Xtreme-Instituto

2 A chegada ao Instituto Xtreme


Foram quase uma hora de estrada para chegar lá. Estávamos num caminho de pedras agora, quase chegando ao destino. A van parou em frente à um enorme portão de cobre que tinha forma de raízes e no topo dele estava escrito: Instituto Xtreme. Os portões fizeram um som sinistro ao se abrirem e van entrou devagar. Outro barulho se seguiu quando se fecharam atrás de nós.

A van foi seguindo lentamente pelo caminho de pedra como se fosse para que visse melhor o lugar. Havia um enorme jardim na entrada, as árvores eram retorcidas e suas folhas estavam caindo, colorindo o chão. As paredes dos instituto são cobertas por plantas eras e havia uma torre, e quase no topo dela, havia duas estátuas de gárgulas. Isso me causou calafrios.

A van estacionou em frente à uma porta de madeira que supus ser a da diretoria. Desci do automóvel e um rapaz pegou minhas bagagens no porta- malas e levou-as para dentro. Um senhor de, aproximadamente, 60 anos, saiu pela porta e vinha em minha direção. Ele era baixo e esbelto, seus cabelos grisalhos eram encaracolados, seus olhos eram azuis bem claros, quase brancos. Apesar de parecem normais, seus olhos tinham algo que pessoas normais não tem. Transmitem curiosidade e perversidade.

Senti um arrepio correr de cima à baixo em meu corpo. O senhor abriu a porta e me convidou para entrar. Entrei e me surpreendi ao ver que tudo na sala era de madeira: a mesa, as cadeiras, os móveis, o chão, o teto e até as paredes. Apesar de tudo ser de madeira, a sala não era feia. Pelo contrário, parecia da época da antiguidade, porém muito mais moderno.

Pensei que ele pediria para que me sentasse e me encheria de perguntas, mas não. Ao invés disto, abriu uma segunda porta que dava para um outro tipo de jardim, só que sem árvores retorcidas e folhas no chão, mas sim com vários jovens conversando, alguns de pé e outros sentados em bancos de madeira. Fui passando por eles, seguindo o senhor e todos pararam o que estavam fazendo para me olhar, curiosos e surpresos. Ah não. Outra vez não.

Por que todo mundo sempre me olha com espanto? Senti vontade de dar meia volta e ir embora para casa e nunca mais voltar. Mas percebi uma coisa. Todos eram com eu, quero dizer, todos tinham as cores dos olhos exóticas. Uns tinham olhos amarelos, outros tinham olhos alaranjados e outros...tinham olhos vermelhos. O que será isso? Vampiros? Não. Essas coisas não existem. O jardim era um tipo de sala e o senhor parou à minha frente. Também parei.

"Sou Bascaro, coordenador! Volto num instante. Fique aqui!" disse ele, saindo por outra porta.

Fiquei ali parada olhando todos à minha volta. Mais à frente, há mais ou menos uns 15 metros, estava um garoto encostado num poste de iluminação,com as mãos dentro dos bolsos de seu sobre- tudo e tive a impressão de que estava me encarando. Bom, na verdade todos estavam, mas não tão fixamente quanto ele. A primeira coisa que vi foram seus olhos. Eram brancos e extremamente brilhantes, pareciam faróis de carro.

Não conseguia parar de olhar, eram lindos. Mais do que todos ali vira. Senti-me concentrada em seu olhar e ele parecia me chamar. Alguém segurou meu braço.

"Não olhe muito! Ele tem o poder da hipnose!" Bascaro sussurrou em meu ouvido e eu pareci acordar de um transe.

Eu estava viajando em seus olhos, mas estava muito lúcida. Não estava sendo hipnotizada. Ou estava? Parei de olha-lo e segui o senhor Bascaro até o pátio do instituto. Antes que cruzasse a porta do pátio dei uma última olhada no garoto. Ele ainda me encarava fixamente com aqueles lindos e atraentes par de olhos brilhantes. Numa poltrona marrom, estavam cinco jovens sentados. O primeiro da ponta me olhou e arregalou os seus olhos, ficando surpreso. E eu também fiquei. Ele tinha os olhos violetas como eu. Passei por eles e parei ao lado de Bascaro.

"Pessoal, esta é Violet Olahario! Será a nova colega de vocês." disse ele, virando-se para mim. "Violet, estes são Damien, Hadassa, Eric, Dyon e Blenda! Espero que se deem bem..." ele olha o relógio. " Infelizmente não vou poder lhe mostrar o lugar agora, tenho uns assuntos a resolver. Mas talvez... " ele deixa a frase pairando no ar e vira-se de volta para eles. "Damien, poderia mostra-la o lugar, por favor?

