Yami
2 Armtvill
Já era de manhã, mas não era cedo. Höran abriu os olhos incomodados pelo feixe de luz laranja e opaca que varava um buraco no telhado. Se encontrava num quarto simples e bem arrumado, deitado sobre um tapete de pele ao lado da cama. Ao se questionar sobre o lugar as memórias voltaram lentamente à sua cabeça, lembrou dos acontecimentos da madrugada, da refeição quente que Joana lhe servira depois dele limpar o chão da taberna, da insistência dela para que ficassem, e enfim abriu um sorriso e se levantou.
Arten estava sentado no meio cama, já parecia bem acordado. — Bom dia! — Disse Höran enquanto bocejava. O garoto respondeu com um sorriso forçado. A dupla já estava junta há tempo suficiente para estabelecerem certa empatia, Höran percebera que seu companheiro se sentia culpado pela situação. — O que aconteceu? — Arten disse baixinho, como se perguntasse a si mesmo. — Você se feriu no barco enquanto fugíamos — respondeu Höran. — Mas estamos seguros, Joana nos abrigou e tratou de suas feridas. — Acho que devo agradecer à ela... — refletiu o garoto. —Onde ela está? — Servindo os clientes, eu acho, estamos em sua taberna. Ambos se dirigiram pra fora do quarto, um estreito corredor levava ao salão, e agora se encontravam ao lado do balcão, de onde avistaram a taberneira entregando os pedidos com pressa. — Joana! — gritaram os rapazes em uníssono antes de trocarem olhares. A moça colocou sobre a mesa de 3 homens gordos as canecas de cerveja que estavam na bandeja, e seguiu para cumprimentar seus hóspedes. — Vocês dormem bastante... — brincou ela. — Eu vim agradecê-la por... — faltaram palavras ao garoto — Tudo. — completou. — Não se preocupe — respondeu gentilmente a moça enquanto esboçava um sorriso. — Vocês me ajudaram com algo, então também lhes sou grata. — Concluiu sorrindo finalmente. — Acho que estamos de partida então, obrigado pela estadia. — Höran disse tristemente, havia gostado da moça. — Vocês podem ficar mais um pouco se quiserem — Joana disse alegremente. — Eu não sei o que pretendem fazer, mas julgando o que aconteceu ontem aposto que será alguma estupidez, e o garoto precisa descansar. Arten entendeu que era brincadeira, Höran olhava confuso para o amigo que sorria sem entender o motivo. — Sentem-se — interrompeu Joana apontando para uma mesa próxima. — Já lhes trago algo para comer. E lá sentaram, a taberneira voltou em instantes trazendo duas canecas de cerveja e um prato com alguns pães cobertos com mel e castanhas moídas. Estavam famintos, comeram e beberam em segundos, Joana já não estava mais ali quando Höran se lembrou de agradecer. Ele esperou olhando por sobre os ombros tentando avistar o balcão e para frente procurando entre as mesas. Não viu a moça, mas ao olhar para a entrada viu um rosto familiar. Será que era... sim! O homem com quem havia brigado horas atrás estava ali com um amigo acompanhando-o, os olhares se cruzaram e o homem se dirigiu à mesa onde Höran estava sentado enquanto os outros clientes da taberna se levantavam e aproximavam a fim de assistir a uma briga. — Nem acredito que ainda esteja aqui! — Disse o homem em tom de deboche. — Quem é esse? — Sussurrou Arten confuso. — Esse é um... — Höran começou a explicar quando foi interrompido: — Klaus! E sugiro que se afaste. Arten tentava entender porque esse homem encarava seu amigo, quando ia abrir a boca pra perguntar surpreendido pelo homem que acompanhava Klaus. Um gordo mais baixo que ele que usava uma túnica vermelha sem mangas com a gravura de um farol dentro de um círculo na altura do peito. — Senhores, — falou educadamente o homem olhando para Arten e Höran. — Eu soube dos acontecimentos da madrugada de hoje, saibam que esta é uma cidade pacífica, e que esta é a primeira advertência, se voltarem a gerar problemas, temo que fiquem presos por bons anos em nossa prisão. Höran cruzou olhares com Arten, nenhum deles arecia entender direito o que estava havendo, o garoto estava desmaiado até pouco tempo atrás e Höran não entendia o motivo de estarem culpando-o. — Senhor Bergóri, — a voz de Joana tomou o lugar silenciando os cochichos entre os clientes. — tudo que esses homens fizeram foi por minha causa. — Estou ciente. — Respondeu o homem mudando com desprezo. — Klaus estava bebendo até de madrugada novamente, e eu precisava fechar a taberna para que... — Como eu havia dito, — interrompeu Bergóri — estou cinte. — Ele olhou rosto a rosto dos que estavam envolvidos na situação. — O aviso foi dado, e espero que não se repita. — Virou para Klaus — vamos, temos assuntos a discutir. Ambos saíram enquanto Klaus lançava seu olhar de ódio sobre o ombro, os clientes voltaram a comer e Joana se sentou com seus novos amigos. — Alguém pode me contar o que está acontecendo? — Indagou Arten. — Conversaremos depois que eu fechar — respondeu séria enquanto os fitava. — Seja lá o que pretendam fazer esta tarde, não arrumem confusão, principalmente com os Cuidadores de Armtvill. — Cuidadores? — Indagaram os rapazes em uníssono.
— Evitem pessoas com túnicas vermelhas. — Retrucou Joana. Joana se levantou e saiu, depois de tomar o que havia restado de cerveja nas canecas os rapazes fizeram o mesmo. — O que faremos? — perguntou Arten enquanto cruzavam a porta da taberna. — Acho que deveríamos ir ao porto, nossas armas ficaram no barco. Caminharam alguns minutos até chegarem ao porto, e claro, o não tinha barco algum ancorado lá. Como esperado. — Parece que ficaremos aqui por mais que uma noite. — O garoto tentou brincar. — E mais uma vez vamos começar de novo... — retrucou o amigo. As horríveis memórias de seu passado encheram a cabeça de Arten, que olhou para o lado e para cima fitando o rosto de Höran que encarava o horizonte, inexpressivo, e então começou a sorrir. — Belas palavras...—[♦]—
Notas finais
hey galera, espero que tenham gostado, quem quiser me adicionar pra gente trocar uma ideia fique a vontade :3
pergunta:
qual dos símbolos do escudo mais te agrada?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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