Years Away
15 Much More Than a Moment ...
Notas iniciais
A luz do sol iluminava o quarto naquela manhã de sábado, Kurt podia inalar o eflúvio odorante natural e inebriante de seu namorado, enquanto se deliciava com o aroma o sentimento de falta o atingiu. O calor dos braços que o envolviam quando adormeceu haviam sumido. Ainda com os olhos fechados ele tateou pela cama a procura da fonte daquele aroma, conforto e segurança que ele tanto amava. Mas Blaine não estava lá. Um gemido frustrado foi emitido ao notar que estava sozinho, lentamente abriu os olhos acostumando-se com a claridade do ambiente, o despertador indicando ser 10 h da manhã bem era cedo para alguém que não trabalhava e para quem teve uma noite estressante.
Espreguiçou-se ates de iniciar a busca pelo namorado ‘sumido’. Alguns tropeços silenciosos depois o castanho conseguiu chegar à cozinha encontrando seu namorado fazendo uma coreografia estranha enquanto preparava alguma coisa. O mais alto sorriu com a cena que assistia e percebeu que Blaine usava fones de ouvidos então sua presença ainda não fora percebida. Lentamente se aproximou e o abraçou, depositando um beijo na bochecha do mais baixo.
K- “Bom dia.” Sussurrou.
B- “Bom dia.” Disse virando e encontrando os lábios do mais novo. “Achei você dormiria mais, ia te levar café da manhã.” Disse voltando a atenção para a máquina de waffles.
K- “Até queria, mas tinha muito espaço e sua cama não é tão confortável sem você lá.” Blaine emitiu uma leve risada antes de sentir os lábios do castanho em sua nuca e os braços envolvendo seu tórax. “Senti sua falta.”
B- “Não quis te acordar, achei que merecia descansar depois de ontem, dormiu bem?”.
K- “Sim apesar de tudo.” Respondeu afastando-se e sentando no balcão. “Quer dizer achei que teria pesadelos ou ficaria meio perturbado, mas estou bem.” Concluiu.
B- “Acho que o fato de não ter acontecido nada mais sério contribuiu para isso.” Respondeu colocando a louça suja na pia e virando para encarar o castanho e arrumar a mesa para o café. “Vai contar para seus pais?”.
K- “Estava pensando sobre isso, não vou contar, meu pai e Carole já tiveram um fardo enorme não quero dar mais motivos para se preocuparem, ainda mais nessa altura do campeonato.” Desceu do balcão e se juntou ao namorado na mesa.
B- “Você sabe minha opinião, porém não irei forçar nada, sabe disso não é?” Kurt assentiu em silencio antes de continuarem o café da manhã compartilhando se assuntos aleatórios.
Após a refeição, Kurt foi tomar um banho enquanto Blaine limpava a louça do café. Assim que a limpeza foi concluída seguiu para o escritório com a intenção rever seu projeto antes de mostrar ao namorado. Meia hora depois Kurt apareceu na sala novamente impecável para encontrar um Blaine usando um samba-canção de sua coleção especial com personagens do Star Wars e uma blusa regata branca, uma confusão de cachos no topo de sua cabeça e claro a barba que ele tanto amava voltando a aparecer. Essa visão trouxe de volta pensamentos que o castanho tivera algumas noites atrás, compartilhar sua vida com Blaine era a ideia mais maravilhosa que planejara.
Ele foi tirado de seus pensamentos no momento em que Anderson o chamou para sentar-se ao lado dele no sofá, assim ele o fez.
B- “Olha esse não é o trabalho final... bem é como se fosse um ensaio final, mas provavelmente teremos que alterar algumas coisas caso sejamos escolhidos.”. Kurt assentiu em silencio e concentrou-se na televisão para ver a criação do namorado.
A musica, o contexto a encenação era simples e perfeitos... Ele amara cada segundo dos vídeos que lhe foram mostrados, a letra da musica era realmente viciante e fácil de cantar, Blaine iria ganhar e se tudo der certo Kurt iria estudar em NY.
