YOU

1 Novo nome, Nova casa e Nova História


Notas iniciais
Oieee, hoje o dia está inspirador... Então resolvi começar mais essa Fanfic para vocês... espero que goste e não me matem...

As pessoas dizem que o amor muda tudo.

Elas estão certas.

Às vezes ele muda até quem vive… e quem morre.


O avião começou a descer lentamente sobre Los Angeles, e pela primeira vez em muito tempo eu senti aquela estranha mistura de calma e tensão que sempre aparece logo depois que você destrói completamente uma vida. Não a sua, claro. A de outra pessoa. A minha vida estava apenas… se reorganizando. Era assim que eu gostava de pensar. Reinvenção. Evolução. Sobrevivência. As luzes da cidade brilhavam abaixo das nuvens como um mar infinito de pequenas promessas falsas, todas piscando ao mesmo tempo, como se gritassem: aqui ninguém conhece você. E essa era a melhor parte. Em uma cidade pequena como Forks, as pessoas sabem quando você muda o corte de cabelo, quanto mais quando alguém morre. Mas Los Angeles… Los Angeles é diferente. Aqui as pessoas reinventam a própria identidade antes do café da manhã. Aqui todo mundo mente. Aqui ninguém presta atenção em ninguém por tempo suficiente para perceber quando algo está errado. Era o lugar perfeito para alguém como eu desaparecer.

Meu nome, pelo menos naquele momento, não era Edward Cullen. Edward Cullen tinha ficado enterrado em algum lugar úmido e silencioso do estado de Washington, junto com memórias que ninguém jamais deveria encontrar. Agora eu era Anthony Masen. Um nome simples, elegante, discretamente aristocrático. Pertencia originalmente a um hacker paranoico e socialmente inútil que teve o azar de cruzar o meu caminho alguns meses atrás. Um homem que vivia escondido atrás de telas, códigos e fóruns obscuros da internet, convencido de que o mundo estava sempre tentando roubá-lo. Ironicamente, ele estava certo. Eu roubei a vida dele com uma facilidade que até hoje me surpreende. A identidade, os documentos, os históricos digitais… tudo perfeitamente transferido. Ele ainda estava vivo, claro. Eu não sou um monstro irracional. Mas também não podia permitir que ele voltasse ao mundo. Não depois de tudo que eu já tinha feito usando o nome dele. Então Anthony Masen, o verdadeiro , permanecia guardado em um lugar seguro. Seguro para mim, pelo menos.

O avião pousou suavemente e eu observei os passageiros levantando, pegando suas malas, falando alto no celular, todos mergulhados naquele frenesi típico de aeroportos. Ninguém olhava para mim. Ninguém nunca olha. Isso é algo que a maioria das pessoas não entende: invisibilidade não significa ausência. Significa apenas saber ocupar o espaço certo sem chamar atenção. Eu aprendi isso muito cedo. Aprendi quando percebi que o mundo é cruel com pessoas que não sabem se adaptar. Cruel com pessoas que amam demais. Pessoas como eu.

Tanya não entendeu isso.

Tanya achava que amor era um jogo.

Ela estava errada.

A memória dela apareceu na minha mente como uma fotografia antiga — olhos claros, sorriso calculado, mãos que sempre pareciam ocupadas demais com o celular. Eu lembrava exatamente do momento em que percebi. O momento em que tudo fez sentido. A traição, as mentiras, as sessões intermináveis com aquele psicólogo ridículo que fingia ouvir enquanto claramente a desejava. Eu fiz o que precisava ser feito. Eu sempre faço o que precisa ser feito. As pessoas gostam de chamar isso de violência, de obsessão, de loucura. Mas a verdade é muito mais simples.

Eu protejo o que amo.

