Notas iniciais
Oi genteee ^^ então, desculpa a demora, mas to tendo prova direto na faculdade, então ta sendo difícil arrumar tempo pra escrever... mas aqui está o capítulo novo, espero que gostem.

Nas proximidades do lago Michigan, na movimentada cidade de Chicago, encontra-se a Dance-I Academy, uma grande escola de dança. Grande, mas não famosa, nem tampouco rica. Com seus dois andares e aulas de estilos variados de dança, ela frequentemente atrai alunos das proximidades. E agora, no início de setembro, os alunos voltavam das férias de verão, mesmo que às vezes quisessem que elas ainda não tivessem acabado.

Piedro era um destes. Quanto mais o relógio se aproximava das 3:00 horas da tarde, mais sua ansiedade crescia. Felizmente, diferente das duas últimas semanas, não teria que voltar para casa e lembrar-se do luto que sua mãe fazia questão de não deixar nenhum deles esquecer. O irmão já havia ido morar fora, na Universidade de Chicago, mas ele ainda tinha que sobreviver mais um ano a esse inferno particular que era a escola... E sua vida.

Enfim, a aula acabou. Caminhou sem pressa para a saída, apesar de ter menos de uma hora até a primeira de suas aulas de jazz. Chegou ao portão e virou à esquerda. Eram só dois quarteirões até chegar à academia. Podia ser que desta vez pudesse aproveitar o ano letivo, já que estava enfim fazendo algo que gostava. Talvez.

Alguns metros atrás, vinha Sarah, novamente ao lado de Analu. Mesmo mantendo as aparências, a californiana podia sentir que a amizade das duas não seria mais como ela era antes. Ou, pelo menos, como ela imaginava que era. Mentalmente, lembrou-se da conversa da semana anterior, quando fizeram a matrícula na escola de dança.

Assim que saíram da sala, Sarah puxou Analu para o lado, furiosa, sem nem ao menos se dar conta do leve sorriso que se formara tímido na expressão da prima, mas que desapareceu ao ser impressionada:

– O que pensa que está fazendo? Era para fazermos hip hop... – Falou.

– Não há nada de errado em deixarmos de estar juntas em algum momento do dia! – Analu respondeu. Já passavam metade do dia na mesma sala do colégio, além de todos os momentos em que saíam juntas. Finalmente, ela tivera a chance de fazer algo por ela mesma, não por outra pessoa. Por que era tão difícil para Sarah entender? Além disso, a amiga estava exaltada, o que deixava Analu ainda mais impaciente.

– Mas você sempre gostou de passar o tempo comigo! – Sarah respondeu como se lesse os pensamentos da outra.

Analu respirou fundo para se impedir de gritar e, com calma, soltou o ar.

– Você sempre me convence a fazer o que quer. – Ela falou. – Eu me divirto com você, mas são as suas ideias, as suas preferências, os seus gostos... Já pensou que eu posso querer outra vida, além de ser só a sua sombra?

As últimas palavras atingiram Sarah, que choramingou:

– Eu não sabia... Que pensava assim. Se você queria outra coisa...

– Então você dava outra ideia e acabávamos aceitando a sua! – Anna interrompeu.

Sarah sentira-se péssima na hora, enquanto via Analu indo embora e a deixando sozinha ali. Mais tarde, no mesmo dia, Sarah conseguiu falar com a amiga – será que ainda eram amigas mesmo? – e desculpar-se. Ela aceitou as desculpas, a abraçou e as duas concordaram silenciosamente em não tocar mais nesse assunto. Sarah nunca se deixara ficar triste por ninguém, a não ser por Analu.

Esta não havia falado mais nada com relação a isso. Não valia a pena ver Sarah a beira das lágrimas daquele jeito, apesar de não gostar de ela ser tão mandona. Anna Louise havia prometido que não deixaria mais a amiga ficar naquele estado deplorável. Elas deveriam ser amigas, não é? Era por isso que não era raro Sarah deixar de sair com uma das populares ou com um garoto novo e interessante porque já iria ver Analu. Era por isso que Anna tentava não ligar quando Sarah não ouvia suas ideias.

“Para de pensar nisso”, pensou, ligando o i-pod na música nova da Rihanna e dando um fone para Sarah, que sorriu.

***

Uma hora depois, Michele chegava à Dance-I. Ela parou na entrada, ajeitou os óculos com aro preto e olhou para o letreiro com o nome da academia, suspenso entre o primeiro e o segundo andar do prédio. “Michele Williams, não fique intimidada”, dizia sua consciência, mas sem resultado. Suspirou. Era sempre assim no primeiro dia... Ela olhou para baixo, encarando as botas beges que usava e, enfim, subiu o primeiro degrau. O segundo.

