Yao In Wonderland
1 Capítulo 1
Hoje resolveu terminar seu chá mais depressa, só para poder ir deitar-se. Yao ansioso.Recebeu um presente sem motivo: um livro, dado por Hong Kong. O livro era inglês, mas parecia ser interessante. Seu título era 'Alice in Wonderland' — que aventuras uma menininha teria em um lugar chamado País das Maravilhas?
Subiu para seu quarto, tendo em mente a capa do livro. Sentia-se animado como uma criança. Tanto por ser um presente, quanto por fazer já algum tempo que não lia um conto de fadas. Chegou rapidamente no cômodo, com um salto se jogando sobre o colchão, e pegando o livro que estava sobre o travesseiro.
Ajeitou-se de modo infantil entre as cobertas, bagunçando-as um pouco, e abriu o livro. Concentrou seus olhos nas palavras da história, não querendo perder nenhuma letra.
Mesmo já sendo de noite, não sentia cansaço algum. A leitura lhe entretinha, fazendo-lhe imaginar os personagens, o cenário...
Era divertido se imaginar em um lugar “nonsense” como a tal Wonderland, conhecendo os outros personagens igualmente loucos e engraçados como o local.
Imaginou um gato que some, somente deixando seu sorriso – um gato sorridente já seria divertido -, um coelho de colete e relógio. Riu-se com o chá maluco. Pensou em cartas dançando.Realmente parecia uma criança, divertindo-se tanto com o conto. Mas, era criativo.
Passou um bom tempo lendo, sem vontade de interromper aquilo para dormir. Deslizava o olhar sobre cada linha, imaginando os acontecimentos durante toda a história.
Quando finalmente acabou, sentia-se ainda imaginativo – mas cansado. Ainda com as idéias daquele livro na cabeça, foi dormir. Já era tarde, e tinha que descansar. Amanhã poderia reler a história.
Deixou o livro de lado, afundando-se nas cobertas. Apoiou a cabeça no travesseiro, e deixou-se levar pelo sono. Logo suas pálpebras pesaram, lhe fazendo fechar os olhos, e logo adormecer.
Yao primeiramente sonhou com algumas coisas do dia-a-dia, mas ao seu sono se aprofundar mais as cenas do livro lhe voltaram a mente.
Na manhã seguinte acordou com a luz solar sobre seus olhos, devagar lhe despertando. Soltou um grunhido preguiçoso, mas logo se levantou.
Percebeu que não estava em sua cama, mas deitado sobre uma grama fofa e encostado em uma árvore. Olhou em volta, estranhando não estar em seu quarto. E, pelo que viu, também não devia estar nem em seu país.
Reparou também que não estava sozinho. Do mesmo jeito, ao seu lado dormia Hong Kong, com um livro sobre seu colo. Olhou a capa, vendo que era da disciplina de História.
Reconheceu aquilo mais ou menos como a cena inicial do livro que leu na noite passada. A irmã de Alice ensinava a menina sobre algo, quando a pequena caiu no sono. Só, aqui quem dormia era a irmã.
Desviou a atenção do outro, levantando-se para olhar melhor a paisagem. E, sim, estavam na Inglaterra.
Pensou um pouco, lembrando-se da cena seguinte. Quem deveria aparecer agora era o Coelho Branco. Aguardou alguns minutos, mas nada de coelho.
- Onde ele está, aru? — Perguntou a si mesmo, e logo teve sua resposta.
Rápido como uma flecha, alguém passou do seu lado, quase lhe derrubando no chão. Não parecendo notar que havia quase lhe atropelado, quem quer que fosse continuou andando apressado.
Pensou em repreender o outro por ser tão indelicado, mas sentiu que todo seu sangue tinha se dirigido para seu rosto – bochechas, e nariz, por onde começava a escorrer.