"Claro, senhor Bascaro!" disse Damien ainda sentado.

"Ótimo! Até logo!" Bascaro me deu um aceno de cabeça e se virou para ir embora. Fiquei olhando-o se afastar cada vez mais.

"Pronta?" ouvi Damien falar por trás de mim eme virei, num susto. Ele estava praticamente colado em mim, perto demais. Foi aí que pude observar seus detalhes. Cabelo castanho — médio curto, olhos violetas mais claros que os meus, sobrancelhas pouco grossas, pele tão pálida quanto a minha e lábios rosados... como os meus.

Quando sorriu, pude ver seus dentes perfeitos, alinhados e brancos. Damien era 20 centímetros mais alto que eu e duas vezes mais forte. Fiquei meio sem jeito e nervosa, nunca havia ficado tão perto de um garoto como estou agora. Ainda mais sendo lindo. Me encantei e me fiz a pergunta que sempre fazia quando via um garoto bonito no colégio: Será que ele gostaria de mim? Diferente das respostas que sempre vinham com um porquê, esta foi positiva. Havia chances de ele gostar de mim, pois Damien na se assustava comigo como os outros se assustavam. Ele é igual a mim. Percebendo que o estava olhando demais, recuei um passo para trás e balancei a cabeça positivamente.

"Então vamos começar por aqui mesmo!" disse Damien, colocando a mão em minhas costas e virando-me de frente para os outros que estavam sentados na poltrona. Senti um arrepio na espinha e contraí o abdômen no mesmo instante que me tocou. "essa é Hadassa, tem o poder do convencimento..."

"AHN? PODER? COMO ASSIM? NÃO SÃO NORMAIS? SÃO MUTANTES? ISSO QUER DIZER QUE TAMBÉM SOU? ENTÃO ISSO DE OLHOS VIOLETAS NÃO É UMA VALHA GENÉTICA COMO DIZIAM OS MÉDICOS?" pensei.

"...esse é Dyon, ele tem o poder do pressentimento. E essa é Blenda, ela tem o poder da visão da cura." Damien deu um aceno de cabeça para os amigos e me levou para conhecer outro lugar. Caramba, nem ouvi quando disse qual era o poder de Eric.

"E você?" perguntei.

" Eu o quê?"

"Qual é seu poder?"

"Ainda não sei."

"Como não sabe?" perguntei surpresa, mas ainda confusa com essa história de "poderes especiais".

"Não conseguem descobrir! Disseram que minha mente pode ter um bloqueio que não os permite chegar numa resposta."

"Nossa! Mas por que não?"

"Por isso!"

"ELE NÃO ENTENDEU MINHA PERGUNTA." pensei.

"A minha mente é um enigma, não conseguem encontrar nada."

"TALVEZ SEJA PORQUE REALMENTE NÃO TENHA NADA DENTRO DELA!" Que grosseria minha pensar isso, coitado. Ele está triste por não conseguirem descobrir seu poder.

"Talvez deve ser porque você mesmo tem que descobrir sozinho."

"Mas como?" ele disse, chegando perto de novo. "Não consigo perceber nada! Talvez eu seja o único estranho que não tem poderes." Damien diz com tristeza.

"É claro que você tem, assim como eu também devo ter!"

"...DEVO TER..." pensei.

"Olha! Vou tentar pensar uma maneira de você descobrir seu poder. Tá?"

"Sério?" ele abriu aquele sorriso e segurou meus braços. Outra vez estava perto demais, mas gostei disso. "Assim posso te ajudar a descobrir qual é o seu poder!"

"...MEU PODER..." isso ficou ecoando em meu pensamento.

Damien continuou a me mostrar o instituto e esclareceu o que eu estava querendo saber desde o início. Ele disse que nós, que temos a cor dos olhos diferente da de todo mundo, somos especiais. Cada um tem um poder e um objetivo, alguns são mais evoluídos e têm mais poderes que outros. Há alguns que não conseguem desenvolver seus poderes, como é o caso dele. Esses especiais criaram um tipo de bloqueio natural. Damien terminou de me mostrar tudo em 1:30 hora. Depois me levou até o corredor onde ficavam os quartos femininos e despediu-se de mim.Uma mulher que se identificou como supervisora de corredores e me conduziu até meu quarto.