Logo, estava caminhando para a sala de balé. Antes que chegasse, a porta da sala se abriu e os jovens da última turma de jazz saíram. Ela esperou enquanto saiam, mas algo deteve sua atenção. Algo não! Alguém. Ela sabia que conhecia aqueles olhos escuros... Na distração, o celular que a garota tinha pegado de dentro da bolsa caiu no chão. Alguém certamente esbarrou em sua mão. Ela se abaixou para pegá-lo, mas quando se levantou, encontrou aqueles mesmos olhos a encarando. Mas só por um momento, antes que ele desviasse o olhar, apenas o suficiente para que ela tivesse certeza de que era o rapaz de quem se lembrava. Mas isso, provavelmente, não significava nada...

Piedro desviou o olhar, mas não pode esconder o sorriso se formando em seus lábios. Ele estava certo! Ela estaria mesmo ali. Quando voltou a olhar na direção de Michele, ela já havia ido embora. Com certeza já havia entrado na sala para esperar a aula. O garoto fechou os olhos, lembrando-se da tarde de menos de um mês atrás.

Ele e o irmão mais velho, estavam de férias em uma cidade perto de São Francisco, aproveitando o tempo que tinham juntos, já que agora este era universitário e não morava mais com ele. No último dia, estavam na praia, o irmão surfando nas altas ondas que finalmente haviam aparecido e ele olhando da areia. A alguns metros, viu três garotas, jogando vôlei. Ele ficou olhando de longe até que uma delas gritou, chamando-o para perto.

– Quer jogar com a gente? Qual é o teu nome? – Perguntou a garota que o chamou, com a vozinha fina, quando Piedro chegou mais perto.

Ela era ruiva, com batom da cor dos cabelos e os olhos com delineador – ou seria lápis? Ele não sabia a diferença –, mesmo estando na praia, e usava uma blusa larga e cheia de frases por cima do biquíni. A garota à sua direita era loura, com os olhos bem claros e usava um biquíni com uma saia. A última era negra, usava uma blusa Hollister com um short e seu rosto era coberto por enormes óculos escuros.

– Eu sou Piedro e esse é meu irmão Tate.

Respondeu, indicando o rapaz alto e bem moreno, com cabelos negros na altura dos ombros, que se aproximava. Os dois eram bem diferentes, exceto pelos olhos quase negros, e as garotas notaram logo a diferença, o que gerou mais de um par de olhos arregalados.

– Eu sou Cassie! – Respondeu a ruiva. – Estas são Liza e Michele.

Ela indicou, respectivamente, a morena e a loura. Aquela levantou os óculos, enquanto as duas diziam “oi”. Certo, a tal Cassie parecia ser bem simpática, mas parecia estar se oferecendo um pouco... Os cinco jogaram e conversaram até anoitecer, quando uma mulher – a mãe de Michele – veio chamar as três para irem. Ele havia conversado com todas, mas essa lourinha, que parecia a mais tímida, se revelou a mais... Interessante. Ele sabia que não tornaria a ver nenhuma delas, a não ser que...

– Esperem! – Piedro gritou. – Me deem seus telefones, pra gente manter contato.

Elas deram seus números e ele passou o seu para Michele, que mais tarde passaria para as outras. Esta disse:

– Ei, nós ainda vamos pegar as malas. Estamos no bloco de número 5. Se der, passa lá, mais tarde. Talvez dê pra se despedir. – Ela completou, com um sorrisinho de lado.

É claro que passaria. Era um condomínio, com vários blocos e, mesmo o seu sendo do outro lado, ele passaria, só para se despedir. Sempre fora bastante tímido, então estava bastante animado por ter conhecido essas garotas. “Tá, eu sei. Não tem nada de mais em se conhecer gente nova, mas normalmente é sempre o Tate que conhece todo mundo... e todas as garotas”, ele pensou. Menos de duas horas depois, estava correndo em direção ao apartamento, no momento em que a mãe de Michele dava partida no carro e levava as meninas embora. Mas ele não podia ver, estava na frente do pequeno prédio, chamando os nomes das três, enquanto elas se encontravam no lado oposto. “Onde vocês estão?” Ele digitou, mandando uma mensagem para o celular de Michele. “Já saímos =(”, ela respondeu.

Prometeram manter contato, mas exceto por um encontro por acaso com Cassie, não as viu mais.

Até aquele dia. Piedro sabia que era ridículo pensar daquela forma, era a primeira vez que se viam desde que se conheceram – momento que não durou mais que uma tarde. Mas por que, então, ele estava pensando tanto nela? Michele...