Sem se preocupar com a hemorragia nasal, continuou a olhar o que ainda corria. Orelhas brancas e fofas saiam por entre os cabelos negros que conhecia, e um rabinho branco e igualmente felpudo por de baixo do colete que usava. Roupas inglesas, lembrando vagamente um mordomo. Ao invés de sapatos, nos pés tinha pantufas iguais a pés de coelho.
Voltou sua atenção para Kiku, dessa vez o encontrado já bastante afastado. Não o perdeu de vista, apesar da distância entre os dois estar aumentado.
O coelho olhava constantemente para um relógio que tirava do bolso, e para trás, procurando saber se ainda o seguia. Continuava perseguindo-o, mas quase tendo outra hemorragia ao ver o rosto do japonês corar ao lhe encontrar ainda o seguindo.
Continuaram correndo por um tempo, até Yao perdê-lo de vista. Não por ele ter corrido mais ainda, mas sim por adentrar uma pequena toca na terra.
Aproximou-se do buraco, tentando olhar para dentro dele. Alguns centímetros de terra ainda estavam iluminados pelo Sol, mas logo tudo ficava escuro lá para dentro.
Kiku tinha entrado ali mesmo?
Esticou o corpo, depois arriscando-se a entrar ali.
Tinha terra, raízes, escuridão, e nada de coelho. Arrastando-se como faziam os guerrilheiros, tentando se manter abaixado e pequeno, continuava a atravessar o túnel – mesmo sem enxergar nada.
Por algum tempo continuou avançando, temendo um pouco não chegar a lugar nenhum e depois não saber voltar para a superfície.
Ficou com medo de acabar preso naquele buraco, praticamente enterrado vivo, mas logo chegou a algum lugar. Não exatamente algum lugar, mas uma continuação do túnel – maior e aparentemente bem mais longa.
Gritou de susto, não conseguindo evitar sua queda. Caiu por algum tempo, até começar a flutuar. O túnel continuava escuro.
Enquanto “flutuava para baixo”, achava aquilo mais divertido do que ilógico. Algumas vezes sentiu objetos de diversos tamanhos esbarrarem em si, parecendo flutuar como estava agora. Uma vela passou do seu lado, e a pegou.
Usou a vela para iluminar o local até achar um abajur e ascendê-lo. Viu os objetos, móveis e semelhantes, tudo o que poderia compor uma sala ou quarto passando a seu lado. Isso era estranho...
Caiu sobre uma cadeira, que virou logo e lhe deixou continuar a cair. Olhou os livros de uma estante, comeu um biscoito de uma caixinha que passava, passando o tempo. Demorou um pouco para que chegasse no final daquilo.
A saída era uma lareira.
Retirou algumas cinzas de seu vestido, correndo os olhos onde quer que estivesse agora, procurando novamente o coelho branco.
... Vestido?
Olhou para suas roupas, quase tendo um enfarto ao ver que era realmente um vestido. Um pouco mais enfeitado, com babados e etc, mas continuava a se assemelhar ao que Alice usava.
- Ótimo, fui travestido, aru. — Resmungou, mas não tinha outra opção de roupa.
Ainda inconformado com suas novas vestes, continuou a observar em volta. Nada de Kiku, somente algo semelhante a uma casa meio torta, colorida demais e vazia. Talvez fossem os móveis daquele lugar eram aqueles que voavam ao seu lado alguns minutos atrás.
- K-kawaii pantii... — Ouviu alguém murmurar, vindo de trás de si.
Se virou, encontrando o coelho abaixado, levantando sua saia com uma das mãos, olhando curiosamente – e nem tão inocentemente – para o que tinha debaixo dela.Sua primeira reação foi dar um tapa na mão de Kiku, puxando o tecido da saia para junto de suas pernas, corando.
Com aquilo acabou estragando sua chance de pegar o coelho. O japonês se afastou, meio constrangido, e logo voltando a correr. Se esqueceu do vestido e voltou a correr.
Seus sapatos faziam um som diferente, e olhou rapidamente para baixo, encontrando sapatos de boneca.
