XadreZ

13 Capítulo 12


Notas iniciais
Meu capítulo favorito. Tensoooo

Depois disso não consegui conversar com ele que simplesmente me ignorava toda vez que nos cruzávamos pelos corredores. É claro que Ian percebeu que algo estava acontecendo e lhe contei tudo como ja havia decidido fazer e ele compreendeu sem ciúmes embora em situações como essa, acho que devia sentir pelo menos um pouco mas não posso reclamar.
Por outro lado, Kat e Erick parecem estar se dando muito bem ultimamente. Eles tem sentado juntos na hora do almoço e conversado até a hora de voltarmos a treinar. Até os vi rindo, o que não acreditei. Nem eu e nem Ian que estava a meu lado.
Quando perguntamos, ele diz que apenas tem gostos em comum mas não passam de amizade. Ian consentiu mas eu tenho minhas dúvidas principalmente conhecendo minha amiga que nunca quis ficar com homem nenhum e foram vários os pedidos de namoro. Ela ficou conhecida por isso como a Dama intocável. Se bem que ninguém nunca ousou falar isso alto por que, embora tudo, ainda gostam dela.
E esse último mês passou ainda mais rápido do que o outro. Quando percebemos, ja estávamos no último dia antes da disputa.

— O que teremos hoje? O treinador não nos mandou pra quadra. Achei que hoje que pegariam mais pesado com a gente. — Thomas nos perguntava enquanto íamos para uma outra sala no segundo andar.
— Não tem como evoluirmos em um único dia além do que, se estivermos esgotados do treinamento como ficamos todos os outros dias, nosso rendimento vai cair amanhã. Hoje será algo mais leve. — Andy falava com a confiança de quem entende do assunto.
— Pela indicação, chegamos. — Ian nos diz quando paramos em frente a uma porta de ferro.
Quando entramos, a atmosfera era igual a de um hospital, um lugar ermo, quieto todo claro. Com camas ao lado de gigantescos computadores. Enquanto ainda estávamos parados a porta, Charlie aparece para matar nossa curiosidade, embora agora ja imaginemos o do que se trata.
— Bom dia a todos. — Nos retribuímos.
— Que lugar é este? Parece um hospital. — Thomas foi logo se apressando a perguntar.
— É quase isso. Esse lugar mede a capacidade física de cada um bem como a saúde do corpo como um todo. Vocês passaram por um treinamento muito intenso estes últimos meses e por isso um acompanhamento médico para ter certeza de que estão todos bem é necessário. Não se preocupem que não vai sentir nada. Os computadores aqui ao lado. — Ele se vira apontando uma das máquinas. — São projetados para fazer uma analise minuciosa de todo o corpo do paciente sem a necessidade de exames como de sangue e outros desagradáveis. Os resultados saem na hora e vocês só terão que ficar deitados. Logo serão liberados para descansar por hoje.
— Vamos ter uma folga? Isso! — Thomas comemora.
— As enfermeiras ja virão chama-los. Bom dia a todos. — Ele se retira sorrindo carinhosamente para Ian e Erick mas só obtém uma resposta de Ian. E sai da sala.
Ficamos um pouco apreensivos com essa total invasão mas sabemos ser necessária e logo somos chamados cada um para uma cama diferente, totalmente separados e sem a visão um do outro por que quando sentamos na cama, um tipo de polímero duro, cortinas de pano são fechadas a nosso redor.
— Bom dia, Alice. — Uma enfermeira loira de roupas brancas e sorriso delicados me diz. — Pode se sentar. — E aponta a cama para mim. Eu me sento e ela fecha a cortina a nossa volta.
— Pode se deitar e ficar relaxada, tudo bem?
— Tudo bem. — não é preciso tirar a roupa. O escaner ignora tecidos finos. Me deito um pouco nervosa mas respiro fundo para me manter calma.
Depois de mexer em algumas teclas no computador , um grande arco aparece em volta de mim, saindo de baixo dos pés da cama, uma peça de cada lado e me envolve.
— Pode fechar os olhos agora. — Eu os fechei e o arco deve ter subido para minha cabeça por que uma luz forte veio em meus olhos mesmo fechados e foi desaparecendo para baixo. Provavelmente indo em direção a meus pés.
Uns cinco minutos devem ter se passado quando ela anunciou o fim do exame. E me entregou um papel com todos os meus resultados.
— Pode ficar com este. Um relatório foi enviado a seu técnico.
— Está tudo bem?
— Sim. Você é saudável mas não devia ter treinado tanto estando grávida. — Eu ia agradece-la por seu conselho quando percebo suas últimas palavras.
— Grávida? — Minha voz soa um pouco mais alto do que eu pretendia.
— Isso, de três meses.
— Eu... E quanto a disputa? Eu posso participar?
— Eu receio que seja melhor não. O brainsense nunca foi associado a nenhum tipo de problema de saúde mas não temos certeza de seus efeitos para um bebê sem falar que fez muito esforço por esse tempo e o estresse que uma disputa dessas gera não farão bem a ele.
— Ele?!
— O bebê. O sexo só saberemos no quarto mês. Agora deve descansar. Tudo bem?
— Sim. — Eu falei mas na verdade estava perdida. E muito confusa. Eu precisava pensar e queria um ombro de uma amiga.
Quando me dirigia a saída, não sabia como encarar Ian e não queria mentir para ele, sem falar que perceberia que eu estava alterada. Percebi que havia outra porta de saída lateral a meu lado, umas três camas antes da minha e sem pensar duas vezes saí por lá em direção a meu quarto enquanto ligava para Kat.