K- “Você já ganhou eu tenho certeza Blee”. Disse tomando os lábios do mais velho. “Eu sabia que você conseguiria”. Continuou antes de tomar os lábios do moreno novamente em um beijo ainda mais apaixonado.
Eles se separaram minutos depois e ficaram olhando nos olhos um do outro, palavras não foram trocadas por um longo momento, elas não eram necessárias, mas Blaine precisava deixar o momento simples e intimo ainda mais perfeito.
B- “Eu te amo tanto Kurt Hummel.”.
K-“Eu te amo também Blaine Anderson.”.
B-“Eu fiquei com tanto medo ontem, principalmente quando a ligação caiu e a chamada não completava.”. Blaine confessou deixando Kurt surpreso. “Dave é meu amigo há anos, ou melhor, era. Ele sempre foi galinha, toda semana tinha um namorado diferente, ele nunca foi um santo, mas também nunca tinha feito nada nesse nível. Quando ele me disse que queria te conhecer veio também com uma ideia de se ‘infiltrar’ no mundo jovem e sair com colegiais, acho que ele achou que o que nosso relacionamento só envolvia sexo, ele jamais entenderia então recusei na hora.” Kurt assentiu. “Eu não sei como ele encontrou você, mas eu nunca vou deixa-lo chegar perto de você de novo.” O castanho nunca havia visto Blaine tremulo, com um olhar tenso e voz embargada, antes que ele continuasse o mais novo o abraçou o mais forte que podia.
K-“Eu sei Blee, você não tem culpa de nada, eu não quero que sinta culpado, aquele cara é louco e só isso. Você fez até mais do que estava ao seu alcance e agora tudo acabou.” Capturou os lábios de Blaine novamente em um beijo doce e casto. “Agora você vai vencer aquela competição e eu irei para NYADA e dentro de algumas semanas vamos ser muito felizes juntos em Nova York e esquecer tudo que aconteceu aqui.”
B-“Você teve muito tempo para planejar isso?”.
K-“Mais ou menos, meio que veio a minha mente assim que eu te conheci.”.
B-“Parece um ótimo plano.”.
–Y.A-
Ele e Blaine adormeceram no sofá do escritório do moreno e só acordaram com o barulho de seus estômagos. Obviamente Blaine sentia-se culpado pelo ataque de Dave tendo uma péssima noite de sono e se obrigando a levantar cedo. Com essa situação esclarecida eles ligaram para um borracheiro para substituir os pneus da moto do castanho e em seguida saíram para almoçar, Casa Lu Al Restaurant, era um dos locais preferidos de Blaine para almoçar no fim de semana, bem um dos lugares dentro do distrito de Lima. Retornaram para o apartamento onde tinham a intenção de assistir um filme, mas acabaram dormindo novamente. Kurt acordou sentindo novamente o cheiro de Blaine, ainda mais forte o que significava que ele ainda estava ao seu lado, ou melhor em baixo dele. Ele amava esses momentos preguiçosos, mas tinha que ir embora. Anderson parecia tão tranquilo em seu sono e o castanho resolveu não o acordar, depositou um beijo em sua testa, deixou um bilhete e foi para casa.
O sol estava se pondo quando o castanho chegou a sua residencia Hummel, Carole estava na cozinha e seu pai provavelmente ainda na oficina. A moça tentou conversar com Kurt para saber o que havia acontecido, ele apenas disse que passou mal e Blaine não o deixara ir. Carole assentiu mesmo com aquela leve desconfiança, já que Kurt lhe garantia que tudo estava bem, então tudo estava bem, pelo menos agora.
Burt retornou próximo do horário do jantar, depois de falar com Carole ele apenas perguntou se o filho se sentia bem, e o castanho apenas disse que era a ansiedade pela viagem.
BH- “Hey Kurt posso falar com você?”. Perguntou o Hummel mais velho assim que o castanho terminou de lavar a louça.