Novamente, voltando a suas roupas. O que ele disse?
Freou, segurando a barra do vestido, e o levantando. Ficou extremamente constrangido ao ver o que estava usando por baixo. Era melhor não pensar naquilo.
Com a interrupção acabou perdendo, de novo, o japonês. Por sorte ainda continuava a ouvir sons de passos, mesmo abafados. Seguiu o som.
As cores e paredes sem simetria, corredores as vezes estreitos ou largos demais, tetos meio baixos, lhe desnorteavam. Mas, finalmente voltou a enxergar a quem procurava.
Kiku abriu uma porta, rapidamente mudando de cômodo. Correu, tocando a maçaneta logo em seguida, e abrindo a porta.
Por trás da porta tinha outra, e abriu de novo. Uma sequência de portas seguiam aquelas, atrasando mais o chinês.
Acabou chegando em uma porta bem pequena. Se abaixou, tendo que se arrastar novamente para passar. Por sorte a passarem era maior e menos comprida do que a toca que tinha entrado.
Chegou em outro cômodo, nem tão espaçoso, mas bem alto. Dessa vez não reparou na decoração do lugar, somente procurou por Kiku, que parecia não estar mais ali.O lugar não tinha portas ou janelas, e por onde entrou já tinha sumido.
- Hey, aqui! — Ouviu alguém lhe chamar, mas contradizendo isso, não havia ninguém lá. — ... Aqui em baixo, droga!
Olhou para baixo, encontrando uma pessoa bem pequenininha. Era um menino, mas literalmente minúsculo. Abaixou-se para poder vê-lo e ouví-lo melhor.
- Sou o Dormouse, mas pode me chamar de Peter! — Entendeu agora porque ele era pequeno. Mas mesmo diminuto, continuava exalando energia.
Percebeu as orelhas de rato se destacando entre os fios loiros rebeldes, e um rabo comprido atrás dele. Suas roupas, azuis e brancas, lembravam-lhe um marinheiro.
- Que fofo, aru... — Não resistiu em tirá-lo do chão, para confirmar se o ratinho cabia em sua mão.
- HEY, HEY, HEY!! Me ponha no chão! — Se agitou, quase lhe fazendo derrubá-lo. O devolveu ao chão. — Um dia eu serei tão grande quanto você!
- Disse, irritado e ao mesmo tempo dando ênfase ao que disse, se pondo nas pontas dos pés.
Achou difícil alguém com menos de 15 centímetros ficar tão grande quanto ele mesmo. Yao não era alguém muito alto, mas parecia gigante perto do outro.
- ... Enfim. — Bufou, por um tempo enchendo as bochechas de ar, infantil. Voltou a sorrir. — Quer saber como sair daqui?
- Sim, por favor, aru. — Respondeu, educado. Talvez o ratinho não fosse o dono dali, mas provavelmente era habitante ou algo assim, resolveu respeitá-lo.
- Ali tem uma porta. — Apontou, fazendo o chinês finalmente notar a tal porta.
- Uma porta muito rabugenta e jerk, que provavelmente estava lhe ignorando para não abrir.
- Não estava ignorando, estava dormindo. — A porta retrucou.
Se aproximou da porta, vendo que a mesma possuía olhos — tendo como boca e nariz a fechadura e a maçaneta, respectivamente. Tinha até sombrancelhas, que se destacavam até demais.
- Sei... — Logo Peter havia se aproximado dali. — Então, seja o gentleman que diz que é e deixe passar a bela dama, Arthur-jerk.
- Eu sou a porta, eu decido quem passa ou não. — Apesar da irritação na voz, a porta continuava a parecer indiferente.
- ... E-EI! Eu não sou uma "dama", aru!
- Por que está de vestido então? — Arthur riu, debochando, quase perdendo a pose anterior.
- Você é um traveco? — Questionou Peter, parecendo não ter intenções de ofender.