— Alice? — Kat bate em minha porta.
— pode entrar. — Eu falo calmamente tentando não perder o controle e demonstrar toda a angústia que sinto. Estou encolhida em um cantor da cama.

— Alice, tudo bem? O que foi? – Ela está mais agitada do que o normal, claramente preocupada. É bom ter alguém assim a meu lado.
— Eu já disse que não gosto de hospitais?

— Já, várias vezes. Por que? Você tem alguma coisa?

— Sim, um bebê dentro de mim. – Ela fica sem expressão antes de vir correndo me abraçar e para a poucos centímetros lembrando que tinha que tomar cuidado. Eu rio com essa cena. – Como é bom ter amiga palhaça. — E estendo os braços para que venha me abraçar enquanto estou sentada. É tudo do que preciso.

— Parabéns, Alice. Você sempre quis isso.

— É, eu o quero muito e pra ser sincera, fiquei muito feliz depois do choque inicial, mas não podia ter sido agora.

— Por que... – Faço uma de cara de “Não é óbvio” e ela se lembra. – Mas isso não traz problemas...traz?

— Acreditam que não mas a médica disse que é melhor não arriscar e o estresse em que você sabe que eu vou ficar não faz bem de qualquer jeito. – De repente sua expressão assume um ar de espanto. — O que foi?

— Você treinou pesado por dois meses seguidos estando grávida? De quantos meses está?

— Três.

— ALICE!

— Eu – não – sabia. Por que eu só te contaria agora?

— Sei lá, você esqueceu... Ou coisa assim.

— Dá pra esquecer?

— Sei lá, nunca estive grávida. Mas, você não se sentiu mal? Dizem que grávidas passam muito mal.

— Não senti quase nada, acho que a única coisa foi que comi mais mas achei que era do treino.

— E quanto a Ian?

— Vou contar a ele. Vou contar a todos eles, só precisava de uma amiga agora, pra colocar minha cabeça no lugar.

— Então meu trabalho aqui está feito.

— E com louvor. – Nesse momento escutamos uma batida de leve na porta e nos viramos para olhar.- Pode entrar. – Digo mesmo já sabendo quem seria. Ian entra.

— Me dão licença. – Kat fala e sai do quarto mas antes pergunta por Erick a Ian.

— Ele está no refeitório junto aos outros.

— Obrigada. – E sai fechado a porta, o que ele parece estranhar. Ele vem até mim sem dizer nada e senta na cama, algo que ele nunca havia feito antes. E eu gosto.

— Está tudo bem? Desapareceu depois do teste. Se tem algum problema sabe que pode me contar.

— Ta bom, estou grávida. – Ele fica lívido, sem expressão e acho que deveria ter ido com mais calma.

— Calma, o que? Grávida?

— É, foi o que meu exame disse. Estou grávida de três meses. Foi daquela noite se bem que não houve outra então só pode... — Ele me beija tomando mais cuidado do que Kat e interrompendo o que eu dizia.

— Isso é incrível. — Ele me encara com um sorriso terno porém sua expressão se altera para um olhar de preocupação. – E a disputa? Você pode participar, não é? – Nego com a cabeça.

— Eles acham melhor não. Eu vou contar aos outros mais tarde...

— Não precisa, nós ouvimos. – nos viramos e Erick segurava Thomas pela camiseta. – Um xereta abriu a porta sem permissão.

— Desculpa. – Erick o solta. – Mas e agora? Vamos perder?

— Teremos um jogador a menos, eles ficam com um reserva. Podem substitui-lo em uma partida quando quiserem se o jogo ainda não tiver começado. Não será bem uma vantagem. Mas e você? Está bem?

— Eu estou e você chefe? Como se sente sabendo que será tio? – Ele fica sem jeito e Kat que estava a seu lado ri baixinho.

— Estou ficando velho. – Ele diz sorrindo gentilmente. Acho que gostou da ideia de ser tio.

Todos riram e isso descontraiu o ambiente. Decidimos por jantarmos na pizzaria aquela noite, para nos despedir da cidade e esquecer os problemas mas voltamos cedo.

Na hora de deitar, Ian pediu se podia dormir com “nós” e dormimos abraçados. Sua mão por cima de mim, nos protegendo. Dormi profundamente como em todas as noites em que dormíamos juntos. Menos na que dormimos juntos no literal, nessa dormimos como pedras. E, por uma noite, esqueci completamente do que nos aguardava no dia seguinte.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.