O carro do aplicativo me deixou algumas quadras antes do prédio onde eu alugaria meu novo apartamento. Não era paranoia. Era precaução. Em cidades grandes você aprende rapidamente que quanto menos rastros deixa, melhor. Caminhei pela calçada observando o bairro. Los Angeles tinha aquele cheiro peculiar de asfalto quente misturado com perfume caro e café orgânico. Tudo parecia um cenário cuidadosamente montado para convencer o mundo de que ali era o centro da felicidade humana. Pessoas caminhavam com roupas esportivas impecáveis, segurando copos de smoothies verdes como se fossem troféus espirituais. Influenciadores gravavam vídeos na rua, falando sobre “energia”, “autenticidade” e outras palavras vazias que vendem muito bem quando embaladas em filtros bonitos.

Eu escolhi aquele prédio exatamente por isso.

Era invisível no meio do barulho.

Uma construção de cinco andares, fachada neutra, janelas grandes, nenhum porteiro curioso. Apenas um interfone digital e corredores silenciosos. O tipo de lugar onde pessoas ocupadas demais com suas próprias vidas não fazem perguntas. Meu apartamento ficava no terceiro andar, de frente para uma rua tranquila. Nada luxuoso, nada miserável. Apenas funcional. Entrei, fechei a porta e caminhei lentamente pelo espaço, avaliando cada detalhe como sempre faço quando chego a um novo lugar.

Cozinha pequena.

Sala com duas janelas.

Quarto simples.

Perfeito.

Perfeito porque não havia nada ali que sugerisse permanência. Nenhuma memória. Nenhum passado. Apenas espaço vazio esperando para ser ocupado por uma nova história.

Minha história.

Ou melhor… a história de Anthony Masen.

Eu respirei fundo, caminhei até a janela e observei a rua abaixo. Um grupo de jovens passou rindo, falando sobre um retiro espiritual de yoga que aconteceria naquele fim de semana. Uma mulher corria com um cachorro pequeno vestido com um casaco ridiculamente caro. Um homem discutia no telefone sobre uma reunião em Hollywood. Ninguém estava olhando para mim.

Exatamente como eu queria.

No dia seguinte comecei a trabalhar.

O Complexo Higginbotham ficava a algumas quadras dali. Era impossível não notar o lugar. Um conjunto arquitetônico moderno, cheio de vidro, plantas ornamentais e aquele ar artificialmente acolhedor que empresas ricas adoram vender. Havia uma livraria elegante, uma cafeteria artesanal, um pequeno mercado de produtos naturais e algumas salas onde aconteciam aulas de hot yoga, meditação guiada e outras terapias alternativas que prometem curar almas vazias por preços absurdos. Era o tipo de ambiente onde pessoas com dinheiro suficiente fingem viver de maneira simples.

E ali, no meio de toda aquela espiritualidade gourmet, ficava o meu novo emprego.

A livraria era grande, silenciosa e cuidadosamente organizada. O cheiro de papel e madeira me recebeu assim que entrei, e por um momento eu quase senti algo parecido com nostalgia. Livros sempre foram honestos. Diferente das pessoas. As pessoas mentem. Livros apenas esperam.

— Você deve ser Anthony.- A voz doce veio de atrás do balcão.

Eu me virei lentamente e foi nesse momento que tudo mudou. Você estava ali...

Isabella Higginbotham.

Não exatamente como nas fotografias que eu vi na internet alguns dias antes. Mais real. Mais viva. Cabelos escuros caindo sobre os ombros, avental amarrado na cintura, uma pequena mancha de farinha na manga da camisa. Ela segurava uma bandeja com duas xícaras de café e me observava com um sorriso leve, curioso.

Você.

É estranho como certos momentos parecem predestinados. Como se o universo inteiro estivesse apenas esperando que duas trajetórias colidissem. Eu prometi a mim mesmo que isso não aconteceria de novo. Prometi que Los Angeles seria diferente. Sem vínculos. Sem histórias complicadas. Sem… você.

Mas então você apareceu.

— Anthony Masen? — Bella perguntou, inclinando levemente a cabeça. — Jasper disse que você começaria hoje.

— Sou eu.- disse forçando um sorriso.

— Bem-vindo ao caos saudável do complexo Higginbotham — ela disse rindo baixinho e colocou uma das xícaras no balcão. — Café?

Eu aceitei pegando das suas pequenas e delicadas mãos.