É claro que ela também se lembrou do dia perto de São Francisco, mas sem tantas esperanças como Piedro. Como poderia? Já tinha entendido que os garotos não se interessavam por ela. Era sempre pela Cassie ou, às vezes, ainda pela Liza. Não lhe apareciam “opções” decentes... Mal haviam “opções”! Era por isso, ela achava, que, sempre que lhe surgia uma chance de ser feliz ao lado de alguém, ela se agarrava a essa chance. Foi esse tipo de atitude que a fez escolher aquele tal Eric que, assim como lhe avisaram, se foi como fumaça.

Esse ano ela havia desistido! Chega dessa vida de corações partidos, agora ela se focaria no seu objetivo, que era se tornar uma estrela. Só assim, provaria para a mãe que ela poderia ter uma boa vida fazendo o que queria e gostava.

***

Simon havia chegado só um pouco depois de Michele, a tempo de vê-la subir, com os nervos à flor da pele, a pequena escada que dava para a entrada com portão prateado e portas duplas. Ele caminhara boa parte do caminho com ela, pois frequentavam a mesma escola, ambos do primeiro ano. Dois quarteirões atrás, porém, havia parado para conversar com uns colegas seus e a garota havia continuado, mais à frente.

Passaram-se somente vinte minutos até que ele trocasse de roupa no vestiário e entrasse na sala, a maior do segundo andar, onde a aula já começava. A professora já estava na sala e sorria para todos enquanto se apresentava.

– Meu nome é Jolene Brown – ela disse, enquanto fazia um sinal para Simon se aproximar dos outros, que já estavam no centro da sala – e serei sua professora neste ano letivo.

Ela caminhou até a prateleira, no canto da sala, para ligar o som. Quando ela caminhava, seu rabo de cavalo balançava de um lado para o outro. Os cabelos presos dela eram castanhos claros, mas haviam sido tingidos, de modo que algumas mechas adquiriam um tom de rosa claro. Ela se virou novamente para eles, as sardas de seu rosto bem à vista, falou alguma introdução à aula, fazendo movimentos que indicavam que eles deveriam se alongar.

Simon se posicionou ao lado de uma garota de pele bronzeada e cabelos castanhos presos em trança. Ele acenou para ela, que sorriu. Jolene a ensinar alguns movimentos, começando pelo Robocop:

– Pise com a perna direita pra frente e vamos arrastar pra trás, assim, e vamos trocar. Esquerda, puxou. Direita, puxou. E nosso braço vai ser ao contrário da perna. E coloca, puxou. E coloca, puxou. Vamos fazer virando também. O passo continua o mesmo.

Lá pelo terceiro passo ensinado, Simon começava a se atrapalhar. Aquele chamado de Toe Wop... Mas ele tinha dito a si mesmo que conseguiria acompanhar a turma! Começou a olhar, tentando parecer discreto, para a garota a seu lado. Ela percebeu, revirando os olhos.

– Se quer ajuda, é só pedir. – Ela disse, rindo, mas falando baixo para não atrapalhar a aula.

Simon riu e deu um sorriso bobo de lado, que fez a garota rir de novo.

– Assim: Pisa pra frente. Calcanhar pra fora e pra dentro. É um contratempo. – Ela disse, mostrando os movimentos devagar para ele. Seus braços faziam movimentos em forma de “L”. – Aliás, o meu nome é Sarah. Sou nova aqui na Dance-I.

– Eu também sou novo! – Disse arregalando os olhos. Logo em seguida sorriu. – Eu sou Simon.

Sarah olhou para frente, percebendo que Jolene olhava naquela direção. Não seria bom causar uma má impressão com a professora logo no primeiro dia. Não queria que ela pensasse que ela era do tipo que conversava na aula. Quando a senhorita Brown se virou, Sarah olhou para Simon.

– Entendeu? – Ela perguntou.

Para sua surpresa, ele já fazia os movimentos com perfeição, até melhor do que ela havia mostrado – e do que ela conseguia fazer. Ele dançava no ritmo da batida da música, arriscando olhar na direção da garota. Num desses olhares, ela também olhou para ele, que piscou para ela.

Sarah pode sentir a pele ficando vermelha em seu rosto. Ela sabia que era atraente, tinha como prova disso sua longa lista de ex-namorados e paqueras, mas eles geralmente não arriscavam... Era ela quem tinha que jogar algum charme – e na maioria das vezes sempre dava certo – por que depender da iniciativa dos garotos normalmente era uma enrascada. E nenhum deles jamais piscara pra ela, a maior parte dos garotos de hoje não fazia esse tipo de coisa fofa... Virou-se novamente para frente e continuou a dançar, como se nada tivesse acontecido. Ou pelo menos, era a impressão que ela queria passar aos outros. Poderia simplesmente deixar a situação se desenrolar desta vez, sem ter que planejar todas as suas ações.

Notas finais
Por favor, gente, comentem! É muito importante pra uma autora saber o que os leitores estão achando, então não deixem de se expressar ;) e favoritem, divulguem, etc, também kk