K- “Claro pai, o que foi?”.
BH- “Bem eu sei que daqui uns dias você se forma e em seguida vai ficar 03 semanas na Europa antes de se mudar para Nova York e não quero que perca seus últimos momentos em Lima trancado no quarto com essa cara emburrada então esta livre do seu castigo contanto que passe mais tempo com sua família também.” Kurt abriu um sorriso com a declaração do pai e correu para um abraço. Burt se surpreendeu com a atitude do filho já que o castanho não demonstrava seus sentimentos através de contato físico a um longo tempo.
K- “Eu te amo pai.” Bem Burt não esperava por essa também. Claro Kurt dizia constantemente para o pai que o amava e apesar do mais velho estar ciente do amor que seu filho sentia por ele, parecia ser obrigatório, diferentes dessas que transmitiam o sentimento puro.
BH- “Eu também te amo Kurt.”.
–Y.A-
Blaine sentiu o desconforto durante seu sono, o primeiro pensamento em sua mente era Kurt. Levantou-se e esfregou os olhos, tentando se lembrar do porque estava dormindo em seu escritório.
“Tudo o que podia fazer era sorrir enquanto assistia você dormindo. Aliais você baba e ronca muito... mas ainda assim você é tudo que eu desejava. Achei que precisava descansar um pouco mais e por mais que ame dormir e acordar com você precisei voltar para casa. Me ligue quando acordar.
Te Amo Kurt.”
Blaine sorriu ao encontrar o bilhete de Kurt colado no monitor da TV. O moreno pegou o telefone: 20H... Blaine não lembrara a última vez em que dormirá tanto, aliais talvez ele nunca tenha dormido tanto em toda sua vida. Seguindo a orientação de seu namorado Blaine ligou para Kurt que atendeu segundos depois.
K- “Hey Bela Adormecida! Achei que teria que ir até ai e te beijar até que desperta-se do seu sono profundo.” Disse soltando uma leve risada no final.
B- “Ah é? Não me lembro de ter espetado meu dedo em nenhum fuso, mas ainda pode acontecer acho que deve vir por precaução...”. Respondeu entrando na brincadeira.
K- “Blaine Anderson tentando me levar para sua casa para me seduzir? (risos) terá que arranjar uma desculpa melhor porque ninguém mais tem rocas, bem talvez você seja o único que tenha.”.
B- “Talvez eu tenha... vai se arriscar?” riu. “Senti sua falta a propósito, poderia ter me acordado antes de sair.”
K- “Considere uma vingança por ter me abandonado mais cedo. Acordou só agora?”.
B- “Sim, me surpreendi também, então tudo bem?”.
K- “Tudo maravilhoso! E com você”.
B- “Bem e ainda incrivelmente cansado... estava pensando em ir ao Indian Lake amanhã, o que acha?”.
K- “Aquele que você me levou quando me sequestrou?”.
B- “Esse mesmo então sim ou não?”.
K- “Claro seria perfeito!”.
Kurt e Blaine ficaram conversando no telefone por uma hora antes de desligarem e irem para suas camas.
No dia seguinte Kurt acordou cedo e preparou o café para Burt e Carole, ele realmente queria deixar um clima agradável e desfrutar de todos os momentos que teriam juntado ate sua viajem e claro ate sua provável partida para NY. Momentos assim, por menores que fossem se tornaram significativos para sua família e para ele próprio. Por mais que estivesse feliz com seu namorado em outra cidade a saudade de sua casa seria inevitável.
Enquanto se arrumava em seu quarto ele começou a pensar em pequenas coisas que significavam muito para ele. Antes de Blaine chegar ele pegou sua câmera tirou fotos de Burt e Carole quando não estavam vendo e novamente antes de sair.
