Notas iniciais
Espero que estejam gostando :D
Eu estava escondida atrás de uma pilastra e ouvi alguém dizer que não era pra deixar escapar, que são obrigados a ficar aqui, eles tem que achar a cobaia. Do que estavam falando? Quando vi quem era me assustei. O senhor Bascaro estava nervoso e falava com um outro homem que não vi quem era. Bascaro me viu e mandou o homem me pegar. Tentei correr, mas ele já estava me segurando pelos braços. O homem me arrastou até uma sala escura e me prendeu à uma cadeira de cobre. Colocou algo que parecia um capacete em minha cabeça, mas eu não estava permitindo. Me debati e gritei, mas foi inútil, ele conseguiu colocar aquele capacete em mim. O senhor Bascaro me assistia, recostado na porta, de braços cruzados e sorria para mim. Perguntei o porquê de estar fazendo aquilo comigo e ele respondeu dizendo que todos éramos ingênuos. Então, minha visão foi ficando turva e escura. Até que não vi mais nada.
Acordei assustada e ofegante, percebi que também estava suando fio. Mas que sonho foi esse? Seria um aviso de que o Senhor Bascaro e o instituto não são o que realmente pensamos ser? Não. Deve ser apenas um desses pesadelos de primeiro dia em um lugar diferente. Olhei o despertador automático e ainda eram 01:02 da manhã. Eu havia perdido o sono, então levantei-me e saí de fininho do quarto para não acordar Stephanie. O corredor estava escuro e silencioso, havia apenas a claridade da lua cheia que entrava pela janela. Desci as escadas e fui para o pátio principal. Estava tudo muito silencioso, não passava ninguém sequer. Se eu fosse pega fora de meu quarto, sabendo que sair durante a noite é proibido, receberia um belo de um castigo. Entrei em um corredor estreito do pátio, onde havia uma porta que dava para o lado de fora e que nunca era trancada. Damien me mostrou quando estava me apresentando o instituto. Ele disse que usam-na para "dar umas escapadas noturnas". Girei a maçaneta devagar e saí.
O movimento lá foraestava estranho. Não via e nem ouvia nada, mas sentia alguma presença. O ar estava parado e a lua cheia iluminava o jardim sinistro do instituto. Fui andando cuidadosamente para não fazer barulho, mas escutei algo e paralisei. Pareia um rosnado de cão, só que parecia ser algo maior e assustador. Andei mais um pouco e me escondi, me abaixando atrás de uma coluna do prédio. Fiquei ali, olhando para frente, para onde parecia vim o rosnado. Então, uma sombra se projetou e percebi que não era nada humana. Prendi a respiração e um calafrio subiu pela minha espinha. A sombra começou a criar forma e pude ver suas feições. Ela tinha o que pareciam asas enormes e algo grande e corcundo se movia inquieto. Parecia algum tipo de animal quadrúpede, mas não sabia qual.
Um nó se formou em minha garganta quando vi o que realmente era. Parecia uma besta, mas era de pedra. Era uma gárgula. Meu coração acelerou quando vi que ela estava farejando algo no ar. Ou alguém. Eu. Por que fui dar na ideia de sair do quarto? Agora estava prestes a virar comida de gárgula. Uma mão cobriu minha boca e me puxou para trás, fazendo-me cair de costas no colo de alguém.
"OH, DROGA! ME ENCONTRARAM. AGORA VOU SER CASTIGADA OU ATÉ EXPULSA DO INSTITUTO POR QUEBRAR AS REGRAS. ESTOU PERDIDA!" ,pensei.
Um rosto apareceu por cima de minha cabeça e colocou o dedo indicador sobre os lábios fazendo um shiado para que eu fizesse silêncio. O rosto estava coberto pela escuridão, mas seus olhos brilhavam como faróis. Espera. Eu conheço esses olhos. O que ele está fazendo aqui fora? É a mesma pergunta que terei que responde-lo.
