabia que Michele e Simon não teriam aula hoje, então já deveriam estar sentados em algum lugar das arquibancadas, ao lado de Meredith, Piedro e seus amigos do OHS. As duas ouviram o número de Sarah – o dezessete – ser chamado.

– Deseje-me boa sorte. – Sarah brincou.

Analu revirou os olhos.

– Você não precisa de sorte. – Disse, com um sorriso torto.

Menos de um minuto se passou e então Sarah passou pela cortina voltando à sala onde Analu ainda esperava ser chamada. Sarah provavelmente havia sido deslumbrante. Mesmo dos bastidores, Analu pôde ouvir os gritos dos estudantes que a viram, sabendo que grande parte de todo o barulho certamente deveria ser de Simon, que segurava um cartaz com o nome da namorada.

Enfim, Analu ouviu seu número ser chamado e ajeitou rapidamente o vestido com as mãos, antes de sair para a passarela negra, situada a uns dois metros do chão. Relaxe. Apenas caminhe... Cuidado com postura... E sorria! Ficava passando em sua mente instantaneamente tudo enquanto pisava com o salto cor-de-rosa no chão de carpete da passarela.

Ouviu os gritos dos amigos e, ao vê-los ali, não precisou nem forçar o sorriso, tamanha era a alegria por ver que contavam com ela. Mais no meio da multidão, um pouco mais à esquerda dos outros, estava Daniel Banks.

Ele estava lindo, como de costume, vestindo um casaco de seu próprio colégio, que ela não reconhecia pelas cores, mas não pode ficar olhando-o. Voltou seu olhar rapidamente para o grupo de jurados sentados de frente para a passarela.

Era só um minuto, enquanto a música tocava, que durou pouco demais. Ela voltou para dentro, onde Sarah a esperava. Poucas garotas foram ainda, até que chamaram todas no canto para divulgar quem seriam as cinco finalistas. Analu engoliu seco e Sarah segurou sua mão.