- Não! Quando eu cai nesse lugar, esse vestido apareceu em mim! Não sou mulher, nem travesti, aru. — Respondeu, mas voltando a ficar constrangido por suas atuais roupas.
- Mas você parece um pouco mulher, e... — Peter continuou, mas a porta abriu e fechou rapidamente, acertando o ratinho. O menor se calou.
- Shh! Não questione, talvez ele seja gay. — Arthur censurou-o em tom baixo, mas pode ser perfeitamente ouvido por Yao.
Agarrou o "nariz" da porta , girando-o com força, mais para ver se assim o machucava do que para fazê-lo abrir. Ficou mais irritado do que envergonhado com aquilo, mas sentiu seu rosto corar.
- Não é educado ficar deduzindo a opção sexual das pessoas, aru... — Rosnou, girando a maçaneta de um lado para o outro.
- Vai me quebrar assim! — Reclamou a porta, rangendo as dobradiças.
- Continua então! — Incentivou Peter, rindo.
Mesmo ouvindo Arthur reclamar bastante, só o soltou ao ele pedir para parar. A porta lhe disse que ia abrir para ele passar.
Arthur suspirou antes de continuar: — Eu abro, mas você é grande demais para passar por aqui.
- Como eu faço para ficar pequeno, aru?
- Está vendo aquela mesa ali?
Se virou, procurando a tal mesa. Ao entrar não tinha reparado em nenhum móvel ali dentro, um objeto sequer. Mas ao olhar melhor do nada uma mesa apareceu. Ficou surpreso, mas era conveniente.
- Então, em cima dela tem uma caixa de biscoitos. Se você comer um deles ficará pequeno.
Se era só isso então estava tudo bem. Caminhou até a mesa, procurando a dita caixa de biscoitos. A encontrou — era o único objeto sobre a mesa, e além disso era bem convidativa. Já estava aberta, como se oferecesse um de seus biscoitos.Olhou para os doces, vendo que todos pareciam bem apetitosos. Decidiu pedar o primeiro que viu para não demorar.
Por um segundo pensou se aquilo seria seguro de se fazer, pois não havia ido muito com o jeito da porta. Mas Alice também tinha comido biscoitos, certo? Então continuou.Mordeu um pedaço, e gostando o colocou na boca de uma vez. Tinha gosto de chocolate e morango, que quase lhe fez esquecer que estava comendo para encolher e não para saborear.
- Não coma mais, pode ficar pequeno feito uma ameba. — Advertiu a porta, despertando o chinês da vontade de pegar mais um.
- Não estava pensando nisso, aru. — Retrucou, meio sem graça. Fechou a caixa para que os biscoitos não ficassem lhe "seduzindo".
Logo percebeu-se encolhendo. Encolhendo, cada vez mais ficando menor, até encontrar-se do tamanho de três dedos. Se suas roupas, magicamente, não tivessem encolhido junto consigo pensou que poderia até morar dentro de seu sapato.
Olhou em volta, encontrando tudo extremamente grande. Até o ratinho, antes pequeno para si, estava maior. Caminhou até a porta, esperando que ele abrisse.
- Ah, como sou esquecido! Estou trancado. E a chave está ali em cima da mesa. — A porta disse, rindo.
Olhou de volta para a mesa, vendo que agora o móvel estava pelo menos 50 vezes mais alto que ele mesmo. É, havia sido tapeado.Bufou, indo até lá. Tentou escalar as pernas da mesa, mas mal conseguiu chegar até a metade.
Viu Peter se aproximar, dizendo baixinho — mas para si parecia alto até. Mas enfim:
- Hey, você pode passar por baixo dele. — E Apontou discretamente.
Olhou para o espaço entre a porta e o chão. Agradeceu ao ratinho e correu para ali, rapidamente passando por baixo. Arthur ralhou, xingou, mas havia atravessado.
Notas finais
O próximo acredito que será grande também, e espero que a fic continue assim~
Então, acho que em pouco tempo posto o seguinte. Reviews?
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