"Vem andando devagar!" Leancy sussurrou bem baixinho perto de meu ouvido e me ajudou a me levantar. Fomos para os fundos do instituto e ele abriu uma porta que dava para um porão e entramos. "Você é maluca? Por que não está no seu quarto?" Leancy segurou meu braço e ainda sussurrava, só que não tão baixo.
"Te faço a mesma pergunta!" Olhei pra queles olhos que tanto me fascinavam, mas desviei rapidamente para que não pudessem me hipnotizar. "Tive um pesadelo e perdi o sono,
então fui andando pelo instituto e saí. Não sabia que teria uma gárgula de vigia no jardim!"
"Esse é o problema das garotas, elas nunca pensam no que pode encontrar no caminho."
"Ah, claro!" coloquei as mãos na cintura. " Como se os garotos fossem muito inteligentes e convenientes..." Ele arqueou uma das sobrancelhas e deu um meio sorriso de lado e olhou para trás.
"Vem!"
"Pra onde?"
"Vem logo!" Leancy puxou-me pela mão e me levou pro final do porão. Ele abriu uma porta quadrada que ficava no chão. Pude ver apenas alguns degraus de escada e logo um breu profundo lá embaixo.
"Não vou entrar aí!" disse, recuando um passo.
"Está com medo? Além de tímida ainda é medrosa?" Leancy dá uma pequena risada.
"Não. Não sei o que pode fazer comigo!"
"O quê? Acha que eu tentaria te fazer algum mal?"
"Não sei. Não te conheço!"
"Pois então eu me apresento: não sou covarde." ele cruzou os braços e se inclinou para frente. "E se eu quisesse, já teria feito!"
"Por que quero te mostrar um lugar, mas se continuar de palhaçada, desisto."
"Tudo bem!"
"Eles não sabem que sabemos desse lugar."
"Por quê? O que tem lá?"
"É um lugar que as vezes ficamos... Vai entrar ou ainda acha que vou te estuprar?" Leancy arqueou as sobrancelhas.
"Vou entrar!"
"Então!" Ele sai da frente, me dando caminho para passar na frente. Fui descendo devagar e cuidadosamente, pois não conseguia enxergar os degraus à minha frente. Muito menos quando Leancy fechou a porta.
Eu mesma achei que estava demorando demais para descer, mas se eu fosse rápido iria cair. Percebendo que eu estava com medo de cair escada à baixo, ele colocou as mãos em meus ombros e os segurou. Seu toque me causou arrepios por todo o corpo. Me segurando, Leancy foi me conduzindo para descer mais rápido. Não o porquê, mas isso me deu mais segurança. Confiante, desci mais rápido, mesmo não vendo os degraus. De repente, quando fui descer outro, pisei em falso e meu pé torceu. Senti-me cair para a frente e levando Leancy junto comigo.
Rapidamente ele me girou, me colocando de frente para ele, para que eu não caísse de cara no chão. Caí de costas no chão e fiquei sem fôlego quando Leancy caiu por cima de mim. Não consegui respirar e nem me mover, ele era muito pesado e eu estava tonta, para variar. Ele saiu de cima de mim e me ofereceu ajuda para levantar, mas eu não conseguia. Minhas forças tinham ido embora e meu oxigênio também. Leancy me sentou devagar e me apoiou na parede. Eu não parava de puxar o ar para meus pulmões e de reclamar de dor nas costas. Provavelmente terei problemas de coluna no futuro. Fiquei ali sentada, recuperando o fôlego.
"Você está bem?" ele se ajoelhou em minha frente e passou a mão em minha testa suada.
"Estou. Só minhas costas que estão doendo muito."
"Desculpa!"
"Não foi sua culpa! Eu que peguei confiança demais e acabei pisando em falso. Se estivesse se segurando em mim, você não teria caído também!"
"Mas se eu não tivesse te segurando, não teria conseguido te virar e impedir que caísse de cara no chão. Eu em si não me machuquei, mas acabei te machucando!" Leancy me olha nos olhos e me sinto maravilhada com o brilho dos seus olhos.
"Já vai passar. Não se preocupe!" fiz esforço para me levantar e ele me ajudou. Caramba, como doeu quando me levantei! "Ai! Vamos!"
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