Quando abriu a porta daquele carro conhecido ele fotografou o sorriso que Blaine tinha, ele realmente sentiria falta daquele sorriso. A expressão confusa surgiu no rosto do mais velho e Kurt se explicou:
K- “Eu vou viajar em alguns dias e quero me lembrar das coisas que mais sentirei saudade esse sorriso que você me dá quando me vê é o que mais sentirei falta.” Blaine não responde apenas se aproxima de Kurt e o beija lentamente. “Correção seu beijo é, mas é meio impossível lembrar só com uma foto acho que se eu te beijar mais eu posso memorizar.” Blaine sorriu antes de beijar Kurt novamente, o choque da realidade o atingiu juntamente com aquelas palavras...Essa era a última semana de ‘aulas’ o que significava que era o penúltimo fim de semana antes da viagem.
No caminho Blaine se sentia uma celebridade seguida por um paparazzo, Kurt tirou fotos pelos primeiros 15 minutos e depois fotos aleatórias. Em um determinado momento ele segurou a mão do mais novo.
Chegando naquele lugar familiar e maravilhoso eles seguiram para um outro restaurante. Froggy's era um local bem diferente, ele possuía uma área externa com mesas para 2 ou 6 lugares, ambiente interno coberto e uma piscina no centro com bancos submergidos e um balcão enorme onde as pessoas poderiam apoiar suas bebidas e alimentos. Como nenhum dos dois levaram roupas de banho resolveram se sentar na área externa com vista para o lago.
O almoço foi feito com conversas animadas, Blaine pareceu esquecer por um momento do quão nervoso estava com a apresentação e elo tempo que ficaria 03 semanas sem, tocar, beijar e até mesmo olhar para Kurt. Eles ficaram deitados embaixo de uma arvore por horas e horas, trocando carinhos e palavras doces enquanto observavam a paisagem e todos seus componentes.
Compartilhando esses momentos com Kurt era extasiante, ele queria aproveitar máximo que podia. Ele observava cada detalhe do mais novo, o cabelo balançando levemente com a brisa, os olhos azuis estavam mais brilhantes, a luz do sol refletindo em seu rosto tornando a pele porcelana ainda mais pálida. Kurt era perfeito. Ele seguiu sua visão para suas mãos entrelaçadas e sorriu.
B- “Kurt?” disse baixinho.
K- “Hum?” murmurou em resposta.
B- “Me diga algo sobre você que ainda não saiba.” Kurt sorriu
K- “Não estou mais de castigo.” Blaine riu.
B- “Fico feliz em não ter que correr de volta para Lima.”
K- “Me conte algo sobre você que eu ainda não saiba.”
B- “Ok...existe algo.” Blaine parecia nervoso e Kurt virou para o encarar. “Preciso confessar uma coisa.”.
K- “Okay...” a tensão nítida na voz do castanho.
B- “Eu não consegui dormir direito ontem, quando você estava comigo, devo ter acordado umas 3 vezes antes de desistir.” Kurt ouvia tudo com atenção. “Uma hora eu olhei para você dormindo tão calmamente, um anjo que foi destinado para mim.” O castanho sorria com a declaração. “Ai eu olhei para minha mão entrelaçada com a sua e tive mais certeza de que te amava.” Kurt se aproximou para beijar os lábios de Blaine mas o moreno se afastou. “Daqui uma semana eu vou olhar para as mesmas mãos e ficar triste, por que esses espaços aqui entre os meus dedos são onde os seus se encaixam com perfeição.” Os olhos amêndoas estava mais esverdeados e lagrimas acumuladas, Kurt beijou levemente os lábios do moreno, após alguns minutos ele o segurou forte em seus braços.
K- “Eu vou sentir sua falta quando estiver longe.”.
B- “Eu poderia te abraçar pra sempre, e mesmo assim não seria o suficiente.”
K- “Eu te amo Blaine.”
B- “Eu te amo mais Kurt.”
Às vezes, nos deparamos com algum momento. E ele paira e dura muito mais que um momento… E o som para, o movimento para pôr muito, muito mais que um momento…
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