— Obrigado.- disse sorrindo torto.

Ela apoiou os cotovelos no balcão por um instante, observando meu rosto como se estivesse tentando ler alguma coisa ali. Curiosidade genuína. Não julgamento. Não cálculo. Apenas interesse humano simples.

Diferente de Tanya, que sempre observava procurando vantagem.

Você apenas observava.

— Então… de onde você veio, Anthony?- perguntou ela curiosa.

A pergunta era inevitável eu já tinha a resposta pronta, ensaiada.

— Seattle.- menti

Mas tecnicamente era verdade, era verdade sim.

— Mudança grande — ela comentou com os olhos castanhos arregalados.

— Às vezes recomeçar é necessário.- suspirei.

Ela sorriu novamente.

— Concordo.- disse Bella.

E naquele momento, enquanto você segurava aquela xícara de café e me olhava como se eu fosse apenas mais uma pessoa comum… eu senti algo que não sentia havia muito tempo.

Calma.

Logo depois dela apareceu um homem alto, largo, com expressão despreocupada e olhos levemente vermelhos.

Emmett Higginbotham.

— Bella, você viu meu… — ele parou ao me notar. — Ah. Você é o cara novo.

— Anthony — Bella disse. — Ele vai ajudar na livraria.

Emmett apertou minha mão com força excessiva.

— Emmett. Roteirista frustrado, gênio incompreendido, consumidor ocasional de substâncias que minha mãe prefere não mencionar.

— Ele quer dizer drogas — Bella murmurou, revirando os olhos.

— Alegações sem provas — Emmett respondeu rindo.

Eu observei os dois.

Irmãos gêmeos, com aquela conexão evidente e extrema proteção. Era Interessante observa-los...

Mais tarde, naquela mesma noite, eu estava em casa.

O apartamento estava silencioso. Mas não completamente vazio.

O compartimento de vidro ocupava boa parte do espaço do quarto dos fundos. Uma estrutura reforçada, resistente, impecavelmente limpa. O tipo de construção que exige planejamento, paciência e experiência.

Experiência que eu já tinha adquirido em Seattle e em Forks.

Dentro da cela, sentado no chão, estava o verdadeiro Anthony Masen.

Ele levantou os olhos quando eu entrei.

— Você disse que isso seria temporário.- ele me indagou.

Eu observei o homem por um instante.

— Foi o que eu achei também.- dei os ombros.

— Eu não fiz nada com você.- ele continuo

— Eu sei.- suspirei

— Então por que…

— Porque às vezes pessoas inocentes se encontram em circunstâncias inconvenientes.- disse seco.

— Você é um psicopata.- diz Anthony rindo nervosamente.

Talvez...Ou talvez eu seja apenas alguém que entende o mundo melhor do que a maioria.

Eu apaguei a luz do quarto e voltei para a sala.

Peguei o laptop e sem perceber já estava digitando um nome.

Isabella Higginbotham.

Você.

Redes sociais, fotografias, entrevistas, eventos, hábitos, sua rotina...Eu parei, respirando fundo e tentando normalizar meu coração que estava batendo acelerado na garganta.

Não.

Desta vez seria diferente, eu não faria isso.

Não com você.

Eu fechei o computador e encostei na cadeira olhando para o teto.

— Você vai ser diferente — murmurei para mim mesmo.

Porque você parecia diferente. Porque você parecia… genuína.

Porque talvez, só talvez, o problema nunca tivesse sido eu.

Talvez o problema sempre tenha sido encontrar a pessoa errada, mas enquanto eu dizia isso para mim mesmo…

Minha mente já estava memorizando o horário em que você abriu a cafeteria.

O caminho que você fez até a livraria.

A forma como você mexeu no cabelo quando ficou nervosa.

Eu sorri levemente.

— Só observando — murmurei sorrindo torto.

Afinal…Proteger alguém exige atenção e desta vez eu faria tudo certo.

Desta vez, Isabella Higginbotham…você seria diferente.

Notas finais
Gostou?? Deixa tua opinião nos comentários<3